— Essa sua amiga é muito gata.
— Estou tentando trabalhar aqui, Dove
— Eu entendo, entendo. Só estou dizendo… que ela é bonita.
— Elsbeth é bonita. Parabéns por notar o óbvio. O que vem a seguir? A água é molhada? O céu é azul? Yor é incrivelmente sexy?
— Esse é um grande elogio. Fico satisfeita que minha aparência produz o efeito desejado.
‘Ah, merda.’
— Vai se foder, Dove — rosnou Tyron. — Você sabia que ela estava ali.
— Eu não sabia de nada — respondeu o crânio de forma presunçosa.
Apesar da vergonha enorme, Tyron não parou de mover as mãos. Havia levado longas horas de trabalho para descarnar os cadáveres e agora estava no processo de preparar os ossos. Isso significava examiná-los meticulosamente com magika, limpá-los até que estivessem impecáveis, iniciar a infusão com Magika de Morte e fazer o possível para tampar quaisquer vazamentos.
Ele já havia terminado de trabalhar com os crânios, os quais estavam dispostos em uma fileira organizada em uma cama no andar de cima. No momento, ele tinha vinte e cinco corpos, mais do que suficientes para satisfazer suas necessidades, mas não tinha certeza se voltaria a ter os vinte lacaios de quando foi atacado.
Talvez conseguisse ter mais depois de avançar sua Classe.
No momento, estava trabalhando com uma pilha enorme de ossos dos dedos, a parte mais entediante de todo o processo. Se tivesse que recomeçar, provavelmente bateria sua cabeça na parede. Ele não pararia por nada.
— Quase comecei a pensar que eu não estava tendo efeito em você. É bom ver que, apesar de seus muitos dons, você ainda é humano.
Havia algo na forma como a vampira falava que parecia muito íntimo. Apesar de estar do outro lado da sala, ele sentia como se ela estivesse sussurrando na sua orelha. Era, no mínimo, um pouco perturbador.
— Pare com isso, Yor — disse ele, — estou tentando me concentrar.
A vampira fez beicinho.
— Pensei que você ficaria um pouco mais grato, considerando o que tive que fazer por você.
‘Isso é verdade.’
— Estou grato — afirmou ele. — Embora eu me pergunte se pode haver algum custo associado a essa ajuda.
Yor soltou uma risada rouca.
— Um vampiro nunca ajuda de graça. É bom que tenha começado a reconhecer isso.
— Você já não o ajudou? — comentou Dove. — O que você vai fazer se ele não te pagar de volta, desfazer a ajuda?
— Iriamos simplesmente nos recusar a ajudá-lo de novo no futuro.
— O que me deixaria profundamente atolado na merda na próxima vez que os Deuses Antigos decidirem me jogar nela.
— É bom que compreenda sua situação — sorriu Yor.
Dove ficou em silêncio por um instante antes de falar de novo.
— Garoto, sei que não perguntei muito sobre isso, mas podemos falar sobre as coisas estranhas que estão acontecendo com você? Você tem um ritual para se comunicar com o Abismo, conseguiu invocar uma mulher de pernas sensuais e agora está falando sobre Deuses Antigos? Seja lá o que isso signifique. Estou um pouco confuso.
Tyron continuou a trabalhar, mas lançou um olhar rápido para Yor, que deu de ombros levemente.
— Tudo bem, eu te conto. Isso foi me imposto, e eu não tinha nada a ver com isso, mas parece que não tenho escolha além de confrontar a situação.
— Presumo que não estamos falando sobre sua Classe Necromante.
— Não, estamos falando sobre a Subclasse Anátema que recebi durante meu Despertar.
— Durante? Você recebeu uma Subclasse imediatamente?
Tyron assentiu sombriamente.
— Sim. Três patronos me concederam a Subclasse: O Abismo, A Corte Escarlate e Os Sombrios. Minhas primeiras escolhas foram para obter um ritual que me permitia contatá-los, algo que eles me pressionam a fazer sempre que eu realizo o ritual de Status.
— O que explica o caos em Woodsedge.
— Eu quase morri naquela noite — lembrou Tyron, — podia senti-los arranhando minha mente — ele estremeceu. — Não é algo que eu queira repetir.
— Consigo imaginar — disse Yor, arrastando as palavras.
— Não é como se falar com a Corte seja muito mais agradável. Tive que drenar metade do meu sangue para funcionar.
— Não há nada que diga que precise ser o seu sangue.
— Certo — ele revirou os olhos. — Da próxima vez, devo sacrificar uma virgem?
— Ah, não, isso não é necessário — repreendeu Yor. — A menos que esteja tentando contatar os verdadeiramente antigos. Eles são um pouco mais tradicionais do que o resto de nós.
— Bem isso é… ótimo.
— É muito para assimilar — disse Dove. — Então se estou entendendo a situação, você atualmente está sujeito a três poderes ancestrais que têm direitos iguais sobre você, e alguns deles estão ficando impacientes. Estou certo?
— Basicamente, sim.
— Você tá fodido.
Tyron fez uma careta.
— Obrigado, Dove. Acho que já tinha descoberto isso sozinho. Será que há alguma chance de você descobrir uma forma de me “desfoder”?
— Primeiro, essa é uma imagem perturbadora. Segundo, na verdade não. Eu não sei nada sobre a Corte além do que aprendi ao observar de perto nossa amiga vampira aqui…
Yor apertou mais suas vestes ao redor do corpo.
—… e eu nunca ouvi falar de nenhum ‘Sombrio’. Quero dizer, posso presumir um pouco, dado o nome, mas não tenho ideia do que podem querer ou como apaziguá-los.
— Percebi que não mencionou o Abismo — Tyron levantou as sobrancelhas.
O crânio hesitou em responder.
— Estou mais familiarizado com esse lugar… é verdade, mas… o que aconteceu quando os contatou? Você já fez isso uma vez?
— Duas.
— Porra, garoto. Como você ainda está vivo?
— Sorte, em sua maioria. A primeira vez foi… difícil, já que tive que desenhar o círculo na poeira, mas não tinham um foco ritualístico, e o ritual não foi bem executado. Havia vários sigilos que estavam…
— Garoto, já entendemos que você é bom para caralho conjurando. Continue.
— Ah, certo. Basicamente, senti como se houvesse milhares de vozes tentando invadir minha mente, balbuciando algum tipo de besteira em uma linguagem que eu não conseguia entender. Quando eu consegui expulsá-las e recuperar o controle de mim mesmo, vi uma massa de tentáculos pretos forçando seu caminho através da fenda.
— Abissal…
— Presumo que sim. Então, encerrei o ritual e foi isso. Da segunda vez, eu estava muito mais preparado, consegui até mesmo interpretar um pouco da linguagem. Parecia que estavam tentando se comunicar através de imagens e flashes de cenas difíceis de visualizar ou compreender. Eventualmente, tive que afastar as vozes e encerrar o ritual antes que algo passasse pela fenda.
— Pelos doces peitos suplicantes de Selene, essa magika é perigosa, garoto. Você tem sorte de não ter enlouquecido ou sido devorado.
— Comunicar-se com o Abismo é sempre um desafio — resmungou Yor, — sem elegância ou decoro. É óbvio com qual dos três é mais agradável de se trabalhar.
— Deixando isso de lado… Olha, não sou nenhum especialista, mas o que você sabe sobre o Abismo?
— Não muito — admitiu Tyron. — Além das partes sobre os abissais nos manuais de Exterminadores dos meus pais, nunca li muito sobre isso.
— Certo, bem… na verdade, posso contar isso para ele?
— O que você quer dizer? — Tyron franziu a testa.
— Estou falando com a vampira. Você vai interferir se eu o educar sobre um dos seus rivais?
— De jeito nenhum — respondeu Yor — não temos medo de uma competição saudável.
— Tudo bem então. Deixe-me entrar no clima de palestrante. Imagine-me com um cachimbo e problema com bebida.
— Entendi.
— Certo, o Abismo. Sabe que as fendas conectam este reino a vários outros, né? Reinos que foram invadidos por magika descontrolada e se transformaram em fábricas de monstros, com o intuito de espalhar o amor. Entendeu até aqui?
— Todo mundo sabe sobre isso.
— Sempre começamos dos fundamentos. Agora, o Abismo em si não é um reino, nem mesmo é um lugar. É uma espécie de espaço negativo.
Tyron franziu o cenho enquanto continuava a tecer sua magika.
— Vou precisar de ajuda com isso, Dove. Espaço negativo?
— Não sou um especialista, como já disse. A melhor forma de explicar é dizer que nos lugares onde não existem reinos, é onde está o Abismo. Não é um reino ou dimensão no sentido que os entendemos, é o que existe onde essas coisas não existem.
— Parece… estranho.
— Só estamos começando. Dentro do Abismo existem muitas entidades, cada uma delas aterrorizante à sua própria maneira. A maioria delas não pode existir fisicamente deste lado do Véu, motivo pelo qual os abissais são tão perigosos.
— Porque eles podem.
— Exatamente, e eles são um verdadeiro pesadelo de se matar, mas mesmo os abissais são apenas peixes médios dentro do oceano de pesadelos que é o Abismo. Se você for um pouco mais fundo, avançar um pouco mais, pode falar com os grandões, os tubarões a as baleias.
— Eles são mais poderosos do que os abissais?
— Caralho, sim, eles são. Extremamente poderosos e absurdamente perigosos. Pelo que sei, eles não só não conseguem existir deste lado, como também não conseguem falar com nada deste lado.
— O que significa…
— Se você quiser falar com eles, você precisa ir até lá.
— Puta que pariu.
— Exatamente. E é aí que termina meu conhecimento, já que todo mago com magika dimensional aprende isso, para sabermos o que procurar caso alguém esteja mexendo com rituais proibidos. Especificamente, não nos ensinam mais para que não comecemos a nos meter com rituais proibidos.
‘Isso ajuda a explicar por que os Sombrios recuaram quando a Corte ameaçou denunciá-los. Eles devem ter um pacto com uma dessas baleias do Abismo. Algo tão poderoso que até mesmo os deuses têm que se conter.’
Se ele conseguisse formar uma aliança com algo assim…
— A questão é: o que você tem a oferecer a uma entidade como essa? — perguntou Yor. — Você precisa de algo para negociar, algo de que eles precisam; ou então, simplesmente será devorado.
— E suponho que você saiba o que é isso?
— Eu sei. Estou até disposta a compartilhar, se Tyron estiver feliz em reconhecer que nos deve um favor. É tudo o que peço.
— Feito — concordou ele, decididamente.
Ele já conseguia negociar com a Corte por meio de Yor, e possivelmente poderia fazer o mesmo com os Deuses através de Elsbeth ou Munhilde, mas ele tinha que ser capaz de se comunicar com os três se quisesse ter alguma chance de se preservar.
Os lábios de Yor se abriram para revelar um sorriso cheio de presas.
— Almas — disse ela. — Eles amam almas.
—
Tyron estava sentado na mesa e enterrou a cabeça nas mãos. Já passava da meia-noite e a luz tremeluzente das velas era a única coisa que iluminava a sala de jantar vazia. Isto e os olhos de Dove.
Ele estava ficando mais rápido em todos os aspectos da criação de lacaios, incluindo a remoção da carne, mas ainda era um processo demorado, em especial se ele quisesse fazê-lo direito. Esses ossos eram sua última chance de aprimorar e refinar suas habilidades antes de se submeter ao ritual de Status e avançar sua Classe. Tudo tinha que ser perfeito.
— Você não tem muito tempo, garoto — recordou-o Dove. — Este lugar vai esquentar em breve. E não quero dizer de uma forma sexual.
O Necromante magricelo levantou a cabeça e esfregou os olhos com força, tentando afastar a sensação de areia que sentia a cada vez que piscava.
— Eu sei. Devo partir amanhã de manhã, se quero estar em segurança. Os Exterminadores não devem estar longe.
— Ou os marechais. Subir para as montanhas e se esconder por um tempo é a sua melhor aposta. O único problema é…
— Eu não terei acesso aos materiais que preciso. A menos que aproveite ao máximo o que tenho aqui, não poderei avançar minha Classe com confiança.
— Bingo. Talvez valha a pena ficar mais um dia para fazer os preparativos. Algo a se pensar.
— Era exatamente o que eu precisava.
Seu corpo implorava por descanso, afinal, ele ainda não havia se recuperado totalmente, apesar da cura que Munhilde havia feito, e estava exausto. Ele tinha que dormir. De qualquer forma, com os ossos devidamente preparados e em processo de saturação no andar de cima, tudo o que podia fazer era esperar.
— Vou para a cama, — disse enquanto se levantava, mas parou. — Sabe onde Yor foi?
— Por quê? Está pensando em convidá-la para o seu quarto?
— Eu ainda quero viver, obrigado. Só estava curioso.
— Não tenho ideia. Não é fácil para mim acompanhar essas coisas em minha condição atual.
— Justo — bocejou Tyron. — Te vejo amanhã.
Levantou a mão e criou um globo de luz antes de apagar as velas no quarto. Como não teria muitas mais noites em uma cama apropriada, teria que aproveitar enquanto podia.
Quando ouviu uma batida suave na porta.
— Tyron? Está acordado?
Ele se virou para a porta, surpreso. Normalmente, ninguém o incomodava nesta casa, já que as viúvas e as crianças estavam felizes em dar espaço ao Necromante.
— Elsbeth? — respondeu ele. — É você?
— Você vai me deixar entrar ou vai me deixar na porta, no escuro? — respondeu ela.
A cadeira caiu no chão quando ele se levantou, com pressa e se dirigiu à porta.
— Desculpa por isso, — disse ele enquanto a via parada no escuro. — Normalmente, ninguém aparece quando estou trabalhando.
A Sacerdotisa hesitou por um instante em entrar no prédio, mas firmou sua determinação e prosseguiu. Felizmente, ela não encontrou nenhuma evidência do “trabalho” de Tyron. Ela estava com medo de descobrir… na verdade, sua imaginação não sabia bem para onde ir. Será que encontraria Tyron com os pulsos afundados em cadáveres, coberto em sangue e tripas? Ela o imaginava moendo os ossos e fazendo sabe-se lá o que com eles.
— Procurando por manchas de sangue? — perguntou ele ao notá-la olhar ao redor.
— Oh! Ah… um pouco, sim. Desculpe.
— Não se preocupe, — Tyron deu de ombros. — Não gosto disso, mas é o que tenho que fazer se quero continuar com minha Classe. É repugnante e eu vomitei nas primeiras vezes que fiz isso, mas, no fim, a gente se acostuma com quase tudo.
— Enterramos o que você trouxe — disse ela, — ou pelo menos o que seus esqueletos nos trouxeram. Presumo que seja toda a… a…
— A carne? — riu ele. — Sim, guardei os ossos e os coloquei lá em cima. Há um… processo pelo qual eles passarão antes que eu possa ressuscitá-los em lacaios.
Ele a convidou para se sentar à mesa e invocou alguns globos de luz para iluminar a sala. Felizmente, havia guardado todas as suas ferramentas de açougueiro e as havia limpado. Algumas horas atrás, a sala teria parecido muito mais macabra, mas ele aprendera rapidamente que precisava ser minucioso como essas coisas. O odor de carne podre não era algo que lhe agradasse, afinal.
— É difícil para mim imaginar que essa seja sua vida agora — admitiu Elsbeth, — cortando cadáveres e usando magika em ossos humanos.
— Também não é exatamente o que eu imaginava para mim — ele sorriu, cansado, — mas é o que é. Esta é a Classe que me deram, então vou tirar o melhor proveito dela. Posso ajudar as pessoas como Necromante, assim como ajudei os sobreviventes aqui. Eu consigo lutar nas fendas, matar monstros e salvar vidas. Então, se me tornar forte o suficiente, fazer o bem o suficiente, eles terão que me aceitar.
Ele falou com tanta confiança que Elsbeth quase acreditou nele, mas, no fundo da sua mente, ela não conseguia esquecer a razão por ter sido rejeitada pelos Divinos.
‘Era Tyron.’
O Mensageiro havia lhe dito sem rodeios que ele era o culpado, mesmo que ela não tivesse ideia do porquê. Os Cinco haviam virado sua vida de cabeça para baixo apenas porque ela era amiga dele. Então o que fariam com Tyron apenas para garantir que ele nunca tivesse sucesso?
— Espero que isso se concretize — disse ela. — Você já fez muito. As mulheres sofreram demais. Se você não tivesse vindo… bem, estou feliz que tenha vindo.
Ele assentiu.
— Eu também.
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. Por um breve instante, pareceu como os velhos tempos, quando passavam um tempo juntos sem nenhum propósito em mente, como bons amigos faziam. Era agradável. Elsbeth era a única pessoa com quem Tyron se sentia confortável o suficiente para baixar a guarda, e ele sentia falta de poder relaxar de verdade na presença de outra pessoa.
— Eu queria me desculpar — falou Elsbeth, — não queria atacá-lo por causa dos corpos dos bandidos. Acho que só estava chocada. Eu sabia intelectualmente o que significava ser um Necromante, mas ser confrontada com a realidade me surpreendeu. Sinto muito.
Ela olhou diretamente nos olhos dele enquanto falava, e Tyron percebeu que ela estava sendo genuína, então passou a mão pelo cabelo e sentiu um leve constrangimento.
— Está tudo bem. Eu não deveria ter sido grosseiro com você daquele jeito. Como eu disse, tive dificuldade em me ajustar quando comecei, não há motivo para ser diferente com você.
Elsbeth sorriu, satisfeita de ver que seu amigo havia retornado.
— O que planeja fazer agora? Vai ficar mais um pouco para ajudar a proteger essas pessoas?
Ele balançou a cabeça.
— Eu queria — disse ele, com pesar. — Os Exterminadores vão eliminar as criaturas das fendas que passaram pela área depois da ruptura, e os marechais estarão logo atrás deles. Posso estar fazendo meu melhor para ajudar essas pessoas, mas ainda sou um criminoso. Se eles me capturarem, estarei morto.
‘Que forma terrível de se viver’, pensou Elsbeth, e seu senso de injustiça aumentou. ‘Ele não prejudicou ninguém, apenas sua Classe é ilegal. E quem decide o que torna uma Classe ilegal? O que alguém faz com aquilo que lhe foi concedido é a única coisa que deveria importar.’
— Você… — ela hesitou, — quer que eu vá com você? Eu poderia ajudar.
— Isso… não seria certo. Você precisa ficar com sua professora e avançar sua Classe. Você não será capaz de fazer isso comigo. Aliás, o que você precisa fazer para avançar como uma Sacerdotisa das… deles?
Elsbeth suspirou e recostou-se na cadeira.
— Cuidar dos fiéis e realizar milagres para os deuses — citou ela, — seja lá o que isso signifique.
— Milagres? Você tem algum feitiço?
— No nível dois, eu tinha algumas opções menores, truques, acho que podemos chamá-los assim.
— O que você escolheu?
— Não ria.
— Eu não vou rir!
— Eu tenho um feitiço que ajuda a preservar comida….
— Isso é útil!
— É?
— Claro.
Eles continuaram a trocar piadas e, por um instante, foram capazes de esquecer que tudo havia mudado.
…