Quatro cultivadores completos do Estágio Divino invadiram uma sala, usando a mana; com expressões tensas, carregavam seus vinte e um companheiros feridos, que estavam desmaiados e mal respiravam.
Os seres de branco franziram a testa ao verem homens desconhecidos invadirem o cômodo, mas quando seus olhares avistaram os corpos carregados, suas expressões mudaram.
— Lorde Sylvarion! Precisamos de sua ajuda! — gritou o homem.
O Lorde Sylvarion mencionado era um elfo e um dos curandeiros mais bem conhecidos atualmente presentes na Ordem.
Sylvarion não perdeu tempo; com um aceno da mão, pegou os corpos dos cultivadores feridos e os colocou na cama. O homem piscou, surpreso. Ele sabia que Sylvarion era forte, provavelmente mais forte que ele, mas pensar que sua mana superaria a sua tão rápido e assumiria o controle dos corpos com facilidade…
Como isto era possível…?
O homem começou a se perguntar.
— Seus corpos estão uma bagunça. Nenhum dos órgãos está funcionando, todos os ossos estão esmagados e até o cérebro tem algumas feridas severas.
O único motivo de estarem vivos é porque são cultivadores do Estágio Divino.
— E mesmo assim, se você demorasse mais, as chances de salvá-los teriam sido completamente perdidas. Eles precisam de tratamento urgente.
Sylvarion falou com um olhar severo. Então, olhou para os quatro que trouxeram os feridos aqui ao questionar.
— Como isto aconteceu? Quem eles enfrentaram para acabar neste estado?
Ao ouvir a pergunta, a expressão dos quatro cultivadores mudou e se lembrou da experiência amedrontadora que tiveram com os corpos trêmulos. Ao ver a reação, Sylvarion estreitou os olhos e aguardou pacientemente a resposta, enquanto seus subordinados começavam a lançar alguns feitiços básicos de cura nos feridos.
— F-Foi uma luta treino.
O homem respondeu.
A batalha entre membros da Ordem, independentemente da brutalidade, sempre era chamada de luta treino.
— O quê…?
A expressão de Sylvarion mudou.
— Este foi o resultado de uma luta treino? — ele indagou num tom pesado.
— S-Sim. — O homem assentiu de repente e uma Aura assustadora explodiu do corpo de Sylvarion.
— Então, está me dizendo que isto foi feito por um membro da Ordem…?
O homem assentiu. Seu corpo tremia por causa da pressão liberada por Sylvarion.
— Quem foi? Quem foi o bastardo arrogante que pensou que esta era a maneira correta de acabar com uma luta de treino? Me dê o nome.
Sylvarion ordenou.
—… — O homem, é claro, não ousou falar o nome de Vyriana.
Sylvarion, contudo, não estava disposto a recuar.
— Me dê o nome — ele ordenou num tom mais severo. A pressão sentida pelo homem aumentou. Ele entendeu que, se demorasse mais, Sylvarion o mataria, mas sabia que não podia dar o nome de Vyriana também.
Isto o deixou numa situação complicada.
— Foi a Lady Vyriana…
De repente, outra mulher que acompanhava o homem respondeu.
— Ela veio ao Éden Velado; ao percebermos sua Aura, fomos até lá e ela nos mandou embora, sem dar qualquer explicação.
Como a mulher-urso, ela não sabia muito sobre Vyriana também, mas só por garantia, ajoelhou-se e se sentiu afortunada por isto. Entretanto, isto não significava que não mantinha rancor.
Ela nunca foi tão humilhada a ponto de ser forçada a se ajoelhar daquela maneira. Ela queria vingança, mas ela, que havia testemunhado a força de Vyriana, sabia que não poderia conseguir isto sozinha.
Ela tinha que usar outra pessoa.
— Ela falou que queria treinar seus discípulos, mas não vimos nenhum lá! Ela claramente estava mentindo e só queria que fôssemos embora!
A mulher gritou, jogando toda a culpa em Vyriana.
— Você está me dizendo que estas pessoas foram contra Vyriana…? — Sylvarion perguntou e, quando falou aquilo, seus subordinados, que estavam lançando Cura nos cultivadores, pararam.
Devia-se saber, estes eram os mesmos subordinados que nem reagiram quando Sylvarion liberou sua Aura poderosa e continuaram a tratar os pacientes, mas no momento em que ouviram o nome de Vyriana, pararam e olharam para a mulher.
A mulher achou a reação estranha, mas assentiu à pergunta de Sylvarion e, naquele momento, os subordinados do homem recuaram ao mesmo tempo.
— Hã? — A mulher franziu a testa.
— Vocês são… novatos aqui?
Sylvarion perguntou enquanto encarava a mulher.
— O-O quê?
— Mas mesmo assim… como cultivadores do Estágio Divino seriam tolos o bastante para ir contra a Vyriana…? Ela é chamada de cultivadora Divina mais forte do mundo por um motivo, sabiam?
— Hã? — A mulher, é claro, não tinha ideia do motivo de Sylvarion estar falando sobre isso agora.
Ao ver a reação dela, o elfo suspirou.
— Eles estão fora de perigo por enquanto. Maverick, leve-os para outras alas, vou tratá-los mais tarde. Tenho outros pacientes para ver.
Sylvarion ordenou.
— Sim.
Um dos subordinados se adiantou e se curvou.
— E-Espera! O que está fazendo?! Eles claramente não podem ser deixados sozinhos! Você acabou de falar que precisam de atenção imediata ou morrerão! Por que estão os mandando embora?!
— Você não ouviu o que falei?! Eles estão fora de perigo.
— A condição deles ainda é cri-
— Eu sou o médico aqui, mulher. — Sylvarion olhou para a mulher.
— A Ordem é o local em que o forte é respeitado.
— Desafiar tolamente Vyriana sem saber sua posição e ainda esperar que seja tratado instantaneamente, quando tenho pacientes que estão feridos de batalhas reais, é tolice.
— Não passe dos limites. Estas pessoas ficarão de pé em alguns meses.
— Agora, vá embora, tenho outras coisas para fazer.
O elfo se virou após dizer aquelas palavras.
— O-O que acabou de acontecer…?
A mulher permaneceu ali com um olhar confuso.
— Por que você não ficou quieta…? — O homem se aproximou com um suspiro.
— M-Mas foi ele que pediu o nome!
— E por que acha que fiquei calado?
— Que tipo de idiota falaria que ofenderam intencionalmente o ser mais forte existente e agora quer ser tratado? Obviamente, os médicos não levarão você a sério. Você sabe quantos cultivadores eles curaram após serem espancados pela Vyriana?
— O número é tão alto que nem conseguem contar! Chega ao ponto em que já se acostumaram e não levam mais os pacientes a sério.
— Os cultivadores que desafiam a Lady Vyriana são tratados como tolos e a Ordem não tem considerações por idiotas.