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Warlock Apprentice – Capítulo 65

Realidade Projetada

Angor notou as palavras de Sunders, “Espere por minha volta”. 

Ele está de saída? 

“Professor, eu li alguns livros sobre o Reino do Pesadelo e ainda não aprendi basicamente nada. Que tipo de mundo ele é?” 

Não importava se ele estava de saída ou não. Para Angor, conhecer o Reino do Pesadelo era o mais importante. 

Ouvindo a pergunta, Sunders permaneceu em silêncio por um longo período, antes de falar lentamente, “O Reino do Pesadelo… é um plano bem peculiar.” 

Havia muitas emoções complicadas e contraditórias piscando em seus olhos. 

“Ninguém sabe a natureza da dimensão. Pode refletir qualquer realidade e fazer as pessoas acreditarem que o que eles estão vendo é falso. Mas quando você olha de perto, você irá descobrir algo real lá. O plano tem suas próprias regras, e ninguém pode distinguir o certo do errado naquele mundo.” 

Aquelas palavras foram ainda mais vagas que as dos livros. 

“Ainda não aprendi nenhum detalhe sobre o Reino do Pesadelo. Mas posso lhe dizer que grande parte do que alcancei hoje veio do Reino do Pesadelo. Me levou centenas de anos, e ainda estou andando em círculos nas bordas do Reino do Pesadelo. Você vê quão valioso essa dimensão é agora?” 

Um poderoso mago famoso em toda a região sul fez seu nome apenas andando em círculos ao redor da borda? 

“Contudo, a oportunidade é acompanhada de perigo. Ou melhor, você encontra mais perigos que oportunidades,” disse Sunders. Ele parou e encarou Angor. 

“Acho que você já conhece tal perigo. Você mesmo já deu de cara com pesadelos, não foi mesmo? Eles lhe colocaram numa situação mortal, duas vezes. E de alguma forma, alguma coisa lhe ajudou a sobreviver.” 

Angor estava um pouco surpreso em como Sunders de repente dirigiu o tópico para ele. Ele sabia? Situações mortais? 

Mas como poderia ele não se lembrar de algo como aquilo? Angor se lembrou dos 14 anos de sua vida. Ele nasceu numa família nobre e mantinha uma boa relação com seus pais e irmão. Sua família não era grande, mas ainda era dominante na cidade Grue. Como o filho mais novo de sua família, Angor viveu sua vida pacificamente sem encontrar muitos problemas. 

Além disso, por que Sunders saberia sobre tais incidentes de qualquer maneira? 

“Você esqueceu? A ilusão da toca de coelho tecida pelo monstro no Reino do Pesadelo, e a mulher com o rosto costurado?” Olhando para a expressão confusa de Angor, Flora revirou os olhos, “Você mesmo disse! Agora precisa que a gente te relembre?” 

Toca de coelho… e a mulher com rosto costurado! 

De repente lhe ocorreu. Durante sua “viagem ao país das maravilhas”, ele REALMENTE se deparou com o perigo duas vezes. Porém, ele sempre pensou que o que acontecera durante seu teste de talento fosse apenas uma ilusão, então ele nunca levou isso a sério. 

Sua vida estava em perigo? 

E aquele lugar que parecia exatamente como a Mansão Padt era o Reino do Pesadelo?! 

Se fosse o caso, Angor poderia entender as palavras de Fein Werder sobre o Reino do Pesadelo em seu livro Mundos Fantásticos – A realidade é projetada no imaginário e dá luz à verdade. 

A “falsa” Mansão Padt com uma atmosfera estranha era a “realidade projetada” enquanto a Mansão Padt no mundo real era projetada no Reino do Pesadelo. 

Muitas de suas dúvidas poderiam ser explicadas dessa forma. Mas… o que Werder queria dizer com “projetada no imaginário e dá luz à verdade”? 

Sunders falou, “Ninguém poderia explicar nada sobre este plano. Eu disse que poderia refletir todas as realidades. Aqui, isso não significa o mundo em que vivemos. ‘Realidade’ se refere aos mundos com formas de vida sapiente vivendo neles.” 

“Quando eu entrei no Reino do Pesadelo pela primeira vez, meu local de pouso tinha uma pirâmide gigante e prateada lá. Eu não tinha ideia na época. Depois de muitos anos, eu participei de uma expedição dimensional para outro plano onde um túnel ainda não havia sido estabelecido. Ninguém jamais havia entrado lá antes. As pessoas apenas descobriram a barreira de espaço cinzento entre o plano e o mundo dos magos. Como expedicionários, nós fomos os primeiros a pisar no plano.” 

Sunders suspirou, “Você sabe qual foi a primeira coisa que eu vi na nova dimensão?” 

A expressão de Angor já lhe dera uma resposta. 

“Sim. A gigante pirâmide prateada que eu vi no Reino do Pesadelo vários anos antes da expedição,” Sunders deixou escapar outro profundo suspiro. Ele então disse, “Pensei que tinha tropeçado no Reino do Pesadelo outra vez, por isso me preparei para avisar os outros feiticeiros para recuarem, porque nunca se pode ser suficientemente cauteloso quando se lida com algo relacionado a ele.” 

“Mas futuramente, a dimensão provou ser algo diferente. Era um plano ordinário, sem qualquer recurso ou mesmo terra fértil para plantar alimentos. A única coisa digna de nota era uma criatura sapiente chamada Meio Golem. Foi uma boa amostra para magos que se interessavam por experiências de criação de vida.” 

“Este é apenas um exemplo, e pode não ser suficiente para provar que o Reino do Pesadelo pode refletir todos os mundos com criaturas sapientes. Contudo, depois de discutir com outros magos que também entraram no plano antes, todos tiveram experiências similares. Então chegamos à conclusão de que o Reino do Pesadelo tinha a habilidade de projetar realidades com criaturas sapientes neles.” 

Ouvindo Sunders, Angor pensou internamente. 

Seguindo a convenção no campo acadêmico de fazer suposições ousadas e verificações cuidadosas, deveria haver uma pré-condição para essa conclusão, ou melhor, uma condição assumida. Por exemplo, projetar um mundo específico requiria o fato de que uma criatura sapiente desse mundo tivesse entrado no Reino do Pesadelo antes. 

“Não podemos explicar o Reino do Pesadelo facilmente. Sua experiência dessa vez pode ser tanto um desafio quanto um destino para você,” disse Sunders. 

A conversa sobre o Reino do Pesadelo terminou aqui. Sunders não comentou muito sobre a decisão de Angor. Angor até mesmo sentiu como se ele estivesse errado sobre os planos de Sunders. Talvez ele estivesse completamente de boa se ele tivesse escolhido se vender para a Caverna Bruta ou criar seu próprio modelo espiritual. Então, novamente, já era tarde demais para pensar sobre isso agora. Ele já o havia dado sua resposta… 

Goode retirou todos os pratos da mesa e pediu aos outros criados que trouxessem alguns bolos cozidos e leite. 

O leite foi preparado especialmente para Angor. Ele esforçava-se muito para esconder o seu gosto particular, mas parecia que não fizera um bom trabalho. Goode trazia-lhe leite ou produtos lácteos todos os dias. 

Graças a Deus, Goode era o único que sabia deste segredo— 

“Você gosta de leite? Com certeza ainda é uma criança,” Antes mesmo de Angor terminar o seu pensamento, Flora sorriu para ele enquanto bebia um copo de um líquido desconhecido, vermelho-sangue. 

Angor ficou sem palavras. 

“Nesse caso, deverias beber mais. Assim, uma criança cresce mais depressa”, comentou Sunders com toda a seriedade. 

Angor engoliu em seco e tentou retorquir: “Na verdade, poderia ser outras bebidas”. 

Sunders ignorou isso. Virou-se para Goode e ordenou: “Mantenha todas as vacas do rancho para Angor”. 

“Como quiser, mestre,” respondeu Goode. 

Angor ficou… ainda mais sem palavras. 

… 

“Viu as nuvens de trovões hoje, certo? O que sentes?” Sunders ainda falava no seu tom simples e sem emoção, mas Angor teve a sensação de que havia menos indiferença e mais simpatia nele. 

“Foi estranho. A trovoada persistiu do meio-dia até agora. Era tão grande. Quase cobriu toda a Água do Diabo.” 

“Heehee. Você não percebeu que havia apenas relâmpagos e nem uma única gota de chuva na tarde inteira?” perguntou Flora enquanto levantava sua taça cheia de líquido na cor de sangue. 

“É verdade.” Angor percebeu. Não houve chuva nenhuma. 

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