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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 6 – Capítulo 78

Os Quatro Cantos

Subaru: “…Você está pronto? A torre está em péssimo estado agora. Se eu fosse sair e dizer o quão ruim esta, seria quase tão ruim quanto jogar Othello (jogo de tabuleiro 8 x8 ) com todas as quatro esquinas perdidas para você.”

Ram: “Isso… deve ser bem ruim.”

A expressão de Ram se obscureceu enquanto Subaru começava sua explicação, levantando um dos dedos no ar. Um olhar bastante solene apareceu no rosto dele. No entanto, Ram não era a única pessoa levando aquilo a sério. Emilia e Beatrice, que também estavam ouvindo, estavam da mesma forma.

“Othello” ― mais comumente conhecido como Reversi ― era um jogo de tabuleiro em que dois jogadores competiam em um tabuleiro de 8×8 = 64 casas, utilizando peças pretas e brancas.

Naturalmente, esse conhecimento sobre “Othello” Subaru trouxe consigo de seu mundo original. Como foi relativamente fácil recriar o jogo no mundo atual que ele se encontrava, ele acabou introduzindo na mansão de Roswaal bem cedo.

Isso causou um grande alvoroço e foi extremamente bem recebido, especialmente por Emilia.

Por isso, ele pôde transmitir adequadamente a gravidade da situação atual para elas. Ter todas as quatro esquinas perdidas em Othello significava estar completamente perdido.

Além disso, embora Ram não tenha participado muito, nas poucas ocasiões em que ela jogou ela era literalmente tão forte quanto um Oni representaria, como seria de se esperar de alguém como ela.

De qualquer forma…

Beatrice: “Perder todos os quatro cantos, uma situação completamente absurda, eu suponho… Isso vai longe demais, até mesmo como uma desvantagem, de fato.”

Emilia: “Acho que até eu ficaria ‘ocupada como uma abelha’ e venceria se pegasse tantos deles…”

Subaru: “Quem ainda usa “Ocupada como uma Abelha” nos dias de hoje…”

Emilia: “…! Subaru, você pode dizer isso de novo?”

Subaru: “Vou dizer, mas mais tarde. Mais tarde.”

Emilia captou a resposta tradicional de Subaru, parecendo um pouco desanimada por ter seu pedido negado. Embora ele se sentisse um pouco culpado ao vê-la assim, o flerte teria que esperar até mais tarde, como ele já havia dito várias vezes.

A primeira prioridade deles era encontrar uma maneira de sair da situação em que estavam. E para isso…

Subaru: “Os quatros cantos…se fossemos mencionar os elementos que poderiam nos fazer falhar no jogo, seriam, os dois “Gulas” dentro da torre, o enxame de Majuus que eles convocaram. Além disso, dói dizer isso, mas nossa companheira… Ah, é, acho que é meio discutível se posso chamá-la assim…”

Todos: “――?”

Subaru estava prestes a mencionar o quarto canto, mas por um instante hesitou sobre o que iria dizer em seguida.

Principalmente porque nem ele mesmo havia encontrado uma resposta que fosse simples de entender e descrevesse adequadamente a mulher que involuntariamente se colocava no caminho deles como o quarto elemento.

Ele não estava distante o suficiente dela para chamá-la de conhecida. Além disso, a conexão deles não era fraca a ponto de serem chamados de inimigos amargos. Mas será que compartilhavam um destino suficiente para que ele pudesse chamá-la de companheira? Pelo menos, ele poderia considerar sua relação com ela como uma espécie de relação de professor e uma aluna desajeitada.

Ainda assim, como Emilia e os outros a viam?

Mas, enquanto Subaru hesitava…

Emilia: “Você disse companheira, certo? O que aconteceu com Shaula?”

Subaru: “…”

Emilia: “…? Subaru?”

Subaru: “Não, não é nada. Isso mesmo, estou falando de Shaula.”

Subaru agiu imediatamente como se nada estivesse errado e acenou de volta para Emilia. Não foi apenas ela, Beatrice e Ram também não viram problema na forma como Emilia a reconheceu.

A maneira como viam a Shaula era a mesma como a Emilia a via, independentemente de terem memórias dela ou não. Em outras palavras, isso servia como prova de que viam ela como um ser amigável para elas.

Subaru: “Eu fui um idiota…? Sim, com certeza fui.”

Tropeçar no óbvio era um hábito ruim de Natsuki Subaru. No entanto, ele refletiria profundamente sobre as coisas, usando isso para se esforçar ao máximo e isso era uma de suas forças.

Um elogio para cada vez que ele se diminuía. Idealmente, ele se elogiaria cem vezes por cada vez que o fizesse.

Isso seria o suficiente. Embora o verdadeiro ideal fosse se elogiar dez mil vezes sem se diminuir uma única vez.

Subaru: “De qualquer forma, sobre a Shaula… vocês se lembram das regras da torre? Aquelas que não devem ser quebradas. Elas foram explicadas antes, certo?”

Ram: “Sim, foram. Não podemos sair sem completar os Testes, não podemos quebrar as regras dos Testes, não podemos desrespeitar as bibliotecas, não podemos danificar a torre… Acho que essas eram todas as violações.”

Subaru: “Sim, exatamente.”

Subaru estalou os dedos para Ram depois que ela as listou prontamente. Então apontou para baixo, indicando a torre inteira.

Subaru: “Então, com essas regras… O quarto elemento aparece quando uma delas é quebrada. Eu não sei especificamente qual delas, mas uma delas o fará. Depois disso…”

Ram: “Ela mostrará os dentes para nós, como disse. ――Que irritante.”

Ram, assumindo sua típica pose com os braços cruzados, piscou um dos olhos enquanto imaginava o pior.

A habilidade de combate insana da Shaula era bem conhecida por Subaru, considerando que ele havia passado por muitos loops em que ela o havia matado. Mas além dele, todos também estavam cientes disso depois de terem sido atacados por tiros de sniper de longe, no deserto.

Beatrice: “Aquela garota vazia é bastante forte quando usa aquelas coisas dela, eu suponho. Mesmo que estejamos melhores do que antes, quando não podíamos fazer nada por sermos atacados de longe, não vai mudar o fato de que as coisas vão ficar sombrias se ela se tornar nossa inimiga, de fato.”

Com os braços cruzados, tanto Beatrice quanto Ram franziram a testa.

O fato de serem tão rápidos na compreensão era uma grande ajuda, pois Subaru podia reduzir o tempo gasto explicando. Entre todos aqueles rostos sombrios, foi apenas Emilia que levantou a mão. Seu rosto, o mais bonito do mundo todo, ainda estava livre de rugas.

Emilia: “Mas estaríamos enfrentando a Shaula, não é? Não podemos de alguma forma persuadi-la conversando com ela? Shaula é suuuper ligada ao Subaru, então se ele tentasse o seu máximo, talvez…”

Subaru: “Eu adoraria uma resolução pacífica para isso, mas fazer Shaula sentar à mesa de negociações parece uma tarefa difícil. Em relação a ela ser ligada a mim…, acho que nada mudou nesse sentido.”

Ram: “Isso significa que ela vai estar mirando principalmente em você, Barusu. O fato de ela ter seus objetivos reduzidos será extremamente útil.”

Isso poderia ser percebido como se ela tivesse como alvo os membros mais fracos de seu acampamento, mas independentemente disso, Subaru concordou com os pensamentos de Ram.

Em vez de enfrentar uma situação em que não saberiam quem seria alvo dos inimigos indiscriminadamente escondidos na torre, seria mais fácil elaborar um plano de contra-ataque que envolvesse Subaru sendo alvo imprudentemente.

Resumindo os problemas que estavam enfrentando…

Beatrice: “…Os quatro elementos são: os dois “Gula”, o enxame de Majuus além da Shaula, que virá nos atacar, eu suponho.”

Subaru: “Embora dois desses cantos já estejam sendo lidados. Tudo graças à Beako tomando o comando.”

Durante o tempo em que Subaru passou encolhido na Biblioteca “Taygeta”, a inteligente e adorável Beatrice levou todos com ela, um por um, e os manteve ocupados lidando com os danos que atingiram a torre.

Ela enviou Meili para a varanda, onde ela podia observar o enxame de Majuus. Então, como parte disso, ela também se juntou a Ram e Emilia depois que elas tiraram Rem da Sala Verde , infelizmente, elas encontraram Rai no caminho, o que as levou a caírem nessa situação onde o nome de Emilia foi tirado dela.

Emilia: “Hmm, está tudo bem. Subaru ainda se lembra de mim, então estou completamente bem com isso. Mesmo que ele frequentemente acabe esquecendo nossas promessas, ainda me deixa muiiito feliz que ele ainda se lembre de mim adequadamente.”

Subaru: “Hmm, de onde veio esse golpe pelas costas de repente?”

Beatrice: “Parece-me que é apenas o costume dela, de fato. Essa garota também parece te conhecer bem, eu suponho. Embora não tanto quanto eu.”

Subaru: “Não há necessidade de brigar por mim, minhas queridas.”

Subaru deu alguns acenos enquanto acariciava a cabeça de Beatrice, aproveitando o carinho delas por ele. Então, ainda envolvido na emoção, Ram o chamou com um “Barusu”.

Ram: “Você disse que dois dos cantos estão sendo lidados, certo? Eu sei que um deles é a Meili segurando o enxame de Bestas da Bruxa, mas e o outro?”

Subaru: “…Julius.”

Subaru segurou o peito em resposta a Ram e dirigiu sua atenção para a batida de seu coração.

Seu poder “Cor Leonis” ainda estava forte. Naturalmente, ele estava retirando os fardos de Ram dela. Além disso, o paradeiro de seus companheiros estava sendo transmitido em tempo real para ele.

Dentre eles, havia uma luz que definitivamente parecia corresponder a Julius. E o lugar onde ele estava era…

Subaru: “…Ele está no segundo andar, travado em batalha com o inimigo.”

Emilia: “O segundo andar… você não pode querer dizer…”

Subaru: “Sim, exatamente isso.”

Ele assentiu de volta para Emilia enquanto ela rapidamente empalidecia, antes de lançar um olhar furtivo para cima.

Ele não podia ver diretamente, já que o teto estava no caminho, mas podia definitivamente sentir os sinais da feroz luta que estava ocorrendo além de seu alcance.

―― A Revanche entre Julius Euclius e Reid Astrea havia começado.

Subaru: “…’

No final das contas, parece que ele não conseguiu evitar uma conclusão.

Depois que Subaru havia caído de joelhos antes, incapaz de se levantar, Beatrice havia assumido o comando de seus companheiros. O oponente com quem Julius acabou travando batalha havia sido Reid Astrea, mesmo sob o comando de Beatrice.

Naturalmente, isso havia sido influenciado pelo fato de que Roy Alphard ― ou melhor, Reid, que havia assumido o corpo do Arcebispo do Pecado da Gula e ganhado sua liberdade, buscava ativamente sua conclusão.

No entanto, Subaru havia passado por muitas “mortes” e atravessado muitas possibilidades, querendo ou não. E isso o fez entender algo.

―― Por mais irritante que fosse, o destino existia.

Não importa qual caminho você seguisse, a realidade firme e inalterável era chamada de destino.

As flutuações da história eram tão implacáveis que realmente faziam você acreditar que as coisas estavam predeterminadas. Era quase como se os resultados já estivessem determinados pelo destino, com todos os ramos convergindo ali.

Aquilo havia sido o resultado de todas as suas vontades se unindo para tentar alcançar seus objetivos respectivos. No entanto, precisamente por causa disso, eles haviam se entrelaçado tão profundamente que nunca se separariam.

Ainda assim, isso significava que não havia esperança à frente?

Considerando que a conclusão entre Julius Euclius e Reid Astrea era inevitável, isso só poderia significar que…

Subaru: “Reid deve ter assimilado uma das “Gulas”, sua aquisição deve estar quase concluída. Embora vamos deixar Julius resolver as coisas com Reid. Nós vamos lidar com os três restantes.”

Ram: “Isso realmente vai dar certo, Barusu?”

Subaru: “…? O que você quer dizer?”

Subaru inclinou a cabeça sinceramente em resposta à pergunta de Ram. Mas ao vê-la reagir assim, ela apenas murmurou um breve “Deixa pra lá”.

Ram: “Já sei como Barusu lida com as coisas. Parece que estou perdendo meu toque também. Suponho que não temos escolha a não ser confiar na proposta de Barusu.”

Subaru: “Não entendi bem o que você quis dizer, mas você sabe que consigo perceber quando está me zoando, né?”

Emilia: “Huh? Não, não, ela está só te elogiando. Ram está dizendo que confia muiiiito em você, Subaru. Hehe, agora vou precisar me esforçar bastante.”

Ram: “…Vou conversar com você mais tarde, Emilia.”

Emilia aflita respondeu à Ram com um “Sim, senhora”, com um leve tom feliz em sua voz.

Apesar da situação em que estavam, Emilia provavelmente estava contente e achava refrescante que Ram não usasse mais honoríficos ao se dirigir a ela. Agora que sua conexão mestre e servo havia desaparecido, a atitude que ela mostrava para a Emilia era de talvez amigas, ou talvez uma irmãzinha que sempre foi bem complicada.

Ram não tinha mais a oportunidade de interpretar o seu papel de uma irmã mais velha, a partir do momento em que que sua irmãzinha real não precisava de muita coisa. No entanto, ela se posicionava como uma irmã mais velha agora graças à Emilia que acabava ficando feliz com a situação.

Subaru: “De qualquer forma, é isso que está acontecendo na torre. O que precisamos fazer a seguir é organizar as melhores pessoas para cada lugar. Essa organização é onde Natsuki Subaru realmente brilha!”

Ram: “Você é muito humilde, não é?”

Subaru: “Humilde ou não, é um trabalho importante! Isso é o que eles querem dizer quando falam dos heróis desconhecidos! Isso é algo que só eu… Isso mesmo, isso é algo que só eu posso fazer! Esta é minha batalha…Owowowowo!!

Ram: “Vamos logo começar a organizar.”

Ram deu um tapa no rosto de Subaru por ter gastado muito tempo em sua introduçãozinha. Sentindo a dor do dano que recebeu, Subaru olhou ao redor para os três rostos que estavam em conjunto com ele― e também para o dragão da terra ― e disse: “Estão todos prontos?”

A partir daqui, seria uma guerra total, em seu sentido mais verdadeiro. Mal fazia diferença se você era humano ou dragão da terra e em primeiro lugar, Patrasche normalmente era muito mais útil do que o próprio Subaru

Mas se você adicionasse o Super Subaru à mistura, suas possibilidades explodiriam dez vezes e então dobrariam.

Subaru: “One for All, All for one. Todos por um, um por todos. Não podemos vencer sem ter todos a bordo. Não podemos ter nem um de nós faltando. Vamos começar a ganhar se tivermos todos, porque nós…”

Nota do tradutor: Subaru diz a primeira frase que eu coloquei em inglês antes de repetir o equivalente em japonês.

Emilia: “…Porque viemos a esta torre para recuperar o que nos foi tirado, não vamos permitir que nos percamos.”

Subaru: “Exatamente.”

Subaru deu um aceno para Emilia com um estalo de dedos antes de recuperar sua compostura.

Subaru: “Então, em primeiro lugar, o oponente de Ley Batenkaitos será…”


???: “…Barusu.”

Subaru: “Huh?”

Eles começaram a se dirigir para seus postos depois de terminarem sua discussão. No entanto,

alguém o agarrou pela gola e o forçou a parar antes que pudesse continuar. Embora não tenha sido com força suficiente para sufocá-lo. Provavelmente, houve uma razão para mostrarem tal consideração.

Subaru: “Não é típico de você se preocupar tanto em não me machucar, nee-sama.”

Ram: “Não é como se eu me incomodasse em usar muita força ao olhar para uma mosca presa na palma da minha mão. É a mesma coisa… Embora não seja como se eu colocasse uma lá de propósito. Isso seria nojento.”

Subaru: “Não diga só para depois negar!”

Subaru deu de ombros diante da forma típica de falar de Ram. Parada na frente dele, Ram apertava e soltava suavemente a palma da mão, verificando sua sensação algumas vezes.

Seus gestos carregavam vestígios leves de perplexidade. Isso era bastante raro para Subaru, devido a ele está acostumado a ver a Ram sempre agindo com indiferença.

Era um privilégio testemunhá-la tão perplexa e incerta consigo mesma. Foi apenas graças a isso que ele conseguiu suportar os níveis de exaustão que ameaçavam esmagar todo o seu corpo.

Subaru: “…”

O corpo de Ram era constantemente atormentado pelo fardo de ser “Sem Chifres”. Subaru assumiu esse fardo quando usou seu Cor Leonis, o que por sua vez deu a ela a força extra para operar ao máximo. Cor Leonis era um dos truques mais essenciais deles para vencer esta torre.

Subaru já havia dado a Ram um breve resumo do que estava acontecendo com ela, embora tenha deixado de lado os detalhes finos.

Em resumo, os fardos de Ram estavam fluindo para ele, tornando o corpo de Ram muito mais leve nesses aspectos. No entanto, como isso o estava deixando terrivelmente tenso, ele desejava uma resolução rápida para a situação em que estavam. Mais ou menos isso.

Ram: “Agora que penso sobre isso, como será só você quem vai sofrer, Barusu, não me importa quanto tempo isso vai durar.”

Subaru: “Mas isso é um esforço conjunto entre você e eu, nee-sama. Você deve querer resolver isso o mais rápido possível quando pensa dessa forma, certo?”

Ram: “Sim. Você me dá um sentimento de nojo.”

Subaru: “Não acha que usar o termo “Nojento” é ir um pouco longe demais…”

Mas, bem, lançar abusos contra mim é tão típico dela.

Subaru aceitou isso, enquanto suprimia o desejo de vomitar. Ram o encarava, assumindo sua pose familiar com os braços cruzados na frente dele.

Ram: “…Barusu. Não vou pegar leve.”

Subaru: “…”

Naturalmente, quanto mais Ram se movia usando todas as capacidades do seu corpo, maior era o fardo que ele precisava assumir, atuando como seu contrapeso. Mesmo assim, se ele quisesse manter Ram nesse estado, precisaria estar preparado para assumir todo esse fardo extra.

Só o fato de ela estar ali parada e respirando já era o suficiente para fazê-lo gemer. E isso era apenas a dor que ela experimentava em sua vida diária típica.

Subaru: “Nee-sama é muito gentil, não é?”

Era assim que Rem, que ainda estava dormindo, frequentemente a avaliava. Naquela época, ele não tinha entendido muito bem, mas agora finalmente compreendia.

Se ele fosse introduzir isso da maneira típica da Ram, seria algo como: “É assim que Ram faz as coisas”.

Ram: “Barusu?”

Subaru: “Não é nada. ――Claro que não vamos pegar leve. Eu consigo perceber se você está realmente séria pelo quanto estou sofrendo. Que tortura.”

Ram: “Então você está dizendo que seu plano é do tipo em que quanto melhor eu me sinta, mais você vai sofrer?”

Subaru: “Sinto como se tivesse entregado o botão dos mísseis nucleares para a pessoa errada.”

Mas, novamente, se Subaru fosse entregar o botão dos mísseis nucleares a um de seus companheiros, Ram seria a única que ele consideraria.

Subaru: “Otto também seria uma boa aposta, se não fosse pelo fato de que eu ficaria preocupado que ele pudesse acidentalmente apertar… Você é a mais confiável no sentido de que usaria isso corretamente, nee-sama.”

Ram: “Hah! A Bajulação não vai te levar a lugar nenhum… Escute, cuide bem da Emilia e da Beatrice-sama. Não me importo com o que aconteça com você, Barusu, porque sei que você sempre está uma bagunça, seja qual for o caso.”

Subaru: “Sim, sim, eu sei. E sobre a Rem…”

Ram: “――A pessoa que mais se importa com a Rem neste mundo sou eu.”

Ram declarou isso como se estivesse afirmando algo óbvio. Seus olhos carmesim estreitaram-se enquanto as palavras dela tiravam o fôlego de Subaru pela intensidade.

Ram: “Digamos apenas que é o suficiente que você, à sua maneira Barusu, é a pessoa que mais se importa com ela no mundo, depois de mim. Deixar isso assim não deveria perturbar nem um único fio de cabelo na cabeça de Rem.”

Subaru: “…Sim, ou isso me faria querer morrer.”

Ram virou as costas para Subaru depois de trocarem seus sentimentos.

Provavelmente havia muitas coisas que ela queria dizer, palavras que queria deixar para ele, mas ela mudou rapidamente sua atitude, colocando um fim ali.

Assim era verdadeiramente como Ram lidava com as coisas.

Ram: “Cuide-se o máximo possível, Barusu. Caso contrário, se você morrer, não conseguirá ver a Rem novamente.”

Subaru: “Sim, também te amo.”

Subaru respondeu de forma brincalhona às preocupações sarcásticas de Ram.

E assim, Subaru a observou correr para longe sem dizer uma palavra, antes de firmar os pés no corredor e se reunir com Emilia e Beatrice, que o aguardavam.

Subaru: “Desculpem pela espera. Vamos sair também.”

Emilia: “Sim, vamos. A Ram ficará bem?”

Subaru: “Sim, provavelmente; afinal, ela é a Ram, então vai ficar bem… Se eu tivesse mandado ela fazer algo realmente bobo, não teria como ela não ter dito nada a respeito.”

Beatrice: “Você colocou muita confiança na Ram novamente, suponho.”

Subaru: “Confio tanto em você, e além disso, te amo muito mais. Não faça bico.”

Beatrice estufou as bochechas como se estivesse dizendo: “Não estou fazendo bico, na verdade!”. Subaru segurou sua mão estendida e então olhou para Emilia ao seu lado. Ele se perguntou se ela estava preocupada com Ram saindo sozinha, no entanto, seu rosto de perfil mostrava apenas uma leve ansiedade.

Subaru: “Emilia-tan?”

Emilia: “Não, é nada. Eu simplesmente acho isso muito reconfortante.”

Subaru: “… Coincidência ou não, eu também sinto o mesmo.”

As palavras de Emilia não tinham realmente fundamento, mas para Subaru, suas palavras foram um grande estímulo.

Suas expectativas superaram em muito suas ansiedades. Era muito mais reconfortante ter alguém em quem confiar do que ter alguém confiando em você. Era melhor encarar o que estava por vir acreditando, em vez de se apegar. Embora não fosse como se eles tivessem resolvido todos os seus problemas ainda.

Subaru: “É natural acreditar em seus companheiros, além disso, você pode acreditar em si mesmo contando com eles também. Agora é o momento mais claro que tivemos desde que chegamos a essa torre cheia de areia.”

Beatrice: “――Esse olhar seu, é o meu tipo favorito de Subaru, suponho.”

Beatrice olhou para Subaru, que tinha assumido as coisas com encorajamento e deu um sorriso audacioso. E então, com o comentário de Beatrice, Emilia colocou uma mão nos lábios com um “hehe”, fazendo Beatrice apontar a reação de Emilia com um “O que foi?”.

Emilia balançou a cabeça e então falou:

Emilia: “Parece que você não se lembra, Beatrice, mas eu estava pensando exatamente a mesma coisa que você.”


Uma enorme criatura foi agarrada pelas patas traseiras e violentamente girada antes de ser esmagada contra as paredes e o chão sem piedade.

???: “…”

Essa criatura, que estava recebendo esses golpes monstruosos e insondáveis, soltou um grito horrendo. Uma som desagradável ecoou pelo ar, semelhante aos gritos de incontáveis bebês.

???: “――ϡ ϡ”

O que emitia esses gritos repugnantes era um Majuu bizarro e repulsivo ― uma que de acordo com seu próprio conhecimento, Natsuki Subaru havia chamado de Centauro. No entanto, aquela garota que estava bem familiarizada com esse tipo de Majuu já o havia chamado por um nome diferente. ―O nomeando de “Rei Cavalo Faminto”.

Rei Cavalo Faminto: “――ϡ ϡ”

O corpo maciço do Rei Cavalo Faminto foi arremessado para longe, fazendo-o dar cambalhotas pela varanda da torre de areia. Após ser golpeado pelos impactos daquele que era nomeado como o Rei do Mar de Areia, a criatura que havia sido lançada para longe, instantaneamente se levantou, com chamas jorrando de sua crina.

Sua metade superior humana empunhou duas espadas envoltas em chamas. Usando uma arte de espada de duplo empunhadura completamente não característica de um Majuu, o Rei Cavalo tentou lançar um golpe vermelho escaldante na criatura que vinha desferindo ataques contra ele.

No entanto…

???: “…”

Um raio de luz branca perfurou o Rei Cavalo Faminto enquanto ele tentava balançar suas espadas de chama, sua crina flamejante estava ondulando. O impacto fez com que essa enorme criatura recuasse alguns passos. No entanto, ela resistiu. Ela havia resistido. E assim, o Rei Cavalo deu um passo à frente novamente, se preparando para lançar seu contra-ataque. ― Mas no momento seguinte, o raio de luz branco explodiu de dentro de seu corpo.

O raio de luz branco se transformou em uma infinidade de raios brancos que dispararam para fora do Rei Cavalo em todas as direções, de dentro para fora.

Não importa o quão resiliente fosse uma criatura, ela não poderia escapar da morte se todos os seus órgãos vitais fossem destruídos. O Rei Cavalo Faminto não foi exceção a essa regra, pois pereceu brutalmente pelos raios brancos de luz.

???: “…”

O massacre da mulher que estava por trás de sua morte ― Shaula ― não parou por aí.

Agitando seus cabelos castanhos trançados, Shaula impulsionou-se vigorosamente contra o chão e saltou pelo piso da varanda. Com luz emanando de suas mãos estendidas, ela agarrou dois inimigos que estavam obstruindo seu caminho ― eram Majuus com escamas de lagarto sobre corpos semelhantes a macacos. A partir daí, a luz emanando de suas mãos jorrou.

Se Subaru tivesse visto seu golpe, ele provavelmente o teria apelidado de “Pile Bunker”(é um termo para designar uma arma usada em humanos ou robôs que pode ser usada como habilidade especial). As cabeças dos dois macacos que ela agarrou pelo rosto foram destruídas pela luz branca que ela atirou, sem sequer lhes dar a chance de revidar. Ela seguiu girando no local e usando suas longas pernas para derrubar os macacos que saltavam em sua direção.

Os dedos dos pés dela bateram em seus rostos, jogando-os no chão com as cabeças afundadas.

O palco onde ocorria a batalha entre Shaula e os Majuus era o quarto andar da Torre de Observação das Pleiades. Apesar da varanda externa estar construída a centenas de metros acima do solo, havia vários Majuus ali que tinham asas ou conseguiam escalar facilmente a parede.

Ela derrubava uma por uma as que escalavam e logo a varanda se transformou em um mar de sangue.

Shaula: “…”

Mesmo depois de tantas carnificinas, Shaula não demonstrava o menor sinal de cansaço.

O número total de Majuus que avançavam rumo à Torre de Observação Pleiades era tão grande que seria inútil contá-las. No entanto, o fato de a torre ainda não ter sucumbido ao seu avanço era sem dúvida graças à sua força de combate esmagadora.

Mesmo assim, o equilíbrio precário que Shaula mantinha estava prestes a…

?: “…Shaula!”

Shaula: “Ghhhhhhhh…!”

Uma voz aguda chamou seu nome, mas ela não respondeu. Com o rosto contorcido de dor, ela agarrou um Majuu que voava em sua direção e a esmagou aos seus pés.

Ela continuou perfurando-a com um raio de luz branca, fazendo flores vermelhas surgirem no ar, conseguindo assim pôr fim à sua perseguição. No entanto, o estado de Shaula não mudou enquanto ela as afastava. Ela segurou o próprio rosto e pisoteou o chão com força.

Entre os dedos ― Seus olhos grandes começaram a se dividir e pulsar em um vermelho brilhante. Seus olhos compostos estavam aparecendo, o que significava que Shaula estava se transformando.

Shaula: “Alguém… Alguém quebrou uma regra…”

Com o rosto coberto pela palma das mãos, ela enfrentou os Majuus que se aproximavam nesta condição desesperadora. Ela repeliu seus ataques com suas pernas longas, pulverizando seus corpos com chutes traseiros afiados.

??: “Isso é ruim. Ela está no limite. Meili! Como está indo aí do seu lado…”

Meili: “É exatamente o que parece, estou com as mãos ocupadas lidando com essas coisas voadoras, se minha nee-san nua também ficar incapaz de lutar, com certeza ficaremos com falta de mão de obra!”

??: “Pelo visto. A situação está bastante sombria.”

Observando a angústia de Shaula, estava uma garota com cabelos roxo-claros ondulados e uma expressão sombria, Anastasia ― Ou melhor, Eridna, que estava atualmente utilizando seu corpo. Ao lado dela estava Meili também, seu rabo de cavalo azul-escuro balançava enquanto ela de alguma forma mantinha o equilíbrio usando sua Proteção Divina.

O trio Shaula, Eridna e Meili era a equipe que resistia com toda a sua força para impedir que os Majuus se aproximassem da Torre de Observação Pleiades. No entanto, ao contrário de Meili com sua Proteção Divina de Manipulação Mágica e Shaula com sua predisposição para pura potência de fogo, a presença de Eridna era praticamente inútil.

Ela relutava em voltar para Taygeta, mas ao mesmo tempo, queria evitar recuar ainda mais para dentro da torre, que estava em um estado de inquietação, onde ela só acabaria sendo um fardo desnecessário.

Eridna: “Se acalme, agora não é hora para isso…”

Ela moveu seus dedos esguios e concentrou sua consciência no Od dentro dela ― Estritamente falando, era o Od dentro do corpo de Anastasia. O Portão de Anastasia tinha um defeito que a impedia de absorver qualquer mana. Por isso, ela só podia lançar magia com seu Od natural.

Em outras palavras, era como cortar a vida útil de Anastasia. Portanto, era uma medida que nem mesmo Eridna queria tomar, exceto quando sua vida estivesse realmente em perigo.

Mas melhor agir do que ficar apenas esperando a morte. Pelo menos, era isso que Anastasia que ela conhecia pensaria.

Todos tinham que jogar com as cartas que tinham, e assim, a vitória era determinada pela forma como você jogava suas cartas.

Eridna: “…”

mudança que afligia Shaula provavelmente tinha suas raízes em algo fundamental para ela, algo que definitivamente não podia ser revertido, funcionando como uma espécie de algema para ela. Como um Espírito Artificial, Eridna entendia isso muito bem, considerando que ela mesma estava em uma situação semelhante. Não havia nada que se pudesse fazer contra a força de vontade de alguém.

Se o que ela tinha dito antes fosse verdade, então as regras da Torre de Observação Pleiades tinham sido quebradas. Ela precisava agir como a guardiã da torre para remediar isso.

A razão pela qual ela estava resistindo tanto era porque, no fundo do seu coração, na verdade ela não queria machucá-los ― ou melhor, provavelmente não queria machucar Natsuki Subaru.

Eridna: “…É irônico.’

Graças ao fato de ela continuar como guardiã desta torre, ela tinha conseguido se reunir com a única pessoa que queria encontrar. No entanto, por causa de sua presença contínua como guardiã, ela não podia ir contra as ordens de prejudicá-lo. ― Verdadeiramente a tristeza de ser uma criação.

Em seu sentido mais verdadeiro, Eridna pensava que provavelmente só ela e Beatrice, também sendo uma criação, poderiam compreender a dor que ela sentia.

Por isso que ela…

??: “…DRYHAAAAAAA!!”

Eridna avistou a silhueta de uma pessoa saltando do corredor que levava da varanda até a torre, soltando um grito vigoroso. Seus olhos se arregalaram em surpresa, sem conseguir pronunciar uma palavra.


Subaru sentiu um choque no momento em que pulou para fora da varanda, testemunhando as diferenças entre como geralmente parecia e agora. Ele percebeu imediatamente que uma batalha feroz estava acontecendo ali.

Subaru: “…”

A varanda do quarto andar havia se transformado em um mar de sangue, com inúmeros cadáveres de Majuus espalhados por toda parte.

Este local era o melhor lugar da casa, de onde se poderia desfrutar de uma vista ininterrupta do mar de areia, agora estava tingido de sangue graças às inúmeras Majuus que incessantemente investiam contra ele. Se não fossem contidas, entrariam na torre e a confusão se seguiria.

E, o maior contribuinte para impedir que esse dano se espalhasse era…

Subaru: “…Shaula!”

Shaula: “Mestre…?”

Shaula virou-se ao som do grito de Subaru ― Seus olhos estavam prestes a se dividir e transformar em seus seis olhos compostos, três à esquerda, três à direita.

Subaru já havia testemunhado esse processo de transformação dela com seus próprios olhos. Isso significava que as regras da Torre das Pleiades haviam sido quebradas e havia chegado a hora de Shaula assumir seu dever como guardiã da torre.

Isso culminaria na transformação de Shaula no gigantesco escorpião contra sua vontade, quando ela então começaria a aniquilar os desafiantes dentro da torre ― ou seja, Subaru e seu grupo.

É por isso que…

Shaula: “Mestre… Por favor… Por favor, me ordene…!”

Subaru: “…”

Shaula: “Alguém quebrou as regras. Se continuar assim… Mestre… Eu… acabarei ma… Se você não pode, sabe, antes que eu faça isso, eu… eu…”

Shaula segurou seu corpo firmemente enquanto buscava as ordens de Subaru com um olhar desesperado.

Sua capacidade de suicídio parecia ter sido instintivamente retirada dela. O que ela estava suplicando aqui era um último empurrão para que a matassem.

Shaula jogaria fora sua vida sem hesitação se Subaru dissesse. Podia-se dizer com segurança que a ameaça do escorpião gigante desapareceria, desde que ele desse o comando.

Assim, Subaru assentiu firmemente,

Subaru: “Shaula.”

Shaula: “S-sim… Se é por você, Mestre, eu…”

Subaru: “Já estou cansado de dizer isso, mas não faço ideia do porquê de você me chamar de Mestre.”

Shaula: “――hk”

No instante em que Subaru respondeu, os olhos compostos de Shaula ficaram tingidos de desespero.

Depois de quatrocentos anos esperando em vão, ela finalmente conseguira encontrá-lo novamente. Mas ter isso negado por ele e ainda ter seu último desejo pisoteado, a deixou tão assustada quanto uma criança.

Subaru respirou fundo e então soltou o ar enquanto observava sua apreensão.

Subaru: “É por isso que vamos falar mais tarde se eu sou seu Mestre ou não, assim como se eu vou admitir isso.”

Shaula: “Eh…”

Subaru: “Eu não vou te mandar morrer. De jeito nenhum vou deixar você continuar chorando. De jeito nenhum vou permitir que seus quatrocentos anos terminem aqui. ”

Ele havia passado bastante tempo recuperando as “Memórias” que temporariamente havia perdido, então ele sabia muito bem.

A paciência que as pessoas tinham neste mundo era insana. Quatrocentos anos esperando fervorosamente por alguém. Ele realmente precisava ajudar essas pessoas em sua vida, mesmo que precisasse fazer um esforço extra para isso.

Subaru: “Eu mesmo vou fazer isso! Como se eu fosse fazer o que alguém me mandasse! Venha, destino inevitável!”

Shaula: “..”

Subaru ergueu o punho acima dele enquanto declarava firmemente isso, deixando Shaula sem palavras. Ao mesmo tempo, a urgência insuportável que a consumia parecia estar prestes a explodir.

Mas, ao menos naquele momento preciso para ela, o que importava não eram as regras da torre nem a urgência explosiva que crescia dentro dela.

Shaula: “Mestre… Eu te amo.”

Assim pareciam ser as emoções de amor incontrolável que ela sentia pela pessoa que havia esperado todos esses quatrocentos anos.

Shaula: “…”

A transformação de Shaula começou logo depois que ela declarou seu amor.

Suas mãos pálidas e esguias incharam e se transformaram em enormes pinças. Seu corpo feminino e sensual explodiu, espalhando carne e sangue que então se reformaram, como se rebobinando uma fita, remodelando seu corpo completamente. Uma concha preta como azeviche cresceu ao seu redor enquanto seus olhos compostos vermelhos brilhavam para o mundo. Suas muitas pernas perfuraram o chão, e assim a guardiã da torre de areia estava completa――.

Shaula: “――ϡ ϡ”

A figura ameaçadora do escorpião gigante soltou um grito estridente de advertência para os que haviam violado as regras da torre. Ironicamente, a primeira coisa que seus olhos compostos encontraram foi o jovem de cabelos pretos por quem a versão anterior estava obcecada.

Ela mirou nele, pronta para desferir seu golpe devastador…

???: “――HIYAAAAAAAA!!”

――No entanto, um chute voador trovejante acertou o corpo do escorpião gigante vindo pelo lado.

O chute carregava uma tremenda quantidade de poder, o suficiente para levantar o enorme corpo do escorpião do chão e lançá-lo para trás. Ele atravessou o chão de pedra, levando consigo Majuus pelo caminho, antes de voar sobre a borda da varanda e para os céus sob o mar de areia.

No entanto, o escorpião gigante rapidamente enfiou o ferrão estendido na parede da torre de vigia, jogando seu enorme corpo para cima, torcendo-o no ar enquanto tentava desesperadamente voltar para a varanda.

Subaru: “…Murak”

Uma única palavra entoada foi o que impediu que ela voltasse.

Essa mana imbuída de direção interferia na realidade ao seu redor, trazendo efeitos para o mundo que não ocorreriam normalmente. Desta vez, seu efeito foi bloquear o retorno do escorpião gigante.

O escorpião foi pego por uma rajada de vento enquanto tentava desesperadamente pousar na varanda. Seu corpo foi jogado para trás pela brisa arenosa, desviando-o muito da trajetória.

Que turbulência forte teria que ser para soprar o corpo colossal do escorpião? Ele era enormemente grande, pesando pelo menos várias centenas de quilos. Mas as coisas não eram como pareciam.

Murak era uma espécie de Magia Yin que mudava a gravidade do alvo.

Em resumo, era bastante natural que seu corpo não conseguisse se mover normalmente, considerando que agora pesava tanto quanto um grão de poeira. Era isso.

Shaula: “――ϡ ϡ”

O escorpião gigante soltou um grito de dor antes de ser arremessado novamente para longe da varanda. Ela rapidamente balançou seu ferrão numa tentativa de atingir aqueles na torre.

Mas isso veio tarde demais.

Meili: “Hanemogura-chan!”

Nota: Hanemogura significa literalmente Toupeira Alada. Foi optado por usar o romaji para representar o nome da Majuu como faz a Wiki.

O comando imponente da garota deu lugar a um frenesi de golpes que avançavam em direção ao escorpião gigante enquanto ele era arrastado pela brisa. Majuus, com uma aparência com as características de um pássaro(relacionado as penas) e a maioria de suas cabeças transformadas em chifres, avançaram em direção a ela.

Uma a uma, elas se lançaram contra a carapaça do escorpião. E embora não a danificassem, conseguiram empurrá-la cada vez mais para longe da torre com cada impacto.

Shaula: “…”

Mesmo sendo um escorpião tão imponente, ela não seria capaz de mover seu corpo sem algo para apoiá-la. Assim que o vento a soprou para longe, a magia foi cancelada, fazendo-a cair de cabeça para baixo em direção ao chão.

Estavam centenas de metros acima do solo, mas ela não era o tipo de oponente que seria derrotado por algo assim. No entanto, serviu como um meio para ganhar tempo, então ele faria uso dessa breve trégua.

Subaru: “Meili! Eridna!”

Eridna: “Natsuki-kun! Você se recuperou… certo?”

Eridna olhou para cima com uma fisionomia ruim, enquanto Subaru corria até ela. Então, com um olhar pensativo adornando o rosto de Anastasia, ela continuou suas palavras.

Eridna: “Você por acaso recuperou suas memórias?”

Subaru: “Isso vai me economizar muito tempo! Mas como você sabia?”

Eridna: “É óbvio. Caso contrário, Beatrice não estaria exibindo um olhar tão orgulhoso ao seu lado.”

Eridna ergueu o queixo na direção de Beatrice, que parecia bastante convencida enquanto segurava a mão de Subaru.

Realmente era claro como o dia que o humor de Beatrice tinha melhorado. Além disso, o fato de ela não poder esconder essa demonstração de emoção era realmente adorável.

É claro que a perspicácia de Eridna também era excelente, não se engane. Seguindo isso, ela desviou o olhar para trás de Subaru ― para Emilia ― que havia dado um chute voador no escorpião gigante anteriormente.

Eridna: “E essa garota que não reconheço…?”

Subaru: “É por causa da autoridade da Gula. Ela é uma vítima dela, assim como Julius… Eles são todos esquecidos, exceto pela própria pessoa. O nome dela é Emilia. Minha princesa durona, mas adorável.”

Eridna: “Agradeço por me atualizar tão rapidamente, mesmo assim, a torre, dentro e fora, está uma bagunça completa. Você se importaria se eu perguntasse o que vamos fazer a respeito?”

Subaru: “Pode perguntar, eu já tenho uma resposta pronta para isso.”

Subaru assentiu profundamente. Atrás dele, Emilia espalhou os braços e enviou inúmeras lascas de gelo para o ar. Ela esperou um momento e então as lançou, seu poder feroz rasgando através dos Majuus que voavam pelo céu, assim como as que estavam no chão.

Embora Subaru não pudesse ver de onde estava, eles também devem ter perfurado o escorpião gigante que havia caído embaixo. No entanto, seu ataque foi apenas uma gota no oceano com todos esses Majuus à frente deles…

Subaru: “Eridna, você vai assumir o comando dentro! Primeiro, você vai se encontrar com Julius no segundo andar onde ele está lutando! Já contei a Emilia o que fazer depois disso!”

Eridna: “――. Não tenho problemas em sair junto com ela, mas o que você e Beatrice vão fazer?”

Beatrice: “Nosso papel já está definido, na verdade.”

Eridna hesitou por um momento antes de dar sua resposta. Beatrice respondeu antes de erguer os olhos em admiração para olhar o rosto de Subaru de perfil, apertando firmemente sua mão.

Beatrice: “Vamos lidar com esse escorpião gigante aqui, eu suponho. Vamos ter que pegar leve com ela, para não matá-la por acidente. Droga, que incômodo, na verdade.”

Subaru: “Ela fala grande, não é? É a minha Beako.”

Beatrice: “Thbptttttttt, eu suponho.”

Depois de expressar suas ostentações, como se estivesse tentando animar a si mesma e a seu contratante, Beatrice colocou a língua para fora.

Os olhos de Eridna se arregalaram ao testemunhar a troca entre eles, seguido por um balançar de cabeça. Em vez de perder tempo discutindo, era melhor para ela acreditar que essa era a melhor maneira de proceder e se comprometer com isso.

Realmente era típico de Anastasia ter aquele instinto que lhe permitia tomar decisões rápidas.

Eridna: “Não há dúvidas de que suas opiniões foram de grande ajuda para nós praticamente em todos os lugares dentro desta torre. É por isso… parece para mim que entregar este lugar a você nos daria nossas melhores chances de vencer.”

Subaru: “Sinto-me honrado. Embora eu não possa deixar de sentir que você acabou com o nome de Echidna.”

Eridna: “Sobre a influência profunda que meu Criador tem, gostaria de encontrar uma oportunidade para ter uma discussão adequada sobre isso depois de resolvermos as coisas. …Há algo que você quer que eu transmita para Julius?”

Subaru: “…”

Eridna adicionou essa pergunta no final, pouco antes de virar as costas para sair.

Subaru ainda podia sentir Julius lutando um andar acima deles usando os efeitos do Cor Leonis

― Agora que ele pensava nisso, isso significava que ele havia se reunido com todos os seus amigos dentro da torre, exceto ele.

Dado que Julius também estava realmente preocupado com ele quando ele perdeu suas memórias, Subaru se perguntou se precisava dizer a ele que as recuperou. No entanto…

Subaru: “Não, não mesmo.”

Ele não tinha palavras que precisava dizer a Julius Euclius que estava travado em combate com Reid Astrea.

Afinal, o plano de Subaru havia sido designar as melhores pessoas para seus cargos mais adequados em meio a essa situação desanimadora. É por isso que ele havia conversado com eles, afinal precisava reorganizar seus papéis. No entanto, ele não precisava fazer isso por Julius.

…Porque seu lugar não estava em outro lugar senão contra Reid Astrea.

Subaru: “Neste ponto, posso literalmente só dizer bem feito para ele. Ele ainda acabaria indo para Reid, mesmo que eu não mencionasse nada.”

Graças a isso, ele havia conseguido falar com Shaula antes de se transformar no escorpião gigante.

As palavras familiares de amor que ela havia proferido no final lhe haviam fornecido uma força inesgotável. Um fogo havia sido aceso em seu coração quando ele prometeu a ela que definitivamente, definitivamente a ajudaria.

Então, foi por isso…

Natsuki Subaru reconhecia plenamente que uma fatalidade implacável existia neste mundo.

Os muitos problemas envolvendo a torre de observação eram impossíveis de evitar, eles sempre se apresentariam de forma desafiadora. Mas, inevitável e insuperável eram duas histórias completamente diferentes.

Se era o destino de Reid Astrea se opor a Julius, então o que vinha além disso também era inevitável. Aquele que iria derrotar Reid Astrea renascido era Julius Euclius.

Eridna: “――. Entendi…”

Subaru: “Ah, espera, há algo sim. Como todos estão passando por dificuldades aqui, diga a ele para acelerar e resolver as coisas lá, depois venha dar apoio aos outros.”

Nota: Subaru usa “フォロー” neste capítulo para “ajuda/apoio”, que Eridna não entenderia corretamente, pois é um empréstimo do inglês.

Subaru acenou para Eridna enquanto ela começava a se apressar para suas tarefas com um sorriso forçado no rosto. Depois de vê-la partir, ele se virou para Emilia, que estava ocupada cortando dois Majuus com uma espada de gelo, perto de onde Eridna estava indo.

Subaru: “Emilia-tan! Vai ser exatamente como discutimos! Estou contando com você, Emilia-tan!”

Emilia: “Sim, deixe comigo! Você é quem não pode morrer aqui, Subaru!”

Subaru: “Claro que não vou!”

As palavras de Emilia eram naturais, mas fizeram Subaru erguer o punho, sentindo-se mais sobrecarregado do que o habitual.

Ele não queria morrer. ―― A razão para isso permanecia inalterada, mas agora ele tinha ainda mais motivos para evitar isso a todo custo. Os perigos de Retornar pela Morte nessa situação eram praticamente indescritíveis.

Se seu ponto de reinício não tivesse mudado, então ele voltaria ao estágio antes de ter se separado de Rui Arneb, juntamente com seu Fator da Bruxa. Quais problemas isso traria, nem ele, nem ninguém mais, poderia saber.

Rui desapareceria do corpo de Subaru ou não? O Salão das Memórias estava um pouco fora do esquema normal das coisas, então ele não sabia se evitaria os efeitos de seu Retorno pela Morte. Tudo estava tão incerto.

Então, isso significava…

Subaru: “…Desta vez, vamos resolver as coisas aqui mesmo!”

Após a afirmação de Subaru, Emilia segurou Eridna e a deixou na varanda. As garotas iriam para seus respectivos campos de batalha, e da mesma forma, Subaru e seu grupo.

Meili: “E agora? Tudo aquilo soou como um absurdo para mim, alguma chance de você explicar as coisas de forma mais clara?”

Meili tinha sido paciente e não havia interrompido sua conversa com Eridna. Mas ela chamou por ele quando notou que apenas ele e Beatrice haviam ficado naquela varanda.

Subaru deu um polegar para cima e exibiu um sorriso diabólico, mostrando todos os seus dentes.

Havia apenas um motivo pelo qual Subaru não havia chamado Meili nestes últimos momentos ― como Julius, ela já estava em seu campo de batalha ideal.

Subaru: “Desculpe, Meili, mas você vai se juntar a nós. Eu, você e Beako vamos segurar dois desses cantos ― o escorpião gigante e o enxame de Majuus!”

Meili: “Isso realmente não foi uma explicação adequada!”

Beatrice: “…Ela está vindo, na verdade!”

Ele não teve tempo de dar a Meili uma explicação mais detalhada, pois ela balançou os cabelos trançados com as bochechas inchadas. No instante seguinte, uma criatura enorme saltou da parede externa da torre, até a varanda, como se estivesse respondendo ao que Beatrice tinha dito.

A criatura tinha uma carapaça negra, olhos vermelhos compostos e tenazes ferozes…

Subaru: “Então, você é um hikikomori(significa extremo isolamento doméstico) de quatrocentos anos, não é?”

Subaru soltou um suspiro rápido antes de pegar Beatrice agilmente ao seu lado e abraçá-la. Então, junto com Meili, que correu para se juntar a eles, eles ficaram cara a cara com o escorpião gigante.

Diante do inimigo que ainda os encarava silenciosamente, ele deu um pequeno sorriso.

Subaru: “Este é um confronto de hikikomoris. Ela ali tem quatrocentos anos, enquanto nós dois aqui temos quatrocentos e um.”

Meili: “Não seriam quatrocentos e dois mais correto quando contar todos os três de nós?”

Subaru: “Em outras palavras, vamos vencer!”

Beatrice: “Não entendi nada do que ele disse, exceto a parte sobre vencer, eu suponho!”

Segurada em seus braços, Beatrice gritou com Subaru e Meili por estarem brincando juntos. E assim, cercado pela quantidade certa de tensão, ele encarou o escorpião gigante e soltou um suspiro. Agora as coisas haviam se moldado para se tornar seus confrontos previstos. Tudo o que restava agora…

Subaru: “…Estou contando seriamente com você, Emilia-tan. Você é a chave para tudo.”

…A batalha contra os Quatro Cantos que cercavam a Torre de Vigia Pleiades havia oficialmente começado.

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