―O grupo de Natsuki Subaru continuou a seguir diretamente ao leste após sair da cidade de Pristella.
Eles estavam indo em direção à ponta leste do mundo ― onde ficavam as Dunas de Augria, uma região conhecida por sua vasta história com os majuus que lá existiam há séculos, repelindo todos aqueles que punham os pés em seu ninho.
Continha um miasma capaz de fazer viajantes perderem seus sensos de direção e de corroer seus corações.
Possuía grupos de majuus que serviam como uma vanguarda perversa que se satisfazia em brincar com as vidas das pessoas.
E também havia a pessoa que queria paz mundial — a pessoa na torre de vigia que determinava cada uma das tentativas feitas por aqueles que se aproximavam como sendo um sucesso ou um fracasso. Esta pessoa era o 『Sábio』 conhecido como Shaula.
Subaru: “Só de saber disso, é como se a gente tivesse fazendo fila pra se suicidar.”
Só lembrar dos obstáculos que os aguardavam já era o suficiente para baixar a moral. Na realidade, de acordo com aqueles cientes das circunstâncias do local, os que iam para lá eram suicidas ou adoradores da Bruxa. Seja qual for, parecia que não eram nada a não ser pessoas com problemas mentais.
No entanto, estas pessoas não se encaixavam em nenhum dos casos citados acima, já que não tinham a intenção de morrer. Era o contrário.
Providenciariam um caminho de vida em resposta a toda e cada pessoa que perdeu sua vida trilhando outro caminho.
Deram início a esta expedição para obter essa semente de esperança.
Subaru: “… Ainda assim, é estranho.”
Subaru, isolado dos outros que haviam sentado na frente, sussurrou essas palavras enquanto continuava a imaginar o balançar da carruagem de dragão que não estava sacudindo. Quando as pessoas na carruagem o ouviram, todas elas olharam para ele.
Um total de 4 olhares foram de encontro a ele ― adicionar Subaru ao número de pessoas na carruagem resultaria em um total de 5 passageiros. Era assim que a situação aparentava estar.
Emilia: “Estranho? Algo de errado?”
Subaru: “Não, não é nada demais, Emilia-tan. Só fiquei meio surpreso em ver todo mundo viajando junto assim tão pacificamente numa só carruagem de dragão.”
Assim respondeu Subaru enquanto dava de ombros à pergunta de Emilia.
Emilia e Beatrice estavam uma de cada lado de Subaru. Elas eram seus aliados. Óbvio que estariam com Subaru, ainda assim o problema ali seria as duas pessoas na frente.
Anastasia: “Bem, não tem nada de esquisito em você se sentir assim. Pra falar a verdade, também achei surpreendente. Normal o Natsuki-kun ficar desconfortável.”
Julius: “Ahh, tem razão.”
A pessoa que soltou uma gargalhada aguda e disse isto com seu dialeto Kansai, comum em Kararagi, era Anastasia. Após responder em um dialeto Kansai falso, ela olhou em direção a ele com um olhar expressivo enquanto mexia no cabelo.
Anastasia: “Se bem que o Julius pode até ser pior que você quando se trata de desconforto.”
Julius: “Que severa. No entanto, não se preocupe… Eu também sou um cavaleiro de corpo e alma. Uma única noite já é suficiente para que eu deixe meu coração em ordem. E acho melhor eu nem dizer nada sobre o que anda acontecendo nos últimos dias… Eu juro que aquela vergonha que aconteceu ontem nunca mais se repetirá.”
Anastasia: “Quanta elegância. Se é assim, vou confiar em você.”
Julius curvou-se e o disse em resposta ao jeito de falar provocativo de Anastasia por causa do incidente passado.
Era algo que seria óbvio se você dissesse que fosse. Ele também foi vítima da Autoridade da Gula, embora seja mais certo dizer que todos ao seu redor foram afetados por ela, menos ele.
Assim dizendo, aqueles ao seu redor que mudaram de comportamento, não ele. Ele não escondia seu desconforto quanto às reações das pessoas, e, relacionado ao que havia sido dito antes, parecia que seus amigos estavam o aceitando sem muitos problemas.
Subaru: “…Você é incrível.”
Ele soltou este elogio, no entanto em voz baixa.
A sua força mental era admirável. Não é como se Subaru não soubesse como é esse sentimento ― o sentimento de ter sua existência deixada para trás, de ninguém possuir as mesmas memórias que você possui.
Natsuki Subaru definitivamente tinha memórias de um outro mundo que ninguém mais tinha, tudo por causa de sua capacidade de voltar no tempo com o 『Retorno pela Morte』.
Se fosse para ele se recordar de uma única experiência onde ele criou laços apenas para que, no final, eles fossem perdidos, a primeira que vem à mente é a daqueles repetitivos dias na Mansão do Roswaal.
Ele foi trazido para outro mundo, saiu por aí fazendo o possível na capital para ajudar Emilia e, como resultado, acabou por ser convidado à Mansão do Roswaal. Ele então experienciou 4 versões dos mesmos eventos até que enfim pôs os pés no quinto mundo.
As memórias de até o quarto mundo estavam guardadas na mente de Subaru, e na de mais ninguém.
Mesmo agora é difícil esquecer o choque que sentiu quando foi tratado como um completo desconhecido pelas pessoas com as quais estabeleceu laços nos poucos dias que esteve lá.
Essa dor e tristeza nunca irão embora.
Beatrice: “… O que foi? Subaru, por que de repente você começou a acariciar a cabeça da Betty?”
Subaru: “Não se preocupe. Só estou comovido lembrando de como você me salvou há um tempão atrás. Obrigado. Obrigado.”
Beatrice: “Eu não entendo, eu suponho. Outra coisa, meu cabelo está ficando bagunçado, então poderia parar… na verdade não precisa, mas poderia ser um pouquiiiinho mais gentil.”
Beatrice encostou sua cabeça em Subaru enquanto ocupava metade de um assento. Subaru acariciou a cabeça dela assim como ela tinha pedido, não deixando que Beatrice se esquecesse de como ele havia sido salva por ela.
A única pessoa que não havia mudado sua forma de tratar Subaru durante os loops na mansão foi Beatrice. Ele a encontrou antes do『Retorno Através da Morte』, e ela permaneceu tratando Subaru da mesma forma mesmo depois daquilo.
Além do mais, ela também manteria o fato de tê-lo salvo como um segredo eterno.
Subaru: “Depois disso foi a Emilia-tan que me salvou, não é?”
Emilia: “――?”
Emilia fez uma expressão curiosa em resposta à recordação de Subaru.
Subaru estava ali naquele momento justamente porque havia sido salvo por sua gentileza, sua voz, sua atitude, e, claro, pelo calor do colo que ela havia oferecido.
“――――”
É por isso que Subaru conseguia reconhecer o quão surpreendente é o fato de Julius ter conseguido fazer as coisas por conta própria. Subaru, para seguir em frente, conseguiu a ajuda de todos que foi capaz, tendo de repetir os mesmos acontecimentos 4 vezes até conseguir.
Ou será que foi por que ele tinha alguém a seu lado para ajudá-lo?
Ele havia sido esquecido pela Anastasia, não buscava ajuda das pessoas na mesma chapa que ele, teve os laços com seus espíritos cortados, e não conseguia se lembrar de seu irmão de sangue.
Se esse havia sido o caso, então o garoto estaria feliz por ele.
Emilia: “Você está encarando o rosto das pessoas já faz um tempo… há algo de errado, Subaru?”
Subaru: “Não é nada. Só estava pensando em te dizer que não gosto do jeito elegante e refinado que você ri.”
Julius: “Elegante e refinado… isso me soa bem. Não esperava receber elogios vindo de você. Estou supreendentemente feliz… ou, bem, talvez isso seja um pouco de exagero. Bem, não é natural que eu seja elegante e refinado?”
Subaru: “Não era minha intenção te elogiar. Mas o jeito que você diz isso me irrita!”
Com o mesmo jeito que tinha no passado ― ou melhor, com sua reação que fez parecer que ele havia ficado mais habilidoso com seus deslizes ao falar, Subaru ficou irritado.
Subaru se lembra de ter falado umas poucas e boas ao ver aquela evidente fragilidade no rosto de Julius quando ele visitou seu irmão no hospital em Pristella. Mas águas passadas não movem moinhos.
Emilia: “Você e o Julius estão se dando tão bem. Hmm, vocês sempre se deram tão bem assim?”
Subaru: “Emilia-tan, você entendeu errado. Nem pensar que a gente ia se dar bem. Você ‘tá vendo a minha cara? Eu estou com o olhar mais assustador que eu já tive, pelo menos é o que eu acho.”
Emilia: “Sério? Eu não acho que seja esse o caso… Ah, eu não estava falando sobre os seus olhos, eu estava falando sobre vocês dois não se darem bem. Acho que os olhos do Subaru estão assustadores como sempre.”
Subaru: “Assustadores como sempre!?”
Emilia: “Mas tudo bem por mim, eu amo os olhos do Subaru. Juro juradinho”
Subaru: “Droga. Como eu queria ter gravado isso e depois cortado a parte dos olhos…”
Emilia tenta não rir da frustração de Subaru e então olha para Julius com um olhar assertivo, fazendo com que ele olhe em direção a Subaru.
Julius: “Eu não tenho como negar o que ele disse. Dizer que nós dois somos próximos… não parece algo adequado a se dizer. Embora, ao meu ver, nós chegamos a um meio-termo, mesmo que não pareça.”
Subaru: “Chamar de “meio-termo” já é ser complacente demais. Até meio depreciativo… Esse jeito de falar me irrita.”
Julius: “Não sei como colocar isso em palavras. O que você acha?”
Julius buscou a aprovação de Emilia, no entanto, ao ver a conversa entre os dois, ela alisou seu cabelo e…
Emilia: “Bem que eu pensei, parece que vocês dois são beeem próximos, não é mesmo…?”
Julius: “É o que parece.”
Subaru: “Hã? É o jeito então, pelo visto somos próximos…”
Houve um desacordo com Emilia, mas Subaru e Julius agiram como se nada tivesse acontecido. O que deixou Emilia cada vez mais perplexa. Anastasia tentou se segurar para não rir, soltando algumas risadinhas enquanto sorria.
A reação de Anastasia fez com que os lábios de Julius relaxassem de alívio… Essa relação transitória de mestre e servo parecia estranha para Subaru, que estava acostumado com o modo que a relação era antes.
A Anastasia ali presente era diferente da verdadeira Anastasia Hoshin, pois ela não era completamente ela mesma.
O corpo de Anastasia está sendo atualmente usado por Echidna ― apelidada de Eridna. Esta tal Eridna não tinha intenção alguma de roubar o corpo dela, mas ele estava incerto do quanto poderia confiar nela. Sendo alguém que está ciente da situação, uma das coisas que Subaru fazia sem falta era ficar de olho em Emilia e Julius, ambos não cientes da situação, tentando evitar que a verdade viesse à tona.
Beatrice: “… Subaru, já chega.”
Beatrice direcionou essas palavras para Subaru, o qual estava refletindo silenciosamente. O cabelo da garota estava todo bagunçado, já que Subaru estava acariaciando sua cabeça durante todo este período de silêncio. Seu rosto adorável estava zangado.
Subaru: “Ohhh!? Foi mal, Beako! Sua fofura está arruinada… seu cabelo está todo bagunçado.”
Beatrice: “Não aja como se a fofura da Betty fosse arruinada por um simples penteado! Outra coisa, seu rosto está começando a ficar um pouco assustador.”
Beatrice, logo ao lado de Subaru, disse isso enquanto tentava ajeitar o seu cabelo que estava todo bagunçado. Subaru se esgasgou em suas próprias palavras, era como se o olhar de Beatrice dissesse “Não tem jeito”.
Beatrice: “Não há motivo para ficar assim tão preocupado, eu suponho… A Betty irá cuidar de tudo. Se algo acontecer, Betty é muito mais rápida em perceber as coisas do que o Subaru.”
Subaru: “… É.”
Beatrice disse isso em reposta à ansiedade de Subaru. Ela é a única pessoa fora Subaru que sabe sobre a situação da Eridna e da Anastasia.
Eles prometeram duas coisas para evitar revelar a verdade, que Subaru tentaria evitar causar muita comoção e que Eridna não tinha a intenção de roubar o corpo de Anastasia. No entanto, Beatrice seria a única a perceber se algo acontecesse.
Ambas eram espíritos artificiais e tinham o mesmo tipo de relação com a Bruxa Echidna. Se Eridna estivesse planejando algo, Beatrice provavelmente notaria.
Se bem que, levando em consideração os sentimentos de Beatrice, ele não achava muito aconselhável que ela se envolvesse com Echidna, mas…
Beatrice: “Deixando de lado as suas suspeitas desnecessárias, está tudo bem que agiu feito você mesmo e buscou ajuda sem se importar de quem, assim como você sempre fez. Mas você veio atrás da Betty primeiro, eu suponho. Dessa vez você tem meus elogios.”
Ela respondeu desse jeito, então é isso.
Emilia: “… Eu entendi”
O sussuro de Emilia quebrou o silêncio da carruagem.
Parecia que Emilia havia visto a destinação deles ao longe pela janela da carruagem. Subaru também notou como a vista do lado de fora estava começando a ficar cada vez mais familiar.
Subaru: “Mas que caminho nostálgico. Chegaremos na Mansão do Roswaal logo, logo pelo visto.”
Ele murmurou essas palavras ao perceber que estava perto da primeira parada, segurando suas emoções e relembrando o objetivo deles.
A destinação deles, como dita antes, eram as Dunas Augria, onde tentariam entrar em contato com o 『Sábio』 Shaula. No entanto, eles já haviam decidido parar na Mansão do Roswaal antes para se preparar e fazer uma pausa antes da longa expedição que vem pela frente.
Havia várias coisas que ele queria conversar com aqueles na mansão, incluindo o incidente em Pristella e sobre como entrar em contato com o 『Sábio』.
Além disso…
Subaru: “Você sabe, não estamos aqui pra passear.”
Eles haviam passado na Mansão antes da expedição para falar com o 『Sábio』 por um motivo.
De uma perspectiva mais ampla, esse motivo seria algo escasso neste pequeno mundo, mas, do ponto de vista de um humano como o Subaru, era algo com um grande potencial.
“――――”
Subaru começou a forçar a vista, tentando ver a mansão que ainda não estava em seu campo de visão.
Todas as 4 pessoas na carruagem estavam olhando para Subaru, com várias emoções distintas em seus olhares, mas Subaru não tinha a compostura para perceber nenhum dos olhares.
Uma hora depois, um pouco depois do meio-dia, a carruagem de dragão alcançou a mansão de Roswaal.
A viagem desde Pristella (que havia demorado 10 dias) foi pausada temporariamente.
Petra: “Subaru!”
Subaru: “Ohh, Petra, uououou!?”
Assim que os dragões terrestres chegaram na mansão de Roswaal, eles agradeceram ao cocheiro e desceram da carruagem. Logo em seguida uma empregada pequena veio correndo da mansão em direção a Subaru e se jogou nele sem desacelerar.
Ela acertou o peito dele com força, Subaru de alguma forma conseguiu segurá-la enquanto recuava um pouco. Ele então acariciou a cabeça da garota que havia se jogado em seus braços.
Subaru: “Petra, assim você me mata do coração. Já faz quase um mês desde que a gente se despediu, tudo bem com você?”
Petra: “Como você consegue ver, eu estou bem. Mas para você nem tanto, não é, Subaru…-sama? Estou preocupada desde que eu recebi aquela carta sua anteontem. Você se machucou bastante de novo, né? Você ‘tá aguentando a dor?”
Petra: “Cosquinha.”
Petra começou a tocar o corpo de Subaru para certificar-se se ele estava sentindo dor enquanto seu cabelo castanho avermelhado ia de um lado para o outro. Subaru reagiu com uma risada abafada, em seguida os outros desceram da carruagem de dragão.
Subaru: “Ei, Petra. Aja como uma empregada. Senão a Ram e a Frederica vão ficar irritadas com você.”
Petra: “…Certo. Mais tarde me diga o que aconteceu.”
Ela retornou rapidamente, mas parecia que a confiança de Petra já havia sido bem ferida. Seria difícil Petra não se preocupar com Subaru se ele dissesse que, para conseguir a pedra mágica, se envolveu em uma confusão que englobou a cidade toda. Não era como se Subaru tivesse planejado causar toda aquela confusão com o Culto da Bruxa. Se bem que essa desculpa seria sem sentido.
Seria sem sentido se você levasse em consideração que, na verdade, a maior parte dos objetivos do Culto da Bruxa na cidade estavam relacionados à chapa da Emilia.
Petra: “Sejam bem-vindos. Meus parabéns pelos seus esforços nesta longa jornada. Eu me chamo Petra Leyte, sou uma das empregadas desta mansão. Serei a guia de vocês até a mansão.”
Deixando as recordações de Subaru de lado, Petra os recebeu dizendo algo parecido com aquilo que você ouviria ao entrar em um templo.
Julius ajudou Anastasia a descer da carruagem, e ambos estavam com expressões de admiração em seus rostos. Era possível ver um pingo de orgulho nos rostos de Emilia e Beatrice também.
Anastasia: “Mesmo ainda sendo pequena você é tão comportada. Deve estar levando o seu treinamento a sério.”
Julius: “De fato, comparado a quando pulou no Subaru, é como se fosse outra pessoa.”
Anastasia: “—É vergonhoso.”
Julius concordou com a sorridente Anastasia, e então o rosto de Petra começou a corar por causa do que disseram. Julius olhou para ela e logo em seguida se virou para Subaru.
Julius: “Entendo… Está ficando cada vez mais claro porque te chamam de ‘Lolimancer’”
(『幼女使い』significa literalmente “Usuário de Garotinhas”)
Subaru: “Só pra você saber, a Petra não é tão pequena assim pra você chamar ela de garotinha, mesmo se fosse, a única garotinha que eu uso é a Beako. Considere-se refutado.”
Beatrice: “A Betty também não é uma garotinha que é usada pelo Subaru como ele achar direito, eu suponho. Subaru, você também deveria considerar-se refutado.”
Subaru respondeu às provocações de Julius de forma humorosa, e então Beatrice o repreendeu de forma mais humorosa ainda.
Subaru franziu seus lábios e ficou em silêncio. Beatrice suspirou, olhou para a parte de baixo das roupas de Petra e, com um movimento rápido, agarrou a borda de sua saia.
Beatrice: “Olha. Não tem muita diferença entre nós duas… Espera. Betty está achando que Petra cresceu um pouco. O seu cabelo cresceu um pouco também, eu suponho…!”
Petra: “É porque já se passou um mês. E eu ainda estou em fase de crescimento. Eu vou crescer, e meu cabelo também, isso se eu não cortar. Mas a Beatrice-chan vai continuar pequena.”
Beatrice: “M-Mas o qu…!”
Petra, sorrindo, deu um abraço de urso em uma Beatrice surpresa. Ela continuou abraçando Beatrice, que estava com uma expressão de zangada, por tempo o suficiente, e então se afastou dizendo “Bem, permita-me guiá-los”.
Subaru: “Certo, nós finalmente iremos até o… mmga”
Ele havia tentado segui-la, mas alguém o segurou pela parte de trás do colarinho. Quando ele olhou para trás tentando ver quem havia feito isso, ele se surpreendeu ao ver que foi Emilia.
Emilia estava segurando a parte de trás do colarinho de Subaru enquanto apontava com a cabeça para a parte de trás da carruagem.
Emilia: “Subaru, a Patrasche não parece estar feliz.”
Anastasia: “…Essa situação já está começando a ficar meio egocêntrica, hein.”
Se você olhasse para os dragões terrestres que Emilia havia apontado, dos dois dragões que puxavam a carruagem, era possível notar que o lindo dragão negro como a noite estava encarando Subaru com um olhar assustadoramente penetrante.
Este era o amado dragão de Subaru, Patrasche. Quando Subaru tentou ir de encontro com seus olhos, ela rapidamente desviou o olhar. Soltando um grunhido baixo e descontente.
Emilia: “Sério que nem com esses 10 dias você conseguiu fazer as pazes com ela?”
Subaru: “É, eu sei, mas eu realmente acho que dessa vez não é minha culpa…”
Subaru coçou sua cabeça enquanto pensava no que fazer quanto Patrasche, que estava irritada.
Parando para pensar, ela já estava tratando Subaru desse jeito desde que saíram da cidade de Pristella ― na verdade, foi antes disso. Quando ele foi buscá-la nos estábulos de dragões terrestres após a fim da batalha contra o Culto, ela já estava de mau-humor.
Já que Otto não estava com eles por causa de seus ferimentos, ele não pôde se comunicar com Patrasche. Mas, como esperado, eles se conhecem há bastante tempo. Já é hora de descobrir por que este carinhoso dragão estava zangado com Subaru.
Subaru: “Beeem, eu sei que eu acabei deixando ela para trás durante toda aquela confusão, então talvez ela tenha se sentido meio solitária, mas… gofuuaaa!?”
Emilia: “Subaru!?”
Subaru estava terminando sua frase quando Patrasche balançou sua cauda em direção a ele, sujando-o de terra após esse golpe direto. Como esperado, Patrasche era impiedosa em seus ataques. Se ele por acaso respondesse de forma desonesta ela não hesitaria em acertá-lo.
Subaru: “Por essa eu não esperava… Em pensar que eu consegui evitar os ataques do Regulus mas não esses…”
Emilia: “Tudo bem? A Patrasche começou a balançar a cauda dela outra vez, mas não quer dizer que ela só vai te acertar se você não for sincero?”
Emilia disse essa observação assustadora de joelhos enquanto o ajudava a se levantar, Ele então olhou para Patrasche, que estava balançando sua cauda, cortando o ar com a ponta dela, como se tentando intimidar Subaru. É como se ela estivesse dizendo que ia dobrar a força do ataque a cada deslize que ele fizesse.
Ele inconscientemente perdeu sua capacidade de se comunicar, sua garganta enrijeceu assim que ele percebeu que não poderia responder de qualquer jeito.
Julius: “Não precisa ficar tão preocupado assim, o que não falta no seu dragão terrestre é compaixão por você.”
Julius, que estava mais à frente, se intrometeu dizendo isso. Subaru então apontou para si mesmo e para Patrasche em resposta a esse comentário e…
Subaru: “Sério? Eu ‘tô todo sujo de terra, e você chama isso de compaixão?”
Julius: “Você consegue ver a afeição nos olhos dela, não consegue? É um dragão terrestre muito compassivo e complicado. Ela provavelmente está zangada por não ter sido capaz de te ajudar durante aquele incidente, e por você não ter ido atrás de sua ajuda. Eu não diria que é raiva, ela só está indignada.”
Subaru: “Como assim? Você quer tanto assim ser uma heroína? Pare com isso.”
Não se sabe ao certo o quão corretas estavam as palavras de Julius, porém elas pelo menos fizeram com que Patrasche parasse de balançar sua cauda. Subaru tentou mais uma vez olhar para ela, que, como sempre, desviou o olhar, mas…
Emilia: “Pelo visto ela ficou um pouquinho envergonhada depois de ouvir isso.”
Subaru: “Emilia-tan, você percebeu? Eu também. Faz meu coração até acelerar, então por favor não faça isso toda hora, Patrasche.”
Ao dizer isso, ele, ainda um pouco nervoso, esticou sua mão em direção a Patrasche, a qual finalmente abaixou sua cabeça e deixou Subaru tocar as duras escamas que cobriam seu corpo. E este foi o alegre desfecho da aparente guerra fria entre os dois que se manteve não resolvida por 10 dias.
Petra: “Já acabaram por aí? Deu tudo certo?”
Eles não haviam nem saído do jardim frontal da mansão e Petra já estava começando a demonstrar sua impaciência.
Ordenaram que ela os guiasse, mas ainda assim eles estavam demorando tanto…
Petra: “Se não voltarmos logo, a Ram-nee-sama vai ficar irritada de novo e…”
Ram: “―Se você tem tempo para se preocupar com essas coisas, quer dizer que não está se esforçando o suficiente.”
Petra: “Pyah―!?”
Petra, que estava batendo levemente no chão com seus pés, soltou um grito e endireitou a coluna. Quando ela se virou deparou-se com uma empregada de cabelo rosa vindo da mansão.
Era Ram, sem sombra de dúvidas. Petra ficou parada feito uma estátua por causa do olhar de Ram, que em seguida virou-se para Subaru e as pessoas com ele e…
Ram: “Justamente quando estava prestes reconhecer que você melhorou e que está se esforçando me deparo com essa cena… Ram está decepcionada.”
Petra: “Pe-Perdão, Ram-nee-sama… você estava prestes a reconhecer minhas capacidades?”
Ram: “Sim. Você cozinha melhor que a Ram, limpa melhor que a Ram, lava a roupa melhor que a Ram e acorda mais cedo que a Ram, então eu estava prestes a reconhecê-la.”
Subaru: “Ei, você não devia dizer essas coisas com tanta certeza assim!”
Como que uma veterana consegue perder tão horrivelmente para uma garota com apenas 1 ano de experiência? Mesmo se você levar em conta que Petra aprende rápido, seria uma vantagem tão pequena que nem vale a pena considerar.
Ram soltou um “Ha!” extremamente familiar em resposta ao que Subaru disse.
Ram: “Qual o sentido de duvidar de si mesmo? Ram guarda apenas expectativas e confiança em si mesma.”
Subaru: “Eu sempre achei que essa parte de você é a que mais merece respeito.”
Subaru, surpreso, disse isso em resposta à declaração majestosa de Ram.
O otimismo de Ram, ou melhor, sua inflexibilidade, é um bom exemplo a se seguir. Ele só achava que ela deveria pensar um pouco mais em si mesma, mas…
Subaru: “Se bem que, se você fizesse isso ia deixar de ser você mesma.”
Ram: “Isso me parece assustador. Além do mais, não é bom deixar os hóspedes esperando. Vamos até a mansão logo.”
Ram deu de ombros, e Subaru concordou com ela.
Eles já ficaram tempo demais fora da mansão. Não seria uma surpresa se a Frederica ou até mesmo o Roswaal aparecessem se eles continuassem perdendo tempo.
Candidatas da Seleção Real e o líder do domínio estavam reunidos, mas o X da questão era “o que estão fazendo”.
Subaru: “O Roswaal está na mansão?”
Ram, que estava na frente guiando os outros, dá um tapa leve no ombro de Petra para aliviar a rigidez do corpo dela. Quando Emilia, que estava atrás de Ram, perguntou algo, Ram respondeu com um “Sim” sem nem olhar para ela.
Ram: “Felizmente, quando a carta chegou ele disse que vocês poderiam ficar na mansão, então não se preocupem. Na carta tinha um resumo do que aconteceu em Pristella… havia vários detalhes nela.”
Subaru: “É, quanto a isso…”
Ram: “E vocês voltaram com pessoas diferentes, não é?… O que aconteceu com o Garf e o Otto? Morreram?”
Subaru: “Como se eu fosse deixar isso acontecer! Eles não tão mortos! Só ficaram pra trás pra se recuperar dos machucados deles!”
Ele estava tentando perguntar sobre os detalhes da carta, mas foi interrompido e ao invés disso disse respondeu gritando. Ram, indiferente como sempre, deu de ombros.
Ram: “Estou familiarizada até demais com homens como você que não tem compostura. Barusu em especial tem um buraco por onde está vazando, então tome cuidado. Não há nada pior que alguém tentar te conhecer mais a fundo e descobrir que você está vazio por dentro.”
Subaru: “Isso machuca, então pode parar com isso! Outra coisa…”
Se leram a carta que foi enviada de Pristella para a mansão antes da saída de Subaru e cia… se aqueles detalhes foram compartilhados na carta, então deveriam saber que essa parada na mansão não é uma simples visita.
E então, enquanto Subaru estava pensando no que dizer para confirmar a segunda metade da carta, Ram levantou seu dedo antes e…
Ram: “Já te disse, não é? Não se preocupe. Eu já disse que o Roswaal-sama está… Além disso, quanto à Bela Adormecida e à sala de confinamento, está tudo preparado. Se bem que…”
Ela interrompeu o que estava dizendo a Subaru e gentilmente lambeu seus lábios.
Ela umideceu seus lábios com a ponta vermelha de sua língua com um gesto um tanto gracioso e então disse:
Ram: “Se bem que, quem fez as duas preparações não foi Ram, mas sim a Frederica e a Petra.”
Subaru: “Qual é a desse jeito todo orgulhoso então?”
Embora tenha se passado um mês, ela não havia mudado quase nada.