Liliana não se lembrava das palavras que queria cantar.
A linhagem de Liliana, seus ancestrais, desde o tempo de sua mãe, e a mãe de sua mãe, sua bisavó e mães além disso… eram de uma linhagem que nunca havia se estabelecido em apenas um lugar. E, ao invés disso, eles viajaram por todo o mundo.
E claro que a profissão sem vida de um bardo inspirava irritação. Não permanecendo em nenhum lugar e viajando continuamente com apenas os dois pés, acompanhado unicamente com os ventos e com os caprichos dos corações.
Entre os bardos, muitos deles se reuniam para fazerem suas apresentações. No entanto, Liliana não gostava muito dessa natureza muito unida. Embora não detestasse estar na presença de outras pessoas, seus interesses eram diferentes. Havia uma diferença palpável no sentido e significado de sua música.
Assim como a tradição da linhagem de sua mãe, Liliana trilhou sua jornada sozinha. No entanto, mesmo no grupo de bardos com tal variação de personalidade, não havia como negar que esse tipo de independência apareceu bem cedo para ela. Ela tinha apenas treze anos quando deixou o ninho de seus pais.
Não foi uma decisão fácil, mas, devido ao resultado de uma discussão, ela saiu de casa. A partir dos dez anos, Liliana sempre quis viver de forma independente. Essas eram os desejos muito descuidados de uma filha teimosa e profundamente submersa na busca por seus sonhos, e seus pais, especialmente sua mãe, mantinham-na em casa à força.
Porém, por volta dos dez anos, os sentimentos da jovem Liliana já eram mais maduros do que as outras meninas de sua idade. Isso foi mais ou menos o resultado das performances de seu pai, dos poemas de sua mãe e da influência íntima de seus parentes.
Para a jovem Liliana, os personagens que apareciam nas músicas que sua mãe cantava eram incríveis. Seguindo suas aventuras, desafios, romances e intrigas — sentindo tudo isso, Liliana tornou-se incapaz de suportar não poder traçar seu próprio caminho com seus próprios pés.
— As pessoas que passaram a ser conhecidas por meio de suas próprias canções podiam claramente escolher viver livremente seu modo de vida.
Para Liliana de 10 anos, os heróis que apareciam nas canções eram como amigos. Percorrendo o mesmo caminho, vendo as mesmas paisagens, erguendo a cabeça para ver o mesmo céu — ela também queria saborear o mesmo sentimento.
Apegada a tal sentimento, ela poderia de fato suportá-lo por mais três anos.
Liliana queimou de paixão obstinada junto com seu senso de companheirismo. De seu pai, ela adquiriu a habilidade de apresentar-se com um Lyulyre e, de sua mãe, adquiriu o som daquela canção e de várias outras canções famosas.
Na véspera de seu aniversário, quando ia fazer trezes anos, sua mãe deu-lhe pessoalmente um Lyulyre tradicionalmente herdada e, depois de uma grande discussão entre avós e filhos, Liliana correu para longe dos pais, viajando sozinha para longe de casa.
Liliana: “Hahahahaha! Esperem e vejam, velhos! Eu serei a governadora dos bardos!”
Escapando e evitando completamente a perseguição de seus pais, Liliana, que ficou sozinha, fez uma promessa ao céu noturno.
A grande aventura de Liliana Masquerade começaria a partir de agora.
Desde os dez anos de idade, seus pais deploravam a imprudência de Liliana.
Reclamando e criticando-a dizendo que suas habilidades ainda não haviam amadurecido suficientemente e que ela tratava o seu não aprendizado de melodias como uma piada, e depois ocasionalmente punindo-a, recusando comida.
Pai: “Ehehehe! Uma menina como você, pensando que pode viver de forma independente…. Pensou dez anos mais cedo! Uma criança arrogante como essa, deixe que ela cuide da carne dos coelhos que caíram na armadilha!”
Mãe: “Meu deus, coitadinha! Como a carne de coelho parece mal cozida, você acha que ainda pode ser comida? Uma criança que não ouve os pais é tão lamentável!”
Para o bem ou para o mal, seus pais tinham a natureza de perseguir seus sonhos.
Para pais como eles, deve ser comovente ver a partida de sua única filha. Certamente antes de sua partida, as discussões teriam sido abundantes.
Pai: “Se você for, isso diminui o consumo de refeições! Teremos três refeições por dia a partir de agora!”
Mãe: “Se Liliana for, apenas podemos ter outro filho!”
Certamente, eles devem ter tido discussões. Certamente foi doloroso. De fato.
E o último presente que ela recebeu deles foi uma discussão familiar.
Desta forma, se os sonhos de Liliana fossem destruídos, voltar para a casa dos pais não era o que ela faria.
Para evitar que ela desistisse, eles falaram aquelas palavras.
Enfraquecer com o pensamento de uma rota de fuga, era da natureza humana. Enquanto existisse uma saída, as chamas da determinação não poderiam queimar até o último minuto.
Especialmente para um bardo viajante, que não tinha uma casa própria, sem um lugar para viver.
Família e cidade natal eram duas noções tipicamente fundidas em uma só. Depender da família era uma tendência subconscientemente avassaladora. O maior obstáculo no caminho da independência era livrar-se dessa noção.
Graças à imprudência juvenil e à astuta manipulação de seus pais, Liliana conseguiu vencer esse obstáculo.
Quando Liliana estava bebendo água lamacenta, mastigando raízes de grama e oprimida pela fome e fraqueza, pensou em “voltar”… Mas foi ao pensar nisso que percebeu a consideração por parte deles.
Se sua determinação tivesse se despedaçado, Liliana provavelmente teria jogado e abandonado seu Lyulyre no chão. Por isso, ela agradeceu aos pais. Separar-se deles foi a melhor maneira de prosseguir.
Liliana: “–Eeh?”
Anos depois, tendo os encontrado novamente em outra cidade, eles ainda não foram capazes de resolver suas diferenças.
Além disso, sendo segurado nos braços de seus pais, estava um bebê desconhecido.
Liliana havia inicialmente presumido que fosse sua irmã mais nova, mas, ao invés de falar com os pais, ela apenas estufou o peito, endireitou as costas e voltou por onde viera.
Anos depois, se ela tivesse conquistas mais dignas de orgulho, talvez um reencontro com os pais pudesse ser até alvo de sorrisos e conversas alegres.
No entanto, a Liliana de hoje deixou a desejar, estava terrivelmente ausente.
Claro que, depois dessa reunião, talvez ela nunca mais encontrasse seus pais novamente. E havia uma chance ainda maior de nunca ser capaz de se apresentar como uma irmã mais velha para a mais nova, cujo nome ela desconhece.
Porém, foi isso que Liliana escolheu, um estilo de vida que dependia da música.
Talvez no futuro, quando Liliana se tornasse uma barda famosa de renome mundial, sem dúvidas seus pais falariam irresponsavelmente para todos que quisessem ouvir que eu era sua filha. A primeira a ser vítima dessas afirmações seria sem dúvidas sua irmã mais nova. Sonhar com essa ambição mesquinha era completamente natural.
Liliana: “Hehe, que visão de futuro comovente! O que não é pedir muito…”
Quando Liliana tinha dezessete anos, ela encontrou sua determinação mais uma vez.
E, agora, aos vinte e dois anos, Liliana vive de forma independente há nove anos. — Claro que, de fato, era uma vida atípica, cheia de tribulações.
O mais notável ocorreu aos trezes anos de idade, logo após ela ter começado sua jornada, quando declarou suas intenções de ser a mestre dos bardos e foi pisoteada no dia seguinte. Se ela não tivesse sido apanhada por mercadores que passavam, certamente teria morrido lamentavelmente sozinha.
Era um grupo de mercadores, viajando pelas terras para ganhar a vida.
Liliana havia sido resgatada e cuidada por eles e, para sobreviver, agiu como criada. Era uma forma muito mais segura e confortável de viajar do que viajar sozinha. Isso desde que houvesse refeições e uma cama para dormir.
E, chegando às cidades, Liliana pegaria seu Lyulyre e cantaria a beira da estrada em troca de moedas. Tendo deixado os pais, a primeira vez que teve seu desempenho reconhecido foi inesquecível.
Os comerciantes cuidaram dela por cerca de um ano. Mas, quando seu porta-voz se estabeleceu em uma cidade, adquirindo sua própria loja, o grupo se desfez. Entre os mercadores dispersos, vários grupos convidaram Liliana para ir junto, mas ela recusou solenemente, e continuou sozinha.
Deixando de lado uma viagem segura e confortável para renovar-se como pessoa.
Os dias mornos do começo de sua aventura haviam terminado, e a história de Liliana Masquerade começou. Essa foi, sem dúvidas, uma história de muito vigor.
Depois disso, vários anos de muito trabalho foram vividos.
Seja como parte de um grupo de mercadores ou de uma casa de bardos respeitada, o mundo implacável não tinha consideração com a menina separada de sua família de músicos.
Foi então que ela entendeu completamente a consideração demonstrada pelos seus pais antes de partir.
Liliana também percebeu que havia outra grande verdade neste mundo.
Percebeu que o mundo onde ela vivia e o mundo onde viviam as personagens de suas amadas histórias eram absolutamente diferentes, e que ela não era de forma alguma uma de suas companheiras.
O início de suas aventuras dificilmente tinha sido único.
Como sempre, mastigava raízes de grama, consumia frutas vermelhas que não conseguia encontrar nas montanhas e, sozinha, sofreu a agonia causada por dor de estômago e febre. E, naquela noite, ela percebeu…
Liliana: “Ah…”
Os heróis das histórias emocionantes que ela conhecia não deveriam passar por coisas assim.
Porque essas histórias já estavam concluídas. Os dias em que cuspiam sangue fresco, expressavam suas aspirações, gritavam suas esperanças e empunhavam suas espadas, já eram de um passado distante.
A única coisa que Liliana fez foi seguir seus passos e tecer seus contos para que outras pessoas conhecessem.
Liliana amava esses heróis, mas eles nunca amaram Liliana.
Seus próprios pensamentos tinham sido completamente unilaterais e, na verdade, eram semelhantes a como tropeçar na realidade, perdendo o rumo.
— Mas então, quem é um bardo?
“Serei a governadora dos bardos”, dizendo isso, Liliana havia assumido o título de um bardo por muitos anos, antes de perceber o quão inútil ela era.
“Aaaaaahh!”
Durante três dias e três noites, as dores, a febre e os vômitos de Liliana continuaram incessantemente.
Enquanto abaixava a cabeça, Liliana questionou se isso era um sonho cruel ou a realidade.
Depois do quarto dia, Liliana acordou recuperada. Molhou o rosto em um riacho próximo e bebeu água.
O rosto refletido ali tinha uma aparência diferente do rosto de antes.
O vento soprou as folhagens refrescantes, insetos e pássaros fluíram através do riacho.
E lá ela sentiu pela primeira vez a música.
Com as lágrimas escorrendo pelo rosto, Liliana não pôde deixar de pular na água.
Os insetos, pássaros e peixes se assustaram surpresos, sua música fluiu pela superfície da água, de onde emergiu a cabeça de Liliana, que riu à vontade. Ela chorou, riu, gritou.
Liliana desceu correndo a montanha com o corpo todo coberto de água suja e lama seca e ficou parada na rua.
No momento, ele só se importava em estar nas ruas da cidade.
Todos ficaram enjoados com a garota segurando um instrumento, que usava um vestido sujo. A expressão do dono de uma loja revelava nojo, e os transeuntes nas ruas pareceriam inquietos.
O simples fato de ela ficar assim no meio da rua, talvez resultaria no risco de ser derrubada por algum transeunte inconsciente.
Porém, a Liliana em pé nas ruas se movia com agilidade. Não por que ela estava preocupada pensando que seria derrubada se não começasse logo, mas simplesmente por que tudo o que ela desejou agora era apenas cantar o mais rápido que pudesse.
“––”
Quando o Lyulyre foi carregado, um punhado de pessoas notou.
Uma garota suja e enlameada, uma Lyulyre envelhecida e murcha em suas mãos que tocavam o Lyulyre criaram algo de tirar o fôlego.
Era uma questão de quantas pessoas a reconheceriam.
Se algo estivesse realmente acontecendo, certamente as pessoas que percebecessem seriam atraídas imediatamente.
A performance de Liliana começou e, no instante em que aquelas mãos graciosas e charmosas teceram música, os passos de todos na rua pararam, assim como suas respirações.
Naquele instante, todos perceberam uma mudança vital, enquanto esperavam que uma onda tremenda varresse seus corações.
Todos os olharesestavam focados na fonte do som que estava na rua, uma jovem suja.
Liliana sentiu o peso dos olhares sobre ela e ao mesmo tempo compreendeu o seu eu elevado. O palco estava preparado e foi então que ela correu para ele sem hesitar.
E, quando os aplausos por sua apresentação atingiram o auge, a música de Liliana começou.
Naquele momento, a “música” saiu de sua garganta, a ponto de fazerem todos acreditarem que as músicas que cantaram no passado tinham a mesma substância.
A música fluiu, trazendo seu conhecimento. E a presença de melodias famosas oscilavam para frente e para trás de forma penetrante.
O par que viveram um para o outro, amigos que se consideravam inseparáveis, agora com o coração límpido, assistiram e assoviaram em direção ao céu.
— A música era um presente, mas para os amigos do passado, sobre quem cantava, ela não era nada.
Liliana entendeu que o sentido de sua própria existência era para ser um bardo.
E, com essa base de compreensão, a partir de então, ela iria continuar cantando sozinha.
Mostrando que neste mundo existiram pessoas tão exemplares.
Exibindo o quão amáveis essas pessoas foram quando ela as considerava amigas.
Certamente chegaria o dia em que pessoas incríveis se tornariam amigos, e seriam amigos de pessoas igualmente incríveis, a ponto de orgulhosamente fazerem algo assim…
— Terminando sua música, Liliana derrubou lágrimas.
As pessoas ficaram sem palavras, derramando lágrimas e limpando o nariz, assim como ela.
Fortes aplausos ecoaram como um trovão do outro lado da rua, e Liliana Masquerade finalmente se tornou uma barda.
Desde então, a convivência de Liliana com a música persiste.
No topo da torre de controle queimando, Liliana se lembrou da primeira vez que cantou como independente e da primeira vez que cantou como uma Barda.
Um sentimento semelhante ao daquele momento então vibrou em seu coração.
O que ela queria cantar, o que ela queria expressar com palavras, era demais. Da mesma forma como na música. A ponto de poder ser chamado de obsessão.
Sem se importar com as circunstâncias, as chamas mesmo agora ainda continuaram a intensificar-se, escolhendo o que queimar até o fim.
E, embora talvez Liliana não pudesse sentir o calor abrasador que a consumia, ele ainda a atormentava.
Mesmo agora, enquanto o calor consumia agonizando suas costas, e o corpo que escalou a torre de controle envolta em chamas soltava gritos de dor continuamente. Era uma dor tão intensa que o fez querer cair de joelhos e gritar imediatamente.
No entanto, algo como chorar agora era muito impróprio.
Diante de seus olhos estava um público que queria uma música. Sua garganta não era para chorar, mas para cantar.
“––”
A música que surgiu não foi transmitida para ela por sua mãe ou família.
Um bardo tinha a obrigação de herdar histórias, e talvez isso fosse um passo em falso na carreira de um bardo, mas essa era a música que Liliana havia recebido de presente quando ela começou a entender o mundo.
Quando o próximo amanhecer chegasse, o céu estaria tingido de vermelho.
Liliana adorava ver aquele céu matinal aoamanhecerque afastava a noite.
O amanhecer tingido de vermelho e amarelo, trazendo um verdadeiro amanhã para todos.
Um céu que transcende o amanhecer.
Não importava o que acontecesse durante à noite, a manhã sempre existiria.
Para todos, um céu azul transcendendo o amanhecer, era o início de um novo dia.
“––”
Agora mesmo, o caos gradualmente permeou a cidade, e um grande número de pessoas foram consumidas e surpreendidas pela inquietação e tristeza, deixando-as imóveis.
No meio de uma noite em que nem olhar para frente nem olhar para trás era uma opção, cada um deles estava lutando, a luta era a realidade.
Mas, mesmo assim, Liliana queria cantar.
E, porque ela queria cantar, ela conseguiu cantar.
Ela mesma não sobreviveria à agonia de segurar sua música quando queria cantar.
E, portanto, agora era o momento perfeito para ela usar sua música para transmitir o que queria dizer.
Liliana afrouxou sua garganta trêmula e continuou cantando.
Seus dedos moveram-se pelas cordas do lyulyre como se estivessem dançando, e, na verdade, ela cantava simultaneamente enquanto dançava. No topo da torre de controle, ela queria que todos ao redor pudessem ouvir.
Mas, infelizmente, era deplorável que sua voz não tivesse como atingir os tímpanos de todos.
O problema não era apenas o volume. Também havia a distância. O coração do público estava preocupado. Por mais que Liliana tentasse, a existência de barreiras físicas e mentais era inegável.
Liliana acreditava no poder das canções.
No entanto, apenas espalhar a música com devoção pode ser considerada uma canção verdadeira.
Espalhadas por todos os lados, quantas pessoas foram vencidas pela inquietação e tristeza?
Talvez houvesse centenas ou milhares. Liliana nunca teve a experiência de cantar para alcançar um público tão grande sem o auxílio do dispositivo mágico.
Uma pessoa normal não seria capaz de encontrar um meio capaz de difundir esse som, ou de espalhar sua música simultaneamente.
A batalha que Liliana enfrentou era desesperadora e sua aspiração era muito distante.
A Liliana de dez anos atrás fora considerada pelos seus pais perversos muito imprudente.
E, agora, era exatamente como naquela época, ainda repetindo as mesmas coisas?
O poder da música era real, mas o modo como ela transferia era falso?
“––”
Diante de tal dúvida, sua garganta vacilou desamparadamente.
E naquele momento:
??: “Liliana — minha adorável cantora. Com essa voz, quero mantê-la ao meu lado para sempre.
Um homem bobo, com sofismas bobas, permaneceu na mente de Liliana.
Ele era um homem estranho. Sem dúvida alguma, era muito estranho. Talvez o chamar de pervertido fosse mais preciso.
Ao ouvir a canção de Liliana, aqueles que foram levados pela malícia ainda permaneceram.
Liliana ficou distante de tudo. Algo falso existia na música, uma tentativa de sinceridade que não poderia ser emprestada aos outros. Isso era a dedicação de um bardo.
“Eu me apaixonei pela sua beleza. Por favor, fique ao meu lado.”
E então ele foi o primeiro a tentar aproximar-se dela de todo o coração.
A consciência de que Liliana era uma barda veio depois de fazer sua declaração de amor ao vê-la. Quando ela se apresentou pela primeira vez na frente dele, em vez da música, os olhos dele percorreram seu rosto, peito e pés de uma forma honestamente bastante desconfortável.
No entanto, isso não queria dizer que ele não havia se emocionado com a música de Liliana. E seus sentimentos por ela não eram cobertos por desonestidade.
Tendo demonstrado atração por sua aparência e compreensão pelas suas músicas e, sabendo que, como pessoa, para ela era impossível partir…
“A cidade de Pristella tem quatro grandes portões. Portanto, dentro da cidade existem vários abrigos como medida de emergência. O objetivo desse dispositivo mágico é para que os cidadãos estejam mais cientes de sua segurança no dia a dia e, em caso de emergência, estejam preparados.”
Liliana: “Eh… Para quê…?”
“Vamos tentar transmitir a música da Liliana naquele rádio. Dentro desta cidade ainda existem muitas pessoas que não entenderam sua música, esta é a chance perfeita.”
A música amplificada pelo dispositivo mágico, foi para Liliana um atalho.
Para ela, uma música deveria ser cantada diante de uma platéia. Liliana recusou, a contragosto. Mas ele apenas riu com indiferença.
“Eu quero monopolizar sua figura. No entanto, sua música não pode se tornar algo restrito. Cantora para todos os outros, Liliana para mim. Isso é algo que não pode acontecer?”
O esquisito realmente riu com tal intenção perversa no rosto. Se ele queria convencê-la dessa maneira, ela apenas bufaria.
Liliana sabia que, neste mundo, havia muitas canções que falavam de histórias de amor.
Nessas histórias de amor, seus corações vacilavam, eles ficavam apaixonados pelo amor. Ela sabia quais palavras seriam encantadoras e quais atitudes eram emocionantes.
E por isso Liliana não se apaixonaria tão levianamente por tais palavras. Ela não era tão ingênua.
Talvez eles não fossem tão “doces”, mas eles ainda apreciaram a voz da cantora.
Ele era tão exagerado, que ela não conseguia endireitar o peito e dizer que combinava com ela.
Porque ele sempre quis que Liliana se tornasse a [Cantora] desta cidade.
Porque essa pessoa a transformou na cantora desta cidade.
“––”
E para comunicar, reverberar, estremecer, esse anseio—
Por mais escura que estivesse a noite… ela era tão negra que era impossível enxergar adiante.
E, mesmo que fosse assim, a manhã ainda chegaria, como sempre.
Mais convencida e decidida do que ninguém, acreditando nele mais do que em ninguém, e mais do que em qualquer outra coisa, para cantar por ele.
Ela era a cantora da Cidade das Comportas Pristella, Liliana Masquerade.
“––”
A partir desse tipo de sentimento, nenhuma dor poderia ser sentida.
Tudo vinha dos pulsos que dedilhavam o Lyulyre e, dos pés que dançavam em sincronia, até a garganta que cantava sem descanso, tudo de si estava imerso nesse sentimento.
Enquanto cantava, cantava e cantava, Liliana não havia percebido.
Ela não percebeu que o lamento daqueles cujos espíritos haviam sido controlados não ecoava mais em seus ouvidos.
No lado oposto do canal de água em chamas, aqueles que respiravam de dor e lamento olharam para o céu vazio.
Não — não estava vazio. Um som foi audível da torre de controle envolta em chamas.
Uma pequena figura do topo continuava a gritar de uma grande distância.
Os olhos podiam deixá-la. Direcionando o foco totalmente para os ouvidos, todos prenderam a respiração para ouvir a música com atenção extasiada.
Uma música que não deveria ser ouvida foi transmitida com clareza para todos
Não foi um milagre, nem foi uma alucinação simultânea. E também não era o poder do Arcebispo, na verdade, não havia nenhuma emoção compartilhada.
— Foi um presente concedido pelos céus à Liliana, o verdadeiro desabrochar da [Proteção Divina da Telepatia].
Essa proteção divina que até então permanecera no subconsciente e, só quando chegou este momento, ela exerceu a influência que deveria. Graças à sua habilidade como cantora e sua compreensão em deixar tudo de lado neste momento desesperador apenas para ajudar, ela havia se tornado uma força tremenda, fluindo pela cidade.
Claro que Liliana não sabia disso.
E, além disso, não havia mais ninguém para informá-la da situação.
Liliana apenas cantou com todo seu coração e alma.
Tornando-se uma barda, dedicando-se totalmente ao canto e transformando tudo neste instante.
A voz da cantora de Pristella estava ecoando.
Priscilla: “Como era de se esperar, os preparativos que eu mesma havia preparado se cumpriram.”
Lá havia uma espada carmesim flamejante, e Priscilla, que a empunhava, riu alto.
A música também alcançou os ouvidos de Priscilla.
Liliana ocupou o centro do palco da torre de controle em chamas, produzindo a mais brilhante das canções.
Embora a chama estivesse sob o controle da lâmina Yang, que podia escolher o que queimar, o calor emitido por ela não era falso. O calor na torre de controle estava em um nível crítico, e a torre de pedra estava escaldante. Mesmo neste instante, agora certamente estava tão quente que ela teria vontade de pular.
Mas, a partir dessa música que transmitia todos os sentimentos de Liliana, os gritos ou as queixas de dor eram praticamente indetectáveis.
Não que esses sentimentos não existissem, mas, ao invés disso, a dor antes não diluída foi atingida pela pureza da música.
Que conclusão tola. Um que só um tolo alcançaria, a altura de um tolo.
O auge de um tolo brilhante que poderia produzir um resultado que transcendia a razão.
Priscilla: “Sua idiotice é realmente fascinante. Um tolo é tão estúpido. Um tolo não merece viver, mas um tolo tem uma alegria única.E, mais ainda, ela demonstrou um valor além da alegria. Portanto, ela merece minha recompensa.”
Antes de permitir que Priscilla pudesse terminar seu solilóquio, de cima para a baixo, e da esquerda para a direita, correntes de ferro em chamas avançaram. A mandíbula da cobra exibia sua chama, movendo-se em direção a Priscilla.
Vendo o auge da feiura, Priscilla bufou.
Erguendo a Espada Yang, a lâmina carmesim brilhou ao ser inclinada.
De cima, da esquerda, a órbita simultânea das correntes que se aproximavam foi cortada à força. O som nítido de algo sendo cortado pareceu ecoar duas vezes ao mesmo tempo, e a aberração rosnou maliciosamente com as faíscas.
Sirius: “Você e aquela garota são tão irritantes! O que há de tão diferente entre eu e ela? Os métodos são diferentes, mas o núcleo é o mesmo! Isso só mostra que tudo isso é a razão!”
Sirius gritou alto, recuperando as correntes queimadas, puxando-as para perto.
Com raiva gerando fogo, os olhos da aberração cujo manto negro balançava violentamente enquanto torcia os braços, apontou diretamente para Liliana cantando e dançando no topo da torre de controle em chamas.
A [Proteção Divina da Telepatia] de Liliana era incrivelmente poderosa o suficiente para afetar a percepção da aberração.
Para a aberração que era tão perceptiva às mudanças nas emoções dos outros, os
efeitos daquela música irradiavam perfeitamente para si.
Os cidadãos foram libertados da “Ira” que se enraizou em seus corações.
Do outro lado dos canais de água, ainda envolto em chamas brancas, aos olhos das pessoas que ali estavam, não havia mais vestígios de frenesi. O que encheu seus olhos não era fervor, mas suaves quedas de lágrimas.
Não estava claro de qual emoção as lágrimas proviam, e a aberração era incapaz de absorver o sentimento amorfo. Porque, ao invés de se condensar em um único sentimento, ele continuou a mudar constantemente.
Sirius: “Essa pessoa…! O sentimento pode ser provado, enquanto for essa pessoa! Porque você está aparecendo diante de mim para interceptar meu caminho!? Os humanos querem perseguir o amor, e tornar-se um de fato! O mundo continua funcionando assim! E ainda assim você…!”
Priscilla: “Como é da natureza da música, os sentimentos que a acompanham variam. As canções clássicas são encantadoras e cada descrição de ‘adorável’ é diferente. Tu continuas gritando sobre teus sentimentos barulhentos, mas não entende uma compreensão tão superficial do que é mais vital…Isso para mim é conhecido como ‘tolice’.”
Sirius: “Já chega!”
Sirius arregalou os olhos com o discurso impiedoso de Priscilla e, com um uivo, cruzou os braços.
As palmas colidiram, sacudiu as correntes e cada braço desfez violentamente as correntes enroladas.
Pele dos braços estavam descascando, e a carne de seus braços estava sendo arranhada, e, agindo como se estivesse com dor, Sirius abriu os braços, balançando as correntes partidas com força.
A chama girou em torno das órbitas das correntes oscilantes em movimento, alargando-se até onde o vórtice alcançou o pico de seu arco.
A chama escaldante transformou-se em um disco redondo, queimando com o calor de Sirius.
Priscilla: “Será que as bandagens são para essas feridas?”
As bandagens eram para queimaduras. Se a razão era o que ela acabara de testemunhar, então realmente era mera tolice.
Diante dessa força e perigo maior, Priscilla não hesitou.
Duas cobras de fogo se fundiram em uma chama poderosa.
Priscilla observou o vórtice de chamas com uma expressão de apatia.
Sirius: “O tremor de sentimentos… consumindo emoções, essa intensidade, essa ‘Ira’…”
Sentimentos de nojo transformaram as chamas de Sirius em ondas de calor.
A chama girou conforme ela se aproximava.
Aquilo havia deixado de ser uma corrente de metal. No instante em que a chama floresceu, o papel dos implementos como correntes chegou ao fim.
As correntes que haviam feito seu trabalho desapareceram em um piscar de olhos, e apenas fogo puro voou em direção à Priscilla. Uma massa de calor como se envolvesse o mundo inteiro, praticamente uma nuvem caindo do céu, atacou sem pausa.
Sendo totalmente impossível de se esquivar, a única opção era ser comido dessa forma.
E, quanto a sua própria chama, Priscilla só tinha uma opção.
Priscilla: “— Se meu decreto for o decreto do céu, a luz da Lâmina Yang seguirá como um.”
Diante da onda de chamas que se aproximava, Priscilla ergueu a Espada Yang bem alto.
Mas não como se estivesse sentindo-se desconfortável com a situação…
Sirius: “Desapareça—!”
Priscilla: “…”
No momento da colisão, Sirius cuspiu seu ódio venenoso para Priscilla.
Priscilla ignorou sua fúria não dando importância. O único som que a alcançou foi a música.
No instante em que a onda de calor deveria ter consumido seu corpo, a Espada Yang mudou.
O brilho subitamente despareceu de uma espada onde anteriormente todas as jóias brilhavam com a luz. Apenas o brilho carmesim e a espada carmesim permaneceram nas mãos de Priscilla.
Foi assim que a espada sem sua luz se encontrou com a chama.
“––”
Sem o brilho das jóias, a espada tornou-se de aço comum e, portanto, foi incapaz de repelir a chama que se aproximava. Se houvesse um curioso naquele momento, talvez ele tivesse pensando assim.
Mas o resultado foi exatamente o oposto.
Priscilla: “— Totalmente inútil.”
Priscilla, agitando a lâmina Yang para o lado, murmurou.
Ela deveria ter sido consumida pelas chamas e desaparecido.
E, no entanto, sua existência não desapareceu. E, além disso, seu corpo não apresentava nenhum traço dos efeitos colaterais da onda de calor, permanecendo bela e constituída como sempre.
Ondas de fogo conhecidas por seu poder foram varridas e anuladas sem deixar vestígios.
Era como se apenas a Espada Yang, brilhando com sua luz recuperada, soubesse onde as chamas tinham ido.
Priscilla: “Mm–.”
Segurando com força a Espada Yang, a expressão de Priscilla mudou.
Onde antes havia um sorriso confiante, agora suas bochechas enrijeceram enquanto ela acelerava seus passos.
Bem na linha de visão dela estava Sirius, correndo rapidamente.
A violenta corrida da maluca a afastou de Priscilla, que claramente começou a correr sem verificar o resultado da chama.
O que significa que o alvo de Sirius, desde o início não era Priscilla.
Sirius: “Pare com essa canção penetrante! Não negue arbitrariamente a ‘Ira’ que compartilho com essa pessoa!”
Com os olhos ensanguentados, Sirius correu direto para a torre de controle onde Liliana cantava.
A chama branca em torno da torre de controle permitiria que Liliana fosse livre para se apresentar sem intervenções. E, quando Sirius corresse contra a barreira, ela certamente seria queimada pelo fogo.
Até mesmo a aberração entenderia algo desse nível. Então, o alvo agora era…
Priscilla: “Detestável, forçando-me a…”
Impulsionada pelo ímpeto, o corpo de Priscilla avançou e cruzou o pátio. Embora Sirius fosse de fato rápida, Priscilla era superior.
A vantagem inicial de Sirius foi perdida, Priscilla empunhou sua Espada Yang para a aberração. Mesmo se ela quisesse, a aberração não tinha mais como se defender. Sem as correntes em seus braços, ela não tinha como interceptar a espada de Priscilla.
Priscilla: “Pare, plebeu!”
Sirius: “Que chato! Pare. Já!”
“Priscilla: “––!?”
Antes que a Espada Yang pudesse golpear Sirius, o corpo de Priscilla parou no ar. Seu corpo inteiro congelou como se tivesse sido forçado a fixar-se no lugar. A garganta de Priscilla foi capturada por uma força repentina.
Sirius ergueu as pernas e da bainha da calça veio o som da corrente que era tão familiar nesta batalha—
Priscilla: “Tch!”
Um golpe das correntes enroladas em suas pernas em vez de seus braços atingiu Priscilla e a paralisou.
Era impossível se defender de um ataque depois que seu corpo inteiro estava imobilizado no lugar.
Acompanhando o ataque feroz da corrente que foi várias vezes mais rápido do que usava no braço, o rosto digno de Priscilla explodiu pela frente. O som de aço batendo contra a carne ecoou, e o cabelo laranja preso de Priscilla soltou-se, o lindo cabelo se espalhou.
Seu rosto não estava marcado, mas seu orgulho estava ferido.
Embora a força da corrente tenha sido reduzida, o impacto a jogou para trás, e Sirius se afastou ainda mais.
Durante esse tempo, Sirius se aproximou da torre de controle usando movimentos fora dos limites naturais para transferir a força e o peso do corpo dela para a corrente na perna, liberando toda a força.
A serpente de fogo atingiu a torre de controle com um ímpeto violento, e a fundação da torre de pedra desabou com um uivo. Fragmentando e desabando, a fundação da torre de pedra foi consumida por ondas de fogo, inclinando-se sob o impacto da enorme chama.
— Liliana estava naquela torre de pedra.
Em apenas um movimento, a torre se inclinou e desabou.
Com os cabelos laranjas caídos sobre os ombros, Priscilla observou a torre de controle desabar com os olhos arregalados.
A silhueta de Sirius estava visível. Mas, no topo da torre inclinada, a silhueta de Liliana estava ausente.
E ainda assim…
A música de Liliana continuou. Mesmo que o chão desabasse, mesmo que ela tivesse sido apanhada na destruição.
Liliana continuou a cumprir seus deveres, confortando o coração das pessoas.
“—O que significa!”
Então, Priscilla caminhou em direção a Sirius sem hesitar.
Se a voz de Liliana fosse interrompida, o domínio sobre o coração das pessoas voltaria para Sirius.
Tomando uma decisão em fração de segundos, a Espada Yang brilhou e Priscilla dividiu o chão com um forte chute.
Sirius: “Sua egoísta impiedosa! Não tenha empatia com tanta arrogância! Vocês que não tem conexões com as pessoas são deficientes e falhos! A compreensão e união mútuas é a fusão do estado natural dos humanos!”
Sirius, que havia destruído a torre de controle, foi pega pela raiva de Priscilla.
A corrente saltou ao ganhar impulso de trás. Aproximando-se, as chamas em movimento criaram uma explosão, alcançando rapidamente o corpo de Priscilla, jogando-a para trás. Ela fez uma pausa e depois retomou os passos contínuos.
Apesar de banhado pelo calor, os olhos de Priscilla eram inabaláveis.
O mesmo pode ser dito sobre o frenesi de Sirius. A aberração não conseguia mais ouvir nenhuma outra voz.
Tudo isso acabaria aqui.
Dos dois, que se misturaram como fogo e água, só poderia haver um sobrevivente.
“––”
A torre de controle inclinada fez um barulho de rachaduras e pedras quebradas junto da fumaça e as chamas se espalharam, o pátio tornou-se uma paisagem infernal em chamas.
Aqueles que estavam no canal de água onde a torre havia caído gritaram com lágrimas nos olhos enquanto fugiam. Mas não eram lágrimas de tristeza.
Eram lágrimas para o som da música.
Sirius: “O amor é como um–”
Priscilla: “Não. Aceitar o amor com tolerância permite diferenças. Mas para todos agirem como a mesma pessoa e se sintam da mesma maneira, além de compartilhar os mesmos sentimentos é nauseante e desagradável.”
Ela se abaixou para afastar-se de uma corrente, inclinando-se para evitar o ataque precipitado.
A distância entre elas diminuiu e o ruído de sons ecoou.
O som de aço colidindo com aço foi abafado pelo rugido da torre de controle em colapso.
A voz de Priscilla finalmente alcançou os ouvidos de Sirius.
Priscilla: “Acabou.”
Sirius: “Você achou mesmo que eu não teria me prevenido melhor de suas ações?”
No momento em que Priscilla acenou com a Espada Yang, Sirius abriu seu casaco.
Em torno da cintura da aberração havia correntes fortemente amarradas como em seus braços e pernas e, enroladas ao corpo estava…
Uma jovem de cabelos loiros cacheados.
O que Priscilla não sabia era que seu nome era Tiina. E desde o início dessa turbulência, ela foi feita como refém por Sirius.
Embora Subaru a tenha mencionado durante a estratégia sobre a “Ira”, esse detalhe não foi lembrado por Priscilla.
??: “Mmmm!”
E, no entanto, Priscilla sem hesitação balançou a Espada Yang contra o refém à sua frente.
A Espada Yang não hesitou no impulso e se inclinou em direção a Tina e o corpo de Sirius durante a investida. A lâmina da espada, conhecida por seu terrível calor, cortou silenciosamente as correntes ao redor de seu corpo, que acertou o alvo e cortou as correntes ao meio.
Sirius: “Oh meu deus!?”
Priscilla: “Minha Espada Yang pode queimar e penetrar facilmente o que quiser.”
O corpo da garota amarrada foi libertado. A garota caída ergueu o rosto manchado de lágrimas ao sentir o toque da espada que passava pelo seu corpo e não pôde deixar de desmaiar de surpresa naquele momento.
E, no corpo da jovem, nenhum ferimento fatal e cruel da lâmina pôde ser visto.
Em vez disso, Sirius foi atacada e recuou.
A aberração olhou para sua própria ferida e sacudiu a cabeça enquanto olhava para Priscilla.
Sirius: “Essa agonia…você…”
Priscila: “Que motivo há para eu falar sobre a tua dor? Eu não me importo em se tornar um. Contanto que tu morras sozinha, tu sempre carregará tua tagarelice contigo.”
Priscilla atacou novamente com a Espada Yang.
Com força e impulso surpreendentes, o corpo de Sirius convulsionou nos paralelepípedos; derramando sangue fresco, ele rolou em direção ao canal de água e caiu dentro.
Ao ouvir o som da água, Priscilla olhou para a Espada Yang.
Priscilla: “Finalmente acabou? Foi muito problemático.”
Depois que ela falou isso, a torre de controle em colapso desabou completamente. O telhado onde Liliana estava, também caiu, virando entulho.
É claro que da torre de controle que foi destruída — nenhuma música ecoou.
E, olhando para a pilha de escombros com os olhos semicerrados, uma voz jovem chamou Priscilla.
Era Tina, que ainda tinha uma expressão de descrença, e Priscilla abaixou a cabeça, apenas para ver os olhos de Tina tremerem enquanto derramava lágrimas.
Vendo aquela silhueta, Priscilla soltou um suspiro.
A Espada Yang já havia desaparecido, assim como a chama branca que iluminava os canais de água enquanto muitas pessoas se aproximavam. Alguns foram até os destroços, em busca da cantora enterrada, Liliana.
Priscilla: “São apenas um grupo de plebeus barulhentos, numa noite como esta. O que deveria ter sido a grande estreia de uma cantora, não tem nada além da vulgaridade dos plebeus. Que cansativo.”
À primeira vista, tinha a mesma indiferença de sempre, mas alguma emoção transparecia nessa indiferença.
Priscilla olhou para a chorosa e soluçante Tina e depois para o rio.
Priscilla: “Mas não foi nada mal. Você merece elogios.”
Fluindo lentamente junto da água.
Um corpo dolorido, cheio de vitalidade… como dizer… um corpo coberto de feridas? E cheio de traumas? Em outras palavras, era a sensação de eu não conseguir me mover.
“Ah…Uh…”
Eu estava completamente sem energia para fazer qualquer tipo de som. Até mesmo as pontas dos meus dedos eram incapazes de se mover.
Felizmente, a roupa de um bardo ficava muito exposta, com muito pouco tecido, então mesmo se eu caísse em um canal de água, não significaria que eu absorveria o peso da água, assim aumentando as chances de sobrevivência.
Mas, para mim, que agora não tinha forças para nadar, apenas flutuar era incômodo.
Bem, se eu continuasse a flutuar assim, mais cedo ou mais tarde meu corpo esfriaria, isso não seria problemático!?
Ah… uma voz interior gritou bem alto.
Se eu adormecesse agora, eu morreria.
Não, não, não, não, não, não, não, não.
“— Ah.”
Uma torre em chamas…
Meu corpo inteiro estava assado, a princípio caindo no canal de água foi agradavelmente fresco, mas agora estava esfriando… Eh, isso é uma má notícia.
E, falando nisso, a minha atitude de não fugir, mas permanecer na torre em colapso para cantar até que ela desabasse na água, foi provavelmente a decisão mais desastrosa…
Porque… era bom. Era bom ao ponto de pensar que eu vivi para aquele momento.
Na verdade, eu esperava um desenvolvimento mais pacato e suave.
Parecia que tudo estaria acabado, mas, desde que Priscilla-sama não morresse, tudo correria bem provavelmente. Aquilo foi legal.
Então, estava tudo certo.
Para um bardo, havia desejos que precisavam ser realizados, e em certos sentidos poder-se-ia dizer que algo foi realizado.
Talvez o objetivo de transmitir canções clássicas das histórias não tivesse sido alcançado, mas se todos ali tivessem sido salvos, participar do que os ajudou seria uma boa coisa a ser compartilhado em um jantar em família… Tendo deixado uma impressão favorável no coração das pessoas, neste mundo, era algo pequeno que eu esperava conquistar.
A propósito, um grito estranho tenho ouvido, é provavelmente um sinal de que ainda estou viva neste mundo.
Tenho a sensação de que absolutamente tudo está ficando exaustivo…
Ouvindo minha voz, essa era a única prova de vida. Como estou conseguindo ser tão indiferente diante da morte? Mesmo que pareça que minha vida esteja prestes a acabar.
Apesar de tudo, no geral foi uma vida feliz.
Bem… obrigado por tudo até agora — muito obrigado.
Liliana: “Aí, aí! Minha cabeça dói.”
??: “Ah!? O que foi isso? Liliana!?”
Senti minha cabeça como se tivesse sido golpeada violentamente. Parecendo colidir com um barco flutuando na água ou algo assim. Sim, provavelmente era isso.
Mas, mais importante que isso era a voz familiar de um homem, vindo daquele barco.
Kiritaka: “Liliana! Que bom ver você de novo! Mas por que você está na hidrovia? Não, vamos recuar primeiro. Espere por mim!”
Mesmo sendo terrivelmente doloroso, fiquei tão chocada que me esqueci de gritar.
Por falar nisso, parece que Kiritaka-san me pegou.
Kiritaka: “Tudo bem, está quase… Tudo bem… Peguei!”
Kiritaka-san esticou as mãos para a água, puxando minha forma flutuante para cima.
Naquele momento sua mão tocava meu seio.
Mas eu não tinha forças para ficar com raiva agora, então estava tudo bem.
Fui puxada para o barco, mas eu ainda não conseguia me mover.
Kiritaka: “Seu corpo está tão frio. Espere um pouco, Liliana. Vou usar uma pedra de fogo para aquecê-la. E eu vou secar você. Você, quem eu prezo, não pode ficar encharcada.”
Com uma toalha, ele secou meu cabelo e meu rosto.
Seus movimentos eram inesperadamente suaves, agindo com cavalheirismo.
De repente, uma sensação de alívio surgiu.
Eu soltei um suspiro repentino.
Liliana: “Kiritaka-san, o que você andou fazendo?”
Kiritaka: “Eu… Você se refere a mim? Bom, tinha muitas coisas, né, pra retomar a cidade!”
Empurrando para trás a franja de que tanto se orgulhava, talvez seus dentes estivessem brilhando.
Como não tive forças para abrir os olhos, não pude ver, mas aquela imagem me veio à mente.
Não pude deixar de rir, o que pareceu chocar Kiritaka.
Quero ouvir todo o tipo de problemas que Kiritaka-san enfrentou, e também tinha algumas coisas que queria dizer a ele.
Liliana: “Estou com muito sono, a partir de agora vou dormir, mas…”
Kiritaka: “Ah, sim, tudo bem. Vou te levar para um lugar seguro, então não se preocupe.”
Liliana: “A gente conversa depois se você não fizer nada comigo a partir de agora, enquanto eu estiver dormindo…”
Kiritaka: “Ueee!?
Não, então talvez seja melhor eu dizer primeiro!
Quando eu abrir os olhos, talvez… Não, definitivamente eu trocarei palavras embaraçosas.
— Estou me preparando para te dizer que ser sua “cantora” é maravilhoso.