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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 5 – Capítulo 43

Antes da Assembleia

Reinhard: “Perdoem-me por não ter auxiliado vocês neste momento crítico. Resta-me apenas refletir sobre minha falha.”

Ao receber os olhares de todos ali presentes, Reinhard desculpou-se.

Frente ao Santo da Espada de cabeça curvada, todos ficaram em silêncio por um momento.

Repreendê-lo em resposta ao seu pedido de desculpas seria simples. No entanto, era mais fácil pensar em palavras de acusação do que aquilo que você realmente pensava.

Para falar a verdade, todo esse tempo eles precisavam desesperadamente de seu poder, e o fato de Reinhard não ter aparecido não mudou.

Quando a Prefeitura estava sendo retomada, se aquele poder estivesse lá, era algo inimaginável.

Então, nem mesmo palavras negativas saíam assim tão facilmente das bocas deles.

Apenas…

Subaru: “Sério, seu idiota. O quão difícil você acha que foi pra gente só porque você não tava?”

Aproximando-se do herói escarlate, Subaru o chamou enquanto empurrava seu peito.

Enquanto aquele punho encostava nele levemente, Reinhard, com uma atitude de quem não conseguia justificar-se para Subaru, desviou seu olhar. Frente a esta aparência cabisbaixa e repreendida que não combinava com ele, Subaru expeliu ar pelo nariz com força.

Subaru: “Você sabe, se já tava vindo de qualquer jeito, pelo menos aparece uns 15 minutos mais cedo! Daí eu não ia ter que dar aquele discurso que não combina nada comigo. Esse devia ser o teu trabalho.”

Reinhard: “Perdão… No entanto, foi um grande discurso muito apropriado de você. Embora hajam muitas coisas que necessito fazer, eu não seria capaz de fazer transmissões tão encorajadoras desse jeito. Fizeram a escolha certa.”

Subaru: “Acho que, entre eu e você, o papel que a gente tem que desempenhar em uma transmissão é um pouco diferente.”

Subaru mais uma vez empurrou o peito de Reinhard, que sorria amargamente. Ele também cutucou a ponta do nariz daquele herói cabisbaixo com um dedo.

Subaru: “Reinhard.”

Reinhard: “…?”

Subaru: “Já que você veio é como se uns 100 caras, não, 1000 caras tivessem chegado, eu posso esperar tudo isso de você, né? Tô contando com você?”

Reinhard: “――――”

Era poder capaz de rivalizar à força das marés. A avaliação de Subaru sobre ser como 100, como 1000 homens, era ridícula.

Em resposta à pergunta cheia de expectativas, os olhos azuis de Reinhard piscaram. Mas aquela hesitação instantaneamente se foi e seus lábios se distorceram, formando um sorriso.

Reinhard: “Aah, conte comigo. Se você espera tanto assim de mim, terei de agir como tal.”

Subaru: “Pode parar com esse seu jeito de quem tá tentando deixar uma mulher feliz? Bem, chega… E então, se todo mundo quer dizer alguma coisa, que digam.”

Vendo aquele desconforto inicial desaparecendo do rosto de Reinhard enquanto ele ria, Subaru virou-se e olhou para trás. Olhando para aqueles que até agora se mantiveram calados, ele apontou para Reinhard.

Subaru: “Em tempos como este, o lado que recebe tratamento especial é o que mais sofre. Além disso, não é sempre que você tem uma chance de repreender esse Santo da Espada que quer tanto isso. Então, não importa o quanto vocês realmente queiram, vão em frente.”

“――――”

Subaru: “Depois de botar pra fora o que a gente tem em mente, vamos conversar. ―― Sobre como ajudar todo mundo.”

Abrindo seu coração, Subaru falou desse jeito.

Frente a essa atitude, todos estavam segurando o fôlego.

Otto e Garfiel, apenas esses dois já estavam acostumados com as bravatas de Subaru, e estavam sorrindo.

De qualquer forma, ter apenas uma ou duas pessoas capazes de perceber suas verdadeiras intenções já era perfeito.

Eles não precisavam guardar seus pensamentos para si mesmos, não logo depois dele ter feito aquele discurso.


Após isso, todos conversaram individualmente com Reinhard (detalhes omitidos), e então começaram a discutir novamente como retomar a cidade.

No entanto, fora o fato de Reinhard e Otto estarem de acordo, a situação não havia melhorado em nada. O número de inimigos que precisavam enfrentar e a estratégia de atacar todas as torres de controle simultaneamente não mudou.

Subaru: “Mas, no meio desse caos todo, onde é que você tava e o que estava fazendo, Reinhard?”

Todos estavam sentados em uma roda, e foi Subaru que deu início à conversa com aquela pergunta.

A expressão facial de Reinhard ficou mais melancólica com essas palavras. O seu rosto está ficando assim com frequência hoje.

Subaru: “Você não tá com a Felt e tem um monte de coisas que eu quero que você me diga. Ah, não vou te acusar nem nada. Quanto a isso: o que passou, tá passado.”

Anastasia: “O que Natsuki-kun disse, bem, é algo que está me incomodando também. Nem pensar que o 『Santo da Espada』iria ficar com medo e se esconder; eu não estava pensando em nada disso, mas vou querer ouvir uma explicação convincente.”

Anastasia juntou-se à conversa ao ouvir a pergunta de Subaru. Ao prestar muita atenção em sua atitude, parecia que ela definitivamente andou recebendo relatórios de Julius.

Antes da confusão começar, Reinhard e Felt estavam entrando em contato com Heinkel, foi o que ela disse.

Após aquela pergunta, a expressão facial de Reinhard entristeceu-se, como se para provar aquela afirmação.

Wilhelm também, quando se tratava de Heinkel; o jeito dos Astreas lidarem com ele era bem severo. Dizendo isso, o jeito de lidarem com ele era como ——

Subaru: “Como se um cara tivesse ficado enfurnado em casa por 10 anos e agora é um NEET profissa que os pais tratam como se fosse um tumor.”

Anastasia: “Sinto muito, mas parece que Natsuki-san está no meio de uma fantasia estranha, o que vai fazer? Se acha que é difícil dizer você mesmo, Reinhard-san, então posso falar no seu lugar, mas…”

Enquanto Subaru estava lembrando-se de trechos de um jornal da tarde sobre um Hikkikomori, Otto o interrompeu. Seu olhar preocupado estava focado em Reinhard, e seu tom de voz parecia ter traços de remorso.

Subaru: “Você veio junto com o Reinhard, né? Vocês por acaso tavam juntos durante essa confusão toda?”

Otto: “Não, não foi nada disso? Me juntei com o Reinhard-san no último segundo… mas acho que já entendi quase toda a situação.”

Reinhard: “Obrigado, Otto. Mas este problema envolve apenas minha família. Honestamente, é um tópico difícil de comentar, mas acho que cabe a mim fazê-lo.”

Em resposta à consideração de Otto, Reinhard curvou-se e recusou sua oferta.

Ele olhou para frente, endireitando sua coluna logo em seguida.

Reinhard: “Primeiramente, posso já ter feito isto várias vezes, mas me permitam  desculpar-me mais uma vez. Não pude ajudá-los por várias horas mesmo estando em condição de ajudar. Peço desculpas do fundo do coração, e, por favor, levem isto a sério.”

Julius: “Quanto a isso, é como acabamos de dizer. Não podemos perdoá-lo de tudo, como se nada tivesse acontecido. No entanto, você é necessário para as batalhas que virão. Se busca compensar, então se esforce nas lutas que estão por vir.”

Reinhard: “Farei justamente isso, Julius… Quando o Culto da Bruxa se pronunciou pela primeira vez, Felt-sama e eu estávamos na esquina da 2ª Rua após termos sido convocados. Aquele que nos convocou foi o Vice-Comandante Heinkel.”

Reinhard, que acabara de começar a falar, chamou Heinkel de “Vice-Comandante” com um tom de voz tenso.

Eles serem pai e filho era um fato conhecido. Mesmo assim, só de chamar seu pai pelo seu título era mais que o suficiente para fazer perceber como a relação dos dois não era uma simples relação de pai e filho.

Subaru: “Depois de toda aquela briga lá, a Felt respondeu a convocação dele?”

Reinhard: “O coração de Felt-sama também desejaria recusar. No entanto, se tratava de um assunto sob a autoridade do Lorde do Domínio Astrea, então rejeitar não era uma opção. Não sabíamos o que ele iria pedir de nós… Com Felt-sama me acompanhando, fomos ao local marcado.”

Subaru: “Então, como que foi a conversa…?”

Reinhard: “Perdão, mas como o assunto é diretamente relacionado à Seleção Real, apreciaria se não for necessário ir mais a fundo. Basta dizer que a conversa não se desenrolou bem.”

O tom de voz de Reinhard estava começando a ficar mais baixo e era fácil de entender que a discussão deles não foi nada bem.

Mesmo se não tivesse ido desse jeito, Felt não era experiente em lidar com emoções negativas.

Levando a índole desprezível de Heinkel em conta, não era tão difícil imaginar como a conversa se desenrolou.

E no meio dela—

Reinhard: “E então houve o primeiro pronunciamento do Culto da Bruxa. Embora nós mal pudéssemos acreditar no que ouvíamos, estava claro que era necessário agir de imediato. Se havia uma situação desesperadora, era minha intenção ir para lá na hora. Os outros seguidores também possuíam um método para me chamar, caso necessário.”

Tal método seria lançar magia em direção ao céu à qualquer hora. Era um sinal.

Quando Sirius apareceu, caso Rachins sinalizasse, Reinhard sempre chegaria ao local dentro de 30 segundos. O que ele disse era verdade.

No entanto, Reinhard ouviu a transmissão do Culto da Bruxa e sua óbvia malícia, e ainda assim não agiu. Ele não veio correndo ao local, e não só isso, ele manteve-se assim pelas várias horas que se seguiram.

Havia sido assim… Mas por quê?

Subaru: “Eles anunciaram na transmissão que era da Prefeitura, você saberia. Na hora você teria a opção de ir direto pra lá… Então por que você não veio?”

Reinhard: “――――”

Ele não estava o repreendendo. Não era a intenção, mas sua voz interrogava-o com firmeza.

A ficha caiu para ele algumas vezes. Se Reinhard tivesse chegado antes daquela difícil retomada da Prefeitura.―Até mesmo agora, Crusch, que estava lutando contra seu sofrimento, não teria sido ferida. Talvez até o esquisito acidente que a perna direita de Subaru sofreu também não teria ocorrido.

Embora não intencionalmente, não era apenas o olhar de Subaru que estava começando a intensificar.

Ao ser encarado por todos no recinto, Reinhard, que até o momento estava falando com fluência, fechou sua boca e baixou o olhar novamente.

Seus olhos envoltos por longos cílios, estava hesitante em se pronunciar.

Ainda assim, assim que estes poucos segundos de discórdia levemente se passaram, as palavras interrompidas do herói voltaram a fluir.

Reinhard: “―― O Vice-Comandante Heinkel… tinha tomado Felt-sama como refém.”

“…………”

Reinhard: “Essa é minha irreversível falha. Agarraram Felt-sama e uma espada foi colocada contra seu pescoço para restringir meus movimentos. E então não fui capaz de agir.”

Enquanto dizia estas palavras, Subaru claramente entendeu por que Reinhard havia sofrido com isso tanto.

Sua mestra, a pessoa a qual ele daria sua vida, havia sido mantida refém por ninguém menos que seu próprio pai.

Na humilhação e desgraça, quanto será que Reinhard se culpou em sua mente?

Subaru: “Que, como assim? Aquele Vice-Comandante, ele é um peão do Culto da Bruxa ou algo assim?”

Ao receber esta revelação avassaladora, Subaru estava murmurando consigo mesmo enquanto considerava os sentimentos de Reinhard. Era uma realidade cruel demais. O Culto da Bruxa escondia-se aqui e ali, então vai saber quem é um cultista, é o que ouviu falar. Mas para isso acontecer entre familiares era algo que ele não queria nem imaginar. Além de Petelgeuse, agora que ele presenciou a realidade dos outros Arcebispos do Pecado, ele tinha essa impressão mais intensamente do que nunca. Porque os Cultistas da Bruxa, todos eles, os mais desprezíveis dentre os desprezíveis, eram puro lixo humano.

Reinhard: “――Se fosse assim, como eu reagiria? Meus sentimentos, me pergunto como eles seriam.”

Subaru: “O quê?”

No entanto, frente à ideia proposta por Subaru — daqueles presentes, cerca de metade deles parecia convencido disso, e a voz um tanto presa de Reinhard respondeu.

Subaru começou a refletir na atitude dele. Já a outra metade, composta por Anastasia, Julius e Otto, estava com cara de que chegaram a outra conclusão.

Reinhard: “O Vice-Comandante não é um membro do Culto da Bruxa… Pelo menos seus comentários após dominar Felt-sama não sugeriam isso.”

Subaru: “Então, qual é, por acaso ele é algum tipo de idiota? Não, mesmo se não for tá tudo bem… Mas por quê? Por que tomar a Felt de refém? Qual o sentido de fazer―”

Algo assim, é o que Subaru estava prestes a dizer quando a ficha caiu.

A aparência melancólica do rosto de Reinhard e a miserável do rosto de Otto. Ao vê-las, a conclusão que ele tirou quase o fez querer rir.

Ele não podia rir daquilo. Não havia mais salvação. Dizendo isso, as ações de Heinkel…

Subaru: “Não me diga foi só porque ele queria te manter lá?”

“――――”

Subaru: “Ele percebeu que cidade era perigosa quando ouviu a transmissão… então, pra poder ficar são e salvo, ele segurou o cara mais forte lá com ele?”

Reinhard: “… O Vice-Comandante disse “Sua preciosa mestra e o seu pai estão aqui. Vai abandonar eles pra salvar essa gente que você nunca nem viu a cara?””

Subaru: “O teu próprio pai disse essa merda?!”

Subaru bateu o seu punho com força no chão.

Esse dia todo, nesta manhã repetitiva, ele deparou-se com essa raiva cara a cara. Mas ele nunca tinha pensado que se sentiria tão furioso com alguém que não tinha nada a ver com o Culto da Bruxa.

Reinhard: “Não tive palavras com as quais responder. Claro, Felt-sama estava dizendo que era tudo um blefe. Que ficaria tudo bem e era para eu salvar os outros ― mas eu ter permanecido lá mesmo assim foi minha escolha. A culpa de fato jaz comigo.”

Subaru: “Não me vem com essa! Já tá na cara pra todo mundo aqui de quem é a culpa!”

Reinhard: “Ainda assim, a escolha foi minha.”

Mesmo com Subaru gritando, Reinhard não desistiu de assumir parte da culpa.

Reinhard provavelmente não mudaria de ideia teimosamente não importasse o que disessem. Subaru segurou suas palavras furiosamente, forçando suas violentas emoções a se acalmarem.

Reinhard: “De qualquer forma, foi assim que fui encurralado. O que se seguiu não é nada que vale informar. Mesmo após os outros pronunciamentos, não fui capaz de agir… Eu simplesmente fui repreendido severamente por Felt-sama.”

Anastasia: “Mas ela não está contigo, tudo bem com a Felt-chan?”

Anastasia perguntou a Reinhard, que sorria amargamente.

Aquela garota que estava acariciando seu cachecol enquanto fazia uma cara de paisagem difícil de se ler, demonstrou preocupação por Felt, já que ela não estava com eles.

Anastasia: “Ser mantida de refém daquele jeito por horas deve ser bem cansativo mentalmente. Já que o Reinhard-kun está aqui desse jeito fazendo essas coisas, me parece que a situação já foi resolvida.”

Reinhard: “Sim, é justamente este o caso. Felt-sama reuniu-se com seus seguidores em um abrigo. O Vice-Comandante foi preso e Felt-sama o está vigiando.”

Anastasia: “Preso… Então ele foi capturado.”

Reinhard: “Isto eu aceitei de bom grado. Mas creio que se não fosse pela cooperação do Otto, até mesmo isso dificilmente teria acontecido.”

Subaru: “Então é aí que entra o Otto nessa história.”

Subaru franziu suas sobrancelhas a Otto, que não mostrava sinal algum de aparecer na história até agora. Otto limpou sua garganta para chamar a atenção, visto que era sua vez.

Otto: “E foi assim que aconteceu. Mesmo dizendo tudo isso, foi coincidência depois de coincidência eu ter me deparado com aquela cena. Já que eu já estava um pouco ciente das relações entre os três, só de ver aquilo já deu pra entender mais ou menos a situação.”

Os problemas familiares dos Astreas e a situação de Felt com o domínio.

Sabendo destas coisas, ele deparou-se com Heinkel mantendo Reinhard naquele lugar com Felt de refém. Mesmo se o sangue não estivesse circulando direito para o seu cérebro, você já conseguiria entender a situação com essas informações.

Otto: “Eu também me dei conta de que não conseguir pegar emprestado o poder de Reinhard na luta contra o Culto da Bruxa seria o pior dos casos. Ao mesmo tempo, eu fiquei pálido pensando no que fazer pra ajudar.”

Subaru: “Daí o Otto conseguiu de algum jeito distrair ele e a Felt foi solta de algum jeito. Foi assim que o Reinhard conseguiu agir e se encontrar com a gente aqui… Isso que rolou, né?”

Otto: “Por sorte, teve o discurso do Natsuki-san também, então decidimos aonde ir sem problemas. Teria sido incrível se a gente tivesse ido um pouco mais rápido, mas eu também tive meus problemas.”

Embora curta, Reinhard acenou com a cabeça em resposta à contribuição de Otto.

Agindo secretamente longe dos olhares do público, Otto, o salvador que vive nas sombras.

Garfiel: “Ainda assim, como é que tão indo as coisas até agora, Otto-nii? Sinceramente, andá por aê nessa cidade tendo a mema força que o Otto-nii é praticamente suicídio.”

Otto: “Sobre isso, houve várias complicações aqui e ali… Não, vamos conversar sobre isso.”

Limpando sua garganta, Otto apontou para fora da Prefeitura.

Otto: “Como havia sido agendado, eu fui pra Companhia Muse hoje cedo. Fui pedir ao Kiritaka-san que ele continuasse com as negociações. O outro lado também esfriou a cabeça depois de ter passado uma noite, e parecia que um acordo para futuras negociações poderia ser estabelecido sem muitos problemas…”

Subaru: “Parecia? E então?”

No momento em que Otto fez uma pausa, Subaru chutou que foi aí que o Culto da Bruxa fez a transmissão.

No entanto, Otto, enquanto balançava sua cabeça de um lado para o outro, continuou.

Otto: “No local onde se encontra a Companhia Muse, a praça da 3ª Rua, o Culto da Bruxa… Um Arcebispo do Pecado deu as caras. Ele fez uma confusão, então o ataque do Culto da Bruxa veio à tona.”

Subaru: “Um Arcebispo…! Antes da transmissão?”

Otto: “De fato, foi antes.”

Otto confirmou a dúvida de Subaru, que, surpreso, inclinou-se para a frente.

Se você parasse para pensar, não era impossível. Quando se trata de Arcebispos do Pecado aparecendo antes da transmissão, Sirius e Regulus estavam inclusos.

Fora Capella que estava atacando à Prefeitura, era bem provável que os Arcebispos em Pristella que tinham tempo livre estariam fazendo alguma coisa.

Subaru: “Pera aí, Otto.”

Otto: “――――”

Frente a Subaru, cujo tom de voz havia decaído, o olhar de Otto tinha um toque sombrio.

Esta atitude de preocupação confirmou o que havia surgido na mente de Subaru.

Sirius e Regulus ambos estavam com Subaru na hora, então não podiam estar lá, Capella também porque participou do ataque à Prefeitura.

Ou seja, o Arcebispo com o qual Otto se deparou só podia ser um.

Subaru: “O Arcebispo que você encontrou, por acaso foi o da『Gula』?”

Otto: “… Sim. Ele mesmo disse que era. Não tinha motivo pra mentir sobre isso, então deve ser verdade. Ele se proclamou o Arcebispo do Pecado da Gula e ainda parecia ser uma criança.”

O testemunho de Otto bateu com o que Subaru havia visto de Roy Alphard.

Não é como se ele quisesse saber do padrão que seguem para escolher os próximos Arcebispos, mas a『Gula』, pelo menos por fora, não passava de uma criança. Uma criança suja e coberta de trapos. Até mesmo suas palavras e atitude eram como as de uma criança.

Otto: “No começo, ainda meio incerto se era uma criança abandonada ou não, alguém foi chegando perto enquanto chamava a atenção dele. Já que ele estava de guarda perto da Companhia Muse, acho que era um membro das 『Escamas do Dragão Branco』. Essa pessoa foi a primeira vítima da 『Gula』. Daí eu literalmente congelei.”

“…………”

Otto: “Quando uma pessoa morre assim, mesmo se parecer irreal, você não tem escolha a não ser acreditar. Na hora, mais『Escamas do Dragão Branco』apareceram e cercaram ele, mas não foi um final feliz, não.”

O rosto de Otto foi se tornando pálido enquanto ele contava sobre aquele espetáculo horrendo em voz baixa.

『Gula』, como se estivesse dançando, simplesmente cortou os mercenários um a um. O que era ainda mais aterrorizante era o faro apurado da『Gula』— era um olfato que nunca perdia sua presa.

Otto: “Ao ver a situação, as pessoas tentaram fugir com o rabo entre as pernas sem nem ligar para quem ele era. Mas ele não permitiu. Eu não faço ideia do que exatamente ele fez, mas até pessoas ao longe definitivamente foram atingidas pelos ataques da『Gula』. Era assim até dentro de edifícios.”

Subaru: “O que ele queria?”

Assim que perguntou inconscientemente, Subaru percebeu que era uma pergunta sem sentido.

As ações e motivos do Culto da Bruxa sempre foram incertos. Na verdade, Otto virou sua cabeça ao invés de responder.

Otto: “Vamos ver, o que poderia ter sido? Bem, de qualquer forma, a situação ficou terrível. Até aqueles que tentavam fugir do local, se você mostrasse suas costas para ele, provavelmente seria atacado. Haviam poucos lá, mas era um beco sem saída total… Se o Kiritaka-san não estivesse lá, acho que não teria saído de lá com vida.”

Subaru: “Kiritaka? O que ele fez?”

Otto: “Para começar, parece que ele era uma pessoa cuidadosa. No escritório presidencial da Companhia Muse tinha uma passagem subterrânea oculta no prédio que ligava ao canal. Fugi de lá com um barco pequeno. Enquanto eu fugia, vi Kiritaka-san sendo cortado nas costas.”

“――――”

Otto: “Eu fugi em pânico da 3ª Rua. Depois disso, teve a transmissão do Culto da Bruxa e ficou impossível andar pela cidade descuidadamente; de qualquer forma, eu andei por aí com cuidado. Foi aí que eu me deparei com aquela cena que eu descrevi agora pouco, quase que a gente não se encontra.”

Em outras palavras, com “aquela cena” ele queria dizer a que ele encontrou Reinhard.

Assim que a história foi se conectando, Subaru entendeu que Otto sofreu bastante e de alguma forma conseguiu sobreviver novamente.

Mas, no que havia sido dito há pouco, pesando em sua mente…

Subaru: “Por que o Kiritaka foi tão longe assim? Se é como você disse, ele chegou a sacrificar o corpo dele pra te ajudar. Foi como pareceu pra mim.”

Otto: “… Sim, de fato. Kiritaka-san me ajudou a fugir se sacrificando. No final, ele foi cortado porque me empurrou contra o chão e me protegeu com o corpo dele.”

Subaru: “Por que ir tão longe…”

Dentro de Subaru, sua imagem mental de Kiritaka era quase inexistente. E as únicas imagens que ele tinha eram de seu rosto ficando vermelho, ele gritando e jogando as pedras mágicas enquanto tremia, eram daquela situação apenas. Claro que ele assumiu que o homem não se resumia a apenas essas coisas.

Mas sacrificar seu corpo tentando salvar um estrangeiro. Esse nível de força é algo que, afinal, Subaru não havia visto nele.

Otto: “Já que eu era um cliente que foi convidado à loja dele, ele pode ter tido alguma espécie de orgulho de negociante. Mas definitivamente parece que ele teve um motivo melhor também. Um motivo levemente mais fácil de entender.”

Subaru: “Mais fácil de entender, você diz.”

Otto: “Não percebeu? É você, Natsuki-san.”

Otto respondeu o confuso Subaru com firmeza.

Quando seu nome foi citado abruptamente, Subaru foi abalado.

Em resposta à reação de Subaru, Otto fechou seus olhos por alguns segundos…

Otto: “Vendo a existência conhecida como Arcebispo do Pecado e seus próprios subordinados fracassando, algo deve ter passado por sua mente. Ele devia ter algum senso de obrigação, eu acho. Daí você se tornou a esperança dele, Natsuki-san.”

Subaru: “…………”

Otto: “Depois do que aconteceu no outro dia, Kiritaka-san já sabia que Natsuki-san estava aqui. E definitivamente sabia sobre você ter derrotado a『Preguiça』também. Se for o caso, então era natural que isso se tornaria esperança. Ele provavelmente colocou minha vida em primeiro lugar porque esperava que eu me juntasse a Natsuki-san como seu companheiro.”

A explicação de Otto encaixou-se perfeitamente e acertou Subaru com força no peito.

Mas claro que não passava de uma hipótese.

Em sua cabeça, ele sabia. Seguir em frente, carregar isso, que era verdade, isso ele já havia decidido.

Mas era isso novamente? Todo mundo esperava algo de Subaru?

Que era simplesmente uma pessoa pequena, desamparada e inútil, eles estavam realmente confiando o destino da cidade a alguém assim?

Otto: “Natsuki-san, por favor, não entenda errado?”

Inconscientemente fazendo um sorriso cínico, Subaru reagiu àquela voz.

Otto estava olhando diretamente para a frente, como se estivesse olhando dentro de Subaru. Ele respondeu para aquela expressão facial rígida de Subaru enquanto dava de ombros…

Otto: “Kiritaka-san também, na cabeça dele, teria pensado por vários ângulos quanto ao seu papel e responsabilidades com a cidade. Que Natsuki-san também é hesitante quando se trata de assumir o destino da cidade, estou ciente. Mas Kiritaka-san definitivamente confiou Natsuki-san com uma coisa levemente mais simples.”

Subaru: “… O quê?”

Otto: “É óbvio. Em algum lugar desta cidade está a mulher que Kiritaka-san ama. Antes de desejar pela segurança da cidade, o que ele mais esperaria de Natsuki-san é que sua amada estivesse a salvo.”

Subaru: “――――”

Otto: “Porque, quando ele me empurrou contra o chão, foi o que ele me disse.”

Resumidamente, Otto queria dizer a Subaru que ele se esforça demais.

Tendo assumido o destino da cidade por escolha própria e agora preocupando-se com isso, ao ver Subaru esforçando-se sob tal peso, ele não tinha escolha a não ser dizer estas palavras.

E isso, acima de qualquer coisa, perfurou com força o coração de Subaru, que tentava se fazer de durão.

Subaru sentiu-se envergonhado de si mesmo enquanto seu rosto queimava.

O que é o destino dessa cidade? O que são todas essas esperanças e expectativas? Tudo completamente ridículo.

Tudo que ele via era a cidade que, caso não for salva, encontraria-se em uma catástrofe.

O que Subaru precisava proteger não eram aquelas óbvias e árduas palavras, mas sim cada uma das pessoas que as disseram. Era a vida de cada uma delas que importava.

E cada uma destas vidas, em contrapartida, possuía alguém que considerava valioso, e era uma simples questão de salvar estas conexões.

Otto: “Não pensar nisso como aguentar uma única e enorme entidade, mas sim como erguer em suas costas partes menores de um todo, não te deixa mais aliviado assim?”

Subaru: “Incrível. É um jeito diferente de pensar, mas já tô começando a entender.”

A performance da assistência de Otto era tão boa que Subaru não era páreo contra ela.

O rosto de Subaru que acabara de abaixar-se agora levantou-se novamente, e Otto parecia satisfeito ao ver este resultado.

Anastasia: “O que é isso, não é uma bela de uma relação? Ficar olhando pra vocês dois até me deixa com um pouquinho de inveja.”

Percebendo uma pausa na conversa dos dois, Anastasia soltou esta piada. Sentados, quase encarando um ao outro cara a cara enquanto conversavam, Subaru e Otto refletiram sobre eles mesmos.

E então, olhando para todos eles, Anastasia inclinou sua cabeça.

Anastasia: “Ainda assim, pelo que você disse… a Companhia Muse já não tem mais salvação.”

Otto: “Na realidade, não podemos saber com certeza. O máximo que eu presenciei foi até o Kiritaka-san ser atacado, mas não se o ferimento era de fato fatal.”

Julius: “Será que pensar na motivação da『Gula』é realmente perda de tempo? Para mim, não importa como eu veja, acho inimaginável ele ter causado aquela confusão sem nenhum motivo em particular.”

Aquele que se pronunciou foi Julius, sua expressão era uma de descontentamento.

Seu tom de voz assertivo fazia as pessoas refletirem.

Subaru: “Não vá dizendo coisas estranhas assim. Tem alguma evidência pra isso?”

Julius: “Não, não estou dizendo que tenho alguma base clara para pensar nisso. É simplesmente a impressão que tive por ter duelado contra ele na Prefeitura. Considerá-lo um simples hedonista, ao meu ver, é errôneo.”

Nisso Subaru concordava. Ele não era um simpes hedonista, era um hedonista maligno.

Esta impressão, no entanto, era diferente da resposta que Julius estava assumindo.

Julius: “De acordo com a transmissão, o pedido da『Gula』não era sobre espíritos artificiais? Talvez há a chance dele ter ido lá procurar por um?”

Reinhard: “É de fato uma possibilidade. No entanto, há uma pergunta que não quer calar, primeiramente, não deveríamos suspeitar se a existência conhecida como『Espírito Artificial』sequer existe? Sinceramente, algo assim poderia existir?”

Enquanto Subaru mantinha-se calado, Reinhard juntou-se à conversa.

Muitos outros que ouviram às demandas feitas durante a transmissão provavelmente se perguntaram a mesma coisa.

E Subaru e Anastasia eram ou únicos ali que sabiam a resposta.

Inconscientemente, Subaru olhou para o rosto de Anastasia, mas sua expressão não havia mudado, como esperado de sua experiência. Seu rosto estava dizendo que ela não planejava revelar nada?

Otto: “―― Foi mal, só uma coisinha.”

Na frente de Subaru, que ainda estava hesitante em decidir, Otto mais uma vez pedia por atenção.

Ele, com traços de ansiedade no rosto, soltou um suspiro misturado com desistência.

E…

Otto: “Quanto ao assunto dos espíritos artificiais, também não faço ideia. Já quando se trata do outro pedido, o da『Ira』sobre o『Livro da Sabedoria』.”

Pausando suas palavras, após um breve instante de hesitação Otto continuou…

Otto: “Foi mal. ―― Quem trouxe ele pra cidade fui eu.”

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