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The Author’s POV – Capítulo 29

Dungeon [5]

Já tendo rachado a carapaça do verme, o resto da luta foi fácil.

Como ainda tinha algumas [Poções de Recuperação de Energia], eu não tinha que me preocupar em ficar energia durante a luta contra o chefão. Portando, eu atacava com força na parte fraca sempre que o monstro aparecia por debaixo da areia.

Dez minutos depois da primeira rachadura, a carapaça resistente não conseguia mais resistir aos ataques e quebrou, revelando por completo o tecido interno do verme.

E finalmente, trinta minutos depois da carapaça quebrar, eu estava descansando em cima do verme, agora morto. Aos poucos recuperando o fôlego e olhando os buracos que se formaram na minha roupa, sorri amargamente e lamentei sobre o fato de não ter trazido uma troca.

Minha espada, que estava perfurada no corpo do verme, estava coberta de sangue verde, e se não fosse pelo fato de eu estar exausto para me mover, já teria tirado a espada dali. Já que o sangue é extremamente ácido.

Felizmente, sendo um artefato, a espada conseguia resistir ao ácido, dando tempo o suficiente para me recuperar e finalmente removê-la.

-Shuaa!

Ao remover a espada do corpo, sangue verde começou a espirrar sangue por todo os lados e até na minha roupa, o que só piorou minha situação.

Nesse ponto, minha roupa era o menor dos meus problemas, já que agora tenho um problema maior diante de mim, literalmente.

“Como vou guardar isso…?”

Com sorte, talvez conseguisse guardar o corpo, mas… olhando para os itens na minha pulseira, xinguei mentalmente, pois metade da capacidade já estava sendo usada para os outros corpos.

Eu simplesmente não tinha espaço o suficiente para guardar esse monstro.

E o que mais me irritava, era o fato de que esse tipo de problema poderia ser facilmente resolvido se a Caixa de Ajuda ainda funcionasse.

Apesar de não precisar pagar o depósito, uma pequena comissão seria necessária se eu os chamasse para ajudar com a coleta do corpo do monstro.

Mas agora que o sinal não estava funcionando…

Eu juro que vou matar esse demônio desgraçado!

Não tenho dúvidas de que o corpo do chefão teria me dado uma boa grana, mas agora que não tenho espaço o suficiente e não consigo chamar por ajuda, apenas fico com duas opções.

Primeira, tirar alguns dos monstros já dentro da minha pulseira para abrir espaço para o verme, ou segunda, apenas pegar as partes mais importantes do monstro e descartar o corpo.

Geralmente, o trabalho de esfolamento e coleta de materiais ficava a cargo da equipe responsável administração da dungeon, porque pessoas sem experiência poderia acabar danificando o corpo e com isso, reduziria o valor inicial.

No final da exploração, o corpo é entregue diretamente para a administração da dungeon e o processo é feito na sua presença. Durante o processo de desmontar o cadáver, se por acaso fosse descoberto um núcleo de monstro, a administração da masmorra rapidamente viria com uma oferta.

No geral, nem todos os monstros possuíam núcleos sendo apenas uma pequena porcentagem, mas, na rara ocasião de um ser encontrado, pode ter certeza que de que você tirou a sorte grande, já que cada um é vendido por valores altos.

Ao olhar entre o corpo enorme e a pulseira à minha frente, pensei por um momento antes de suspirar e ir em direção do monstro.

-Sha!

Empunhando minha espada, rasguei a imensa massa do verme, liberando uma cascata de sangue que me cobriu por completo.

A essa altura, era quase certo que eu não voltaria vestindo mais do que farrapos…

Ao esquartejar o imenso corpo do monstro, meticulosamente separei seus dentes, órgãos e tudo mais que pudesse render bom dinheiro.

Decidi abandonar o monstro e apenas levar as partes mais importantes do verme. É uma pena que não tenho espaço o suficiente. Já que a carapaça teria me rendido uma grande quantidade de dinheiro, por causa da resistência.

De qualquer forma, se colocasse esse monstro no inventário, eu não teria espaço para mais nada.

Embora o monstro seja enorme, em termo monetário, seria o mesmo valor que dez monstros regulares, o que ocupa menos espaço, então o melhor é só levar as partes importantes.

Triste que vou perder dinheiro, mas ei… como dizem: ‘Você não pode ter tudo.’

Após trinta minutos cortando o monstro, consegui coletar todas as partes importantes. Eu até olhei por um núcleo, mas, infelizmente, ele não tinha.

Quem sabe se um dos monstros dentro da pulseira não tenha um, apesar de achar bem improvável.

Sentindo satisfeito com o que peguei, dei meia volta e segui com a minha jornada pelo deserto.

Durante a jornada, comecei a perceber coisas estranhas acontecendo aos meus arredores.

Parando por um momento, meus pés se afundaram na areia e usando a mão para cobrir os olhos, forcei minha vista para ter uma visão melhor do que estava acontecendo mais adiante.

“Wow, tempestade de areia.”

À minha frente, havia uma parede gigante de uns 1,5 metros de altura. Ela se estendia para além do alcance da minha visão e ganhava velocidade rapidamente.

-Whizz!

O vento assobiava cortante enquanto a areia ao meu redor era varrida pela imensa frente em forma de muralha, transformando-se em uma nuvem turbulenta e sufocante.

Olhando para a tempestade enorme que se aproximava, apenas tinha duas opções para fazer: fugir ou seguir em frente?

“Não tenho outra escolha né?”

Sorrindo amargamente, descartei a possibilidade de fugir enquanto observava a tempestade de areia se aproximando cada vez mais rápido. Uma velocidade que, com certeza, eu não conseguiria acompanhar.

Sem outra opção, a não ser seguir em frente, amarrei firmemente um pano no rosto e segui em direção à tempestade.

Logo a tempestade me alcançou, tornando impossível para ver algo.

Dentro da tempestade, quanto mais eu avançava, mais o vento ganhava força, e os finos grãos de areia começavam a atingir meus olhos, atrapalhando minha visão.

Começou a ficar tão ruim, que mal conseguia manter os olhos abertos por causa da ventania.

‘O que eu não pagaria por um par óculos agora.’

Pensei, enquanto continuava a andar com meus olhos fechados.

Honestamente, não me preparei o suficiente.

Porque estava com pressa, acabei não planejando minha jornada dentro da dungeon, o que resultou em mim fazendo muitos erros de iniciantes que não precisava ter acontecido. Coisas como esquecer uma troca de roupa ou trazer extra comida de no caso acontecer algo inesperado, era algo que todo mundo fazia.

Acho que o fato de ser minha primeira vez entrando em uma e o fato de eu ainda não estar acostumado com o senso comum desse mundo contribuiu para eu fazer esses erros.

A diferença entre escrever uma novel e vivenciá-la era simplesmente vasta demais.

Na novel, eu consigo fazer Kevin ter tudo apenas com um pensamento. Coisas como troca de roupa e comida extra, eram coisas com que ele não precisava se preocupar, pois eu sempre fazia aparecer para ele. Além do mais, sempre que o protagonista fosse entrar em uma, eu apenas escrevia que ‘e preparou suas coisas’, o que não é muito específico.

Esse era um dos motivos da minha negligência, já que tenho o costume de depender muito da novel.

Coisas simples como roupas e comida para durar um mês fugiram completamente da minha cabeça, o que levou para a situação atual de agora.

Ah…

Tudo bem usar a novel como referência, mas não posso depender dela para tudo.

Preciso começar a pensar com mais cuidado antes de entrar em situações perigosas.

-Whizzz!

“Ughh…”

Quanto mais andava dentro da tempestade, mais forte o vento ficava.

O pano cobrindo meu rosto foi arrancado pelas rajadas fortes, expondo meu rosto à areia que, viajando em velocidade extrema, fez minha cara ficar dormente.

Usando minhas mãos para proteger meu rosto, aos poucos caminhei para mais adentro da tempestade.

Meu objetivo agora era alcançar o olho da tempestade, o lugar mais seguro dentro daquela fúria. A explicação para a serenidade ali era que os fortes ventos de superfície, que convergem para o centro, nunca o atingem devido à Força de Coriolis.

-Whizzz!

-Whizzz!

-Whizzz!

Duas horas dentro da tempestade, mesmo que tudo parecesse a mesma coisa, meus ouvidos conseguiram ouvir os sons extremos do vento indo para uma certa direção.

Ouvindo o som cruel do vento, eu sabia que estava na beira do olho, onde era o lugar mais assustador e perigoso da tempestade. O olho da tempestade. A área em volta do olho formava uma parede que bloqueava tudo que tentasse passar.

Felizmente, eu estava preparado para isso.

Chegando na beira do olho, soltei um longo suspiro e acalmei minha mente.

Aos poucos, uma luz branca começou a emanar do meu corpo quando toquei na minha espada.

Logo, o som ensurdecedor do vendo desapareceu, minha mente ficou calma como um lago e tudo ao meu arredor ficou calmo, me fazendo entrar em um tipo de transe.

O primeiro movimento do [Estilo Keiki: Corte Rápido.]

-Shua!

Com uma velocidade que o olho humano não consegue acompanhar, uma pequena abertura se formou na superfície da parede de vento.

E sem perder tempo, imediatamente pulei na pequena abertura.

-Whizzz!

-Whizzz!

-Whizzz!

“Huff…Huff…”

Caído de bruços sobre a areia morna, respirei fundo enquanto sentia a área ao meu redor finalmente se acalmar. Finalmente consegui recuperar um pouco do folego.

Apesar de estar no olho da tempestade, o barulho alto do vento nunca parou.

Limpando a areia de mim, observei meus arredores.

A primeira coisa que percebi, foi uma parede circular de vento pintada de amarelo, por causa da areia. Ela se expandia por toda parte ao meu redor, dentro de uma região circular com um raio de alguns quilômetros. Olhando para cima, pude ver o céu azul que não vi desde que entrei na tempestade.

“Isso é loucura…”

Isso era algo que eu nunca teria visto no meu mundo interior.

Desde que reencarnei nesse mundo, cada dia experiencia uma coisa nova.

Com um bocejo cansado, me sentei na areia. Tirando o som ensurdecedor do olho, todo o resto parecia calmo, me permitindo finalmente recuperar meu folego.

“Hm?”

Bem quando eu estava prestes a tirar um cochilo, no centro do olha da tempestade, notei uma enorme estrutura escura, como um castelo.

“O que é aquilo?”

Nunca ouvi esse tipo de coisa aparecendo na novel…

O que está acontecendo?

Devagar, andei em direção à estrutura preta. Com cuidado, olhei ao meu arredor, mas não avistei nada e tudo a minha volta estava quieto.

Chegando em frente ao gigantesco castelo preto, cuidadosamente coloquei minha mão em cima da enorme porta de madeira, que tinha pelo menos uns 5 metros de altura.

-Creak!

Aos poucos, a porta se abriu.

No mesmo segundo, um cheiro de ferro invadiu meu nariz. Abrindo mais ainda a porta e revelando o que tinha atrás, congelei em choque.

Pilares negros e espessos, que alcançavam o teto, surgiam por todo o salão imenso, sustentando a construção. Neles, tochas iluminavam o ambiente, revelando uma cena que eu jamais em minha vida desejaria ter presenciado…

O chão inteiro estava coberto com uma poça de sangue e corpos e membros podiam ser visto espalhados pelo chão. Cada corpo estava com os olhos arregalados e suas expressões eram de puro terror.

Um arrepio enorme desceu pelas minhas costas enquanto essa cena se fundia dentro da minha mente.

Quando levantei minha cabeça lentamente, finalmente o vi…

Com arrogância, no topo de um trono escuro feito de crânios, uma criatura humanoide de pele escura e chifres diabólicos que brotavam da testa surgiu diante de mim, fazendo meu sangue gelar. Com uma perna descansando no braço do trono e uma mão apoiando a bochecha, a criatura mantinha os olhos fechados. Tinha um corpo humano musculoso, com duas asas semelhantes às de morcego presas às costas. Atrás de seu cóccix, um longo rabo negro serpenteava no ar.

Sentindo algo, a criatura humanoide aos poucos abriu os olhos, revelando dois profundos olhos vermelhos que exalavam uma sede de sangue interminável.

Olhando para mim congelado no lugar, a criatura humanoide sorriu estranhamente e olhou para mim.

“Ku ku ku, olha o que temos aqui?”

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