Depois de acabar sua última aula, [Exploração de Comida], Amanda voltou para o quarto. Pelo caminho, estudantes tentavam começar uma conversa com ela, mas ela apenas os ignorava.
Ao chegar no quarto, a primeira coisa que fez foi sentar no sofá e pegar um livro. Já que ela ainda tinha uma hora, para passar o tempo, Amanda decidiu fazer a única coisa que veio na cabeça: Ler um livro.
…apenas quando lia um livro, que ela se sentia alguma sensação de pertencer.
As circunstâncias da família de Amanda eram um pouco especiais.
Seu pai, Edward Stern, mestre da Guilda ‘Caçadores de Demônios’ e herói ‘Geada do Remorso’, Rank 25, raramente estava em casa.
Sua mãe biológica foi embora quando Amanda tinha apenas dois anos. Ela não conseguiu aguentar a pressão que vinha em ser a esposa de uma figura tão importante.
A única lembrança que Amanda tinha dela, era sua figura solitária andando pela rua, enquanto chovia fortemente. Esse foi o dia que ela saiu de casa.
Amanda queria ter a parado… mas nem uma vez sequer a figura se virou para olhá-la. Essa memoria está para sempre gravada dentro da jovem Amanda.
Por causa disso, desde dos dois anos de idade, ela foi criada pelo pai e a babá.
Todavia, devido à natureza do trabalho de seu pai, ele raramente voltava para casa há tempo de poder passar um tempo com ela.
Sempre quando tinha tempo, Amanda sempre lembra dele acariciando sua cabeça com a mão enorme dele.
Uma pena que esses momentos só duravam apenas segundos…
No final de tudo, a pessoa que criou ela foi sua babá.
Ela quase sempre contava histórias de princesas sendo sequestradas, só para depois serem salvas pelos seus príncipes encantados.
Ela também queria ser uma princesa…
Naquela época, Amanda não entendia direito o que as princesas passavam quando eram sequestradas.
Porém, mais tarde na vida, ela entendeu.
A primeira vez que foi sequestrada foi quando tinha sete anos.
Naquele momento, ela só lembrava ouvir vozes. Sua visão estava bloqueada. Cordas apertadas estavam amarradas em seus braços e pernas. Ela estava assustada. E um pano foi colocado em sua boca para ela não gritar.
…felizmente, seu pai veio e a salvou.
Mas então, aconteceu novamente.
… e de novo.
… e de novo.
Aos poucos, Amanda se viu perdendo suas emoções. Seu sorriso natural alegre desapareceu quanto mais era sequestrada. Ela aos poucos estava amadurecendo.
No entanto, ela ainda conseguia sorrir quando sua babá contava contos de fadas. Esses eram os únicos momentos que se sentia segura e em paz. Presa em um outro mundo, quase escapando da realidade.
…Isso foi até quando fez onze anos. Essa foi a idade onde sua babá faleceu, levando junto o último resquício de calor em seu coração.
Desde então, Amanda nunca mais foi capaz de sorrir.
Mesmo quando era sequestrada, não sentia nada.
Tudo a sua volta ficou preto e branco. Aos poucos, as expectativas que tinha nas pessoas ao seu arredor foi desaparecendo.
‘Não foi ficar brava, nem triste. Não espero mais nada de ninguém…’
…era o que sempre repetia enquanto fechava a si mesma dentro de uma caixa. Foi a partir daí que ela decidiu não formar nenhuma relação que não fosse necessária. Mesmo se só estavam pensando no melhor para ela, mesmo se a tratavam bem… seu coração se mantinha solido…
Fechando o livro que estava lendo, Amanda levantou e olhou para o seu reflexo no espelho.
Seu longo cabelo preto, que não estava mais preso por uma presilha, caia gentilmente sobre seus ombros até sua cintura. Seus olhos em formato de fênix tinham uma frieza indiferente para todos, fazendo as pessoas sentirem como se ela fosse uma existência sagrada que era intocável por meros mortais. Sua aparecia era tão extraordinária, que poderia acelerar o coração de todos independente do gênero, mas que também exalava um certo sentimento melancólico.
Levando seus dedos até os cantos de sua boca, Amanda gentilmente puxou sua boca para formar um sorriso. Ao soltar, os cantos da sua boca rapidamente voltaram à sua posição neutra e distante.
Amanda repetiu a ação mais algumas vezes, mas… não importava o que fazia, ela não conseguia sorrir.
Indo até seu guarda-roupa, Amanda pegou um lindo vestido preto com padrões em pratas delicados.
Embora normalmente odiasse ir para festas, Amanda decidiu participar dessa. Isso é devido, que na sua primeira aula, ela recebeu uma caixa misteriosa do presidente do clube, Elijah Turner.
De início, achou que não fosse nada, pois já tinha se acostumado com esse tipo de coisa, mas… quando abriu a caixa, ela ficou sem reação.
Dentro da caixa estava uma foto de sua mãe. Ela parecia idêntica a ela, se não fosse pelas rugas no canto de seus olhos, as pessoas poderiam facilmente pensar que as duas eram irmãs.
Apesar de não ter quase nenhuma memória da sua mãe, Amanda não conseguia parar de querer saber mais sobre onde ela estava.
…ela queria saber por que sua mãe a abandonou e nunca a visitou durante todos esses anos.
Como Elijah foi a pessoa que entregou essa foto, Amanda não tinha outra escolha a não ser conversar com ele, e por isso decidiu participar da festa.
Ao colocar o lindo vestido e olhar-se no espelho por alguns segundos, Amanda pegou uma pequena bolsa preta e saiu do quarto.
-Click!
Ao fechar a porta atrás de si, Amanda caminhou em direção ao local escrito com a mente infestada e perguntas.
…..
“Hmmmm, será que coloco um terno ou roupa normal?”
Nesse exato momento, eu estava indeciso sobre o que vestir para o After. Como nunca tinha participado desse tipo de evento antes, não tinha muita certeza sobre o que vestir.
Um terno ou roupas normais?
…ugh!
De verdade, se essa situação não tivesse me pegado desprevenido, eu nunca teria concordado em participar nesse tipo de coisa.
Depois de um tempo, decidi misturar os dois estilos. Coloquei uma camisa branca passada acompanhada por jeans azuis. Ao me olhar no espelho, assenti com a cabeça em satisfação.
Após de ter sido reencarnado nesse mundo há um mês, meu corpo original começou a ganhar músculos. Apesar dele não ser esculpido como o de um deus, eu tinha um corpo bonito. Meu cabelo preto curto que estava arrumado, acompanhado por meus olhos azuis profundos assentiram com satisfação no espelho. Até que estava bonito hoje.
Depois de me olhar no espelho mais algumas vezes, olhei para o horário e me dei conta que só faltava dez minutos antes do encontro começar.
Quando corri para a porta, meus passos pararam bruscamente e meus olhos caíram no canto do meu quarto, onde uma espada preta descansava contra a parede.
Depois de ponderar um pouco, peguei a espada e a coloquei na minha pulseira inventario.
“Espero que a situação não chegue ao ponto onde vou ter que usar ela…”
…apesar de ter tido isso, já comecei a me preparar para o pior. A situação já estava começando a sair do meu controle, e agora, pela primeira vez, vou estar indo para uma situação onde não tenho ideias do que pode acontecer.
-Click!
Pegando minhas chaves e desligando a luz, sai do meu quarto.
…..
“Saúde!”
Dentro de uma sala espaçosa luxuosa, uma multidão de alunos podia ser vista bebendo e se divertindo.
O interior da sala estava decorado com pinturas elegantes espalhadas pelo cômodo. Sofás brancos enormes, com desenhos dourados nas laterais, estavam posicionados no meio da sala. E mesas de madeiras enormes cheias de comidas e bebidas estavam no canto do cômodo.
A localização onde estávamos era de um restaurante muito conhecido, chamado [Le farat]. Era um restaurante luxuoso onde celebridades quase sempre frequentavam. Devido à popularidade, era obvio que esse lugar era caro e que, de alguma forma, Elijah conseguiu reservar uma sala inteira para a festa. Isso impressionou a todos quando seus olhos brilharam em estrelas, principalmente as garotas.
Rodando a taça de vinho na minha mão, senti o cheiro do vinho. O cheiro era frutado, porém penetrante, e fez meu nariz se mexer algumas vezes.
“Exatamente como gosto.”
Apesar de parecer ser um vinho que peguei da mesa, na verdade, não era.
O vinho que estou tomando é um que trouxe comigo. Não é porque não gosto do daqui, mas tem uma grande chance de todas as comidas e bebidas estarem dopadas.
Apesar de estar sendo um pouco paranoico, era melhor se prevenir do que chorar depois.
O motivo de eu estar bebendo era para que pudesse me misturar com a multidão. Se eu não beber, e o evento for realmente uma emboscada, tem grandes chances de virar um dos primeiros alvos.
Dei um pequeno gole no vinho e estalei os lábios algumas vezes antes de observar o que havia ao meu redor.
Mesmo que a atmosfera estivesse calma e todo mundo parecesse estar curtindo, não consegui deixar de ficar tenso. Tinha uma vibe estranha envolvendo esse lugar.
…Alguma coisa vai definitivamente acontecer, e não será nada bom.
No meio do salão, Elijah, que vestia um terno branco elegante, estava rodeado de várias garotas. Elas estavam se puxando e empurrando para conseguirem terem uma chance de falar com ele. E Elijah, que estava rodeado e sendo assediado pelas garotas, manteve um sorriso no rosto durante todo o processo.
Não muito longe dele, vários garotos o encaravam com inveja e ciúmes nos olhos. Mas isso era apenas a minoria, pois a maioria estava ocupado admirando uma outra cena.
Parada na sacada, Amanda, que parecia uma deusa que desceu ao mundo, olhava para a lua enquanto segurava uma taça de vinho em mãos. A luz da lua gentilmente envolvia a figura perfeita dela, criando essa cena digna de um quadro.
Alguns meninos tentaram aproximar-se dela, mas quando percebiam que estavam sendo ignorados, eles voltavam para a festa em derrota.
Ao assistir essas cenas, meus lábios se curvaram e balancei a cabeça em desdém. Meninos sempre serão meninos.
Andando até a sacada, onde Amanda estava, conseguia ouvir sussurros pelo lugar.
“Aí vai o quinto…”
“Quanto tempo você quer apostar que isso vai acabar?”
“Acho que cinco segundos.”
“Não, acho que dez segundos.”
Como meus status aumentaram, minha audição também aumentou. E escutando os sussurros, não consegui evitar revirar os olhos. Esses garotos não tem mais nada pra fazer não?
Abrindo a porta para a sacada, lentamente fui até o parapeito da sacada e me posicionei ao lado de Amanda. Olhando para cima, comecei a observar a lua.
…apesar de querer evitar conversar com ela ou qualquer outro protagonista, dessa vez não tinha outra escolha. Se alguma coisa acontecer com ela, com certeza mudaria o rumo da história e todas as minhas vantagens iriam desaparecer. Não posso deixar isso acontecer.
Então, decidi me expor e alertá-la do perigo.
Tomando um gole do meu vinho, sem olhar na direção de Amanda, falei casualmente.
“Você deveria tomar cuidado hoje…”
“…”
Como se não tivesse me escutado, Amanda continuou encarando a lua.
Ao ver a reação dela, não entrei em panico ou expressei minha insatisfação, eu conhecia a personalidade dela. Apesar de estar fingindo indiferença, ela definitivamente conseguia me ouvir. Ela apenas não demonstrava.
Sorrindo levemente, falei mais uma coisa antes de voltar para festa.
“Tem a possibilidade de algo acontecer hoje, e talvez você seja o alvo- não, você sem dúvidas é o alvo.”
Finalmente virando a cabeça para o lado, Amanda assistiu minha figura saindo da sacada. Ao me ver saindo, suas sobrancelhas franziram por uma fração de segundos antes de relaxarem.
Logo depois, como se nada tivesse acontecido, ela voltou a encarar a lua novamente.
Virando minha cabeça e vendo isso, sorri levemente antes de voltar para o meu lugar de antes.
Mesmo que parecesse que ela não levou meu alerta a sério, sei que ela aumentou sua segurança.
Já tendo experienciado esse tipo de situações desde cedo, ela sabia que mesmo se fosse uma brincadeira, tinha chances do alerta ser verdadeiro.
Para Amanda, mesmo se fosse uma brincadeira, era melhor se preparar do que não fazer nada… Se na pequena possibilidade do que disse for verdade, ela poderia evitar ser sequestrada novamente.