“Muito bem, classe, por favor, entrem nos ônibus.”
Vestindo uma camiseta branca larga que estava perfeitamente colocada dentro do jeans, Donna fez a lista de chamada rapidamente.
Enquanto ela fazia a chamada, cada um dos seus movimentos atraíam a atenção de todos os garotos presentes. Seus olhos brilharam em violeta por um momento, fazendo todo mundo entrar em um transe.
Eu também fui cativado por ela.
Depois de ter certeza que todos da Classe A-25 estavam presentes, Donna percebendo os rostos corados dos garotos, entrou no ônibus branco e apressou todo mundo para seguir.
Assim que sua figura desapareceu no ônibus, os garotos acordaram dos transes e recuperaram seus sentidos.
E ao ver as expressões confusas de todos, não pude deixar de não balançar a cabeça.
Isso era uma cena muito familiar. Essa não foi a primeira fez que isso aconteceu e com certeza não será a última.
Sempre que está de mau-humor, Donna de vez em quando soltava um pouco de seus poderes inconscientemente, o que fazia todos os garotos da turma se sentirem muito fixados nela.
Algumas vezes era tão ruim, que alguns deles até desmaiavam.
Somente pessoas como Kevin e Jin conseguiram, de certa forma, permanecer imunes ao seu repentino ataque de sedução.
Recuperando minha postura e olhando para os outros que estavam entrando no ônibus, não pude evitar olhar o ônibus que Donna tinha entrado.
Eu estava perdidinho, sério.
A parte externa do ônibus era todo branco, com um design solido e moderno.
O ônibus, que era imenso, tinha o comprimento de 15 metros e podia carregar até 200 pessoas.
O motivo do porquê o ônibus conseguir aguentar tudo isso de pessoas, era porque tinha dois andares, que até vinha com um minibar de aperitivos.
Todas as janelas eram pintadas de preto, o que tornava impossível de espionar dentro.
A estrutura era feita de ligas metálicas de alta durabilidade, que podiam resistir o poder total de vilões de <Classe B>.
Era altamente seguro e especificamente criado para proteger os estudantes de emboscadas repentinas vindo dos vilões ou bestas.
Olhando atrás do transporte, tinham mais 15 outros alinhados a distância. Ao lado de cada um, uma multidão de estudantes iguais a nós também estavam esperando para poder entrar em seus respectivos ônibus.
Devido à quantidade de alunos no primeiro ano exceder dois mil, estudantes foram divididos em classes.
Minha turma era a Classe A-25.
Cada turma tinha seu próprio professor e a seleção era feita aleatoriamente. Bom, excluindo Jin, Emma, Amanda, Kevin e Melissa que puderam escolher por conta própria.
O privilégio do talento.
Entrando no ônibus, olhei ao redor e depois de avistar meu grupo, fui em direção a eles.
Pelo caminho, não pude deixar de admirar o interior.
Os assentos que me lembravam a primeira classe, eram feitos de couro e eram separados em duas fileiras, com dois em cada lado. Na frente do assento, tinha uma mesa linda de carvalho cheia de aperitivos.
E chegando onde meu grupo estava, uma expressão complicada se fez presente em meu rosto.
De acordo com o que Donna nos disse mais cedo, tínhamos que sentar com nossos grupos durante a viagem, o que levaria aproximadamente cinco horas. Isso era para que nós pudéssemos nos conhecer melhor.
Mas… olhando para meu grupo, estou tendo minhas dúvidas se essa seria uma boa ideia.
No meu lado direito, Evan e Cassandra estavam sentados juntos comendo algum salgadinho. Atrás dele, melissa estava quieta sentada e de olhos fechados. Sua aura inteira gritava ‘Não me incomode.’.
Do lado esquerdo, Donald estava sentado do lado da janela. Ele estava ocupado olhando o cenário da janela, então nem tinha percebido que cheguei.
Olhando ao redor, exceto pelos lugares do lado da Melissa e do Donald, todos estavam cheios.
Meus olhos ficaram trocando entre Melissa e Donald por alguns segundos, antes de ir em direção a Donald. Por mais que eu não gostasse do cara, tenho amor a minha vida.
“Hmm? O que pensa que está fazendo idiota?”
Assim que estava prestes a sentar ao lado de Donald, ele se virou para mim e me encarou.
“…Errr, sentando?”
Pausando por um momento, olhei para Donald por um instante antes de me sentar.
E assim que me sentei na cadeira, um gemido escapou da minha boca.
Parecia que eu estava dentro de uma nuvem feita de algodão. Minhas costas afundaram de imediato na cadeira, e o revestimento de couro, que havia guardado o frio da noite passada, resfriou meu corpo na hora.
…Que paraíso.
Quando estava curtindo minha experiência maravilhosa, escutei uma voz alta vindo da minha direita. Virando minha cabeça para o lado, vi a cena do Donald gritando comigo.
“Seu desgraçado mal-educado! Quem te deu permissão para sentar do meu lado?”
Franzindo o cenho, quando estava prestes a retrucar, pensei duas vezes e me contive. Isso não levaria a lugar nenhum, então vou apenas o ignorar.
Não vou perder meu tempo discutindo com ele.
“Você está me ouvindo, seu desgraçado mal-educado? Como alguém como voc…”
No início, consegui ignorar ele sem problemas, entretanto, depois de alguns segundos de tanta falação, não consegui mais aguentar.
“Quem você está chamando de desgraçado seu idiota? Meu nome é Ren. Ren Dover, não desgraçado mal-educado.”
Mostrando o dedo meio na cara dele, levantei meu tom de voz.
“Me deixa em paz, porra. Estou tentando curtir essa cadeira, então para de gritar igual um papagaio e me deixa em paz!”
“Seu filho da…”
Arregalando os olhos, Donald estava prestes a retrucar, mas antes que pudesse, ouviu uma voz fria vinda do lado esquerdo do corredor.
“Parem.”
Abrindo os olhos, Melissa tirou os óculos e fuzilou nos dois.
“Parem com esse show imaturo logo.”
Apontando para atrás dela, onde outros estudantes estavam sentados, ela disse.
“Estão querendo me matar de constrangimento? Isso foi algo que ambos planejaram para me matar? Se sim, bom, conseguiram. Prefiro me matar com um balde de água do que continuar ouvindo isso.”
Olhando para onde Melissa apontou, notei que quase todo mundo no ônibus estava olhando na nossa direção.
“kheumm…kheumm, desculpa todo mundo.”
Tossindo algumas vezes, sem jeito, me desculpei para todos.
Acho que Donald e eu estávamos falando um pouco alto demais.
Sem precisar Melissa falar, sentamos nos nossos lugares e paramos de falar. Fechando os olhos, decidi tirar um cochilo.
Ligando meu Mp3, rapidamente conectei meus fones e escolhi uma música aleatória.
Ao ver que Donald e eu estávamos sentados obediente como crianças, as sobrancelhas de Melissa finalmente relaxaram. No entanto, assim que ela fechou os olhos, ela disse.
“É bom que vocês fiquem quietos enquanto eu estiver dormindo, se não…”
“Ok…”
“…se vocês ousarem falar mais uma palavra, vou fazer tomarem minha mais nova poção que vão te mandar direto para o céu.”
“…”
“…”
Olhando um para o outro, nós dois estremeceu.
Calamos a boca na hora e decidimos não abrir o bico por toda a viagem.
-Vroom!
Não muito tempo depois, o motor do ônibus foi ligado e lentamente começou a andar e tomar velocidade.
Observando o cenário da janela mudar constantemente, respirei fundo e me preparei para a viagem.
…..
Depois da Primeira Catástrofe, o mapa do mundo mudou totalmente.
O mundo virou um único continente, e o mapa que conhecíamos foi alterado por completo.
E então veio a Segunda Catástrofe, e a humanidade perdeu 6/8 do seu território.
Países que, de alguma forma, conseguiram sobreviver a Primeira Catástrofe sumiram do mapa, e foram substituídos por um novo governo centralizado, chamado de Governo Central.
E mesmo que os países não existissem mais, as pessoas não conseguiam esquecer suas raízes.
Hollberg.
Uma cidade fundada em 2015, pelo Herói Classe S, Ludwig Hollberg, um alemão antes da Primeira Catástrofe.
O motivo por trás da criação de Hollberg foi para recriar a ‘Alemanha’. Ludwig Hollberg acreditava que ninguém deve esquecer de suas raízes e por isso, Hollberg é considerada a nova Alemanha.
Muitas pessoas descendentes de alemão imigraram para Hollberg e começaram a morar lá, com esperança de desenvolver a cidade ainda mais. A cultura, o idioma, as pessoas, tudo era exatamente como era na Alemanha no passado.
E seguindo os passos de Hollberg, muitos outros países fizeram a mesma coisa e estabeleceram cidades que também eram baseadas em seus países de origens.
O Governo Central não os impediu e nem tentou parar. Eles tinham vários outros problemas para tomar conta, para ter que cuidar de algo assim.
“Muito bem, alunos, estaremos chegando em Hollberg daqui 10 minutos, então vão se preparando.”
Me acordando do meu sono de beleza, foi a voz doce e graciosa de Donna, saindo dos alto-falantes.
“Huaaam…”
Bocejando alto, espreguicei meu corpo.
Ao olhar em volta, pude ver Donald e os outros também fazendo o mesmo. Atrás deles, vários estudantes que já estavam acordados jogando no celular ou conversando entre si.
Esfregando meus olhos algumas vezes, descansei minha cabeça no banco.
Para ser honesto, apesar de ter sido confortável a viagem toda, eu preferiria que tivéssemos viajado através dos portais.
Ficar sentado por cinco horas direto não era algo que estava mais acostumado, já que estou passando a maior parte do meu tempo treinando.
Se fosse eu antes de reencarnar, não estaria reclamando de nada.
Contudo, agora que mudei minha rotina por completo, não consigo ficar sem fazer alguma atividade física por mais de cinco horas, a não ser que fosse dormir.
Infelizmente, devido à escola achar os portais muito perigosos, não podíamos usá-los.
Por os portais dimensionais ainda serem uma tecnologia recente, não se sabia muito sobre questões de segurança. Apesar de testes comprovarem que era seguro usar portais dimensionais, houve alguns incidentes que resultou no Governo Central bloqueá-los de serem vendidos no mercado.
Os trens também era um não, já que não podiam carregar certos equipamentos que os professores preparam de antemão, e por isso, nossa última opção e viajar em ônibus.
“Levanta.”
“…hm?”
Quem me tirou dos meus pensamentos, foi Donald que já estava levantado e estava esperando para eu sair do lugar.
Me levantando, segui a fila de estudantes indo em direção à saída do ônibus.
Assim que sai do veículo, a luz do sol cegou meus olhos por um instante. Uma onda de ar fresco me envolveu, refrescando meu corpo por inteiro.
Tampando o sol com o braço, olhei em volta.
“…que lindo.”
À minha frente, havia um grande e extenso campo. No meio daquele gramado, surgiam várias residências de pedra e madeira, e também algumas vacas que vagavam livremente.
Bem ao longe, via-se um prédio gigantesco, com fortes muros metálicos ao redor de seu contorno. Por detrás dos muros, existiam várias construções volumosas que soltavam fumaça, sujando a limpidez do ambiente.
Depois de ter certeza que não estava faltando ninguém, Donna, que parecia estar com um humor melhor, falou.
“Beleza, todo mundo preste atenção. Mesmo que estamos em Hollberg, estamos apenas na fronteira. Porque antes de irmos para a cidade, vamos fazer uma visita para a fábrica de processamento de monstros.”
“Vamos primeiro fazer um tour pelo lugar e depois, vocês vão cada um com seus grupos e completaram as tarefas dadas.”
Donna fez uma pausa para se certificar de que todos a tinham compreendido. Em seguida, deu meia-volta e seguiu em direção ao grande edifício industrial.
“Muito bem, me sigam…”