“Também estão indo comer?”
Saindo do quarto, Emma avistou duas garotas andando pelo corredor.
Por a luz ser boa, as aparências das garotas logo ficaram visíveis. Ambas tinham peles pálidas sem imperfeições e seus cabelos que eram preto e castanho, respectivamente, caiam sobre suas costas, parando logo acima da cintura.
Na esquerda, Amanda usava uma calça preta justa com um suéter branco de gola alta. Melissa, por outro lado, usava um cardigan marrom simples, camiseta branca e jeans.
Quando andavam, o jeito frio de Amanda entrava em perfeito contraste com o jeito arrogante de Melissa, criando uma cena digna de uma foto. Como se a audiência estivesse vendo duas fênices.
Correndo um pouco para alcançá-las, Emma afastou o cabelo do rosto e parou a um braço de distância das duas.
Fazendo bico, Emma olhou de forma acusadora para Amanda e Melissa antes de falar.
“Por que não me esperaram em?”
Olhando para Emma pelo canto dos olhos, Melissa respondeu.
“Teria feito alguma diferença?”
Virando a cabeça na direção de Melissa, Emma a olhou com dureza antes de dizer.
“O que… não, mas é educado esperar por seus amigos.”
“…claro, o que te fazer feliz.”
“Ugh, sério, o que eu faço com você.”
Emma balançou a cabeça em descrença e depois, olhou para Amanda, que esteve quieta durante todo esse tempo.
“…”
Amanda olhava para tudo, menos os olhos de Emma, estava claro que a garota não queria conversar.
Revirando os olhos, Emma deu aquele clássico tapa na própria testa.
“Eu mereço em…”
Apesar de se conhecerem por dois meses, nada nas suas intimidades mudaram.
Não importava o quanto tentasse interagir e socializar, eles sempre a mantinham a um braço de distância.
Isso era principalmente para Amanda, que sempre é curta e educada, tratando todo mundo como se fossem estranhos.
Em resumo, Emma ficava igual um palhaço quando tentava interagir com essas duas.
“…sabe, vocês não acham que o Jin está um pouco estranho esses dias?”
Assim que a palavra ‘Jin’ saiu da boca de Emma, a expressão de Melissa ficou seria.
“Não fala o nome desse cara…”
Pausando no meio da sentença, Melissa colocou a mão no próprio estomago e continuou.
“..droga, agora comecei a perder o apetite só de pensar nele.”
Emma sabia que Melissa era constantemente perturbada por Jin diariamente, ela também sabia que se alguém iria perceber primeiro o jeito estranho do loiro, seria Melissa.
Isso era porque ele sempre tentava bater papo com ela quando tinha tempo livre.
Chegou a um ponto, onde Melissa decidiu de proposito voltar mais tarde para o dormitório.
Tudo isso, só para evitá-lo…
Antes que Melissa pudesse responder, Amanda, que esteve quieta até agora, respondeu.
“Ele está mais quieto do que o normal.”
Virando a cabeça para Amanda, Emma concordou com a cabeça.
“Então você também acha isso…”
Ouvindo a conversa entre as duas, Melissa pensou por um momento antes de falar.
“Talvez esteja certa, eu notei que ele não esteve pegando no meu pé muito ultimamente… mas seja o que for que tenha acontecido, estou grata.”
Mesmo Jin sendo totalmente descarado com seus avanços, Melissa teve que o recusar mais de uma vez.
Ela simplesmente não da a mínima para interações românticas, a única coisa que ocupava sua mente era pesquisa.
Melissa estava muito perto de desvendar um teorema especifico que a atormentava há alguns anos, isso quase virou uma obsessão…
Ou seja… para Melissa, que estava nas fases mais críticas de provar seu teorema, achava os avanços de Jin uma dor de cabeça.
Se alguém perguntasse para ela quem era a pessoa mais chata da escola, sem sombra de dúvidas que diria Jin.
“Ele não está te incomodando muito? Hmm… alg-“
No meio da sua sentença, Emma foi parada por Melissa.
“Vamos parar de falar dele. Estou quase perdendo o apetite.”
Sem esperar pela resposta de Emma, Melissa apertou o passo e foi em direção ao primeiro lugar, onde o banquete estava acontecendo.
Tombando a cabeça para o lado e vendo o desinteresse de Amanda, Emma suspirou de leve e disse.
“…ok né.”
…..
Depois de ter me acalmado um pouco, decidi descer até onde o banquete estava sendo feito.
No final, a fome venceu.
Enquanto ia em direção ao primeiro andar, logo percebi um estudante andando há alguns passos afrentes como ela.
Rank 5, Han Yu Fei.
Também conhecido como Frank Han, o líder da turma A-23.
Por trás, consegui avistar seu cabelo preto curto, que estava arrumado mais parecendo como um rodo. Seu corpo era mais para o lado magrelo e o garoto usava óculos.
Apesar de não parecer muito forte, só sua presença já gritava ‘perigo’. Era como se eu estivesse olhando para um tigre esperando para atacar sua presa.
…pelo visto ele não é Rank 5 por nada. Tirando saber sobre ele ser o quinto no rank, de resto não sabia mais nada.
Eu não desenvolvi o personagem dele tanto assim, mas pelo o que me lembre, ele é um garoto amigável sem nenhumas segundas intenções.
O fato mais surpreendente, era que ele não se importava com o rank dos outros, pois a maioria das pessoas com quem conversa era de classificações mais baixas que ele. Com uma diferença grande quanto a minha.
Ele era descendente de Chinês e sua habilidade nas artes márcias era de outro nível. Han Yu Fei era provavelmente a única pessoa que não usava nenhuma arma para lutar.
O garoto apenas lutava com seu corpo.
Ele era o que se conhece como um ‘Mestre Marcial Corporal’, alguém que luta com cada parte do corpo.
Nasceu no Clã Han, um dos três Clãs Chineses mais antigos que estavam na cidade Ashton. Os três Clãs Chineses eram: Wang, Shan e Han.
O Manual Marcial que Yu Fei praticava era de cinco estrelas, e foi passado a ele pelo patriarca do seu próprio clã.
E apesar do seu poder, ele não ganhou muito desenvolvimento na minha história. Apenas aparecia em ocasiões raras, que ou eram na escola ou quando Kevin precisava de ajuda.
Relembrando tudo agora, um personagem forte como ele deveria ter aparecido mais tempo na história.
…bom, não adianta chorar pelo leite derramado.
Seguindo Frank, rapidamente fui em direção onde o banquete estava acontecendo.
E quanto mais me aproximava, mais alto ficava os barulhos de pessoas rindo e conversando.
Virando para a esquerda, me deparei com um salão enorme.
Olhando para cima, três grandes lustres clareavam o salão. Pilares enormes, feitos de mármore, sustentavam a estrutura da sala, e ao lado deles, viam-se mesas cheias de comida por todos os lados.
Empregados, trajando preto, perambulavam pelo ambiente, servindo diversas bebidas.
Mesmo sem ser oito horas, o salão já estava repleto de estudantes.
Olhando ao redor, rapidamente encontrei a área da minha turma.
Enquanto seguia para lá, peguei uma bebida do garçom e a saboreei lentamente.
“…mas que caralhos, esqueci que o álcool não me afeta mais.”
Depois de experimentar a bebida e perceber que não tinha nenhum efeito sobre mim, xinguei baixinho e virei o copo de uma vez.
Qual era o ponto de beber bebida alcoólica se não consegue ficar bêbado?
Balançando a cabeça em desdém, logo cheguei na área onde meu grupo foi designado.
Olhando direita e esquerda, avistei Donald e o resto do meu gripo e fui até eles.
“E aí pessoal.”
Acenando de leve, parei ao lado deles.
Olhando para mim pelo canto dos olhos, Donald continuou me ignorando.
Revirando os olhos, olhei para frente.
“Pelo visto todo mundo já chegou.”
Cinco minutos depois que cheguei, Donna apareceu.
No mesmo instante que ela pisou no salão, a atenção de todos os garotos foi para ela. Donna estava linda, usando um vestido preto com detalhes em prata. A peça, de corte justo, destacava de maneira evidente sua silhueta bem-moldada. Para completar, seu colar violeta, que combinava perfeitamente com a cor dos seus olhos, a tornava ainda mais hipnotizante.
Perto de mim, vários garotos a olhavam iguais bobos com corações nos olhos.
Fechando os olhos, acalmei meu coração.
Normalmente, eu estaria igual o resto dos garotos, mas hoje… hoje eu estava com muita coisa na cabeça. Só não estava sentindo, sabe…
Sem nem dar bola para todo mundo, os olhos de Donna vasculharão pela multidão. Vendo que todos estavam presentes, ela anunciou.
“Existem dois motivos pela qual chamei todos aqui. O primeiro é, claramente, para todos comerem e saciarem suas fomes, além de recuperarem suas energias perdidas durante o dia.”
Olhando para sua direita, Donna apontou na direção de onde estava as comidas.
“Infelizmente, por sermos a última turma, temos que esperar os outros comerem primeiro… mas, antes disso..”
Parando de falar por um momento, a expressão de Donna ficou seria enquanto olhava nos olhos de cada aluno.
“O segundo motivo é… porque daqui a pouco vamos entregar tarefas individuais para todos.”
No mesmo instante, murmúrios puderam ser ouvidos de todos, enquanto se questionavam sobre qual tarefa receberiam.
Julgando pela palavra ‘individual’, pelo visto essas tarefas só deveriam ser completadas sem ajuda de ninguém.
“Logo entregarei para todas suas tarefas designadas. Cada um terá três dias para completá-la… e caso não conseguirem, isso resultara em perda de créditos nos seus relatórios no final do ano.”
Enquanto falava, Donna percebeu que alguns estudantes estavam tremendo de nervosismo. Balançando a cabeça de leve…
“Não se preocupem, a dificuldade de suas tarefas foi designada de acordo com suas habilidades. Depois de muito consideração e tempo, conseguimos distribuir as tarefas de acordo com suas informações… Ou seja, a segurança de vocês deve ser garantida, em tese.”
-Clap!
Batendo palmas para chamar a atenção de alguns estudantes que haviam parado de ouvir e tentavam descobrir qual era a tarefa deles, Donna sorriu e disse.
“Muito bem, já disse o suficiente. Logo irei mandar suas tarefas por mensagem. Por favor, aproveitem as comidas e tenham certeza de completarem suas tarefas.”
-Ding!
Bem na hora, uma mensagem apareceu no meu celular. E assim que estava prestes a ver o que era, Donna começou a falar de novo.
“Ah… quase me esqueci. Não vamos ajudar vocês em suas tarefas, então se morrerem, morreram. Não vamos ajudar em nada.”
No mesmo momento, o clima do salão ficou tenso. Alguns estudantes começaram a tremer de nervosos enquanto olhavam o que teriam que fazer.
“Bom, sinto muito por ter estragado o clima, mas precisava avisá-los disso antes de começarem a pensar que salvaríamos seus traseiros, de no caso falharem.”
Tendo acabado com o que tinha que falar, Donna deu meia volta e foi se juntar com o resto dos professores, que da mesma forma, também tinham compartilhados a notícias com seus alunos.
Ligando o celular, olhei a notificação que apareceu.
[Estudante Ren Dover, Rank 1750
Alvo da Tarefa: Karl zar.
Líder de uma pequena organização de tráfico de droga que infiltrou Hollberg há uma década.
Localização do alvo: rua xxxxx.
Padrão de comportamento do alvo…]
Respirando fundo, olhei para o teto.
…acho que devo me preparar.