— Bem, não podemos deixar você morrer. Você ainda está sob a proteção da Exceedo Genesis.
— Não podemos falhar na nossa missão. Temos uma imagem a manter.
De repente, Amaya declarou com um sorrisinho.
— Do que está falando? — Rune franziu a testa.
— Como falei, não podemos deixar você morrer.
— Isto não é algo com que você possa se envolver.
— Não foi o mesmo antes? Não somos pessoas que poderiam se envolver com os cultivadores do Estágio Santo também, mas ainda nos escolheu.
Amaya sorriu.
— Eu estava errada, não deveria ter-
— Você não estava errada.
Amaya respondeu. Em seguida, olhou fixamente para Rune.
— Não nos despreza.
— Amaya…
Vendo-a agir assim, Nux chamou usando a conexão telepática.
Amaya se virou para ele e sorriu.
— Confie em mim.
Ao ouvir aquelas palavras, Nux suspirou.
Ele cedeu?
É claro que cedeu.
Quando foi contra suas lindas esposas?
Amaya então voltou a olhar para Rune.
— Você não tem um plano claro em mente, tem?
— Não tenho.
Rune foi honesta.
— Use nossa ajuda.
Rune inclinou a cabeça, indicando que estava ouvindo.
— Seguir sem rumo e procurar por evidência não adiantará em nada. Continuaremos com nosso plano, com você “morta”, e veremos como o Felix segue.
— Se ele estivesse simplesmente planejando usar a ajuda da Cidade do Falcão Skythorn para se tornar o próximo sucessor, ele não teria passado por tantos problemas e nem teria pedido ajuda deles.
— Portanto, seu alvo deve ser o Lorde da Cidade, Oberon.
Amaya expressou.
— E se a Cidade do Falcão Skythorn quiser jogar a longo prazo, esperar até o meu pai morrer de velhice e agir quando Felix se tornar o lorde?
— Isto é inviável demais. Até lá, Lorde Felix já terá se tornado um cultivador do Estágio Divino. Ele não teria mais motivos para ouvir a Cidade do Falcão Skythorn. A cidade não arriscaria isso.
Amaya balançou a cabeça.
— … — Rune ficou quieta.
— Como estava dizendo, seu alvo deve ser o Lorde Oberon. E para fazer isso, acho que ele precisaria se tornar o sucessor. Esse é o único motivo dos dois chegarem tão longe.
— Com você morta, tenho certeza de que o Lorde Felix tem um plano de impedir que o Lorde Oberon envolva a Ordem Ancestral. Obviamente, ele teria pensado em algum tipo de “história” para isso e para sustentar seus argumentos.
— Ele não pode simplesmente “abandonar” a própria irmã, afinal de contas. Ele tem que ser a “boa pessoa”, mesmo que tenha a maior parte do poder político do seu lado.
— Contudo, quando for revelado que você está “viva”, qualquer “história” que ele pense acabaria sendo falsa. Isto reduziria diretamente a credibilidade do Felix e a sua dispararia.
— A batalha pela sucessão chegaria num impasse por um tempo e você poderia usar essa chance para conversar com o Lorde Oberon. Você poderia até contar como foi cercada por assassinos da Cidade do Falcão Skythorn e mal conseguiu escapar. Com o aumento da credibilidade, mesmo que o Lorde Oberon não confie totalmente em você, definitivamente investigaria Felix.
— Quando isso acontecer, tenho certeza de que ele definitivamente encontraria algo.
Amaya explicou seu plano.
— Isso… pode funcionar… — Rune falou após pensar por um tempo.
— É muito melhor que fazer tudo sozinha e, com nossa ajuda, as chances do plano ter sucesso aumentam.
Amaya respondeu.
— … Mas por que chegar ao ponto de arriscar suas vidas por mim?
Rune perguntou com uma carranca.
— Hã? Quem falou que estamos arriscando nossas vidas pelo seu bem? — Amaya inclinou a cabeça em confusão.
Rune franziu a testa.
— Lady Rune, deixe-me deixar as coisas claras aqui. Ajudaremos você com todo o plano, mas no momento que acharmos que está ficando perigoso, simplesmente fugiremos e deixaremos você por conta própria. Nossas vidas são a prioridade nessa missão.
Amaya falou honestamente.
Rune a encarou por um tempo e depois olhou para Nux, o líder do clã.
— O que posso dizer? Minha adorável vice-líder já decidiu e, como marido, meu trabalho é ajudar de toda maneira possível.
Nux deu de ombros.
Um sorrisinho apareceu no rosto de Amaya.
Rune observou aquele sorriso por um tempo.
— Tudo bem. Estarei sob seu cuidado por mais um tempo.
Ela disse.
— Você pode ficar com a gente pelo tempo que quiser, Lady Rune. Você é um banquete para os olhos.
Nux falou com um sorriso brincalhão.
— Vou voltar ao meu quarto.
Rune, como sempre, ignorou suas palavras e se levantou.
Quando saiu, só Nux e suas esposas ficaram no salão. Astaria então olhou para Melia.
— Melia, você ficou estranhamente silenciosa hoje — ela comentou.
— Estava me perguntando a mesma coisa. — Felberta assentiu.
Amaya também estava olhando para Melia. Ela viu que Melia estava hesitando.
— Você pode falar livremente, Melia. Elas são suas irmãs.
Nux riu.
Melia olhou para ele e as meninas.
— Nós… realmente temos que ajudá-la?
Ela perguntou com incerteza.
— O que ganhamos nisto não compensa os riscos… Os cultivadores do Estágio Divino são diferentes. Você viu minha mãe em ação, não é?
Melia expressou, lembrando da vez que caçaram as bestas estelares.
— Com nossa força atual, nos envolver na batalha de cultivadores do Estágio Divino não é diferente de suicídio. Mesmo que consigamos fugir, o rescaldo não será pequeno. A influência que um Estágio Divino tem não é algo simples.
— Sem falar que estes cultivadores do Estágio Divino estão próximos da nossa base. Sua influência seria ainda mais forte e só ficaria mais problemática no futuro.
Melia expressou suas preocupações.
— Você não está errada.
Amaya respondeu.
— O risco e recompensa não batem.
Em seguida, olhou para Nux.
— Mas se recuarmos, afetaria a “chance”.
— Chance? — Melia franziu a testa.
Amaya, contudo, sorriu.
De repente, Skyla se levantou, caminhou até Nux e após beijar seus lábios, balançou a mão.
— Você pode sair agora. Temos que discutir algumas coisas importantes.
— Você está me expulsando? — Nux fez beicinho.
— Sim.
Skyla respondeu com um grande sorriso.
Era hora da “introdução” da sua nova irmã.