— Estamos na base do seu clã…
Rune falou enquanto estreitava os olhos.
— Estamos. — Amaya assentiu.
— Por que me trazer aqui? — Rune perguntou.
— O que quer dizer? Você planejava ficar naquele lugar?
— Era agradável de olhar.
A resposta de Rune foi simples.
— Bem, infelizmente, aquele lugar é especial, não podemos deixar todos ficarem lá — respondeu Amaya.
O motivo pelo qual Amaya tirou Rune do Núcleo foi por causa da diferença de tempo de dez por um. Se Rune ficasse naquele lugar por muito tempo, ela notaria imediatamente.
E Amaya não queria isso.
Embora Rune fosse uma aliada, Amaya ainda não queria revelar coisas demais.
Ela ainda era um Santo que conseguia derrotar todos, afinal de contas. Ela precisava ter cautela.
Além disso, como o Núcleo, a base da Exceedo Genesis também era um local seguro para Rune. A Exceedo Genesis estava envolta por mistério e sem informações disponíveis. Rune estava perfeitamente segura aqui.
Sem falar que o Núcleo atualmente estava sendo “usado” por alguém e Amaya não tinha intenção de ouvir aqueles sons.
Ela não gostava de discutir coisas importantes enquanto estava excitada. Ela só gostava disso se estivesse com Nux.
Um sorrisinho apareceu no rosto de Amaya quando pensou um pouco, mas logo balançou a cabeça, sua expressão ficando séria novamente. Ela olhou para Rune, que já havia ficado confortável na cadeira enquanto tomava o chá oferecido por Amaya.
— Você falou que nos ajudaria a entrar em contato com os anões.
Amaya comentou.
— Falei e acredito já ter fornecido o item que precisa para isso.
— Ainda preciso da sua ajuda — respondeu Amaya.
— Você não consegue mesmo tendo o Álcool Espiritual? Pensei que fosse mais competente que isso.
Rune comentou com um sorrisinho provocativo.
— Não iria querer ouvir isso de alguém que nem consegue escolher o homem certo para si e que não teve escolha além de contatar um clã médio após perder tudo.
Amaya retrucou. De repente, notou a mana ao redor ficando pesada, tão pesada que até ficou difícil de respirar. Com dificuldade, levantou a cabeça e olhou para Rune.
— Você não é um pouco ousada demais para um mero Imperador? Para alguém fraco que morreria se eu perdesse o controle, seja por um segundo sequer, você não acha que deveria ter cautela com o que fala?
Rune expressou enquanto a olhava fixamente com calma.
Ela podia parecer calma, mas Amaya, que estava do outro lado, conseguia sentir a aura intimidante pressionando seu corpo.
No entanto, não cedeu.
— Por que não… comete este erro… então…? Vamos ver se… você sobrevive… após… isso…
Ela retrucou.
— Acha que alguém neste clã pode fazer algo comigo se eu decidir matar você?
Rune indagou com curiosidade.
— Você realmente… acha que pode… fugir… após isso…? Não esqueça o que… aconteceu… com a Sombra do Silêncio…
Amaya, que estava tendo dificuldade de falar, ainda não cedeu e respondeu corajosamente num tom rouco.
Rune olhou fixamente para Amaya e se lembrou de como Eisheth apareceu do nada e a capturou.
De repente, o rosto de Melia apareceu em sua mente e sua expressão mudou.
Vendo sua expressão, Amaya sorriu.
Porém, a pressão ao seu redor aumentou de repente.
— Acha que eu ficaria com medo? Tenho assassinos comigo, lembra? Meu marido e irmão são quem estão almejando minha vida, sabia disso, mas ainda decidi ficar com ele para que não percebesse nada. Você realmente acha que eu teria dado esse passo se estivesse com medo de morrer?
— Você esqueceu? Não temo a morte, garota. Não tente me ameaçar.
— …
Amaya ficou quieta.
As coisas ficaram mais sérias do que ela pretendia.
Ela sentiu que Rune estava a tratando com leviandade demais, então só queria garantir que ambas estivessem em pé de igualdade antes de discutir mais.
Contudo, pensar que ela precisaria chamar Nux para resolver isto.
Honestamente, deixou um gosto ruim na sua boca, mas, no final, precisava fazer isso.
— Hã?
Contudo, quando estava prestes a chamar Nux, a pressão desapareceu.
Confusa, olhou para Rune, que simplesmente fechou os olhos.
— Desculpe, minha raiva tomou conta. Não deveria ter atacado meus benfeitores.
— Eu não deveria ter falado aquilo. Também peço desculpas.
Amaya se curvou.
— Bem, não é como se estivesse errada. Eu não teria reagido com tanta agressividade se estivesse. Meu marido realmente me traiu. Não, em vez de trair, é melhor dizer que nunca esteve do meu lado. — Rune sorriu.
Amaya, entretanto, conseguia sentir a tristeza por trás daquele sorriso.
Não importa quanto Rune tentasse esconder, no final, o fato de ela ter passado dois mil e trezenos anos de sua vida amorosa com alguém que planejou sua queda o tempo todo…
Isto a afetou muito.
— Não vamos falar sobre isto. Chamei você aqui porque queria sua ajuda.
Amaya, que não sabia como consolar Rune, decidiu mudar de assunto.
— Como falei que ajudaria a fazer um acordo com os anões, darei meu melhor.
Rune respondeu. Ela apreciava o que Amaya estava fazendo.
— O que você quer?
Ela perguntou.
— Partirei para a Cidade de Aetherholm no Império de Zhephyrion para encontrar o anão Thorin Oakenshield. Tenho certeza de que o conhece.
— Então, quero saber tudo que preciso ter cautela quando o encontrar. Não quero cometer um erro bobo só porque não tenho informações o bastante.
Amaya falou. Ela também fez algumas pessoas averiguarem Thorin, mas queria informações de todas as fontes por garantia.
Este acordo era de extrema importância para o clã.
— Thorin… você fez a escolha certa de encontrá-lo…