— Um cultivador do Estágio Divino está caminhando pelo meu território. Tenho certeza de que não é coincidência, certo?
Uma besta estelar falou.
Após alcançar sete estrelas, as bestas estelares ganhavam inteligência, porém, mesmo após isso, não havia muitas bestas que pudessem se comunicar com outras raças do mundo. Portanto, uma besta falante era difícil de encontrar.
Não só difícil, diziam que, se encontrasse uma besta falante, seria melhor rezar para que usasse você como fonte de entretenimento e o deixasse em paz quando ficasse entediada.
Só por esta declaração, podia-se dizer que, além de ser difícil de encontrar, era perigosa.
E por que não seria?
Só bestas de doze estrelas podiam falar.
E não havia muitas pessoas no mundo que podiam enfrentá-las.
E assim como as bestas de doze estrelas, esta não era simples. Tinha uma estrutura corporal similar à de um leopardo, mas sua pele não estava coberta com a pelagem de um animal como este. Sua pele era azul e suas juntas, junto das garras, estavam protegidas com gelo. Tinha olhos hipnóticos frios da cor azul-claro, dois chifres feitos de gelo e uma juba branca.
A aura ao seu redor era fria e sufocante, o bastante para fazer qualquer ser ficar de joelhos, contudo, o ser que esta besta estava encarando não era um ser normal. Ela era uma mulher com cabelos brancos, olhos carmesim, que mostrava ser da Raça Vampira que vivia no subterrâneo.
— Uma besta do tipo gelo. Ouvi que vocês são meio especiais.
A mulher expressou quando olhava para a besta.
— Por que está aqui, vampira?
A besta perguntou enquanto estreitava os olhos.
Ele não estava particularmente assustado. Ela era uma cultivadora do Estágio Divino, mas e daí? Ele também era uma besta de doze estrelas. Mesmo que lutassem, ele provavelmente venceria, além de que tinha subordinados que poderiam avançar no momento em que sentissem as ondas de choque liberadas da batalha.
— Queria fazer uma pergunta.
— Não tenho a obrigação de responder a nenhuma de suas perguntas.
Respondeu à besta. A mulher, entretanto, ignorou completamente e continuou.
— De um lado, existe uma besta que atacou seu inimigo com força total, causando um número alto de mortes dos dois lados, mas venceu. Do outro lado, você é o líder de um grupo que foi atacado. Houve um número alto de mortes do seu lado e, como foi um ataque surpresa, você foi cercado e morreu. Qual lado gostaria de estar?
— Do que está falando, vampira? Saia antes que me irrite ao ponto de não ter mais esta opção.
A besta ameaçou.
A mulher, contudo, apenas sorriu e balançou a cabeça.
— Sinto que não estamos em sintonia, então vamos começar com perguntas simples.
A mulher então encarou os olhos azuis da besta.
— Qual é o seu nome, besta?
Quando fez esta pergunta, seus olhos carmesins brilharam, uma força estranha atraiu a besta.
De repente, notou que a posição de Ambrosia havia mudado um pouco.
— Frostfang, vocês realmente não são criativos com nomes, né?
Ela expressou e a besta estreitou os olhos em choque.
Como ela sabia seu nome? Ele nunca respondeu à sua pergunta!
Ela sabia antes de encontrá-lo?
— De qualquer forma, Frostfang, quem é seu inimigo aqui? Um inimigo cujo grupo é tão forte quanto você e que deseja destruí-lo.
A mulher perguntou de novo e, como antes, seus olhos carmesins brilharam.
E novamente, Frostfang notou que a aposição dela havia mudado um pouco.
— Basilisco Terrestre… parece um oponente difícil. Diga-me mais sobre ele e seu bando. Quão forte ele é? Quão forte é sua alcateia? Quantas bestas ele tem sob seu comando? Diga-me tudo.
A mulher questionou.
Desta vez, a mudança na posição não foi pouca. Ele inicialmente estava bem na sua frente, mas agora estava atrás dele e de costas.
Quando?!
Frostfang se perguntou, ele não conseguiu sentir nada.
Eles não estavam em níveis similares? Mesmo que ela fosse levemente mais rápida, para evitar completamente seus sentidos e aparecer atrás dele desse jeito…
— Então, ele também é uma besta de doze estrelas. Bem, faz sentido, por que mais você teria problemas em enfrentá-lo?
— Seu bando é tão forte quanto o seu. Ambos são parte dos dez mais fortes da região, mas ele está classificado em sétimo e você em oitavo. Você sente que está errado e que seu bando é mais forte que o dele porque tem um número maior de bestas.
— Porém, a única maneira de provar é enfrentando numa batalha mano a mano, que você não pode porque ele é mais forte.
— Hmm, entendi a situação, isso é perfeito para mim.
A mulher assentiu consigo com calma.
Frostfang, todavia, não a tratou com tranquilidade.
O que esta mulher acabou de falar incluía coisas que só ele sabia. Ele não compartilhou com ninguém, então como esta mulher soube disto?
Frostfang começou a analisar a situação com mais calma e no final, percebeu.
Esta mulher… Ela não era mais rápida e nem capaz de escapar de seus sentidos. Esta mulher era capaz de fazer algo muito mais perigoso. Ela estava mexendo com suas memórias.
Aquelas mudanças na posição não eram algo que ele fez tão rápido que ele não conseguia ver ou reagir. Provavelmente só caminhou até sua nova localização e ele… esqueceu sobre isto…
Esta mulher brincou com sua memória.
Não só isso, ela descobriu mais coisas sobre ele, coisas que ninguém deveria saber…
Charme…
Essa foi a única resposta que veio à sua mente.
Esta mulher era capaz de encantá-lo.
Pensando nesta possibilidade, Frostfang tremeu de medo.
Ele olhou para a mulher de novo, mas desta vez, sem pensar, travou sua localização, fechou os olhos e atacou.
Essa era a única solução para esta situação.
Ela conseguia controlar sua mente. Ambos tinham cultivo similar, então ele não sabia como ela estava fazendo isto. Porém, o fato de ela conseguir este feito exigia uma ação imediata.
Ele precisava matar esta mulher ou poderia virar um desastre.
De repente, Frostfang notou que sua posição havia mudado e que alguém estava sentado em suas costas.
Ele abriu os olhos e viu a mulher sentada em suas costas, afagando sua cabeça com um sorriso.
— Você descobriu o que estava acontecendo, parabenizo por isso. Você é mais esperto que as outras bestas. Contudo, o que fez pensar que poderia evitar meu Charme ao fechar os olhos?
— Não me diga que está me comparando com vampiros normais. Eu ficaria triste se fosse isso.
— V-Você… sua vadia! Como conseguiu usar Charme em mim?! Não estamos em níveis similares?! — Frostfang perguntou. Desta vez, nem tentou resistir. Esta mulher já era forte o bastante para encantá-lo, então qual era o ponto de lutar?
Não importava o que fizesse, no final, ela controlaria seu corpo e sempre sairia por cima. Ele estava completamente impotente diante dela.
— Hã? Nível similar? — De repente, a mulher franziu a testa.
— O que faz você pensar nisso?
— Hã?
Frostfang franziu a testa.
— Desde quando os vampiros e as bestas estiveram num nível similar?
O rosto da mulher, que sempre tinha um sorriso brincalhão no rosto, ficou frio. Ela olhou para Frostfang como se estivesse olhando para a imundície e continuou.
— O quê? Desde que não dificultamos as coisas, vocês se superestimaram? Não esqueçam, vocês são comidas que reservamos para o futuro. O único motivo de permitirmos que morem neste continente é que temos preguiça de percorrer o continente para caçá-los.
— Nesta batalha da cadeia alimentar, vocês já perderam. Não esqueçam suas posições e nem se comparem conosco.
— S-Sua vadia!! Destruirei-
Frostfang, que se sentiu humilhado, transformou a humilhação em raiva e ativou a mana ao seu redor, mas os olhos vermelhos da mulher brilharam mais uma vez e sua posição mudou. A mana ao seu redor ainda estava a mesma e ele se viu com a cabeça no chão com os pés da mulher em cima dele.
— Essa é a sua posição, fera. Não se esqueça.
Em seguida, a vampira aproximou a cabeça da besta com um sorriso e ordenou.
— A partir de agora, faça o que eu disser como um bom animalzinho que é e poderei deixá-lo viver. Fui clara?
— Vo-
— Bem, não importa se fui clara ou não. Não é como se tivesse a opção de resistir.
A vampira riu.
— Acha que as outras bestas ficariam quietas se cometer um massacre?
Ao ouvir a pergunta, a vampira inclinou a cabeça em confusão.
— Hã? Estou cometendo um massacre? Do que está falando?
Então, um sorriso maligno, assustador o bastante para enviar calafrios pelo corpo da besta, apareceu no rosto da vampira.
— Não foi você que iniciou esta guerra?
— S-Seu monst-
Antes que Frostfang pudesse completar a sentença, seus olhos ficaram apáticos e ele se calou.
Ambrosia, a vampira, apenas sorriu.
— Chame seus subordinados, é hora da guerra.
A fera se levantou com os olhos apáticos e inexpressivos para rugir.
— RROOOOAAAAARRRRR!!
Sentindo as outras bestas se aproximarem, Ambrosia sorriu e desapareceu.
As preparações estavam completas. Agora ela só tinha que observar enquanto Nux colhia as recompensas.
— Nux, está na hora.
— Então, você finalmente está saindo?
— Estou.
— Você está pronta?
— Estou.
— Volte logo, foi um mês difícil.
— Não se preocupe, eu vou. Por algum motivo, eles são anormalmente rigorosos sobre isto.
— Bem, eles disseram que a localização da provação tem a defesa mais fraca devido à sua estrutura incomum. Como vocês sabem onde fica, faz sentido estarem cuidadosos — Nux respondeu.
— Contudo, como nos deixaram participar da provação, deveriam confiar em nós, certo?
— Bem, existem muitos fatores. Vocês podem ser sequestrados pelos inimigos ou algo mais poderia acontecer. Eles precisam ter cuidado com isto.
— Mas queria ver você.
— Também quero ver você, Allura. Portanto, entre logo na provação, consiga essa linhagem e volte para mim. Te desejo sorte.
Ao ouvir aquilo, Allura sorriu e assentiu.
Toc! Toc!
— Allura, está na hora.
Então, Aisha bateu na porta e falou.
Allura se levantou e abriu a porta.
— Está preparada?
— Estou.
Allura assentiu.
As duas começaram a caminhar.
— Agora, permaneça calma e não pense em nada. Tenho certeza de que sairá com a linhagem de súcubo mais forte e pura que existe.
Aisha expressou.
— Eu vou. — Allura sorriu.
As duas conversaram pelo caminho até aparecerem na frente de uma torre gigante. Allura olhou ao redor e encontrou os outros nove participantes, Eisheth, Rislith e Maline.
Allura assentiu para elas, que assentiram de volta. Aisha deu um tapinha nas costas de Allura e ela caminhou na direção dos outros nove participantes.
Em seguida, Eisheth avançou e começou.
— Todos se prepararam para este dia. Não sei o que acontecerá na provação, mas sei que o trabalho duro definitivamente os ajudará.
— Apenas se lembrem, não importa o que aconteça, ajam como a súcubo que querem ser. A provação julgará vocês e recompensará seus esforços.
— Desejo-lhes sorte. Agora, podem ir.
Eisheth sinalizou.
Os dez participantes caminharam na direção da torre.
Allura já conseguia sentir a energia misteriosa irradiando da construção. Ela se aproximou e sentiu uma energia estranha a cercando.
Allura franziu a testa em confusão. Ela queria contatar Nux por instinto, mas ouviu um grito.
— Lady Eisheth!
Ela se virou e notou uma súcubo aparecer próxima de Eisheth com uma expressão de pânico.
— O que aconteceu?
— Os três clãs combinaram suas forças e nos atacaram!
— Hã? Por que está em pânico? Eles são apenas alguns fraco-
— Eles têm dois cultivadores do Estágio Divino!
— Onde estão atacando?
Eisheth imediatamente ficou séria.
A súcubo respondeu, uma resposta que Allura não conseguiu ouvir. Ela notou as expressões de Eisheth, Rislith, Maline e Aisha ficarem assustadas quando estenderam os braços na direção dela.
Allura franziu a testa.
KABOOOOOOOMMM!
Uma explosão gigante engolfou Allura, que ensurdeceu seus tímpanos. Ela sentiu calor extremo pelo corpo ao ponto de nem cinzas sobrarem.
A explosão foi tão forte que nem conseguiu sentir dor.
Tudo foi indolor… e estranhamente quieto…
Allura não sabia o que estava acontecendo, contudo, sabia de uma coisa… ela estava prestes a morrer…
E desta vez… não podia ser salva.
Seus olhos ficaram marejados; um rosto apareceu em sua mente quando lágrimas escorreram de seus olhos.
Nux…
Ela chamou o homem que jamais poderia ver de novo e, com um sorriso fraco, se lembrou dos bons momentos que passou com quem amava…
Foi uma vida boa. Obrigada por estar comigo, querido.
Com o último pensamento, o corpo de Allura evaporou na explosão enquanto o País de Lust se preparava para enfrentar uma catástrofe enorme.