— Morrer?
Astaria estreitou os olhos.
Havia algo que não sabiam?
— Bem, cultivar o corpo e a mana ao mesmo tempo é tolice.
— Por quê?
— Uhhh… bem, como posso explicar?
— Pode-se pensar que cultivar os dois ao mesmo tempo o tornaria imbatível; seja próximo ou longe do inimigo, nada importaria. Se for um cultivador de mana e corporal, você se tornaria um mestre do combate, sendo capaz de derrotar qualquer um no mesmo nível que você.
— Embora tudo seja verdade, a realidade muitas vezes é decepcionante. Vários tentaram cultivar ambos, contudo, no final, foram enterrados. Não conseguiram aumentar seu nível após alcançarem um certo ponto.
— O cultivo de ambos é como um veneno lento que um dia mataria você.
— M-Mataria?
— Bem, é claro, o mundo pertence ao forte. Ser fraco não é diferente de estar morto.
— Por isso que ninguém escolhe cultivar ambos, independentemente de quão talentosos sejam e, como nós, demônios, somos bons em magia, escolhemos o cultivo de mana na maioria das vezes — respondeu Maya.
— …
Astaria ficou quieta.
Sua mente atualmente estava pensando em Nux.
Ele cultivava ambos.
Isso significa que também seria enterrado?
— Não existe ninguém fora do continente que cultiva ambos? — perguntou Astaria.
— Bem, existem tolos que tentaram.
— Não, quero dizer, aqueles que são fortes e não foram enterrados.
De repente, a expressão de Maya mudou.
— Os Sete Heróis.
— Os Sete Heróis?
Astaria franziu a testa.
— As Aberrações da Natureza. Os seres com talento tão imenso que os chamar de talento seria um desrespeito.
— Eles são simplesmente… monstros…
— Cada raça, Demônios, Humanos, Vampiros, Dragões, Bestiais, Elfos e Anões, tem um herói.
— Todos os combinados são chamados de Sete Heróis. Eles são os sete seres que não foram enterrados, mesmo tendo cultivado ambos.
— É claro, falar sobre eles no nosso nível é… bem, falar de lendas, eles existem, é verdade, entretanto, pessoas como nós jamais conseguiríamos vê-los, então falar sobre eles também é sem sentido.
Maya explicou. Astaria, todavia, estava pensando numa coisa completamente diferente.
Então, pessoas como eles existem, isso é um alívio…
Sua lógica era simples: se eles conseguem, então Nux também pode conseguir.
— Você está certa, não devemos falar sobre eles.
— De fato, devemos falar sobre nossa luta; posso dar algumas dicas se quiser. Não sei muito sobre usar mana para aumentar minha força, mas sou muito boa com feitiços — ofereceu Maya.
— Eu sei, experienciei isso em primeira mão. — Astaria riu quando olhou para o chão coberto de espinhos formados pelos feitiços de Maya.
Astaria havia decidido.
Ela agora começaria a aprender feitiços com tudo que tinha.
Ela aprendeu quão assustadores os feitiços poderiam ser.
E a mana neste continente era limitada. O que isso significava?
Maya ainda não estava usando todo seu poder quando a enfrentou.
Quão fortes seus feitiços serão quando ela tiver acesso a toda a mana?
Astaria se perguntou.
— Aguardo suas orientações.
Astaria falou.
Um sorrisinho no rosto de Maya quando respondeu.
— Não se preocupe, ajudarei você com o melhor das minhas capacidades.
Logo, entretanto, sua expressão mudou.
— Porém, não conseguiria dar meus feitiços. Isso não é algo que eu tenha autoridade para fazer.
— Não se preocupe, entendo isso. Só desejo fazer algumas perguntas gerais.
— Aprecio seu entendimento. — Maya sorriu educadamente.
Assim, a luta terminou.
Maya e Astaria entraram num cômodo onde Maya ensinou algumas coisas básicas sobre feitiços. Astaria, é claro, compartilhou este conhecimento com Nux e as outras.
Por outro lado, Allura e Erotica estavam jogando seus próprios jogos. Erotica continuou perguntando sobre Nux e Allura respondeu todas, desafiando Erotica a se aproximar e abordá-lo.
É claro, independentemente de quanto a súcubo tentasse, não funcionou.
Nux passou a maioria do tempo treinando ou com suas esposas, mal teve tempo para Erotica.
Seu maior trunfo, a pessoa que estava ajudando o tempo todo, Allura, aquela vadia, desapareceu no momento da “sua vez”, esquecendo completamente que devia ajudá-la. E o pior? Ela nem se sentiu culpada.
Erotica notou que, quando se tratava de Nux, todas as suas esposas ficavam loucas. Até a normalmente afiada Amaya se perdia completamente e se apegava a esse homem sempre que aparecia.
Erotica queria saber o motivo por trás disso.
Foi só porque Nux era lindo e forte ou havia algo mais?
Isso era o que chamavam de “amor”? Algo assim realmente existia?
Ela… alguma vez sentiria algo assim?
A mente de Erotica estava cheia de perguntas, mas Nux sempre manteve um pouco de distância entre eles.
Honestamente, Erotica sentiu que não tinha conseguido se tornar sua amiga e ele ignorava completamente sua existência.
É claro, isto não significava que ela desistiria.
Esta foi a primeira vez na vida que enfrentou um desafio; era impossível ela desistir assim.
Não havia como ela deixar que a vadia da Allura levasse a melhor, não enquanto ela mesma estava “ajudando” pessoalmente a se aproximar de Nux. Ela jamais deixaria aquela mulher sentir a satisfação de “vencer” contra ela.
Nunca.
Assim, o tempo passou, todos fizeram suas coisas de sua própria maneira.
Dois meses e meio passaram e, finalmente, o momento que estavam esperando chegou.
Crack!
— M-Mãe… O-O céu está se partindo… — falou uma criança enquanto apontava para o céu.