— …
Nux permaneceu ali, sem palavras.
Erotica, que estava ao lado, tinha uma expressão chocada.
Parecia que o mundo inteiro havia desabado.
— Então… este… é o “problema” que estava falando…?
Nux olhou para Amaya, que tentava evitar contato visual com uma expressão inocente no rosto.
— Falei que era um “pequeno” problema…
— Acho que ele deveria estar agradecendo por você considerá-lo um problema.
Nux sorriu ironicamente enquanto olhava para o homem deitado na sua frente. Assim como Erotica, este homem tinha orelhas compridas, um par de chifres e asas, cabelo roxo-claro e seu rosto, que deveria ser lindo… bem, estava cheio de hematomas.
E estava bem feio.
— O… o que… vocês fizeram…?
Erotica perguntou.
Ela não conseguia acreditar em quão ferido Gartos estava.
Metade dos seus dentes foram quebrados, o interior de sua boca estava ensanguentado, seus olhos inchados, sua pele ficou azul, metade das roupas foram rasgadas e havia marcas de pisões pelo corpo todo. Estava claro quanto ele foi espancado.
Erotica conseguia imaginá-lo sendo cercado por estas mulheres loucas e apanhando ao ponto de ele parecer… assim.
Os demônios recorriam à habilidade e magia para lutar, porém, pelo que parecia, Gartos foi cercado e espancado, sem nem ter chance de lançar um feitiço.
— Bem, vocês fizeram um bom trabalho. Este desgraçado teve a audácia de ir atrás das minhas esposas, ele merece.
Nux assentiu consigo.
— Não.
Erotica, todavia, balançou a cabeça e olhou para as mulheres de Nux.
— Gartos é um covarde, é impossível ele ir atrás de dez Imperadores sozinho. Mesmo que estejamos neste continente atrasado.
Nux estreitou os olhos e, ao mesmo tempo, Astaria… bem, tentou evitar contato visual…
— Star…
Nux falou.
— O-Ouça-me…
— Hmmm? — Nux inclinou a cabeça.
— Não foi nossa culpa, okay?
— Explique.
— … Tudo bem.
Enquanto as esposas de Nux estavam correndo na direção do Reino de Skadi, elas notaram vários soldados cercando uma certa mansão; curiosas, ativaram Ocultação e entraram.
— Ainda não consigo acreditar nisto…
— Como a esposa do lorde…? Como isto é possível…?
— Quem faria algo assim?
— Quem? Não ouviu o que estão falando? O corpo foi encontrado nu e, pela evidência, ficou claro o que ela estava fazendo antes de morrer.
— E se ela foi estuprada?
— Você é idiota? Quem teria uma expressão feliz quando se é estuprado?
— Meu sobrinho trabalha na mansão, ele viu tudo pessoalmente. A expressão que a Lady Indrashi tinha… definitivamente não era de uma mulher que foi estuprada…
— Ele me contou que seus olhos tinham um brilho estranho, seu rosto estava vermelho e havia um sorriso pervertido. Honestamente, meu sobrinho ainda está num estado de negação.
— Mas… a Lady Indrashi era uma alma gentil… Ela alimentou e ajudou os pobres e toda vez que o Lorde ignorava nossos apelos, ela vinha nos ajudar.
— Como ela pode… fazer algo assim?
— Não subestime estes nobres. Eles são especialistas em esconder suas verdadeiras personalidades.
— Sempre achei estranho alguém como ela se importar com plebeus. Acho que isso esclarece, não era nada além de uma fachada.
O homem bufou.
— Ela nos ajudou porque era uma plebeia como nós. Não está sendo um pouco ingrato demais? Ela fez muito por nós. Vamos dizer que é verdade e que foi tudo para manter uma fachada, mas, no final, ajudou você, não?
— Como pode desonrar sua ajudante?
De repente, um servo da mansão caminhou na direção do plebeu e gritou.
O homem, entretanto, apenas sorriu e respondeu.
— Heh. Você não é um puxa-saco? O órgão que ela contratou como servo. Hahaha~ É claro que você falaria por ela. O que é? Você era quem estava aproveitando a- Uggghh!
Antes que o homem pudesse completar, o servo socou seu rosto e o empurrou.
— Mais uma palavra e você morrerá.
O servo ameaçou.
Vendo esta cena, a multidão mudou sua atenção para o show. Até o lorde da mansão, que atualmente estava passando por um turbilhão de emoções, olhou para a cena na sua frente.
— Vocês notaram?
Por outro lado, Thyra olhou para suas irmãs e perguntou.
— Então, você também notou.
Astaria sorriu.
— Do que estão falando?
Amaya franziu a testa.
— Não olhe para lá e aja normalmente. Aquele homem de cabelo preto, vestindo camisa branca, calça marrom, parado ao lado do portão da mansão.
— Ele sentiu nossa presença.
Thyra respondeu. A expressão de Amaya não mudou, mas ativou rapidamente o Sentido e localizou a pessoa com quem Thyra estava falando.
— Aquele de olho castanho?
— Sim.
— Mas… ele é apenas um mortal…
Evane franziu a testa.
— Acha que um mortal pode sentir nossa presença? — Thyra perguntou de volta.
— Tem certeza de que ele nos sentiu? — Ember indagou.
Thyra se virou para Ember e a encarou com um olhar inexpressivo.
Ember entendeu.
— Tudo bem, me desculpe.
Thyra bufou.
— De qualquer forma, preparem-se. No três, vamos atacar.
Astaria falou de repente.
— Hã? Não deveríamos informar o Nux? — Evane perguntou.
— Já informei — Amaya respondeu.
— Ele pode usar o Portal do Harém se algo acontecer. Aquele homem provavelmente é um Íncubo. É uma boa oportunidade para enfrentarmos um demônio.
Um sorriso escapou da boca de Astaria.
— …
As outras mulheres apenas reviraram os olhos.
Que viciada em batalhas.
— Não esqueça, somos Imperadores. Temos algum orgulho ou deseja atrasar o Nux o tempo todo?
Assim que aquelas palavras saíram da boca de Astaria, o humor mudou.
— No três, atacaremos — disse Ember.
As outras assentiram.
— Três, dois, um, ataquem!