Um homem com rugas no rosto estava sentado de pernas cruzadas no que parecia uma caverna. Ele parecia ter cinquenta anos, mas mesmo após isso, seu corpo era musculoso e a energia irradiando deste homem era feroz. Ele tinha cabelos grisalhos, olhos castanhos, sobrancelhas finas e um rosto bem-estruturado. Mesmo que parecesse velho, ainda era muito bonito.
Farfalha! Farfalha! Farfalha!
— Hã?
O homem abriu os olhos e franziu a testa. Ele olhou para fora da caverna e sua carranca aprofundou.
— Ainda é de tarde. Nenhuma besta deveria chegar perto desta área no momento. Humanos? É outra equipe de busca?
A expressão do homem ficou sombria.
Isto era um problema.
Ele havia eliminado a equipe enviada por Woods alguns dias atrás. Definitivamente não era um bom sinal outra equipe vir aqui.
Eles perceberam que quem matou a equipe de busca fui eu e não a besta? Não erradiquei completamente a equipe?
O homem pensou internamente, mas balançou a cabeça, negando seu próprio raciocínio.
Isto não é possível, não detectei ninguém. Não tem como eles enviarem alguém que pode escapar da minha detecção. Porém, por que tem outra equipe de busca?
O homem começou a pensar de novo.
Farfalha! Farfalha! Farfalha!
Logo, todavia, ouviu o barulho de novo.
Tanto faz. Só preciso matá-los de novo.
Um brilho frio reluziu nos olhos do homem. Ele saiu rapidamente da caverna e avançou na direção do som.
Em vez de uma equipe de busca consistindo em cem pessoas, como esperava, o homem só encontrou uma pessoa caminhando na direção da caverna. O homem usava roupas verdes que ajudariam a evitar a maioria das bestas no caminho. Havia um emblema peculiar costurado nas roupas do homem, um que o velho percebeu.
O velho apareceu na frente do homem.
O homem ficou surpreso no começo, mas se acalmou e ajoelhou-se.
— Lorde Herms.
O homem cumprimentou.
O velho, ou Herms Lyzander, assentiu e perguntou.
— Por que está aqui?
— Recebemos uma carta da Dinastia Woods dois dias atrás. O Rei quer que você a veja. — O homem não perdeu tempo e passou a carta rapidamente.
Herms começou a ler o conteúdo e, após terminar, um olhar solene apareceu em seu rosto.
— Uma Reunião de Imperadores? Agora?
Uma carranca apareceu em seu rosto. Logo, todavia, ficou inexpressivo novamente e se virou para o servo.
— Você pode sair agora.
O servo assentiu e foi embora.
Após sair da vista, Herms também desapareceu.
Ele estava correndo para o Palácio Real.
Algumas horas depois, no Palácio Real do Reino da Terra Sólida, Herms entrou num cômodo em particular, onde um homem de cabelos negros estava cultivando.
Ao sentir sua presença, o homem abriu os olhos.
Assim como Herms, este homem tinha cabelos negros, mas a cor de seus olhos era diferente da de Herms. Ele tinha olhos verdes, nariz fino e um rosto atraente.
— Pai, estava esperando você.
O homem falou com um sorriso. Ele era o filho de Herms, Roone Lyzander.
Herms assentiu e perguntou.
— Como foi que surgiu esta Reunião de Imperadores? O que aconteceu?
Roone, todavia, balançou a cabeça: — Não sei, parece que os Woods estão suspeitando de nós.
Herms franziu a testa.
O sorriso de Roone ficou maior.
— A fase um falhou, pai. Acredito que seja hora de começar a fase dois. Não devemos perder mais tempo.
Ele parecia animado quando falou aquelas palavras.
— Silêncio.
Herms elevou o tom.
— Não seja impaciente. Nem tudo foi arruinado. Toda semente precisa de tempo para germinar.
— Por enquanto, ignore a carta. Atrasaremos o máximo possível. Encontrarei pessoalmente o Amletus e discutirei nosso próximo movimento.
Herms falou.
— Não podemos fazer isso, pai.
Roone, entretanto, balançou a cabeça.
— O que quer dizer?
— O Reino de Skyfall e o Reino de Skadi concordaram com a reunião. Segundo as regras, se três das quatro nações concordarem com a Reunião de Imperadores, a quarta nação precisa concordar e dar sua resposta em dois dias.
— Também fui forçado a concordar com a reunião.
Dizendo isso, uma carta apareceu na mão de Roone e ele passou para Herms.
— A data da reunião já foi decidida. É daqui a uma semana.
Herms pegou a carta e sua expressão ficou solene.
— Nem toda semente germinou, pai. É sem sentido planejar mais.
— Por que aquele desgraçado do Amletus concordou? — Herms questionou.
— Não sei. Talvez tenha decidido nos trair. Não esperava menos de um covarde como ele. Desde que viu que a primeira fase falhou, ele deve ter achado que seria uma luta complicada. Então decidiu bancar o ignorante e ficar de fora.
Roone apenas deu de ombros.
— Ele não pode fazer isso.
Herms, entretanto, balançou a cabeça.
— Qual é, pai, você realmente confia tanto num covarde como ele? — Roone perguntou.
— Confio nele justamente por ser um covarde. Não importa o que aconteça, ele não ousará nos trair. Ele sabe o que aconteceria se traísse.
— Tem algo errado.
Herms respondeu.
— Pai.
De repente, Roone chamou.
Herms olhou para seu filho e o deixou continuar.
— Não importa. Independentemente do que aquele idiota esteja pensando, não me importo. Vamos apenas ouvir o que aquele idiota do Alcimus tem a dizer. Se for algo manejável, continuaremos com a fase um. Se for impossível, então mudaremos para a fase dois. É simples assim.
— Não temos que complicar tudo. Lembre-se, somos os mais fortes aqui.
Herms estreitou os olhos e, após pensar por um tempo, concordou.
— Tudo bem.
Roone sorriu.
— No entanto, você não vai comigo. — Herms apontou de repente para Roone.
— Por quê?
— Você já sabe. Você é meu trunfo. É impossível eu deixar você se revelar tão rápido.