— Você parece cansado, irmão.
— Hã? Como você entrou?
Lucas, o Quarto Príncipe, estava sentado com um olhar cansado quando ficou surpreso ao avistar Raguel.
— Pela porta.
Raguel respondeu com uma risada.
— Mas mandei não deixar ninguém entrar. Aqueles bastardos ousaram ir contra minhas ordens… Eu me certificarei de que eles-
Lucas estava prestes a se levantar e confrontar aqueles guardas, porém, antes que pudesse fazer isto, ele foi impedido pela risada de Raguel.
— Ah, qual é, não culpe eles, irmão. Não é culpa deles.
— Você realmente acha que eles terão coragem de impedir o Primeiro Príncipe de entrar no seu quarto?
Ouvindo aquelas palavras, Lucas estreitou os olhos.
— Como você se sentiria se eu entrasse no seu quarto sem ser anunciado?
— Vamos, não seja tão chato. Somos irmãos. É claro, você pode entrar no meu quarto sempre que quiser.
Raguel, porém, permaneceu calmo e respondeu com um sorriso.
— Oh? O que aconteceu? Por que está mostrando esse “amor de irmão” agora? — Lucas ergueu a sobrancelha.
Ao ouvir aquelas palavras, Raguel sorriu, pegou uma garrafa de álcool, colocou na mesa de Lucas e se serviu.
— Irmão, por favor, não aja como se fosse a primeira vez que mostro meu “amor de irmão” por você.
Ele riu.
— Mas é a primeira vez. Tirando hoje, você nem conversa comigo.
Lucas foi direto com suas palavras.
Diferente dos membros normais da Família Real, ele não fazia jogos complexos sempre que conversava com alguém. Ele apenas falava normalmente, dizia o que queria e fazia o que queria.
Ele nunca se importou com o que os outros pensavam.
E, é claro, como alguém que nunca conversou com ele antes, Raguel estava tendo dificuldades de manter a conversa.
Com Lucas gritando toda vez que ele tentava falar, ele não sabia como continuar, porém, independente do motivo, não podia desistir aqui.
Estava praticamente confirmado que o Duque Merula e o Duque Vestalis estavam colaborando, então derrotar os dois seria quase impossível sozinho. Não havia como o Rei escolhê-lo no lugar de Lovis, que tinha o apoio de dois Duques.
Portanto, para permanecer na batalha, ele precisava do Duque Centho ao seu lado.
Contudo, falar diretamente com o Duque não funcionaria. Aquele velho monstro tinha anos de experiência.
Se ele ou seu avô conversassem com ele, ele entenderia seus motivos num instante e logo perceberia quão ruim sua posição era. Uma vez que isso acontecesse, seria impossível o Duque não tentar explorar suas fraquezas e se beneficiar disto. Esse era o movimento mais comum e lógico. Até o Duque Fulvanius faria isso se estivesse na sua posição.
Portanto, conversar com o Duque Centho não funcionaria.
Alvejar o ingênuo Lucas era uma opção mais segura.
O processo era simples. Ele apenas prometeria dar uma vida luxuosa, cheia de bebidas e mulheres, e falaria com o próprio Duque.
Era simples, ou deveria ser.
Lucas, no entanto, foi muito mais frio do que Raguel esperava.
— Isso é verdade? Hahaha~ Me desculpe por isso. Me dê uma chance, que tal?
Raguel sorriu um pouco e estendeu o copo que estava segurando.
Lucas olhou para ele por um tempo e levantou o próprio copo na direção de Raguel. Seus copos tilintaram e o sorriso de Raguel aumentou.
Finalmente, ele estava chegando a algum lugar, assim, manteve o ímpeto e falou.
— Ao nosso novo e melhor relacionamento.
Lucas assentiu.
Vendo isso, um sorriso apareceu no rosto de Raguel.
Ele via seu aperto sobre o trono ficando mais forte de novo.
Porém, de repente, um sorriso apareceu no rosto de Lucas.
Ao ver aquele sorriso, Raguel franziu a testa.
Aquele sorriso… não era um sorriso caloroso que deveria estar aparecendo agora… aquele… aquele era um… sorriso desdenhoso…
Espera, desdenhoso?
A carranca de Raguel aumentou.
— O que aconteceu, irmão?
Ele perguntou.
Ao ouvir aquela pergunta, o sorriso de Lucas aumentou.
— Nada, só estou me perguntando qual falso você pode ser.
— O quê? Do que está falando, irmão?
Raguel tentou manter o sorriso.
— Ugh, pode parar com a atuação, “irmão”. Isso me faz querer vomitar.
— Do que está falando?
Raguel não conseguiu entender.
— Você será um irmão melhor? Você está ansioso para um relacionamento melhor entre nós? Não me faça rir.
— Conheço bem você, irmão.
— Antes disto, você nem falava comigo direito, podia dizer pelo olhar que, sem falar em “me amar”, você nem pensa em mim como seu irmão de sangue.
— Eu não era nada aos seus olhos. Isso nunca mudará e sei disso.
— Então, por que não para com esta sua atuação patética e fala logo o que quer para poder sair logo daqui?
Lucas esbravejou com um olhar feroz.
Desta vez, suas palavras foram muito mais severas do que quando estava conversando com Evane.
Desta vez, ele estava sóbrio.
Ao ouvir aquelas palavras e o tom, Raguel percebeu que persuadir não funcionaria. Ele finalmente percebeu que seu irmão poderia ser mais esperto do que aparentava.
No entanto, no final, ainda era o Primeiro Príncipe, então rapidamente mudou a abordagem.
— Tudo bem, você está certo e concordo. Esta atuação não se encaixa comigo. Eu estava fora da minha zona de conforto.
Dizendo isso, Raguel colocou o copo que estava segurando na mesa e limpou a mão com um lenço.
— Mhm, agora assim parece com você.
Lucas assentiu com um sorriso e bebeu o conteúdo do copo antes de encher de novo.
— Tudo bem, vou parar com estas falas desnecessárias e irei direto ao ponto.
— Aprecio isto.
Lucas deu de ombros.
Então, um olhar solene apareceu no rosto de Raguel e ele perguntou.
— Lucas Skyfall, você realmente acredita que pode se tornar o Rei?