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The Author’s POV – Capítulo 76

Voltando para Casa [3]

“Meu Deus, olha como você já está um rapazinho!”

Soltando um gritinho de alegria no instante em que seus olhos pousaram em mim, Samantha Dover, minha mãe, pulou com tudo em cima de mim assim que a porta abriu.

Não conseguindo escapar a tempo, me rendi ao abraço.

“Offf…”

Depois de me debater por alguns segundos, acabei desistindo. Por incrível que seja, me senti confortável com o abraço. E ao sentir a sensação calorosa da minha mãe meu corpo e minha mente começaram a relaxar.

Era uma sensação estranha, mas ao mesmo tempo familiar.

…não era ruim.

“Me deixa olhar melhor para você.”

Depois de um minuto me abraçando e com um sorriso largo no rosto minha mãe finalmente me soltou e segurou minhas bochechas com força.

“Olha para você! Todo bonitão! Tenho certeza que todas as garotas da sua escola estão apaixonadas por você!”

“…”

Assentindo com a cabeça, o canto dos meus lábios tremeu levemente.

…isso está mais longe da verdade do que ela pensa.

Entre todos os meus status, só o Charme se recusa a subir.

Brincadeira viu.

Ao sentir a brisa gélida da noite, minha mãe olhou em volta e rapidamente me puxou para dentro de casa.

“Oh, querido, é melhor entrarmos. Não queremos que você pegue um resfriado, certo?”

“Tudo bem.”

-Clank

Depois de entrar na casa, fechei a porta.

Tirando meus sapatos e pendurando meu casaco, a segui dentro de casa.

Enquanto caminhava não consegui evitar observar as fotos na parede. Havia de tudo um pouco: fotos do antigo Ren, dos meus pais desta vida e fotos de grupos com pessoas que imagino fazerem parte da guilda.

Eles pareciam tão felizes nas fotos… Não sei por que o pessoal iria querer fazer isso com eles.

Virando à esquerda no corredor logo me dei de cara com a sala de estar.

Entrando na sala meus olhos foram direto no outro individuo presente no cômodo.

‘Então aquele é, meu pai, Ronald Dover…’

Sentado no sofá enquanto olhava alguns documentos, Ronald Dover, agora meu pai, olhou na minha direção.

Acenando com a cabeça na minha direção ele me cumprimentou.

“Bem-vindo de volta.”

“…ah, obrigado.”

Essas foram as palavras que saíram da minha boca enquanto encarava Ronald.

Exceto pelos meus olhos eu sou uma cópia dele. A características dele eram idênticas a minha e juntando com o cabelo preto ele parecia ser uma versão mais velha minha. Contudo, se tivesse que apontar uma diferença entre nós seria o fato do rosto dele não ter aquele ar infantil e imaturo que o meu possuía.

A postura dele era completamente diferente da minha pois era todo sério e melancólico.

“Ah que isso Ren, por que está com vergonha? Vem sentar-se do meu lado.”

Pegando o lugar ao lado do meu pai, minha mãe me apressou para sentar-se ao seu lado. Depois de hesitar por um momento, acabei cedendo sob o olhar dela.

Depois de me sentar, ela olhou para mim enquanto chamava a atenção do marido e puxando a manga da blusa dele perguntou.

“Então, por que não nos conta como foi seu primeiro semestre na escola?”

Pensando por um momento antes de falar, olhei para ambos e comecei a contar sobre os últimos meses.

“Bom, por onde eu começo? Apesar…”

…comecei a contar tudo que aconteceu comigo durante minha vida na Lock. E, obviamente, deixe de fora diversas coisas, como a ida para o Mercado Negro ou sobre a [Semente do Limite] e coisas assim.

E quando a conversa mudou para o incidente em Hollberg, bom…

Vamos apenas dizer que as coisas não foram muito bem porque minha mãe começou a xingar tudo pros quatro ventos.

Lembro-me dela me mandar várias mensagens durante aqueles dias, felizmente, eu consegui acalmá-la e assegurá-la de que tudo estava bem. Se não, tinha certeza de que ela arrumaria as coisas e iria para Hollberg no mesmo dia.

No começo, ainda estava um pouco desconfortável em falar, mas quanto mais passava o tempo mais relaxado eu estava ficando.

…Parecia que essa era como qualquer outra conversa que tive com eles durante esse ano pelo celular. Era estranho e familiar, duas combinações esquisitas de sentimentos.

Durante a conversa, pelo que observei do meu pai, apesar da aparência externa dele ser fria, ele é muito gentil. Ele não era um homem de muitas palavras como a minha mãe, mas de vez enquanto ele se juntava na conversa para dar sua opinião.

Por mais que não parecesse muito, as poucas vezes que ele falava, a conversa sempre continuava e a atmosfera da sala logo foi ficando cada vez mais harmoniosa.

…essa atmosfera. Essa sensação quentinha no peito.

-Pita! -Pita!

Sentindo lágrimas escorrerem por minhas bochechas, congelei por um segundo antes de limpá-las rapidamente do rosto.

“Ah, sinto muito. Não sei por que estou reagindo assim.”

Ao notar minhas lagrimas, minha mãe atirou-se na minha direção e me envolveu em seus braços.

“Aww, você passou por muitas coisas, filhinho… pronto, agora você pode chorar nos braços da sua mamãe.”

Sentindo o conforto nos braços dela, minha mente deu pane e logo depois, como se uma alavanca tivesse sido ativada minhas lágrimas começaram a cair sem parar.

Ter sido mandado para um mundo completamente diferente e tendo que viver os últimos dois meses por conta própria, sem ter ninguém para confiar além de mim… As palavras de conforto e o abraço fizeram com que os sentimentos que estive guardando viessem à tona.

Meu pai se juntou ao abraço e logo me encontrei espremido no meio dos dois.

“Ok, já deu, estou bem agora.”

Passando alguns minutos, consegui me acalmar e me libertar dos abraços. Arrumando minhas roupas, tentei mudar de assunto.

“…E foi isso que aconteceu. E a guilda, como anda indo?”

Sorrindo alegremente e olhando para seu marido por um momento, minha mãe respondeu.

“Tudo está perfeito. Tirando o fato de que estamos fazendo algumas horas extras aqui e ali, tudo está indo bem.”

Olhando para eles, sorri de volta e me encostei no sofá.

“…entendi. Fico feliz que tudo esteja bem.”

Mentirosos.

Eu já sabia de tudo.

Uma parte de mim se sentia um pouco irritado por estarem escondendo as coisas de mim, mas entendia de o porquê estarem fazendo isso.

…Eles não queriam que os problemas deles me afetassem, e com direito.

Que pais iriam querer colocar pressão no filho que estava estudando na melhor escola do Domínio Humano? Tudo que queriam é que seu filho estudasse sem ter que se preocupar com nada enquanto davam seu suporte.

“Hmmm.”

Nossa conversa foi interrompida pelo som de passinhos. Esfregando os olhos ainda sonolenta, uma garotinha entrava timidamente na sala com um pijama maior que ela e um enorme urso de pelúcia na mão direita.

Seu cabelo preto e liso descia até o final das costas e seus olhos, que tinham um azul parecido com o meu, observavam meio perdidos o urso em seus braços.

Suas bochechas gordinhas e rosadas, que tinham um leve rubor, faziam qualquer um que estivesse por perto sentir vontade de apertá-las com força.

Até mesmo eu, que assistia ela entrar na sala, queria apertar as aquelas bochechas.

Olhando na minha direção, inclinando a cabeça, a garotinha disse.

“É bocê, maninho?”

Chocado, encarei a garotinha sonolenta.

‘Então ela que é minha irmãzinha Nola?’

Observando a garotinha foi aí que me dei conta que ela era minha irmãzinha de dois anos, Nola.

“Maninho?”

Me chamando pela segunda vez, Nola, estendeu os braços na minha direção.

“Ah, olha só quem acordou…”

Sorrindo para filha minha mãe olhou para a Nola antes de olhar na minha direção.

“A Nola até tentou esperar você chegar, mas como ficou tarde…”

Pegando a Nola no colo, minha mãe andou na minha direção e me entregou ela.

Depois de hesitar por um momento, passando o braço por baixo dela, segurei Nola em meus braços.

“Hmm…”

Passando seus pequenos braços no meu pescoço a expressão da minha irmãzinha se suavizou e ela adormeceu no meu colo.

Sentindo a respiração calma no meu pescoço eu só podia ficar congelado no mesmo lugar com medo de mover sequer um dedo e acordá-la.

Meus olhos foram em direção dos meus pais, mas tudo que recebi foram as expressões contentes deles.

Então… o que faço agora?

Eu era um solitário no meu outro mundo. Nunca interagi com nenhuma criança e nem se quer tive crianças. Resumindo, não tenho a mínima ideia do que preciso fazer agora.

Mas… estranhamente, eu não estava odiando a sensação. Segurando Nola em meus braços senti um sentimento de proteção começando a se formar dentro de mim.

Parecia como se nada nesse mundo conseguiria me impedir de proteger essa criança que estava segurando.

Observando o rostinho da Nola, que estava capotada em meus braços, percebi que até mesmo com as emoções do Antigo Ren me influenciando… mesmo assim faria de tudo para protegê-la.

…..

Depois de segurar minha irmãzinha por cinco minutos, minha mãe se levantou e pegou ela dos meus braços.

“Bom, hora de dormir, você deve estar cansado.”

Assim ela me mandou para meu quarto, o que me deixou muito feliz, porque estava um caco.

Subindo as escadas fui em direção para o que parecia ser meu quarto. Era um quarto com tamanho decente, similar com o que tinha na Lock. Porém, comparado com a decoração chata daquele quarto, esse quarto estava cheio de posters, revistas e outras decorações.

Olhando ao redor do quarto me sentei na cama e respirei fundo.

Apesar de ser minha primeira vez aqui tudo era familiar. Era um sentimento estranho. Era um sentimento completamente diferente do que quando estava na Lock, me sentia mais calmo aqui.

…Me parece que esse corpo reconhece o lugar.

Levantando e vasculhando as prateleiras do quarto acabei encontrando uma fotografia do Ren com os pais.

Tirando a foto da moldura para ver melhor, vi ele segurando um buque de flores sorrindo junto com os pais na frente da escola.

-Peng!

…No entanto, assim que segurei a fotografia, senti uma dor forte no coração por um instante.

Estremecendo de leve quase derrubei a moldura no chão. Franzindo o cenho olhei com mais atenção para a foto. E foi aí que vi, não, melhor, eu pude sentir.

O sorriso do Ren escondia uma grande tristeza e angústia.

‘Mas o que aconteceu com você?’

…O que fez você ser daquele jeito?

-Smack!

Acorda idiota!

Não tinha motivo para investigar o que aconteceu com o Antigo Ren agora. Acredito que até o final do mês, talvez eu consiga descobrir o que aconteceu com ele e resolver seus arrependimentos.

Talvez esse seja o único jeito das emoções dele desaparecerem do meu corpo e finalmente terei o corpo para mim…

Não tinha certeza se funcionaria, mas… ele merece.

Por ter me dado uma segunda chance e me entregado uma família carinhosa e feliz, resolver seus arrependimentos era o mínimo que eu poderia fazer…

Encarando o teto branco do quarto sorri amargamente enquanto lembrava do que disse para mim mesmo antes de entrar na casa.

Naquele momento repeti para mim mesmo que não me apegaria aos meus pais desse mundo.

Disse para mim mesmo que não tinha motivo para me apegar a estranhos que nunca encontrei antes…

…Mas quem estava querendo enganar?

Lembrando das bochechas fofas da Nola descansando no meu ombro há alguns minutos e das expressões carinhosas que meus pais tinham enquanto me consolavam… Naquele momento, já sabia que era tarde demais para não me apegar.

-Pomf

Me jogando na cama branca pensei comigo mesmo.

‘Esse sentimento… até que não é tão ruim.’

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