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The Author’s POV – Capítulo 77

Voltando para Casa [4]

Depois de despertar fui até a cozinha no andar de baixo.

A primeira coisa que vi quando entrei foi um pequeno bilhete em cima da mesa.

O pegando na mão, li o que estava escrito.

===

Ren, se estiver lendo isso, eu e seu pai já fomos trabalhar.

Depois de acordar, leve a Nola até o parque na rua e aproveite seu final de semana. Eu já te mandei um pouco dinheiro para quando quiser sair.

Por volta das 12:00, venha até a guilda com a Nola. Depois de organizarmos algumas coisas vamos levar vocês para almoçar.

Beijos.

Com amor, mamãe e papai.

===

Eles já foram para o trabalho hm…

Com tudo que está acontecendo com a guilda não é surpresa que eles estão indo trabalhar no final de semana também.

Dobrando o pequeno bilhete fui em direção a mesa de jantar onde um prato de comida quentinha estava enrolada em plástico filme.

Após me sentar na mesa e tirar o plástico do prato um aroma gostoso de bacon e ovos invadiu minhas narinas.

Sem esperar nem mais um segundo comecei a comer o café da manhã.

“Isso está bom demais!”

Depois de terminar o prato bati na barriga satisfeito e olhei o horário no relógio.

6:45 da manhã.

Ainda estava cedo e quando olhei para a janela avistei o sol aparecendo aos poucos iluminando a área. Como não tinha nada para fazer decidi treinar por algumas horas antes de levar a Nola para o parque.

-Clank!

Ao abrir a porta de vidro que levava para o quintal, a brisa da manhã resfriou meu corpo de imediato.

Ao andar no quintal, sentindo a grama verde saudável fazer cosquinha nos meus pés descalços, respirei fundo e tirei minha espada do meu inventário.

“Fuuu…”

Soltando um longo suspiro, um brilho branco lentamente começou a emanar do meu corpo. Em seguida, com a espada, desenhei três círculos no ar.

-Voom!

Enquanto desenhava eles, depois de cada um completado, um anel flutuava no ar. Depois do primeiro feito, fechando meus olhos, desenhei o segundo e o terceiro.

-Voom!

Logo depois de completar o terceiro, novamente fechei os olhos e esvaziei a mente. Com a mente clara os anéis lentamente começaram a se moverem em volta do meu corpo.

-Swooosh!

Apontando para a direita, um dos anéis voou para o local apontado. Com a mão esquerda, apontei para cima e outro anel voou até o lugar onde mandei.

Dessa forma, por meia hora, segui movimentando os anéis em volta de mim sem parar.

-Swooosh! -Swooosh! -Swooosh!

Depois de dois minutos, sempre que um anel desaparecia, eu rapidamente criava um novo e continuava com o treino.

Depois do que aconteceu em Hollberg não teve um dia que parei de treinar.

Na verdade, para não ter que pensar sobre aquele dia, comecei a treinar mais pesado ainda. E por resultado disso, minha segunda Arte da Espada, [Anel da Retaliação], subiu para Domínio Menor da Maestria.

Com a Arte da Espada alcançando Domínio Menor da Maestria agora consigo controlar livremente os anéis que crio. E se eu quisesse consigo fazê-los circular em volta de mim até se dissiparem.

E outra, agora eles conseguem suportar um impacto completo de indivíduos de <Classe G> sem quebrar. E até mesmo pessoas de <Classe F> teriam dificuldades de quebrar os anéis, o que criou um sistema de defesa perfeito.

Em relação aos anéis eu já conseguia controlar os três com facilidade. Consigo fazer quatro, mas isso cria um peso muito forte na minha mente devido à minha falta de controle sobre a mana.

…no futuro quanto maior for a minha dominação sobre essa técnica, maior a quantidade de anéis que poderei controlar. Além disso, quanto maior a minha maestria, melhor vai ser a defesa dos anéis e sem contar as outras habilidades que ganharia, sendo elas: força gravitacional e os atributos elementais.

Isso seria um aprimoramento enorme na minha força, já que não vou mais ter que me preocupar em perder tempo para poder usar o [Estilo Keiki]. Com os anéis me protegendo vou poder me proteger sempre que estiver me preparando para usar um movimento da minha Arte da Espada principal.

…..

“Huuuuam…”

9:00 da manhã.

Enquanto o brilho branco desaparecia do meu corpo, olhei o horário e estiquei minhas costas, bocejando.

“Acho que já é hora de acordar a Nola.”

Estive treinando sem intervalo por duas horas. Depois de ver o horário sabia que já era hora de acordar minha irmã.

Entrando em casa, primeiro tomei uma ducha antes de ir para o quarto dela.

Não quero fazer a Nola ter que cheirar meu suor fedido.

-Creak!

Abrindo a porta do quarto dela, andei de mansinho até o berço. Observando seu pequeno corpo que dormia tranquilamente abraçado ao urso de pelúcia, sussurrei de leve.

“Nola, é hora de acordar.”

Depois de chamá-la mais algumas vezes e cutucar a bochecha dela, os olhos de Nola lentamente se abriram.

“Hmm… mainho?”

“Sim, é o seu irmão Ren.”

Sorrindo, a peguei no colo e sai do quarto.

Ainda meio avoada por ter acabado de acordar, Nola encostou a cabeça no meu ombro e encarava o chão. Com um sorriso a levei até a cozinha.

Já que tinha que levá-la até o parque fiz ela beber um copo de leite de café da manhã antes de arrumá-la.

Depois de fazer duas Marias Chiquinhas no cabelo dela e fomos até a entrada da casa.

“Estou pronta!”

“Boa, garota!”

Depois de calçar os sapatos, vestindo um vestidinho com estampa de flores, Nola segurou minha mão e me seguiu para fora da casa.

“Então bora.”

“Vamos!”

-Clank!

Fechando a porta atras de mim, nós dois fomos em direção ao parque.

…..

Chegando ao parque os olhos de Nola começaram a brilhar com animação.

Observando o lugar não pude deixar de ficar impressionado com o quão lindo era.

Enquanto o sol iluminava a área toda, no meio do parque tinha um lago enorme onde cisnes e patos nadavam contentes na superfície da água.

Perto do lago, um grupo de crianças brincavam alegremente no parquinho com seus amigos e responsáveis.

No balanço, as crianças soltavam gritos de felicidades conforme seus pais as empurravam.

Olhando para Nola, que tinha os olhos grudados no parquinho, balancei minha cabeça com a reação dela e a guiei naquela direção.

No parquinho tinha diversos brinquedos para as crianças brincarem. Tinham múltiplos balanços, um escorrega enorme e um castelo, que parecia ser o mais famoso entre todos.

Nos arredores, espalhados pela grama verde vibrante e sentados em mantas largas, famílias podiam ser vistas aproveitando o sol e conversando entre si.

“Wow, é você mesmo, Ren?”

“…Hm?”

No meio do caminho para os brinquedos, de repente ouvi alguém chamando meu nome.

Virando minha cabeça na direção da voz, avistei dois indivíduos vindo na minha direção.

Na esquerda, um garoto com cabelos escuros e olhos verdes sorria enquanto olhava para mim. Usava alguns piercings nas orelhas e, juntando com a camisa de grife e as calças justas pretas, consegui dizer rapidamente que, quem quer que seja, ele vinha de uma família relativamente importante.

“Kaka, é você mesmo! Como o tempo passa!”

Ao me ver responder pelo nome e confirmando de que eu era mesmo a pessoa que estava procurando o sorriso do jovem se alargou ainda mais.

Olhando para seu lado o garoto de cabelos compridos apontou na minha direção enquanto chamava a atenção do amigo.

“Olha isso, mano, é o Ren!”

Assentindo com a cabeça indiferente, um indivíduo musculoso e alto usando jeans e um suéter vermelho com um boné preto andou em minha direção devagar.

“…quem são esses?”

Encarando os dois indivíduos se aproximando, inclinei a cabeça para o lado e franzi o cenho.

Quem diabos são eles?

Será que são amigos do Ren?

Julgando pelo quão amigáveis estavam sendo, posso assumir que sim… Mas porque meu coração está sentindo uma leve sensação de desgosto e repulsão?

Enquanto estava pensando sobre os sentimentos que estava sentindo no coração, o garoto de cabelos compridos passou um braço pelo meu pescoço e disse alegremente.

“Como anda a vida hein?!”

“Estou b—”

Porém, antes que pudesse terminar de responder, exercendo uma força equivalente a <Classe G>, o garoto de cabelos longos sussurrou no meu ouvido.

“Me escuta aqui, seu merda. Eu não falei para você não aparecer mais nessa área, porra?!”

Pego de surpresa com a diferença súbita de atitude fiquei sem saber o que falar por um momento.

“…quê?”

“Não me diga que já esqueceu?”

Ao me encarar e interpretar minha expressão com outra coisa o garoto apertou ainda mais seu braço em volta do meu pescoço antes de dizer.

“…Bom, parece que é hora para outra lição, não é?”

Olhando para Nola, que ainda segurava minha mão, soltei um longo suspiro antes de falar.

“Fuuu… espera, aqui não.”

Arqueando a sobrancelha, o jovem sorriu de lado e disse com deboche.

“E quem disse que é você que decide isso?”

Depois de fuzilá-lo com os olhos, olhei para Nola e lembrei que não estava sozinho.

“Não está vendo que estou com a minha irmã?”

Ao ver ela o garoto estalou a língua e tirou o braço de cima de mim e abriu um sorriso debochado.

“Ah… entendi, o irmãozão não quer parecer feio na frente da irmãzinha, né? É melhor rezarmos para que nada aconteça com ela kakaka!”

Ignorando a última parte me agachei para falar com Nola e a olhei nos olhos.

“Nola, você pode fazer um favor pro maninho?”

Depois de observar os dois indivíduos com curiosidade, Nola olhou de volta para mim e respondeu acenando a cabeça.

“Hm.”

Vendo-a concordar com a cabecinha sorri para ela e peguei meu celular. E apontando na direção de um banco, disse.

“Aqui, pega meu celular e me espera naquele banco ali, tudo bem?”

Olhando para o celular e em sinal de negação Nola balançou a cabeça para os lados.

“Nana quer ficar com o maninho.”

“Que tal assim, depois que eu voltar, vamos ir comprar qualquer sorvete ou doce que você quiser, hein?”

“Mesmo!?”

“Mesmo.”

“Tudo bem!”

Balançando a cabeça animadamente, Nola correu até o banco que eu tinha apontado e sentou-se.

Ao ver o quão animada e obediente ela ficou depois da oferta dos doces não pude segurar o sorriso amargo que se formou nos meus lábios.

Crianças são fáceis demais…

“Beleza, bora…”

Depois de ter certeza de que Nola estaria bem, olhei para os meus dois ‘amigos’ e sorri.

“Hehehe, já faz um tempo desde que não nos vemos. Não se preocupe, em compaixão com a sua irmã, vai ser rápido.”

Depois de novamente passar o braço pelo meu pescoço o garoto de cabelos pretos chamou a atenção do amigo, Greg, para segui-los.

Ainda mantendo minha atenção em Nola, quanto mais nos aproximávamos da área isolada do parque mais meu sorriso sumia do meu rosto.

…fazia tempo que não ficava irritado desse jeito.

E pensar que seria intimidado por um bando de Zé Ninguém que nem aparecem na história.

Eu entenderia se fosse na Lock que isso acontecesse, mas aqui não. E outra, aqui não preciso esconder minha força, principalmente contra extras que nem aparecem na história.

Na verdade… estou cansado de ficar na defensiva.

Se ainda estivesse na Lock, as coisas seriam diferentes… Mas aqui não é a Lock.

-Vuam!

“Kh…O quê?”

“Como…?”

Depois de confirmar que ninguém estava olhando, soltei minha pressão de <Classe F>, fazendo ambos os indivíduos sentirem uma pressão enorme os envolver.

-Bam! -Bam!

“Kuuhh…”

“Kukhaah!”

Socando os dois com força no estômago, eles desabaram de joelhos, uma substância ácida esverdeada escapou de suas bocas enquanto seus rostos ficavam brancos como papel.

O único motivo de chegarmos até aqui e não ter acabado com eles na mesma hora foi porque precisava deles. Julgando por como me conheciam, essa seria uma oportunidade de descobrir mais sobre como era a vida do Antigo Ren.

No entanto, já que eles me estressaram, era hora de mostrar quem manda.

Estalando o pescoço me agachei e olhei nos olhos de ambos.

“Vamos acabar logo com isso, está bem…?”

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