Switch Mode

The Author’s POV – Capítulo 78

Galxicus [1]

“Nola, voltei!” 

Acenei sorrindo para Nola de longe e a chamei com a mão. 

“Hm.” 

Balançando a cabecinha, Nola desligou o celular e correu na minha direção. 

“Colinho.” 

Pegando-a no colo sorri para ela e apontei para o parquinho.  

“Vamos para o parquinho?” 

“Sim!” 

Indo em direção aos brinquedos, por mais que estivesse sorrindo, isso era apenas uma fachada para não envolver Nola. 

No momento minha mente estava um completo caos. 

Depois de ter uma ‘simples’ conversa com aqueles dois caras consegui descobrir algumas coisas. 

Primeiro, o nome do garoto de cabelos longos era Simon Perk, e o pai dele era relativamente poderoso dentro de uma guilda de Rank Bronze. E o outro cara, era Greg Topaz, amigo de infância dele e também seu guarda-costas. 

…A razão pela qual conheciam o Antigo Ren era porque os três frequentavam a mesma escola no fundamental II. 

Escola Fermin. 

Uma das melhores escolas do Distrito Norte. 

Porém, pelo que entendi da nossa ‘conversa’, o Antigo Ren era um dos excluídos. 

No passado não era assim, mas depois de alguns acontecimentos ele virou um dos excluídos. Isso provavelmente aconteceu logo depois dele ter sido aceito na Lock.  

Apesar de não conseguir entender o que aconteceu exatamente, porque eles não eram da mesma sala que Ren, ainda assim consegui deduzir que algo tinha acontecido de extrema importância na escola Fermin. 

O que era um bom começo para mim… Agora pelo menos tenho uma certa linha de raciocínio. 

“Maninho?” 

Enquanto estava ocupado ponderando sobre o Antigo Ren, senti um leve puxadinho na minha perna e quando olhei para baixo avistei Nola olhando para os pés com um olhar tristonho. 

“Já cansou?” 

“Hm.” 

Respondendo com um aceno de cabeça, Nola esticou os braços na minha direção. 

11:20 da manhã. 

“Bom, já estava dando a hora mesmo.” 

Verificando o relógio peguei Nola do chão e fui embora do parque. Já era hora de irmos para a guilda. 

As vezes fico pensando em como deve ser fazer parte de uma guilda. 

….. 

“Acho que chegamos.” 

Chegando em frente a um prédio enorme, que tinha por volta 200 metros de altura e uns 80 andares, entrei com Nola no lugar. 

Pelo que meus pais me disseram esse prédio inteiro era usado como base da Guilda Galxicus. 

Embora não fossem donos do edifício eles conseguiram alugar por um preço razoável. 

Parando em frente de um elevador apertei o botão para chamá-lo. Enquanto esperava chegar dei uma olhada rápida ao redor. 

Rodeado de janelas o interior do primeiro andar era iluminado pelo sol no céu. Mármores brancos cobriam o andar inteiro e pessoas entravam e saiam do prédio sem parar. 

Todos pareciam bem ocupados. 

-Ding! 

Entrando no elevador e apertando o botão para o 25° andar, as portas se fecharam e uma leve sensação de empurrão apareceu debaixo dos meus pés. 

-Ding! 

Em questão de segundos o elevador chegou no andar que eu solicitei e as portas se abriram. 

-Clank! 

“Wow…” 

Assim que o elevador se abriu, um mundo totalmente diferente apareceu diante dos meus olhos. 

O vigésimo quinto andar parecia um escritório luxuoso. 

Era extremamente largo, sendo um espaço que poderia acomodar centenas de pessoas ao mesmo tempo. 

A área que estava no momento era a recepção principal da guilda. Os andares superiores eram onde ficavam os escritórios da administração e, os andares de baixo, eram onde ficavam situados as instalações de treinamento para os heróis e outras coisas que eram necessárias para o dia a dia, como: laboratório de poções ou refeitório. 

O chão era coberto por um tapete vermelho e tinha uma enorme tela de TV instalada no lugar, onde passavam notícias do dia a dia e quais dungeons estavam disponíveis no momento. 

No local tinha pessoas vestidas de uniforme de combate seguidas por pessoas com roupas comuns. Provavelmente, são os membros da guilda sendo seguidos por seus secretários.  

E olhando para a cena diante de mim não consegui esconder minha admiração. 

‘Então essa é a guilda dos meus pais, Galxicus…’ 

“Ren!” 

Me acordando dos meus pensamentos escutei a voz alegre da minha mãe. 

“Ren, você chegou bem na ho-“ 

No entanto, quando seus olhos pararam em Nola, ela congelou no meio da sentença. Quanto mais tempo passava mais sua expressão ficava mais séria. 

“Ren.” 

Ao olhar de volta para mim seu olhar tornou-se gélido e toda aquela alegria de antes desapareceu. 

Pego de surpresa pela mudança repentina do humor dela fiquei sem saber como agir e comecei a sentir gotas de suor escorrer por minhas costas. 

Hã? O que aconteceu? E por que parece que minha mãe virou a encarnação do demônio? 

Algo não me cheira bem… 

“Que foi?” 

“…Está me dizendo que não sabe o que fez de errado?” 

O que eu fiz de errado? 

Franzindo o cenho repassei tudo o que aconteceu hoje. Tirando levar Nola para o parque e espancar uns idiotas, não acho que nada seria motivo o suficiente para tal reação. 

Por que ela está tão brava? 

Sigh. 

Ao ver que eu não fazia a mínima ideia do que se tratava, ela apontou para a Nola e falou com um tom mais alto do que o normal. 

“Só olha para o estado da Nola!” 

“Da Nola?” 

Olhando para minha irmã, confuso, não consegui ver nada de errado com ela. Exceto pelo fato de que ambos os bolsos dela estavam cheios de doces e que ela estava segurando um cone de sorvete em cada mão, não vi nada de errado.  

“Santa Maria. O que fiz para merecer isso?” 

Balançando a cabeça com desdém, minha mãe foi até Nola e, exceto por um sorvete, pegou tudo dela. 

Nola até tentou protestar, mas diante da seriedade da mãe a única coisa que podia fazer era olhar na minha direção; o que ignorei e fingi estupidez.  

…Sinto muito. 

Depois de pegar todos os doces, Samantha, minha mãe, segurou a mão de Nola e a apressou para segui-la. 

“Quer saber, esquece. Vamos, vamos encontrar seu pai.” 

“Ok.” 

Assim que estava prestes a seguir minha mãe, o andar inteiro ficou em silêncio antes das pessoas começarem a entrarem em pânico. 

“E-Ele chegou. Todo mundo em posição!”  

Parando tudo que estavam fazendo todo mundo foi em direção ao elevador e fizeram uma reverência. 

-Clank! 

Quando as portas do elevador se abriram, a identidade da pessoa que saiu era o Vice-Presidente da Guilda Galxicus, Martin Lorewik. 

Seu cabelo que batia no ombro tinha as pontas um pouco curvadas e sua barba preta tinha um corte bonito em volta do queixo. A seriedade que a presença dele exalava era similar com a do meu pai, cada passo que ele dava fazia com que os membros das guildas tremessem por completo. 

“…Hmm.” 

Enquanto passava seus olhos parecidos como de uma cobra pelo lugar, o Vice-Líder da Guilda Galxicus, Martin Lorewik, murmurou para si mesmo. 

“Essa guilda está indo direto pro ralo…” 

Sua voz, que era grossa, saiu alta o suficiente para que algumas pessoas ao seu redor conseguissem ouvir. Exibindo uma leve arrogância e um ar de desânimo ele empurrou as pessoas que se amontaram em sua direção. 

Encarando-o na distância, meus olhos semicerraram enquanto o avaliava. 

…De acordo com o relatório que o PequenaCobra me mandou, ele era o responsável que estava liderando os conflitos internos da guilda. Martin era um herói de <Classe D>, sendo um pouco mais fraco que meu pai, e ele foi escolhido pelos investidores da guilda para se tornar Vice-líder. E com o auxílio dos membros da diretoria ele conseguiu convencê-los a deixarem tomar o poder do atual Lider da Guilda: meu pai. 

“…Hm?” 

Ainda analisando o homem não percebi a outra onda de murmúrios que começou quando uma outra figura apareceu por trás dele. 

O jovem rapaz estava usando uma camiseta branca de manga compridas largas e que possuía uma insígnia estranha costurada na parte das costas. Os olhos pretos como obsidiam brilhavam com um certo brilho de sabedoria escondida. 

Com sua pele não tendo nenhuma imperfeição o rosto do garoto era bonito e chamativo. Seus cabelos pretos eram do mesmo cumprimento do pai, igualmente como sua atitude levemente arrogante. 

Seguindo um passo atrás do pai, o jovem olhava para todos com uma postura de superioridade quase como se fosse dono do lugar. 

Enquanto os dois andavam, os olhos de Martin foram em direção ao canto do cômodo onde nós estávamos. Logo, um sorriso se fez presente em seus lábios. 

“Me siga, Alex.” 

Passando pela multidão, Martin e o jovem chamado Alex, logo pararam diante de mim e da minha mãe. 

Olhando para minha mãe Martin sorriu educadamente e disse. 

“É um prazer vê-la por aqui, Samantha.” 

Franzindo o cenho, uma expressão de desgosto apareceu por meros segundos no rosto da minha mãe antes de desaparecer como se nada tivesse acontecido. Sorrindo de volta ela o cumprimentou. 

“Olá, Martin.” 

“Já faz um tempo desde a nossa última conversa…” 

Em seguida, os dois começaram a trocar conversas entre si. Contudo, se alguém não prestasse muita atenção à conversa, não conseguiria perceber todos os significados ocultos por trás das palavras um do outro. 

“Hahaha, meu marido realmente trabalhou duro para construir a guilda desde o começo…” 

“Mas é claro, isso é resultado do quanto eu o ajudei…” 

Enquanto minha mãe ainda conversava com o Martin, o jovem atrás dele andou na minha direção. Depois de me olhar de cima a baixo, um sorriso de lado apareceu em seu rosto. 

“É você, aquele sem talento, que só conseguiu entrar na Lock porque o papai roubou a própria guilda para pagar a entrada do filhinho?” 

Desde o momento que coloquei meus olhos nele eu já sabia… 

Eu sabia que as coisas seriam assim. 

Sorrindo educadamente, respondi. 

“Se está falando do estudante talentoso de <Classe D> que faz parte da Lock, sim, sem dúvida sou eu.” 

“Sério, não consigo entender como alguém como você consegu-“ 

Quando Alex estava prestes a terminar de falar, múrmuros altos ecoaram pelo lugar ao mesmo tempo que as pessoas em volta começaram a abrir caminho. Logo, com uma presença ainda maior que a de Martin, meu pai chegou. 

“Líder!” 

“Lider!” 

“Bom dia, Líder!” 

Cerrando as sobrancelhas, Martin rapidamente abriu um grande sorriso e olhou para Ronald. 

“Ah, Líder, eu estava apenas colocando o papo em dia com a querida Samatha.” 

Acenando com a cabeça na direção de Martin, Ronald o ignorou e olhou para minha mãe. Depois de ter certeza de que ela estava bem, ele olhou na minha direção. 

“Esse é o Ren?” 

Percebendo meu pai olhando para mim, os olhos de Martin brilharam por um momento antes de se aproximar de mim, dando leves tapinhas no meu ombro. 

“Hahaha, há quanto tempo eu não via você hein? Aliás, você já conhe- Oh, parece que sim. Deixe-me apresentá-lo…” 

Apontando para Alex, que estava parado na minha frente, o tom de Martin carregava um leve orgulho enquanto falava. 

“Meu filho, Alex Cloudburn. No momento, ele está frequentando a Escola Noert, a melhor escola do Distrito Norte, e possui um talento de <Classe B>, por isso o escolhi.” 

Enquanto olhava para o meu pai, os olhos de Martin pararam segundos sobre mim ao mesmo tempo que enfatizava sobre o talento de <Classe B>, enquanto introduzia o Alex. 

Observando Alex, que não recuou sobre o olhar dele, meu pai acenou com a cabeça e disse. 

“Realmente é um talento bom que você escolheu.” 

Sorrindo de lado, Martin ergueu as mãos no ar e aumentou seu tom de voz. 

“Bom? Só bom? Estamos falando de um talento <Classe B> aqui, Ronald!” 

Balançando a cabeça em desapontamento, Martin continuou. 

“Eu sei que seu filho está frequentando a Lock, mas o talento dele… ele é de um mundo completamente diferente do Alex.” 

Sem dar a chance do meu pai falar, ele olhou em volta e com uma voz alta, o suficiente para todo mundo ouvir, olhou para o meu pai e disse. 

“Já que está me parecendo que você está mais impressionado com o seu filho do quem com o Alex, por que não deixamos os dois lutarem? Sabe, apenas para demonstrar o quão brilhante será nosso futuro.” 

Olhando ao redor, vi que o ritmo da coisa estava indo a favor do Vice-presidente. 

Não dando a chance do meu pai falar, fez com que o rumo da conversa fosse parar em um duelo entre eu e Alex. 

…O objetivo dele é claro como o dia. 

Se meu pai recusar a reputação dele cairia e o faria aparecer como covarde. E se ele aceitar e eu perdesse miseravelmente sua reputação seria afetada da mesma forma. 

Além do mais, sabendo sobre o Antigo Ren, Martin julgou que seu plano daria certo e por isso agiu. 

…No entanto, ele não sabia de um fator importante. 

“Eu n-“ 

Depois de um longo silêncio, assim que meu pai iria recusar a provocação do Martin, eu puxei a roupa dele e olhei convictamente nos olhos dele. 

“Pai, aceite.” 

“Ren, vo-“ 

Erguendo a mão para parar a minha mãe, meu pai me encarou por um minuto antes de voltar sua atenção para Martin e concordou com a cabeça. 

“Ok, aceitamos.” 

“Hahahahahaha, ótimo! Vamos nos encontrar na arena daqui a meia hora então.”  

Gargalhando alegremente, Martin, olhou pela última vez na nossa direção antes de se despedir e sair com o Alex. 

Assim que ele saiu a multidão a nossa volta se desfez, deixando minha família e eu a sós. 

Voltando sua atenção para mim, meu pai, perguntou com seriedade. 

“Você tem certeza?” 

Sorrindo, assenti com a cabeça. 

“Nunca tive tanta certeza na minha vida…”

Comentários

5 2 votos
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar