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The Author’s POV – Capítulo 86

Passado, Presente e Futuro [2]

“Ah!” 

Abrindo os olhos com tudo, me sentei. 

“Finalmente consigo controlar meu corpo de novo!” 

Não pude evitar de ficar aliviado após passar a mão pelo meu rosto e corpo. Agora conseguia sentir minhas mãos, rosto e cada parte do meu corpo. Todos os sentindo que tinha perdido, agora tinham voltado. 

Não me sentia mais como uma besta enjaulada… 

Finalmente podia me mexer. 

“Hm?” 

Mal tinha terminado de celebrar o controle sobre meu corpo e logo percebi os arredores. 

O que está acontecendo? 

Eu não estava no parque antes? 

Olhando à minha volta, me dei conta que estava na parte de fora do que parecia ser uma creche. 

Observando tudo, pude ver crianças brincando de pega-pega no parquinho e pais que entravam e saiam do local. 

Confuso, me levantei. 

Testei andar em volta, mas depois de três passos, como se uma parede transparente tivesse me impedindo, não conseguia mais sair do lugar. 

“Mas o que é isso?” 

Sendo pego de surpresa por essa parede invisível franzi o cenho. Estendendo a mão para tocar na parede, tentei exercer um pouco de força… mas, não adiantou de nada. 

Fechando ainda mais a cara, coloquei ambas as mãos na parede e empurrei o mais forte que pude. Entretanto, também não adiantou de nada e essa merda nem sequer saiu do lugar. 

Aceitando que não podia mover a parede dei meia volta e fui na direção oposta, porém, acabou resultando na mesma coisa: depois de três passos, uma outra parede me impediu de continuar. 

Perplexo, tentei andar em todas as direções, mas era inútil. A cada três passos que dava, uma parede invisível entrava no meu caminho. 

E, não importava o quão forte as empurrassem, as paredes não se moviam. 

Eu estava preso dentro de um cubo invisível… 

O que caralhos está acontecendo? 

Onde estou? 

O que é esse lugar…? 

Milhares de perguntas surgiam na minha cabeça enquanto buscava uma forma de sair dali. 

…No fim, depois de dez minutos tentando sem parar eu apenas podia me sentar e assistir as crianças brincarem no parquinho. 

Talvez a chave para sair daqui esteja fora do cubo… 

“Hm…?” 

Enquanto observava a creche não pude deixar de focar minha atenção para uma certa área. Mais especificamente para um garotinho que parecia ter uns cinco anos de idade. 

Cabelos castanhos desarrumados e mal-cuidados acompanhado de um olhar opaco. Sentado no balanço do pátio, o garotinho olhava para longe. Parecia esperar que alguém aparecesse para levá-lo para casa. 

Não importando o quanto que tivesse que esperar. 

Ele esperou. 

Contudo, meia hora se passaram e a maioria das crianças foram embora, ninguém veio buscá-lo. 

Ao assistir o garoto ao longe meu coração começou a se apertar e fiquei pensando… 

“Quem é ele?” 

“Aquele é o Matthew…” 

Virando a cabeça com tudo, um garoto de cabelos pretos e olhos azuis surgiu ao meu lado. Encarando ao longe, na direção do garotinho, uma expressão tensa se fez presente em seu rosto. 

“V-Você.” 

Sorrindo na minha direção, o garoto de olhos azuis se apresentou. 

“Prazer em conhecê-lo. Meu nome é Ren.”  

“Quê…Como…” 

Deu branco em mim. Tentava procurar alguma palavra para dizer, mas nada vinha. Por que o Antigo Ren está aqui? Não era para ele estar morto? Ou ele, na verdade, não morreu? 

Minha mente ficou em estado de choque enquanto não conseguia encontrar nenhuma palavra para falar. 

Ele ao menos sabia quem eu era? 

Sorrindo ao ver minha reação, Ren balançou a cabeça. 

“Não precisa se apresentar. Eu estive com você durante esses últimos três meses… assistindo cada passo seu.” 

“O-O quê?” 

Dando de ombros, Ren balançou a cabeça com desdém. 

“Nem me pergunte, também não faço ideia do que está acontecendo… De repente eu estava consciente e assistindo tudo que você fazia, mas sem poder controlar o meu corpo.” 

“Espera, então você estava comigo assistindo tudo, desde o momento que entrei no seu corpo?” 

Sorrindo, Ren assentiu. 

“Sim.” 

Meus olhos se arregalaram. E pensar que tinha alguém me assistindo desde que reencarnei aqui. 

“Mas co-“ 

“Shhiuuu” 

Quando eu iria começar a falar, ele colocou o dedo sobre a minha boca e fez um gesto para eu ficar em silêncio, em seguida apontou para a criança no balanço. 

“…Vamos deixar essa conversa para depois. Está na hora de você aprender sobre o meu passado…” 

“Matthew, você está bem?” 

Assim que o Antigo Ren parou de falar, um garotinho de olhos azuis e cabelo preto se aproximou do Matthew. 

“Estou.” 

Abrindo um sorriso irradiante e concordando com a cabecinha, Matthew manteve seu olhar no portão da creche. 

Cutucando o ombro do moreno, o garotinho de cabelos pretos disse, de forma alegre. 

“Vamos brincar, Matthew!” 

“Mas os meus pais vão chegar daqui a pouco…” 

“Eu sei, vamos só brincar até eles chegarem!” 

“Mas aí, eles vão ficar bravos se eu não tiver pronto na hora.” 

Olhando ao redor, o garotinho de olhos azuis apontou para os balanços e disse. 

“Então vamos brincar aqui no balanço!” 

“Um!” 

Assistindo as duas crianças brincarem nos balanços, voltei minha atenção para o Ren e perguntei. 

“Aquele é você…?” 

Encarando o garotinho de cabelos pretos e olhos azuis brincando com o Matthew, Ren balançou a cabeça brevemente. 

“É…” 

Apontando para a outra criança, de cabelo castanho, franzi o cenho. 

“Aquele é o mesmo garoto que encontrei no parque…?” 

Ao sorrir, um olhar de tristeza apareceu nos olhos do Ren, enquanto olhava para o jovem Matthew. 

“É… e ele era o meu melhor amigo.” 

Sem saber o que falar, só pude olhar para ele em choque. Lembrando o que aconteceu momentos antes de entrar nesse espaço estranho, para mim, o Matthew parecia mais um valentão do que um amigo. 

Como alguém como ele pode ser amigo do Ren…? 

“Melhor amigo?” 

Percebendo o meu olhar perplexo, Ren sorriu, mas não elaborou. 

“Sim…” 

-Vooom! 

No segundo seguinte, enquanto ainda estava em choque, um sedan preto apareceu no estacionamento da escola. 

Ao notar o carro estacionando, Matthew se levantou animado. Logo, as portas do carro se abriram e saíram um casal. 

“Mãe! Pai!” 

-Pa! 

Assim que Matthew chegou a alguns passos de distância do casal, o homem ergueu a mão e deu um tapa no rosto do garoto. 

“…Eu falei para você não correr desse jeito. Você é da elite, deve manter a compostura o tempo todo.” 

Segurando o choro e levando uma das mãos para a bochecha vermelha, Matthew abriu um pequeno sorriso e assentiu com a cabeça. E, mesmo tendo apanhado, ele parecia muito feliz que seus pais tinham vindo buscá-lo. 

“Olha.” 

Pegando algo do bolso, muito animado, o garotinho de cabelos castanhos o entregou para seu pai. Era um desenho que tinha feito na aula que mostrava um homem e uma mulher de mão dadas com uma criança. 

Contudo, assim que seu pai pegou o desenho em mãos… 

-Crrrr 

…ele o amassou e jogou para longe. 

“É isso que você fica fazendo o dia todo? Que perda de tempo.” 

Ele se virou, fez um gesto para que a esposa o acompanhasse, e os dois entraram no carro. 

“Tchau…” 

Vendo os pais entrarem no carro, Matthew discretamente pegou o papel do chão e se juntou a eles. Antes de entrar, ele se virou e acenou para Ren de forma alegre. 

“Tchau, Ren!” 

A cena se encerrou e o mundo foi engolido pela escuridão. 

-Swooosh! 

Ren estendeu a mão à frente, deslizou para a direita e o mundo ao meu redor se transformou. Em seguida, o mundo ao meu redor mudou. 

A creche se tornou uma sala de aula lotada de alunos. 

No momento que iria perguntar para o Ren sobre o que era isso, uma voz familiar me interrompeu. 

“Matthew, o q-que aconteceu?!” 

A figura de Ren apareceu, correndo em direção ao garoto de cabelos castanhos. 

Quando finalmente conseguiu ver o melhor amigo, Ren ofegou em surpresa. 

O rosto do moreno estava todo machucado e, ambos os olhos, estavam roxos. Parecia que tinha acabado de experienciar o inferno. 

Sem contar que não demorou muito para também perceber que o amigo estava mancando enquanto entrava na sala. Pela forma que estava inchada era evidente que a perna estava quebrada. 

…Ele não estava em um bom estado. 

Erguendo a mão, Ren olhou para o professor responsável da aula e falou. 

“Professor, o Matthew precisa ir para a enfermaria imediatamente.” 

O professor, depois de olhar para o estado acabado do Matthew por um instante, apenas negou com a cabeça indiferente. 

“Ele parece bem para mim…” 

Os olhos do Ren se arregalaram e sua voz, subiu alguns níveis de tom. 

“Como que, em sã consciência, ele parece bem para você!” 

Franzindo o cenho, o professor abaixou o livro que segurava e disse com um tom neutro. 

“Estudante Ren Dover, depois da escola você irá receber uma detenção por desrespeitar o professor…” 

“Mas q-“ 

Agarrando o braço do amigo, Matthew tossiu algumas vezes e balançou a cabeça. 

“Cough…Cough…Eu estou bem.” 

“M-Mas!” 

Com um sorriso leve, Matthew sentou-se na cadeira. 

“Está tudo bem, eles são muito medrosos para enfurecer o meu pai…cough.” 

-Swooosh! 

Novamente, o cenário mudou, porém a sala permaneceu a mesma com apenas os alunos ficando mais velhos. 

“Você soube?” 

“Parece que a mãe do Matthew morreu em um acidente.” 

“A vida dele já era miserável antes, mas agora… parece que ele nem quer mais continuar vivendo.” 

Todos os alunos cochichavam entre si e olhavam para o canto da sala onde ficava o lugar do indivíduo mencionado. 

“Você está bem, M-Matthew?” 

Se aproximando dele, Ren sentou-se do seu lado. No entanto, mesmo fazendo de tudo para chamar sua atenção, os olhos do moreno se mantiveram opacos o tempo todo. 

Sua pele e lábios estavam secos e seus cabelos estavam bagunçados… 

Parecia como se tivesse desistido da vida… 

“Matthew?” 

Depois de chamar o nome do amigo mais uma vez, os olhos de Matthew recuperaram um pouco da clareza quando ele olhou para o Ren. 

“Ah… Ren.” 

“Está tudo bem?” 

Depois de uma pequena pausa, Matthew sorriu levemente e disse. 

“…É, estou.” 

-Ding! -Dong! 

Assim que o sinal tocou, sinalizando o final das aulas, o moreno pegou a mochila e saiu da sala. 

Seguindo o Matthew, Ren tentou ter certeza de que o amigo não trombaria em ninguém. 

Ele estava muito preocupado com o amigo, porque pelo jeito que andava, Matthew parecia mais um zumbi… 

Quando chegaram na entrada da escola, Matthew encarou o Ren e se despediu entrando em um sedan preto. 

Enquanto acenava em despedida para o amigo de olhos azuis, uma lágrima escorreu pela bochecha direita do Matthew. Por ter sido tão sutil, ninguém teria percebido se não estivesse prestando atenção. 

“Tchau, Ren.” 

Dentro do cubo invisível e assistindo o outro entrar no carro, a expressão de Ren se contorceu enquanto sussurrava. 

“Eu gostaria de tê-lo impedido naquele dia… desde aquele dia, o Matthew que eu conhecia morreu.”

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