Embora Arcádia tenha contra-atacado com sucesso o ataque de Luxion, ele não saiu completamente ileso. Um forte tremor percorreu toda a fortaleza, acionando sirenes de alerta pelos corredores e causando alvoroço na sala de comando, enquanto a defesa contra a explosão consumia uma quantidade significativa de energia. Nos monitores, Moritz observava Luxion afundar nas ondas, seus punhos tremendo apoiados nos braços da cadeira, incapaz de relaxar mesmo após o impacto aparentemente decisivo.
“Dispare outra rajada! Certifique-se de que ele caia!”
Para Moritz, não importava que Luxion já tivesse sido perfurado e engolido pelo oceano — aquilo ainda não era suficiente para garantir a vitória. Arcádia, no entanto, respondeu com cautela, explicando que já haviam utilizado grande parte da energia acumulada e que seria arriscado drenar ainda mais suas reservas enquanto ainda havia inimigos de IA no campo de batalha. Diante disso, Moritz cerrou os dentes, frustrado, mas incapaz de contestar totalmente aquela lógica.
Arcádia havia canalizado praticamente toda sua energia naquele ataque, uma decisão estratégica que, ao menos, removeu Luxion do combate direto. Ainda assim, a sensação de Moritz não era de alívio, mas de estranhamento; tudo parecia simples demais, anticlimático até, considerando o quanto haviam sido alertados sobre Leon.
“Foi só isso? Essa batalha vai terminar assim?”
Arcádia respondeu friamente, afirmando que Moritz havia superestimado o armamento da velha humanidade. Luxion era, de fato, um oponente formidável, mas ainda assim não passava de uma nave migratória — algo incapaz de derrotar uma fortaleza como a dele. Ao ouvir isso, Moritz afundou na cadeira e soltou um longo suspiro, aceitando que talvez o desfecho fosse realmente aquele.
“Então… só resta acabar com eles.”
Sem Leon e com Luxion aparentemente fora de combate, o restante do exército real perderia rapidamente o moral. Arcádia então declarou, com uma excitação inquietante, que cuidaria pessoalmente do extermínio dos civis, prometendo eliminar todos os descendentes da velha humanidade, não importava onde estivessem escondidos. A frieza daquela declaração fez um arrepio percorrer a espinha de Moritz, mas ele sabia que não podia se dar ao luxo de hesitar.
“Isso sela tudo. A vitória é nossa.”
Criaturas Demoníacas presentes começaram a relatar o estado da fortaleza, apontando que o escudo havia sido levado ao limite, que a barreira estava enfraquecida e que os sistemas internos haviam sido sobrecarregados, exigindo tempo para recuperação. Mesmo Arcádia demonstrou desagrado ao perceber que o ataque de Luxion havia causado mais dano do que esperava — algo que só foi possível porque ele ainda não estava em pleno funcionamento após despertar.
Moritz rapidamente se recompôs. Não podemos baixar a guarda até o fim, pensou, voltando sua atenção ao monitor que exibia toda a frota inimiga. Como não era seguro utilizar novamente o canhão principal naquele momento, decidiu deixar o restante da batalha nas mãos de suas tropas.
“Enviem todos os Cavaleiros Demoníacos. Quero que destruam o inimigo e encerrem essa batalha.”
Um general confirmou que, no estado atual, o exército real não teria qualquer chance contra as unidades de elite do império. Ainda assim, Moritz interrompeu, ordenando que Finn permanecesse de prontidão, decisão que gerou estranhamento imediato entre os presentes.
“Você não vai enviar o primeiro assento?”
Arcádia respondeu em seu lugar, afirmando que Finn era o favorito da Princesa Imperial Miliaris e que não havia necessidade de preocupá-la. A justificativa era absurda, mas ninguém contestou — não quando a vitória parecia garantida. Ainda assim, Moritz murmurou que Finn serviria como um seguro caso algo desse errado.
***
Dentro de uma sala reservada em Arcádia, onde os Cavaleiros Demoníacos aguardavam ordens, Finn permanecia sentado em silêncio, braços cruzados, enquanto Brave tentava quebrar o clima pesado com um tom mais leve. Ele comentou que os superiores eram tolos por não enviarem Finn para o campo, afirmando que, com ele, tudo acabaria rapidamente. Finn respondeu de forma breve, demonstrando pouco interesse na conversa.
Brave continuou tentando animá-lo, sugerindo que talvez fosse melhor assim, já que ele não precisaria enfrentar Leon diretamente. Finn pediu desculpas por preocupá-lo, e os dois trocaram uma breve interação que revelou a familiaridade entre eles, com Brave reclamando do apelido que ainda recebia.
A porta então se abriu abruptamente, e Mia entrou acompanhada por suas criadas e várias Criaturas Demoníacas encarregadas de protegê-la. Ao ver Finn, seu rosto imediatamente se iluminou, substituindo a preocupação por um sorriso sincero.
“Senhor Cavaleiro!”
Finn se levantou e se curvou, surpreso com sua presença, enquanto Mia demonstrava um misto de alegria e ansiedade. Percebendo o que ela queria, ele pediu para falar a sós com ela, mas as criadas recusaram imediatamente, alegando que não podiam deixá-la sozinha com um homem, enquanto as Criaturas Demoníacas também se opuseram por puro apego à sua proteção.
Sem saber como lidar com a situação, Finn hesitou — até que Brave interveio de forma direta, expulsando todos da sala sob ameaça de perder o controle. Diante disso, tanto as criadas quanto as criaturas recuaram, deixando-os finalmente sozinhos.
Sentados lado a lado, Finn perguntou por que Mia havia vindo, agora falando de maneira mais natural. Ela, por sua vez, revelou que não queria que ele lutasse, afirmando que toda aquela guerra era um erro e que era cruel que alguns precisassem destruir outros para que tudo acabasse. Suas palavras eram ingênuas, idealistas — mas genuínas.
Finn sorriu levemente, lembrando-se de sua irmã mais nova de sua vida passada, alguém que compartilhava daquela mesma inocência. Ele quase repetiu a explicação de sempre — que não havia escolha —, mas conteve-se no último instante. Em vez disso, disse que ela não precisava carregar aquele peso, pois ele, o rei e os demais assumiriam esse pecado até o fim de suas vidas.
Mia, no entanto, percebeu algo diferente em seu tom. Segurando suas roupas, perguntou por que parecia que ele pretendia deixá-la para trás, lembrando-o da promessa de protegê-la. Finn respondeu com um sorriso gentil, afastando suas mãos e segurando-as com cuidado, explicando que não podia fugir de sua responsabilidade e que seu dever era garantir um mundo onde ela pudesse viver livremente.
“Eu vou proteger você.”
Com os olhos marejados, Mia pediu que ele ao menos prometesse voltar, não importava o que acontecesse. Finn começou a responder — “Sim, eu—” Mas foi interrompido por Brave, que de repente percebeu algo acima deles, seu tom carregado de urgência.
***
Na sala de comando, o caos se instalava novamente. Um objeto vinha em alta velocidade de fora da atmosfera, descendo diretamente em direção à fortaleza. Ao ouvir o relatório, Moritz saltou da cadeira, incapaz de conter o choque.
Arcádia, ao perceber o que estava acontecendo, estreitou os olhos com irritação, enquanto o monitor exibia um borrão se aproximando rapidamente — algo que correspondia aos dados do Parceiro. Quando Moritz reconheceu que se tratava do navio do arquiduque Bartfort, o pânico se espalhou pela sala, já que ninguém havia previsto um ataque daquele tipo.
“Trajetória confirmada. Rota de colisão com Arcádia.”
Arcádia reagiu com desprezo, classificando aquilo como uma tática kamikaze típica das máquinas da velha humanidade. Ainda assim, rapidamente avaliou a situação e decidiu concentrar energia na área de impacto de sua barreira, tornando-a mais espessa naquele ponto específico, mesmo que isso enfraquecesse o restante da defesa.
Ao mesmo tempo, preparou um disparo de seu canhão principal, formando uma esfera de energia negro-avermelhada acima de si. Assim que tudo estava pronto, ordenou o disparo. O feixe subiu em direção ao Parceiro, atingindo-o antes que pudesse desviar completamente e arrancando parte de sua estrutura.
Sem metade do corpo, o navio desacelerou drasticamente, tornando improvável que conseguisse atingir seu alvo com força suficiente. Arcádia observou com um sorriso satisfeito, comentando que, ao contrário do que esperava, o navio não estava carregado com explosivos.
Moritz, que inicialmente havia se sentido aliviado, logo franziu a testa ao perceber a real intenção por trás do movimento.
“Então… isso tudo foi uma distração.”
O arquiduque Bartfort havia planejado muito mais do que aparentava.
O Parceiro avançou em alta velocidade, envolto em chamas, aproximando-se cada vez mais da fortaleza enquanto Arcádia tentava reposicionar sua estrutura para evitar o impacto direto. No entanto, a IA do navio corrigia continuamente sua trajetória, mantendo o curso fixo no alvo como se ignorasse completamente qualquer tentativa de evasão. Arcádia, confiante, exibiu um sorriso satisfeito ao afirmar que, mesmo que o ataque acertasse, não seria suficiente para derrubá-lo, declarando a vitória como inevitável diante da inferioridade das máquinas inimigas.
O impacto veio logo em seguida. O Parceiro colidiu com a barreira de Arcádia, seu corpo sendo esmagado e desintegrado em uma explosão intensa que espalhou destroços em todas as direções antes de cair lentamente no mar. Dentro da fortaleza, apenas um leve tremor foi sentido, nada comparado ao que se esperava de um ataque daquele porte, e o alívio se espalhou pela sala de comando. Moritz rapidamente retomou o controle, exigindo relatórios imediatos da situação enquanto seus subordinados confirmavam que não havia danos estruturais — embora a barreira mágica tivesse sido completamente consumida no processo.
Arcádia, no entanto, ignorou os relatórios e caiu em uma gargalhada maníaca, ridicularizando as máquinas por sua tentativa falha. Ele afirmou que, se realmente quisessem derrubá-lo, deveriam ter lançado um ataque coordenado vindo de fora da atmosfera, insinuando que aquele plano era apenas um recurso desesperado. Ainda assim, mesmo enquanto zombava, era evidente que aquele ataque havia sido mais perigoso do que ele gostaria de admitir.
“Vocês nunca tiveram chance de vencer.”
Moritz enxugou o suor da testa, refletindo que, apesar do sucesso, aquele ataque havia sido suficiente para deixá-lo inquieto. Com o Parceiro destruído e Luxion aparentemente fora de combate, tudo indicava que a ameaça havia sido neutralizada — até que um pensamento o fez congelar. Ainda havia um terceiro navio.
“O Einhorn… onde está o Einhorn?”
O alerta veio tarde. Arcádia interrompeu sua risada ao perceber algo se aproximando rapidamente pela retaguarda, sua voz carregada de tensão ao identificar o objeto que avançava direto contra eles. Era o Einhorn.
***
Dentro da cabine do Arroganz, a pressão era quase insuportável. A força da aceleração esmagava meu corpo contra o assento, tornando cada movimento difícil, mas o desconforto físico era o menor dos meus problemas naquele momento. O plano inteiro dependia daquele ataque surpresa — e, se falhasse, tudo estaria perdido.
“Pelo amor de tudo, não deixe isso dar errado… senão eu vou parecer um completo idiota.”
O Einhorn havia se separado da frota e feito um longo desvio pelo campo de batalha para atacar pela retaguarda, e agora avançava com todos os propulsores ativados, impulsionado ao limite. Luxion, como sempre, respondeu de forma irritantemente calma, afirmando que já havia reduzido ao máximo o impacto gravitacional — algo difícil de acreditar diante da pressão esmagadora que eu sentia.
“Isso é o melhor que dá para fazer.”
Ele então compartilhou os dados atualizados: segundo Cleare e Fact, Arcádia já não possuía mais capacidade ofensiva suficiente para nos impedir. Aquela era exatamente a intenção do plano — desgastar completamente o inimigo antes do golpe final. Ao ouvir isso, não consegui evitar um sorriso, mesmo com a dor.
“Parece que valeu a pena sacrificar o Parceiro.”
Luxion confirmou, afirmando que o navio havia cumprido sua missão final com sucesso e que agora era nossa vez de concluir o trabalho. Pedi, mesmo sabendo que era impossível, que ele tornasse a aproximação o mais segura possível, e ele respondeu que faria o seu melhor — o que, vindo dele, nunca soava muito confiável.
Mordi o bocal preparado para evitar que eu machucasse a língua, enquanto Luxion iniciava a contagem regressiva. O navio tremia violentamente com o calor e a pressão da aproximação, cada segundo parecendo uma eternidade.
“Dez segundos… cinco… quatro… três…”
***
Na retaguarda de Arcádia, o exército imperial reagiu imediatamente, disparando contra o Einhorn enquanto monstros se reuniam para formar uma barreira viva. No entanto, nada foi capaz de retardar o avanço da nave, que atravessou as defesas como se não existissem, ignorando completamente os ataques que recebia. Arcádia, furioso, não conseguia esconder sua indignação diante daquela investida.
Moritz observava tudo com atenção, percebendo finalmente a estratégia completa. O ataque de Luxion e o sacrifício do Parceiro haviam sido apenas distrações — o verdadeiro golpe vinha agora, em uma investida coordenada em três frentes.
O Einhorn, com seu característico chifre na proa, lançou centenas de mísseis que varreram os monstros ao redor, enquanto o fogo de retorno afundava vários navios imperiais. A tentativa de detê-lo falhou completamente, e, diante disso, Moritz manteve a postura firme, ordenando que todos se preparassem para o impacto iminente.
O choque foi violento. Muito mais intenso do que qualquer tremor anterior.
Arcádia rugiu de fúria, sua expressão distorcida pela raiva ao ver sua vantagem absoluta começar a ruir diante daquele ataque inesperado. Pela primeira vez, o resultado da batalha deixou de ser certo.
Moritz, ao contrário, aceitou aquele novo cenário. Se aquela luta fosse decidida em um confronto direto, então que fosse até o fim. Quem sobrevivesse governaria o mundo. Era melhor assim — melhor do que uma vitória manchada apenas pelo massacre de civis indefesos.
A sala de comando mergulhou em confusão, mas Moritz rapidamente retomou o controle, ordenando que o exército continuasse avançando e que os Cavaleiros Demoníacos retornassem imediatamente para lidar com a nova ameaça. O impacto do Einhorn havia criado uma abertura — e intrusos já começavam a explorar essa brecha.
Arcádia voltou sua atenção para os invasores, sua voz carregada de fúria ao perceber que sua fortaleza havia sido violada. Entre eles, uma armadura se destacava — Arroganz — acompanhada por outras unidades e um enxame de drones que avançavam pelo interior da estrutura.
Arroganz parou diante de uma câmera e apontou seu rifle diretamente para ela. A transmissão captou a voz de Leon, clara e provocativa, ecoando pela sala de comando.
“Olá, Império da Magia Sagrada de Vordenoit… e um olá especial para o homem responsável por essa guerra.”
A câmera foi destruída logo em seguida, mas sua voz continuou sendo transmitida.
“Majestade Imperial… seu pedaço de lixo.”
Os oficiais reagiram com fúria imediata, indignados com a afronta, mas Moritz apenas riu, genuinamente entretido pela ousadia. Para ele, não era ofensa — era algo quase admirável.
“Ele é tão rude quanto disseram…”
Logo em seguida, sua expressão voltou a endurecer.
“Vamos dar as boas-vindas aos nossos convidados.”
Enquanto isso, Arcádia tremia de raiva, jurando fazer Leon sofrer por invadir sua fortaleza — mas sua fúria rapidamente se transformou em preocupação ao lembrar da presença da princesa. Ordenou imediatamente que enviassem guardas para protegê-la, revelando pela primeira vez um traço claro de ansiedade.
Moritz suspirou, cansado das oscilações da criatura, enquanto apertava a bengala em suas mãos. Em silêncio, fez sua própria promessa: venceria aquela batalha, assumiria toda a culpa… e então buscaria respostas para a traição que havia levado tudo até aquele ponto.