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Shadow Slave – Capítulo 3180

Rastejo da Dúvida

Traduzido usando Inteligência Artificial



Se havia uma coisa que ele sabia, era que grandes feitos não podiam ser realizados sozinho. Até mesmo os grandes deuses haviam se unido para combater o Vazio — então como meros mortais como ele poderiam esperar carregar o fardo da mudança por conta própria?

Assim, sendo usado como uma ferramenta pelo pai e desprezado pelos irmãos, ele suportou o escárnio deles e partiu em segredo em busca de aliados confiáveis.

A princípio, encontrou aqueles poucos entre os oficiais que ainda não haviam abandonado sua honra. Com a ajuda deles, estabeleceu uma pequena rede oculta de agentes e informantes. E quando informações de todos os cantos do reino começaram a fluir para seu modesto pátio, ele identificou aqueles que poderiam ajudá-lo a mobilizar o povo e deter o tirano, seu pai.

Afinal, o povo não era cego à injustiça, e a força não era concedida exclusivamente aos nobres. Havia entre o povo comum aqueles que possuíam grande poder e sentiam o mesmo que ele — que queriam ajudar seu reino, mas não tinham nenhum recurso à disposição.

Ele os abordou em segredo, mas com um coração sincero. E, talvez tocados por sua sinceridade, eles concordaram em se juntar a ele.

Havia um guerreiro que caçava as Criaturas da Corrupção nas montanhas para proteger as pessoas.

Havia uma bela e bondosa sacerdotisa do Deus do Coração que confortava aqueles que sofriam.

Havia um sábio erudito que vivia no exílio, após ter sido afastado da corte…

E muitos outros.

Ele os reuniu, conquistou o apoio do povo e fez o possível para proteger o reino das atrocidades cometidas pelos nobres corruptos.

E, quando chegou o momento certo, ergueu-se em rebelião contra o rei.

A revolta foi rápida, mas sangrenta — não poderia ter sido pacífica, por mais que ele desejasse que fosse. Muitos de seus camaradas e companheiros perderam a vida, e houve momentos em que pareceu que todos pereceriam. Mas ele nunca perdeu a fé em sua causa. Também nunca perdeu a compostura, liderando os rebeldes com a mente clara e a mão firme.

No fim, o desespero deles se transformou em triunfo. Eles venceram — não apenas porque sua causa era virtuosa, mas também porque seu adversário era corrupto. No fim, o rei só pôde contar com os príncipes para reprimir a rebelião, mas os príncipes não eram leais a ninguém além de si mesmos. Em segredo, voltaram-se uns contra os outros e, no fim, nem mesmo o rei conseguiu se salvar da traição dos próprios filhos.

O mais fraco entre eles — o Príncipe Herdeiro, a quem todos desprezavam — foi o único vencedor no fim. Com o tirano morto e os nobres corruptos expurgados, seus camaradas se curvaram enquanto lhe imploravam que tomasse o trono.

Assim, ele se tornou rei.

Sentado no trono e sentindo o peso da coroa pressionando-o, ele experimentou uma amarga sensação de ironia. Nunca quis governar, e tampouco quis derramar sangue. Mas, no fim, aquele era seu destino…

Talvez esse fosse o único tipo de governante capaz de ser bom — alguém que não queria a coroa, mas foi forçado a colocá-la pelo bem dos outros.

A rebelião, a coroação — tudo aquilo não passava de um meio para um fim. Seu verdadeiro objetivo era aliviar o sofrimento de seu povo e, portanto, agora era a hora de seu verdadeiro trabalho começar.

Tendo se tornado rei, governou da melhor forma que pôde. Governou com sabedoria e tendo em mente o bem-estar de seus súditos. Seus antigos companheiros se tornaram os pilares do reino e, por muito tempo, a vida foi boa.

Naturalmente, havia problemas. Havia Criaturas da Corrupção escondidas na escuridão, havia calamidades naturais. Havia reinos vizinhos que olhavam com ganância para aquilo que os outros possuíam. Mas, com um governante sábio e campeões poderosos, seu reino resistiu a todas as tempestades.

Com o tempo, casou-se com sua companheira mais querida, a abençoada sacerdotisa do Deus do Coração. O sábio erudito era seu conselheiro mais confiável. O poderoso guerreiro era seu general e o líder dos defensores do reino. Tudo parecia estar indo bem…

Até que, um dia, um verme de dúvida encontrou caminho até sua mente.

Começou de forma inocente. Ele costumava ter confiança em suas decisões, mas, em algum momento, começou a se perguntar se estava dando o melhor de si. Afinal, uma única escolha errada poderia condenar incontáveis pessoas — por isso, era apenas natural que quisesse ser o mais diligente possível.

Mas, assim que começou a duvidar de si mesmo, não demorou para que começasse a duvidar dos outros também.

Afinal… se ele estivesse enganado, se algumas de suas decisões não beneficiassem o reino, então por que todos permaneciam em silêncio?

Ele não tinha conselheiros, súditos leais e amigos? Eles não deveriam ajudá-lo a manter o reino no rumo certo?

Ele se tornou indeciso, frequentemente exibindo uma expressão perturbada.

A dúvida sussurrou insidiosamente em seu ouvido.

‘Por que ninguém se manifestou?’

Seu velho camarada, o erudito instruído. Sua sábia e gentil esposa. Seu amigo, o destemido guerreiro… por que haviam ignorado todos os seus erros?

Seria simplesmente porque não os haviam percebido? A fé deles nele era forte demais?

Ou será que não se importavam?

…Ou havia outra razão, mais sinistra?

Foi assim que ele começou a duvidar até mesmo daqueles que lhe eram mais próximos. E, assim que começou a duvidar deles, passou a enxergar coisas que antes não havia notado.

Sua esposa não ria com entusiasmo demais ao conversar com o poderoso guerreiro? O guerreiro não ficava perto demais dela, e não olhava para ela com frequência demais?

‘Não, não pode ser…’

Mas e se fosse?

O erudito não estava sugerindo reformas um pouco ousadas demais, um pouco vagas demais em sua implementação? Coisas que, isoladamente, pareciam inocentes, mas que, reunidas, pintavam um quadro perigoso?

Como conceder mais independência aos guerreiros do reino. Claro, isso aumentaria sua capacidade de agir rapidamente… mas também não daria ao líder deles mais controle sobre o reino, enquanto retirava autoridade da coroa?

‘Claro que não. E mesmo que dê? Confio implicitamente em meu amigo, então que importância tem quanto controle ele possui?’

Implicitamente…

Mas por que ele precisaria ter autoridade independente?

O poderoso guerreiro também não confiava implicitamente em seu amigo, o rei?

Suas dúvidas se aprofundaram.

Depois de algum tempo, ele se tornou quieto e retraído. Observava aqueles ao seu redor e, quanto mais olhava, mais as ações deles fortaleciam sua dúvida.

Até que sua dúvida se transformou em suspeita.

Ele suspeitava que a rainha nutria um amor secreto pelo guerreiro.

Suspeitava que o guerreiro queria a coroa para si.

Suspeitava que seu conselheiro estava astutamente tentando desencaminhá-lo.

Os oficiais da corte, as criadas, os soldados, os sacerdotes…

Ele não podia confiar em nenhum deles.

Todos queriam vê-lo desaparecer.

‘Que triste.’

Dominado por sua suspeita, o rei sentia o coração partido e estava tomado por um amargo arrependimento.

Ele havia derramado o sangue de seus irmãos para salvar o reino da ganância da nobreza corrupta e do tirano enlouquecido — daqueles cujos corações haviam sido corrompidos pelo poder. Mas agora que seus camaradas haviam provado do poder, pareciam ter sucumbido à tentação também. Então, o que ele deveria fazer?

Defender o reino daquela corrupção? Mas como?

E assim, começou a fazer coisas que jamais imaginara que faria. Aquilo era tão estranho e repulsivo, na verdade, que às vezes sentia como se não fosse ele quem estivesse agindo — como se seu corpo se movesse sozinho, seus lábios se curvassem por conta própria em um sorriso e as palavras que pronunciava viessem de outra pessoa.

De alguém astuto, paciente e infinitamente malévolo quando precisava ser. Ele começou manipulando sutilmente aqueles ao seu redor, assim como certa vez havia manipulado o pai. Incutiu dúvida neles, depois os colocou uns contra os outros, fazendo-os acreditar que intrigas e conspirações estavam por toda parte.

Lentamente, a atmosfera da corte mudou. A harmonia de antes desapareceu, substituída por tensão e hostilidade. Ele usou essa hostilidade para reprimir as iniciativas sugeridas por seu velho amigo, o sábio erudito, puxando os fios por trás da cortina para fazer parecer que eram os oficiais que se erguiam contra elas, e não ele.

“Eu simplesmente não entendo.” o erudito certa vez lhe disse, cheio de frustração. “É como se todos eles tivessem perdido a cabeça!”

O rei sorriu de maneira tranquilizadora, oferecendo-lhe uma mão compassiva.

Prometeu descobrir quem estava colocando a corte contra seu conselheiro mais leal. Mas, em segredo, começou os preparativos para banir o erudito da corte.

Então, voltou seu olhar para o guerreiro.

Seu maior campeão possuía muito mais poder marcial do que ele próprio. Portanto, não poderia lidar diretamente com o desprezível traidor… em vez disso, recorreu a meios desonestos para iniciar um conflito com um reino vizinho. A batalha acabou sendo vencida, e o adversário foi forçado a entregar um tributo considerável.

Mas, no processo, seu general foi gravemente ferido, diminuindo sua temível força.

Alguns soldados morreram no processo, assim como algumas pessoas inocentes. Mas o que podia ser feito? Suas vidas eram um sacrifício necessário pelo futuro do reino.

“Essa história toda cheira mal,” disse o guerreiro, recuperando-se de seus ferimentos no palácio. “Nunca conseguimos encontrar os bastardos que incendiaram a aldeia da fronteira. Será que havia outra pessoa por trás do ataque?”

O rei assumiu uma expressão de preocupação sombria.

“Se for assim… então foi alguém que queria colocar nossos dois reinos um contra o outro e se beneficiar do conflito. Precisamos permanecer vigilantes caso essas forças sinistras façam outro movimento.”

Enquanto o guerreiro se recuperava, a rainha cuidava dele — afinal, ela era uma sacerdotisa do Deus do Coração, além de sua antiga camarada.

Ainda assim… havia mesmo necessidade de a rainha desempenhar pessoalmente o papel de curandeira?

O rei observava em silêncio, uma escuridão sombria e cruel criando raízes em seu coração.

A rainha era amada pelo povo, e somente o amor deles já lhe concedia poder e influência. Por isso, ele tomou precauções para minar essa influência.

Lidar com ela foi o mais fácil de tudo — afinal, apesar de todas as suas virtudes, a rainha possuía uma fraqueza fatal. Ela não conseguiu lhe dar um herdeiro. Então, ele espalhou um boato de que a rainha era estéril, incitando alguns oficiais da corte a exigir que ele tomasse uma segunda esposa.

Naturalmente, ele os repreendeu em público…

Mas o estrago já estava feito.

A influência da rainha foi abalada.

“Aquelas cobras cruéis!” a rainha suplicou, ao mesmo tempo furiosa e magoada. ‘Como… como ousam!”

Ele a envolveu em um abraço amoroso.

“Shh, meu amor. Não dê ouvidos a esses tolos. Você é a única para mim — você sabe disso, para sempre…”

Desse modo, todos aqueles que ameaçavam sua posição foram reprimidos. Se quisesse se livrar deles, tudo o que precisava fazer era alterar sutilmente o clima da corte. Poderia banir o erudito; poderia destituir o guerreiro de seu posto. Poderia substituir a rainha por uma nova esposa, enviando-a para passar o resto da vida no templo do Deus do Coração.

Ele estava seguro… e, portanto, o reino estava seguro.

Mas, apesar disso, suas dúvidas não desapareceram.

Apenas se tornaram mais fortes.

Afinal… por que mandaria o erudito embora? Por que destituiria o guerreiro? Por que deixaria a rainha traiçoeira partir?

Para que pudessem se unir e conspirar contra ele juntos, assim como haviam feito no passado?

E quanto aos oficiais da corte, que escondiam ganância e ambição por trás de máscaras de lealdade?

E quanto às criadas, aos soldados, aos sacerdotes?

Todos eles… todos eles…

Todos conspiravam contra ele.

Todos esperavam pelo momento de derrubá-lo.

Os soldados lançavam olhares para ele quando pensavam que não podia ver, escondendo rosnados cruéis. Os oficiais da corte sussurravam em corredores escuros, discutindo planos traiçoeiros. As criadas o observavam como falcões enquanto lhe serviam comida, como se estivessem escolhendo qual prato envenenar. Os sacerdotes manipulavam a mente do povo, escondendo suas ambições por trás dos nomes dos deuses.

Seus antigos amigos eram os piores de todos.

Eram todos traidores…

Todos queriam vê-lo desaparecer.

Então, ele fez o que precisava ser feito para se proteger.

Em uma escura noite de inverno, ordenou que os portões do castelo fossem trancados. Os soldados pareceram confusos com a ordem, mas a obedeceram mesmo assim — ele os matou assim que os portões foram baixados, destruindo o mecanismo que permitiria a alguém erguê-los novamente.

Então, dirigiu-se aos seus aposentos.

A rainha ainda estava acordada, então sorriu quando ele se sentou na cama ao lado dela e estendeu os braços para abraçá-la.

Seu sorriso vacilou quando as mãos dele se fecharam ao redor de seu pescoço.

“M-meu… meu rei!”

Ele retribuiu o sorriso enquanto estrangulava a traidora, dominando facilmente suas tentativas de se libertar.

Era peculiar, porém… a rainha era de um Rank superior ao dele, então deveria ter sido capaz de sobrepujá-lo. No entanto, uma força terrível tomou conta dele, transformando seu aperto em um torno de ferro. Não importava o quanto ela se debatesse, tudo era inútil.

Devia ser a virtude que o auxiliava, enquanto a própria força dela era roubada pela traição.

“Meu… m—meu rei…”

Quando a rainha morreu, ele finalmente sentiu parte de sua dúvida diminuir.

‘Ah…’

Deveria ter feito isso muito tempo atrás. Deveria ter matado todos eles.

E assim, fez exatamente isso.

Seu amigo, o guerreiro, ainda estava fraco por causa dos ferimentos. Portanto, não foi tão difícil cortá-lo em pedaços com uma lâmina afiada.

O erudito supostamente era sábio, e ainda assim falhou em prever o momento de sua morte. Quando seu cadáver caiu no chão, o crânio partido, o rei sorriu.

“Traidores, traidores…”

Havia traidores por toda parte.

E assim, matou todos eles — os soldados, as criadas, os oficiais, os sacerdotes.

Durante as horas mais sombrias da noite, o castelo ficou repleto de gritos de terror. Alguns tentaram fugir, outros tentaram resistir… mas todos morreram, no fim. Isso porque ele subitamente estava cheio de um poder terrível e insuperável.

Quando todos estavam mortos, ele permaneceu no meio da sala do trono, coberto de sangue.

Estava rindo… rindo de alívio.

‘Ah, certo. Ainda resta mais um traidor…’

Havia mais uma pessoa de quem ele duvidava. Então, ergueu a lâmina e a desceu sobre a própria cabeça, partindo-a.

Sangue jorrou do ferimento.

Algo mais também escorreu de dentro dela…

‘O que é isso?’

Era seda.

Uma bela seda negra se derramou pelo chão, o sangue reluzindo em seus fios delicados como joias. Então, algo se moveu dentro de sua cabeça, e uma criatura de tirar o fôlego emergiu. Abrindo as asas e sacudindo delas o sangue, os fragmentos de osso e a matéria cerebral, saltou de sua cabeça e alçou voo.

O rei observou a bela mariposa voar, os olhos cheios de admiração.

‘Tão linda.’

Ele sorriu antes de cair.

A última coisa que viu antes de ser cegado pelo esplendor sombrio da mariposa foi sua graciosa silhueta desaparecendo na vastidão do céu estrelado além da janela.

‘Não…’

Ele não queria se separar dela.

Queria persegui-la… encontrá-la novamente… Então, enquanto seu corpo morto começava a se contorcer e remodelar, o rei escalou a parede e mergulhou pela janela.

Ele correu em direção às montanhas distantes.

No entanto, mesmo depois de milhares de anos terem se passado…

Ele nunca mais voltou a avistar a bela mariposa.

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