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The Author’s POV – Capítulo 89

Quando tudo começa a se encaixar [2]

[Caïssa – Base] “Aqui estão as informações das pessoas que você pediu para investigar.”

“Ok, obrigado.”

Sem nem olhar para o PequenaCobra, à minha direita, peguei os papéis que ele estava me oferecendo e os joguei na mesa onde estava trabalhando.

Uma semana já tinha se passado desde que aprendi sobre o passado do Antigo Ren e nada mudou.

A reforma do galpão já estava nas fases finais. Devido ao meu orçamento limitado, apenas consegui deixar o lugar de forma mais apresentável, mas não tinha nenhum tipo de equipamento top de linha ou salas para treinamento ainda.

Sou ainda pobre demais para isso.

“O que você está fazendo?”

Ao me ver jogar os papéis na mesa sem nem olhar o PequenaCobra perguntou enquanto revirava os olhos.

“Preparações.”

“Para…?”

“Bom, vamos apenas dizer que daqui a quatro meses vou estar indo em uma longa viagem com algumas pessoas…”

Fazendo uma careta, o informante inclinou a cabeça em confusão.

“Se é só daqui a quatro meses porque precisa começar a fazer as preparações agora…?”

“Você não acreditaria em mim, nem se eu dissesse.”

Eu vou encontrar uma cura para uma maldição universalmente famosa por não ter uma cura.

É o que queria falar… mas, esse cara não acreditaria em mim nem a pau.

Além disso, nem comentei que não vou estar na Terra durante essa viagem.

Então, é melhor só ignorar a pergunta.

“…”

Sem palavras, o PequenaCobra apertou a ponta do nariz antes de continuar.

“De qualquer forma, dei uma olhada no perfil das pessoas que você recomendou antes para se juntar ao grupo, porém ainda não consigo entender uma coisa, por que eles?”

Pegando os papéis que deixei na mesa, ele abriu a pasta e pegou três perfis na mão.

“Eu até consigo entender o Ryan Polive, mas por que a Domadora de Bestas e aquele mercenário velho?”

Ele franziu o cenho ao apontar para os documentos da Ava e do Leopold.

“Domadora de Bestas não é uma profissão inútil? Eles só conseguem controlar uma besta por vez. E, pelo que me disseram, eles nem podem evoluir.”

Ainda escrevendo no papel, não olhei na direção do PequenaCobra.

O que ele disse não é mentira.

Domadora de Bestas não eram muito procuradas, por causa da limitação em relação com a quantidade de bestas que podiam controlar. O que era normalmente uma besta e em situações raras, duas.

Sem contar que as bestas que eles domavam não podiam ficar mais fortes. A força deles eram determinadas, ou seja, se você domar uma besta de <Classe G>, é assim que ela vai ficar.

Não importa o quanto de comida que dê ou o tanto de tempo que passe treinando com a besta, elas vão manter essa classe para sempre.

Ao menos que você dome outra besta, você não iria conseguir fazê-las subir de classe.

E é aí onde o problema real começa.

Os gastos para manter um domador de monstros eram astronômicos.

Os gastos só de capturar e alimentar uma besta de <Classe S>, provavelmente seria a mesma quantidade de gastos para criar vários heróis de <Classe S>.

Não valia a pena.

“E nem vou começar sobre o mercenário.”

Vendo que eu ainda estava escrevendo o PequenaCobra continuo a falar.

“Pelo que li nos documentos, ele parece ser só um membro comum sem nada que chame a aten-“ “Já deu.”

*Sigh* Colocando a caneta na mesa, me encostei na cadeira e olhei direto nos olhos do Pequena Cobra.

“Apenas confie em mim, PequenaCobra. Eu sei o que estou fazendo.”

-Flick!

Rodando a caneta na mesa, continuei a falar.

“Você acha mesmo que eu escolheria pessoas aleatórias sem nem pensar sobre isso?”

Negando com a cabeça, ele respondeu.

“Não acho.”

“Então nem precisa ficar assim, né? Só espera mais um pouco que vou provar que meu julgamento nunca esteve errado.”

Depois de pensar por um instante, o PequenaCobra acabou cedendo.

“Ok, vou esperar…”

Ao vê-lo concordar, um pequeno sorriso se abriu nos meus lábios.

Ainda que PequenaCobra fosse altamente capaz, ele tem o costume de questionar cada passo meu.

Bom… ele não está errado em fazer isso. Porque, vamos ser claros, exceto pelo incidente da Farmacêutica C.B., ele nunca viu mais nada sobre a extensão das minhas habilidades.

E ele não fazia ideia de que eu era o autor dessa história.

Não era estranho ele duvidar de mim. Principalmente, porque ele não sabia de nenhum dos planos que tenho planejado para esses membros.

Mas enfim, com o tempo ele vai entender o que estou fazendo.

“Mais algum problema?”

“Tenho, na verdade.”

Sorrindo, minhas sobrancelhas estremeceram de leve.

“Era uma pergunta retórica…”

Balançando a cabeça e ignorando meus murmúrios o PequenaCobra continuou.

“De acordo com as informações nos documentos, a criança de 12 anos, Ryan Polive, que você está querendo recrutar, está sendo recrutado por uma guilda de Nível Ouro.”

“Nível Ouro?”

“Sim…”

Descansando minha mão sobre o rosto, murmurei.

“Vai se lascar…”

Uma guilda Nível Ouro.

Eu já sabia sobre essa informação, mas ainda não mudava o fato de isso ser um problema.

As guildas são divididas entre cinco diferentes níveis: Bronze, Prata, Ouro, Platino e Diamante.

Para que uma guilda ser considerada como Nível Ouro, ela precisava ter pelo menos um membro de <Classe B>.

Para Platino, precisa ter pelo menos um Herói de <Classe A> e para Diamante, <Classe S>.

‘<Classe B> huh…’

O oponente mais forte que já enfrentei foi por volta da <Classe D>… e isso foi comigo tirando vantagem das brechas que apareceram para mim.

Lutar contra um <Classe B>, no meu estado de agora, era suicídio.

Mas… quem disse que preciso lutar contra eles cara-a-cara?

Virando minha atenção para a pessoa ao meu lado, ordenei.

“PequenaCobra, quero que me mande todas as informações relevantes a essa guilda Nível Ouro que está ousando roubar meu futuro membro…”

“Quero dos inimigos, detalhes sobre o Líder da Guilda, os principais executivos e também suas famílias… não deixa nada de fora. Quero saber os hábitos, amigos, inimigos… tudo!”

“Quê?”

Fazendo uma careta, o informante ficou ainda mais confuso.

Por que ele precisaria de todas essas informações?

Ele está pensando em chantageá-los?

Sem chances que ele não deve ter pensado que os executivos já fizeram contramedidas sobre isso?

Quanto mais o Ren falava mais o PequenaCobra ficava confuso.

Ao ver a expressão confusa dele, interliguei os dedos das mãos e apoiei meu queixo sob elas. Com um sorriso no rosto, olhei para ele.

“PequenaCObra, o que você faz quando se ver contra um oponente muito mais forte que você?”

“Corre…?”

Negando com a cabeça, olhei para ele, decepcionado.

“Vira homem, cara.”

“Mas onde você qu-“ Erguendo a mão interrompi a fala dele.

“PequenaCobra, você não precisa ser a pessoa mais forte do mundo para derrotar um oponente forte… não.”

Levantando um dedo, apontei para a minha cabeça.

“Independentemente do quão forte uma pessoa seja, se ela não conseguir ser mais esperta que você, nunca conseguirá ganhar.”

“Ao menos que ela tenha um poder tão forte, a ponto de nenhum plano funcionar, sempre há uma solução… você só precisa achá-la.”

-Vuam!

Tocando na tela do meu relógio, um grande tabuleiro de xadrez apareceu na minha mesa.

Bocejando, estiquei as costas e comecei a jogar, ao mesmo tempo que continuava a falar.

“Ao menos que você seja um deus, nada nesse mundo é perfeito.”

Tak!

Depois de mover a primeira peça, voltei minha atenção para o PequenaCobra.

“Todo mundo tem uma fraqueza, indiferente se tentarem esconder… Seja grande ou pequena, que esteja escondida ou não, todo mundo tem uma… Pega por exemplo o Aquiles, mesmo sendo invulnerável contra tudo, assim que uma flecha acertou a fraqueza dele, o calcanhar, ele morreu como todo mundo na guerra…”

-Tak! -Tak! -Tak!

À medida que falava, como um passe de mágica, as peças do tabuleiro começaram a se mover se sincronizando com a minha fala.

“independentemente do quão forte seu oponente seja no momento que achar uma fraqueza que possa usar para a sua vantagem…”

-Tak!

Enquanto falava, mantendo a mente focada no jogo, observei as peças mudando constantemente e executando os movimentos certos. À medida que o tempo passava o número de peças no tabuleiro diminuía.

Encarando o tabuleiro diante dele, o PequenaCobra olhou para a minha expressão calma e perguntou.

“Mas e se não conseguir descobrir a fraqueza deles?”

Olhando para ele, sorri de lado.

“Se não conseguir descobrir? Então… apenas crie uma.”

Deslizando a torre por todo o tabuleiro agora vazio, ela logo se posicionou abaixo de outra torre e encurralou o rei indefeso.

“Seja por meio de manipulação, esquemas, dinheiro, conexões ou informações… se usados corretamente, com toda a certeza, uma brecha irá aparecer… e aí…”

-Tak!

“Xeque-mate.”

[Fim do Jogo – Vitória] Enquanto ouvia e observava o jogo se desenrolar diante de si, o PequenaCobra até concordava em algumas partes, mas não conseguiu evitar de franzir a testa.

“Está dizendo que você, sozinho, é capaz de ir contra uma guilda de Nível Ouro?”

Ao abrir um sorriso misterioso, não respondi à pergunta.

“Em dois dias você vai saber…”

Depois de um tempo em silêncio, o PequenaCobra assentiu.

“Tudo bem, estou ansioso para ver o que você vai aprontar.”

Ele realmente estava curioso.

O motivo pelo qual ele se juntou ao grupo foi por pura curiosidade da parte dele.

Se pensasse melhor, tirando o que aconteceu com as empresas farmacêuticas, ele nunca realmente me viu em ação.

Claro, o fato dele também saber sobre as circunstâncias em relação a Monolith era surpreendente, mas… isso não significava que o PequenaCobra confiava 100% nas habilidades do Ren.

O garoto fala muito, mas nunca de fato mostrou que sua decisão merecia a confiança dele.

Talvez… isso acabe sendo uma ótima oportunidade para determinar se a decisão que fez era certa ou não.

Ao chegar a essa conclusão o PequenaCobra suspirou e mudou o rumo da conversa.

“De qualquer forma, sobre o mercenário Leopold Ray, acho que vamos conseguir recrutá-lo se oferecermos uma quantidade boa de dinheiro. Ele é um mercenário afinal de contas… mas, só tem um problema.”

Franzindo o cenho, minha boca estremeceu.

Como porcarias existem problemas para tudo?

Por que as coisas não podem dar certo logo de início uma vez?

Suspirando e massageando minhas têmporas, perguntei.

“Que é?”

Pausando por um breve momento e olhando nos meus olhos, o PequenaCobra hesitou por um instante antes de falar.

“A gente não tem dinheiro…”

“…”

“Keumm… Keumm… Não se preocupe com isso. Vou resolver até o fim da semana.”

Tossindo sem jeito, interrompi o silêncio e encostei na cadeira.

Dinheiro.

A merda do dinheiro.

Sempre quando quero fazer algo, dinheiro é a primeira coisa que me atrapalha.

Com os gastos com o meu treinamento, a reforma no galpão, impostos e outros gastos extras, no momento, estou pobre.

Nunca há dinheiro o suficiente.

Eu até tenho algumas soluções a curto prazo que irão me permitir fazer muito dinheiro, mas no fim, se preciso sustentar um grupo inteiro de mercenário, preciso pensar maior.

E… felizmente, para mim, já tenho um plano se concretizando na minha cabeça.

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