[…Neste momento, no Distrito Norte, a Espada da Luz e a Luxious, duas das principais guildas de Nível Ouro, declararam oficialmente Guerra das Guildas contra a Fúria do Touro. Apesar do motivo do conflito repentino ainda não ter sido revelado, fontes indicam que envolve os herdeiros de ambas as guildas…]
-Click!
Desligando a televisão e sentado de forma relaxada na cadeira, olhei na direção do PequenaCobra.
“PequenaCobra, como está o movimento do mercado de ações?”
Com os olhos verdes vidrados em dois monitores enormes cheios de número, ele respondeu como se estivesse em um transe.
“Exatamente como você previu… as ações da Fúria do Touro caíram muito.”
“Hmm, ótimo.”
Encostando na cadeira, assenti com a cabeça lentamente.
Antes de tudo acontecer usei todo o dinheiro que ainda tinha para apostar na queda das ações da Fúria do Touro.
Apostei na queda de suas ações sabendo que elas cairiam drasticamente assim que Luxious e Espada da Luz declarassem guerra contra eles.
…e com isso, resolvi o problema de falta de dinheiro.
Ou seja, não só resolvi o problema com o Ryan, como também o problema da falta de dinheiro que esteve me irritando nessa última semana. Em apenas um movimento, consegui tirar dois problemas do meu caminho.
Como no ditado: ‘Dois coelhos em numa cajadada só.’
E, sinceramente, não poderia estar mais satisfeito com o resultado.
Porém, uma coisa é certa, a forma que fiz foi completamente ilegal.
É isso aí.
Bom, contando que eu não seja pego, estou de boa.
Você nunca é culpado até que te provem o contrário. Vou seguir esse raciocínio por agora.
“Agora que tirou a Luxious da jogada, o que vai fazer com o Ryan?”
“O garoto?”
“Sim.”
Pensando por um segundo, semicerrei os olhos e respondi de forma preguiçosa.
“Nada de mais na verdade… só temos que esperar eles nos ligarem.”
Desviando sua visão das telas dos computadores, o PequenaCobra fez uma careta enquanto olhava na minha direção.
“…Espera um pouco, depois de tudo que você fez para tirar a Luxious da jogada… agora vai dar uma de passivo? Hã?”
Com uma expressão séria, concordei com a cabeça.
“Bem isso mesmo.”
Quero dizer, não é como se estivesse sendo passivo.
…é apenas que estou confiante sobre a minha proposta.
Qualquer um com a cabeça no lugar, iria concordar com os termos sem nem pensar duas vezes… Porque né, os termos que coloquei na proposta eram bons demais.
Eu não apenas inclui uma boa quantidade de dinheiro no salário do Ryan, como também o benefício de trabalhar poucas horas e moradia de graça. Não vai me dizer que é uma maravilha?
Na verdade… pensando nos termos que coloquei, senti como se meu coração estivesse sangrando… Acabei passando dos limites tudo isso por causa de um garoto de 12 anos. Mas não me arrependo. Vai valer a pena o investimento.
Ah, merda, e se eles pensarem que é um golpe?
Cacete viu.
Contando com o fato do meu grupo de mercenário ser apenas Nível [I], sem nenhuma missão ou conquista em seu nome, comecei a suar frio.
É… pensando melhor agora… sem dúvidas que os dois vão assumir que isso seja um golpe.
Chegando nessa conclusão, a minha expressão se tornou séria.
Fiz cagada…
*Suspiro* Ao observar as mudanças de expressões do meu rosto, o PequenaCobra suspirou.
“Nem vou perguntar o motivo dessa sua cara de agora… alguma coisa está me dizendo para apenas te ignorar…”
Olhando para o relógio no pulso, ele perguntou.
“…De qualquer forma, não já deu a hora de você voltar para casa?”
“Eu? Por quê?”
Me tirando dos pensamentos, franzi o cenho enquanto olhava para ele confuso.
Por que eu voltaria para casa agora? Ele quer que eu vaze daqui já?
Revirando os olhos e suspirando mais uma vez, o PequenaCobra disse.
“Amanhã não é o dia que você volta para a Lock?”
“Puta merda! Caralho, eu esqueci completamente!!”
-Bam!
Soltando o máximo de xingamentos que podia pensar, guardei tudo que estava na minha mesa e corri até a entrada.
Esqueci completamente que hoje era o dia de voltar para a escola.
Caralho viu…
“Verdade…”
Parando em frente à porta do galpão, ainda correndo no lugar, olhei para o PequenaCobra e o lembrei.
“…Antes que me esqueça, não esquece de entrar em contato com o Leopold.”
“Agora que conseguimos dinheiro o suficiente depois de hoje, contratá-lo vai ser fácil… Durante esse tempo vou aproveitar para recrutar a Ava já que estamos na mesma escola, então apenas se concentre nele.”
Voltando sua atenção para os monitores, ele assentiu com a cabeça.
“Beleza.”
“Ok, já falei tudo que precisava, então estou indo… me manda mensagem caso precise de algo.”
Sem esperar pela resposta dele, saí correndo.
Minha família já deve estar esperando na estação de trem, não posso perder mais tempo.
…..
“Ren, anda logo ou você vai perder o trem!”
“Chegandoooo!”
Correndo na direção da plataforma, escutei minha mãe gritando do outro lado, ao lado do trem aéreo que precisava embarcar.
“Huff…Huff… Consegui!”
Chegando em frente às portas de embarque, apoiei as mãos nos joelhos enquanto tentava recuperar o fôlego.
Com a Nola nos braços, minha mãe se aproximou de mim.
“Por que você se atrasou tanto, Ren?”
“Huff…Hufff, nada demais, só estava ocupado com algumas coisas no trabalho.”
“Trabalho?”
“Ah, bem, com a subsidiária e tudo.”
Eu não estava mentindo.
Por ter estado tão ocupado com as coisas do grupo, nem passou pela minha cabeça que hoje era o dia de voltar para a Lock.
Meu mês de férias já tinha acabado… Bom, chamar de férias seria exagero, porque todos os dias fiquei ocupado com as coisas no grupo de mercenário… acabei nem descansando.
“Bom trabalho.”
Assentindo com a cabeça, meu pai sorriu em apreciação. Ele estava feliz que eu, seu filho, estava levando tudo a sério.
“Sigh, muito bem, mas não exagera, saiba o momento de descansar.”
Mais ou menos entendendo a situação minha mãe só podia suspirar. Colocando a Nola no chão e abrindo os braços na minha direção, ela disse.
“Cadê o nosso abraço, não vai dizer que esqueceu disso também?”
“Nunca.”
Sorrindo, andei até eles e abracei todo mundo. Isso durou por um minuto inteiro, já que se recusavam a me soltar.
-Beep! -Beep! -Beep!
“Deu a hora de ir.”
Ouvindo o som do trem, sinalizando que estava prestes a partir, finalmente me soltei do abraço dos três.
Entrando no trem, olhei na direção da minha família novamente.
Abrindo um sorriso enquanto acenavam para mim, não pude deixar de sentir o meu coração se encher de carinho.
Um mês.
Por mais que tenha sido um curto período de tempo, senti que criei uma conexão com eles. A maioria das minhas emoções, provavelmente vieram do Antigo Ren, mas sinto que uma parte estava vindo de mim também…
Enquanto os observava, a imagem da minha família do outro mundo começou a se misturar com eles.
E um pequeno sorriso se fez presente nos meus lábios.
…obrigado por tudo.
“Tchau, maninho!”
Olhando para a Nola, que se despedia com uma expressão triste no rosto, abri um sorriso para ela. Me agachando na altura dela, falei.
“Por que não tenta dizer o meu nome, Nola? Ao invés de maninho.”
Como estava prestes a ir embora e provavelmente ficaria um tempo sem vê-la, queria ao menos ouvi-la me chamar pelo meu nome uma vez.
Ela sempre me chama de maninho, mas nunca pelo meu nome.
“É maninho Ren, tenta.”
“Maninho R-r-mhh.”
Nola assentiu e tentou falar, mas, na metade da palavra, seu rostinho se contorceu ao não conseguir pronunciar a letra ‘R’.
Ao vê-la se esforçando, balancei a cabeça calmamente e repeti meu nome lentamente.
“Repita comigo, R…E…N.”
“B-en?
“…”
No mesmo instante, meu sorriso congelou.
E meu corpo junto. Com um tom de voz o mais gentil possível, falei.
“N-Nola, é Ren com R, não esquece o R, oka-huh?”
-Clank Antes que pudesse terminar, as portas do trem começaram a se fechar, me fazendo entrar em pânico.
“Nãonãonão, por favor. Merda de portas, não fecha caramba!”
-Bam! -Bam! -Bam!
Em desespero, comecei a bater na porta do trem enquanto olhava para o sorriso animado da Nola, que acenava para mim. E pela brecha das portas se fechando, gritei.
“Nola! É REN COM R, não esquece, R! Na verdade, qualquer coisa menos Ben seria uma maravilha…”
Acenando, Nola sorriu e disse.
“Tchau, maninho Ben!”
-Clank [Destino – Distrito Central, Lock] -Bam! -Bam! -Bam!
Batendo na porta com tudo, gritei enquanto o trem começou a pegar velocidade.
“Nãonãonão, Nola! Não! Não! Nãooooo!!!”
“Ei, tem como você calar a boca? Não consegue ver que tem outras pessoas aqui?”
No meio da minha crise de desespero, uma voz irritada se anunciou na parte traseira do trem.
Uma linda garota, com cabelos castanhos curtos, se levantou e me fuzilou.
“Eu estava tentando dormir, quando os seus gritos me acor..hã?”
“Fica na sua, senhorita. Estou em uma situação de vida ou mor…hã?”
Quando ambos estávamos prestes a começar a gritar, nos viramos e, ao reconhecermos o rosto um do outro, ficamos paralisados.
Depois de alguns segundos se encarando, não aguentei mais e quebrei o silêncio.
“Ah… mas por quê…?”
Por que caralhos a Emma estava aqui…