Exceto aqueles que estavam ausentes por estarem limpando masmorras, Vandalieu havia reunido seus principais companheiros no salão do castelo real.
Eles precisavam discutir o que fazer agora que a invasão da Nação-Escudo de Mirg e dos Vampiros havia sido confirmada. Também precisavam provar o produto experimental de maionese.
— Delicioso! É ridiculamente delicioso! — exclamou Borkus.
— Acho que precisa de um pouco mais de impacto. Que tal adicionar um pouco de wasabi? — sugeriu Vigaro.
— Entendo — disse Zadiris. — Acho que está bem aceitável como está…
— Isso é…! Nunca provei um sabor assim! Vandalieu-sama, o que você usou para criar isso?! — perguntou Eleanora.
Bone Chimera fez um som, e Rapiéçage soltou um gemido.
— Hein? O quê — houve um grito.
— Ah! A Rapiéçage está segurando a Tarea-san para pegar a maionese que ficou em volta da boca dela! — exclamou Saria.
— Por favor, pare ela em vez de só ficar olhando! — gritou Tarea.
— Ahah~♪Não conseguimos ouvir as palavras da Tarea-san que tem a chance de provar comidas deliciosas que a gente não pode comer~☆— respondeu Rita.
— Nããããão! Sua insensível sem coração!
— Não há o que fazer, aqui, vou te dar isto, então pare —
Zadiris ofereceu a Rapiéçage a maionese em seu dedo. Rapiéçage colocou o dedo na boca e começou a sugar.
—…Garoto, essa menina zumbi está sugando meu dedo com toda a força.
— Hmm, a inteligência dos mortos-vivos realmente cai se eu não usar o espírito original do corpo — observou Vandalieu. — Adicionar mais espíritos também acabou sendo inútil.
Os assuntos militares foram deixados de lado, e a degustação da maionese se tornou o tema principal. Ninguém conseguia vencer o apetite.
Bem, Rapiéçage não era inteligente o suficiente para participar de discussões ou algo do tipo. Além de obedecer aos comandos de Vandalieu, ela era apenas uma zumbi comum e não conseguia falar uma palavra sequer.
Vandalieu havia tentado adicionar mais espíritos a ela, como fez com Bone Man, mas não teve efeito algum. Talvez Bone Man fosse um caso especial, ou talvez fosse necessária uma certa quantidade de aprendizado e experiência de vida(?). Vandalieu decidiu assumir que era o segundo caso e esperar que ela se desenvolvesse.
Zumbis e esqueletos, como crianças, não podiam ser criados apressadamente.
— Rappie, solte o dedo da Zadiris da sua boca — ordenou Vandalieu.
Rapiéçage gemeu ao soltar o dedo marrom-acinzentado de Zadiris de seus lábios roxos, deixando um fio pegajoso entre o dedo e sua língua azul. A cor dos lábios e da língua de Rapiéçage havia mudado por algum motivo depois que Vandalieu a transformou em zumbi. No entanto, ele havia interrompido corretamente sua decomposição com Preservação.
Zadiris soltou um som de desgosto.
— Ela até lambeu minhas garras. Não é culpa minha se ela ficar paralisada.
— Ela é uma morta-viva, afinal — disse Vandalieu.
— Eu sei disso. Os pontos dos seus cortes estão claramente visíveis.
Tarea soltou um suspiro de alívio.
— Quase tive meus lábios tomados por uma zumbi do mesmo sexo bem na frente do Van-sama.
— Não devemos baixar a guarda ou mostrar fraquezas — disse Eleanora.
Tanto Tarea quanto Eleanora apressadamente limparam a boca.
Zumbis nas obras de ficção da Terra geralmente tinham visão ruim, mas um olfato apurado para compensar, mas esse não era o caso dos zumbis em Lambda.
No caso de Rapiéçage, como sua cabeça era humana, seus sentidos eram quase idênticos aos de um humano, exceto pela habilidade Visão das Trevas que ela havia ganho como morta-viva. Limpar a maionese da boca era o suficiente para impedi-la de perceber.
Levando isso em consideração, os zumbis das ficções da Terra poderiam, na verdade, ser considerados de “alto desempenho”.
— Agora então, sobre o exército da nação-barreira de Mirg… — começou Vandalieu.
— É óbvio que vamos massacrar todos, não é? — Interrompeu Borkus. — Mais importante, não tem mais maionese?
— Era um produto experimental, então não tem mais — disse Vandalieu.
— O quê?! Então vamos fazer mais!
— Vandalieu, como você faz isso?! — exigiu Vigaro.
— Esperem, tenho certeza de que é impossível porque faltam ingredientes — disse Zadiris. — Garoto, do que você precisa para isso?
“… Eu vou fazer, então apenas escutem o que tenho a dizer,” disse Vandalieu.
Parece que a maionese feita em Lambda havia sido um sucesso.
Depois disso, com exceção de Rapiéçage e Knochen, todos — incluindo Vandalieu — trocaram informações e discutiram o que fazer contra a Nação-Escudo de Mirg enquanto faziam mais maionese.
Esse evento viria a ser conhecido futuramente como a Reunião da Maionese de Talosheim.
Enquanto Vandalieu preparava a maionese, os blocos de pedra que selavam o túnel que levava à Nação-Escudo de Mirg foram destruídos, e aventureiros e vampiros emergiram de dentro. Com base no conteúdo da conversa deles:
• Os Vampiros que adoravam Hihiryushukaka, o Deus Maligno da Vida Alegre, estavam utilizando o Império e a Nação-Escudo de Mirg para repetir a invasão de Talosheim ocorrida duzentos anos atrás.
• Eles haviam usado Itens Mágicos para localizar Eleanora e concluíram que Vandalieu estava em Talosheim.
• No entanto, parecia que não havia planos imediatos de realizar reconhecimento em Talosheim. Vandalieu e os Ghouls haviam escapado da Floresta do Ninho do Diabo anteriormente sem lutar, então havia receio de que isso acontecesse novamente. Eles também estavam preocupados com o risco de que, caso sofressem baixas durante o reconhecimento, Vandalieu pudesse obter informações dos espíritos deles.
Eleanora parecia mortificada.
— Eu me lembro de terem coletado meu sangue diversas vezes, mas não sabia que existiam itens mágicos para isso…
— Bem, não se preocupe com isso — disse Vandalieu. — É até conveniente, já que estão vindo direto pra cá. Então, agora, os quatro membros do grupo de aventureiros e um dos Vampiros estão guardando a saída do túnel. Os outros dois Vampiros voltaram para a comunidade deles para informar. Parece que a Nação-Escudo de Mirg foi contatada através de Itens Mágicos.
Como era de se esperar de uma comunidade de Vampiros com Sangues Puros que vivem há centenas de milhares de anos no topo da hierarquia.
Parecia que possuíam todo tipo de Item Mágico que Eleanora desconhecia.
Dito isso, esses Itens Mágicos eram ferramentas para localizar traidores — algo bem condizente com os ensinamentos do Deus Maligno da Vida Alegre e com a personalidade de Birkyne.
Será que eles encontraram a localização de Valen… do pai dele com esse item também? Bem, deixando isso de lado…
— Então, quando você acha que eles vão chegar? — perguntou Zadiris.
— Parece que ainda não tomaram uma decisão concreta — respondeu Vandalieu.
Pelo que se ouviu na conversa dos aventureiros… aventureiros e cavaleiros viriam através do túnel para confirmar a segurança e proteger a saída. Depois disso, os aventureiros voltariam. Ao mesmo tempo, um conselho de guerra liderado pelo Império Amid seria realizado para discutir a descoberta do túnel e a futura invasão.
Nesse conselho, seriam decididos itens como: orçamentos, o número de soldados e cavaleiros que precisariam ser mobilizados, e de onde viriam.
Havia planos para enviar sacerdotes da Igreja de Alda para espalhar água benta ao redor do túnel, sob o pretexto de “remover espíritos malignos antigos”. Na realidade, essa era uma medida contra Vandalieu, que se supunha ser um espiritualista.
Então, o Império Amid e a Nação-Escudo de Mirg fariam um grande anúncio conjunto da expedição. Haveria cerimônias extravagantes e festivais para aumentar a moral dos cidadãos.
Depois disso, uma festa seria realizada no Império Amid em antecipação à vitória do General Mauvid nessa expedição. A Ordem dos Cavaleiros Pródigos partiria do Império e se uniria aos Vampiros, que estariam disfarçados como mercenários. Ao mesmo tempo, soldados e cavaleiros seriam reunidos de toda a nação-barreira de Mirg, mais cerimônias seriam realizadas, e…
— Considerando todos esses processos, acho que eles vão chegar por volta do inverno, mesmo que se apressem
— disse Vandalieu.
—…. Custava pros humanos se apressarem? Eles nem vivem cem anos, então por que são tão pacientes? — resmungou Vigaro.
— De fato, deveriam vir o quanto antes — concordou Zadiris.
Para Ghouls como Vigaro e Zadiris, essas cerimônias e festas indiscriminadas pareciam sem sentido.
Embora Vandalieu até pudesse ver algum valor em festas, as cerimônias realmente pareciam perda de tempo. Bem, sem elas, talvez a moral dos cavaleiros e soldados caísse.
— Humanos gostam desse tipo de cerimônia — disse Tarea.
— É mais fácil pensar neles como criaturas que têm isso na sua natureza e estilo de vida — completou Eleanora.
Afinal, ambas haviam sido humanas.
— Há muito tempo, seu pai me disse que grandes pessoas precisam mostrar o quão grandiosas são — disse Darcia.
Bem, era assim que as coisas funcionavam.
Vandalieu estava almejando se tornar um nobre, mesmo que não pudesse ter sucessores, então ter que lidar com esse tipo de coisa seria um problema.
— Então tenho certeza de que eles virão na primavera — disse Borkus. — Não neva por aqui, nem mesmo no inverno, mas vai fazer frio.
Assim como ele disse, o inverno era rigoroso em Talosheim, uma cidade cercada por montanhas. Apesar de não haver neve, o frio era absurdamente intenso.
A neve se acumulava nas montanhas ao leste e oeste, mas o frio passava direto por cima delas e descia sobre a cidade.
Seria difícil para um exército marchar nessas condições. Em um ritmo normal de caminhada, levaria cinco dias para alcançar Talosheim a partir daquele túnel. Mesmo sem neve após sair do túnel, as estradas não estavam conservadas e, mesmo com os registros da localização de Talosheim de duzentos anos atrás, seria praticamente impossível avançar evitando os Ninhos do Diabo que haviam se espalhado por toda parte.
Considerando o terreno que o exército teria que atravessar, se marchassem no inverno, estariam consideravelmente enfraquecidos antes mesmo de chegar a Talosheim.
— Bom, tenho certeza de que esses caras não estão muito familiarizados com o clima desta região — acrescentou Borkus.
— Mas acho que eles vão ser cautelosos justamente por não conhecerem o clima — disse Vandalieu. — Aposto que os Vampiros não ligam para o frio do inverno, mas dessa vez eles planejam usar um exército humano. É improvável que forcem uma movimentação durante o inverno.
— De fato, se estivessem dispostos a atacar no inverno, os Vampiros teriam vindo sozinhos, sem se aliarem aos humanos — acrescentou Eleanora.
Todos estavam discutindo com expressões sérias. No entanto, cada um segurava um Golem-batedor de mão em uma mão e um recipiente de óleo na outra. Estavam adicionando óleo a uma tigela e misturando o conteúdo para fazer maionese.
Era uma cena extremamente surreal.
— Então, no fim das contas, eles virão na primavera — concluiu Vandalieu. — Ah, Borkus, você está adicionando o óleo rápido demais.
Eles certamente não iriam adiar tudo até o verão, então era provável que a chegada fosse na primavera.
— Hmm, isso é bastante trabalhoso — comentou Borkus.
— Fazer coisas deliciosas é um processo trabalhoso — disse Zadiris. — O garoto está sempre fazendo essas coisas.
— Estamos fazendo isso mesmo sem poder comer ainda, então por favor, parem de reclamar — disse Saria.
— Então, o que vamos fazer sobre os aventureiros e os Vampiros que estão guardando o túnel? Vamos nos livrar deles primeiro? — perguntou Vigaro.
— Apesar de ser uma opção atraente, vamos deixá-los em paz — respondeu Vandalieu.
Havia vários motivos para deixá-los onde estavam. Primeiro, não havia nada a ganhar com isso. Mesmo que alguns aventureiros ou Vampiros fossem mortos ou capturados, não obteriam informações e não haveria nenhum propósito útil.
O inimigo estava gastando seus recursos para reunir um exército de expedição. Vandalieu não conseguia imaginar que Riley ou os Vampiros soubessem de algo concreto nesse estágio. O mesmo valia para as forças de combate dos Vampiros. Também era improvável que aqueles designados como vigias tivessem cargos importantes.
Além disso, viajar até a entrada do túnel onde estavam Riley e os outros seria bem trabalhoso. Não havia estradas, e teriam que atravessar vários Ninhos do Diabo para chegar lá.
Borkus e os outros já haviam ido até lá uma vez no ano anterior e derrotado muitos monstros no caminho, mas como já se passara um ano, outros monstros certamente haviam ocupado os territórios. Aproximar-se furtivamente do túnel enfrentando esses monstros, atacar os vigias e voltar seria um grande esforço — e havia uma alta chance de falha.
E mesmo que tivessem sucesso, isso só deixaria o inimigo ainda mais cauteloso.
— Quando você disse que era uma opção atraente, quis dizer que havia alguém importante lá? — perguntou Darcia.
— Um aventureiro chamado Riley, a Lança do Vento Verde — respondeu Vandalieu. — Já ouvi a voz dele antes.
As vozes dos companheiros de Heinz, vozes que ele nunca poderia esquecer.
As vozes daqueles que haviam realizado um “velório” para Darcia gastando o dinheiro ganho com a sua captura e venda ao Sumo Sacerdote Gordan… para comprar bebidas, no mesmo dia em que ela foi queimada viva.
Ao ouvir a explicação, os rostos de todos ficaram tensos, e Darcia olhou para o filho com preocupação.
— Vandalieu, por enquanto… — começou ela.
— Sim, por enquanto vamos deixá-los em paz. Não vou fazer nada como sair escondido para matá-los, então não se preocupe, mãe — disse Vandalieu, tentando tranquilizá-la.
Vandalieu queria se vingar por ela. Se não o fizesse, não saberia quando eles poderiam voltar para matá-lo.
Se possível, queria matar Riley pessoalmente, mas se não fosse possível, tudo bem também.
— Parece que ele vai participar da expedição, então se o encontrarmos no campo de batalha, por favor, deixem ele comigo — pediu Vandalieu. — Mas ele é um aventureiro de classe A, então tenham cuidado.
— Hohoh, um classe A, hein? — Borkus parecia animado.
— Quero ver como minha força se sai contra um aventureiro — disse Vigaro.
— Jyuuh, isso desperta o espírito de luta — acrescentou Bone Man.
— Sim — concordou Zadiris. — Nessas circunstâncias, não há motivo para conter-se contra aventureiros.
Todos estavam prontos para a batalha. O oponente era claramente um inimigo, e ainda havia se aliado aos Vampiros. Era o nêmese de Vandalieu. Não havia razão para mostrar misericórdia ou simpatia.
— Aparentemente, ele se autointitula como a segunda vinda de Mikhail — disse Vandalieu.
— Sério? Um usuário de lança classe A… Isso está ficando cada vez mais interessante — Borkus parecia especialmente motivado para matar Riley. E como Riley provavelmente seria uma peça-chave nas forças da expedição, sua derrota diminuiria o moral das tropas.
Vandalieu definitivamente queria voltar para Talosheim segurando a cabeça de Riley.
— Borkus-san, pessoal, obrigada por fazerem tanto por mim e pelo Vandalieu — disse Darcia. — Mas, por favor, não façam nada imprudente, está bem?
— Mmm, é claro — respondeu Zadiris. — A propósito, garoto, está quase pronto? — perguntou ela a Vandalieu.
— Acho que o meu também já está quase pronto — disse Tarea.
A maionese estava pronta, e todos a despejaram sobre vegetais selvagens, misturaram com wasabi, alho e gengibre para passar na carne — testando diferentes formas de usar a maionese.
Vandalieu teve a impressão de que a maionese feita com ovos de Giga e óleo de flor da Derrota tinha um sabor mais encorpado do que a da Terra.
Tenho a sensação de que ela cairia bem com okonomiyaki e takoyaki… Mas a produção de farinha de bolota está…
Para Vandalieu, os problemas relacionados à comida eram mais trabalhosos do que lidar com o exército de expedição, para o qual ele já tinha feito preparações há muito tempo.
Felizmente, as bolotas dos Ents Imortais tinham um gosto menos amargo mesmo sem serem lavadas em água, então podiam ser transformadas diretamente em farinha.
No entanto, por causa da quantidade limitada de Ents Imortais, a produção diária de farinha de bolota ainda era insuficiente para a população atual de Talosheim.
Bem, se tudo correr bem, esse problema deve estar resolvido por volta do início do próximo verão…
— Então, conforme planejado, vamos aniquilar o exército de expedição. Depois disso, reabasteceremos nossas forças de combate descartáveis. E, em seguida, causaremos um dano severo à Nação-Escudo de Mirg para reduzir seu poder antes de destruir o túnel — anunciou Vandalieu, revelando o plano final.
Todos comemoraram em uníssono, exceto Rapiéçage, cujo grito de comemoração veio um pouco atrasado, pois estava ocupada lambendo maionese.
Por que a Nação-Escudo de Mirg precisava ser duramente atingida e ter sua força reduzida, além da aniquilação do exército de expedição?
Seria por conta do rancor que Vandalieu nutria por eles? Seria por vingança pelos acontecimentos de duzentos anos atrás?
Vandalieu não podia negar que essas razões existiam, mas havia também um motivo inesperadamente lógico e sensato.
Antes de tudo, era fundamentalmente impossível para a Talosheim atual manter relações pacíficas com a Nação Escudo de Mirg ou com o Império Amid ao qual ela pertencia — quanto mais uma relação mutuamente benéfica.
Para a sociedade humana do Império Amid, Talosheim não era uma nação. Era apenas um grupo de monstros perigosos que se instalou nas ruínas de uma cidade.
Aos olhos deles, não havia diferença entre Talosheim e um bando de Goblins — exceto pelo tamanho e pelo nível de ameaça.
Embora os Titãs fossem uma raça criada por Vida, ainda assim eram uma civilização de pessoas. Mesmo assim, a Nação-Escudo de Mirg os exterminou até o último sem enviar mensageiros, sem fazer exigências de rendição, sem capturar prisioneiros.
Eles provavelmente aceitariam recuar assim que percebessem que suas forças eram inferiores, mas… havia uma grande chance de que simplesmente voltassem depois com um exército de expedição ainda maior e mais forte.
Continuariam tentando todo tipo de estratégia e ataque, sem se deixarem abater pelos fracassos.
Se anos ou décadas se passassem, talvez houvesse esperança de uma negociação em pé de igualdade.
No entanto, era difícil imaginar que a Igreja de Alda ficaria quieta durante esse tempo — e, considerando o que Ice Age havia dito, era improvável que apenas palavras convencessem o Império que adorava Alda.
Além disso, havia indivíduos influentes em posições bem profundas tanto no Império Amid quanto na Nação- Escudo de Mirg, trabalhando com os Vampiros que adoravam Hihiryushukaka, o Deus Maligno da Vida Alegre.
entar manter relações amigáveis com eles só acabaria sendo aproveitado por eles.
Vandalieu queria atingir a Nação-Escudo de Mirg com um golpe adicional, além da aniquilação do exército de expedição, porque havia aprendido com os fracassos da história.
Para o Império Amid, era importante manter sua posição de superioridade sobre seus estados vassalos. Assim como na invasão de duzentos anos atrás, as figuras influentes do Império Amid estavam usando essa expedição para reduzir a força que a Nação-Escudo de Mirg havia reunido recentemente como nação.
Em outras palavras, havia uma grande chance de que, mesmo que esse exército de expedição fosse repelido, outra invasão acontecesse assim que a força da Nação-Escudo de Mirg voltasse a crescer.
Por outro lado, se a força da Nação-Escudo de Mirg fosse reduzida, eles jamais considerariam fazer outra expedição para atravessar a Cordilheira da Fronteira. Isso valeria mesmo que houvesse indivíduos influentes aliados aos Vampiros, mesmo que os membros da Igreja de Alda gritassem aos quatro ventos.
O verdadeiro inimigo do Império Amid era o vizinho Reino Orbaume. Se ignorassem esse fato e continuassem repetindo essas expedições, não seria apenas a Nação-Escudo de Mirg a enfraquecer — mas o próprio Império Amid acabaria perdendo força, e então perderia a guerra contra o Reino Orbaume.
Bem, não posso fazer nada em relação aos Vampiros, mas enquanto eu destruir o túnel, eles ficarão contidos por um tempo… Desta vez, talvez por alguns anos, ou até uma década.
O motivo pelo qual Vandalieu não destruiu o túnel que levava à Nação-Escudo de Mirg logo após descobri-lo foi para deliberadamente deixar uma rota aberta para os Vampiros e a Nação-Escudo de Mirg, de modo que ele pudesse perceber quando eles se movessem.
Se os Vampiros encontrassem outra rota para cruzar a cordilheira, seria difícil saber disso com antecedência.
No entanto, agora que o túnel já havia cumprido seu propósito, o melhor era destruí-lo. Mesmo que mais exércitos não viessem, seria problemático se aventureiros começassem a atravessá-lo sozinhos. Nada seria mais incômodo do que grupos de aventureiros de classe A atraídos pela ideia de “as regiões inexploradas ao sul do continente” vagando por aí.
— Então, garoto. Vai ser guerra daqui pra frente, né? — disse Borkus, que estava comendo uma tigela cheia de vários alimentos temperados com maionese e com uma expressão satisfeita.
— Suponho que sim — respondeu Vandalieu.
Do ponto de vista do inimigo, seria uma caçada a monstros, mas, a partir dali, seria uma batalha para defender a cidade, seguida de uma invasão reversa. Seria certamente uma guerra.
— Então vamos precisar de várias coisas — disse Borkus.
— Suponho que sim… Mas Tarea e Datara já fabricaram bastante equipamento, temos carne e peixe o suficiente até a primavera, conseguimos colher bolotas, nozes e óleo dos Ents Imortais, e também estamos bem de mel. Há canais de água passando pela cidade e vários poços também… Tinha algo específico em mente?
Como havia Dungeons perto de Talosheim, as defesas da cidade eram poderosas. Isso já era verdade há duzentos anos, mas se tornaram ainda mais fortes agora que os Titãs haviam se tornado mortos-vivos e Vandalieu havia chegado.
Os alimentos armazenados podiam ser preservados quase indefinidamente, e mais da metade das forças de combate de Talosheim eram compostas por mortos-vivos e Golems. Os Ghouls precisavam se alimentar, sim, mas, no pior dos casos, poderiam simplesmente usar os soldados inimigos como fonte de alimento — então não haveria problemas.
Mesmo que os canais fossem envenenados, Vandalieu poderia usar Desinfetar para purificá-los imediatamente. Ele não conseguia pensar em nada que precisasse ser obtido com urgência.
— É óbvio, não é? — disse Borkus. — Você precisa de um general para lutar uma guerra!
— Eh, de novo isso? —
Pelo visto, Borkus ainda não havia desistido de colocar Vandalieu no trono de Talosheim.
Considerando que a nação estava falida no momento, Vandalieu não via sentido em se tornar o rei de Talosheim.
— Van-sama, acho que já passou da hora de aceitar isso — disse Tarea.
— É isso mesmo, Bocchan! A estátua de pedra sua na praça também ficou pronta! — exclamou Saria.
— Há muitas coisas que eu gostaria de comentar sobre isso, mas… — Vandalieu hesitou, lembrando-se da estátua de si mesmo que havia sido erguida na praça em frente ao castelo real.
A estátua estava muito bem feita. Vandalieu reconhecia que os escultores tinham se esforçado e se orgulhado da obra.
Porém… o rosto da estátua tinha tanta expressão que acabava não se parecendo com ele.
— Mas, Vandalieu-sama, os humanos do Reino Orbaume não podem vir até aqui, não é? Então, não há motivo para se preocupar — observou Eleanora.
De fato, o túnel do lado do Reino Orbaume da cordilheira havia sido destruído de uma forma que tornava impossível consertá-lo com métodos normais.
Vandalieu não sabia o quão avançada era a tecnologia de engenharia nesse mundo, mas seria difícil mesmo se cem magos de atributo terra de primeira categoria trabalhassem juntos.
Mesmo ele, que possuía a habilidade de Transmutação de Golem e mais de 200 milhões de mana, levaria vários dias para reparar o túnel.
Na verdade, seria mais rápido cavar um novo túnel em um local completamente diferente, mas… havia a história de uma nação que tentou fazer isso há vários milhares de anos, apenas para monstros subterrâneos emergirem e devastarem todas as terras ao redor, levando a nação à destruição.
A moral da história era: não mexa na cordilheira.
— Bem, isso é verdade, mas… — Vandalieu ainda estava hesitante.
— Além disso, do ponto de vista do inimigo, você já é praticamente o rei deste lugar. Me diga uma coisa, garoto. Quando a guerra começar, quem dará as ordens? — perguntou Zadiris.
— Uhm, Borkus, Vigaro, Zadiris… — começou Vandalieu.
— Esses são os comandantes no campo de batalha — interrompeu Zadiris. — Quem comandará todo o exército?
—… Sou eu?
— É claro — disse Rita. — Tudo tem sido feito de acordo com suas ordens, não é, Bocchan?
De fato, os preparativos e as estratégias para a guerra contra a força de expedição e os Vampiros, que chegariam na primavera do ano seguinte, haviam sido todos feitos por Vandalieu. Naturalmente, ele havia escutado as opiniões de todos, ajustado planos, adicionado novas ideias e removido partes mal planejadas quando apontavam seus erros. Mas, no fim das contas, foi ele quem propôs todas as estratégias como um todo.
— E diga-me, onde em Talosheim você encontraria alguém que responderia com outro nome que não o seu, se fosse perguntado quem é o líder? Eu responderia que é você, Vandalieu — disse Vigaro.
— Jyuuh. Sua existência é essencial para Talosheim, meu senhor — acrescentou Bone Man. — Até mesmo a distribuição de itens no posto de trocas pararia se você desaparecesse.
Vandalieu já era… não, já fazia muito tempo que era o líder para os habitantes de Talosheim. Para os Ghouls e as novas raças monstruosas que ele criou, era o Rei Ghoul. Para os Titãs mortos-vivos, era o Filho Santo. E para os demais, como Rita, Eleanora e as Abelhas do Cemitério, era o mestre.
E como Bone Man apontou, a vida cotidiana em Talosheim simplesmente deixaria de existir sem Vandalieu. Os Golems em suas fábricas continuariam se movendo até ficarem sem mana, e as instalações de defumação continuariam produzindo katsuobushi. A maionese recém-preparada ainda poderia ser feita, com algum esforço.
Porém, o missô e o molho de peixe não poderiam ser produzidos sem ele, e o kombu levaria anos para ser cultivado.
Embora os Golems pudessem continuar funcionando por algumas décadas, eventualmente parariam.
Vandalieu jamais se nomeou como tal, nem fez nenhum anúncio formal — na verdade, ele sempre negou esse papel. Mas agora percebia que, sem perceber, já havia se tornado o representante de Talosheim.
Não estou satisfeito, mas… Bem, achei que ganharia o título de ‘Filho Santo Profetizado’, mas nunca aconteceu, então acho que está tudo bem. E suponho que já está na hora de me tornar um líder.
Vandalieu planejava se tornar um aventureiro para conquistar fama no futuro, então costumava se preocupar com o que apareceria no seu Status ao se registrar em uma guilda. Mas… de repente, teve uma realização.
Deixando de lado Magia de Atributo Morte, Encantamento por Morte, Corrupção Mental e Fortalecer Seguidores, ele já possuía o título de Rei Ghoul e habilidades que soariam anormais à primeira vista, como Quebra de Alma e a habilidade única Matador de Deuses (God Slayer).
Bem, quem verá isso será só a recepcionista da guilda. Não consigo imaginar um Mestre da Guilda supervisionando pessoalmente o cadastro de uma criança. Se eu sair correndo da guilda logo depois do registro e começar a trabalhar em outras cidades, talvez não dê em nada.
— Tudo bem. Eu vou me tornar o rei — anunciou Vandalieu, depois de se convencer com esses argumentos.
【Os níveis das habilidades Culinária, Controle à Distância e Fortalecer Subordinados aumentaram!】