Tradutor: miggigibe
Um ano é, de fato, bastante tempo. Foi o suficiente para Alon passar oficialmente pela cerimônia de sucessão e se tornar conde Palatio, além de se acostumar aos poucos com as responsabilidades que um conde precisava administrar. Ainda assim, um ano estava longe de ser tempo suficiente para uma pessoa comum, sem qualquer conhecimento prévio de técnicas de espada, se tornar um "Cavaleiro-Mestre".
— Evan.
— Sim?
— Cavaleiro-Mestre… isso quer dizer Mestre da Espada, certo?
— Sim… é isso mesmo.
Mestre da Espada.
Para Alon, que já havia lido incontáveis romances de fantasia, o título não parecia tão impressionante. No entanto, ao contrário das tantas fantasias genéricas em que bastava empunhar uma lâmina de aura para ser considerado Mestre da Espada, Alon sabia que os Mestres da Espada daquele mundo estavam em uma escala completamente diferente.
As informações sobre os Mestres da Espada de Psychedelia passaram pela mente de Alon.
Naquele mundo, um Mestre da Espada não era apenas alguém capaz de empunhar uma "lâmina de aura". Além disso, precisava despertar uma habilidade única chamada "Derivação" e era capaz de saltar por cima das muralhas de um castelo de uma só vez. Em outras palavras, naquele mundo, um Mestre da Espada era melhor descrito como um ser sobre-humano do que como um simples espadachim que empunhava uma lâmina envolta em aura.
— Então está me dizendo que Deus se tornou um desses Mestres da Espada?
— …Bem, tecnicamente, ele está prestes a se tornar um. É verdade que foi reconhecido como Cavaleiro-Mestre, mas, segundo as informações da guilda, ainda não criou uma Derivação.
— …? Então ele não é realmente um Cavaleiro-Mestre, é?
— Isso pode ter relação com os bárbaros do norte.
— Ah.
Ao ouvir Evan, Alon entendeu de imediato por que Deus havia sido reconhecido como Cavaleiro-Mestre.
— A guerra?
— Sim.
Caliburn travava uma guerra contra os bárbaros do norte havia mais de dez anos e, no ano anterior, perdera um de seus cinco Cavaleiros-Mestres no conflito. Ao se lembrar disso, Alon assentiu.
— Estão tentando acalmar a população e, ao mesmo tempo, mostrar que continuam fortes.
— Provavelmente existem outros motivos, mas esse parece ser o principal.
— Então Deus ainda não chegou exatamente ao nível de um Cavaleiro-Mestre?
— Não. É só que ele ainda não despertou a Derivação. Mas, segundo a guilda de informações, ele já é considerado alguém de nível equivalente ao de um Cavaleiro-Mestre. Dizem que até Fiola, a Quarta Espada e também uma Cavaleira-Mestre, foi derrotada por Deus em um duelo.
Ao ouvir Evan, Alon soltou uma risada baixa e murmurou para si mesmo.
— …Quantos anos tinha o Cavaleiro-Mestre mais jovem?
— Até onde sei, o mais jovem tinha trinta e dois anos. Reinhardt, a Primeira Espada de Caliburn, detinha o recorde. Ou, pelo menos, detinha até agora.
— Ele era o mais jovem?
— Sim. Ele é bem famoso, não é?
Alon assentiu. Embora não se interessasse muito por fama, sabia que Reinhardt era extraordinariamente poderoso. Lembrava-se de como ele sempre aparecia durante o terceiro episódio principal do jogo para ajudar temporariamente o protagonista como aliado.
'Ele não começou a empunhar uma espada aos cinco anos e já demonstrava um talento absurdo?'
Ao se lembrar da típica narração que acompanhava a entrada de Reinhardt como companheiro, Alon riu. Mesmo com aquele talento e força inacreditáveis, Reinhardt levara mais de vinte anos para alcançar o nível de Cavaleiro-Mestre.
— …Virar Cavaleiro-Mestre em apenas um ano… isso faz algum sentido?
— É completamente inacreditável. Mesmo os talentosos levam cinco anos só para despertar a mana, dez para conseguir envolver a espada com ela e décadas para criar uma Derivação. Deus, no entanto, superou as duas primeiras etapas em apenas um ano.
Enquanto Evan falava e estalava a língua com um toque de inveja, Alon percebeu que esfregava o queixo sem nem se dar conta.
'Eu sabia que ele tinha talento, mas nunca imaginei que fosse tanto assim… Bom, ainda bem.'
Do ponto de vista de Alon, o sucesso de Deus não era motivo para lamentar, e sim para comemorar. Quanto mais bem-sucedido Deus se tornasse, mais oportunidades Alon teria de se beneficiar disso no futuro.
'Oportunidades… eu vou conseguir aproveitá-las, certo?'
Alon olhou para as cartas sobre uma mesa no canto do escritório. Eram de Yutia, que estava no Reino Sagrado de Rosario.
'…Ou talvez não…'
A expressão conflituosa de Alon vinha do fato de que, durante todo o último ano, ele só recebera cartas de Yutia. Ao que parecia, os cinco ainda mantinham contato entre si.
'Bem, acho que não tem jeito, já que nunca encontrei nenhum deles pessoalmente. Mas preparei presentes para cada um, então não receber nem uma palavra de agradecimento é um pouco demais, não é…?'
Embora mantivesse uma expressão neutra, Alon balançou levemente a cabeça, deixando transparecer certa frustração. Na verdade, considerando seu objetivo original, deveria estar agradecido pelo simples fato de os Cinco Grandes Pecados não terem destruído nenhum reino.
Com uma expressão um pouco amarga, Alon concluiu:
'Desde que estejam vivendo bem, para mim já basta.'
No distrito central de Kirdam, capital de Caliburn, havia uma grande mansão na região sul, onde moravam apenas os nobres de mais alto escalão do país. Era ali que vivia Deus Macallian, líder da famosa ordem de cavaleiros "Eclipse" e a pessoa mais jovem do país a receber o título de Cavaleiro-Mestre.
— Ufa…
Em um escritório imponente que não combinava muito com seu gosto, mas que ainda assim usava, Deus soltou um suspiro discreto enquanto contemplava tranquilamente o jardim da mansão pela janela.
— Irmão!
Ele viu no jardim uma jovem garota com os mesmos olhos roxos profundos que os seus, acenando para ele com um sorriso radiante. Ao vê-la, Deus não conseguiu evitar sorrir de volta.
A garota continuou acenando por algum tempo antes de retomar seu passeio pelo jardim. Enquanto a observava, Deus se pegou relembrando o último ano, especialmente o momento em que reencontrara a irmã que acreditava estar morta e recebera o presente da Grande Lua.
Um ano antes, Deus Macallian já havia ingressado na Lua Azul e atuava sob sua orientação. No entanto, ao contrário de Yutia, ele não demonstrava uma devoção cega à Grande Lua. Sabia que a Grande Lua havia salvado sua vida, mas isso, por si só, não era suficiente para fazê-lo jurar lealdade.
Na época, Deus Macallian permanecia ligado à Grande Lua por dois motivos. O primeiro era receber treinamento de Yutia. O segundo era a promessa de ter a oportunidade de se vingar do Bode Negro.
Desde que perdera a família, que valorizava tanto quanto a própria vida, Deus fora consumido pela raiva e por um ódio que só aumentava, incapaz de dormir à noite.
Quando recebeu sua primeira missão, portanto, Deus não ficou exatamente satisfeito. Entendia que as tarefas anteriores que cumprira sob a Lua Azul serviam para lidar com entidades sombrias, mas aquela nova missão parecia ter surgido do nada.
Ao chegar a Caliburn, porém, Deus foi até uma pequena hospedaria na região sul. A carta da Grande Lua dizia que ali encontraria um "presente", e Deus não conseguiu acreditar no que viu. Sua irmã, que deveria ter sido morta pelo Bode Negro, estava ali, viva e bem, trabalhando na hospedaria.
— Cof.
Deus limpou a garganta, constrangido, apesar de não haver mais ninguém por perto. Só de se lembrar, ainda sentia vergonha de ter abraçado a irmã assim que a viu na hospedaria e começado a chorar.
Depois daquele reencontro carregado de emoção, Deus soube de tudo o que havia acontecido com sua irmã, Silly. Ela contou que fora arrastada pelo Bode Negro para um lugar escuro, onde esperava sua vez de ser morta, até que uma luz intensa a puxou de repente de volta para fora. Quase foi vendida a um traficante de escravos, mas acabou salva por um homem chamado Evan. Depois disso, o conde Palatio lhe forneceu remédios valiosos e continuou a sustentá-la e protegê-la até a chegada de Deus.
Ao ouvir tudo aquilo, Deus não conseguiu deixar de se perguntar como a Grande Lua sabia de todas aquelas coisas. Ele nunca havia contado a ninguém da Lua Azul sobre sua família, e nem mesmo Yutia sabia o que havia acontecido com ele além do fato de ter sido atacado pelo Bode Negro.
Não demorou, porém, para Deus deixar de lado aquele mistério. Em vez disso, lembrou-se das palavras que Yutia costumava repetir para ele.
"Ele sabe de tudo."
"Logo você entenderá por que eu O sigo."
No começo, Deus descartara aquelas palavras, mas agora elas começavam a fazer sentido. Ao se lembrar delas, sentiu gratidão pela Grande Lua.
Para alguém como ele, que fora consumido pelo desejo de vingança, descobrir que sua irmã estava viva e que seu próprio nome havia servido, em segredo, para protegê-la era o maior dos presentes, uma bênção incomparável.
'Não importa o que aconteça…'
Deus jurou retribuir aquela bondade. Seguindo as ordens da Grande Lua, tornou-se cavaleiro em Caliburn.
Ironicamente, tornar-se cavaleiro foi fácil para ele. Além das habilidades que já possuía, Deus descobriu ter um talento para a espada tão excepcional quanto inesperado.
"Ele sabe de tudo."
Foi então que Deus percebeu que as palavras de Yutia não eram apenas fanatismo cego, mas a verdade. E, quando se tornou cavaleiro, também entendeu por que a Grande Lua o enviara para Caliburn.
'Minha missão é criar uma guarda real.'
Talvez por causa das batalhas contra os bárbaros, Caliburn permitia que qualquer pessoa reconhecida pelo rei formasse uma ordem de cavaleiros. Além disso, quem se tornasse Cavaleiro-Mestre recebia permissão para ultrapassar o limite habitual de membros de sua ordem.
Mas aquela ordem não seria composta por bandidos de rua. Seus integrantes seriam espadachins talentosos que haviam ido a Caliburn para se tornar cavaleiros.
— Comandante, está na hora.
— Certo.
Deus se levantou em resposta ao cavaleiro que o chamara, cujos olhos estavam cheios de respeito.
Seguiu para o campo de treinamento. Os cavaleiros, vestidos com as armaduras de ferro negro que simbolizavam a Eclipse, preparavam-se para partir em uma expedição contra os bárbaros. Do alto da plataforma de inspeção, Deus observou os cavaleiros reunidos.
Sabia que nem todos voltariam de lá sorrindo.
Para Deus, no entanto, aquilo não era um problema relevante. A ordem de cavaleiros, a guarda real que serviria à Grande Lua, precisava ser mais forte, muito mais forte do que era naquele momento. Deus sabia perfeitamente que a Grande Lua não desejava uma ordem que tombasse diante de meros bárbaros do norte.
Ao contrário de outros comandantes, que encorajariam e inspirariam suas tropas, Deus sacou a espada e pronunciou em voz baixa o lema da Eclipse.
— Prove seu valor sob a lua.
Com essas palavras, partiu na expedição contra os bárbaros, determinado a criar a mais grandiosa ordem de cavaleiros, digna de servir à Grande Lua.