Tradutor: miggigibe
Todos os olhares estavam voltados para o conde Palatio.
Os soldados aterrorizados.
Os cavaleiros tomados pelo desespero.
Até Penia e Deus.
O gigante parado diante dele.
Os olhos inexpressivos do gigante encaravam Alon, e os olhos igualmente inexpressivos de Alon sustentavam aquele olhar.
Então…
[Sssss…]
Um sorriso surgiu nos lábios do gigante.
[Hahahahaha!]
A gargalhada do gigante ecoou por todo o espaço, como se fosse esmagar tudo ao redor.
O chão tremeu, e a risada foi tão poderosa que até os mortos, que entoavam cânticos de desespero, fecharam a boca.
A maioria dos vivos achou que aquela gargalhada repentina estava carregada de escárnio e desprezo. Mas, ao contrário do que imaginavam:
[Bem. Muito bem! Ó nobre!]
A risada do gigante transbordava sinceridade, alegria e euforia genuínas.
A atmosfera ao redor de seu corpo mudou.
Do desprezo para a alegria, da alegria para o êxtase.
E então…
[Eu, Ultultus, aceitarei seu duelo sob o grande pacto!]
Ao brado do gigante, os mortos que entoavam cânticos de desespero começaram a se mover em uníssono, formando um enorme círculo ao redor de Ultultus e Alon.
Plic… plic…
O sangue que escorria dos mortos encharcou o chão, marcando os limites do círculo.
Assim se formou um coliseu vermelho-sangue.
Na arena de cinzas decorada pelo sangue derramado,
[Sob o grande pacto, até o fim do duelo, ninguém poderá interferir nesta batalha sagrada!]
Assim que a declaração foi feita, os corpos dos mortos explodiram, erguendo uma muralha vermelho-sangue. Um largo sorriso surgiu no rosto de Ultultus.
Era uma expressão inequívoca de deleite.
Alon, em contraste, continuava absolutamente inexpressivo.
Mas…
'…Eu quero ir para casa.'
Por trás daquele rosto impassível, Alon tremia de medo desesperado.
Por mais que repetisse aquilo para si mesmo, o motivo de Alon ter vindo ao norte era matar o Deus Exterior Ultultus, que agora estava diante dele.
Desde que soubera do despertar do deus, Alon preparara tudo de que precisava para enfrentá-lo. Agora, só restava colocar o plano em prática.
Mesmo assim, apesar de estar completamente preparado, sua mente se encheu de medo diante da pressão esmagadora que emanava do deus, muito além do que ele imaginara.
'…Calma.'
Mesmo depois de tomar o "Elixir da Excepcionalidade", que deveria estabilizar seu estado mental, Alon mal conseguia conter a inquietação. Ao contrário do rosto inexpressivo, seu coração começou a bater de forma descontrolada.
E não era apenas a pressão instintiva exalada pelo deus. Havia uma coisa diferente do que ele esperava.
'Por que o processo de manifestação já avançou tanto?'
Depois que descem, todos os Deuses Exteriores precisam de tempo para se adaptar à realidade até, por fim, concluírem o processo de se tornar um "Deus Sábio". Ultultus não deveria ser diferente.
Ainda assim, sua manifestação avançara mais rápido do que o previsto.
Deveria faltar cerca de um mês, mas o Deus Exterior diante dele já estava perto de completar a transformação em Deus Sábio. Isso era evidente.
A velocidade anormal daquela manifestação era algo que Alon não havia previsto.
Quanto mais um deus se aproxima de se tornar um Deus Sábio, mais poderoso ele fica.
[Mas há algo ainda mais curioso. Ó nobre que floresceu em meio à selvageria, por que conhece nosso pacto, se não pertence a esta era?]
Alon engoliu em seco ao se lembrar disso, e Ultultus o questionou.
Mas Alon já não tinha o luxo de responder com calma.
'Eu consigo fazer isso?'
Inúmeras dúvidas e uma profunda confusão tomaram sua mente.
Ultultus se tornara muito mais forte do que o esperado, abalando a determinação que Alon mal conseguira sustentar com a ajuda das poções. Ainda assim, logo afastou aqueles pensamentos negativos.
Desde o instante em que chegara até ali, Alon sabia que só havia um caminho a seguir.
Enquanto punha a mente em ordem e permanecia em silêncio, Ultultus, ainda tomado pela empolgação, abriu um largo sorriso e falou:
[Se não deseja falar, que assim seja. Você tem esse direito. Então, comecemos o duelo sagrado.]
O sorriso do gigante se alargou quando ele ergueu o braço.
[O duelo babilônico.]
Ultultus começou a caminhar na direção de Alon.
A cada passo, o chão manchado de cinzas e sangue retumbava e ficava marcado por suas pegadas. Alon, porém, não se mexeu.
Apenas permaneceu ali, esperando pelo ser diante dele.
E então…
TUM!
Mesmo quando Ultultus chegou diante dele com um estrondo e ergueu o punho, Alon continuou em silêncio, apenas observando.
À distância, ouviram-se vozes intrigadas entre os vivos, mas Alon não reagiu. Continuou observando os movimentos do gigante.
O motivo era simples.
'As regras.'
Fugir ou se mover naquela situação violaria as regras do grande duelo babilônico, que existia desde a esquecida era dos deuses.
O duelo babilônico tinha apenas duas regras.
A primeira era que atacante e defensor agiam em turnos, e o defensor não podia se mover.
A segunda era que aquele que solicitasse o duelo deveria ceder o primeiro ataque ao adversário.
Naquele formato de duelo por turnos, se Alon desse sequer um passo, o duelo perderia o sentido.
Além disso, ele perderia a chance de lidar com o Deus Exterior diante de si.
Sem as restrições impostas pelo duelo, não haveria maneira de matar aquele deus, capaz de abater até Cavaleiros-Mestres com um único golpe e sem qualquer esforço.
Em outras palavras, aquele duelo era o único meio que Alon tinha de impor limitações que lhe permitissem vencer.
— Fixação.
Assim, a única coisa que Alon podia fazer naquele momento era se defender.
Ao murmurar, uma esfera surgiu diante dele.
— Condensação.
A esfera condensada convergiu para seu braço esquerdo.
— Reforço.
Com a palavra murmurada, a energia condensada no braço esquerdo começou a emitir um brilho intenso.
— Intensificação.
Ao terminar de falar e concluir o último gesto, Ultultus, ainda sorrindo abertamente, puxou o punho para trás.
Os músculos se retesaram como a corda de uma balista.
A força acumulada convergiu para o punho recuado.
Alon conhecia muito bem aquela técnica.
Já a tinha visto antes.
Com um segundo, ela podia despedaçar o chão.
Com cinco segundos, podia romper o céu.
Com dez segundos, podia virar o mundo de cabeça para baixo.
Era a Canção da Destruição.
E então…
[Realmente impressionante…]
Tomado de alegria por seguir as regras da Babilônia, Ultultus sorria enquanto todos ao redor exibiam expressões de choque.
Mesmo sem entenderem por completo, todos perceberam por instinto.
A força concentrada na mão do Deus Exterior estava muito além do comum.
No exato instante em que todos os olhares convergiram,
[Ó honorável que compreende a nobreza do duelo!]
O punho foi lançado.
!!!!
Com um rugido ensurdecedor, tudo foi varrido.
O chão explodiu como se sua crosta tivesse se partido.
O ar vibrou, produzindo um estrondo brutal.
Por um instante, tudo ao alcance do soco se transformou em vácuo.
E então…
BUM!!!
Depois da explosão retardada que rasgou os ouvidos, poeira cinzenta se espalhou em todas as direções.
— Isso é inacreditável.
Eles podiam ver.
A paisagem estava completamente devastada, sem nada restar no ponto atingido pelo punho de Ultultus.
Uma enorme cratera em forma de cone se abriu no chão, e o céu cinzento se rasgou, permitindo que a luz púrpura do pôr do sol banhasse a terra.
Um poder esmagador.
Os vivos, que encaravam Ultultus parado diante do pôr do sol, começaram a sentir uma mistura de desespero e assombro.
— O-o conde… ele ainda está vivo?
— O quê? Como assim—
Ao murmúrio de um cavaleiro, todos voltaram o olhar para a área em forma de cone.
E então…
— Não pode ser…
Um cavaleiro praguejou em voz baixa, e todos enfim viram.
O conde Palatio, encharcado de sangue, estava de pé.
Sua condição estava longe de ser normal.
O braço direito pendia sem forças, e o sangue que escorria de seu corpo parecia anunciar que a morte se aproximava.
Ainda assim, mesmo naquele estado, Alon permanecia firme, encarando o gigante sem qualquer traço de emoção.
O pingente em forma de lótus no pescoço do conde se desfez em cinzas e desapareceu.
— Todas as condições foram cumpridas.
A voz do conde ecoou.
— Invoco a Restrição.
O "Anel do Arrogante" é um item que, assim como a "Restrição" que Alon obtivera antes, concede poder em troca de um preço.
No jogo, a diferença é que o item obtido varia dependendo de a classe do protagonista ser mago ou alguma outra profissão.
Há ainda outras duas diferenças.
A primeira é que, ao contrário da "Restrição" que ele usara originalmente, o anel permite estabelecer quatro restrições de uma só vez.
A segunda é que, ao contrário da Restrição original, a condição de ativação do anel exige que o usuário esteja à beira da morte.
Com isso, todas as condições haviam sido cumpridas.
Alon havia atraído deliberadamente o Deus Exterior para um duelo com restrições.
Amortecera quase toda a dor com a Poção de Leviteon.
Usara o artefato de uso único que conseguira antes de passar por Caliban, o "Pingente da Reencarnação", que garantia sua sobrevivência por mais graves que fossem os ferimentos, para suportar o ataque do deus.
Reforçara obsessivamente apenas a mão esquerda, na qual segurava a poção de recuperação, para conseguir levá-la à boca.
E, assim, cumprira as condições da "Restrição".
— …Eu a cumprirei.
Naquele instante congelado no tempo, Alon, depois de completar a Restrição, olhou para a frente.
Diante dele estava o gigante, tomado por uma imensa alegria, com os braços abertos e o corpo imóvel.
Como se esperasse pelo ataque de Alon, o gigante não se moveu nem um centímetro.
Cambaleando, Alon estendeu a mão esquerda ilesa.
— A Poção de Leviteon levou tanto tempo para ficar pronta… Sem ela, eu nem teria conseguido ficar de pé.
A constatação lhe escapou em meio à dor amortecida.
Mesmo depois de tomar a Poção de Leviteon, que suprimia a dor, e despejar à força na boca a poção de recuperação da mais alta qualidade, o corpo de Alon continuava destroçado.
Uma recuperação instantânea só seria possível com um elixir.
Por enquanto, porém, conseguir erguer a mão esquerda era o bastante.
O gigante, que venerava os duelos, atingira o ápice da selvageria e conquistara honra. Ele não interferiria no ataque de Alon nem tentaria evitá-lo.
Não importava quanto tempo fosse necessário para preparar aquele ataque.
— Huu…
Alon observou a aura mágica subir em espiral da mão erguida, retorcendo-se até formar um vórtice. Então se lembrou da Restrição que acabara de estabelecer e, por trás da expressão impassível, esboçou um sorriso quase imperceptível.
A natureza da Restrição, que exigia um grande sacrifício em troca de um poder ainda maior, o levara a impor condições ainda mais severas do que planejara originalmente.
Ultultus ficara mais forte devido ao rápido avanço de sua manifestação, superando as expectativas de Alon.
No entanto…
Agora Alon tinha certeza.
Aquele golpe alcançaria o Deus Exterior.
CRAC!
Quando a espiral de eletricidade começou a se retorcer com um som estranho, Alon murmurou e se lembrou das quatro restrições.
— Refração.
A primeira restrição. Distorcer as leis do mundo ao usar magia nesta terra congelada.
— Ponto.
A segunda restrição. Distorcer as leis do mundo ao usar magia à beira da morte.
— Condensação.
A terceira restrição. Distorcer as leis do mundo ao usar magia para enfrentar um deus.
— Aniquilação.
A quarta restrição.
Distorcer as leis do mundo ao usar magia para enfrentar o grande Deus dos Duelos, Ultultus.
Alon olhou para a frente.
Diante dele, uma imensa linha de relâmpago vermelho havia se formado.
Fina e comprida.
Iluminada pela luz púrpura do pôr do sol, ela brilhava em um vermelho profundo.
A magia cinzenta que fluía do bracelete em seu pulso esquerdo envolvia a linha vermelha de relâmpago como fumaça.
Aos olhos dos cavaleiros e soldados, a figura de Alon se destacava contra o pôr do sol.
Aos olhos de Deus e Penia, dois "olhos" surgiram atrás de Alon, gravados no pôr do sol.
E então…
— Linha do Silêncio.
Assim que Alon murmurou, um clarão branco ofuscante disparou na direção do gigante sorridente.
BUM!!!
Por um breve instante, a terra cinzenta voltou a parecer um campo de neve perfeitamente branco.