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Raising Villains the Right Way – Capítulo 34

Líder...? Eu...? (2)

Tradutor: miggigibe


Nas terras do norte, onde o frio rigoroso e o solo cinzento se estendem sem fim, fica o lugar em que recentemente ocorreu uma batalha entre um Deus Exterior e o conde de Asteria. Agora, a região havia se transformado num campo de incontáveis sepulturas, o último repouso daqueles cujos corpos a expedição não conseguira recuperar.

Clanc!

Uma figura trajava um manto sagrado negro, com ornamentos negros e sinistros tilintando na cintura e nas mãos. O rosto permanecia oculto sob um capuz, enquanto o olhar parecia percorrer os arredores.

…?

…?

A figura torceu a boca, como se não entendesse a situação. Pouco depois, porém, enquanto continuava a observar o lugar, um leve sorriso divertido surgiu em seus lábios.

— Interessante.

A voz, estranhamente alegre para aquela paisagem cinzenta, ecoou em vários timbres sobrepostos, tornando impossível saber se quem falava era homem ou mulher. Depois de examinar lentamente os arredores, o olhar da figura enfim parou no chão. Era exatamente o ponto onde o Deus Exterior havia desaparecido e onde Alon acertara seu golpe durante um duelo legítimo.

Depois de encarar o local em silêncio, a figura murmurou:

— Vamos ver até onde isso vai. Que tal observarmos?

Com essas palavras enigmáticas, virou-se sem hesitar, como se não houvesse mais nada a fazer ali. E assim, a terra cinzenta, habitada apenas por sepulturas, voltou a ficar completamente desolada.


Cinco meses haviam se passado desde que os presentes começaram a chegar sem parar ao condado de Palatio. A primavera dera lugar aos dias límpidos e quentes do verão. Embora a brisa fosse morna, ainda seria mais adequado chamá-la de "agradável" do que de "quente".

Nessa época, enquanto a enxurrada de presentes começava enfim a diminuir e Alon seguia com seus estudos de magia, surgiram duas grandes tarefas diante dele.

A primeira era o reaparecimento da esquecida cidade de Kahara. Depois de solicitar informações à guilda repetidas vezes, Alon logo recebeu a notícia de que exploradores haviam descoberto uma cidade escondida no deserto. O relatório da guilda dizia apenas que uma cidade oculta fora encontrada, mas, graças ao conhecimento que já possuía, Alon identificou sem dificuldade o lugar como a cidade esquecida de Kahara. Em outras palavras, faltava apenas partir da Colônia para finalmente obter as informações que procurava.

No entanto, em vez de seguir para a cidade no deserto, Alon viajava naquele momento na direção oposta, rumo a Teria, a capital de Asteria. O motivo era sua segunda tarefa: a Grande Assembleia, realizada uma vez a cada três anos e cuja presença era obrigatória para os nobres.

— Já estamos chegando?

— Devemos chegar em breve — respondeu Evan, que viajava na carruagem com Alon, erguendo os olhos para o céu ensolarado.

— Espero que não estejamos atrasados.

— Mas, se forçarmos ainda mais o ritmo, vai ficar difícil.

Alon assentiu diante das palavras de Evan. A carruagem, que avançava por uma estrada sem pavimentação, corria a uma velocidade incomum para um veículo daquele tipo.

'Não quero chamar atenção chegando atrasado…'

Por ter calculado mal o tempo, Alon corria o risco de chegar tarde à Grande Assembleia. Por trás da expressão impassível, soltou um profundo suspiro. A vontade era abandonar tudo e mandar a carruagem voltar para a Colônia, mas infelizmente essa não era uma opção. Assim como os encontros sociais dos quais participara antes, a Grande Assembleia era um evento obrigatório para todos os nobres de Asteria, realizado uma vez a cada três anos.

'Por que regras assim sequer existem?'

Alon havia vasculhado documentos em busca de alguma forma de escapar da obrigação, embora soubesse por que regras daquele tipo existiam.

'Isso aqui é um país comunista…? Ah, é uma monarquia, então talvez seja…?'

Ainda assim, conhecer o motivo da regra não mudava sua opinião. Ele não tinha o menor interesse em entrar nas facções políticas de Asteria. Nunca tivera e continuava sem ter. Juntar-se a uma facção política significava, na prática, fazer inimigos dentro do reino, e Alon não queria isso.

É claro que fazer inimigos também poderia trazer benefícios, mas nenhum deles era algo de que Alon precisasse. Dinheiro, por exemplo, agora lhe sobrava por causa de Deus, seu servo "eternamente grato".

'…Houve uma época em que receber presentes demais parecia um peso, mas agora a situação está bem confortável.'

De qualquer forma, considerando seus objetivos atuais, Alon não via vantagem alguma em se juntar a uma facção. Por isso, mantivera distância delas desde o começo.

— Evan.

— Ali. Já dá para ver a capital.

Como se estivesse esperando Alon chamá-lo, Evan respondeu de imediato. Alon desviou o olhar para fora da carruagem e viu Teria, a capital de Asteria, surgindo à frente.

— Oh.

O nível de desenvolvimento de Teria era impressionante, superior ao de qualquer outro reino que Alon havia visto até então. É verdade que ele só visitara cerca de cinco domínios nobiliárquicos e uma única outra capital, Caliban, mas, deixando de lado o tamanho das terras, a diferença de desenvolvimento não era tão grande.

Enquanto observava distraidamente a paisagem da capital…

— Ali está.

Ao ver ao longe o prédio onde seria realizada a Grande Assembleia, Alon não conseguiu evitar a mesma ansiedade de um universitário correndo para uma aula com dez minutos de atraso. Só de pensar nisso, seu rosto ficou tenso.

— Hum…?

Porém, assim que chegou ao local da assembleia, Alon inclinou a cabeça, confuso. Embora a reunião já devesse ter começado, um grande número de nobres ainda permanecia do lado de fora, conversando tranquilamente em vez de entrar no salão.

'O que está acontecendo…?'

Alon se perguntou por um instante, mas logo deixou a questão de lado. Em vez disso, sentiu alívio por não precisar suportar olhares frios por chegar atrasado. Desceu rapidamente da carruagem, ansioso para entrar.


Pouco depois…

— Ufa…

Evan, que conduzira a carruagem até a assembleia com o tempo tão apertado, soltou um suspiro de alívio enquanto observava Alon.

Alon seguia em direção à Grande Assembleia num passo um pouco apressado. Para os outros, porém, talvez parecesse apenas que suas passadas eram naturalmente longas.

Mas Evan estava ao lado de Alon havia mais de sete anos, quase oito, e conseguia perceber que o conde estava com mais pressa do que deixava transparecer.

'Bom, isso é mais ou menos a única coisa que consigo perceber nele.'

Mesmo depois de tantos anos ao lado de Alon, ainda havia muita coisa que Evan não sabia sobre ele, o que lhe causava certa frustração.

— Hã?

Logo, uma expressão intrigada apareceu no rosto de Evan. Os nobres que até momentos antes conversavam entre si começaram a seguir Alon para dentro do salão assim que ele passou por eles a passos rápidos.

É claro que aquilo, por si só, não era tão estranho. Talvez simplesmente tivessem perdido a noção do tempo enquanto conversavam e só agora tivessem percebido que estavam atrasados.

Mas não era isso que confundia Evan.

'Espera. Eles estão todos seguindo o conde?'

Os nobres espalhados nas proximidades do prédio da Grande Assembleia não estavam reunidos num único lugar. Havia gente por toda parte, desde a escadaria até a entrada. Em outras palavras, se apenas tivessem percebido que estavam atrasados, bastava que cada um seguisse direto para a porta.

Mas…

'Não pode ser… Isso está mesmo acontecendo?'

Alon estava absorto demais em seus próprios pensamentos, preocupado em não se atrasar e aliviado por não precisar enfrentar a ansiedade de um universitário chegando tarde, e parecia não perceber nada. Ainda assim, todos os nobres caminhavam agora logo atrás dele.

Clanc!

…???

Quando Alon enfim alcançou o topo da escadaria e entrou no salão da assembleia, a cena parecia a de alguém conduzindo todos os nobres para dentro. Evan, observando de trás, só conseguiu encarar aquilo, perplexo.


Enquanto isso, Alon entrou no salão da assembleia sentindo-se aliviado e, pela primeira vez, observou o interior com atenção. O lugar lembrava o formato circular de um parlamento que vira na televisão em seu mundo anterior.

A única diferença realmente evidente era que os assentos estavam divididos em três seções distintas, provavelmente para separar as facções.

'À esquerda deve ficar a facção monarquista, e à direita a facção nobiliárquica, certo?'

Alon lançou um olhar aos nobres sentados à esquerda e à direita antes de reparar nos numerosos assentos vazios no centro.

'Então é aqui que ficam os nobres sem facção… Mas será que existem mesmo tantos nobres independentes assim?'

A confusão apareceu no rosto de Alon, mas durou apenas um instante. Ao perceber que cada vez mais olhares se voltavam para ele, moveu-se instintivamente em direção ao assento mais distante, no fundo. Porém, quando virou a cabeça em resposta aos olhares que sentia nas costas, levou um susto.

Ali estavam os nobres, encarando-o diretamente. Todos tinham no rosto uma expressão que parecia perguntar: "O que exatamente o senhor está fazendo?"

'Espera, vocês não estavam todos lá fora agora há pouco…???'

Ainda confuso, Alon começou a avançar, pretendendo se sentar em algum lugar no meio.

— …Ah.

Ao ver que os nobres continuavam com aquelas expressões de "O que exatamente o senhor está fazendo?", Alon finalmente entendeu por que todos haviam permanecido do lado de fora do salão mesmo depois de o horário passar.

'Será que eles simplesmente não queriam sentar na frente?'

Era uma conclusão quase ridícula, embora fizesse todo sentido nos tempos em que Alon era universitário. Como nunca participara de uma Grande Assembleia daquele tipo, nem no jogo nem na vida real, Alon não viu outra opção senão se sentar na ponta da disposição triangular de assentos, justamente o lugar claramente reservado ao líder de uma facção.

Assim que Alon se sentou, o som dos nobres ocupando seus lugares ecoou pelo salão, confirmando sua suspeita.

'…Agora entendo por que ninguém queria sentar aqui.'

Alon lançou discretamente um olhar para os lados, observando os dois líderes de facção que, assim como ele, estavam sentados nas outras pontas do triângulo. De um lado estava o duque Limgrave, líder da facção monarquista. Do outro, o marquês Filboid, líder da facção nobiliárquica. Um era um homem de meia-idade que envelhecia com elegância, enquanto o outro parecia ter sido marcado pelas tempestades da vida, mas ambos emanavam uma presença formidável.

É claro que não se tratava de energia mágica. Era, antes, a imponência de pessoas que haviam liderado suas facções por muito tempo e enfrentado incontáveis provações.

'Estão me encarando bastante.'

Justamente quando Alon começava a entender por que os nobres evitavam os lugares da frente, o homem ao centro, que mais parecia um clérigo do que um nobre, lançou um olhar para Alon e para os outros líderes de facção antes de começar a falar.

— Declaro iniciada a Grande Assembleia.

'Espero que isso termine rápido…'

Alon pensou enquanto virava a cabeça. Foi então que viu a duquesa de Altia sentada logo atrás dele. Diferentemente da última vez em que a vira, ela agora exalava um ar misterioso e intrigante.

— E, antes de iniciarmos a assembleia, anunciamos que a recém-formada facção "Kalpha" passará a ter direito a voto na Grande Assembleia de Asteria.

Era um daqueles rumores que Alon empurrara para o fundo da mente, convencido de que não teria importância a longo prazo. Mas agora ele se lembrava. Aquele era o dia em que a facção de Lady Zenonia e da duquesa de Altia seria oficialmente lançada.

— E agora, conde Palatio, como representante da facção Kalpha, tem algo a dizer?

— …O quê?

Naquele instante, Alon percebeu que, de alguma maneira, havia se tornado o líder da obscura facção criada pela duquesa de Altia e por Lady Zenonia.

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