Tradutor: miggigibe
No vasto território de Malteon, ao sul do Reino de Ashtalon, dois homens estavam sentados no subsolo de uma enorme mansão.
Um deles era Carmine, terceiro filho do duque Komalon e dono daquela mansão.
O homem diante dele mantinha uma expressão relaxada, mesmo estando frente a frente com Carmine, conhecido por ser um tirano e um canalha.
— Você é o "Agente", certo?
Carmine perguntou como quem buscava confirmação.
O homem de olhos semicerrados sorriu em silêncio e, sem dizer uma palavra, tirou uma pena do bolso.
À primeira vista, a pena não parecia possuir nenhum poder especial.
Logo, porém, ouviu-se um zumbido, e uma lâmina de aura surgiu na ponta da pena.
Com um leve sorriso, o homem ergueu o braço acima da cabeça, liberou a aura e traçou uma linha no ar.
Embora tivesse sido desenhada no vazio, uma linha escura permaneceu nitidamente no caminho percorrido pela pena.
Observando aquilo, Carmine logo percebeu que a linha começava a se infiltrar no ar, como tinta se espalhando na água.
No instante em que a tinta negra desapareceu do ar, um som agudo de corte ecoou…
Chuaaa!
Sangue explodiu no porão que, até então, parecia vazio. Corpos antes invisíveis desabaram no chão, enquanto o sangue se abria em manchas pelo piso.
Ao todo, eram nove cadáveres.
O lugar, impecável apenas alguns instantes antes, agora estava tomado pelo cheiro pungente de sangue, tudo por obra do homem, que guardou a pena no bolso do peito como se nada tivesse acontecido.
— Creio que minha resposta tenha ficado clara agora. O que acha?
O homem abriu um sorriso malicioso.
Carmine, que por um momento parecera atordoado, de repente esboçou um sorriso sombrio.
— De fato. Um Mestre da Espada com uma habilidade tão peculiar… Como imaginei, você é um dos "Agentes". Seu nível está em outro patamar…!
Embora seus subordinados tivessem sido massacrados com um único golpe, Carmine não demonstrou a menor preocupação. Em vez disso, parecia admirado.
— Agradeço o elogio — respondeu o Agente, sorrindo.
Satisfeito, Carmine assentiu.
'Como pensei, esta é a escolha certa.'
Os Agentes.
Eram assassinos que atuavam nos Reinos Unidos.
Embora ninguém soubesse exatamente quantos eram, Carmine tinha certeza de que cada membro dos Agentes possuía habilidade suficiente para ser considerado do mesmo nível que um Mestre da Espada.
Os preços cobrados por seus serviços eram exorbitantes, e eles eram seletivos ao aceitar contratos. Mas, uma vez que aceitavam um trabalho, jamais haviam falhado.
— Agora, vamos direto ao assunto — disse o Agente.
Sem hesitar, Carmine respondeu:
— Quero que mate um nobre.
— Qual nobre?
— Conde Palatio, do Reino de Asteria.
Ao ouvir aquilo, o Agente ficou em silêncio por um instante, pensativo, antes de responder:
— Receio que esse contrato em particular seja um pouco complicado.
Uma recusa direta.
Mas Carmine já esperava por essa resposta até certo ponto, então continuou:
— O problema é o pagamento?
— Exatamente. Como bem sabe, nossos preços são bastante altos. Além disso, haveria custos adicionais no caso do conde Palatio.
— Então quer dizer que, se eu pagar o valor exigido, vocês conseguem matar o conde Palatio?
— Nunca falhamos em um contrato que aceitamos, seja para tomar a cabeça de um nobre…
Heh.
— …ou até mesmo a cabeça de alguém da realeza.
A confiança esmagadora do Agente transparecia em suas palavras.
Carmine então respondeu:
— Eu pago.
— Receio que o valor que cobramos seja pesado demais para você.
— É verdade. Se fosse apenas dinheiro, talvez fosse difícil. Mas…
Com um sorriso confiante, Carmine tirou algo de dentro da roupa e o mostrou.
— E quanto a isto?
O que Carmine segurava era um cubo negro.
Tão escuro que parecia capaz de absorver até a própria luz, lembrava o abismo.
Um lampejo de interesse surgiu nos olhos do Agente ao observá-lo.
— Hmm, não é Jade Abissal, mas um Núcleo Abissal…?
— Sim — confirmou Carmine com um aceno.
O Agente fitou o objeto em silêncio por alguns instantes.
A cobiça brilhou brevemente em seus olhos, mas, depois de pensar um pouco, ele balançou a cabeça, como se a resposta já estivesse decidida.
— Hmm, é tentador, sem dúvida, mas apenas um Núcleo Abissal…
O Agente falou como se estivesse genuinamente decepcionado.
Mas Carmine continuou:
— E se fossem três Núcleos Abissais?
Diante da pergunta seguinte de Carmine, o Agente ficou em silêncio. Depois de um instante, perguntou:
— Tem certeza?
— Claro.
— Heh.
Com uma risada baixa, o Agente disse:
— Vou concluir o trabalho o mais rápido possível e voltar.
Com isso, desapareceu dali como se simplesmente tivesse deixado de existir, restando no ar apenas o cheiro forte de sangue.
Sozinho, Carmine finalmente abriu um largo sorriso.
'Finalmente!'
Cinco meses antes, depois de fracassar em sua tentativa de se vingar por meio de Vilan, Carmine passara todo esse tempo procurando incansavelmente uma forma de consumar sua vingança, mas fracassara repetidas vezes.
Rumores diziam que Deus Macallian, um dos Cavaleiros-Mestres de Caliban, tinha uma ligação profunda com o conde Palatio.
E, quanto mais a vingança era adiada, mais o ódio de Carmine por Alon crescia, quase se transformando em obsessão.
Já não era uma emoção racional, mas uma aversão intensa e irracional.
Por causa daquele ódio desmedido, Carmine havia gastado muito mais Núcleos Abissais do que deveria, deixando sua posição diante do pai bastante delicada.
Ainda assim, continuava sorrindo de forma perversa.
'Achou mesmo que poderia me ignorar e continuar vivendo tranquilamente?… Isso nunca vai acontecer. Nunca.'
Seu complexo de inferioridade distorcido e sua frustração haviam se transformado em ódio, agora dirigido contra Alon.
Por algum motivo, uma frase que parecia pertencer ao título de uma web novel de outro mundo passou pela cabeça de Alon:
"Virei sem querer o líder de um grupo formado por uma aliança obscura."
— Tem algo a dizer?
Sem saber dos sentimentos complicados de Alon, o moderador fez outra pergunta.
Alon, porém, queria responder com outra:
O quê? Eu? O líder de um grupo criado por uma aliança obscura?
— Hmm, parece que não tem nada a acrescentar. Então vamos prosseguir.
Antes que Alon pudesse expressar sua confusão, o moderador continuou com naturalidade, deixando as palavras presas em sua garganta.
Desesperado para entender a situação, Alon desviou o olhar para a duquesa de Altia.
Assentiu!
Ao contrário da jovem que Alon lembrava, a duquesa de Altia agora exalava a aura confiante de alguém que movia os fios nos bastidores, assentindo com segurança.
Da mesma forma, Lady Zenonia… não, agora oficialmente condessa Zenonia, depois de ter realizado a cerimônia de sucessão após a morte do pai alguns meses antes, também sorria ao lado dela.
'…Isso é algum tipo de brincadeira?'
A ideia passou pela cabeça de Alon, mas ele sabia muito bem que aquilo não era apenas uma brincadeira.
Enquanto continuava juntando as peças daquela confusão…
'Ah.'
Finalmente entendeu a situação.
Percebeu por que os nobres tinham ficado intrigados quando ele se sentara mais cedo.
E também por que os dois homens à sua frente, que claramente haviam passado por inúmeras batalhas, o observavam com tanta cautela.
'Ah.'
Com essa nova compreensão, Alon percebeu mais uma vez que realmente havia se tornado o líder de uma facção obscura.
Uma súbita tontura o atingiu. Instintivamente, Alon levou a mão à cabeça e fechou os olhos com força.
Cerca de duas horas depois, a Grande Assembleia chegou ao fim.
Embora muita coisa tivesse sido discutida, Alon não conseguia se lembrar de uma única parte da reunião.
Para ele, entender como havia acabado se tornando o líder da facção Kalpha era muito mais importante do que os argumentos contraditórios dos nobres.
Durante duas horas, ficou quebrando a cabeça com aquele enigma insolúvel. E, quando a assembleia estava chegando ao fim, uma hipótese lhe ocorreu.
'…Será que eu sou só um fantoche servindo de líder de fachada?'
Era a pior conclusão possível para ele, mas também bastante plausível.
No entanto, depois que a Grande Assembleia terminou, Alon acabou sendo levado, quase como se estivesse hipnotizado, até o banquete que celebrava o nascimento da facção Kalpha.
E, quando o banquete começou e ele passou a conversar a três com a condessa Zenonia e a duquesa de Altia, Alon percebeu rapidamente que sua hipótese estava errada.
Ainda assim…
— Que tal assim? Acho que agora ficou perfeito.
Do ponto de vista de Alon, a situação ficava mais incompreensível a cada instante.
Diante das palavras de Lady Zenonia… não, da atual condessa Zenonia, Alon não conseguiu responder de imediato.
Mais precisamente, não conseguiu responder.
Ele não fazia ideia do que a condessa Zenonia queria dizer ou do que estava falando.
— Parece que conseguimos moldar tudo exatamente como o conde Palatio queria.
Ao ouvir a observação da duquesa de Altia, Alon teve vontade de lançar dezenas de pontos de interrogação no ar, como se perguntasse: "Eu? Do que você está falando?"
É claro que, por fora, ainda conseguiu manter a expressão impassível.
Alon alternou o olhar entre a duquesa de Altia e a condessa Zenonia.
Nos olhos das duas havia uma discreta expectativa, como se estivessem esperando que ele dissesse alguma coisa.
Ao ver aquelas expressões, Alon começou a se perguntar seriamente se talvez tivesse dupla personalidade.
Ele não era particularmente próximo nem da duquesa de Altia nem da condessa Zenonia.
Na verdade, só havia encontrado a duquesa de Altia alguns anos antes, e os dois tinham trocado apenas algumas palavras.
Nem mesmo aquelas poucas palavras tinham sido agradáveis: na época, a conversa girara em torno da recusa de Alon ao pedido de ajuda de Roria.
Da mesma forma, Alon também não tinha intimidade alguma com a condessa Zenonia.
Os dois só haviam se encontrado duas vezes antes e, no segundo encontro, Alon chegara a ordenar que ela fosse expulsa de sua mansão.
Percebendo que permanecera em silêncio por tempo demais, Alon finalmente abriu a boca.
— Entendo.
Na verdade, queria perguntar que diabos estava acontecendo, mas Alon era perspicaz o bastante para entender a situação.
Estava claro que aquelas duas acreditavam que ele havia formado aquela facção de propósito.
Perguntar "O que está acontecendo aqui?" provavelmente só pioraria as coisas.
Por enquanto, Alon decidiu que o melhor seria reunir o máximo de informações possível para descobrir de onde vinham todos aqueles mal-entendidos.
Depois de obter mais detalhes, poderia tentar resolver o problema.
No entanto…
— Só fico feliz por ter conseguido retribuir o que fez ao salvar minha vida.
Assim que Alon demonstrou concordância, a duquesa de Altia completou com aquela declaração.
Alon fechou os olhos com força por puro reflexo.
'Que diabos está acontecendo!?'
Ele gritou por dentro.