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Raising Villains the Right Way – Capítulo 47

O que está acontecendo? (3)

Tradutor: miggigibe


Crac!

As duas mãos de Sergius se despedaçaram como se tivessem sido esmagadas por uma força invisível, e um grito horrendo irrompeu de sua boca.

— Aaaagh!

E não foram apenas as mãos. Seus braços, ombros e pernas foram destroçados como se estivessem sendo comprimidos por uma prensa.

Um grito de gelar o sangue ecoou por toda a mansão de Yutia. Mas Yutia, observando aquela cena grotesca, apenas falou com uma expressão serena, como se estivesse proferindo uma sentença contra Sergius, cujo corpo agora estava completamente destruído.

— Gritar assim não vai fazer ninguém vir salvar você.

— M-me salve… por favor!

Com o rosto tomado pelo terror, Sergius implorou a Yutia, que o observava naquele mundo vermelho. Já sofrendo uma dor insuportável, líquidos escorriam de seus olhos, nariz e boca. A dignidade de cardeal já ficara para trás havia muito tempo. Tudo o que conseguia fazer era gritar, desesperado para escapar da agonia.

— Do que você está falando? — perguntou Yutia, aparentemente confusa, encarando Sergius, que se contorcia no chão. Então voltou a falar.

— É óbvio que você não vai morrer, não é?

Enquanto falava, uma luz branca começou a emanar da mão de Yutia. A poderosa energia divina rapidamente passou a curar o corpo de Sergius, mas…

— Não! Não, pare!!

Sergius gritou ainda mais alto ao ver o próprio corpo começar a se recuperar. Então, no instante em que foi completamente restaurado…

— Gah…!

Tomado pelo terror, Sergius ergueu os olhos para Yutia com o corpo inteiro tremendo. Era uma figura miserável, muito distante da dignidade de um cardeal de Rosario.

O medo causado pela repetição daquela dor excruciante já havia corroído o pouco que restava de sua dignidade e de sua fé. Mesmo depois de sofrer aquela tortura incontáveis vezes, ele ainda não conseguia compreender a situação. Os cavaleiros sagrados que jamais apareciam, por mais que gritasse. A pressão que o impedia de mover o corpo como queria. O modo como seu corpo se retorcia como uma folha de papel com um simples gesto dela.

Nada daquilo fazia sentido. Era como se tudo estivesse além de sua compreensão.

E assim…

— Me salve… por favor… me salve…

Ele simplesmente implorou por misericórdia. Mesmo sem entender por completo por que estava sendo submetido àqueles horrores, pediu perdão como se buscasse absolvição diante de um deus.

No entanto…

Crrrrac!!

— Aaaaaaaah!

Contrariando a esperança desesperada de Sergius, seu corpo começou a ser comprimido lentamente outra vez. Com os ouvidos zunindo por causa dos próprios gritos enlouquecidos, ele ouviu a voz de Yutia.

— Eu continuo dizendo: você não vai morrer. Ainda tem algo a fazer.

Sua voz era doce aos ouvidos de qualquer pessoa.

— Mas…

Suave, mas ainda assim…

— Você vai ter que expiar o crime de tentar fazer mal a Ele.

A voz dela fez um arrepio percorrer sua espinha.

— Aaaaagh!!!!

Os gritos de Sergius ecoaram mais uma vez.


Já fazia cerca de um mês desde que Alon retornara à propriedade do conde. Ele passara esse tempo se recuperando do cansaço da longa viagem pelo deserto, ao mesmo tempo que investigava a origem do Núcleo Abissal, que ainda não deveria ter aparecido, e os indícios de ameaças vindas de fora mencionados por "Aquilo". Agora, Alon se preparava para deixar a propriedade mais uma vez.

Havia dois motivos para sua partida. Um era participar da Conferência de Magia, para a qual havia sido convidado por Liyan Aguileras, filha do mestre da Torre Vermelha. O outro era comparecer a um evento social antes da conferência.

Evento social.

Na verdade, seria mais correto chamar aquilo de evento social da nobreza do que usar um termo pomposo como "encontro". Os nobres simplesmente se reuniam para estreitar seus laços.

A única particularidade era que, ao contrário dos encontros típicos entre nobres, aquele também permitia a participação de pessoas de renome que não pertenciam à nobreza.

'Eu realmente não quero ir.'

Alon fez um muxoxo ao pensar nisso. Ainda assim, sentia que precisava comparecer ao evento antes da Conferência de Magia porque, como líder da Kalpha, tinha de manter pelo menos certo decoro.

Gostasse ou não, ele já era o líder da Kalpha.

Claro, isso não significava que estivesse se obrigando a fazer coisas que realmente não queria.

Até a metade de todo aquele processo, Alon não conseguia parar de pensar que estava sendo forçado a fazer coisas contra a própria vontade. Mas isso mudou por completo por causa de uma única carta que chegou até ele.

— Haa…

Alon olhou para a carta mágica que bastava ver para melhorar seu humor. Não que ela tivesse algum encantamento. Era simplesmente uma carta informando que Alon havia se tornado o líder legítimo de uma facção, junto com os detalhes dos pagamentos regulares que passaria a receber.

— Impressionante.

A quantia mencionada na carta, que um líder de facção podia receber legalmente, estava muito além do que ele imaginava. Foi o bastante para finalmente entender por que os líderes das duas facções haviam se agarrado aos cargos com tanta obstinação durante anos sem renunciar, algo que antes não conseguia compreender.

'Nesse ritmo, eu poderia passar por todo tipo de inferno todos os dias e ainda assim continuar no cargo.'

Alon se perguntou como a estrutura da facção conseguia gerar tanto dinheiro. Deixando a curiosidade de lado, porém, sentiu-se satisfeito mais uma vez ao imaginar o dinheiro que receberia dali em diante. E, justo quando guardava a carta no casaco, contente com aquele alívio financeiro…

— Conde, essa não é a carta que o senhor recebeu duas semanas atrás?

— É.

— E ainda está carregando isso por aí?

— Ela me tranquiliza.

Diante daquela resposta inesperada, Evan olhou para ele com uma expressão estranha.

— Às vezes é difícil saber se o senhor está falando sério ou não, conde.

— Bem, não estou sendo exatamente sério nem exatamente brincando.

Evan deu de ombros e mudou de assunto.

— Agora que penso nisso, ouvi algumas histórias interessantes enquanto estávamos no vilarejo ontem.

— Histórias interessantes?

— Sim.

— Que tipo de histórias?

— Bem, ainda é só um rumor e eu não confirmei com a guilda de informações, então não dá para ter certeza… mas parece que Deus derrotou Reinhardt.

— Reinhardt? Está falando da "Primeira Espada" de Caliban?

— Sim.

— …Deus derrotou a Primeira Espada?

Diante da pergunta de Alon, Evan assentiu.

— Como eu disse, ainda não confirmei com a guilda de informações, então não é cem por cento certo… mas, considerando o quanto esse rumor se espalhou, acho bem provável que seja verdade.

— Hmmm…

Alon pensou em Deus, com quem deixara de ter contato depois da expedição ao norte, cerca de meio ano antes.

'Reinhardt não é forte demais para ser derrotado?'

É claro que Alon sabia que Deus era forte. Assim como Reinhardt, ele era um dos Cavaleiros-Mestres, e Alon já havia testemunhado sua força com os próprios olhos.

No entanto, Alon conhecia pelo jogo Psychedelia o quão poderoso Reinhardt era e não pôde deixar de ficar um pouco confuso. Até onde sabia, Reinhardt possuía uma força em um patamar completamente diferente dos demais Cavaleiros-Mestres.

Por outro lado, também não achava que os rumores estivessem necessariamente errados.

'Se ele ficou forte o bastante para derrotar Reinhardt em apenas meio ano… afinal, quanto talento esse cara tem?'

Enquanto Alon se admirava com o talento de Deus, Evan continuou trazendo mais notícias.

— Tem mais uma coisa.

— É sobre Seolrang? Ou Yutia?

— Bem… parece que Yutia pode estar envolvida, mas na verdade é outra história.

?

Curioso, Alon prestou atenção. Depois de ouvir tudo, perguntou novamente, incrédulo:

— O duque Limgrave foi levado para o Reino Sagrado?

— Sim. E isso não é rumor. Parece que ele realmente foi levado.

— Por quê…?

— Ouvi dizer que ele recebeu uma "Carta de Conversão".

— Uma Carta de Conversão…?

— Sabe, aquela carta que o Reino Sagrado envia quando alguém é suspeito de colaborar com hereges. Foi essa que ele recebeu.

— Então ele foi levado para o Reino Sagrado?

— Sim. Disseram que ele foi por vontade própria, mas, na prática, é quase como se tivesse sido arrastado para lá. Pelo que ouvi, isso aconteceu há cerca de duas semanas, então provavelmente o senhor não verá o duque Limgrave no evento.

Alon assentiu, pensando que aquilo talvez não fosse de todo ruim.

Na verdade, ele ainda relutava um pouco em encontrar tanto o duque Limgrave quanto o marquês Filboid. Sempre que os via, os dois o encaravam como se estivessem prontos para devorá-lo.

…

É claro que, por mais hostilidade que demonstrassem, aquilo não causava nenhum dano real a Alon. Mesmo assim, era desconfortável dividir o mesmo espaço com alguém que o tratava abertamente como inimigo.

— Talvez assim seja mais confortável.

Murmurando para si mesmo, Alon logo avistou ao longe as terras de Verityun, onde o evento seria realizado. Pouco depois, chegaram à propriedade do marquês Verityun e seguiram diretamente para o salão de baile.

— Chegamos, conde.

Ao ouvir Evan, Alon desceu naturalmente da carruagem.

'Tem muita gente aqui.'

Assim que colocou os pés no chão, não pôde deixar de notar a enorme multidão reunida à sua frente.

Também havia muita gente na grande cerimônia religiosa, mas aquele encontro parecia ainda mais cheio.

'Realmente tem muita gente que não é nobre. Ali estão mercenários, aqui comerciantes e, mais adiante… magos e até sacerdotes.'

Alon observava os arredores enquanto caminhava, notando a presença de muitos participantes que não pareciam nobres. Logo chegaram ao destino.

Como se estivessem esperando por ele, Alon encontrou a duquesa de Altia, usando um vestido preto, e a condessa Zenonia.

— Você chegou.

— Tem passado bem?

— Sim.

Alon respondeu brevemente aos cumprimentos casuais das duas figuras sombrias. Mesmo sabendo que já estava no mesmo barco que elas, ainda sentia uma intimidação inexplicável quando ficava diante das duas.

Provavelmente era por causa de certos mal-entendidos entre eles, que o deixavam naturalmente em guarda. Do ponto de vista de Alon, ele não podia se dar ao luxo de deixar que descobrissem que realmente havia algum mal-entendido.

Assim, depois de trocar cumprimentos simples, Alon se ocupou pegando alguns petiscos espalhados pelo salão e conversando amenidades com as duas.

Mas então…

— Ah.

Infelizmente, Alon cruzou o olhar com o homem que menos queria encontrar: o marquês Filboid.

Até poucos instantes antes, a duquesa de Altia e a condessa Zenonia conversavam normalmente, mas, assim que viram o marquês Filboid, calaram-se. No momento em que o marquês começou a caminhar em direção a eles, as expressões das duas endureceram.

Embora Altia e Zenonia fossem indiscutivelmente fortes no submundo, no cenário político ainda estavam abaixo do marquês Filboid. Depois de sobreviver a incontáveis batalhas políticas, ele era capaz de causar danos tanto internos quanto externos apenas com as palavras, e isso bastava para deixá-las tensas.

Ao mesmo tempo, vários nobres presentes no evento perceberam que o marquês Filboid se aproximava do conde Palatio.

— Eu… eu perdi…! Então, por favor, me poupe…!

O marquês murmurou, abatido. Não apenas os nobres que o observavam, mas também a duquesa de Altia e a condessa Zenonia ficaram chocados com o que ouviram.

E não era para menos. Todos os nobres presentes sabiam muito bem quanta influência o marquês Filboid exercia no mundo político. Também sabiam que, desde que começara sua ascensão ao poder, ele nunca havia abaixado a cabeça diante de ninguém.

Assim, quando todos os nobres que testemunharam a cena se viraram, atônitos, para Alon, que aparentemente havia feito o marquês declarar a própria derrota…

'…? Eu…? O que… eu fiz…?'

Alon, que até então apenas respondia distraidamente à conversa das outras duas enquanto beliscava alguns bolinhos financiers, só conseguiu encarar a situação em completa confusão.

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