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Raising Villains the Right Way – Capítulo 48

A Academia de Magia (1)

Tradutor: miggigibe


A condessa Zenonia ficou olhando para a frente, atônita.

Diante dela, o marquês Filboid, líder da facção nobiliárquica e uma figura cuja influência no mundo político não podia ser ignorada, abaixava a cabeça diante do conde Palatio.

'O quê…?'

Embora a condessa Zenonia tivesse atuado principalmente no submundo antes de criar a Kalpha, isso não significava que fosse completamente alheia à política atual.

Afinal, a família Zenonia já havia, em algumas ocasiões, transitado entre facções para tirar proveito da situação.

Mas, mesmo que jamais tivesse se envolvido com política, aquela cena ainda seria surpreendente.

Entre os nobres profundamente envolvidos na política, aqueles que detinham grande autoridade jamais abaixavam a cabeça diante dos outros.

Ao contrário do submundo, onde alguém podia se curvar pela frente e apunhalar pelas costas para atingir seus objetivos, o mundo político da nobreza dava enorme importância à legitimidade, aos princípios e ao prestígio.

Um gesto daqueles jamais era feito de forma leviana.

Num mundo em que legitimidade, princípios e prestígio determinavam quase tudo, abaixar a cabeça diante de alguém significava entregar a essa pessoa uma enorme vantagem política, tanto interna quanto externamente.

'Como…?'

A condessa Zenonia voltou o olhar para o conde Palatio.

Embora o marquês Filboid estivesse praticamente declarando a própria derrota, a expressão de Palatio não demonstrava o menor sinal de surpresa.

Era como se ele já tivesse previsto aquele desfecho desde o início.

Sentindo um formigamento nas pontas dos dedos, a condessa Zenonia não conseguiu conter um sorriso.

'Como eu esperava… impressionante.'

É claro que ela não fazia ideia de que método o conde Palatio havia usado para obrigar o marquês Filboid a admitir a derrota. Para ser sincera, nem sequer conseguia imaginar.

Mas, para ela, o que importava era o poder por trás daquele resultado. Por isso, só conseguia olhar para o conde Palatio com admiração.

'…O que é isso?'

Enquanto isso, Alon observava, completamente confuso, o marquês Filboid abaixar a cabeça diante dele.

Silêncio.

Não porque Alon tivesse escolhido ficar em silêncio. Ele simplesmente tentava entender o que estava acontecendo, porque também não fazia ideia.

'Eu fiz alguma coisa?'

Alon havia até se esquecido de mastigar o bolinho financier que tinha na boca enquanto quebrava a cabeça, mas logo balançou a cabeça.

Por mais que pensasse, não conseguia se lembrar de ter feito nada. Além disso, estivera ocupado demais para sequer cogitar fazer alguma coisa contra o marquês Filboid.

'…Será que algum rumor se espalhou?'

Naturalmente, Alon começou a considerar outras possibilidades.

'Pensando bem, ultimamente circulavam rumores de que eu era próximo da Seolrang.'

Alon se lembrou da duquesa de Altia e da condessa Zenonia, que sabiam dos rumores vindos de Colônia, mas logo descartou essa hipótese.

Era verdade que outros nobres passaram a tratá-lo com mais respeito depois que os rumores se espalharam. Ainda assim, não fazia sentido o marquês Filboid abaixar a cabeça só por causa de Seolrang.

Depois de examinar uma hipótese atrás da outra, Alon acabou chegando a uma única conclusão.

'O que diabos essas duas fizeram?'

Alon lançou discretamente um olhar para a duquesa de Altia e a condessa Zenonia, que o encaravam com atenção.

Mesmo sem entender de política, ele sabia o suficiente para perceber o quanto era absurdo o líder de uma facção abaixar a cabeça daquela maneira. Por isso, acabou apenas olhando, perplexo, para as duas.

'…Ah.'

De repente, lembrou-se de que as duas mulheres atrás dele deveriam se tornar duas das três grandes figuras de poder nos bastidores do Reino de Asteria.

'Preciso tomar cuidado.'

Assim que Alon terminou esse pensamento:

— Realmente… eu perdi…

O marquês Filboid, líder da facção nobiliárquica, que jamais havia abaixado a cabeça em público, curvou-a ainda mais e implorou por perdão.

Não havia o menor traço de vergonha ou raiva em sua expressão.

Na verdade, seu rosto estava tomado pelo medo.

A origem daquele medo era uma única carta que ele havia recebido alguns dias antes.

Pouco depois de o duque Limgrave ter sido levado para o Reino Sagrado após receber uma Carta de Conversão, Filboid também recebeu uma carta.

Ela não continha muita coisa.

Havia apenas um pequeno orbe mágico e uma única frase.

Mas aquilo bastou para incutir um medo gélido no marquês Filboid.

O pequeno orbe, capaz de armazenar uma gravação que só podia ser reproduzida uma vez, havia mostrado:

[E-eu realmente não sei de nada. Me desculpe, me desculpe~]

A imagem do duque Limgrave amarrado a uma cadeira branca, tremendo sem parar como se estivesse tendo uma convulsão e pedindo perdão.

Depois que a gravação terminou, o orbe mágico se despedaçou, deixando para trás apenas a carta.

[Você é o próximo.]

Era só isso que estava escrito.

Ainda assim, foi mais do que suficiente para encher o marquês Filboid de medo. E ele conseguia imaginar com facilidade de onde vinha aquela retaliação.

'Conde Palatio…!'

O marquês Filboid não conseguia entender como o conde Palatio tinha conexões dentro do Reino Sagrado ainda mais fortes do que os cardeais de alto escalão que eles haviam subornado.

Mas isso não era o mais importante.

O que importava era que o duque Limgrave, que conspirava ao lado dele para derrubar o conde Palatio, havia sido atingido pelas consequências do plano, arrastado para o Reino Sagrado e reduzido àquele estado.

E o próximo alvo já havia sido escolhido: ele próprio.

Se não tivesse recebido aquela carta, o marquês Filboid jamais teria abaixado a cabeça diante do conde Palatio.

Receber uma Carta de Conversão certamente seria um grave problema político, mas, desde que ele não estivesse realmente envolvido com hereges, não deveria haver grande perigo pessoal.

Só que o duque Limgrave havia acabado daquele jeito mesmo sem ter qualquer ligação com hereges.

Em outras palavras, era muito provável que a queda de Limgrave fosse inteiramente resultado das maquinações do conde Palatio.

Sem querer ser arrastado para o Reino Sagrado e sofrer o mesmo destino do duque, Filboid, consumido por um medo que não cessava, acabou abaixando a cabeça.

— Por favor~!

E não parou nisso. Ele se ajoelhou e se prostrou completamente no chão.

Era uma súplica desesperada, deixando claro que queria abandonar a carreira política e passar o resto da vida aposentado em paz.

Diante daquilo:

'Impressionante…!'

'Como esperado do conde…!'

A condessa Zenonia e a duquesa de Altia olharam para Alon com os olhos cheios de admiração.

'…Impressionante. O que diabos ele fez?'

Alon olhou para a condessa Zenonia e a duquesa de Altia com uma expressão um tanto inquieta.

Naquele dia:

— …Vou pensar no assunto.

Alon, murmurando algo que nem ele próprio compreendia direito, deixou o salão de baile sob o olhar de todos.

O episódio eliminou por completo as suspeitas, surgidas desde a fundação da Kalpha, de que o conde Palatio talvez fosse apenas um líder de fachada para permitir que Altia e Zenonia agissem com mais liberdade.


Cerca de três dias depois do início dos debates, Alon deixou as terras de Verityun e seguiu para o leste.

O objetivo daquela viagem era participar da Conferência de Magia na Academia de Magia, que, no fim das contas, era a principal razão de ele ter feito aquela jornada.

Por isso, deixou os debates quando ainda restavam cerca de dois dias e, no quinto dia de viagem rumo a Blugill, um território próximo à Academia de Magia indicado na carta de Liyan, ouviu de Evan que o marquês Filboid finalmente havia recebido uma Carta de Conversão.

— Então acabaram levando ele…

— Hã? Não foi obra sua, conde?

— Minha?

— Sim.

— Você realmente acha que eu teria tempo para isso enquanto estava com você esse tempo todo?

— Bem… é verdade…

Evan hesitou por um instante antes de revelar o que estava pensando.

— Ultimamente… sempre que olho para o senhor, conde, tenho a sensação de que está escondendo alguma coisa.

— Eu? O que eu estaria escondendo?

— Não sei… magia e outras coisas. Não faz muito tempo, o senhor dizia que não estava fazendo nada, e agora, de repente, virou líder de uma facção.

Alon ficou em silêncio por um instante, pensou e então respondeu:

— …Virar líder foi mesmo só uma coincidência.

— É sequer possível alguém virar líder de uma facção por coincidência…?

Enquanto Alon refletia, ainda que por um instante, sobre o absurdo da própria situação:

— Parece que estamos quase chegando.

Com uma expressão relaxada, Evan apontou que já estavam perto de Blugill, um território do Reino de Ashtalon situado nas proximidades da Academia de Magia.

Pouco depois, no local combinado, Alon encontrou Liyan, que estava acompanhada por magos da Torre Vermelha.

— Olá, conde.

— É bom vê-la.

Diferentemente de antes, Liyan fez uma reverência cortês. Em seguida, o grupo partiu diretamente para a Academia de Magia.

Como seguiram de carruagem assim que chegaram a Blugill, conseguiram alcançar a Torre Central enquanto o sol ainda estava alto.

— Uau… é enorme — disse Evan, admirado, assim que viu a Torre Central.

Alon também ficou impressionado enquanto erguia os olhos para a torre.

É claro que já havia visto ilustrações dela inúmeras vezes enquanto jogava Psychedelia, mas vê-la pessoalmente era completamente diferente.

'Isso não é mais alto que a Lotte Tower?'

Ao contrário dos cenários que conhecia do jogo, a presença de uma estrutura tão colossal num mundo de fantasia era esmagadora.

Enquanto comparava o tamanho da torre aos enormes edifícios que conhecera na vida real, Alon nem percebeu quanto tempo passou olhando para cima.

— É realmente enorme, não é?

— Sem dúvida.

— Vamos entrar.

Alon entrou na torre ao lado de Liyan.

— Pelo que sei, no primeiro dia a Torre Verde vai apresentar a nova teoria que estabeleceu recentemente. Depois disso, deve haver uma pequena competição amistosa. E amanhã—

Alon ouviu as explicações de Liyan enquanto caminhavam pelo interior da torre.

— Tem menos gente do que eu esperava.

— Bem, este não é o evento principal da Grande Conferência.

— Grande Conferência?

— Ah, eu esqueci de explicar?

Quando Liyan começou a explicar novamente, Alon assentiu, entendendo.

— Então, resumindo, a Grande Conferência é a reunião da qual participam todos os mestres das torres.

— Isso mesmo. Por causa disso, costuma reunir muitos magos. Esta conferência também recebe bastante gente.

Alon assentiu mais uma vez diante daquela informação que não existia no jogo.

— Hah, esses idiotas. Sério.

— O quê? Isso foi cruel demais!

— Cruel? Se não conseguem entender nem isso, então são idiotas mesmo. Não concordam?

Ao ouvir a voz familiar e irritada vindo de um dos lados da Torre Central, Alon ergueu uma sobrancelha, curioso. Liyan soltou um suspiro profundo.

— Parece que alguém foi arranjar briga com a vice-mestra da Torre Azul de novo.

— A vice-mestra da Torre Azul?

— Sim. A essa altura o senhor já deve saber, mas ela tem uma opinião altíssima de si mesma. Provavelmente começou outra discussão.

Lembrando-se da última vez em que Liyan demonstrara abertamente seu desprezo pela Torre Azul, Alon estava prestes a fazer uma pergunta quando ouviu:

— Ei! Vamos de novo!

— Repetir o quê, seus idiotas? Acham mesmo que conseguem me vencer? O quê? Dez não foram suficientes e agora vão trazer vinte?

— Ei!!

Do espaço reservado para a competição amistosa, surgiu um grupo de magos furiosos, liderado por Penia, que caminhava com um sorriso debochado no rosto.

— Hã?

De repente, Penia percebeu Liyan e abriu um sorriso malicioso.

— Ora, ora, quem temos aqui? Não é a maga meia-boca que nem conseguiu se virar contra mim no ano passado?

A provocação era óbvia.

Liyan franziu a testa e lançou um olhar feroz para Penia, mas a outra apenas riu, como se a irritação dela estivesse abaixo de sua consideração.

— O que foi? Trouxe um amigo desta vez para criar coragem de bater de frente comigo—

Ela desviou o olhar para a direita.

— Hã…?

Paralisou.

?

Seu rosto perdeu a cor.

Até poucos instantes antes, Penia zombava de todos ao redor como se estivessem abaixo dela. Agora, porém, parecia ter simplesmente desligado. Confusa com a mudança repentina, Liyan a encarou sem entender.

— O-olá…!

As palavras que Penia finalmente conseguiu soltar deixaram Liyan sem reação.

Ela havia falado num tom respeitoso.

Liyan jamais imaginara que Penia fosse capaz de usar uma linguagem tão polida. Vê-la agir com tamanha deferência pela primeira vez a deixou atônita.

E então:

— Faz tempo. Como tem passado?

— S-sim, senhor!

Penia, que entre os magos era famosa por ser uma encrenqueira notória apesar de, para quem via de fora, ser exaltada como um gênio, respondeu como um soldado que acabara de entrar em posição de sentido.

Não apenas Liyan, mas também os magos furiosos que haviam seguido Penia ficaram de boca aberta, encarando em silêncio o conde Palatio, que, de alguma forma, acabara de fazer o impossível acontecer diante dos olhos deles.

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