Tradutor: miggigibe
Lartania, a cidade do labirinto.
Uma cidade onde o fim do labirinto ainda não foi descoberto e, quanto mais fundo se desce, mais tesouros e artefatos aparecem.
Muitos mercenários e exploradores vivem ali.
No topo da hierarquia da cidade estavam cinco grandes guildas:
Bloody Iron, Terranomad, Arcadia, Ancient Tracker e Kalymadra.
Essas cinco guildas, como são chamadas, possuem um poder muito superior ao de qualquer guilda comum de mercenários ou exploradores.
A diferença de força entre elas e uma guilda qualquer era absurda.
Na verdade, os líderes dessas cinco grandes guildas já nem eram considerados humanos.
Eram fortes o bastante para serem chamados de super-humanos.
Entre eles estava Aldric, líder da Bloody Iron, que certa vez massacrou sozinho mais de mil monstros no 10º andar e ganhou o apelido de "Açougueiro".
Naquele momento, ele descia pelo labirinto.
Mas, naquele dia, não estava indo para baixo em busca do andar mais profundo. O motivo era uma grande comissão enviada à Bloody Iron.
— Capturar um monstro no 20º andar…
Aldric, com um enorme machado apoiado no ombro, fez uma expressão estranha.
E havia um bom motivo para isso. Algo naquele pedido não fazia sentido.
No labirinto de Lartania, a cada cinco andares havia uma área sem monstros, algo que mal combinava com a própria ideia de um labirinto.
Quanto mais fundo se descia, mais esses andares, chamados de zonas seguras pelos mercenários, passavam a conter terrenos desconhecidos ou construções misteriosas.
Mas havia uma coisa que nunca mudava: não existiam monstros ali.
Ainda assim, aquela comissão de recompensa generosa exigia a captura de um monstro em um desses andares seguros, o 20º.
No mínimo, era estranho.
Mesmo assim, Aldric conduziu seus subordinados até o 20º andar porque o adiantamento era alto e, mais importante, o cliente havia deixado algo muito claro:
— Mesmo que fracassem na missão, não precisam devolver o adiantamento.
Foi por isso que Aldric estava descendo até o 20º andar.
'Pode ser uma armadilha.'
Apesar de considerar essa possibilidade, não estava particularmente assustado.
Já passara muito tempo no 50º andar, considerado o nível mais profundo do labirinto, e tinha confiança de que conseguiria voltar mesmo que algo desse errado no 20º.
Assim, Aldric e seus subordinados continuaram descendo.
— Chegamos ao 20º andar.
Pouco depois, exatamente como o cliente havia dito, chegaram ao 20º andar.
O lugar era tomado por enormes ruínas.
— O que é aquilo?
— Um monstro?
— …Chefe, tem mesmo um monstro aqui.
Para surpresa deles, havia ali um monstro exatamente como o cliente havia descrito.
— Mas…
— Aquilo não é um goblin?
— Sério?
E não era apenas um monstro qualquer. Era um goblin, considerado uma das criaturas mais fracas que existiam.
— Tem mesmo um monstro no 20º andar?
— Uau, então se a gente capturar aquilo vai ganhar ainda mais dinheiro além do adiantamento?
— É como encontrar um goblin de ouro.
— E ele ainda está usando roupas. Parece alguma coisa do Oriente, não?
Os subordinados de Aldric riram e apontaram para o goblin. Todos eles já haviam matado milhares dessas criaturas durante suas explorações dos andares mais profundos.
Enquanto todos riam…
— Haa…
O goblin, que até então encarava as ruínas sem expressão, soltou um suspiro e se virou.
— Insetos… vocês fazem barulho demais.
Com uma voz clara que não combinava em nada com sua aparência e um olhar preguiçoso, o goblin murmurou aquelas palavras.
Então moveu um dedo.
Da esquerda para a direita.
E então…
— A…?
Num instante, os mercenários que riam do goblin foram cortados ao meio com perfeição.
Foi tudo.
Com um baque abafado, os cinco mercenários que haviam lutado ao lado de Aldric por anos morreram num único instante.
Sentindo uma ameaça por puro instinto, Aldric ergueu o machado e então viu.
Os olhos do goblin, inteligentes demais para pertencerem a uma criatura comum, encaravam diretamente os seus, preenchidos por apenas duas emoções:
Arrogância (傲慢) e…
Tum.
…Desprezo (視).
Aquilo foi a última coisa que Aldric viu.
Depois disso, não houve mais nada.
Enquanto os gritos horríveis dos mercenários restantes ecoavam ao redor, sua consciência mergulhou na escuridão.
Pouco depois, ele… não, o rei de todos os carniçais (餓鬼), após dar conta de todos os mercenários que haviam descido ao 20º andar, começou a seguir em direção à superfície.
Depois das discussões na Academia de Magia, normalmente tinham início as partidas amistosas.
O formato era simples: o mago designado para participar da partida entrava na arena e escolhia seu oponente.
Em outras palavras, qualquer mago reunido ali para assistir podia ser desafiado.
Ainda assim, quem recebia o direito de escolher um adversário quase nunca desafiava alguém de ranque muito inferior ao próprio.
Desafiar um mago muito mais fraco podia gerar comentários de que a pessoa estava apenas intimidando alguém inferior a si.
Por outro lado, desafiar alguém muito mais forte podia terminar em humilhação e ainda ofender o mago de ranque superior.
Magos eram, por natureza, criaturas orgulhosas.
Por isso, era senso comum que o mago com o direito de escolher um adversário procurasse alguém de ranque semelhante, e até Alon sabia disso.
'…O Baruch era mais ou menos do 4º ranque?'
Sentindo os olhares curiosos ao redor, Alon se lembrou de como Liyan havia encarado Baruch no dia anterior.
'Ele está um ranque acima de mim.'
No mundo dos magos, os ranques criavam diferenças enormes.
E quanto maior o ranque, maior ficava essa diferença. Entre o 7º e o 8º ranques, por exemplo, havia um abismo de poder, apesar de ser apenas um ranque de distância.
'…Chegar ao 4º ranque naquela idade… Mesmo que não seja tão talentoso quanto Penia, ele claramente é um gênio.'
Alon pensava nisso enquanto observava Baruch, que não parecia muito velho apesar do ranque impressionante, quando…
— O grande mago que ajudou a subjugar o poderoso Deus Exterior não está com medo, está?
Baruch falou de repente.
A provocação era tão óbvia que até os magos ao redor, que acompanhavam a situação com interesse, se surpreenderam.
As palavras de Baruch insinuavam claramente que a reputação de Alon talvez não passasse de boato, e Alon percebeu a intenção dele de imediato.
'Ele está tentando me provocar.'
Embora não soubesse exatamente o que Baruch pretendia, Alon não se importava.
Para ele, aquilo já era motivo suficiente.
'Se alguém tenta te provocar sem motivo, dê um motivo.'
Alon não era do tipo que aceitava insultos calado, ainda mais quando vinham de alguém que não parecia tão difícil de derrotar.
'Parece que vou conseguir testar isto numa luta de verdade antes do que esperava.'
Alon colocou no dedo indicador o artefato que potencializava sua magia e então falou:
— Eu aceito.
Assim, o duelo foi decidido.
— Tudo está correndo como eu esperava.
Baruch, filho do mestre da Torre Violeta e, assim como Liyan, um mago de 4º ranque, sorriu ao sentir sobre si os olhares de Alon e dos magos ao redor.
Provocar Alon para que entrasse na arena fazia parte do plano de Baruch desde o começo.
Mais precisamente, seu objetivo era chamar um pouco mais de atenção para si mesmo.
Embora ser filho do mestre da Torre Violeta já lhe desse uma influência considerável dentro da Academia de Magia, Baruch queria mais.
Foi por isso que decidiu usar o conde Palatio, que acabara de chegar à academia no dia anterior.
O conde Palatio, que parecia carregar uma tempestade de rumores aonde quer que fosse.
Com um sorriso presunçoso, Baruch lançou um olhar para Alon.
Ele conhecia muito bem os rumores sobre o conde.
Diziam que Alon havia desempenhado um papel importante ao lidar com o Deus Exterior no norte.
Mais recentemente, teria ajudado o Relâmpago Dourado a subjugar duas Baba Yagas que preparavam uma emboscada na cidade desértica de Colônia.
E, desde o dia anterior, espalhava-se o rumor mais inacreditável de todos: de algum modo, ele havia conseguido domar a infame encrenqueira Penia.
Por causa disso, os magos da Academia de Magia haviam elevado enormemente a reputação de Alon com base nesses rumores.
Em outras palavras, se tudo fosse verdade, Baruch havia cometido uma estupidez ao desafiá-lo.
Mas ele não tinha agido de forma imprudente.
Baruch ergueu discretamente a mão direita e enviou um fio de magia para o anel simples que usava.
Bzzz…
O anel emitiu um zumbido tão baixo que apenas os magos mais atentos talvez percebessem e começou a exibir um número:
3.
Ao ver o número surgir, Baruch abriu um sorriso.
O anel que usava era um artefato capaz de projetar uma quantidade fraca de magia para estimar aproximadamente o ranque e o poder mágico de uma pessoa.
'Como eu pensei, ele é fraco.'
Exatamente como no dia anterior.
E exatamente como na última vez em que verificara, antes de provocá-lo, o anel mostrava que Alon era de 3º ranque.
Era desse anel que vinha a confiança de Baruch.
Embora não fosse particularmente útil na maioria das situações, dentro da Academia de Magia era valioso para desmascarar magos que exageravam o próprio ranque.
Graças a ele, Baruch havia conseguido ganhar prestígio dentro da academia ao mirar justamente nesse tipo de mago que fazia falsas alegações sobre o próprio poder.
'E agora fisguei um peixe grande.'
Baruch conseguira provocar Alon sem hesitação porque confiava na precisão do anel.
— Os dois lados estão prontos?
— Pronto.
— Sim.
Ao responder à pergunta, Baruch invocou sua magia com naturalidade.
'…O rumor de que ele domou Penia me incomoda um pouco, mas o anel é confiável. Não existe a menor chance de ele ser tão forte por causa da magia.'
Baruch pensou em como deveria lidar com Alon.
'Devo acabar logo com isso? Não. Se terminar rápido demais, o impacto vai ser pequeno. Talvez seja melhor brincar um pouco com ele. Mas, se eu prolongar demais, pode acabar se voltando contra mim. Se ficar claro que a habilidade desse conde não passa de boato, minha reputação, que deveria subir, pode acabar sofrendo à toa… Certo, é melhor terminar um pouco mais cedo.'
Ele apertou o cajado, já imaginando como encerraria a luta.
— Como os dois já sabem, é proibido usar magia capaz de ameaçar a vida do adversário, então ajustem a potência de acordo. Agora…
Tum!
— Comecem.
A partida teve início com uma leve batida do cajado do árbitro.
Baruch, ainda com um sorriso confiante, começou a se mover quando…
— Hã?
Percebeu que uma névoa branca escapava de sua boca a cada respiração.
Atordoado pelo acontecimento repentino, rápido demais para que conseguisse processá-lo direito, Baruch logo sentiu o ar gelado entrando em seus pulmões.
Quando começou a se perguntar o que estava acontecendo…
— O quê?
Crac!
Só então percebeu que suas panturrilhas estavam congelando por completo.
Crac, crac!
E não eram apenas as panturrilhas.
— E-eu…
Ao olhar ao redor, percebeu que a arena inteira estava congelando.
Uma camada de geada branca se espalhava rapidamente pelo chão, avançando a cada instante e transformando tudo ao redor num deserto congelado.
E, no centro daquela vastidão de gelo, ele viu.
Um homem parado no meio da arena, ereto, sem qualquer expressão ou emoção no rosto.
Vestia uma armadura negra e ameaçadora, da qual emanava uma energia mágica escura que congelava tudo ao redor.
— Ah.
Naquele instante, Baruch entendeu.
Alguma coisa havia dado terrivelmente errado.
Mas, quando percebeu…
— Glória das Montanhas Nevadas.
…Alon já havia pronunciado o encantamento.