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Demon’s Virtue – Capítulo 450

Mãos Flamejantes

Eiro entrou lentamente pela porta da frente de sua mansão. Ficou em silêncio durante todo o caminho de volta do castelo real. Foi uma noite exaustiva, dolorosamente exaustiva.

Podia ter conseguido liberar o selo nas memórias para descobrir mais informações sobre o que aconteceu ano passado, mas com isso, descobriria muitas mais coisas horríveis. Coisas que realmente nunca queria saber, mesmo que tivesse um pressentimento de que algo estava errado.

Merlin desprezava as pessoas como um todo, mas ainda odiava Eiro pela forma como ele agia. Ele não agia como um ‘Monstro’, afinal. Pelo menos não na maior parte do tempo. Por que alguém gostaria de agir como um monstro? Esse era um pensamento horrível para ele em primeiro lugar, e o fato de Merlin fingir estar tão preocupado com seus filhos na primeira vez que se conheceram… Enojava Eiro.

Embora Merlin fosse irmão de Jura, Eiro não pôde deixar de desprezá-lo, apesar de querer manter viva qualquer chance de um relacionamento próximo que pudessem ter, mesmo quando percebeu que algo estava estanho com ele há muito tempo.

Agora compreendia por que Jura e Merlin haviam rompido contato. Jura, alguém que tratava todas as vidas com certo nível de respeito, enquanto Merlin tinha uma obsessão com Monstros. E era óbvio que Merlin recorreria a níveis extremos de violência quando quisesse, então Eiro entendeu que Jura tentou cortar contato até certo ponto.

Mesmo assim… Eles ainda eram irmãos. Caso contrário, Jura não teria pedido ajuda a Merlin com o boneco. Esse não era o tipo de pessoa que ele era.

Em primeiro lugar, Jura também se associou com pessoas como Koperia. Ela era alguém literalmente conhecida por tratar todo tipo de vida com pouco, ou nenhum, respeito… então algo extremo deve ter acontecido para Jura encerrar todo tipo de contato com Merlin.

Eiro estava parado na entrada de sua mansão, incerto do que deveria fazer. Sua mente estava confusa, e todas as escolhas que tentava considerar não pareciam viáveis.

Deveria ir dormir? Não, ele estava muito acordado para isso.

Deveria ir treinar? Não, estava muito cansado para isso.

Eiro estava preso nesse tipo de purgatório em que sua mente estava a mil e completamente morta ao mesmo tempo. Era realmente um incômodo. Estava pensando em tantas coisas, mas nenhuma delas tinham qualquer tipo de substância ou lógicas por trás.

— Eiro? Você quer ir ler um pouco? — perguntou Nelli, tentando ajudar o Demônio, mas ele meneou a cabeça.

— Não, eu… acho que não. Não estou com humor para isso.

Eiro lentamente começou a andar. Subiu as escadas, escolhendo caminhar pela mansão um pouco. Chegou ao quarto de Avalin e Leon, e os checou em silêncio. Através de sua habilidade de furtividade no grau Intermediário, ele era tão silencioso que nenhum deles tinha a menor chance de acordar.

O Demônio se sentou na ponta da cama de Leon, bastante preocupado.

— Espero que você não venha a odiar as pessoas em algum momento… Não importa como elas possam te tratar… — sussurrou. Não queria que seu filho se tornasse uma pessoa tão rancorosa, apesar de quão amoroso ele era agora. Entretanto, com o relacionamento que as crianças tinham com os monstros, em especial Leon, elas poderiam acabar tendo algum tipo de rancor contra as pessoas como um todo.

Até então, isso nem parecia possível. Eiro pensou que havia as criado de forma que tratariam todas as formas de vida com certo nível de respeito, assim como Jura havia feito. Mas, no fim… não fez realmente isso. Ele tratou a maior parte das vidas com certo nível de desrespeito até que certas condições fossem cumpridas.

De novo, não era como se Eiro matasse qualquer coisa quer cruzasse seu caminho, a menos que mostrassem hostilidade a ele e não pudessem ser convencidos, como bestas por exemplo. No fim… Eiro nuca foi um bom modelo para eles. Ele realmente não era. Talvez devesse tentar ser melhor daqui para frente.

Ter outras pessoas por perto, como Armodeus e os membros do seu grupo de aventureiros definitivamente seria uma boa influência a longo prazo, então isso era algo com que Eiro estava muito feliz.

Lentamente, levantou-se e saiu do quarto. Depois de ouvir o clique da porta fechando atrás dele, o Demônio caminhou até o fim do corredor, abriu a janela e olhou para Gondos.

— Poderia fechá-la depois que eu sair?

— Ah, claro — respondeu o Golem, e Eiro pulou pela janela e voou em direção à área de treinamento do lado de fora. Era madrugada, então não havia ninguém ali. Isso significava que Eiro tinha tempo suficiente para testar algumas coisas.

Depois de ver Leon agora, pelo menos a mente de Eiro conseguia se concentrar de novo. E essa concentração estava voltada diretamente para seu aprimoramento pessoal, para que conseguisse proteger seus filhos pelo maior tempo possível. Precisava melhorar para que pudesse criar um mundo perfeito para suas crianças viverem, para que nunca acabassem odiando o próprio mundo.

Eiro parou no centro da área de treinamento e respirou fundo. Provavelmente deveria tentar aumentar sua compreensão da Linguagem Antiga ao criar e conjurar alguns novos feitiços, caso contrário, poderia ser muito difícil para dominar sua habilidade Magia Arcana.

Respirou fundo e olhou para a biblioteca em sua mente, onde começou a pensar no novo feitiço. Por ora, para aquecer, decidiu que talvez devesse alterar um feitiço e cântico em vez de criar um totalmente novo. Isso parecia complicado, mas, para Eiro, era muito mais fácil para ele alterar um feitiço, já que era capaz de separar com facilidade os componentes dele. Para outras pessoas, alterar um feitiço poderia ser incrivelmente desafiador, muito mais do que criar um.

Por seu controle sobre o domínio da verdade lhe dar uma capacidade analítica incrível, era muito simples para fazer isso. Assim, Eiro começou procurando um feitiço para testar, e teve uma ideia: talvez devesse tentar criar versões elementais de certos feitiços arcanos, para que pudesse descobrir as propriedades e os usos potenciais do feitiço de antemão.

Com isso, já que a Magia Arcana era baseada na compreensão do princípio do Arcano, e essa era uma maneira simples de Eiro aumentar seu entendimento e experiência sem precisar usar a Magia Arcana diretamente.

Respirou fundo mais uma vez e analisou com atenção o único feitiço arcano que já havia tentado, ‘Mão de Mago’. Pensou em um dos elementos mais simples de substituir ao considerar seu vocabulário atual da Linguagem Antiga e se decidiu.

Não demorou muito para que alterasse o feitiço e, depois, estendeu a mão. Começou a desenhar o círculo mágico enquanto entoava o cântico ao mesmo tempo. Segundos depois, o feitiço foi conjurado.

Chamas foram extraídas do próprio Eiro, formando um orbe flamejante na frente do Demônio. O orbe ‘rachou’ e logo uma mão se formou. A forma com ele estava controlando essa mão era muito diferente de quando era feita com Magia Arcana, mas ainda era fácil de controlá-la. Era como se estivesse controlando fogo comum, só que este mantinha automaticamente sua forma, e Eiro não precisava se preocupar em manter a concentração.

O feitiço criou algo como uma conexão entre ele e a mão, assim, a mão drenaria a mana que fosse necessária do próprio Eiro. O Diabrete tentou fazer com que a mão pegasse um pequeno pedregulho, mas, é claro, não funcionou. Fogo não era sólido, então era lógico que não fosse capaz de segurar nada. Entretanto, conseguiu chamuscar o chão.

Assim, como a mão se manteve ativa por mais tempo, Eiro conseguiu conjurar mais delas. Muitas. Com sua mana, seria capaz de criar centenas, se não milhares delas, mas, por ora, limitou-se a apenas dez.

Com um pequeno sorriso no rosto, brincou com as mãos. Ele as manipulou e as posicionou ao redor de seu corpo, como se fossem maços adicionais conectadas diretamente a ele. Como tinha um alto controle sobre a Magia de Fogo, pôde manipulá-las com uma alta precisão, a ponto de poder adaptar suas artes marciais para usá-las em conjunto com essas mãos flamejantes, se quisesse.

Claro, tecnicamente isso era algo bastante inútil de se fazer com essas mãos flamejantes, mas, quando tivesse outras versões… Como, por exemplo, mãos de pedra ou mãos de magia comum, especialmente estas últimas, já que se moviam praticamente como outro membro em primeiro lugar, as formas com que Eiro poderia lutar aumentariam muito.

…

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