Eiro distribuía todos os objetos e tesouros incríveis que Zaragon tinha armazenado nas câmaras adjacentes.
— Pode-se dizer muito sobre… aquela coisa, mas Zaragon certamente tinha bom gosto para itens poderosos — comentou Jess, vendo todos os objetos colocados na sua frente. Eiro acenou a cabeça enquanto analisava tudo.
— Certamente… Embora seja o caso, não são os objetos que eu esperava.
— E o que você esperava? — perguntou James, e o Diabrete olhou para ele com um leve sorriso.
— Algo totalmente desperdiçado em um Diabrete como eu.
Surpreso, James levantou as sobrancelhas.
— Você está procurando por livros de feitiços? Aqueles com habilidades de aprimoramento de habilidades?
— Uhum, exato. Existem outros livros de feitiços aqui, e muito deles estão preenchidos com feitiços Arcanos. Então, acho que seria razoável considerar que a habilidade de aprimoramento de habilidade também fosse algum tipo de feitiço Arcano. Só que eu não consegui ver a página naquela época, então não tenho como me lembrar dela, e não parece ser o tipo de feitiço que consigo recriar com facilidade no momento — explicou Eiro. — Então, esperava encontrar outro aqui, mas, infelizmente, não foi o caso. Não que esses outros não sejam úteis… definitivamente são.
— Pode repetir… Esse é um feitiço para aumentar a força, certo? — disse James, olhando com curiosidade para uma das páginas de um livro de feitiços.
— Uhum, e há até mesmo um feitiço polimorfo temporário aqui — comentou Eiro. — Com certeza, serão muito úteis.
— Espera, polimorfo? Isso significa que você não precisará mais de mim, já que poderá se transformar por conta própria? — questionou Bavet com um sorriso irônico, tendo saído do seu esconderijo agora que a batalha havia terminado. Eiro se virou para ele e balançou a cabeça.
— Não se preocupe, não posso usar de fato esse feitiço ainda. Provavelmente consigo usar uma versão inferior dele, e talvez eu consiga decifrá-lo depois de estudar outros tipos de feitiços semelhantes, mas estes… parecem mais o ‘efeito’ de um feitiço, e não o feitiço em si. Minha suposição é que quem quer que, ou o que quer que, tenha criado esses livros, tinha uma quantidade surreal de poder e mana — explicou o Demônio. — Uma quantidade que eu duvido que consiga igualar tão cedo.
—… O que poderia ter tanta mana? — perguntou James, enquanto Bavet se envolvia no braço de Eiro, nervoso, e o Demônio pensou a respeito.
— Dragões, talvez. Sei que Lognir possui uma quantidade absolutamente surreal de mana, então não parece um exagero. Se houvesse um Dragão interessado em magia, considerando a quantidade de tempo que tem para estudar essa magia… seria possível. Ou melhor, poderia ser possível para qualquer tipo de Besta Mágica, não apenas Dragões. Eles só são um bom exemplo — explicou Eiro, amarrando uma pilha de livros para garantir que pudessem ser transportados com mais facilidade.
E foi neste momento em que alguém bateu na porta. Eiro balançou a mão para o lado, formando o círculo mágico de um feitiço Arcano. Assim, uma mão de Magia Arcana apareceu, moveu-se para o outro lado da sala e abriu a porta, já que Eiro estava muito ocupado para se afastar da pilha de itens.
A porta se abriu e Krog entrou.
— Trouxe nossa carruagem e pedi que preparassem mais algumas carruagens para nós, assim como você pediu. Mas o problema é… Quem vai dirigi- las?
— Temos muitas pessoas que podem dirigir carruagens, Krog. Temos pelo menos cinco disponíveis — comentou o Demônio. — Bem, talvez quatro, não tenho certeza se quero me separar de Lugo para isso.
— Hm? Se separar, o que você quer dizer? — perguntou James, e Eiro olhou para seu grupo.
— Alguém a quem devo muito me pediu para ajudar seu querido amigo. É por isso que gostaria que todos vocês voltassem para Skyhart antes de mim, enquanto eu cuido disso.
—… É algo em que realmente não podemos ajudá-lo? — questionou James sem rodeios, e Eiro deu de ombros.
— Não tenho certeza. Vou erradicar todas as criaturas em um ninho de monstros, afinal. Porém, ao mesmo tempo, precisamos de alguém para cuidar de todas essas coisas.
— Então, não podemos fazer outra pessoa entregar todas essas coisas para nós e, assim, podemos ir com você? — perguntou Krog. Eiro realmente não tinha certeza do que deveria fazer. Ter a ajuda deles definitivamente seria incrível, mas não podia deixar todos esses itens espalhados por aqui, pois definitivamente não caberiam em só uma carruagem.
— Então talvez… — murmurou para si, tentando pensar em uma solução decente para esse dilema. Foi quando o plano perfeito surgiu em sua mente; um plano que não apenas seria muito útil no momento, como também a longo prazo.
— Vocês se lembram das leis que todos os países deste continente concordaram por unanimidade? Aquelas a respeito de Ninhos de Monstros? — perguntou Eiro com um sorriso no rosto, e Jess ponderou por um instante. Ela havia lido recentemente algo sobre isso.
— Erm… Acho que só tem uma a qual você pode estar se referindo… ‘Assim que um terreno é designado oficialmente como um ninho de monstros pelo país em que se encontra, ele não pertence mais àquele país e, em vez disso, é visto como propriedade do Rei dos Monstros’ — recitou Jess, e Eiro assentiu.
— Isso mesmo.
— Espera, o que? Essa lei é um completo absurdo, por que um país faria isso? — questionou Krog com uma carranca profunda, antes que o Diabrete explicasse.
— É simples. Há outra lei que os países deste continente aprovaram por unanimidade: ‘Qualquer país poderá enviar uma força armada para outro, desde que o destino seja uma propriedade do Rei dos Monstros.’ Isso se refere não apenas à permissão para que os países enviem forças armadas através de outros, sem serem impedidos, caso o objetivo seja atacar o Rei dos Monstros em outro país, mas também permite que um país envie uma força armada para tomar o controle de um ninho de monstros. Afinal, os ninhos representam uma ameaça não apenas para o país em que se encontra. Monstros são vistos como os inimigos de todas as pessoas, então se um país não possui o poder para se livrar de um ninho de monstros por conta própria, outro país pode fazê-lo.
—… E no que isso nos ajuda? Você quer que alguém de Skyhart venha e elimine o ninho no seu lugar? — James questionou com uma carranca, e Jess meneou a cabeça.
— Acho que ele está se referindo ao que vem depois disso? Veja, se um Ninho de Monstro for libertado por um país que não é o dono original da terra, eles recebem a posse daquele terreno por um mês inteiro, podendo extrair quaisquer recursos do terreno que queriam em troca por seus serviços.
James suspirou fundo.
— Eu ainda não entendi. Como exatamente isso nos ajuda?
Eiro caminhou até ele com um sorriso e se agachou na frente do amigo que descansava.
— Tente se lembrar, James. Qual Ninho de Monstros perto daqui você conhece?
Só então ele compreendeu. A princípio, ficou chocado, mas depois não pôde deixar de sorrir.
— Você não está planejando… Não me diga que você realmente… Você é maluco, Eiro — disse James com um sorriso surgindo em seu rosto, simplesmente devido a quão ridícula essa ideia era. Krog e Jess ainda estavam um pouco confusos, pois não sabiam muito sobre esta área.
— Bavet, você ficará aqui. Transforme-se em Zaragon e finja ser ele no caso de alguém do Império tentar falar com você. Só invente qualquer besteira.
Zaragon era quem detinha o poder sobre este espaço, então nem mesmo o Papa ou o Imperador poderão lhe quesitonar. Voltaremos logo depois que terminamos e então levaremos tudo para o ninho de monstros que teremos tomado.
— Ah, entendi! Você quer levar tudo para lá, e como Skyhart possuíra aquela terra por um mês, podemos pedir para as pessoas transportarem tudo.
— Nah, nada disso — disse Eiro com um sorriso no rosto. — Bem, isso por si só já seria uma alternativa melhor do que ter que nos separar assim, mas sinto que há uma maneira de irmos além.
—… Cara, você não vê que eu e Jess não temos ideia do que você está falando? Fala logo! — resmungou Krog irritado, e Eiro olhou para eles com um sorriso.
— O Ninho de Monstros que libertaremos é bastante especial. Aqui perto, há um lago enorme, com uma ilha flutuante acima dele, na qual há uma grande cidade construída, que foi tomada por monstros. Esta ilha só é mantida no lugar por algumas correntes — explicou o Demônio, sorrindo, e os outros lentamente entenderam o plano de Eiro.
Eiro caminhou até seus amigos, vendo suas expressões confusas se tornarem choque, enquanto continuava.
— Então, o que mais deveríamos fazer, dada essa oportunidade, além de roubar uma cidade inteira do Império Sagrado?
…