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Demon’s Virtue – Capítulo 465

O Troll na Ponte

— À sua esquerda, e James, bem à frente — disse Eiro com uma expressão um tanto irritada enquanto continuava avisando os membros do seu grupo sobre os projéteis ácidos sendo disparados contra eles. Sempre que um desses monstros do tipo planta, que cresciam ao longo da ponte disparava contra eles, Eiro retalhava e os matava com muita facilidade e rapidez. Porém, havia tantos que nem mesmo esse Demônio conseguia matar todos de uma vez.

Pelo menos, estavam reduzindo seus números.

— Caralho, você não pode fazer uma barreira ou algo do tipo? Parece que a ponte vai colapsar em breve por causa dessas coisas… — reclamou Krog, e Eiro deu de ombros.

— Uma barreira seria muito trabalhosa. Só continuarei usando a Bala de Pedra.

Não demorou muito para que o Diabrete matasse quase todas as criaturas sem problemas. No entanto, um dos últimos monstros disparou um desses projéteis, um particularmente grande contra ele. Assim, o Demônio levantou a mão e usou uma magia sobre a qual ainda não tinha muito controle, mesmo que tecnicamente já a dominasse há algum tempo.

O projétil acabou desacelerando, até que parou na frente de Eiro. O Diabrete então o envolveu em um orbe de gelo, no mesmo momento em que o projétil explodiu. Eiro abriu um pequeno buraco dentro do orbe de gelo e deixou uma gota de ácido tocar em sua pele.

De imediato, sentiu como se estivesse queimando, mas não era tão ruim, nem o fez sangrar, ainda assim, era um tipo de ácido muito potente… então, é óbvio, escolheu guardá-lo. Derramou o resto do ácido em uma garrafa de vidro que guardou em segurança em sua Tesouraria. Tentaria analisá-lo mais um pouco depois para que pudesse, possivelmente, replicá-lo, pelo menos até certo ponto. Se criasse uma versão mais potente do que havia dentro do seu ferrão agora mesmo, era provável que sua cauda derretesse.

— Magia de gravidade é muito útil, não é…? — disse Jess com ciúmes, e Eiro olhou para ela com um pequeno sorriso.

— É sim. Fico feliz que eu finalmente tenha conseguido despertar essa habilidade, então não preciso mais de pedras mágicas de gravidade. Em vez disso, poso pedir para Armodeus criar alguns itens excelentes para nós.

— Você realmente está usando Armodeus como seu fornecedor pessoal de itens, hein? — comentou James, mas Eiro deu de ombros.

— Não sei do que você está falando. Eu o pago por todos os itens que ele faz para mim e por todos os materiais que ele utiliza em seus próprios projetos. Não é como se eu estivesse o ‘usando’ ou algo do tipo.

Estendeu a mão e disparou mais algumas Balas de Pedra contra os monstros plantas restantes, matando-os. Mais à frente, havia mais alguns na parte de baixo da ponte, mas não era como se fossem ser algum tipo de problema. Eles não conseguiam se mover, afinal, e não derreteriam a parte da ponte sobre a qual estavam pendurados. Em vez disso, enquanto o grupo passava, eles tentaram ficar os mais quietos e inanimados possível, para que não morressem como os outros de sua espécie.

De qualquer forma, Eiro não os deixaria viver. Apesar disso, ele ainda levou seus cadáveres, para que pudesse colher suas sementes e cultivá-las em algum momento. Esses monstros do tipo planta tinham um ego incrivelmente sutil e eram controlados, em sua maioria, pelos instintos mais primitivos e básicos, impulsionados por sua monstruosidade. Portanto, se os manipulasse de forma adequado durante o cultivo, de modo que não tivessem nenhuma, ou muito pouca, monstruosidade desde o início, seriam muito fáceis de controlar. Desse modo, seriam ótimos se os posicionasse como unidades defensivas no limite da mansão.

Por ora, Eiro apenas jogou todos os cadáveres em um só local. De qualquer modo, ainda tinham que matar o guarda da cidade. Ali estava, um grande Troll com um grosso pilar de pedra como arma. Ele encarava o grupo, dizendo algo incompreensível em sua Linguagem Troll.

— Vocês três querem cuidar dele? — perguntou Eiro, olhando para seus companheiros. — Seria uma boa chance para eu colher as sementes desses caras.

Krog, Jess e James se entreolharam por um instante, antes de assentirem.

— Vamos fazer isso — concluiu James —, mas é melhor você se apressar, porque isso não vai demorar muito.

Eiro sorriu um pouco, aproximando-se da pilha de corpos atrás dele. Sentou-se e agarrou os corpos um a um antes de começar a examiná-los. O único problema era que seus corpos emitiam naturalmente aquele mesmo ácido, mesmo que fosse um pouco mais fraco.

Ele definitivamente não seria capaz de usar suas ferramentas de metal para isso, caso contrário, enferrujariam num instante. Em vez disso, começou a construir um círculo mágico para criar algumas Ferramentas Arcanas para que conseguisse extrair de forma apropriada tudo dos cadáveres. Afinal, mana pura obviamente não podia ser afetada por algo como ácido. Assim, após criá-las, Eiro as fundiu com as lâminas do seu Três de Espadas, algo que lhe deu um controle mais refinado do que se utilizasse apenas as ferramentas mágicas.

Enquanto fazia isso, os outros lutavam contra o Troll. Para Eiro, seria fácil matá-lo instantaneamente, já que era capaz de causar muitos tipos diferentes de danos. Entre eles, era capaz de continuar ‘pressionando’ os opoentes, algo que seria muito útil contra Trolls, já que capacidade regenerativa deles eram impressionantes, mesmo para uma raça comum, e este em particular era excepcional.

Mesmo que fosse apenas um Monstro Nobre de Nível Barão, sua capacidade regenerativa era superior. Quando James tentou esfaqueá-lo, se não fosse rápido o suficiente, o ferimento se fecharia ao redor de sua adaga e tropeçaria ao tentar puxá-la.

Se um dos ataques pesados de Krog quebrassem seus ossos, eles se curavam de imediato. Enquanto Jess tentou queimar sua carne, ela mal começou a sangrar. Eles precisam descobrir como causar muito dano por um longo período, se não conseguissem fazer isso, precisariam pensar em uma forma de matá-lo instantaneamente. Porém o Troll não daria a eles tempo suficiente para pensarem em um plano, outra vantagem que o próprio Eiro teria.

Uma das ideias que tiveram foi simplesmente continuar atacado. Quando o Troll curava o dano causado ao seu corpo, curava 100% do dano físico e cerca de, no máximo, 70 a 75% do dano causado aos seus pontos de vida. Ele não recuperava instantaneamente toda sua vida, e quanto menos vida o Troll tivesse, mais lenta seria sua capacidade regenerativa.

Jess calculou que esse Troll provavelmente era capaz de recuperar cerca de 90% de sua vida, em vez da quantidade normal, se não mais. Era certamente impossível recuperar 100%, já que não faria nenhum sentido. Isso significava que, contanto que causassem cada vez mais ferimentos, a regeneração do Troll eventualmente desaceleraria ao ponto em que seriam capazes de causar danos reais ao seu corpo físico.

E foi exatamente isso que decidiram fazer por ora. No geral, o Troll não era tão poderoso: não era muito forte, a ponto de que Krog conseguia acompanhá-lo em um embate de força, não era rápido o suficiente para capturar James e não era esperto suficiente para reagir aos três juntos.

Ele estava claramente sobrecarregado, visto que havia evoluído justamente por causa de sua regeneração superior.

Por cerca de dez minutos, esta luta continuou. Neste ponto, outros monstros começaram a aparecer, e foi então que Eiro decidiu dar uma dica…

— Sabem que não precisam matá-lo, certo? — comentou o Demônio e, de imediato, os três congelaram. Krog e James ficaram confuso, mas Jess entendeu rápido e resmungou alto, envergonhada por não ter pensado nisso mais cedo.

Ela começou a conjurar um feitiço e logo disparou uma poderosa rajada de vento na lateral do Troll, empurrando para a beirada da ponte.

— Krog, poderia…? — perguntou ela, e a expressão confusa do guerreiro pesado se tornou imediatamente amarga. — Urgh… Vamos lá…

Krog correu até o Troll e o atacou mais uma vez, esmagando sua mão para que não conseguisse, por alguns segundos, balançar o pilar enorme que segurava, então agarrou todo seu corpo, empurrou o Troll da beirada da ponte e observou enquanto ele se aproximava da superfície da água. Esta ilha provavelmente flutuava a algumas centenas de metros… o impacto por si só seria suficiente para ferir de forma fatal o Troll, e ainda havia os monstros aquáticos nadando lá embaixo que terminariam com ele.

— Sério? Poderíamos ter feito isso o tempo todo? — questionou James com um sorriso irônico, e Eiro deu de ombros. — Claro… É só lutar com inteligência.

Nota da Equipe

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