Dentro de um espaço branco, encontrava-se um homem alto de longa barba grisalha. Seus cabelos brancos, na altura dos ombros, desciam suavemente sobre seus largos ombros.
Suas costas imponentes permaneciam firmes como uma montanha inabalável, e seus músculos, apesar de sua idade, não mostravam o menor sinal de envelhecimento, ocultando em seu interior um poder sem limites.
Sem camisa, vestindo apenas uma calça marrom desgastada, o homem permanecia de pé no vazio branco. Em suas mãos, surgiu uma espada larga.
Pegando a espada larga com ambas as mãos, os músculos do velho saltaram. Suas veias esverdeadas se destacaram enquanto suas costas se expandiam, projetando uma grande sombra sobre a área à sua frente.
“Huuuu…”
Soltando o ar do pulmão, apertou ainda mais o punho na espada.
-Slash!
Um pouco depois, o som da sua mão cortando o ar ressoou através do lugar.
Cada movimento de sua mão deixava uma leve pós-imagem, como se uma cópia ilusória dele repetisse seus movimentos com um pequeno atraso.
-Slash! -Slash!
Depois do primeiro golpe veio o segundo, depois o terceiro, depois o quarto… e, algum tempo depois, chegou o 64o movimento.
-Tssssss
Com a espada erguida atrás das costas, o velho segurou firmemente com ambas as mãos, intensificando ainda mais seu aperto. As veias de suas mãos e seus músculos saltaram, enquanto um vapor lentamente começou a sair de seu corpo.
Pouco tempo depois, o corpo do homem começou a murchar, seu cabelo ficou branco e sua pele começou a enrugar. Segundos depois, os músculos do velho ficaram todos murchos. Deixando para trás apenas a aparência de um velho completamente diferente de como estava antes.
-Tssssssss
Mesmo isso acontecendo com o próprio corpo, a expressão do homem continuou neutra. Ainda segurando a espada larga no ar, a figura fraca, porém balanceada, do homem velho encarou o que estava diante dele. Seu olhar, repleto de determinação e insanidade, encarava o vazio à frente.
“Gyaaaaaa-!”
Gritando com tudo que tinha, o velho fez um movimento de corte com a espada.
-Kacha!
Assim que o velho fez o movimento, tudo ao redor congelou.
Segundos depois, o espaço branco desapareceu e o mundo começou a desmoronar…
“Guuuuuaah-!”
Com os olhos arregalados, Kevin acordou num pulo e sentou-se, gritando.
“Meu Deus, pra que gritar desse jeito?!”
Tampando os ouvidos com as mãos, fuzilei Kevin com os olhos, que parecia ter acabado de acordar de um pesadelo.
“Huh?”
Ao ouvir minha voz, Kevin piscou algumas vezes e massageou as têmporas. Depois de processar que tudo aquilo aconteceu na sua mente, Kevin olhou para mim e perguntou.
“Por quanto tempo fiquei desmaiado?”
Olhando no relógio, respondi.
“Acho que duas horas? Se contar as seis horas que você passou na dungeon, tenho quase certeza que já faz umas oito horas que estamos nesse lugar.”
Enquanto falava, não conseguia esconder a minha irritação.
Olha, eu estive esperando por ele já faz mais de oito horas. Se não fosse pelas gárgulas me manterem entretido, já teria morrido de tédio.
Na verdade, teve um certo ponto que até tentei acordar ele, mas não importava o que fazia, Kevin não acordava de jeito nenhum. Tentei chutes, tapas, gritar e nada funcionou.
E como já tinha tentado de todos os jeitos que conseguia pensar, só desisti e sentei no chão, derrotado.
Sentando direito, Kevin perguntou.
“Onde estamos?”
Vendo que ele ainda estava um pouco desorientado, apontei para o portal roxo e falei.
“Ainda estamos na entrada da dungeon.”
“Entrada?”
Olhando em volta, Kevin finalmente percebeu que de fato estava de volta na caverna que levava para o portal.
Observando o portal roxo brilhar, uma expressão complicada se formou no rosto de Kevin. E quando lembrou do velho que apareceu em seus sonhos, ele perguntou para si mesmo.
‘Aquilo realmente era o [Estilo Levisha]?’
Depois de passar diversos desafios, Kevin acabou desmaiando e quando se deu conta estava dentro daquele estranho mundo branco onde vivia aquele velho. Depois de aparecer naquele mundo, Kevin assistiu o velho executar cada movimento do [Estilo Levisha].
Até o último movimento…
O 64o Movimento, e último movimento do [Estilo Levisha].
‘Não tenho limites.’
Ao lembrar-se do 64a sendo executado pelo Grande Mestre Levisha e ver que ele tinha usado toda sua energia vital para poder executá-lo, Kevin não conseguiu evitar de estremecer.
‘Consigo fazer aquilo?’
Fechando os olhos, Kevin se imaginou fazendo os 64 movimentos.
Tentou lembrar da sensação que sentiu quando viu o Grande Mestre Levisha performando o último movimento. Desde o movimento dos músculos, modo de respiração, a atitude… Kevin tentou lembrar de tudo que viu no sonho.
Agora que sua mente estava lúcida, fez seu melhor para gravar cada detalhe em seu cérebro. Pouco tempo depois, Kevin se imaginou fazendo os 64 movimentos.
No entanto, quando chegou no oitavo movimento, as sobrancelhas de Kevin se franziram. A única coisa que conseguia visualizar, era seu corpo explodindo em vários pedacinhos quando tentava fazer o oitavo movimento.
O Oitavo Movimento… Esse era o seu limite no momento.
Franzindo ainda mais, Kevin balançou a cabeça.
Ele ainda tinha muito caminho pela frente antes de conseguir fazer todos os movimentos. Sem contar que, diferente do Grande Mestre Levisha que teve que sacrificar sua energia vital para executar tal Arte da Espada, Kevin queria fazer isso sem precisar sacrificar a sua energia… ele queria aperfeiçoar ela.
“Oi, me responde.”
Tirando Kevin dos pensamentos, ele ouviu uma voz irritada.
“Hm?”
Acordando Kevin, que estava perdido em seu próprio mundinho, balancei a cabeça.
“Eu não sei você, mas se eu chegar atrasado para a aula, vou acabar arrumando uma situação chata, então anda logo e se prepara. Temos um dia para voltar para a escola.”
“Ah, desculpa. Vamos.”
Balançando a cabeça, Kevin lembrou que as aulas voltariam amanhã. Por isso, sem reclamar, Kevin se levantou e tirou a sujeira do corpo com batidinhas.
Tendo certeza de que não estava esquecendo nada, olhei para Kevin e sinalizei com a cabeça para andarmos pelo túnel que levava para o lago.
“Vamos logo, ou vamos perder o trem.”
“Estou indo…”
Assentindo, Kevin me seguiu.
Porém, quando estava prestes a sair, Kevin lembrou de algo. Parando de andar e dando uma meia-volta, ele se curvou na direção do portal.
“Muito obrigado… Vou fazer meu melhor para carregar seu legado.”
Depois disso, ele voltou a andar e entrou no túnel. O silêncio voltou novamente aos arredores.
-Kacha!
Algumas horas depois do Kevin ter ido embora, o portal roxo começou a piscar e sair do controle, fazendo tudo na área tremer.
-Rumble!
A caverna tremeu por inteira e tudo começou a desmoronar, várias pedras caindo no chão.
…..
Depois de meio dia andando, Kevin e eu finalmente conseguimos sair da dungeon.
Dessa vez, como não queria perder tempo, usei o livro e evitei todos os perigos possíveis e peguei o caminho mais rápido que tinha.
E, como ainda lembrava do caminho que vimos, também não tivemos que perder tempo em ficar olhando o mapa.
Por isso, não demorou muito para conseguirmos chegar na cidade de Rowa.
Rowa, era uma pequena cidade que habitava 50 mil pessoas e foi construída na Cordilheira Clayton.
A cidade era linda e a flora podia ser encontrada em qualquer lugar. E tanto o ar fresco quanto as maravilhosas construções da cidade, faziam o lugar parecer muito aconchegante.
Admirando o cenário e andando pelas ruas de pedregulhos de Rowa, Kevin olhou para mim e perguntou.
“Que horas é o trem?”
Olhando o relógio no meu pulso, respondi.
“Daqui uma hora…”
Assentindo com a cabeça e levando uma mão até o queixo, Kevin começou a pensar e sugeriu.
“Então acho melhor esperarmos na estação, o que acha?”
Também levando uma mão para o queixo, assenti.
“Hmmm, é melhor.”
Embora poderíamos muito bem comer em um dos restaurantes da cidade, era melhor irmos direto para a estação, já que o trem chega daqui uma hora.
Não é muito bom perder o trem só porque a comida demorou para chegar. E, também, nem estava com fome.
Enquanto andávamos, não conseguia deixar de notar que quanto mais avançávamos, menos pessoas via na rua.
Minutos depois percebi que ninguém mais estava pela área. Tudo estava deserto. Quase como se todas as pessoas tivessem desaparecido da face da terra.
Franzindo o cenho, comentei com o Kevin.
“Você não acha que está muito quieto aqui?”
Olhando em volta, Kevin começou a perceber isso e uma expressão séria apareceu no rosto dele.
“Agora que você falou… realmente está muito-huh?”
Ele ainda estava no meio da frase quando o mundo ao nosso redor começou a distorcer.
-Vuam!
Em seguida, um enorme domo invisível cobriu a área onde Kevin e eu estávamos. Ao ver o domo, Kevin gritou enquanto invocava sua espada.
“Um Espaço Dimensional… merda, é uma emboscada!”
Arregalando os olhos, congelei por meio segundo. No instante seguinte, olhei para Kevin que estava pronto para batalhar e pensei para mim mesmo.
‘O que está acontecendo? Essa cena nunca apareceu na novel.’