-Clank
Ao abrir a porta do meu quarto, dei de cara com duas pessoas paradas bem à minha frente.
“Oi.”
“Prazer em conhecê-lo.”
“Pois não? Em que posso ajudá-los?”
À direita estava um rapaz alto e magro, de longos cabelos loiros e cacheados e olhos verdes, que exibia um sorriso amigável. Estendendo a mão para mim, ele se apresentou e apresentou o amigo ao seu lado esquerdo, cuja aparência era completamente diferente da dele.
“Prazer em conhecê-lo, sou Leo Smith do quarto 905 e esse é Ram Johnson do quarto 907.”
Ram, o garoto à esquerda, tinha uma barriga grande e cabelos ruivos de aparência oleosa. Com um sorriso meio sem jeito, mas amigável, ele acenou com a cabeça.
“Boa tarde.”
Olhei de um para o outro e ergui uma sobrancelha antes de olhar para os dois lados, onde ficavam os quartos 905 e 907. Então, sorrindo para eles, falei.
“Oh? Vocês moram do meu lado? Então significa que somos vizinhos?”
Leo, com um sorriso gentil, assentiu com a cabeça.
“Yep. Acabamos de receber a notícia que alguém estaria se mudando hoje e queríamos ser os primeiros a lhe dar as boas-vindas.”
Abrindo um sorriso, estendendo a mão na direção deles, me apresentei.
“Isso é muito gentil da sua parte. Olá, sou do primeiro ano e meu nome é Ren Dover. Um prazer conhecê-los.”
Acenando com a cabeça, ambos me cumprimentaram com a mão.
“É um prazer conhecê-lo.”
Depois de apertarmos as mãos, ficamos alguns segundos em silêncio, até que um clima constrangedor se instalou no corredor. Percebendo a situação, olhei para o meu quarto e sugeri.
“Gostariam de entrar…?”
Ao ouvir meu convite, Ram e Leo se olharam e concordaram com a cabeça.
“Se não for incômodo.”
“Obrigado.”
Ao ver o quão amigáveis os dois estavam sendo, decidi convidá-los para entrar. E apesar desse lugar ser infestado com pirralhos arrogantes, isso não significava que todo mundo era assim.
E vendo que não estavam me desprezando ou tentando estabelecer dominância logo no primeiro encontro, sabia que os dois eram gente boa… Uma mudança de ritmo boa comparado ao que passava na turma.
“Ok, podem entrar.”
Com um sorriso grande, dei espaço para eles passarem. Sorte minha que eles vieram primeiro, tinha algumas coisas que precisava perguntar sobre o dormitório.
Sorrindo, Leo olhou para Ram e sinalizou para ele ir primeiro.
“Depois de você.”
“Valeu.”
Ram assentiu e entrou no quarto, com Leo vindo logo atrás. Depois dos dois entrarem, me certifiquei de que não havia mais ninguém por perto antes de fechar a porta.
-Clank!
Ao fechar a porta, me virei para eles e falei.
“Bem-vindos. Acabei de me mudar para cá, mas o apartamento já estava todo mobiliado quando cheguei. Podem se sentar enquanto preparo um chá.”
“Claro.”
“Obrigado.”
Os dois assentiram com a cabeça e foram se sentar no sofá. Enquanto se aproximavam do sofá, pelo canto dos olhos, percebi o quão familiarizados pareciam com o layout do apartamento.
Pelo visto, o quarto deles não deve ser muito diferente.
“Huuu…”
Observando Leo e Ram sentarem-se confortavelmente no sofá, me direcionei para a cozinha e coloquei água no bule.
Essa era a primeira vez que encontrei pessoas que não são pirralhos arrogantes ou personagens da novel. Não queria causar uma primeira má impressão, afinal, ser solitário não era algo que gostava.
Alguns segundos depois, com o bule com água quente em mãos, me sentei em um dos sofás e servi chá para os dois.
“Obrigado.”
“Valeu.”
Depois de me agradecerem, Leo e Ram pegaram as xícaras à frente e deram um pequeno gole no chá. Pousei o bule, soprei de leve minha própria xícara e olhei para os dois antes de perguntar.
“Vocês dois também são do primeiro ano?”
Leo tomou um gole do chá e, depois de apreciar o sabor por alguns segundos, olhou para mim e assentiu com a cabeça.
“Somos, eu sou da Turma A23 e ele é da Turma A19, e você?”
“Turma A25.”
“…”
“…”
Assim que respondi, um silêncio envolveu a sala. E percebi que Leo e Ram olhavam para mim com pena nos olhos.
“Sinto pena de você…”
“Muito…”
Sem entender a reação deles, inclinei a cabeça para o lado e perguntei.
“Hã?”
“Você não está na mesma turma, cheia de filhos de segunda geração que são arrogantes pra caramba? Não fica um clima tenso?”
Franzindo o cenho de leve, perguntei.
“Não é a mesma coisa pra vocês?
Olhando um para o outro, Leo e Ram balançaram a cabeça ao mesmo tempo. Antes de me responder, Leo tomou um gole de chá.
“Nem perto, nossa sala é bem de boa. Sem contar que todos somos unidos e não acontece nenhum drama como na sua sala.”
Fazendo uma careta, interliguei meus dedos e me inclinei para frente.
“Como assim?”
“Bem, não tem ninguém famoso na nossa sala… entende?”
Pensando por um momento, neguei com a cabeça.
“Hmm, não muito.”
Balançando a cabeça, Leo colocou a xícara na mesa e explicou.
“Basicamente, por não ter ninguém importante na minha sala, ninguém precisa ficar puxando o saco de ninguém. Nossa turma é bem equilibrada. A turma do Ram também é assim, todo mundo simplesmente se dá bem, sem ninguém tentando mandar nos outros ou coisa do tipo…”
Enquanto Leo falava, Ram vez ou outra adicionava algum comentário e assentia concordando com o que o amigo dizia.
“Hmmm… apesar de termos alunos com família ou posições sociais mais influentes, a maioria é bem parecida entre si. Somos bastante unidos, então esse tipo de coisa simplesmente não acontece.”
Colocando a mão no queixo, assentia lentamente com a cabeça.
“Ah… entendi.”
Fazia sentido.
Como a maior parte dos filhos da segunda – geração mais arrogantes acabaram na minha sala, não era de estranhar que eles tivessem formados seus próprios grupos e se isolado dos outros alunos.
O que resultou no desbalanço da sala.
Depois de um tempo, olhei para os dois e não pude deixar de fazer uma piada.
“Acho que vou me mudar para a sala de vocês.”
Depois de ficarmos nos encarando por alguns segundos, nós três soltamos uma risada.
“Hahaha.”
“Hahaha.”
Ri junto com eles, mas, no meio da risada, parei e falei com um tom sério.
“Hahaha… não estou brincando.”
Não estava mesmo.
Talvez de início sim, mas quanto mais pensava sobre isso, mais queria me mudar de turma. A sala deles parecia um paraíso.
Apesar de ter dado um jeito em Arnold e em outros idiotas, o fato de eu ser ignorado e abusado verbalmente não mudou muito.
É exatamente como eles disseram, quase todo mundo fazia parte de uma família de estado social alto ou que os pais eram figuras importantes de alguma forma.
Se eu quisesse dar um jeito neles, precisava ser meticuloso. Não posso comprar briga com qualquer um.
Principalmente, considerando o fato de agora ter uma família, não posso colocá-los em perigo.
E esse fato ficou ainda mais evidente com o que aconteceu com a Matriarca.
Ações têm suas consequências, e a menos que eu acabasse completamente com meu inimigo e tivesse certeza de que ele não tentaria se vingar de mim, eu não poderia fazer nada.
E por isso, a sala deles parecia um paraíso para mim. Um lugar onde não precisaria me preocupar com o meu jeito de agir.
Ainda me olhando com pena nos olhos, Leo tentou me confortar.
“Eu entendo seus sentimentos, mas as turmas mudam todo ano, quem sabe você não tenha sorte ano que vem.”
Me encostando no sofá, um sorriso amargo se fez presente no meu rosto, enquanto dizia com um tom sarcástico.
“Haha, quem dera eu tivesse essa sorte…”
Ele não estava errado.
Cada começo de ano, os alunos das turmas mudam, então quem sabe eu não tenha sorte. Mas levando em conta minha sorte até agora… só podia soltar um suspiro derrotado.
-Ding! -Dong!
Eu estava tendo uma conversa agradável com Leo e Ram quando, de repente, a campainha tocou outra vez. Olhei para a porta e, em seguida, para os dois por um breve momento antes de dizer.
“Hm? Outros vizinhos?”
Depois de trocarem olhares sérios entre si, as expressões dos dois ficaram tensas. Pegando na minha manga, Leo disse de forma cautelosa.
“Ren… tenha cuidado.”
Arqueando uma sobrancelha sem entender nada, perguntei.
“O que foi?”
Mais uma vez trocando olhares, Leo falou baixinho.
“Íamos te contar sobre isso mais tarde, mas na verdade, esse prédio não é tão tranquilo quanto parece.”
Com uma careta, comecei a sentir que algo ruim estava prestes a acontecer.
“Não é tão tranquilo quanto parece?”
Concordando com a cabeça, os dois olharam na direção da porta com um pouco de medo.
“Sim…”
Ao perceber o comportamento estranho deles, franzi ainda mais o cenho. Se dissesse que estava surpreso com isso, seria mentira.
Por experiência própria, conseguia deduzir mais ou menos o que estava acontecendo.
Apesar de não saber muito sobre esse lugar, pelo visto tem alguma hierarquia social que não sabia sobre.
E quem quer que seja que esteja naquela porta, definitivamente era alguém que não teria o prazer em conhecer.
-Ding! -Dong!
“Estou indo!”
Encarando a porta, olhei para os garotos e depois andei em direção a ela.
‘Preciso observar as coisas antes de fazer algo.’