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Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation – Volume 20 – Capítulo 9

A Matriz da Igreja Milis

Agora que meu encontro desperdiçado com Claire havia terminado, voltei para a residência de Cliff desanimado. O que vi quando cheguei lá me tirou o fôlego. Dentro daquela casa, vi Cliff e uma mulher que nunca tinha visto antes, abraçados.

A mulher tinha um ar humilde. Ela era pequena, sardenta e tinha cabelo castanho curto e brilhante. Ela era esguia no geral, mas nela havia uma suavidade, como se nunca tivesse se preocupado em sua vida e isso a tornava doce.

Ela parecia semelhante à Elinalise, mas diferente. Se Elinalise era uma gata no cio, essa menina era uma cadela esterilizada; mas aqui está o que realmente me pegou: eu não conhecia essa garota.

Não você, Cliff. Não! Depois de todas aquelas palestras que você me deu sobre a mesma coisa… Você realmente deixou Elinalise para trás por causa disso?! E o coração de Elinalise? Ela pode ter te traído , mas ela é a mãe do seu filho… Você pagou na mesma moeda?!

Cliff, por favor, me diga que não é verdade. A Casa Latria simplesmente me decepcionou, então se você não é quem eu pensei que fosse, eu não saberia no que acreditar. Ah, dane-se tudo, o que aconteceu com o amor verdadeiro? Oh Sylphie, Roxy, Eris, qualquer uma, eu imploro, me puxe para perto e sussurre palavras doces em meu ouvido para que eu possa continuar…

— Oh, Rudeus, boa hora. Você poderia pegar a caixa em cima daquela prateleira? Não somos altos o suficiente para alcançá-lo, mesmo com um banquinho.

— Claro.

Cliff se desvencilhou da garota em algum momento enquanto eu narrava a prévia do próximo episódio. Ele nem estava corando nem nada. Aparentemente, ele a pegou quando ela quase caiu do banquinho.

— Wendy, seus tornozelos estão bem?

— Sim, eu estou bem. Obrigada.

Eles tiveram uma conversa normal e chata enquanto eu baixava a caixa. Soprei o resto da poeira de ontem e entreguei a Cliff.

— Desculpe por isso. Acho que é isso… Sim, é. Graças a Deus, agora estarei bem amanhã.

Cliff tirou o que parecia ser um remendo de ferro da caixa. Era o emblema da Igreja de Millis. Eu acho que… ele precisava disso para o trabalho?

— Enfim, Rudeus, o que te traz aqui? Você não ia passar a noite na casa dos Latria?

Essa pergunta me fez inclinar; eu queria contar a Cliff tudo sobre aquela palhaçada .

— Sim, sobre isso. Escute isso

Deixei minha fúria assumir o controle enquanto dei a Cliff um relato completo dos acontecimentos do dia. Sobre como fui para a Casa Latria, sobre o que Claire disse e como ela agiu. Sobre como eu não aguentei a indignidade e enlouqueci, deixando a mansão imediatamente depois. Eu estava um pouco mais calmo, mas ainda mal conseguia conter minha raiva. Apenas o pensamento disso me irritou novamente.

— Hmm…

O rosto de Cliff endureceu enquanto ele me ouvia. Ele era um santo entre os santos, então eu tinha certeza de que ele me apoiaria nisso.

“É verdade, os nobres de Millis têm uma tradição em que os pais decidem os cônjuges de seus filhos, e há até algumas pessoas que dizem que ter filhos é o que torna uma mulher uma mulher… mas até eu acho questionável casar alguém que não pode falar por si mesma.”

— Eu sei, certo?

Era desumano. Era absolutamente monstruoso. Eu me considero difícil de chocar, mas nem eu poderia ignorar isso. Eu não conseguia acreditar que aquela pessoa era a mãe de Zenith. Onde está Deus em tudo isso? Espere, certo, ela estava na Cidade Mágica da Sharia.

— Talvez devêssemos considerar que Madame Claire pode estar em estado de choque, dado o que aconteceu com sua filha tão de repente. Imagine se isso acontecesse com seu próprio filho… Você deve entender o lado dela, certo?

Cliff parecia estar tentando argumentar comigo. Parte de mim esperava que ele compartilhasse minha raiva, mas, do ponto de vista de Cliff, havia outro lado da história. Ele deve ter querido ficar calmo e pensar sobre isso do outro ponto de vista.

Então, pensei um pouco. Meus próprios filhos, hein? Talvez Lucie… Não, ainda era um pouco difícil de imaginar isso para ela. Em vez disso, tentei com Norn. Digamos que Norn partiu em uma jornada assim que sua comemoração de maioridade terminou; apenas quando penso que ela voltou, sua personalidade está morta. E pior, ela veio com o filho de um homem que eu não conhecia e o filho de uma amante com quem ela não tinha laços de sangue. Eu certamente ficaria em choque. Eu gostaria de fazer algo por ela…

Mas

— Não importa o quão chocado alguém fique, não consigo ver como alguém pensaria em fazer mamãe se casar novamente.

— Isso pode não ser tão insensível quanto você pensa. Deixando de lado a conversa sobre filhos, casar-se com um nobre garantiria que ela fosse cuidada. Mesmo após a morte dos pais.

Não foi essa a conversa que tivemos. Era mais como se ela quisesse reciclar uma ferramenta porque ainda tinha alguma utilidade. Era da minha mãe que estávamos falando. Sua própria filha, que eu trouxe até aqui. Sério, qual era o problema dela?!

Eu conseguia me lembrar do rosto de Claire quando enlouqueci em sua mansão. Mesmo quando as ondas de choque do meu canhão de pedra enviaram seus guardas voando pelos corredores, ela estava fria. Como se ela não pudesse entender por que aquele grosseirão estava destruindo o lugar por nada.

Para ser justo, vi minhas memórias através do meu próprio filtro. Claire poderia ter ficado surpresa e seu rosto simplesmente estivesse congelado de medo, mas isso não muda as palavras que saíram de sua boca.

— Ainda assim, entendo a situação em que você está. Você é livre para usar minha casa como quiser.

— Muito obrigado, Cliff.

— Este é território papal. Mesmo que a Casa Latria deseje fazer um movimento, eles não poderão tocá-lo aqui.

A garantia de Cliff me fez perceber que na verdade não havia considerado a possibilidade de retaliação dos Latrias. No que me dizia respeito, Claire e eu estávamos acabados. Nunca veríamos um ao outro novamente, embora a Casa de Latria pudesse ter suas próprias ideias. Eles podem tentar trazer Zenith de volta. Se fosse essa a situação, precisávamos levar Zenith para Sharia.

— Seria uma pena se sua mãe tivesse que voltar logo após chegar em sua cidade natal — disse Cliff.

— Hmm…

Millis era a cidade natal de Zenith. Agora que Cliff mencionou isso, eu tinha certeza que ela preferia ficar um pouco mais. Se eu pudesse arranjar tempo para isso, adoraria levá-la a todos os pontos turísticos.

— Mas ainda assim…

— As necessidades de Zenith serão atendidas enquanto você estiver fora — disse Cliff virando-se para a nova garota. — Ela pode ser um pouco desastrada, mas você pode confiar nela.

— …Cliff, sobre isso… quem é ela?

— Ah, minhas desculpas. Esqueci de te apresentar. O nome dela é Wendy. Se eu tivesse que descrever… Sim, eu diria que nosso relacionamento é semelhante ao que você e Sylphie têm.

— Entendo. Entendo completamente.

Um relacionamento como o meu e o de Sylphie… Entendo, então foi assim. Todos os mistérios foram resolvidos. A abertura da caixa do gato revelou que, de fato, apenas uma verdade prevalecia.

— Não se preocupe, não vou denunciá-lo para Elinalise.

— Não, espere. Pare esses pensamentos! Não tire conclusões precipitadas, não é assim.

Cliff explicou apressadamente o que ele quis dizer. Enquanto Cliff cuidava da papelada na sede da igreja, ele também organizava sua casa. Uma das coisas que ele aparentemente precisava era de um ajudante, o que trouxe Cliff para o orfanato onde ele morava. Como parte do programa de treinamento profissional do orfanato, ele ensinava suas crianças a cozinhar e fazer tarefas domésticas, então Cliff recrutou uma das crianças de lá.

— Wendy era a criança mais velha de lá. Na verdade, ela está quase na idade de ter que deixar o orfanato, embora não tenha sido por isso que a escolhi; mas por enquanto, ela virá do orfanato até aqui para ajudar na casa todo dia . Fazer tarefas domésticas aqui também dará à ela experiência de trabalho.

Então ela foi mais ou menos contratada como estagiária. Trabalhar na casa de Cliff, neto do papa, certamente impressionaria os futuros empregadores. Ela teria uma vantagem na procura de emprego.

— Sou Wendy. Eu posso lidar com todos os tipos de tarefas domésticas. É um prazer conhecer você.

— Assim como Sylphie, — disse ele. Essa frase me fez pensar que algo escandaloso estava acontecendo, mas basicamente, eles eram velhos amigos que costumavam brincar juntos quando crianças. Embora eu não soubesse a idade exata de Wendy, fiquei imaginando se Cliff não teria um momento de fraqueza com essa jovem…

Não, Cliff ficaria bem. Não era como se ele fosse eu ou algo assim.

— …

De qualquer forma, sair da casa Latria foi uma grande reviravolta. Neste ponto, pode ser melhor parar e levar Zenith para casa antes de continuar, mas depois que a objetificação de Zenith por Claire me fez perder tanto a cabeça, que eu pelo menos queria dar a ela um bom passeio comigo pela cidade… Ugh, eu estava sendo descuidado? Talvez eu deva esperar que Cliff se estabeleça primeiro. Então poderíamos nos unir e derrubar a Casa Latria de forma rápida, aí então poderíamos correr riscos assim; embora seja verdade que não havia garantia de que as coisas correriam tão bem…

— Aisha,  que você acha? — perguntei.

— Ué… Hm?

Na dúvida, converse. Eu queria ouvir a opinião de Aisha.

— Você acha que devemos levar a mamãe de volta para casa e voltar? Ou você acha que devemos ficar nesta casa por um tempo e deixá-la passear pela cidade quando tivermos tempo?

Depois que perguntei, Aisha cruzou os braços para pensar, mas não por muito tempo; ela logo levantou a cabeça e olhou para Cliff.

— Esta casa é realmente um lugar seguro?

— Sim. Pode ser pequena, mas os Latrias não conseguirão nos tocar aqui. Não sem causar um grande rebuliço.

— Quais são as chances de que os Latrias fizessem um movimento sabendo muito bem quais eram as consequências?

— Quase que nenhuma, eu diria. Aquela casa poria sua própria reputação em jogo.

Reputação, hein.. Dado o quanto a linhagem importava para aquela velha, ela definitivamente levaria isso em consideração. Ela pode ser teimosa e podre até o âmago, mas não era uma idiota.

— Acho que vamos ficar bem — concluiu Aisha enquanto descruzava os braços. — É só um palpite, mas não acho que aquela casa… aquela pessoa vê muito valor na Mãe Zenith depois do que aconteceu com ela.Ela tinha razão. Os Latrias certamente não usariam Zenith como uma parte fundamental de qualquer plano. Cliff disse isso antes; casar com alguém que não sabia nem falar poderia se encaixar nos valores da nação, mas levantaria questionamentos. Considerando que os parceiros seriam forçados um ao outro, era difícil imaginar que os laços de seu matrimônio seriam terrivelmente fortes.

Talvez ela quisesse compensar seu investimento no Esquadrão de Busca e Resgate de Fittoa, mas se quisesse, poderia me cobrar. Dê-me um número e eu pagaria para ela ir embora. Era seguro dizer que elas não tinham absolutamente nenhum vínculo emocional. Se tivesse, então não tinha como ela tratar Zenith como uma coisa.

— Acho que hoje os ensinou que deveriam ter medo de você, Grande Irmão. Eles também não enviaram ninguém para nos perseguir. Não acho que sejam muito apegados à Mãe Zenith.

Demoramos para voltar da casa Latria e, mesmo assim, ninguém veio atrás de nós. Claire poderia facilmente ter me denunciado e mandado soldados atrás de mim. Eu não sabia se ela tinha medo de mim ou simplesmente parou de se importar, mas ela conhecia o relacionamento que eu tinha com Cliff; embora eu não tenha ideia de onde ela conseguiu essa informação… o fato é que, dado o que aconteceu, teria sido fácil adivinhar que esta casa seria meu esconderijo, no entanto, ela nos deixou ir embora.

— Seria uma coisa, se fosse um lugar sobre o qual eles pudessem fazer algo, mas estamos sob proteção em território inimigo. Acho que vamos ficar bem.

— Verdade, penso o mesmo.

Alto risco, baixa recompensa. Com apostas como essa, era difícil imaginar que eles tentariam retomar Zenith à força. Que orgulho de você, Aisha. Você realmente pensou nisso!

— Nesse caso, Rudeus, — interrompeu Cliff — vou encontrar meu avô amanhã. Você gostaria de vir junto? Causando problemas com a Casa Latria, certamente tornará seus empreendimentos futuros neste país mais difíceis… Tenho certeza que você quer conexões, não?!

— Tem certeza?

— Claro, contudo, depende de você ganhar o apoio de meu avô. Vou apresentá-lo, mas não vou fazer mais nada.

— Tudo bem.

Cliff recusou minha ajuda e eu não tinha intenção de fornecê-la diretamente. Eu não tinha certeza exatamente o quanto ele estaria disposto a me reconhecer profissionalmente. Presumi que apresentar pessoas para alistá-las como aliadas era uma intervenção que Cliff não queria que eu fizesse, mas parecia que Cliff estava disposto a engolir seu orgulho e me apresentar de qualquer maneira.

Ajudar Zenith era importante, mas também tinha que progredir na construção do Bando Mercenário. Ter o apoio do papa funcionaria para ambos os objetivos. Eu não precisava exatamente que o papa fornecesse proteção pessoalmente à Zenith; apenas ter uma conexão com ele tornaria difícil para eles interferirem.

— Seria uma honra, — respondi depois de terminar meus cálculos e inclinei minha cabeça para Cliff.

Eu tinha outras coisas para fazer em Millis, então me animei e voltei meus pensamentos para isso.


No dia seguinte, após o café da manhã, fui para a sede da igreja e deixei Aisha e Zenith em casa.

A sede da igreja, sendo um edifício dourado com uma cebola gigante no topo, era um pouco difícil de não perceber. A tranquilidade tão valorizada no País Sagrado de Millis se refletia nos muitos tons de branco e prata que a envolvia; e então havia este edifício único e brilhante com sua ostentação francamente espalhafatosa, e com aquela cebola dourada por cima, tudo se destacava. Brega.

De longe, não era tão ruim. Parecia um acentuado dourado empoleirado no topo de seus arredores brancos e prateados, mas uma vez que você chega perto, o efeito se desfaz. Veio de um planeta diferente.

Mas uma casa ridícula não refletia necessariamente em seu morador, afinal, esta era a sede da Igreja Millis.

Ela estava basicamente cheia de Cliffs atualizados, recém-saídos da linha de produção. Pode ter parecido de mau gosto, mas o fato de que certamente apenas os santos mais puros viviam lá dentro… estava longe de ser garantido. Eu sabia disso.

Na minha vida passada, todos sabiam que os políticos e líderes religiosos eram os mais corrompidos pelo dinheiro. Pelo menos, foi assim que eu vi. Parecia válido para este mundo também. E as pessoas que detinham tanto poder que nem tentavam fingir sempre acabavam desmascaradas, então, novamente, manter essa multidão à distância não deve representar nenhum problema.

Respirei fundo e me preparei para me “vender”. Eu mostraria meus laços profundos com Orsted e Ariel para parecer importante. Acho que esse foi um dos meus fracassos na casa Latria; pode ter sido por isso que Claire me menosprezou até que tudo acabou daquele jeito.

De qualquer forma, hoje eu seria o homem mais interessante do mundo para ele. Foi por isso fui com minhas vestes formais; elas são o que eu uso quando estou falando sério. Eu era a Mão Direita do Deus Dragão, Rudeus Greyrat! Eu me convenci um pouco na minha cabeça.

— Minhas desculpas, mas não posso permitir que ninguém que não tenha permissão entre.

Fui parado na entrada de um dos prédios. Emoji triste.

— Huh? Minha permissão de entrada não é suficiente? Eu poderia jurar que os companheiros costumavam entrar com um…

— A regra sempre foi uma pessoa por permissão.

— Entendo. Hum… Acho que as pessoas olhavam para o outro lado desde que eu era criança naquela época…

Cliff olhou para o símbolo que encontrou na noite passada com uma expressão preocupada. Aparentemente, essa era a permissão. Ele estava vestindo sua vestimenta oficial da Igreja Millis. O símbolo foi costurado no peito da vestimenta ontem à noite.

— Você já tem uma permissão, reverendo Cliff, então acredito que você pode pedir para eles emitirem uma permissão temporária para entrar.

— Ah… Sim, isso mesmo. Desculpa, Rudeus. Vou conseguir uma licença para você, então espere por mim aqui — disse Cliff.

— Entendo. Não estou com pressa, então sinta-se à vontade para tomar seu tempo.

Fiz o que me foi dito e observei Cliff desaparecer lá dentro. Tropecei no primeiro obstáculo, mas ei, pelo menos não fui expulso antes do tiro de partida! Resolvi passear um pouco pelo complexo.

O complexo era amplo e o prédio era enorme. Era facilmente quatro vezes o tamanho da casa Latria. O prédio tinha quatro andares e, do ponto de vista de um pássaro, todo o lugar era estruturado como um losango no topo de um quadrado; ou seja, em vez de se sobrepor para formar um octógono, um quadrado foi inserido dentro do outro. O diamante estava dentro do quadrado.

A praça do lado de fora consistia no prédio de escritórios da sede da igreja. Provavelmente era lá que todos os funcionários de escritório relacionados à igreja e padres regulares organizavam seus papéis. Eles pareciam lidar com licenças de conversão religiosa, pedidos de arranjos funerários e até vendas de amuletos simbólicos. Aquele era o quartel-general perfeito para você, se você tinha algum negócio com a Igreja Millis.

O diamante interno abrigava o espaço residencial e de escritórios da corte papal da Igreja Millis. Tinha até estátuas sagradas e templos. Como regra, apenas o mais alto escalão tinha permissão para entrar; nem mesmo os funcionários de escritório aqui eram informados do que acontecia lá dentro. Era o núcleo da Igreja Millis. Não admira que você precisasse de uma licença.

Era compreensível, mas enquanto eu continuava olhando ao redor do complexo, o sol subia alto. Eu estava ficando com fome.

Talvez Cliff tivesse calculado mal ao me conseguir uma licença. Certamente dar ao papa todas as informações pertinentes apenas sobre a viagem de volta levaria horas. Ele deve ter marcado um encontro com o papa apenas ontem, uma exceção que abriram para ele porque era da família, mas eu?! Eu era um estranho. Isso colocaria o papa em guarda se seu neto recém-retornado dissesse que queria apresentá-lo a algum esquisito?

Tive uma noite difícil tentando ajudar Zenith, mas não havia me esquecido do pedido de Elinalise. Eu queria absolutamente evitar atrasar Cliff.

— Talvez eu devesse ter esperado alguns dias primeiro e depois marcado uma hora eu mesmo…

Ao reconsiderar meu plano, descobri que havia chegado ao jardim.

A sede da Igreja Millis tinha quatro jardins. Eles formavam os quatro cantos triangulares entre o diamante interno e o quadrado externo. Cada um foi plantado com vegetação representando uma das quatro estações. Atualmente era primavera e, coincidentemente, o jardim da primavera foi aquele em que entrei. Este jardim primaveril estava transbordando com um arco-íris de flores desabrochando – mas os tons brilhantes e claros de amarelo, branco e rosa dominavam.

Absorvi tudo enquanto caminhava. Eu costumava andar com uma enciclopédia de plantas em uma mão enquanto procurava os nomes e tudo de todas as flores, mas não sabia nada sobre as plantas em Millishion. Na verdade, espere, eu já tinha visto aquela árvore com as flores rosa antes. Seu nome era semelhante a “sakura”, como as flores de cerejeira, então me chamou a atenção. Eu senti como se tivesse ouvido alguém dizer o nome recentemente, mas o que era?

— Olha, as Árvores Sarakh estão florescendo! — alguém disse.

Sim, Sarakh, era isso! Eram árvores que cresciam nas montanhas das terras do norte do Reino de Asura. Elas tinham flores cor-de-rosa nas pontas de seus galhos que desabrocham quando a primavera chega, por isso eram conhecidas por lá como “As árvores que chamam a primavera”. Sua madeira tinha uma fragrância particular que também as tornava populares entre os nobres. Elas cresciam apenas nas montanhas, então eram caras. Atualmente, a família real Asurana supervisionava todo o cultivo das árvores Sarakh, às vezes até exportando-as para outras nações, ou foi o que Ariel me disse da última vez que fui ao Reino Asura.

— Sim, elas são realmente muito bonitas!

— As Flores de Sarakh combinam muito bem com você, Abençoado!

— Você sabia que essas Árvores Sarakh foram um presente do Reino Asura quando o atual papa ascendeu ao trono?

— Ohoh, Abençoado, como você é puro…

Eu ouvi algumas vozes que fizeram minha pele arrepiar. Por curiosidade, virei-me para olhar para a fonte das vozes assustadoras.

— Venha, olhe, olhe! É como se estivéssemos sob uma chuva de pétalas de Sarakh!”

— Ah, a visão do Abençoado de pé entre as pétalas descendentes… é quase etéreo.

— Que bonito!

Lá, eu vi uma e-girl* e seus simps**. A mulher usava um vestido quase de princesa com babados enquanto mantinha as palmas das mãos para cima e girava sob as pétalas de flores que esvoaçavam suavemente. Eu quase poderia chamá-la de jovem… exceto que ela provavelmente tinha cerca de vinte anos.

* garota com visual inspirado e/ou parecido no emo.

** pessoas que mostram atenção, simpatia, adoração etc por alguém, em busca de afeição ou um relacionamento mais profundo; normalmente sem ser recíproco.

Seu rosto era a cara da beleza refinada, mas também um pouco rechonchudo. Wendy parecia suave, apesar de ter braços e pernas delicados, mas os braços e as coxas dessa garota eram um pouco grossos. Ambos não eram saudáveis, mas enquanto Wendy parecia carecer de calorias, esta mulher parecia carecer de exercícios.

Ao redor dessa mulher havia uma multidão de homens. Havia sete deles – um número de sorte. Toda vez que a mulher dizia alguma coisa, eles concordavam e a elogiavam sem fôlego; dessa maneira “bajular por atenção”. Sim, simps e sua e-girl … caramba, você provavelmente poderia chamá-la de e-princesa! Acho que a razão pela qual eles me pareceram simps foi porque nenhum deles era bonito. Aqueles rostos infelizes me lembraram de um que eu costumava ver no meu espelho. Suponho que as couraças azuis que todos equiparam estavam um pouco fora do escopo dos típicos cavaleiros brancos.

— Hum?

Observe que, embora eles parecessem almas gêmeas, não havia nem um pingo de conforto entre eles. Eu podia sentir a tensão formigando no meu pescoço.

Isso era hostilidade? Bem, isso não deveria ter sido uma surpresa. As chances eram de que aqueles caras a estavam tratando como realeza porque ela era realeza, ou pelo menos tinha algum status semelhante, e esses guardas provavelmente não eram apenas simps comuns. Uma olhada em seu comportamento e músculos disse que todos eram guerreiros endurecidos. Eles poderiam ser espadachins de nível avançado, se não de nível santo.

Isso significava que eles devem ter me notado. Eu vim preparado para o pior e usei minha Armadura Mágica Versão Dois por baixo das minhas vestes. Embora eu devesse parecer desarmado devido à falta de um cajado, claramente não estava vestido para um piquenique. Eles estavam, compreensivelmente, em guarda.

Aainda assim, algo estava errado. Essa sensação tinha uma dimensão de algo, não sei, desconcertante, como um estrondo sob a superfície. Era uma inquietação difícil de descrever…

Era possível que um daqueles homens fosse discípulo do Deus-Homem. Deveria testar? Não, espere, eu tinha que parar e pensar. Especificamente, eu tinha que calcular as chances de que dizer a palavra “Deus-Homem” em voz alta daria terrivelmente, terrivelmente errado. Substancialmente. Não, eu não deveria dizer “Deus-Homem” em voz alta, mas de que outra forma eu poderia pegá-los…?

— Hum? Não acredito que já tenha visto você por aí antes. Você está aqui para se converter?”

Enquanto eu contemplava minha estratégia, eles deram o primeiro passo.

— Oh…

A garota olhou para mim com um sorriso inocente. Ela cruzou os braços atrás dos quadris e se inclinou para mim. Era o tipo de pose que me faria perder todo o controle se Sylphie a usasse comigo. Roxy nunca posaria assim. Se Eris tentasse, ela pareceria uma cobra avaliando sua presa; Eu estaria congelado, preparado para encontrar meu criador.

— Qual o problema?

Ah, certo, boa pergunta. Eu tinha coisas mais importantes em que pensar. Hum, uh… Bem, eu não estava aqui para me converter… Eu precisava averiguar se eles eram discípulos do Deus-Homem, então, um…

— E-então vocês são todos, uh, deus… pessoal?

Aconteceu em um instante. Três dos simps sacaram suas espadas e as apontaram para minha garganta. Os quatro restantes agarraram a e-girl e a puxaram para trás, escondendo-a atrás deles.

Não havia vestígios daquela merda simp neles. Os homens agora diante de mim tinham a ferocidade de soldados em um campo de batalha. Suas pupilas afundadas perfuravam o branco brilhante de seus olhos.

Merda, esses caras estavam sérios. Eu estava suando. Eu não deveria ter começado esta conversa. Oh espere. eu não tinha.

 um Deus.”

— Saint Millis é o único Deus verdadeiro?

— Com que propósito você perguntaria algo tão óbvio?

— Será que você não acredita em Saint Millis?

— Você não acredita em Deus?

— Um traidor?

— Um pagão!

Os simps me interrogaram sem minha contribuição enquanto seus olhos escureciam. Oh não, isso estava se transformando em um julgamento de bruxa!

— D-desculpem-me… eu estava, uh, pensando em algo e saiu errado. Por favor, me perdoem.

Esta situação exigia um pedido de desculpas honesto. Eles estavam certos; esta era a sede da Igreja Millis. Todos aqui certamente acreditavam em apenas um deus, Saint Millis. Não havia lugar pior para perguntar algo assim. Eu entendo, pareci cínico; duvidoso e, portanto, suspeito. Por favor, encontrem em seus corações para me perdoar.

— Grave, o que fazemos?

— Dust, você decide.

— Tudo bem, vamos matá-lo. Ele provavelmente é um pagão. Ele também parece extraordinariamente calmo… E mesmo que ele seja um crente, colocar tais pensamentos bizarros na cabeça de nossa Abençoada é um crime em si.

— Entendi, vamos matá-lo. Boa ideia.

Nossa, já decidiu, hein?! Eles trabalharam juntos como uma máquina lubrificada. Eu provavelmente hesitaria se estivesse no lugar deles.

— Ei, ei, espere um segundo! Vamos todos nos acalmar, deixe-me explicar-

Isso faria Cliff parecer mal se uma briga começasse aqui, e eu certamente não queria arruinar um jardim tão bonito. Quem gostaria de ver aquelas adoráveis ​​árvores Sarakh arrancadas pela raiz?! Não havia ganho nisso para nenhum de nós, então vamos falar sobre isso, certo?

Meus pensamentos estavam voltados para a paz, mas minha atitude já havia mudado. Eu estava com meu Olho Demoníaco da Previsão aberto desde o momento em que apontaram suas lâminas para mim e estava despejando mana em minha Armadura Mágica. Eu queria evitar a violência, mas se um pedido de desculpas não resolvesse, então eu não iria me segurar.

Depois de ontem, eles me pegaram de mau humor.

— Então… vocês realmente pretendem agir contra mim? — Perguntei.

Algo na minha pergunta os fez estremecer e arregalar os olhos. Meu Olho Demoníaco da Previsão mostrou-os tensos, distribuindo sua força em seus braços e pernas.

Aqui vem eles.

— Pare!

Uma voz de comando cortou o ar. Uma que soou um pouco familiar. Sua autoridade cortou a tensão instantaneamente, e essa tensão desapareceu dos corpos dos outros caras.

— O que você está fazendo?!

Aproximando-se de nós estava uma cavaleira solitária. Ela parecia ter trinta e poucos anos e usava a mesma couraça azul dos simps. Seu rosto calmo e refinado era severo. Eu conhecia muito bem aquele rosto.

— Capitão. Este pagão estava tentando ferir a Abençoado — um dos simps relatou prontamente. Qual é, cara, não minta!

— Estou sendo falsamente acusado. Eu estava simplesmente olhando para a Sarakh…

— Silêncio — um dos homens disse em voz baixa, sua espada ainda apontada para mim. Caramba, não, eu não ficaria em silêncio. Minha vida estava em perigo aqui.

— Um pagão? — a cavaleira disse quando ela finalmente olhou para o meu rosto. — Ah!

E então, ela percebeu quem eu era. Seu rosto se aqueceu em um sorriso.

— Rudeus! Meu pequeno Rudeus, é você? Nossa, faz tanto tempo!

Então, ela lançou um olhar para os homens que tinham suas espadas desembainhadas e levantou a voz.

— Afastem suas lâminas! Este homem é meu sobrinho!

Depois de observar os simps se assustarem com a surpresa e embainharem suas espadas, fechei meu Olho Demoníaco da Previsão.

Teresa Latria. A irmã mais nova de Zenith e, portanto, minha tia. Ela me ajudou muito quando eu estava levando aquele navio do Continente Millis para o Continente Central.

Therese parecia ser a líder desses espadachins; por ordem dela, os simps guardaram suas lâminas em um piscar de olhos e até ofereceram um pedido de desculpas por precaução; com relutância, claro. Pedi desculpas por meu próprio lapso de linguagem, mas a hostilidade aberta deles em relação a mim não mudou; isso não era suficiente para eles. Eles continuaram mantendo sua e-girl a uma distância segura de mim e permaneceram ferozmente vigilantes.

— Você se lembra de mim? Ou você esqueceu, já que só nos vimos uma vez?

— É claro que me lembro. Você foi um salva-vidas ao conseguir aquele navio para nós.

Bem, eu poderia ignorar esses caras por enquanto. Em vez disso, conversei com Teresa. Ah, vê-la realmente me trouxe lembranças.

— Ouvi dizer que você apareceu na casa da família, mas não pensei que você viria à sede da igreja também. Ah, você veio até aqui para me ver?

— Não, um conhecido ia me apresentar a um chefe da Igreja… Vejo que você conseguiu voltar para cá, Teresa.

Se bem me lembro, da última vez que a vi, ouvi dizer que ela havia sido rebaixada para a cidade portuária do oeste. Dez anos se passaram desde então; não era surpresa nenhuma que ela tivesse feito seu caminho de volta.

— Ah, bem, algumas coisas aconteceram — Therese riu com um encolher de ombros. Acho que ela teve algumas circunstâncias que foram um pouco difíceis de falar. Eu não iria me intrometer, no entanto, havia outra coisa que eu queria saber.

— Então, suponho que você foi informada sobre minha visita à casa da família?

— Sim, parece que você teve um pequeno desentendimento com mamãe.

— Pequeno desentendimento… É assim que você chamaria? Um pequeno desentendimento?

— Ouvi dizer que mamãe deixou você chateado. Eu sei como ela é. Ela provavelmente disse para você fazer isso e aquilo, certo?

— Isso mesmo! Escute isso!

Foi a primeira vez que encontrei minha tia em muito tempo. Passou pela minha cabeça o pensamento de que eu não sabia se ela estava do meu lado, mas não consegui parar de falar. Antes que eu percebesse, contei a ela todos os detalhes possíveis sobre o que aconteceu ontem. Parece que eu ainda tinha muita raiva reprimida, ou talvez apenas me deixasse à vontade ver um sorriso real e presente em um rosto tão parecido com o de Zenith.

— Esse tipo de coisa é comum neste país?

— Não, até este país tem seus limites… Até para mamãe, isso é… acho que deve ter havido algum mal-entendido? Ainda assim, hmm… Rudeus, você tem certeza de que não disse nada que pudesse deixar a mamãe com raiva? Se alguém começa uma briga, ela pode argumentar até vencê-lo pelo cansaço…

— Eu me pergunto isso. Eu estava tentando evitar dizer qualquer coisa perturbadora, então aguentei muito do que ela disse.

— Hmm… — Teresa cruzou os braços severamente e resmungou baixinho enquanto pensava.

Não parecia que ela havia escolhido brigar ontem. Para mim, parecia que esse era o plano dela desde o início.

— Bem, vou perguntar sobre os detalhes da próxima vez que estiver na casa da família. Mamãe pode ser teimosa, autoritária e mandona, mas no fundo ela não é uma pessoa má. Aposto que houve algum mal-entendido.

— …

Teresa chegou a sua conclusão em segundos. Mesmo que houvesse algum mal-entendido, eu estava com muita raiva. Eu não queria pedir a ela para ajudar a consertar as coisas. Fazia muito tempo desde que alguém me fez cortá-los completamente. Mas, se… se… realmente houve um mal-entendido, e se ela se desculpasse de boa fé, eu pediria desculpas por destruir a casa.

— Deixando isso de lado, você ficou tão grande Rudeus! Ah, espere, não se deve dizer a um homem que ele está ficando grande… Você tem cerca de vinte anos agora, certo?

Therese foi atenciosa o suficiente para mudar de assunto. Eu também não queria falar sobre Claire o dia todo.

— Sim, tenho cerca de vinte e dois anos.

— Não acredito! Acho que isso foi há dez anos, hein… Ah, isso me lembra, e a Srta. Eris? Ela está bem? Lembro-me dela ser cabeça quente!

Therese ficou excitada como uma criança. Para onde foi aquele visual refinado? A expressão dela quando ela ficou séria quase me lembrou da vovó Claire… Ugh, oh não, eu não quero pensar nisso.

— Eris está indo bem. Ela deu à luz seu primeiro filho no ano passado.

— Criança… Ah, entendo, vocês dois se casaram! Parabéns!

— Muito obrigado.

— Ela está aqui também?

— Não, ela está em casa, na cidade de Sharia, afinal, alguém tem que cuidar do bebê.

— Entendo, entendo. Bem, pode haver alguns percalços na estrada da vida, mas tenho certeza que vocês dois podem trabalhar juntos para superá-los!

Só dois?! Oh… certo. Ela era uma seguidora de Millis, não era?! Eu preciso esclarecer que era casado com três mulheres. Bem, eu decidi ficar em silêncio por enquanto. Não queria aborrecê-la agora que finalmente tivemos um momento feliz entre nós.

— Sim, então, casamento, hein… E pensar que meu pequeno Rudeus e a senhorita Eris cresceram e se casaram…

Suspiro

Ou, assim pensei, mas parecia que a alma de Therese estava deixando seu corpo. Acho que casamento era um assunto delicado para ela. Dada a reação dela, presumi que ela ainda era solteira. Isso, ou divorciada. Uhh, quantos anos ela tinha mesmo? Zenith tinha cerca de trinta e oito anos e Therese era mais jovem, então… sim, trinta e cinco anos. Quando você considera que a idade adulta neste mundo começa aos quinze anos, e que a maioria das pessoas se casam entre essa idade e os vinte anos… Uhhhh…

— Então, como vai o trabalho?

Vamos mudar de assunto.

— Hum? Oh! Bem, algumas coisas aconteceram desde a última vez que nos vimos, mas voltei a proteger a Criança Abençoada. Estou até liderando esses caras!

Com a menção de Therese, olhei para o grupo dela. Dos sete cavaleiros, apenas dois ainda eram cautelosos comigo, enquanto o resto voltou para a comitiva da e-girl. Parecia que os problemas do mundo flutuavam para longe facilmente para eles.

— Um bando bem intimidador.

— Sim… Desde aquela tentativa de assassinato, apenas os guerreiros mais fortes dos Cavaleiros do Templo foram designados para protegê-la, o que significa que você conheceu os caras que são um pouco… cautelosos demais.

Therese já havia descrito os Cavaleiros do Templo como “um bando de fanáticos”. Talvez fosse a isso que seu uso de “cautelosos demais” se referia. afinal, eles pularam direto para a força letal depois do meu lapso de língua. Eles eram tão rápidos quanto Orsted quando o conheci.

— Bem, eles podem ser um pouco apegados às escrituras, mas não são um bando ruim.

Nossa, assustador. Eu poderia entender acreditar em Deus, mas você não poderia acreditar a ponto de ter visão tão fechada. Seu Deus não deveria perdoar?!

Só então, uma voz de repente veio de trás. — Perdão, Therese? Posso participar da sua conversa?

A e-girl estava olhando para nós. Sua comitiva estava logo atrás dela, pronta para sacar suas lâminas a qualquer momento.

— Acho que ouvi você dizer o nome ‘Eris’. Você pode ser um conhecido de uma certa senhorita Eris  de cabelo ruivo? A espadachim?

Então essa era a Criança Abençoada, hein? As pessoas a chamavam de “Abençoada” isso, “Abençoada” aquilo, cantando sem parar como bichinhos adestrados, mas eu não sabia o nome verdadeiro dela. Ela parecia muito alegre, então talvez “Enfermeira”? Eu poderia perguntar… Não, devo me apresentar primeiro. Claire me disse que isso é “de mau gosto”, depois que me apresentei primeiro, mas fazer isso era simplesmente a etiqueta de um guerreiro.

— Minhas desculpas. Eu sou Rudeus Greyrat, um servo do Deus Dragão Orsted. O Rei da Espada Eris Greyrat é minha esposa.

Deus Dragão e Rei da Espada. Esses dois termos instantaneamente colocaram sua comitiva em alerta ainda maior. O fato de que eles reagiram ao “Deus Dragão” me fez pensar que deveria haver um discípulo aqui… Mas, novamente, foram todos os sete que reagiram, então quem poderia dizer?!

— Oh meu Deus! Então é você! Devo muito à senhorita Eris, pois ela salvou minha vida há dez anos!

Dez anos atrás, ou seja, quando vim para o Millishion. Acho que me lembrei dela me contando sobre isso. Ela disse que saiu para caçar goblins, mas voltou depois de se livrar de alguns assassinos.

— A senhorita Eris está visitando aqui também?

— Não, ela teve que ficar em casa para cuidar do nosso filho.

— Que pena.

Quando a e-girl pareceu triste, todos os seus simps baixaram as sobrancelhas com simpatia. Foi meio adorável. Esses caras realmente amavam sua e-girl.

Espere, eu me apresentei, mas não recebi um nome em resposta. Eu deveria dizer “Abençoada” também?

— Mas se for assim, isso significaria que, por extensão… foi o Deus Dragão Orsted quem me salvou, não?

— Huh?

Ele não teve nada a ver com isso. Eris e eu nem sabíamos o nome de Orsted na época. Então, novamente, eu era subordinado de Orsted agora, e Eris aceitou isso e até ofereceu ajuda. Você poderia argumentar que Eris era, portanto, subordinada de Orsted… o que significaria que Orsted a salvou, suponho?

Não, eu não queria me incomodar com uma mentira que seria descoberta tão rapidamente.

— Não, nem eu nem Eris tínhamos qualquer conexão com Orsted na época, mas se você sentir qualquer desejo de pagar uma dívida, Abençoada, então eu ficaria muito grato se você se abstivesse de manter qualquer hostilidade contra Orsted no futuro.

— Hum? Devo ter hostilidade em relação a alguém que nunca conheci?

— Orsted possui uma maldição com esse efeito.

Quando eu disse isso, a e-girl olhou profundamente nos meus olhos. Sentado dentro de seu rosto rotundo estava um par de pupilas profundas e arredondadas. As cores de seus olhos não pareciam diferentes; não parecia que ela tinha um Olho Demoníaco, mas eu senti isso, algo estava sendo feito para mim. O que era esse algo, eu não tinha certeza. Não havia nada prendendo meu corpo e nada roubando minha respiração. Tudo o que eu podia dizer era que algo estava sendo feito para mim, nada mais.

— Hm… parece que você foi sincero.

Depois de um momento, a e-girl assentiu.

— Você pode dizer?

— Posso, sim.

Olhei para Therese e a comitiva, mas nenhum deles pareceu estranhar. Significando… este era o seu poder como uma Criança Abençoada. O poder que se compara à força e resistência monstruosas de Zanoba. O poder de simplesmente olhar nos olhos das pessoas e saber se eles estão mentindo; ou é para ler a mente de outra pessoa? Talvez fosse algo completamente diferente.

— É… esse é o seu poder?

— Sim, esta correto.

Eu adoraria perguntar os detalhes, mas sua comitiva ainda estava de olho em mim. Provavelmente era mais seguro não perguntar. Mas eu deveria? Orsted nunca disse nada sobre esta Criança Abençoada.

— Uau, isso é… algo…

Merda. Acho que posso ter sido muito óbvio sobre minha ambivalência no momento em que percebi que algo estava sendo feito para mim. Não havia nada que eu pudesse pedir que não levasse a comitiva ao ataque, mas parecia que eu estava perdendo alguma coisa se não aprendesse algo aqui. Não havia garantia de que nos encontraríamos novamente. Perguntar ou não perguntar?

— Hngh… Ufa…

Primeiro, uma respiração profunda.

— Criança Abençoada. Posso fazer uma pergunta que sei que parecerá bastante rude?

Em seguida, obtenha permissão antes de perguntar. Era importante dar um passo de cada vez. Uma vez que tivesse isso, faria uma pergunta simples que não revelaria o que eu estava procurando.

— Sim, fique à vontade.

— Você teve algum sonho ultimamente em que alguém que afirma ser um deus lhe oferece uma profecia?

— Não. Não ultimamente e, de fato, nem uma vez. E tenho certeza de que nunca terei.

A e-girl falou em termos inequívocos. Ela me olhou nos olhos, ouviu e disse que nem seu passado nem seu futuro continham tal sonho. Ela parecia saber. Isso era outro efeito de seu poder? Talvez fosse um poder que poderia se recusar a se encontrar com o Deus-Homem. Talvez ela realmente pudesse ler mentes? O Deus-Homem certamente tinha muito mais segredos duvidosos do que eu.

— Muito obrigado.

A tensão saiu dos meus ombros. Por enquanto, eu sabia que ela não era uma inimiga e isso bastava. A Criança Abençoada pode ter mentido para mim agora, mas eu escolhi acreditar nela.

— Agora, então, é minha vez de perguntar a você! — a Criança Abençoada disse vertiginosamente.

— Gah! Sim, pergunte.

O que mais ela poderia perguntar? Se ela pudesse ler minha mente, haveria necessidade de perguntar? Parecia que seu poder não estava ativo o tempo todo. Ela tinha que olhar alguém nos olhos e fazer algo para ativá-lo. Se ela não olhasse nos meus olhos… então talvez eu estaria seguro?

— Por favor, conte-me sobre a senhorita Eris!

— Claro!

Isso era tudo? Bem, ei, se ela não fosse uma inimiga, e se ela não tivesse nenhuma relação com o Deus-Homem, então suponho que eu poderia confiar nela.

Talvez eu faça propaganda para nosso maravilhoso CEO, Orsted. Não se preocupe, o seguro da nossa empresa cobria bênçãos preexistentes. Com uma história de oitenta anos de serviço confiável, você pode ficar tranquilo, pois nossa equipe de primeira linha fornecerá toda a ajuda que você precisar! E a nossa empresa está sempre recrutando associados com uma atitude positiva para se juntar à nossa equipe.

Hmm, era exagerado eu dar uma de olheiro para cima da Criança Abençoada enquanto eu planejava persuadir o papa a nos apoiar? Acho que a Criança Abençoada e o Papa pertenciam a facções diferentes…

— Rudeus! Rudeus, você está aqui?

Enquanto eu estava pensando em minha futura postagem no quadro de empregos, ouvi uma voz me chamando de longe. Era de Cliff; parecia que ele finalmente conseguiu a licença.

— Minhas desculpas, Criança Abençoada, mas parece que chegou a minha hora.

— O quê?! Oh, que pena…

A e-girl franziu a testa. Sua comitiva franziu as sobrancelhas em uníssono quando senti sua energia agressiva aumentar em direção a mim.

Que interessante. Fascinante, mesmo. Eu definitivamente queria continuar essa conversa, mas primeiro, a pessoa que eu esperava tinha prioridade.

— Tenho certeza que estarei na cidade por algum tempo, então podemos falar sobre Eris uma outra hora.

— É uma promessa!

Me despedi da e-girl e faz um último pedido a Therese.

— Aliás, Teresa. Se você for à casa da família, gostaria que dissesse a Claire que ficarei responsável por cuidar de minha mãe; ela é livre para cuidar de seus próprios negócios… Além disso, se ela quiser um retorno sobre suas contribuições para o Esquadrão de Busca e Resgate de Fittoa, diga a ela que terei prazer em pagar o dinheiro. Qualquer preço que ela reividicar.

— Entendi. Eu direi a ela.

— Obrigado.

Depois de me despedir de Therese, acenei com a cabeça para a comitiva e os deixei para trás.

A Criança Abençoada, hein? À primeira vista, ela me pareceu uma mesquinha protegida, ou uma princesa superficial com um séquito de cavaleiros brancos, mas senti uma profundidade insondável nela. Ela me disse, claramente, que não era minha inimiga, mas tive a impressão de que ela sabia quem era o Deus-Homem. Eu deveria estar em guarda. Espera, esqueci de perguntar o nome dela…

Esses eram os pensamentos que passavam pela minha cabeça enquanto me dirigia a Cliff para obter minha licença.


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