Tradutor: FlorestNerd
Suprimindo suas dúvidas, Victor seguiu o número do assento indicado em seu ingresso e sentou-se na Fila 3, Nº 10.
“Você é aquele da família Lothar…”, alguém ao lado dele exclamou de repente.
Um pouco surpreso, ele virou a cabeça na direção da voz e descobriu que se tratava de uma mulher elegantemente vestida. Ao contrário de Sininho, ela era obviamente experiente nas dinâmicas da corte e do flerte e conseguia exibir seu lado mais encantador a qualquer momento.
“Victor Lothar. E você é?”
“Há muito tempo ouço falar do seu nome.” A mulher colocou a mão no peito e sorriu. “Sou Denise Payton, da Cidade do Resplendor.”
“Entendo, uma jovem da família Payton”, respondeu Victor. “Nunca pensei que encontraria uma comerciante da minha cidade em uma terra estrangeira.”
“Nem imaginei encontrar um empresário tão famoso aqui.” Ela então apontou para alguém ao seu lado. “Deixe-me apresentá-lo a Sua Excelência Yorko, que anteriormente serviu como mensageiro no Reino do Alvorecer. Foi ele quem me convidou.”
“Prazer em conhecê-lo.”
Mais gentilezas se seguiram.
Enquanto conversava com Yorko, Victor também se familiarizou com algumas das elites de Castelo Cinza.
Como ele esperava, as pessoas que compareceram à estreia eram todas extremamente ricas ou nobres. Por exemplo, a primeira fila era ocupada por detentores de poder da Prefeitura. Segundo a explicação de Yorko, os ingressos haviam sido presenteados a eles por Sua Majestade e, portanto, não haviam desembolsado uma única moeda. As fileiras do meio e de trás eram ocupadas por comerciantes ricos e convidados. Ele até viu, entre o público, algumas figuras da trupe da Cidade do Rei.
O preço de 40 moedas de ouro servia, assim, para transformar o teatro em um pequeno banquete de VIPs. Se ele pudesse estabelecer conexões com aquelas pessoas, o preço certamente teria valido a pena.
Quando todos os participantes chegaram, uma dúzia de criados empurrando carrinhos entrou no salão por uma entrada diferente e colocou pequenas caixas de papel de aparência estranha nos suportes ao lado de cada cadeira.
“Isso é para nós?” Sininho levantou uma delas e examinou o pacote com curiosidade. “Eh, a palavra escrita aqui é p… ‘pipoca’?”
“Há também batatas fritas e leite. Tudo isso é para comer?” Victor notou que o pacote rotulado como “leite” parecia bastante peculiar. Parecia um pergaminho, mas era incomparavelmente macio. Por um momento, ele não teve certeza de como deveria abri-lo.
Felizmente, uma ilustração demonstrativa havia sido desenhada abaixo do rótulo. O fato de muitos convidados nunca terem usado uma embalagem como aquela havia, sem dúvida, sido levado em consideração.
Seguindo as etapas da ilustração, ele inseriu um canudo transparente na abertura na parte superior do pacote. Enquanto sugava o leite, sentiu uma indescritível sensação de realização surgir em seu coração.
‘Isso era incrível demais!’
Até mesmo o leite, que normalmente achava sem graça demais para seu gosto, parecia mais doce do que nunca.
Isso se devia muito à ilustração cuidadosa e ao design requintado da embalagem, que eram sem precedentes. Mesmo que contivesse apenas água pura, ainda poderia ser vendida por um bom preço!
‘A pessoa que projetou isso é certamente um homem de negócios excepcional.’
Victor também percebeu que o design não existia apenas pela novidade. Ao contrário da porcelana e do vidro tradicionais, que podiam produzir pontas e lascas afiadas, aqueles dois tipos de embalagem dificilmente causariam ferimentos. Essa vantagem era ainda mais significativa quando se levava em conta o status dos convidados.
Além disso, os pacotes se encaixavam perfeitamente nos suportes, mesmo quando abertos, e, portanto, não havia preocupação com derramamentos.
Era difícil imaginar como um encaixe tão perfeito era possível, já que aquelas embalagens eram uma invenção completamente nova.
Assim que Victor pretendia experimentar o sabor da pipoca, uma voz etérea ecoou pelo salão.
“Uma calorosa recepção ao cinema mágico de Castelo Cinza. A Princesa Lobo está prestes a começar. Pedimos gentilmente que todos retornem aos seus lugares e ouçam atentamente as regras que devem ser observadas. Se houver algum problema durante a projeção, ajam de acordo com as regras para evitar acidentes.”
Houve uma breve comoção dentro do salão. Isso porque todos ouviram a voz, mas não sabiam de onde ela vinha.
“Em primeiro lugar, a duração do filme mágico é de 2 horas e 15 minutos, durante as quais não haverá intervalo. Não é permitido deixar seu lugar por conta própria. Se precisar de ajuda, basta puxar a corda da campainha localizada sob o assento e aguardar.”
“Em segundo lugar, esta será uma experiência de visualização sem precedentes. Por favor, não entrem em pânico, não importa o que aconteça, e lembrem-se de que isso é apenas um tipo muito especial de peça, e não um evento real. Vocês serão responsabilizados perante o Departamento de Polícia de Primavera Eterna por qualquer dano ou prejuízo que causarem a terceiros.”
Victor não pôde deixar de rir baixinho ao ouvir aquilo.
“Uau, há realmente alguém neste mundo que possa confundir uma peça com a realidade? Usar a palavra ‘pânico’ é quase como se estivessem se gabando.”
Ele habilmente girou o corpo e deu uma rápida olhada para trás. Como esperava, os convidados que também faziam parte da indústria teatral exibiam olhares claramente sarcásticos.
No entanto, Sininho não parecia achar aquelas palavras inadequadas. Ela se agarrou nervosamente ao apoio de braço da cadeira.
Como se quisesse dar ao público algum tempo para assimilar as informações, a voz só voltou a falar depois de uma longa pausa.
“Que todos aproveitem este momento mágico.”
“O show deve começar agora.”
Assim que as palavras terminaram, os quatro aglomerados de Pedras de Relâmpago subiram gradualmente e desapareceram na cúpula, fazendo com que o salão mergulhasse temporariamente na escuridão.
‘O que está acontecendo? Como demonstra a popularidade dos teatros ao ar livre, a iluminação adequada, ou a falta dela, é crucial para o efeito geral de uma peça. Como devemos apreciar os detalhes se não há luz?’
Victor abriu um pouco mais a boca. Ficava cada vez mais intrigado sobre como a apresentação terminaria quando a introdução já era tão misteriosa.
No entanto, antes que pudesse conter sua diversão, ficou completamente atordoado com o que aconteceu no instante seguinte.
Um feixe de luz branca passou e, logo depois, tudo ficou escuro como breu.
Era a escuridão mais profunda que ele já havia visto, como se estivesse agora dentro de um abismo sem fundo. Não conseguia sequer ver a cadeira em que estava sentado, muito menos os arredores. O único alívio era ainda conseguir sentir o próprio corpo sobre o assento, caso contrário provavelmente teria saltado de horror.
Mas coisas ainda mais inconcebíveis estavam por vir.
Victor percebeu que seu corpo também havia desaparecido completamente na escuridão. Não conseguia ver as próprias mãos mesmo quando as colocava diante do rosto. Não sabia dizer se aquilo acontecia porque estava realmente escuro demais ou porque havia sido privado de sua visão.
A agitação no salão mostrou que ele não era o único assustado. Os gritos e exclamações intermitentes deixaram a atmosfera tensa.
Descobriu-se que “pânico” não era apenas conversa fiada.
Se não fosse pelo aviso anterior, provavelmente já haveria caos no salão a essa altura.
Nesse momento, um suave raio de luz brilhou de cima e dissipou a escuridão.
O salão foi iluminado mais uma vez, mas, em vez de se acalmar, o público suspirou em uníssono.
‘Meu Deus.’ Os olhos de Victor se arregalaram. ‘O que… está acontecendo?’
A cena diante dele já não era mais o interior do teatro.
Em vez disso, havia se deslocado para o céu!
Ele podia ouvir o vento frio soprando ao lado dos ouvidos e enxergar claramente flocos de neve flutuando pelo ar. Não havia nada sob seus pés. Ele estava a vários quilômetros do chão, de onde as montanhas e florestas pareciam manchas cinzentas e brancas, como rabiscos feitos por crianças pequenas.
Aquela experiência, diferente de tudo o que já havia vivido, fez seu corpo tremer. Ele se agarrou com toda a força ao apoio de braço e encolheu o corpo na cadeira “invisível”, como se o menor erro pudesse fazê-lo despencar do céu e se despedaçar no chão.
“Nossa história começa na capital de uma província montanhosa no extremo norte, onde vivem duas princesas animadas e adoráveis…”
Foi só quando ouviu aquela voz calma e segura que ele percebeu que ainda estava assistindo a uma peça e não havia sido realmente lançado aos céus.
‘Há realmente alguém neste mundo que possa confundir uma peça com a realidade?’
Victor lamentou internamente.
‘Quem poderia imaginar que os filmes mágicos fossem assim?’
Durante as duas horas seguintes, o comerciante de joias viveu o momento mais incrível de sua vida.
N/T: Que autor sem vergonha, se autovangloriando com essas ideias.