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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 7 – Capítulo 25

Reunião é como Uma Onda de Chamas Ardentes

――Havia uma garota “carmesim”, como uma chama vívida e ardente, impregnada do aroma metálico do sangue.

No meio do campo de batalha repentino, nos andares superiores do Prédio da Prefeitura, essa beleza selvagem dominava a cena desolada enquanto empunhava uma espada reluzente, digna de um tesouro.

Com seus cabelos cor de laranja cintilante, um vestido luxuoso tingido em vermelho-sangue e uma silhueta feminina, a figura que segurava aquela lâmina irradiava força por cada centímetro de suas costas.

Subaru: “――――”

Olhando para ela, atônito, a mente de Subaru se afundava em confusão, enquanto permanecia de braços abertos.

Por um instante, esqueceu-se da dor que pulsava em todo seu corpo, esqueceu até mesmo da necessidade de respirar. Apenas uma única palavra reverberava, caótica, em sua cabeça vazia.

“Por quê?”

Por que ela estava ali?

Por que ela havia salvado Subaru?

Por que conseguia encarar Arakiya com tanta serenidade?

Por quê, por quê, por quê, por quê, por quê…? Ele não conseguia parar de se perguntar.

Subjugado por uma enxurrada de questionamentos, Subaru teve a sensação de que o tempo havia congelado. Então, como se zombasse de seu estado de torpor, a mulher “carmesim” soltou um riso curto e――

Priscilla: “Que expressão idiota. Seus olhos foram cegados pela minha nobreza?”

Subaru: “――O quê, você tem olhos na nuca?”

Priscilla: “Que absurdo. Pareço ter tal deformidade? Basta-me a respiração de um plebeu para reconhecer sua face patética.”

Sem sequer olhar para trás, a resposta orgulhosa veio daquela mulher―― Priscilla Barielle.

Diante da presença inesperada, Subaru não encontrou palavras para rebater a ideia absurda de que ela poderia discernir sua expressão apenas pelo modo como respirava.

A situação progredia diante de seus olhos, mas tudo o que ele conseguia fazer era permanecer estupefato.

Priscilla: “Muito bem.”

Após um breve suspiro, Priscilla olhou ao redor, ainda segurando com firmeza sua lâmina ornamentada em vermelho.

Ela percebeu que o Prédio da Prefeitura havia sido completamente devastado pela investida repentina da intrusa.

Mesmo contando com os membros feridos do povo Surdrak e o corpo inconsciente de Zikr, os únicos que ainda tinham forças para se mover, mesmo que mal, eram Subaru, Rem logo atrás dele e Abel, sobre a sacada.

E aquela responsável por tudo isso――

Priscilla: “――Arakiya.”

Arakiya: “――――”

Com os olhos carmesim semicerrados, Priscilla voltou sua atenção para a outra garota, que permanecia em silêncio.

A pele morena e os cabelos prateados denunciavam sua ascendência demi-humana―― A General Imperial de Primeira Classe, ranqueada como Segunda, Arakiya.

Ela era tida como a segunda pessoa mais poderosa do Sacro Império de Vollachia. Seu desempenho até então havia provado esse título com folga.

Seus olhos encontraram os de Priscilla, carregados de um orgulho inabalável. Seu olhar vermelho, o mesmo que escapava da sombra do tapa-olho―― Não, na verdade, não era bem isso.

Arakiya: “…Prin…cesa…?”

Até aquele momento, Arakiya parecia um ser de outro mundo, uma presença imponente que moldava a realidade ao seu redor. Mas bastou um único olhar de Priscilla para que esse mundo se desfizesse num instante.

O que emergiu no lugar foi uma mistura intensa de agitação e êxtase.

Arakiya: “Princesa… Princesa… Princesa…”

A atmosfera opressora se desfez, enquanto Arakiya repetia essas palavras, como se tentasse se convencer de que eram reais.

Como uma criança perdida reencontrando os pais, ou como irmãos separados tentando restaurar um laço há muito rompido―― Havia uma devoção quase desesperada na forma como ela tentava se agarrar à força daquela mulher.

――Ninguém ali compreendia a relação entre Priscilla e Arakiya.

Diante dessa cena incomum, Subaru não conseguia encontrar sentido na presença de Priscilla ali. A única conclusão a que pôde chegar foi que, em algum ponto do passado, havia existido algo entre as duas.

Talvez fosse esse passado que agora fragilizava o espírito combativo de Arakiya, a entidade mais temível naquele lugar.

Arakiya: “――Hk.”

A mão que segurava o fino galho de árvore tremeu levemente. Emocionada, Arakiya tentou dar um passo à frente.

Parecia prestes a se lançar nos braços de Priscilla.

Talvez desejasse seguir o calor que ardia em seu peito e abraçá-la.

No entanto――

Arakiya: “Prin–――”

Priscilla: “Silêncio.”

Mas isso não aconteceu.

Com uma ordem curta e feroz, uma lâmina vermelha lampejou. No instante em que Arakiya tentava avançar, chamas incandescentes brotaram a centímetros de seus pés descalços, erguidas como uma barreira impassável.

Arakiya: “――――”

As labaredas, no máximo, chegavam até suas canelas, como as de uma fogueira comum.

Não eram intensas o bastante para impedir suas longas pernas de ultrapassá-las. Se quisesse, poderia atravessá-las sem o menor esforço―― Mas, apesar disso, ela permaneceu imóvel, como se estivesse diante de um abismo intransponível.

Ainda assim, Priscilla manteve-se firme, seus olhos frios fixos na garota, que arregalava os próprios, perplexa.

Priscilla: “Arakiya, por que deseja vir até mim agora?”

Arakiya: “O quê…?”

Priscilla: “Acreditou que eu ficaria tão emocionada com nosso reencontro a ponto de recebê-la de braços abertos? Se pensou isso, não posso deixar de me espantar com sua ingenuidade.”

Com um tom gélido, as palavras de Priscilla cortaram qualquer possibilidade de aproximação.

Arakiya entendeu o significado daquela distância. Seu olho tremeu, e ela se agarrou ao próprio silêncio, buscando desesperadamente a melhor resposta.

Mas――

Arakiya: “P-Prisca-sama…”

Priscilla: “Prisca está morta. ――Nem mesmo depois de alcançar sua posição atual, você mudou?”

Arakiya: “――Hk.”

Priscilla: “Que decepção. Faz muito tempo desde que contemplei a terra do meu nascimento, mas é difícil sentir qualquer coisa por um solo tão empobrecido.”

Priscilla não conseguia negar que estava profundamente desapontada.

Para falar a verdade, ele sequer compreendia sua posição bem o bastante para imaginar o que ela poderia estar pensando. Ainda assim, Subaru sabia que suas palavras impiedosas haviam abalado Arakiya profundamente — a ponto de fazê-la derramar sangue.

Era uma ferida profunda. O tipo de ferida causada por ser desrespeitada por alguém com quem se tinha um laço importante.

O olho de Arakiya vacilou ao ser chamada de decepção. Ela poderia ter se encolhido diante daquelas palavras cruéis, mas, em vez de hesitar, seu olho vermelho descoberto refletiu um brilho feroz.

Não era raiva, mas uma centelha de determinação e resolução.

Arakiya: “…Não me importa o que a Princesa pensa de mim. Mesmo que doa. Mas eu já tomei minha decisão.”

Priscilla: “――Oh? Então tomou uma decisão? Será que consegue reacender meu interesse? Diga-me o que decidiu.”

Diante do apelo silencioso de Arakiya, Priscilla lançou uma provocação, fosse essa sua intenção ou não. Em resposta, Arakiya ergueu a cabeça e gritou: “Eu vou!”

Ao soltar seu grito, Arakiya flexionou os joelhos esguios,

Arakiya: “Eu vou recuperar o lugar que pertence à Princesa! No Império! E para isso…”

O alvo da explosão de emoção de Arakiya não era Priscilla, que apenas escutava com metade da atenção.

O olhar de seu único olho desviou-se da princesa e mirou Abel, que ainda permanecia no balcão, acompanhando os acontecimentos. Foi nele que suas emoções se fixaram.

Arakiya: “Você é um mentiroso, Vossa Excelência, e por isso, eu irei―― tch!”

Seu olho ardia com um fervor intenso, e seu corpo esguio saltou pelo ar. Ignorando a barreira de fogo entre ela e Priscilla, avançou sem hesitação, sua mira fixa em Abel, no balcão.

A altura que atingiu era impressionante. Mas, levando em conta que detinha o título de segunda mais forte do Império, aquilo não era exatamente surpreendente.

O verdadeiro problema era que, além de Priscilla, ninguém ali tinha os meios para detê-la.

Subaru: “Droga, o Abel vai…! Priscilla!”

Priscilla: “Pare de fazer tanto alarde. E com que direito está me chamando pelo nome, seu plebeu tolo?”

Subaru: “Não é hora pra isso…”

Priscilla: “――Eu disse, pare de fazer alarde.”

Com sua espada ornamentada apontada para baixo, Priscilla ignorou os apelos de Subaru.

Diante dessa ameaça velada, impossível de interpretar, Subaru prendeu a respiração ao ver a silhueta de Arakiya disparar como uma flecha em direção a Abel.

Abel: “――――”

Apoiando-se no corrimão do balcão semi-destruído, Abel tinha sangue escorrendo pela testa.

Ele não demonstrara qualquer sinal de pânico com a súbita investida de Priscilla e continuava firme, encarando Arakiya com seus intensos olhos negros.

Era de conhecimento geral que ele não era um lutador particularmente habilidoso. Seu único braço ileso, obviamente, não possuía força suficiente para enfrentar uma das mais poderosas do Império. Então, por que ele não se entregava ao desespero?

Sem compreender――,

Subaru: “Abel――!!”

Mesmo sabendo que seria inútil, ele tentou correr até ele. Mas suas pernas cederam no primeiro passo. Caindo de joelhos, tudo o que Subaru pôde fazer foi estender a mão enquanto Arakiya avançava.

E então, no momento seguinte, uma sucessão de acontecimentos fora de sua compreensão se desenrolou.

Abel: “――――”

Mantendo os olhos fixos na investida de Arakiya, Abel pisou com força no chão do balcão. No instante seguinte, as rachaduras na estrutura se espalharam ainda mais, e o local onde ele se apoiava desmoronou num instante.

Naturalmente, Abel, que estava sobre ele, deveria ter caído sem chance de reação――ou pelo menos era o que parecia.

Mas, em vez disso, seu corpo permaneceu suspenso no ar.

Sua mão direita estendida agarrou uma cortina pendurada no topo do prédio.

Ele havia escondido uma rota de fuga sob sua mão apoiada no corrimão e, deliberadamente, desmoronou o solo sob si.

Talvez, se seu inimigo fosse um oponente qualquer, sua estratégia teria funcionado, fazendo-o despencar junto com os destroços.

Mas Arakiya era uma dos Nove Generais Divinos. Além disso, ocupava a segunda posição entre eles.

Arakiya: “Que divertido…!”

Pendulando-se pela cortina, Abel se segurava com todas as forças, enquanto Arakiya escancarava os dentes num sorriso feroz.

Mesmo sem um ponto de apoio para aterrissar após seu salto, a força de Arakiya não vinha apenas de suas habilidades físicas aprimoradas. Ela possuía poderes sobre-humanos.

Seus pés brilharam como brasas incandescentes e, do joelho para baixo, seu corpo se transformou em chamas, ajustando sua postura no ar como um míssil impulsionado por jatos de fogo saindo de suas pernas.

As chamas que consumiram Mizelda, o tornado feroz que varreu os soldados comuns, o improviso bruto que sustentou um pilar prestes a desabar, o vendaval que desarmou Rem e, por fim, a transformação de parte do próprio corpo dela em fogo.

Diante de tudo isso, tornou-se dolorosamente claro o quão versáteis eram as habilidades de Arakiya.

Arakiya: “Vossa Excelência, morra――!”

A essa altura, um galho de poder desconhecido avançava contra Abel. Pendurado na cortina, ele não conseguia manter a posição e girava no ar.

Não se sabia se o galho iria perfurá-lo, disparar magia ou desencadear algum outro efeito sobrenatural. ――Era impossível prever. Mas uma coisa era certa: Abel seria despedaçado.

Essa certeza fez as pupilas escuras de Subaru se contraírem com impaciência e urgência.

E então――

???: “――Pô, mano. Só percebi que era você agora, pela voz.”

Num instante, uma figura surgiu entre a demoníaca Arakiya e o suspenso Abel.

Ao lado de Rem, que havia sido derrubada, um vulto correu pelo pilar que Arakiya segurava e lançou um ataque lateral, mirando o galho em sua mão. O golpe da larga dao foi bloqueado com um simples movimento do pulso dela, mas a força da colisão a fez ser lançada para trás.

Após ter seu ataque surpresa repelido sem esforço, o recém-chegado grunhiu um “Daaah!” e pisou no chão com raiva.

???: “Merda, meu braço tá doendo! Não rebate um golpe que alguém deu com tudo fácil assim, deixa qualquer um na bad.”

Com essa reclamação e um gesto de dor no braço, a série caótica de eventos chegou a uma pausa.

A figura diante deles estava fora das expectativas de Subaru.

Vestia um elmo negro como a noite e tinha trajes que lembravam os de um bandoleiro, com um ar desleixado da cintura para baixo. O homem, de aparência rude e traiçoeira, possuía apenas o braço direito, forte e robusto, que empunhava a dao.

Era alguém que Subaru conhecia. Na verdade, se Priscilla estava ali, ele deveria ter pensado nesse nome primeiro.

Ele era――

Subaru: “――Al?”

Al: “E aí, mano! Não achei que ia te encontrar do outro lado da fronteira. Tenho muito pra falar sobre sua roupa e esse reencontro estranho…”

O cavaleiro―― ou melhor, servo de Priscilla, Al, inclinou a cabeça e cumprimentou Subaru com um tom completamente fora de contexto.

Seu jeito despreocupado era o mesmo de sempre, mesmo enquanto barrava o avanço de Arakiya, que flutuava com as pernas transformadas em fogo.

Naquele momento, Subaru não sabia se devia se impressionar mais com a força de Al para bloquear um golpe de Arakiya com apenas um ataque ou com a resistência do galho, que enfrentara a lâmina da dao de frente e saíra intacto.

Nota: Dao é uma categoria de espadas chinesas com lâmina de fio de corte único. Por vezes é chamado de “facão chinês”. Caracteriza-se como uma categoria: há diversos tipos de espadas que recebem este nome.

Al: “Pode se impressionar mesmo, cara. Afinal, não foi como se isso tivesse dado certo na primeira tentativa.”

Arakiya: “Saia do caminho! Assim, não consigo matar Sua Excelência!”

Al: “Eu vim até aqui só pra atrapalhar. Como é que eu vou sair agora? Ficar parado esperando minha cabeça rolar também não é uma opção. Mas…”

Arakiya rosnou de raiva, e Al a encarou sem hesitar.

O traje de Arakiya era indecentemente revelador, mas Al não a olhava com segundas intenções. Seu olhar carregava apenas nostalgia e emoção.

Na verdade, ele chegou até a suspirar, admirado.

Al: “Haa~. Você realmente cresceu. Sempre soube que ficaria linda.”

Arakiya: “…Quem é você?”

Al: “Poxa, ouvir isso dói! Depois de tudo, não éramos amigos que confiavam a vida um ao outro?”

O tom familiar com que Al a chamou fez Arakiya franzir as sobrancelhas, desconfiada. Para mantê-la à distância, ele chutou um pedaço do piso quebrado em direção ao corpo esguio dela.

Priscilla, observando o que acontecia, ergueu a voz.

Priscilla: “Al. Você sabe o que desejo. Foi por isso que trouxe você, e não Schult. Cumpra sua função.”

Al: “Tô fazendo isso! Por acaso pareço estar me divertindo com essa gata? Se eu vacilar, vou ser despedaçado em dez segundos, belê?”

Priscilla: “Olhando a situação, parece que você não fez muito até agora.”

Al: “É melhor do que ser rasgado ao meio, não é? Whoa!”

A conversa foi interrompida quando Al, distraído pelas palavras impacientes de sua mestre, quase foi morto por um golpe de Arakiya.

Flutuando no ar, Arakiya circulava com mais liberdade que um pássaro, e Al se esforçava para aparar os ataques contínuos de seu galho.

Arakiya: “Você está me atrapalhando…!”

Al: “Dói no coração de um velho ouvir uma garota da sua idade dizer isso.”

Abel continuava pendurado, e Al, protegendo-o.

Arakiya os encarava do alto com olhos cada vez mais cheios de fúria, o corpo inteiro transbordando espírito de luta. No entanto, ela ainda não havia repetido o aterrorizante ataque de longa distância que demonstrara antes.

A razão para isso――

Subaru: “Priscilla…”

Princesa. Esse era o título pelo qual Arakiya havia chamado Priscilla.

A postura de Priscilla era fria e indiferente, mas, para Arakiya, claramente não era assim. E talvez essa fosse a única razão pela qual a destruição ainda não tinha sido maior.

Se alguém poderia mudar aquele impasse, esse alguém era Priscilla, que mantinha a flutuante Arakiya sob controle.

Subaru: “――――”

Priscilla: “Não me olhe com esses olhos pegajosos, plebeu tolo. Posso até elogiar sua falsa boa aparência, mas querer usá-la para me provocar seria um ato de pura insolência.”

Subaru: “Guh… Hk!”

De joelhos, Subaru se virou, mas Priscilla era orgulhosa demais para levá-lo a sério.

Em vez disso, quem se moveu foi Rem, até então protegida pelas costas de Subaru. Com os lábios cerrados, ela deu um passo à frente, caminhando com um ar perigoso na direção de Priscilla.

E então――

Rem: “Por favor, eu te imploro. Empreste-nos sua força.”

Priscilla: “――. Hmm, que palavras auspiciosas. De fato, você é bem mais educada que esse plebeu tolo.”

Rem: “Então…!”

Priscilla: “Não se exalte demais. Apenas observe. As peças para mudar o rumo desse jogo já estão em movimento.”

O súbito pedido de Rem e a possibilidade de uma recusa de Priscilla fizeram um calafrio subir pela espinha de Subaru.

No entanto, Priscilla não se irritou. Em vez disso, apenas inclinou levemente a cabeça na direção do campo de batalha.

“Eh?” murmurou Rem, surpresa, seguindo o olhar de Priscilla. Subaru fez o mesmo.

Lá em cima, naquela sacada transformada em campo de batalha, se nada fosse feito, Abel e Al seriam massacrados por Arakiya num piscar de olhos. E, de fato, a cada segundo que passava, esse risco só aumentava.

Al: “Da! Ga! Ao! Guah! Ubaa!”

No céu, Arakiya dançava em meio às chamas com as pernas envoltas em fogo. Al tentava bloquear seus golpes, mas seus movimentos eram desajeitados e pouco refinados, e a cada ataque ele era lançado para trás.

Mas a sorte não dura para sempre. Os danos se acumulavam no corpo de Al e já eram visíveis, e quando sua velocidade de reação começou a cair, um golpe brutal sacudiu seu torso.

Com isso, Al perdeu o equilíbrio, ficando completamente vulnerável ao próximo ataque. Nesse instante――

Arakiya: “――Hk!?”

Ela tentou se impulsionar no ar para desferir outro golpe, mas seu corpo oscilou de forma estranha, perdendo momentaneamente o controle.

Mesmo para um leigo, aquilo estava longe de ser um movimento ofensivo normal. Seus olhos arregalados e seu suspiro surpreso confirmavam isso.

Arakiya: “――――”

Todos ficaram paralisados pelo súbito fenômeno que havia atingido Arakiya.

Todos, menos dois.

Priscilla, que observava tudo com um ar despreocupado, e aquele que havia provocado essa reviravolta, mesmo estando no meio de uma batalha feroz――

???: “――Ataquem!”

O comando ecoou pelo ar, misturando-se ao cheiro de cinzas e fogo.

A voz vinha de Abel, ainda pendurado no meio da cortina. Seu tom não carregava raiva, mas firmeza; não era arrogante, mas imponente. Suspenso no ar, ele gritou a ordem para que aproveitassem a chance criada no combate acima.

Era como se já soubesse que esse momento chegaria.

Al: “Depois você me explica o que foi isso!!”

Al reagiu sem hesitação ao comando de Abel.

Com um salto desajeitado, girou no ar e traçou um arco com seu dao, mirando o corpo esguio de Arakiya. O golpe desceu sem piedade―― ou melhor, havia piedade.

No último instante, o pulso que empunhava a lâmina girou, e o lado cego do dao foi o que atingiu Arakiya.

Priscilla: “Idiota.”

Ao perceber esse detalhe, Priscilla murmurou secamente.

Seus olhos, sempre carregados de uma arrogância infinita, já previam o desfecho da situação.

Arakiya: “Fiquem longe…!”

O impacto foi seco e brutal, um som que fez Subaru sentir vontade de desviar o olhar.

O golpe de Al acertou Arakiya exatamente como pretendido. Ela ergueu o braço esquerdo para bloquear, mas seu cotovelo se dobrou para o lado errado. Os ossos quebrados perfuraram sua pele morena, e o sangue jorrou.

Foi um golpe devastador, mas não fatal.

Por trás do elmo negro, Al soltou um grunhido baixo. Seus dentes estavam cerrados, e suas bochechas surpreendentemente tensas.

No instante seguinte, o pé esguio de Arakiya atingiu seu pescoço, lançando-o contra o chão com um impacto ensurdecedor. Seu corpo ricocheteou e foi arremessado direto para fora da sacada destruída.

Al: “Dooohhh, AHHHHH―― HK!?”

Um grito feio e desesperado ecoou, até que sua voz desapareceu.

Ele estava seguro, é claro. Mas agora, não havia mais ninguém entre Abel e Arakiya.

Arakya apagou as chamas de suas pernas e fincou os pés no chão. Dessa vez, arrancaria a vida de Abel.

――Foi quando uma sombra negra se lançou sobre as costas de Arakiya furiosamente.

???: “GRAAAAAAAAAAH…!!”

Os destroços foram lançados para o alto enquanto uma silhueta disparava contra Arakiya, soltando um rugido feroz. Com um enorme facão empunhado em posição invertida, o atacante avançou, guiado por puro instinto de caça.

Por um momento, a intensidade do ataque foi tão grande que Subaru levou um segundo para processar a identidade daquela pessoa.

Seu corpo alto e musculoso, coberto de ferimentos e queimaduras. Seu cabelo negro tingido de vermelho. A pele marcada pelos padrões brancos dos Shudrakianos―― E então Subaru gritou:

Subaru: “Mizelda-san!!”

Mizelda: “TCHAAAAAAAH!!”

Ignorando completamente o chamado de Subaru, Mizelda seguiu rugindo, como se estivesse cuspindo sangue.

Ela fora a primeira vítima do ataque de Arakiya. Seu corpo ainda estava em um estado lastimável devido às queimaduras, mas mesmo assim avançava sem hesitação, como se estivesse queimando a própria vida no processo.

Sua lâmina mirava os pontos vitais de Arakiya.

Diferente de Al, Mizelda não tinha compaixão para oferecer no último instante.

Vendo seu ataque implacável, Subaru finalmente percebeu quem havia sido o verdadeiro alvo da ordem de Abel.

Abel havia previsto o momento de fraqueza de Arakiya e inflamara Mizelda a lutar até o último suspiro.

Sob aquelas circunstâncias caóticas, em meio ao que parecia uma derrota iminente, Subaru não conseguia nem imaginar o quanto de cálculo e previsão haviam sido necessários para que Abel executasse essa estratégia quase divina.

Mas, ainda assim, esse esforço extra não foi o suficiente.

Mizelda: “――――”

Apesar da resistência de Mizelda, seu estado continuava crítico, e a habilidade refinada de Arakiya tornava fácil lidar com ela.

Com uma expressão irritada, Arakiya bloqueava sem esforço os inúmeros ataques de Mizelda, desviando-os com balanços brutos de seu galho, enquanto ela queimava até a última gota de sua vida.

Já não valia a pena mencionar a força daquele galho.

O impacto do golpe fez a adaga de Mizelda voar de sua mão, e um instante depois, o galho foi cravado em seu torso desprotegido.

Seus abdominais fortes e bem desenvolvidos foram perfurados com um som asqueroso, sem oferecer resistência.

O galho atravessou o corpo de Mizelda, dilacerando órgãos vitais e arrastando a poderosa amazona para mais perto da morte――

Arakiya: “Agora, finalmente…”

Mizelda: “――Para onde você está olhando?”

Aconteceu no momento exato em que a atenção de Arakiya se desviou da intrusa que julgava ter eliminado.

Os olhos de Mizelda brilharam enquanto seu corpo permanecia imóvel. Sangue borbulhava nos cantos de sua boca, e um sorriso feroz manchava seus dentes brancos de vermelho. Com ambas as mãos, ela agarrou firmemente a mão direita de Arakiya, que segurava o galho.

Ela apertou cada vez mais, tornando-se uma estátua inabalável.

Mizelda: “――――”

Aquele instante de estagnação era, ou deveria ser, a última oportunidade.

Mas ninguém de seu lado, incluindo Subaru, podia aproveitar o momento criado pela sabedoria de Abel e pela determinação de Mizelda.

O Povo de  Shudrak, liderados por sua chefe cambaleante, ainda não haviam se recuperado da última tempestade devastadora. Subaru, por sua vez, mal conseguia manter a consciência.

Mesmo Rem, que havia quebrado um dos pilares, não conseguia alcançar as duas, pois suas pernas estavam fracas demais.

Sem que todos agissem em sintonia, aquela chance única se esvaía diante de seus olhos.

Porém――

Priscilla: “――Você pode manter a cabeça erguida, garota oni. Foi seu apelo que trouxe este golpe.”

Embora os aliados de Subaru estivessem incapacitados de agir, isso não valia para a terceira força presente no campo de batalha.

Priscilla: “――――”

Observando tudo de cima como uma soberana altiva, Priscilla avançou com um único passo e mirou as costas desprotegidas de Arakiya.

Por um instante, Arakiya sentiu a presença atrás de si e tentou reagir. Sua intenção era lançar o corpo alto de Mizelda, ainda agarrada ao seu braço, contra o inimigo que se aproximava.

Mas não conseguiu. ――Não conseguiu porque viu a quem pertencia aquela presença.

Arakiya: “Prin――”

Desde o início, sua obsessão por Priscilla nunca se rompeu.

E assim, a lâmina carmesim desceu sobre ela.

Com um estrondo, o sangue que jorrou foi consumido pelas chamas, e o corpo de Arakiya estremeceu violentamente.

Priscilla: “Eu lhe avisei, Arakiya. ――Que deveria estar preparada para o dia em que me encontrasse novamente.”

Uma promessa feita no passado, cujo verdadeiro significado ninguém além delas tinha o direito de interferir.

O que todos podiam perceber era que o golpe impiedoso de Priscilla era a resposta a essa promessa――e à insaciável devoção de Arakiya.

Arakiya: “――――”

O corpo de Arakiya tombou sobre o chão, atingido pela espada carmesim.

Mizelda, ainda segurando seu braço, foi arrastada junto. As duas caíram juntas, jogando seus braços e pernas como bonecas de pano rasgadas.

Mizelda: “――――”

A batalha, que até então se desenrolava em um turbilhão de lâminas e chamas, subitamente mergulhou em um silêncio profundo. Subaru sentiu como se o próprio tempo tivesse parado.

Era como se qualquer movimento, por menor que fosse, pudesse despedaçar tudo e dissolver aquela cena em um mero sonho.

Rem: “――Mizelda-san!”

Foi a voz aflita de Rem que quebrou o encanto daquele instante.

Com os braços trêmulos, ela rastejou pelo chão e se apressou até Mizelda, caída sobre Arakiya.

O corpo de Mizelda estava queimado, fustigado por rajadas de vento e perfurado no estômago.

Rem, ajoelhando-se ao lado dela, conteve a respiração e, com um olhar determinado, pousou as mãos sobre seu corpo. Um brilho pálido de magia de cura se espalhou por seus dedos.

Abel: “Este é mesmo o momento para ficar pasmando? Me dê uma mão.”

Subaru: “――Ah.”

A voz de Abel alcançou os ouvidos de Subaru, ainda paralisado pela cena diante de si.

O Imperador deposto continuava pendurado, sem conseguir subir. Subaru balançou a cabeça, correu até o que restava da sacada e olhou para o vazio abaixo deles.

Abel, segurando-se com o braço direito em uma cortina improvisada, encarava Subaru com um olhar penetrante.

Abel: “Você sobreviveu. Você realmente tem a sorte do diabo, não é?”

Subaru: “…E você ainda tem forças pra soltar essas farpas, hein?”

Os cantos dos lábios de Subaru se torceram ao ouvir o comentário mordaz. Então, ele agarrou a cortina e começou a puxá-lo para cima.

A verdade era que Subaru estava acabado, assim como Abel. Se pudesse, o jovem apenas se jogaria no chão e mergulharia na inconsciência naquele instante.

Mas ele sabia que não podia fazer isso.

Subaru: “Não é só a Mizelda-san…”

Muitas pessoas haviam sido feridas no rastro de destruição deixado por Arakiya.

Num ambiente onde aqueles que podiam usar magia de cura eram raros, o atendimento imediato sem o uso de magia era essencial. Não havia tempo para desmaiar.

Cair ali significaria aceitar ser deixado para trás.

E isso não podia acontecer.

Por essa razão――

Subaru: “Anda logo e sobe…”

Com os dentes cerrados, puxou a cortina com força e agarrou a mão de Abel assim que ele ficou ao alcance. Confiando no aperto firme do outro, conseguiu puxar o homem, que era mais alto que ele, para cima.

Assim que voltou ao chão firme, Abel soltou um leve suspiro, e Subaru, exausto, desabou sentado.

Abel: “Fez uma grande façanha. Te elogio por isso.”

Subaru: “Cala a boca…”

Rejeitando o elogio, que não trazia nem um pingo de sinceridade, Subaru estalou a língua em irritação.

Mesmo assim, já estava se preparando para se levantar e ir ajudar os outros feridos――

Priscilla: “――Não se mova por conta própria, plebeu tolo. Quem você acha que está no comando deste lugar?”

Subaru: “――――”

Subaru, sentado no chão, e Abel, ajoelhado, fecharam a boca ao mesmo tempo.

A figura que os intimidava sem precisar dizer muito, com os braços cruzados realçando seu generoso busto, era a dona daquela beleza carmesim―― Priscilla.

Eram conhecidos, não eram estranhos.

Mas, se perguntassem se tinham uma boa relação, hesitaria antes de responder. Isso não se devia apenas ao fato de estarem em lados opostos na Seleção Real, mas também à personalidade de Priscilla.

Arrogante e intransigente, ela poderia ser uma aliada poderosa se decidisse cooperar, mas também era uma bomba imprevisível quando não o fazia.

Na batalha da Cidade das Comportas de Pristella, tinha sido uma aliada confiável. Mas e agora?

Poderia considerá-la uma aliada depois de vê-la enfrentar Arakiya?

De qualquer forma――

Abel: “Apesar do meu desgosto, você é quem controla a situação agora, Prisca Benedict.”

Dessa vez, foi Abel quem abriu a boca, respondendo no lugar de Subaru, que continuava imóvel e calado.

Com um joelho no chão, Abel chamou Priscilla por outro nome, o mesmo que Arakiya havia murmurado antes de cair.

Priscilla soltou um breve suspiro diante disso.

Priscilla: “Infelizmente, Prisca Benedict foi derrotada em combate e morreu em vão. Como alguém que jaz sob a terra poderia estar aqui falando?”

Abel: “…Entendo. Então quem é você e como se chama?”

Priscilla: “Priscilla Barielle. Esse é o meu nome. Faça bem em lembrá-lo, Vincent Abellux.”

Os olhares de Priscilla e Abel se cruzaram quando ela respondeu com imponência.

Uma tempestade de tensão, como se fossem chamas ou relâmpagos, passou entre os dois. Ao lado deles, Subaru se viu pego no meio e teve que desviar o olhar para não ser engolido.

Priscilla, que conhecia o nome de Abel.

Abel, que a chamava por outro nome.

Subaru engoliu seco ao perceber que havia algo perigoso na relação entre eles.

Num clima carregado de hostilidade――

Al: “――Ei, alguém pode me ajudar aqui? Eu tô quase no meu limite.”

A única coisa que quebrou o silêncio foi o lamento patético de Al, que ainda estava pendurado em um lustre de cristal na beirada da sacada.

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