Al: “――Ei, espera? Alguém está me ouvindo? Estou em sérios apuros aqui!”
A tensão no ar foi abalada por uma voz tola, mas isso não aliviou a ssua tensão.
Naquele momento, a pressão entre Abel e Priscilla continuava aumentando, e até mesmo Subaru, parado nas margens da intriga, era incapaz de fazer um movimento.
Subaru: “――――”
Se fizesse o movimento errado, arriscaria ativar a ira de Priscilla, que era quem fôra responsável pela destruição parcial do salão onde agora se encontravam.
Por medo, ele hesitava dizer que Al estava à beira de cair para a morte. A única maneira de quebrar essa situação era se Abel ou Priscilla falassem algo――
???: “――Não se mexa.”
No entanto, nenhum dos dois foi quem mudou a situação.
A voz inesperada veio da escadaria que conectava o salão ao andar inferior. Subaru olhou de relance para ver uma nova figura olhando para Priscilla, uma flecha encaixada em seu arco, apontada diretamente para ela.
Era Taritta, cujos olhos estavam cheios de intensa hostilidade.
Sob a direção de Abel e Mizelda, ela havia deixado a Prefeitura antes do ataque de Arakiya, mas agora havia retornado.
Naturalmente, vendo os andares superiores da Prefeitura em pedaços, Taritta havia deduzido que houve um ataque inimigo. O problema era que ela não fazia ideia do que isso especificamente implicava.
Com a atmosfera pesada, e Priscilla olhando de cima para Subaru e Abel, não havia dúvida em sua mente de que Priscilla era a fonte de toda essa destruição que havia caído sobre a Prefeitura.
Taritta: “Se mova, e eu vou atirar na sua cabeça.”
Priscilla: “Oh, minha cabeça? Já não é ruim o suficiente o fato de você não ter conseguido chegar a tempo de ajudar sua aliada?”
Taritta: “――Hk.”
As bochechas de Taritta se apertaram com a provocação desnecessária, e Priscilla se virou para ela com compostura.
Com uma atitude esmagadoramente digna, Priscilla dispensou a ameaça de ser atingida. Na verdade, Priscilla fez questão de caminhar diretamente até Taritta.
???: “Já basta.”
Abel impediu Priscilla de dar mais passos.
Silenciosamente, o olhar carmesim de Priscilla se voltou para Abel novamente. Abel, ajoelhado, encontrou seu olhar firmemente.
Abel: “Taritta pode ser mais engenhosa do que você pensa. Não a subestime.”
Priscilla: “Se você diz, mas acha que posso simplesmente fazer vista grossa para o desrespeito dela?”
Abel: “Tenho certeza de que você não pode. Mas Priscilla… quantas vezes você puxou a Espada Yang?”
Deixando de lado a avaliação inesperada de Taritta, a pergunta de Abel atingiu Priscilla.
Subaru, no entanto, não conseguiu entender a intenção da pergunta. Ela estava segurando a Espada Yang―― uma espada preciosa de um carmesim deslumbrante, que detinha uma quantidade indiscutível de poder.
Mas agora que ela havia derrotado Arakiya, ela a tinha embainhado, como se o céu fosse sua bainha. Certamente, ela a puxaria novamente se necessário――,
Abel: “Taritta, abaixe o arco. Ela não é sua inimiga.”
Sem esperar pela resposta de Priscilla, Abel continuou a dizer para Taritta baixar sua arma. No entanto, ela não estava convencida.
Com a flecha ainda preparada, Taritta persistiu, prefaciando com “Mesmo assim… Hk”.
Taritta: “Aquela mulher é claramente perigosa.”
Abel: “Estou ciente do que você está dizendo. Mas ela não é aquela para quem você deveria estar prestando atenção.”
Taritta: “――?”
O olhar de Abel se desviou para o lado enquanto transmitia isso para Taritta, que ainda não havia baixado sua guarda. Esse gesto guiou o olhar dela, e, mantendo Priscilla à vista no canto de sua visão, ela virou sua atenção naquela direção, e ofegou.
Taritta: “I-Irmã…!?”
Conforme seus olhos foram conduzidos, Taritta viu Mizelda recebendo tratamento de Rem.
Com metade de seu corpo tendo sido queimado pelas chamas, e seu abdômen perfurado por um galho, Mizelda estava gravemente ferida. Embora Rem estivesse fazendo o possível para tratá-la, a dor era insuportável.
Rem: “Taritta-san, por favor fale com ela. Fale…!”
Taritta: “Irmã, Irmã… Hk!!”
Instantaneamente, a atmosfera de antes se dissipou e Taritta correu até Mizelda. Ela agarrou a mão de sua irmã e começou a falar “Irmã” repetidamente, exatamente como Rem havia pedido.
Então, mais uma vez, não havia nada que pudesse manter Priscilla sob controle.
Abel: “――――”
O impasse entre Abel e Priscilla recomeçou. ――Ou assim parecia.
Priscilla: “――Plebeu tolo. Puxe-o para cima, você. Ele vai estragar a diversão com todo esse barulho.”
Subaru: “Eh…”
E com isso, Priscilla apontou seu queixo em direção à varanda quebrada.
Ela havia ordenado a Subaru que resgatasse Al, que estava fazendo o possível para se segurar. Subaru ofegou enquanto ela dava a ordem sem se importar com nada no mundo.
Claro, ele não podia dizer nada além de sim ao pedido dela, a menos que quisesse correr o risco de arruinar o humor de Priscilla. Acima de tudo――,
Priscilla: “Eu mesma vou cuidar daquele homem. Não vou deixá-lo morrer. Não se preocupe tanto.”
Apontando para Abel, a menção de Priscilla às preocupações de Subaru também deu algum encorajamento.
Não era porque ele tinha uma relação de confiança suficiente com Priscilla para acreditar nela imediatamente naquela declaração, mas porque ele sabia que ela não voltaria atrás do que havia declarado.
Abel: “Ficar se encarando não vai nos levar a lugar nenhum. Por enquanto, você deveria fazer o que ela diz.”
Subaru: “…Tudo bem. Mas não sou seu subordinado.”
Abel levou isso em consideração enquanto Subaru ponderava sobre as palavras de Priscilla.
Subaru não gostava do fato de estar sendo direcionado por Abel para fazer algo. Deixando esse pensamento para outra hora, Subaru imediatamente foi resgatar Al, que estava preso, tendo como estrutura de apoio uma luminária na borda do edifício.
Subaru: “――――”
Sua mente estava uma confusão de diferentes fatores enquanto fazia isso: a segurança de Mizelda e do Povo de Shudrak, o futuro de Guaral, e a relação entre Abel e Priscilla.
Subaru cerrou os dentes e colocou esses pensamentos de lado por enquanto, concentrando-se no que estava à sua frente.
Assim como Rem estava tentando desesperadamente salvar a vida diante dela, Subaru também estava tentando chegar o mais perto possível do Cerco Sem Sangue que havia imaginado.
Al, que era banhado pela luz exterior da Prefeitura, foi muito mais difícil de resgatar do que o esperado.
Para começar, Al tinha apenas um braço, tendo perdido o outro na sua estadia neste outro mundo. Como seu único braço estava atualmente ocupado, se segurando por um fio, suas opções eram limitadas.
Al: “Então é isso que significa estar de mãos cheias… Não, é mais como se eu estivesse ocupado pra caramba, né não? O que cê acha que combina mais, irmão?”
Subaru: “Cala essa boca! Se quer ser salvo, não me desmotive!”
Respondendo à provocação fora de lugar, Subaru rasgou a cortina da qual Abel estava pendurado antes, fez um laço na ponta, e guiou-o em direção a Al.
O laço foi então passado ao redor do torso de Al para prendê-lo no lugar, e ele estava pronto para ser puxado para cima. Então ele puxou a cortina para tirar o homem de meia-idade balançando e pendurado de sua situação complicada.
Al: “…E pra cima, pra cima eu vou. Ufa, escapei da morte por pouco. Valeu por ter salvo a minha vida.”
Houve algumas situações críticas, mas Subaru finalmente conseguiu puxar Al de volta.
Depois de rastejar o resto do caminho com a ajuda de Subaru, Al bateu no peito e sentou-se no chão do salão destruído. Olhando para ele, Subaru limpou o suor da testa, tendo completado sua tarefa.
Ele então se virou para a pessoa que o havia ajudado a resgatar Al―― Medium.
Subaru: “Obrigado, Medium-san, teria sido bem difícil fazer isso sozinho.”
Medium: “Tudo bem, tudo bem! Além disso, me desculpe por desmaiar em um momento tão crítico antes!”
Rindo alegremente apesar de sua aparência machucada, Medium se desculpou pelo que aconteceu na batalha anterior.
Ela se desculpou por não conseguir ajudar durante a luta com Arakiya, mas seu pedido de desculpas estava longe de ser necessário. Em primeiro lugar, tanto Medium quanto Flop não estavam em uma posição em que precisavam estar envolvidos nesta batalha.
Medium: “Tanto o maninho quanto eu não fomos diligentes o suficiente! Me desculpe, me desculpe!”
Subaru: “Não, não é sua culpa, Medium-san! Você não conseguiu se mover porque estava protegendo Flop, Utakata e… Rui.”
Tropeçando um pouco em suas palavras, Subaru elogiou a conquista de Medium.
Na época em que o tornado chamado Arakiya havia passado pelo salão, Medium havia protegido Flop, que estava bem ao seu lado, assim como Utakata e Rui, que ela estava carregando em ambos os ombros.
Como resultado, ela bateu a cabeça e ficou muito atordoada para se mover. Mas graças aos seus esforços, os três estavam seguros, e Medium foi poupada de mais danos.
Medium: “Hmm, me deixa feliz que você diga isso, Natsumi-chan. Mas isso não é o suficiente. Eu sou a guarda-costas do maninho, então tenho que fazer meu trabalho direito!”
Subaru: “Medium-san…”
Medium: “Da próxima vez! Da próxima vez, não vou ser tão patética! Espere pra ver isso de mim e do maninho amanhã, Natsumi-chan!”
Subaru: “――. Sim. É reconfortante ouvir você dizer isso. Mas não acho que vocês dois devam…”
Subaru tentou continuar, dizendo que eles não eram obrigados a acompanhá-lo.
No entanto, o arrastar de suas palavras foi facilmente abafado pelo quão brilhante como o sol ela estava quando exclamou “Ah!”, arredondando seus olhos em espanto.
Medium: “Vou lá ajudar o maninho! Considerando o quão frágil ele é, carregar os feridos é tarefa fácil!”
Subaru: “É, verdade…”
Medium: “Ok, Natsumi-chan, te vejo depois! Fico feliz que a pessoa mascarada não tenha caído!”
Com um grande aceno de mão, Medium saiu correndo inquietamente.
Ela começou a ajudar Flop, entre outros, com os feridos, e a carregar e tratar tanto o Povo de Shudrak ferido quanto os Soldados Imperiais.
Os irmãos O’Connell não receberam sequer uma palavra de agradecimento, e Subaru se sentiu cada vez mais em dívida com eles.
Ele se perguntou se um dia seria capaz de retribuir o favor que havia recebido.
Al: “Aquela garota é grande e fofa. Como esperado de você, irmão, consigo notar que você está curtindo a vida do outro lado da fronteira, né não?”
Subaru: “Me dá calafrios não saber o que você quer dizer com ‘curtindo a vida’, mas concordo, Medium-san é uma pessoa grande e fofa. Mas há algo mais importante pra se discutir agora…”
Al: “Hmm? E o que seria, irmão?”
Subaru encarou Al, que casualmente estralou o pescoço e retornou o olhar com sua atitude descontraída usual. Subaru então suprimiu sua raiva em relação a Priscilla, forçando-a de volta como uma fome crescente.
Era natural. As suspeitas e perguntas de Subaru estavam em segundo plano há algum tempo.
Al: “Não faça essa cara de bravo. Você está arruinando sua maquiagem e peruca.”
Subaru: “Perdão, mas minha maquiagem e peruca já foram destruídas graças a uma tempestade de fogo de última hora. Não entenda errado, a verdadeira Natsumi Schwartz é muito mais bonita.”
Al: “Natsumi Schwartz, esse é o seu pseudônimo?”
Quando Al ouviu o horrível nome falso de Subaru, ele pigarreou com um som grave e deu uma risada cheia de insinuações. Com Subaru cético em relação à sua atitude, ele balançou a cabeça,
Al: “Não, não. Eu tô apenas impressionado com seu pseudônimo. Não sabia que você curtia praticar crossdressing, irmão.”
Subaru: “Não se faça de idiota, eu te falo mais sobre essa parada de ser a Natsumi numa próxima ocasião. Mas agora eu preciso que você me responda. ――Por que você e Priscilla estão aqui?”
Al: “――――”
Subaru: “Não me entenda mal. A chegada de vocês foi de grande ajuda, mas tem algo que eu realmente não entendo. Não é apenas o motivo de vocês estarem em Guaral. É sobre por que vocês estão no Império em si.”
Em resposta à pergunta séria de Subaru, Al fechou a boca suavemente e ficou em silêncio.
Era uma intervenção inexplicável, não importa o quanto ele pensasse a respeito.
Simplesmente não fazia sentido tanto Priscilla quanto Al estarem no Império com completa impunidade. Claro, do ponto de vista deles, o mesmo poderia ser dito sobre Subaru, e outros também――,
Subaru: “Vamos deixar isso de lado por agora. Mas quanto mais cedo eu souber, melhor.”
Al: “Sua pergunta é interessante, mas não é isso que você realmente quer ouvir, irmão.”
Subaru: “O quê?”
Al: “Não importa por que eu e a Princesa estamos no Império. Irmão, o que você realmente quer saber, é o caminho de volta… deste país assustador e perigoso, para a casa que você conhece. Não é mesmo?”
Subaru ficou em silêncio desta vez. A pergunta que a outra parte fez havia atingido um ponto sensível.
O caminho para retornar do Império ao Reino; essa era a informação que Subaru mais buscava agora―― Em relação a isso, Subaru não possuía nenhuma palavra de negação.
Ele tinha suas dúvidas. Havia outras perguntas, assim como uma sensação persistente de que estava sendo tratado injustamente. Mas não era mais importante resolver o maior problema agora――,
Subaru: “Então você tem a resposta para essa pergunta…? Uma maneira de voltar ao Reino de Lugunica, e cruzar a fronteira do Império…?”
Al: “Não. Me desculpe. Eu não sei. Eu só estava tentando aumentar suas esperanças.”
Subaru: “VOCÊ…!”
Al: “Pera aí, pera aí, não fique tão bravo! Para ser preciso, eu estou falando sobre o quão difícil é sair do Império agora. Entrar já é um problemão, escapar é bem mais complicado.”
Subaru estava frustrado pela maneira como suas emoções estavam sendo manipuladas na palma da mão de Al.
Como sempre, Al se recusava a mostrar seus verdadeiros sentimentos. ――Será que Subaru também parecia assim para as outras pessoas? Se esse fosse o caso, então seria algo para Subaru refletir.
De qualquer forma――,
Subaru: “Você pode entrar, mas não pode sair… E o motivo pra isso é…”
Al: “Ah, qual é, eu não preciso te dizer isso. É só que há pessoas que não querem abrir margens para um certo alguém facilmente deixar o país.”
Subaru: “――. Isso significa que você também sabe a verdadeira identidade de Abel?”
Em resposta ao comentário de Al, Subaru naturalmente chegou a essa conclusão.
Ele havia ouvido antes que o Império Vollachiano tinha um controle de fronteira rigoroso, mas se a proibição de emigração estava sendo reforçada sob as condições que Al mencionou, então a razão para isso não era outra senão a existência de Abel―― não, a existência do Imperador de Vollachia, Vincent Vollachia.
Para evitar que Abel, que havia sido destituído do assento do Imperador e agora estava fugindo, escapasse para outro país, a segurança das fronteiras estava sendo reforçada.
Tudo isso significava que, para que Subaru e os outros retornarem ao Reino de Lugunica, eles precisariam superar alguns obstáculos complicados.
Subaru: “Al, se você tem mais informações do que nós…”
Al: “Opa, vou ter que calar minha boca nesse momento. Não quero que a Princesa fique brava comigo por falar demais.. Se tem algo que você queira saber, converse com a Princesa. Embora…”
Ele colocou a mão direita na fivela de metal de seu capacete, e um momento depois, fez um clique suave.
Ele então continuou,
Al: “Não posso garantir que a Princesa será honesta com você, entende?”
Al: “Princesa, voltei. Como está indo a discussão por aí?”
Priscilla: “Como está indo, você pergunta? Não estamos chegando a lugar nenhum. Tenho ouvido todos que acordaram, um por um.”
Al, que acenou com a mão de maneira descontraída, estava apenas perguntando sobre o progresso. Enquanto isso, Priscilla respondeu apoiando o queixo nas mãos.
A parte superior do prédio tinha sido destruída durante o ataque da Arakiya, mas a fundação permaneceu forte e, felizmente, o que havia dentro da prefeitura ainda estava intacto.
Graças a isso, eles puderam usar a sala de conferências para discussões importantes sem necessidade de realocação.
Abel e Priscilla sentaram-se em lados opostos de uma grande mesa redonda. Além disso, Zikr e seus Soldados Imperiais, assim como Kuna e o Povo de Shudrak, estavam presentes.
Todos eles possuíam ferimentos relativamente leves, e se as palavras de Priscilla fossem verdadeiras, eles provavelmente já haviam sido questionados.
Kuna: “Ei, você está bem, Natsumi?”
Subaru: “Kuna, fico feliz que você esteja acordada. Você tá ferida?”
Kuna: “O corpo grande da Holly foi útil pra me proteger. Mas sendo bem honesta, eu não me sinto confortável neste lugar, então só quero ir embora logo…”
Subaru notou o rosto aflito de Kuna enquanto se juntava a eles na mesa redonda.
Direcionando seus olhos para o resto dos Shudrak, Subaru pôde adivinhar a razão para o rosto amargo de Kuna. Em resumo, ela era a única representando todos os Shudrakianos no momento atual.
Kuna: “Taritta não pode deixar o lado da Chefe e não há sentido em deixar Holly falar. Mas por que me colocar nesse papel…”
“Não há por que ter medo. Você é atenta e consegue manter a cabeça fria, então acho que você é a pessoa certa pra estar nessa posição. Como estão indo as discussões?”
Kuna: “Bem, acho que temos uma boa ideia do que está acontecendo. Acredito que estamos prestes a começar a tal discussão.”
Kuna respondeu enquanto encolhia os ombros, e Subaru assentiu dizendo “Entendo”.
Logo depois, ele ficou sem saber onde deveria estar na sala. Em primeiro lugar, a posição de Subaru neste grupo não era muito clara.
Embora ele tivesse sido quem planejou a operação para a queda de Guaral, por causa da intromissão de Arakiya e Priscilla, seria difícil para ele dizer que havia sido bem-sucedido.
???: “Senhorita Natsumi, se está com problemas, que tal sentar ao meu lado?”
E então, Zikr se levantou rapidamente e puxou uma cadeira na frente de Subaru, que estava perdido em pensamentos.
Pequeno e robusto, Zikr olhou para Subaru e sorriu como um cavalheiro. Ao seu sorriso, Subaru apontou para si mesmo,
Subaru: “Hum, eu tenho certeza de que você já notou isso, mas sabe que eu só estou me travestindo, certo?”
Zikr: “Se você está se passando por uma mulher, então eu também estou me passando por um homem. Minha ideia de um homem é se comportar como um cavalheiro com uma mulher, independentemente de quem está se passando pelo quê.”
Subaru: “Então esse é o Mulherengo…!”
Em vez de usar “mulherengo” como um termo depreciativo, “mulherengo” foi usado como um termo de respeito que tinha uma ideia diferente por trás.
Subaru estava envergonhado por estar vestido com roupas femininas, mas aceitou o conselho de Zikr e procedeu a sentar-se na cadeira que havia sido puxada para ele.
Complementando isso, Subaru deu a Zikr um “Com licença”, enquanto tomava seu assento.
Subaru: “Além disso, obrigado por me proteger lá em cima, eu estaria em apuros se você não tivesse me protegido.”
Zikr: “Não, foi apenas uma questão de meu corpo se mover no calor do momento. Não sei se poderia repetir esse feito da próxima vez. Sou o Covarde, afinal.”
Ao ouvir o agradecimento de Subaru, Zikr orgulhosamente se referiu a si mesmo como o Covarde.
Isso porque o General Imperial de Segunda Classe, Zikr, havia sido lembrado dessa forma pelo Imperador ao qual havia jurado lealdade.
E Abel, o mencionado Imperador que era mantido em tão alta estima pelo digno Zikr――,
Abel: “――A Cidade Fortaleza de Guaral caiu, e o comandante das tropas guarnecidas, General de Segunda Classe Zikr Osman, mudou para o nosso lado, complementando as forças do Povo de Shudrak da Selva Buddheim.”
Priscilla: “Isso certamente não é o suficiente. Embora eu tenha ouvido falar da bravura do Povo de Shudrak, ainda somos fracos demais para enfrentar o Império.”
Abel: “Sem dúvida. Priscilla, onde estão seus homens?”
Priscilla: “Não tenho meu exército privado no Império. Além disso, as únicas pessoas que eu poderia chamar de meu exército incluem aquele palhaço com o capacete de ferro, um espadachim bêbado e um baixinho cuja única qualificação é seu rosto fofo.”
Abel: “――――”
Enquanto Subaru estava na sala conversando com Kuna, Abel e Priscilla estavam tendo sua própria discussão.
Os dois se olharam pensativamente enquanto avaliavam a força e as circunstâncias do outro, mas Subaru interveio com um “Espera aí”.
Ele havia sido completamente empurrado pra lá e pra cá nos últimos tempos e desejava não ser deixado para trás novamente.
Priscilla: “Qual é o problema, plebeu tolo? Você ainda está presente?”
Subaru: “Estou aqui, e não acredito que estou dizendo isso, mas é incrível que você possa olhar para mim sem ficar impressionada. Quando a Beako me viu assim, até pesadelos ela chegou a ter.”
Priscilla: “Acredito que já lhe dei um elogio concernente ao seu traje. Certamente você não acredita que receberá uma recompensa por puxar Al para cima com um pano sujo?”
Subaru: “Eu não estou esperando nada! Não, eu estou meio que esperando. Eu estou esperando que você pelo menos me ouça um pouco.”
Os olhos de Priscilla se estreitaram para Subaru, que estava se inclinando para frente com as mãos na mesa redonda.
Ela parecia estar tentando julgá-lo, mas Subaru não tinha medo. Diferente de antes, Kuna e Zikr também estavam aqui. Dito isso, porém, ele sentiu que fazia uma barricada patética.
Subaru: “Primeiramente, por que você está aqui? Não consigo chegar a lugar nenhum perguntando ao Al, então eu gostaria de ouvir você falar sobre isso.”
Priscilla: “Essa é uma pergunta irritante. …Estou aqui para falar com aquele cara, Vincent Abellux.”
Subaru: “――――”
Projetando seu queixo na direção dele, Priscilla respondeu como se isso fosse algo óbvio. Em resposta, Abel, que estava sentado confortavelmente com os braços cruzados, fechou um de seus olhos escuros, enquanto o outro rodopiava com emoções complicadas.
Era um olhar desconcertante que poderia ser de alegria, raiva, tristeza, prazer, ou outra coisa, algo inexplicável que não estava relacionado a nenhum desses sentimentos.”
Subaru: “Falar com Abel…? Mas como você sabia onde Abel estava?”
Priscilla: “O trono do Imperador, na Capital Imperial de Lupugana, tem um dispositivo que permite teleportar-se para outro lugar. Caso sintam qualquer mudança política potencial, eles podem escapar para o leste através dele. ――Para a tumba onde os Imperadores foram enterrados por gerações.”
Subaru: “O Cemitério dos Imperadores?”
Priscilla: “É para onde esse mecanismo o levaria. Acredito que estou correta, Vincent… Não, é mais conveniente chamá-lo de Abel, presentemente.”
Os olhos de Priscilla ardiam em vermelho enquanto ela desviava a conversa de Subaru para Abel.
Exalando sob seu olhar ardente, Abel assentiu,
Abel: “Sim, me chame de Abel, agora. Pelo menos, não estou qualificado para me chamar de Imperador agora que o trono foi tomado de mim.”
Priscilla: “Excepcional, obediente à lei, e tolamente honesto… De qualquer forma, você pensa de forma muito branda. Parece que durante seu tempo sentado no trono do Imperador, você esqueceu como ficar de pé.”
Abel: “Olhe para mim, e me diga que esqueci como ficar de pé.”
A provocação implacável de Priscilla não dissuadiu a seriedade de Abel.
Naquele momento, seus olhares se chocaram fervorosamente, e o ar na sala de conferências até cheirava a calor crescente. Como estava, parecia inevitável que a discussão desmoronasse e o fogo se enfurecesse――,
???: “Bem, bem, tenham calma, vocês dois. Não há nada a ganhar brigando, certo?”
No entanto, havia um homem que tinha a audácia necessária para cutucar um barril de pólvora à beira da explosão enquanto fumava um cigarro.
Era Al que facilmente entrou na atmosfera desconfortável com o que deve ter sido um sorriso irônico. Em vez de se sentar, ele permaneceu de pé, sob os olhares fumegantes combinados de Abel e Priscilla.
Al: “Embora a Princesa aja assim, ela também tem seu lado fofo. Assim que descobriu que teria que correr o mais rápido possível até Guaral, ela fez o dragão voador dela disparar em velocidade máxima, quase a ponto de exauri-lo. A empolgação dela pra te ver era tão… Guah!?”
Priscilla: “Quanta tolice.”
Al foi para trás de Priscilla enquanto falava e tentou defender a humanidade dela, mas sua mestra não levou seus pensamentos a sério e bateu seu leque em seu estômago com bastante força.
Al gritou e caiu de joelhos no local, seu corpo dobrado em uma forma torta.
Priscilla: “Presumir falar pelo que eu sinto é de uma arrogância extrema. Quando você ficou tão cheio de si mesmo? Conheça seu lugar, palhaço.”
Al: “O fato de você estar ficando sem paciência é prova suficiente… Mas você está realmente aqui para ajudar, não está?”
Priscilla: “――――”
Os olhos carmesins de Priscilla se estreitaram enquanto ela revelava seu desagrado com as palavras de Al.
Mas o fato de que ela não negou explicitamente em palavras, era um sinal de que as palavras de Al haviam acertado em cheio.
Subaru: “Priscilla veio pra ajudar Abel…?”
Parecia tão irreal que Subaru não conseguia se livrar da sensação de desconforto. Claro, olhando apenas para os resultados, não poderia haver dúvida de que Priscilla já havia ajudado Abel, Subaru e os outros. No entanto, sua natureza, como Subaru a conhecia, o impedia de estar convencido.
Lutar para proteger alguém, mesmo que isso lhe desse o benefício de derrotar um inimigo que não era do seu agrado, era realmente uma lógica que se aplicava para a pessoa conhecida como Priscilla Barielle?
Priscilla: “Você tem um brilho nos olhos que sugere pensamentos desagradáveis. Deseja que eles sejam arrancados, plebeu tolo?”
Subaru: “Corta essa de olhar nos olhos de alguém e dizer algo assustador logo em seguida. Pra ser honesto, eu nem tenho certeza do quanto posso acreditar nessa história…”
Priscilla: “――De qualquer forma, Abel, entendo que você chegou ao leste usando o mecanismo no trono. Se esse for o caso, estava esperando que eu me juntasse ao Povo de Shudrak e viesse para a Cidade Fortaleza?”
Subaru: “Abel esperava que você viesse…?”
Por mais perspicaz que Priscilla fosse, Subaru não conseguia entender como Abel poderia ter antecipado a chegada dela com tanta confiança.
Ainda assim, tudo indicava que a teoria estava correta.
Al: “Não me entenda mal, irmão. As pessoas espertas aqui já se entenderam. Se a gente não arranjar confusão, podemos evitar problemas desnecessários.”
Subaru: “E você tá de boa em relação a isso…?”
Al: “Sendo bom ou ruim, não importa para nós. Tudo que podemos fazer é aceitar**…** Mesmo que você tente lutar contra isso, você vai perder. ――Porque eu e a Princesa vamos ganhar de qualquer jeito.”
Subaru: “Oh…”
Al, ainda de joelhos, deslizou até Subaru e declarou isso com um sussurro.
Para ser honesto, foi surpreendente para Subaru ouvir Al assegurar-lhe que eles venceriam. Originalmente, Al tinha uma tendência a traçar uma linha arbitrária em relação ao que estava ao seu redor, em vez de ser humilde.
Na verdade, os outros cavaleiros de Candidatos Reais eram todos renomados e talentosos―― e nem Subaru nem Al eram especiais o suficiente para serem excessivamente confiantes entre eles.
Foi por isso que Subaru sentiu uma certa quantidade de simpatia por Al.
Foi por isso que sua afirmação aqui foi tão surpreendente para Subaru.
Mesmo que ele parecesse estar inalterado e despreocupado, a mudança estava chegando. Isso era por causa de sua relação mestre-servo com Priscilla e a batalha acompanhante da Seleção Real.
Al: “Mas eu só posso falar bem daqueles que têm uma chance de ganhar, mesmo que seja apenas de um centésimo de milionésimo por cento. Nesse aspecto, essa garota Arakiya estava em uma classe própria. Eu não conseguia ver nenhuma maneira de vencer.”
Subaru: “…Entendo, os Nove Generais Divinos são os membros mais fortes do Império. Você poderia dizer que eles são meio que como Reinhard e Julius no Reino de Lugunica.”
Se alguém fosse selecionar os membros mais fortes dentro do Reino de Lugunica, provavelmente descobriria que a maioria deles seria cavaleiros. Reinhard e Julius dispensam menção, Marcos, o capitão da Guarda Real, e Roswaal, o Mago Chefe da Corte, poderiam igualmente ser incluídos.
Subaru também gostaria de adicionar Wilhelm e Garfiel à lista, e ter uma formação de estrelas para enfrentar os Nove Generais Divinos.
Subaru: “Não, isso não é importante, não importa quantas vezes você fale dos Nove Generais Divinos, é difícil acreditar que alguém seria capaz de igualar Reinhard…”
Abel: “――Receio que não seja assim.”
Subaru: “O quê?”
Quando Subaru tentou avaliar a força dos Nove Generais Divinos como o oponente mais importante a ter cautela, Abel disse algo que o fez duvidar de seus ouvidos.
O que ele acabou de dizer? ――Que existe um ser que pode rivalizar com Reinhard?
Subaru: “Você está dizendo que existem outros personagens bugs como Reinhard?”
Zikr: “Não estou familiarizado com esse vocabulário, mas se você quer dizer comparável, terei que concordar. Os Nove Generais Divinos têm um Primeiro, acima de Arakiya.”
Subaru: “O Primeiro dos Nove Generais Divinos é…?”
Zikr: “――Cecilus Segmunt.”
Ao lado de Subaru, que abriu a boca engolindo em seco, Zikr disse calmamente aquelas duas palavras.
Subaru entendeu que era o nome de uma pessoa, e que era o nome do Primeiro Posto em questão. A pessoa com esse nome era a mais forte do Império, o orgulho de Vollachia, um personagem superpoderoso.
Abel: “O Relâmpago Azul de Vollachia, como é chamado, é um espadachim da mais alta classe, classificado ao lado do Santo da Espada de Lugunica, do Admirador de Kararagi e do Príncipe Louco de Gusteko.”
Subaru: “Hum… Lembro de ter ouvido esse apelido antes… Então você está falando sério?”
Abel: “Se você o antagonizasse, perderia sua cabeça num piscar de olhos. Esse é o tipo de homem que ele é.”
Abel, que estava com os braços cruzados, assentiu em resposta à pergunta de Subaru, enquanto suas bochechas se apertavam.
Nesta situação, não havia razão para Abel ou Zikr contarem uma mentira ou uma piada. Em outras palavras, o que eles haviam falado devia ser a simples verdade.
Cecilus Segmunt, o homem mais forte do Império, que era tão habilidoso quanto Reinhard.
Subaru sentiu um arrepio descer pela espinha ao se perguntar quão perigoso e feroz esse espadachim de superclasse era.
Era uma batalha de vastas diferenças de força. Sendo tanto superados em número quanto em qualidade, como eles poderiam esperar vencer?
Al: “…No entanto, se você pensar dessa forma, ainda há alguma esperança. O fato de eu poder vencer a Senhorita Arakiya, classificada em Segundo, aqui, foi uma grande vitória para nós.”
Subaru: “Al…”
Apesar do clima pesado de Subaru e dos outros, Al disse isso com uma voz alegre.
Era uma opinião muito otimista, no entanto também era uma realidade com a qual os outros não conseguiam embarcar tão facilmente. No entanto, absorvendo o espírito de Al, Subaru exalou, “É verdade”.
Se eles apenas considerassem o lado negativo das coisas, não seriam capazes de fazer nenhum progresso. Na verdade, Subaru e sua equipe haviam conseguido conquistar a Cidade Fortaleza com danos mínimos. Eles até conseguiram adicionar Priscilla e Al como reforços, embora fosse difícil afirmar se eram amigos ou inimigos.
Ele tinha certeza de que Rem faria o possível para curar os Shudrakianos feridos, e Mizelda retornaria às linhas de frente. Eles poderiam esperar ver mais de seu comportamento relaxado e estoico, e habilidade de combate completa.
Doravante――,
Subaru: “Al está certo… É ótimo que conseguimos derrotar um dos Nove Generais Divinos… e um classificado bem alto. Tenho certeza de que ela tem algumas informações, considerando sua posição.”
Al: “É, você poderia dizer isso! Isso é brilhante, irmão. Informação é mais valiosa que ouro durante uma guerra. Já que ela foi deixada viva, vamos ouvir o que ela tem a dizer.”
Subaru: “Certo. Ela pode ter uma pista…”
Subaru se forçou a entrar no clima, e Al o acompanhou. Nesse ritmo, o assunto da conversa mudou para a aquisição de informações de Arakiya, que havia sido capturada viva com sucesso.
???: “Espera, Subaru e Máscara-de-Ferro. Vou ter que discordar de vocês nisso.”
Mas então Kuna, que estava participando como representante de Shudrak, interveio.
Quando Subaru e Al se viraram, Kuna acariciou seu próprio cabelo tingido de verde, e disse――,
Kuna: “Aquela mulher é perigosa. Você nunca sabe o que ela fará se vir uma abertura. Definitivamente é melhor matá-la o mais rápido possível.”
Subaru: “Eu entendo isso, mas isso é muito míope. Matá-la não é…”
Kuna: “A Chefe acabou gravemente ferida. Não me importo com o que Subaru diz, nós e os outros precisamos executá-la.”
Kuna mencionou a execução de Arakiya de frente, e encarou Subaru com insistência teimosa.
Quando ela apontou a condição de Mizelda, Subaru não teve escolha a não ser manter a boca fechada. Sua segurança havia sido deixada para Rem, mas mesmo que suas feridas curassem, o fato de que ela havia sido ferida não desapareceria.
Se os Shudrakianos achassem isso imperdoável, então Arakiya teria que pagar o preço.
Subaru: “――――”
Enquanto procurava por uma resposta para Kuna, Subaru lançou um olhar para Priscilla.
Ele queria ver que tipo de reação Priscilla teria à insistência de Kuna em executar Arakiya, já que ela parecia ter uma relação incomum com ela.
No entanto――,
Priscilla: “Já decidi minha atitude em relação a Arakiya. Antes de tudo, fui eu quem cortou as costas daquela coisa. Esses olhos negros em seu rosto são mera decoração?”
Subaru: “Guh…”
Priscilla: “Não possuo intenção de dizer nada em prol de Arakiya. Se seu destino terminar aqui, fará parte do próprio caminho de Arakiya. ――Embora seja uma pena.”
Subaru: “…Não entendo você de jeito nenhum.”
Subaru balançou a cabeça para Priscilla, que falava simplesmente enquanto pesava o valor da vida de Arakiya.
No fim das contas, o relacionamento delas parecia ser azedo, mas julgando pela atitude de Arakiya, poderia ter sido íntimo. No entanto, a atitude de Priscilla era terrivelmente desconectada.
Como um estranho, Subaru não tinha ideia de como era o relacionamento delas.
Subaru: “Mas se você morre, está tudo acabado. A vida não volta.”
Priscilla: “Você ousa me ensinar o valor da vida? Acredita que eu posso julgar mal o valor da vida de outra pessoa?”
Subaru: “――. Você não é onipotente. Até você pode cometer erros.”
Encarando Priscilla diretamente, Subaru respondeu sem pausa.
Assim que disse isso, o ar na sala ficou tenso.
Kuna e Zikr ofegaram, enquanto Al podia ser visto colocando a mão na testa do capacete. Subaru, também, estava ciente de que havia dito algo tolo de maneira impulsiva.
Somente depois de falar aquelas palavras, ele percebeu que era um padrão que provavelmente terminaria com ele perdendo sua vida ao incorrer no desagrado de Priscilla com aquelas palavras.
No momento seguinte, ele poderia ser decapitado por aquela espada carmesim brilhante.
Mas mesmo assim――,
Subaru: “Não estou errado. Até você pode estar errada.”
Repetidas vezes, Subaru repetiu a declaração que poderia custar sua vida.
Um momento depois, na frente de Subaru. Os olhos de Priscilla se estreitaram com um olhar frio. E então, a “morte” escaldante que faria Subaru pagar por sua indiscrição――,
Priscilla: “Até eu posso errar, sim? É uma coisa rancorosa, realmente.”
Nunca veio.
Subaru: “Eh…”
Os olhos de Subaru se arregalaram de surpresa, e ele exalou seus pulmões cerrados.
Dando uma olhada em Subaru, Priscilla abriu seu leque ruidosamente e direcionou seu olhar para além de Subaru, seu alvo Kuna.
Priscilla: “Antes de cortarmos a cabeça daquela coisa, seria melhor encontrar uma utilidade para ela.”
Kuna: “――O quê, você está tentando nos dizer o que fazer? Você é uma estranha.”
Priscilla: “Se desejar ignorar meu conselho, faça-o.”
Retirando sua opinião, o olhar de Priscilla acariciou o corpo esguio de Kuna como se estivesse tentando queimá-la.
Abraçando-se involuntariamente, Kuna acabou demonstrando naturalmente a pressão que podia ser sentida daquele olhar. Infelizmente, Priscilla e Kuna estavam em níveis diferentes.
Al: “Honestamente, fiquei um pouco ansioso. Mas agora estamos todos na mesma página!”
Como se para quebrar a atmosfera tensa, Al bateu na mesa redonda com a mão com força.
Tendo assim atraído a atenção de todos, ele olhou para Subaru através de seu capacete de aço e,
Al: “É uma boa notícia que você não morreu, irmão, mas também é uma boa notícia que o mundo não perdeu aquela garota ero-kawaii. Dito isso, quando ela acordar, vamos conversar――”
???: “――Grande problema~!”
Al estava prestes a resumir suas opiniões sobre o que fazer com Arakiya, quando ele ouviu o som de passos apressados e apavorados.
Era Holly, seu corpo grande contorcendo-se pela entrada da sala, enquanto ela entrava na sala de conferências com uma enxurrada de passos e uma voz apavorada.
Seu corpo e respiração saltavam enquanto ela atraía a atenção de todos, e havia palavras.
Essas foram――,
Holly: “Um casal de Soldados Imperiais entrou, e a General Divina que capturamos escapou~!”
Para ser honesto, foi surpreendente ouvir Al garantir que eles venceriam. Normalmente, Al tinha uma tendência de se manter distante das coisas, traçando uma linha entre si e o que acontecia ao redor, ao invés de se envolver de verdade.
Na verdade, os outros cavaleiros dos Candidatos Reais eram todos renomados e talentosos―― e nem Subaru nem Al eram especiais o suficiente para ficarem confiantes demais ao lado deles.
Foi por isso que Subaru sentia uma certa simpatia por Al.
E foi por isso que essa declaração foi tão surpreendente.
Mesmo parecendo estar inalterado e despreocupado, a mudança estava acontecendo. Tudo por causa de sua relação de mestre e servo com Priscilla, e da batalha da Seleção Real que os acompanhava.
Al: “Mas eu só posso elogiar quem tem chance de vencer, mesmo que seja só um em cem milhões de chances. Nesse ponto, aquela garota Arakiya tava numa categoria totalmente diferente. Não dava pra ver jeito de ganhar dela.”
Subaru: “…Entendo. Os Nove Generais Divinos são os membros mais fortes do Império. Seria como Reinhard e Julius no Reino de Lugunica.”
Se fosse pra escolher os mais fortes do Reino de Lugunica, provavelmente a maioria seriam cavaleiros. Reinhard e Julius nem precisam ser mencionados, mas Marcos, capitão da Guarda Real, e Roswaal, Mago Chefe da Corte, também entrariam na lista.
Subaru ainda gostaria de adicionar Wilhelm e Garfiel, formando um time de estrelas para enfrentar os Nove Generais Divinos.
Subaru: “Não, espera, isso não é o importante. Por mais que você fale dos Nove Generais Divinos, é difícil acreditar que alguém conseguiria se igualar ao Reinhard…”
Abel: “――Receio que você esteja enganado.”
Subaru: “O quê?”
Quando Subaru tentou avaliar a força dos Nove Generais Divinos como o adversário mais perigoso, Abel disse algo que o fez duvidar dos próprios ouvidos.
O que ele acabou de dizer? ――Que existe alguém capaz de rivalizar com Reinhard?
Subaru: “Você tá dizendo que existe outro personagem quebrado igual ao Reinhard?”
Zikr: “Não conheço esse termo, mas se você quer dizer comparável, tenho que concordar. Os Nove Generais Divinos têm um Primeiro, acima de Arakiya.”
Subaru: “O Primeiro dos Nove Generais Divinos é…?”
Zikr: “――Cecilus Segmunt.”
Ao lado de Subaru, que engoliu em seco e abriu a boca, Zikr disse calmamente aquele nome.
Subaru entendeu que era o nome de uma pessoa―― o nome do General Divino de Primeira Posição. A pessoa com esse nome era a mais forte do Império, o orgulho de Vollachia, um monstro de poder.
Abel: “O Relâmpago Azul de Vollachia, como é chamado. Um espadachim de altíssimo nível, classificado ao lado do Santo da Espada de Lugunica, do Admirador de Kararagi e do Príncipe Louco de Gusteko.”
Subaru: “Hum… Eu lembro de ter ouvido esse apelido antes… Então você tá falando sério?”
Abel: “Se você o antagonizasse, perderia sua cabeça num piscar de olhos. Esse é o tipo de homem que ele é.”
Abel, com os braços cruzados, assentiu em resposta à pergunta de Subaru, enquanto sua expressão se tornava séria.
Nessa situação, não havia razão para Abel ou Zikr mentirem ou brincarem. Em outras palavras, o que eles disseram só podia ser a verdade.
Cecilus Segmunt, o homem mais forte do Império, tão habilidoso quanto Reinhard.
Subaru sentiu um arrepio descer pela espinha só de imaginar quão perigoso e feroz esse espadachim de primeira classe deveria ser.
Era uma batalha com uma diferença de forças absurda. Superados tanto em número quanto em qualidade, como diabos eles poderiam esperar vencer?
Al: “…Mas pensando por outro lado, ainda tem esperança. O fato de a Princesa ter vencido a Senhorita Arakiya, que é a Segunda colocada, foi uma grande vitória pra gente.”
Subaru: “Al…”
Apesar do clima pesado, Al disse isso com uma voz animada.
Era uma opinião bem otimista, mas também uma realidade que os outros não conseguiam aceitar tão facilmente. Mesmo assim, contagiado pelo espírito de Al, Subaru soltou um suspiro. “É verdade.”
Se ficassem pensando só no lado negativo, não iam conseguir progredir. Na verdade, Subaru e seu grupo haviam conquistado a Cidade Fortaleza com poucos danos. Ainda por cima, conseguiram Priscilla e Al como reforços―― mesmo sendo difícil dizer se eram aliados ou inimigos.
Ele tinha certeza de que Rem faria o possível para curar os Shudrakianos feridos, e Mizelda voltaria para a linha de frente. Poderiam contar novamente com sua atitude firme e estoica, e suas habilidades de combate completas.
A partir de agora――,
Subaru: “O Al tá certo… Foi ótimo termos derrotado um dos Nove Generais Divinos… ainda por cima um de alta classificação. Com certeza ela tem informações valiosas, considerando a posição dela.”
Al: “Isso aí! Boa, irmão. Informação vale mais que ouro numa guerra. Já que deixamos ela viva, vamos ouvir o que ela tem a dizer.”
Subaru: “Sim. Ela pode ter alguma pista…”
Subaru se forçou a ficar animado, e Al o acompanhou. Com esse ritmo, o assunto da conversa mudou para extrair informações de Arakiya, que havia sido capturada viva.
???: “Espera aí, Subaru e Cabeça-de-Lata. Eu discordo.”
Mas então Kuna, que estava ali como representante de Shudrak, interveio.
Quando Subaru e Al se viraram, Kuna passou a mão pelo próprio cabelo tingido de verde e disse――,
Kuna: “Aquela mulher é perigosa. Nunca sabemos o que ela vai fazer se tiver uma chance. Definitivamente é melhor matá-la o quanto antes.”
Subaru: “Eu entendo, mas isso é muito precipitado. Matar ela não é…”
Kuna: “A Chefe ficou gravemente ferida por causa dela. Não importa o que o Subaru diga, nós do Shudrak precisamos executá-la.”
Kuna falou abertamente sobre executar Arakiya, encarando Subaru com insistência teimosa.
Ao mencionar o estado de Mizelda, Subaru não teve escolha senão ficar calado. A segurança dela estava nas mãos de Rem, mas mesmo que os ferimentos curassem, o fato de que ela havia sido ferida não ia desaparecer.
Se os Shudrakianos considerassem isso imperdoável, então Arakiya teria que pagar o preço.
Subaru: “――――”
Enquanto procurava uma resposta para Kuna, Subaru olhou de relance para Priscilla.
Ele queria ver que tipo de reação Priscilla teria diante da insistência de Kuna em executar Arakiya, já que ela parecia ter algum tipo de relação incomum com a General Divina.
Porém――,
Priscilla: “Já decidi minha postura em relação a Arakiya. Antes de mais nada, fui eu quem cortou as costas daquela criatura. Esses olhos no seu rosto são só enfeite?”
Subaru: “Guh…”
Priscilla: “Não tenho intenção de dizer nada em favor de Arakiya. Se o destino dela terminar aqui, será parte do próprio caminho dela. ――Embora seja uma pena.”
Subaru: “…Eu não te entendo de jeito nenhum.”
Subaru balançou a cabeça diante de Priscilla, que falava com indiferença enquanto pesava o valor da vida de Arakiya.
No fim das contas, o relacionamento entre elas parecia ser ruim, mas pela atitude de Arakiya, poderia ter sido próximo. A postura de Priscilla, porém, era terrivelmente fria e distante.
Como alguém de fora, Subaru não fazia ideia de como era a relação entre as duas.
Subaru: “Mas se você morre, acabou. Não há como voltar á vida.”
Priscilla: “Ousa me ensinar o valor da vida? Acha que eu posso julgar mal o valor da vida de outra pessoa?”
Subaru: “――. Você não é perfeita. Até você pode errar.”
Encarando Priscilla diretamente, Subaru respondeu sem hesitar.
No momento em que disse isso, o ar na sala ficou tenso.
Kuna e Zikr ofegaram, enquanto Al podia ser visto colocando a mão na testa do capacete. Subaru também estava ciente de que havia dito algo imprudente no impulso.
Só depois de falar aquelas palavras ele percebeu que esse era o tipo de situação que provavelmente terminaria com ele perdendo a vida por desagradar Priscilla.
No próximo momento, ele poderia ser decapitado por aquela espada carmesim reluzente.
Mas mesmo assim――,
Subaru: “Eu não tô errado. Até você pode errar.”
Mais uma vez, Subaru repetiu a declaração que poderia lhe custar a vida.
Um momento depois, bem na frente dele, os olhos de Priscilla se estreitaram com um olhar frio. E então, a “morte” escaldante que faria Subaru pagar por sua ousadia――,
Priscilla: “Até eu posso errar, não é? Que coisa irritante de se ouvir.”
Nunca veio.
Subaru: “Hã…?”
Os olhos de Subaru se arregalaram de surpresa, e ele soltou o ar que estava prendendo nos pulmões.
Dando uma última olhada em Subaru, Priscilla abriu seu leque com um estalo e direcionou o olhar para além dele, mirando em Kuna.
Priscilla: “Antes de cortarmos a cabeça daquela coisa, seria melhor encontrar alguma utilidade para ela.”
Kuna: “――O quê? Você tá tentando mandar na gente? Você é uma estranha aqui.”
Priscilla: “Se quiser ignorar meu conselho, fique à vontade.”
Retirando sua opinião, o olhar de Priscilla percorreu o corpo esguio de Kuna como se tentasse queimá-la.
Abraçando-se involuntariamente, Kuna acabou demonstrando a pressão que sentia daquele olhar. Infelizmente, Priscilla e Kuna estavam em níveis completamente diferentes.
Al: “Pra ser sincero, fiquei meio nervoso. Mas agora tá tudo certo entre todo mundo!”
Como se para quebrar a tensão no ar, Al bateu com força na mesa redonda.
Atraindo assim a atenção de todos, ele olhou para Subaru através do capacete de aço e disse,
Al: “É uma boa notícia que você não morreu, irmão, mas também é ótimo saber que o mundo não perdeu aquela gatinha. Enfim, quando ela acordar, a gente conversa――”
???: “――Temos um enorme problema~!”
Al estava prestes a resumir o que fariam com Arakiya quando ouviu o som de passos apressados e desesperados.
Era Holly, seu corpo grande se contorcendo pela entrada, invadindo a sala de conferências com passos estrondosos e voz apavorada.
Seu corpo e respiração agitados atraíram a atenção de todos, e então vieram as palavras.
Aquelas foram――,
Holly: “Uns Soldados Imperiais entraram, e a General Divina que a gente capturou escapou~!”