――Segurando em sua mão o pequeno escorpião que apareceu da poeira, Subaru tremeu silenciosamente os ombros.
Queria salvá-la.
Queria tirá-la desta torre de areia solitária.
Prometeu que iria ajudá-la.
Mesmo assim, não conseguiu cumprir sua promessa.
Natsuki Subaru sempre fazia apenas promessas que não podia cumprir.
Subaru: “――――”
Ninguém conseguia dizer nada a Subaru, ajoelhado na areia em silêncio.
Nem Beatrice, ao lado dele, nem Julius e Meili, atrás dele, encontraram que palavras dizer.
Como se para confortar o Subaru que chorava em silêncio, tendo se esquecido até mesmo de soluçar, o escorpião em sua mão subiu pelo braço dele, escalou o ombro e se aninhou em seu pescoço.
Subaru não sabia o que é que era este pequeno escorpião.
Qual era a relação entre Shaula e esse escorpião, que apareceu do meio do pó do enorme corpo desmoronado do『Escorpião Carmesim』? Ou talvez ele fosse a própria Shaula――,
Subaru: “――Não é verdade.”
Houveram as palavras que Subaru e Shaula trocaram nos momentos finais dela.
Não se sabia ao certo se realmente houve aquele diálogo com ela ou se foi Subaru sonhando acordado durante a despedida.
No entanto, ele tinha a triste convicção de que aquilo realmente tinha acontecido.
Shaula foi perdida.
Sua existência estava vinculada às regras em si desta Torre de Vigia Plêiades e, no final, assim como Reid e o Monólito do terceiro andar―― era um objeto cênico para a condução dos 『Testes』.
Portanto, ela também teria que sair de cena quando a torre de vigia cumprisse seu papel.
Até o último momento, ela se sacrificou ao papel de『Objeto Cênico』.
Não tinha como ela ser apenas um『Objeto Cênico』, isso abriu um buraco no peito de Subaru.
Subaru: “――――”
Seja aquele sorriso desinibido; seja a irritação que sentia por ela buscar contato; seja a voz carinhosa que, carregada de um afeto que desconhecia, dizia “Mestre, Mestre”; tudo foi perdido.
Se Shaula tivesse chorado aos berros e gritado que não queria desaparecer, Subaru teria feito de tudo para procurar um meio disso acontecer e teria jogado sua vida fora inúmeras vezes para ajudá-la.
Porém ela não desejou isso.
Rindo, disse que queria se encontrar com ele novamente e desapareceu com apenas essas palavras deixadas para trás.
Ele não sabia como fazer isso nem se era possível.
Não sabia, mas――,
Subaru: “Entendi. …Algum dia eu com certeza vou te encontrar novamente. Então…”
Realizaria o desejo dela, que disse “eu te amo” com um sorriso brilhante.
Para isso――,
Subaru: “――Então, agora é um adeus, Shaula.”
O vento arenoso foi levando embora o que restou das emoções dela, transformada em pó vermelho.
Subaru observou isso até o fim e suspirou. Caso olhasse, veria que o escorpião aninhado em seu pescoço estava apertando a orelha dele com sua garra, como se dissesse “se anima!”.
Subaru: “Ai!”
A dor aguda fez Subaru sentir como se tivesse sido empurrado pelas costas por um “não desanima!”.
Com os olhos marejados pela dor, Subaru assentiu com um “entendi, entendi”, tirou o escorpião de seu pescoço e tentou arrancá-lo da sua orelha.
Mas――,
Subaru: “Ai! Eu entendi, então já pode soltar… ai! Ei, minha orelha tá sangrando… desgraçado! O miserável tá pra valer…!”
Meili: “…O que você tá fazendo, moçooo?”
Subaru estava preocupado com o pequeno escorpião carmesim que, ainda preso a sua orelha, não se soltava de jeito nenhum.
Quem veio ao socorro de Subaru, quase arrancando fora a cartilagem macia de sua orelha, foi Meili.
Ela, espantada, foi até Subaru com destreza e pegou o pequeno escorpião carmesim com suas mãozinhas,
Meili: “Mesmo piquitito, como ainda é um Majuuzinhooo, se você for descuidado e aproximar da cara, ele pode acabar comendo os seus olhos ou o seu nariz e você não vai nem percebeeer.”
Subaru: “Os olhos ou o nariz!? Mas o miserável não faria uma coisa dessas…”
Meili: “É um Majuuzinhooo, moço. ――Não é aquela moça nuaaa.”
Subaru: “――――”
Dizendo isso, Meili colocou o pequeno escorpião carmesim em sua cabeça casualmente.
Diferente de sua violência anterior contra Subaru, o pequeno escorpião carmesim não causou problemas na cabeça de Meili. Sob a influência da『Proteção Divina da Manipulação de Majuus』dela, sua ferocidade parecia ter diminuído.
Nem era preciso dizer que isso provava que o pequeno escorpião carmesim era um Majuu com o qual a Proteção Divina de Meili se comunicava―― também provava que ele não tinha a consciência de Shaula.
Beatrice: “Subaru, você precisa tratar seus ferimentos, de fato.”
Beatrice arregaçou as mangas de Subaru, que estava prestes a abaixar a cabeça novamente, e examinou o corpo dele gentilmente.
Mordendo os lábios em resposta à consideração dela, Subaru assentiu profundamente. Não podiam ficar no mar de areia para sempre.
Emilia: “――Subaru! Pessoal!”
Ao longe, Emilia abriu as grandes portas da entrada da torre de vigia e correu em direção a eles.
Podia-se presumir que ela também não teve uma jornada fácil porque as vestes que trajava estavam bem bagunçadas. Queria conversar com todos, incluindo disso.
Pois as coisas a serem ditas e as despedidas a serem feitas eram muitíssimas.
Emilia: “…A Shaula era uma pessoa beeem esforçada, não é?”
Depois de ouvir a explicação sobre o que aconteceu e sobre a ausência de Shaula, Emilia olhou fixamente para o mar de areia, de onde até mesmo a poeira havia se dispersado por inteiro, e lamentou a perda à maneira dela.
Seus dedos brancos tocaram gentilmente no pequeno escorpião carmesim na cabeça de Meili. Embora Meili tivesse ordenado que não se comportasse mal, o pequeno escorpião carmesim aceitou o toque de Emilia; a atitude dele, mesmo que não entendessem seus gestos e expressões, parecia uma de agrado.
Julius: “Emilia-sama, como foi o primeiro andar? Conseguiu completar o『Teste』com êxito?”
Emilia olhou com preocupação para Subaru, que, com uma expressão abatida, tinha terminado de explicar sobre Shaula.
Mas foi Julius quem escolheu avançar o assunto com ousadia. Ao chamado de Julius, Emilia assentiu com um “uhum” e,
Emilia: “Foi muito difícil e confuso, mas parece que eu o terminei de alguma forma. …E, Julius, você me reconhece direitinho?”
Julius: “――. Isso mesmo. Certamente consigo me lembrar com clareza agora.”
Julius respondeu surpreso à pergunta tímida de Emilia.
Com a mão na boca, Julius repetiu o nome “Emilia-sama”, confirmando a presença da Emilia que deveria ter desaparecido de dentro de si, e assentiu.
Emilia: “Beatrice! Você me reconhece? E você, Meili?”
Beatrice: “…Não se preocupe, eu me lembrei, eu suponho. Na verdade, eu tinha quase esquecido até você me dizer que eu tinha esquecido, de fato. Foi uma sensação estranha, eu suponho.”
Meili: “Eu também me lembro beeem. E você, moça? Se lembra bem de mim e das promessas que a gente feeez?”
Emilia: “Claro que sim. Nunca esqueceria. Fico aliviada. Tanto a Ram quanto a Patrasche-chan se lembram também, então pensei que estava tudo bem…”
Ouvindo as respostas de Beatrice e Meili, Emilia suspirou aliviada.
Ao ver as reações delas, Subaru verbalizou um “pera aí.”.
Ele chamou a atenção de todos para si e engoliu em seco――,
Subaru: “Isso é uma notícia incrível, mas quero tudo esclarecidinho. Ou seja? Todo mundo se lembra da Emilia-tan sem problemas? Isso, bem…”
Julius: “――Significa que a Srta. Ram derrotou Rai Batenkaitos.”
Subaru: “――――”
Subaru arregalou os olhos para Julius, que tirou uma conclusão e a afirmou com convicção.
Rai Batenkaitos―― uma das três pessoas que faziam parte dos Arcebispos do Pecado da『Gula』e aquele que merecia ser chamado de o inimigo detestável mais profundamente entrelaçado a Subaru e Ram.
Na torre, ele devorou o『Nome』de Emilia e ainda fez um alvoroço, causando inúmeras dificuldades.
Ao ouvir que ele foi derrotado, a garganta de Subaru ficou terrivelmente seca.
Porque, se Rai Batenkaitos foi derrotado, significava que――,
Subaru: “As coisas que ele roubou tão voltando…? Nesse caso…”
Se o『Nome』de Emilia foi restaurado, os outros efeitos da Autoridade da『Gula』também deveriam ter sido desfeitos.
Fazendo-se de『Gourmet』, Rai Batenkaitos continuou roubando excessivamente. Se as coisas roubadas fossem liberadas, as pessoas de Pristella, a Cidade das Comportas também――,
Subaru: “――――”
Tendo pensado até esse ponto, Subaru balançou a cabeça de um lado ao outro.
Vamos parar com a desonestidade. Chega de encobrir seus sentimentos e tentar mentir para si mesmo.
Neste momento, Natsuki Subaru tinha um desejo egoísta terrivelmente egocêntrico.
Se Rai Batenkaitos foi derrotado e os efeitos da Autoridade se desfizeram――,
Subaru: “――Vocês se lembram da Rem?”
Uma garota esquecida por todos que havia aberto um buraco no peito de Subaru devido à enormidade de sua existência.
Esta jornada foi para recuperar o que tinha sido perdido―― para Subaru, foi em si uma jornada para salvar Rem.
Procurando por sabedoria na torre de vigia com esse propósito em mente, eles foram atacados pela『Gula』, um evento irônico e, ainda assim, irrelevante se o resultado obtido fosse o mesmo.
Apressado pela sua esperança impaciente, Subaru olhou para os rostos de todos.
À pergunta dele, no entanto――,
Emilia: “…Desculpe, Subaru. Ainda não consigo me lembrar da Rem.”
Subaru: “――hk! Por quê!?”
Beatrice: “Betty também não, de fato. Ainda não consigo me lembrar da irmã de Ram, eu suponho. Além disso…”
Subaru: “Além disso? Além disso o quê? O que mais que tem?”
Negado por Emilia e em seguida por Beatrice também, Subaru ficou boquiaberto.
Com sua esperança recém-nascida rejeitada, ele pressionou Beatrice, que ficou sem palavras. Aos olhos desesperados de Subaru, ela apontou seu queixo branco a Julius, atrás.
Beatrice: “Ainda não conseguimos nos lembrar do Julius, de fato. Nem todos os danos causados pela『Gula』foram revertidos, eu suponho.”
Emilia: “O Julius…”
Ao receber as palavras de Beatrice, Emilia assentiu como se concordasse.
Meili, que não conhecia Julius antes do『Nome』dele ter sido roubado, deu de ombros, mas não havia motivo para Emilia e Beatrice estarem mentindo.
Então, nem Rem, nem Julius tiveram seus『Nomes』restaurados――,
Julius: “Quanto a isso, suponho que sei por que meu『Nome』não foi recuperado.”
Enquanto Subaru e os demais se viam surpresos, foi o próprio Julius quem falou isso.
Com seus olhos estreitos, Julius olhou de volta para eles e continuou.
Era que――,
Julius: “――Roi Alphard, Arcebispo do Pecado da『Gula』, foi capturado vivo. Estritamente falando, meu『Nome』foi roubado por ele. Suponho que seja por isso que ainda não foi restaurado.”
Ao terem passado pelo grande portão e voltado para dentro da Torre de Vigia Plêiades, Subaru e os outros foram recebidos no quinto andar por uma figura humana que estava acenando ao lado da Carruagem de Dragão que os havia trazido a esta torre arenosa.
???: “Emilia-san e Natsuki-kun, já faz um bom tempo, num faz?”
Subaru: “…Não pode ser, Anastasia-san?”
Ao ver a pessoa sorrindo com elegância e acenando lentamente, Subaru arregalou os olhos de surpresa.
Ele confirmou que seus gestos, atitudes e até expressões eram naturais. Uma recriação completa da natureza humana, a qual não se podia exatamente copiar, sob a qual se disfarçava Echidna, que era um Espírito Artificial――na verdade, não era uma recriação.
Era a própria essência da pessoa original. Não devia ser chamado de recriação.
Em outras palavras――,
Emilia: “Anastasia-san! Você acordou?”
Anastasia: “Sim, sim. Poxa, parece que acabei tiran’o um ronco por bastante tempo, foi mal por te causar preocupação. Eu ouvi da Echidna o que aconteceu desses meses pra cá.”
Subaru: “Então a Echidna também tá bem.”
Anastasia: “De certa forma. Tiran’o o sentimento de culpa, parece que num tem nada do tipo ‘eu quero morrer’ por enquanto.”
Anastasia respondeu à pergunta de Emilia e o cachecol no pescoço dela se mexeu, a raposa branca ficou cabisbaixa de um modo que parecia lamentoso.
Anastasia acariciou a cabeça de Echidna e a repreendeu com um “eeei”,
Anastasia: “De novo se culpan’o desse jeito. Eu te disse, uai. Foi uma escolha minha, então num precisa ficar pra baixo por isso. ‘Cê pensa assim, né, Julius?”
Julius: “Eu? …Sim, de fato. Para ser sincero, como fiquei bastante apreensivo com a decisão de Anastasia-sama, dizer que concordo plenamente é difícil para mim, mas…”
Anastasia: “Difícil, mas o quê…?”
Julius: “Ao saber o motivo pelo qual você se recolheu, sinto que não há honra maior para um cavaleiro.”
Julius sorriu e respondeu com elegância. Essa resposta fez Anastasia colocar a mão na boca e rir: “ora, num é galanteador?”
Era um diálogo bem sintonizado. Se dissessem que eles eram como mestre e servo, era porque eram como mestre e servo:
Subaru: “A Anastasia-san realmente esqueceu o Julius? Apesar disso, eles parecem tá se dando muito bem…”
Anastasia: “Esquecer que tipo de relacionamento que nós tínhamo’ originalmente… isso em si já vem me deixando tão irritada por dentro que num dá pra eu continuar suportando, ainda assim! Ainda assim…!”
Echidna: “Ela está tolerando bastante coisa, por isso esta postura. Felizmente, como vim a conhecer o Julius nesses últimos dois meses, posso falar dele para ela. Parece que nasci para isso.”
Beatrice: “…Você também parece ter mudado de uma forma peculiar, de fato.”
Beatrice falou isso meio gentilmente a Echidna, que tinha definido-se no pescoço de Anastasia, cujos lábios tremiam.
Echidna ouviu isso, bufou seu nariz de raposa e assentiu com um “é.”.
Echidna, o Espírito Artificial sem passado que viera para a torre de vigia como substituta de Anastasia, também tinha muito no que pensar e parecia ter chegado a uma conclusão otimista.
O fato de Anastasia ter recuperado o corpo em segurança era, sem dúvidas, parte disso.
Não significava que ela tinha dado conta do arrependimento de ter posto em uso o Od de Anastasia, reduzindo-o, nem da elucidação das perguntas que naturalmente resultariam, mas――,
Subaru: “Ficar cutucando isso ia ser insensível da nossa parte, né?”
Os problemas entre Anastasia e Echidna, elas que deveriam resolver.
Claro que, se pedissem ajuda, ele iria se preocupar junto delas e cooperar para encontrar uma solução. Acreditava ter construído um laço suficientemente forte durante estes dois meses na jornada pelo deserto.
Emilia: “――Ei, Anastasia-san. Estou beeem feliz que tenha voltado em segurança, há tantas coisas que quero conversar, mas…”
Anastasia: “Enten’o. Você está falan’o sobre o Arcebispo que o Julius derrotou, num é? O Julius fez umas coisas aí e jogou ele na Carruagem de Dragão.”
Subaru: “O Julius fez umas coisas aí…”
Anastasia deu de ombros e apontou para a Carruagem de Dragão atrás deles.
Ao lado de Emilia, que refletia sobre as palavras dela, Subaru prendeu a respiração e olhou para a carruagem. Ali dentro estava preso Roi Alphard, o Arcebispo do Pecado da『Gula』.
Subaru: “――――”
Antes de contornar a Carruagem de Dragão, Subaru acariciou o pescoço do Dragão Terrestre atrelado a ela――Gyan.
Gyan, o Dragão Terrestre da espécie Agaress com suas quatro patas grossas, foi o astro inesperado que compôs uma vitória para Subaru e os demais na última batalha contra Shaula.
O melhor resultado não foi alcançado. Mas não significava que a consideração dele tinha sido por nada. Sem nem mencionar que a sobrevivência de Meili era fruto da coragem de Gyan.
Subaru: “Por sua causa que a gente se salvou. …Daqui pra frente, ajuda nós se acontecer alguma coisa, fazendo favor.”
Gyan: “――――”
Gyan, sendo acariciado no pescoço, bufou pelo nariz como se quisesse dizer que era uma grande responsabilidade.
Dando um pequeno sorriso forçado, Subaru logo enrijeceu as bochechas e foi à carruagem. Acenou para Emilia e para os outros com a cabeça, então, espiou dentro.
Lá estava o Arcebispo do Pecado da『Gula』――,
Subaru: “――O que que é isso?”
Explodindo de tensão, Subaru olhou para dentro da Carruagem de Dragão e sentiu-se iludido ao ver o que estava havendo lá.
Alphard estava sem dúvidas dentro da carruagem. Porém sua forma de contenção era meio diferente do que Subaru tinha imaginado.
Roi Alphard, envolto inteiramente por um cristal negro, estava desacordado e preso――não, selado.
Julius: “O oponente é um Arcebispo do Pecado… apenas restringir seus movimentos não seria o suficiente. Então, nós o solidificamos o mais rigidamente que fomos capazes.”
Subaru: “Isso de solidificar… com que base funciona?”
Beatrice: “Basicamente, é uma aplicação de magia Yin, eu suponho. A consciência do alvo é separada com Shamak e ele é assim mesmo solidificado, de fato. …É uma técnica sórdida, eu suponho.”
Subaru: “Então, isso preto é um bloco de Shamak…?”
Ao ouvir a explicação de Beatrice, Subaru olhou novamente para o selo com espanto.
Não seria exagero dizer que Shamak era a magia com a qual Subaru mais havia contado antes de fazer o Contrato com Beatrice, mas ficou impressionado com os efeitos que ele causava e com o método do selamento de Julius, que aplicava tais efeitos.
Vendo essa reação de Subaru, Julius fez a ressalva “não quero que entenda errado, mas…”,
Julius: “Não quer dizer que fui eu que inventei esta técnica nem nada. O selo mais famoso do mundo usa a mesma metodologia. Embora em uma escala completamente diferente.”
Subaru: “O mais famoso do mundo… não me diga que é…”
Emilia: “――O da『Bruxa da Inveja』, certo?”
Julius assentiu profundamente e confirmou com um “sim.” as palavras de Emilia, que observava o Alphard solidificado.
O selo de Alphard utilizava o mesmo método que manteve a『Bruxa da Inveja』adormecida por quatrocentos anos, selada mais ao leste desta torre de vigia.
Ou seja, era um método confiável e comprovado, com Julius sendo quem fez o selo, podia-se dizer que a credibilidade era ainda maior. No entanto, não estava aí a questão.
Subaru: “A questão é: por que deixar esse aí vivo?”
Emilia: “Subaru…”
Emilia abaixou as extremidades de suas sobrancelhas quando Subaru disse isso encarando Alphard, selado.
Preocupado com esse seu olhar, Subaru disse: “é que é assim, né?” enquanto virava,
Subaru: “Uma parte da『Gula』tá morta… o Batenkaitos, e todo mundo se lembrou da Emilia-tan. Nesse caso, se esse aí morrer, as outras『Memórias』também…”
Julius: “Não há garantia de que voltarão. Esta foi a principal razão pela qual eu não o executei.”
Subaru: “――――”
Julius: “Não há dúvida de que a Srta. Ram derrotou Batenkaitos. Mas realmente conclui-se que foi apenas por derrotá-lo que o『Nome』de Emilia-sama foi restaurado? Talvez algo mais tenha feito com que ele o devolvesse ativamente… não podemos descartar a possibilidade. Se agirmos precipitadamente, há também a possibilidade de perdermos tudo.”
Como se para repreender a afobação de Subaru, assim prosseguiu Julius, com palavras inteiramente lógicas.
Lógica essa que ele nem conseguia contestar.
Mas――,
Subaru: “Nesse caso… nesse caso, e o『Livro dos Mortos』?”
Como alternativa, Subaru sugeriu um método exclusivo da torre de vigia.
Não devia haver meio mais transparecedor de desvendar os pensamentos de outra pessoa do que o『Livro dos Mortos』. Um item que, em todo caso, revivia a vida inteira de uma pessoa.
Subaru: “Mesmo que a gente interrogasse ele, não tem garantia de que ele vai dizer a verdade. Nisso, ia ser melhor usar o『Livro dos Mortos』pra revelar os pensamentos do sujeito…”
Emilia: “Subaru, isso… não acho que seja uma boa ideia. Esse método é…”
Subaru: “Mas deve ser confiável. Com isso…”
Anastasia: “Oiê? Tudo bem eu interromper um cadinho?”
Quando Subaru sugeriu o uso do『Livro dos Mortos』, Emilia mostrou uma postura passiva. Com ele prestes a perder a cabeça, Anastasia levantou a mão.
Ela olhou para Subaru, que se acanhou, juntou as mãos diante do peito e,
Anastasia: “Eu ouvi da Echidna, então pode ter umas lacunas aqui e ali, mas… é『Livro dos Mortos』que diz? Confiar cegamente nele num é perigoso?”
Subaru: “Por que perigoso?”
Anastasia: “Num tem essa de ‘por quê?’, num foi ‘cê mesmo, Natsuki-kun, quem mió sentiu na pele? Me foi dito que ‘cê também se perdeu enquanto eu dormia, num é?”
Subaru: “――――”
Quantas coisas será que ela conversou com a Echidna em tão pouco tempo? ― Anastasia tocou em um tópico sensível.
No entanto, a amnésia de Subaru e os perigos do『Livro dos Mortos』, rigorosamente falando, não se concordavam.
Pois a perda da memória dele não foi causada pelos efeitos do『Livro dos Mortos』.
Mas não significava que o『Livro dos Mortos』era inteiramente livre de perigos.
Na realidade, ao ler o『Livro dos Mortos』de Meili, uma parte dos pensamentos e dos sentimentos de Subaru quase foi recoberta pela personalidade dela.
Ele não considerava o seu psicológico particularmente forte nem a sua individualidade, ainda assim, não sabia o que teria acontecido caso fosse uma pessoa facilmente influenciável.
Não se podia afirmar que não teria resultado no nascimento de um novo Roi Alphard que herdaria a mente do original.
Subaru: “Então… então, Anastasia-san, você também tá me dizendo que manter esse aí vivo é a coisa certa a se fazer, é isso? Depois de tudo o que ele fez até aqui!”
Anastasia: “Se ‘tamos falando sobre o que é certo e o que num é certo, também num acho certo manter um Arcebispo do Pecado vivo. Se matar esse figura trouxesse de volta as minhas『Memórias』do Julius, eu ia concordar. Mas tenho também uma opinião própria, sabe?”
Subaru: “Uma opinião própria…?”
Anastasia: “Brigar e discutir se é pra tomar ou não a vida de alguém é um último recurso. ――A pessoa que tira facilmente a vida de outra não terá final feliz. Num são palavras do Hoshin, são minhas.”
As palavras de Anastasia fizeram Subaru arregalar os olhos.
Neste mundo de fantasia com espadas e magia, veio a ele a rebeldia de dizer que era uma ideia ingênua. Mas, ao mesmo tempo, a ética de Subaru concordava com ela.
Subaru também pensava que quanto menos mortes, melhor.
Para aliados era claro que sim e até mesmo para inimigos, quanto menos mortes, melhor.
No entanto, essa lógica só valia para aqueles que mereciam compaixão.
Subaru: “Ele trouxe miséria a uma cambada de gente e ainda tá fazendo todo mundo sofrer. …Anastasia-san, você tá me dizendo pra não matar nem uma pessoas dessas?”
Anastasia: “Mata quando tiver que matar. Tomei essa decisão e também vou manchar minhas mãos se eu precisar. Mas agir por impulso é errado. ――Acho que ‘cê também é alguém que pensa assim, Natsuki-kun.”
Subaru: “Esse tipo de coisa é…”
Anastasia: “Por isso que ‘cê consegue chorar por alguém que se foi. …Eu ia preferir ser amiga de longa data dum Natsuki-kun que é assim do que dum que é sem coração e num chora nem sangra.”
Anastasia traçou a própria bochecha com o dedo e apontou os traços das lágrimas de Subaru.
Naquele momento, a cicatriz da perda de Shaula latejou e ele abaixou a cabeça em silêncio. Esse modo com que Anastasia falava era covarde. Mas era indiscutivelmente eficaz.
Emilia: “…Subaru, eu também concordo com a Anastasia-san. Pensando no Julius e na Rem adormecida, quero resolver isso rápido, mas…”
Julius: “Por favor, não se preocupem, ao menos comigo. Chegado este ponto, devemos priorizar a certeza à rapidez. …Isso também envolve meu irmão.”
Estando também na iminência de recuperar as memórias que tinha de Joshua, deixado em Pristella, o comentário de Julius era o cúmulo da cautela――mas, como dito antes, era o lógico.
Procurando resultados apressadamente para preencher a dor da perda. O estado de espírito do atual Subaru era exatamente assim.
Echidna: “Deixe eu resumir. Pela opinião da Ana e do Julius, transportamos Roi Alphard… o Arcebispo do Pecado da『Gula』, à capital e extraímos dele uma maneira de salvar as vítimas da Autoridade. Depois disso, anistia não será uma opção. Ele não deve escapar da pena de morte.”
Anastasia: “Leniência por causa da idade também tem os seus limites. Vai acabar desse jeito no fim, num vai?”
Ao ver Subaru aliviando a força em seu punho cerrado, Echidna e Anastasia colocaram a história em ordem.
Emilia também não se opunha a essa forma de tratar Alphard. Ele seria levado à capital real estando selado e, de certa maneira, acabaria no mesmo estado que Sirius, detida há pouco tempo.
Anastasia: “Tudo certo pra você também, Emilia-san?”
Emilia: “Uhum. Também quero me lembrar bem daqueles que foram completamente esquecidos.”
Anastasia averiguou se Emilia estava de acordo e ela, erguendo a cabeça, respondeu com imponência.
Sentindo tanto firmeza quanto amargura nas palavras induvidosas dela, Subaru desviou o olhar para longe do Arcebispo do Pecado na Carruagem de Dragão e desabou repentinamente de joelhos.
Subaru: “Ué…”
Beatrice: “Subaru! Ah, nossa, sabia que você estava se esforçando demais, de fato! Com você carregando uma coisa desagradável dessas o tempo todo, é natural que isso aconteça, eu suponho!”
Assim gritou Beatrice, apoiando os ombros de Subaru, a cabeça dele ficou mais pesada e a visão oscilou.
Com essa voz fofa e aguda ecoando em sua cabeça, ele ficou consciente de que tinha se esgotado mais do que havia imaginado.
Não se esperava que fosse de se esperar?
Perdeu a memória, morreu várias vezes nesse meio tempo, morreu várias vezes depois disso, enfrentou a si mesmo para recuperar suas lembranças, bateu de frente com os cinco obstáculos que atacaram a torre ao acordar, lutou assumindo o fardo de seus companheiros com uma Autoridade e perdeu Shaula no final――.
Foi um desgaste extremo, tanto físico quanto mental.
Embora tivesse sido apenas alguns dias, parecia que havia passado mais de cinco anos nesta torre.
Subaru: “――Ah, eu…”
Emilia: “Subaru, tenha calma, você vai ficar bem. Agora, descanse um pouquinho, está bem? Quando acordar, vamos conversar direitinho. Eu também tenho muitas coisas que quero te contar.”
Subaru, exausto, perdeu a força, caiu sentado e Emilia o segurou de frente. A sensação macia e o aroma doce, que normalmente deveriam lhe endurecer o corpo, agora faziam sua consciência desvanecer rapidamente na escuridão com uma eficácia que nem a de um remédio potente.
Se ele perdesse a vida deste jeito, no fundo da escuridão, será que voltaria de novo ao ponto em que estava correndo de lá para cá em volta da torre e procuraria uma maneira de salvar Shaula?
Mesmo entendendo parcialmente que não haveria tal coisa, não podia deixar de desejá-la.
Lentamente, a consciência de Subaru foi sendo engolida pela escuridão.
Emilia: “E força!”
Levantando o corpo desacordado de Subaru, assim suspirou Emilia.
Subaru, de olhos letargicamente fechados, respirava tão profundamente que era como se estivesse morrendo, era a prova do quanto havia se esforçado para resolver os problemas na torre de vigia.
Para salvar Emilia e os outros, o quão desesperado esteve Subaru?
Mesmo com o revés de ter perdido a memória, ele veio correndo até Emilia quando Batenkaitos roubou o『Nome』dela e todos a esqueceram, o quão feliz isso a deixou?
Ela queria expressar isso a ele apropriadamente.
Para que o esforçado Subaru não acabasse se culpando demais por conta própria.
O que houve com Shaula não era responsabilidade de Subaru.
Era responsabilidade de Emilia, de todos os outros e, se fosse para dizer mais――,
Emilia: “――Eu acho que o Mestre dela, Flugel, é uma pessoa terrível.”
O principal responsável por impor as suas conquistas como『Sábio』a Shaula e, junto da reconfiguração da função da Torre de Vigia Plêiades, tê-la colocado para dormir.
Mesmo que fosse um dos três heróis que salvaram o mundo, ele entrou para a lista de vilões hediondos na mente de Emilia assim que fez Shaula se sentir sozinha e Subaru chorar.
Claro, como não havia a oportunidade de encontrá-lo e falar com ele, não havia ninguém capaz de resolver este ressentimento.
Julius: “Aparenta-se, pelo visto, que ele esteja extremamente esgotado… mas estará bem. Se descansar, irá se recuperar. Vamos àquela『Sala Verde』?”
Emilia: “Uhum. Ram e os outros também estão lá… Enquanto ela ia me salvar, Anastasia-san, você que cuidou da Rem, certo?”
Anastasia: “Num foi nada grandioso desse jeito, foi? Depois de recuperar o meu corpo, só assisti irem embora o Julius, que tinha ido ajudar o Natsuki-kun, e Ram-san, que tinha ido te ajudar, Emilia-san. …Infelizmente, o estado de Rem-san num teve mudança.”
Emilia: “Entendo…”
Emilia franziu suas sobrancelhas bem definidas ao pensar em Ram, Rem e Patrasche, que esperavam na『Sala Verde』.
Podia-se dizer que a vitória sobre Batenkaitos era, de certa forma, vingança pelo roubo do『Nome』e das『Memórias』de Rem. No entanto, o essencial era que ela despertasse, visto que não aconteceu, o resultado da vingança era irrisório.
Pelo menos, Ram deveria dizer isso sem hesitação. O essencial era o retorno de Rem.
Julius: “Esperamos poder obter de Roi Alphard algo relacionado a isso. Também há incógnitas demais sobre esta Torre de Vigia… ou melhor, sobre esta Grande Biblioteca Plêiades.”
Beatrice: “Uma grande biblioteca que sabe de tudo… foi o que Shaula disse, de fato. Embora fosse uma garota desleixada, é precisamente por isso que não deve ter distorcido as palavras que nos disse, eu suponho. Ela ter nos explicado que aqui é a Grande Biblioteca não deixa dúvidas, de fato.”
Precisavam verificar se a funcionalidade desta grande biblioteca se referia apenas aos『Livros dos Mortos』ou se havia outras possibilidades.
Além disso, havia algo que Emilia tinha que discutir com Beatrice e os outros.
Emilia: “Então, depois de levar o Subaru para descansar na『Sala Verde』, há um lugar que gostaria que todos fossem comigo. …Tem alguém que eu quero que conheçam.”
Beatrice: “…Por acaso tem algo a ver com o primeiro andar, eu suponho?”
Emilia subiu ao primeiro andar e superou o último『Teste』.
Isso em si era algo que Beatrice e os outros sabiam. A questão era não saberem o que aconteceu depois.
Mais especificamente, o que havia no primeiro andar, com quem Emilia se encontrou e o que fez.
Como tinha sido um evento extraordinário, transcedental e muito difícil de ser colocado em palavras――,
Emilia: “A história não é longa, mas é complicada, então, poderiam vir e conhecer a pessoa diretamente?”
Apontando para o topo da torre, muito acima de suas cabeças, Emilia disse isso.
Volcanica: «――Ó vós que ao cume da torre chegastes. Avançai pelo primeiro andar, todo-poderosíssimo peticionário.»
“――――”
Guiados por Emilia, ao chegarem ao andar mais alto da Torre de Vigia Plêiades――o primeiro andar — todos foram avassalados pelo encontro com o enorme Dragão, ficando sem palavras.
Vendo o estado deles, Emilia disse “surpreendente, não é?” inclinando a cabeça,
Emilia: “Quando subi ao primeiro andar, Volcanica estava esperando por mim. Eu fiquei beeem surpresa…”
Beatrice: “Es-es-espere, de fato, espere, eu suponho. Nã-não é um problema que dê para resolver com surpresa, de fato, é!?”
Diante do『Dragão Divino』coberto de escamas azuis, Beatrice ficou chocada e sua voz saiu esganiçada.
Ela agitava rapidamente as mãos de cima a baixo, visivelmente nervosa. Contudo, não foi a única a ficar agitada.
Julius: “Isto…”
Anastasia: “Hahh, uma coisa que até eu num esperava. Comé que pode? Num dizem que o sinhô『Dragão Divino』está doutro lado da Grande Cachoeira?”
Echidna: “Deveria estar. Segundo a profecia da『Pedra Dracônica de Registros』, diz-se que ele aparecerá no ano em que a Seleção Real estiver concluída para renovar o Pacto com a que se tornar o novo rei de Lugnica, a Ana.”
Ao lado de Julius, sem palavras, nem mesmo a Anastasia que era geralmente calma conseguiu esconder seu nervosismo. A Echidna em seu pescoço também estava com a voz ligeiramente aguda.
Tendo sido mais lerdo que as reações de suas acompanhantes femininas, Julius disse “perdoe-nos a indelicadeza.” endireitando-se,
Julius: “『Dragão Divino』, grandioso Dragão e guardião de nosso reino. Volcanica-sama, mantivestes o pacto por muito tempo e trouxestes salvação esta que concedestes a muitos, perdoe-nos pela falta de respeito.”
Volcanica: «――――»
Julius: “É uma honra vos encontrar, ainda que nestas circunstâncias. Sou Julius Juukulius, afiliado à Guarda Real do Reino de Lugnica. Múltiplas de vossas crônicas estão gravadas em meu seio.”
Julius, ali ajoelhado, retirou sua espada da cintura e a colocou no chão em um gesto de máxima reverência.
Como um cavaleiro que servia ao Reino Dracônico, prestou a mais sincera cortesia ao Dragão que lhes era sagrado. Volcanica, por sua vez, estreitou seus olhos dourados e:
Volcanica: «――Chamo-me Volcanica. Em concordância ao pacto de outrora, pergunto o intento de vós que ao cume chegastes.»
Julius: “Sim! O corpo e lealdade a mim pertencentes dedico todos a Anastasia Hoshin-sama, cá presente. Será o próximo Rei… e o Pacto subsequente, sem falta… Anastasia-sama irá… kh.”
Anastasia: “Ju-Julius, ‘cê está chorando?”
Julius, ainda ajoelhado e incapaz de conter suas lágrimas, deixou Anastasia perturbada. Ele respondeu às palavras de sua mestra com um “mil perdões.” e enxugou as lágrimas com o dorso da mão,
Julius: “Não só falei com Reid Astrea, um dos『Três Heróis』, como também estive por fim diante de Volcanica, o『Dragão Divino』. Como cavaleiro do Reino de Lugnica, há honra maior? …O que seria esta torre?”
Tocado por algo assombroso, Julius ficou com a voz trêmula.
Sentindo-se muito triste por estar prestes a jogar um balde de água fria na comoção dele, Emilia começou a falar “olha…” hesitantemente.
Emilia: “Julius, já que está beeem feliz, fica difícil para eu dizer, mas…”
Julius: “――. Mil perdões, Emilia-sama. Não devo eu desconsiderar Anastasia-sama e Emilia-sama para tentar falar com o『Dragão Divino』sem consultá-las…”
Emilia: “Não, isso tudo bem. Só que, é o Volcanica, mas…”
Como que eu deveria explicar? ― Emilia se esforçou escolhendo cuidadosamente suas palavras para não magoar Julius. Aí, por cima da cabeça dela,
Volcanica: «――Ó vós que ao cume da torre chegastes. Avançai pelo primeiro andar, todo-poderosíssimo peticionário.»
Anastasia: “…Calma lá. Sinto como se eu tivesse ouvido essa frase agora há pouco.”
Anastasia foi a primeira a suspeitar ao ouvir a frase repetida.
No entanto, a mesma dúvida se espalhou aos demais. Não era nada surpreendente todos terem logo notado a anormalidade em Volcanica, que repetiu o mesmo discurso.
Então――,
Emilia: “É o Volcanica, mas… ele ficou esperando aqui por tempo demais e parece que ficou senil por causa disso. O corpo está saudável, então ele pode ser beeem violento, mas…”
A força dracônica de Volcanica, com severa demência, era genuína, mas a sua mente ter sido danificada pelo passar do tempo também era algo genuíno.
Talvez por causa do『Teste』do primeiro andar, o『Dragão Divino』usou um poder incrível para impedir Emilia de transpor o pilar, mas ela alcançou o monólito, o『Teste』foi julgado como superado e ele voltou ao estado originalmente confuso.
Além disso, embora o『Teste』tivesse terminado, ainda falava sobre ele.
Julius: “O grandioso『Dragão Divino』… ficou senil?”
Anastasia: “Ju-Julius, se acalma. Óia só, num se cansou um cadinho não? Podia se sentar, num acha?”
A pessoa que mais se abalou com as palavras de Emilia foi Julius.
A segunda lenda que encontrou, logo depois de Reid, também era diferente das histórias que tinha ouvido e fez seus joelhos tremerem.
Como Emilia também não quis desapontar Julius, cujos olhos brilhavam, ela sentiu como se uma dor latejante lhe apertasse um pouco o peito.
No entanto――,
Beatrice: “Emilia, é provável que não seja isso, eu suponho. Isto não é estar senil, de fato.”
Emilia: “O quê?”
Beatrice: “Echidna, você também deve sentir, eu suponho. Isto não é estar senil, e sim…”
Echidna: “Ah, sim. Não percebi no início, mas agora sinto. Isto não é desgaste mental. É a alma que está vazia.”
Emilia: “A alma está… vazia?”
Emilia inclinou a cabeça em confusão ao ouvir a conversa de Beatrice e Echidna, Espíritos Artificiais que se entendiam.
Enquanto Julius e Anastasia também faziam expressões intrigadas, Beatrice disse “é uma explicação simples, de fato.” levantando o dedo.
Beatrice: “A alma está vazia… em outras palavras, não contém essência, eu suponho. Por isso, só é capaz de declarações predeterminadas e de reações limitadas. Podem pensar nisso como ele estando noventa por cento adormecido, de fato.”
Emilia: “Noventa por cento… mas ele foi beeem forte?”
Echidna: “Se ele contivesse alma, teria sido incomparável.”
As palavras de Echidna sugeriram que Emilia tinha se salvado por pouco, o que a deixou arrepiada.
Emilia mal tinha sobrevivido à batalha com a ajuda dos soldados de gelo. O confronto com esse Volcanica foi basicamente igual ao dele meio adormecido.
Por mais que ele senil e ele meio adormecido se parecessem, a natureza deles era completamente diferente.
Beatrice: “Só que, apesar da alma vazia, é sem dúvidas o corpo do『Dragão Divino』, eu suponho. Sendo assim, pode haver uma maneira de ajudar as pessoas de Pristella, de fato.”
Emilia: “――! Uma maneira de ajudar a todos? Como fazemos isso?”
Anastasia: “――Tendi. Conseguimo’ o sangue de Dragão do『Dragão Divino』, né?”
Anastasia estalou os dedos e Beatrice assentiu às palavras dela.
Ao ouvir isso, os olhos de Emilia se arregalaram com um “ah.”.
O sangue do『Dragão Divino』Volcanica era a fonte de muitas histórias difundidas pelo Reino de Lugnica.
O sangue de Dragão foi registrado como um elixir que revitalizava terras áridas, garantia fartura e curava imediatamente doenças e ferimentos, além de muitos outros efeitos extraordinários.
Não menos importante. Esse sangue de Dragão era um componente que Emilia não podia ignorar――,
Emilia: “Se eu puder obter do Volcanica o sangue…”
O objetivo de Emilia ao participar da Seleção Real――obter o『Sangue de Dragão』que o Reino de Lugnica preservava e usá-lo para degelar o solo congelado da Grande Floresta de Elior.
Para libertar os companheiros que, naquela floresta, haviam sido congelados pelo descontrole dos poderes dela, Emilia decidiu, portanto, participar da Seleção Real.
Emilia: “――――”
Surgiu neste momento a possibilidade dela alcançar o maior objetivo pelo qual competia.
Atordoou-se com isto e prendeu o fôlego.
Se aqui pudesse obter o sangue de Volcanica, Emilia perderia as razões pelas quais se sentar no trono――,
Emilia: “Eu…”
Beatrice: “…Emilia, foi mal por te causar confusão, eu suponho. Mas o『Sangue』que está pensando é diferente do sangue deste Volcanica aqui, de fato. Então, isso não será possível, eu suponho.”
Disse Beatrice a Emilia, que estava prestes a perder o sentido de participar da Seleção Real.
A essas palavras, Emilia arregalou os olhos com um “hã?”.
Emilia: “O que você quer dizer com ‘não será possível’? Eu estudei beeem direitinho. Que, para derreter o gelo daquela floresta, é necessário o『Sangue de Dragão』que há no castelo. Com ele…”
Beatrice: “Essa ideia não está errada, de fato. Mas, como eu disse antes, o『Sangue de Dragão』que há no Castelo Real de Lugnica é estritamente diferente do sangue deste Volcanica aqui. …O『Sangue de Dragão』no castelo é o sangue derramado pelo coração de um dragão moribundo em seu último batimento.”
Emilia: “A última… gota de sangue do coração?”
Ao ouvir algo do qual nunca tinha ouvido falar, Emilia franziu suas sobrancelhas bem-definidas. Beatrice assentiu silenciosamente e Julius levantou a mão para ela, dizendo “permite-me?”.
Enquanto ele, que parecia recuperado do choque inicial de ter ouvido sobre a ausência de alma, olhava ao『Dragão Divino』cuja reação não se alterava,
Julius: “Com todo respeito, Beatrice-sama, mas de onde é isso que disse agora? Sou também um cavaleiro afiliado à Guarda Real do Reino de Lugnica. Ouço muitos assuntos importantes ao reino. Contudo, isso que disse agora é…”
Beatrice: “――Ao último ressoar do cor, o sangue do coração do Dragão então vertido foi em um recipiente. Esse sangue, o verdadeiro Sangue de Dragão, foi confiado ao Castelo Real e tornou-se símbolo do Pacto entre humanos e Dragões.”
Julius: “――――”
Beatrice: “Não é de se surpreender que você não saiba, de fato. O que eu disse agora é um registro que foi selado na Biblioteca Proibida… uma passagem da narração deixada por Echidna, a『Bruxa da Ganância』, cujo nome não é mais conhecido no mundo exterior, eu suponho.”
Com essa resposta de Beatrice, Julius a encarou, pasmo, e prendeu a respiração.
Embora nem ele ― um cavaleiro do reino ― soubesse, a história não parecia em nada uma mentira de Beatrice. E, se fosse verdade――,
Julius: “Então, qual Dragão forneceu o『Sangue de Dragão』que está armazenado no Castelo Real de Lugnica? Se foi o último batimento do coração…”
Anastasia: “Ia ser esquisito o Dragão que deixou o sangue num ter morrido… Significa que num ia fazer sentido se fosse do sinhô『Dragão Divino』que, mesmo que sem nada no coco, está vivo.”
As dúvidas de Julius e Anastasia também eram válidas.
Se o『Sangue do Dragão』fosse o último batimento do coração, não era de Volcanica. E, ainda assim, se o sangue tinha um poder tão descomunal――,
Beatrice: “Infelizmente, isso não foi registrado no livro, de fato.”
Echidna: “…Que pessoa essa que faz as coisas pela metade. Pelo que percebo, essa『Bruxa da Ganância』não é a principal razão pela qual o Natsuki-kun é tão frio comigo? Eu já não tinha uma boa impressão por causa disso, mas agora ela foi reforçada ainda mais.”
Beatrice: “Não vou tolerar que fale mal da Mãe, eu suponho. Cuidado com o que diz, de fato.”
Emilia: “Vocês duas, não briguem assim! Mas, hmm, é assim então…”
Ao repreender as duas, que estavam se antagonizando porque discordavam quanto à natureza de Echidna, Emilia abaixou a cabeça em silêncio.
Ao ouvir pela primeira vez que o『Sangue do Dragão』do castelo era diferente do de Volcanica, ela se surpreendeu. No entanto, sentiu-se simultaneamente um pouco aliviada.
Emilia: “…Isso é beeem estranho.”
Ajudar todos na floresta era o principal objetivo de Emilia. Isso não mudou e nunca mudará. Portanto, se obter aqui o sangue de Volcanica resolvesse, deveria usá-lo para libertar a Grande Floresta de Elior.
No entanto, por mais que quisesse, Emilia hesitou.
――Se derretesse o permafrost da Grande Floresta de Elior com outro método, desistiria já da Seleção Real e sairia de cena?
Emilia: “――――”
Anastasia: “…Deixan’o de lado a preocupação de Emilia-san, se o que Beatrice-san disse for verdade, o sangue de Volcanica-san serve de alguma coisa? Num parece alta a probabilidade de que vai decepcionar nós?”
Beatrice: “Mesmo que gasto, mesmo que senil, mesmo que com a alma ausente, é o『Dragão Divino』, eu suponho. É inquestionável que seu sangue detenha grande poder, de fato. Mas…”
Emilia: “Não é o suficiente para descongelar todos na floresta, é?”
À sua pergunta, Beatrice assentiu com um ar de desculpa.
Ao vê-la, que parecia mais desapontada do que si mesma, Emilia relaxou os lábios enquanto dizia “está tudo bem.” e levantou o rosto, decidida a não ficar abatida.
Emilia: “É beeem decepcionante essa verdade. Mas, como foi algo inesperado, fiquei tão surpresa que ainda não caiu a ficha… estou bem.”
Beatrice: “Desculpa, eu suponho. Talvez eu devesse ter contado antes, de fato. …Nunca imaginei que encontraríamos o『Dragão Divino』em um lugar desses, eu suponho. É uma lástima tremenda, de fato.”
Emilia: “Sim, é mesmo. Como ele é baderneiro.”
A expressão abatida não combinava com Beatrice, já Emilia tinha estufado o peito com confiança.
Seu sentimento de decepção era sincero. Mas o que havia dito a Beatrice também era verdade. Ou melhor, era basicamente como se ela tivesse dito que não poderia usar atalhos ou trapaças.
Echidna: “Então, voltemos ao tópico. Se conseguirmos o sangue deste『Dragão Divino』, talvez possamos reverter as pessoas em Pristella que foram transformadas pela Autoridade da『Luxúria』. Como a Beatrice disse, mesmo sem a alma, o sangue em si deve conter um poder incrível.”
Anastasia: “Dizem que inté uma gota do『Sangue de Dragão』do castelo revive terras áridas. Num é um remédio forte?”
Echidna: “Por isso que precisaríamos diluí-lo milhares de vezes.”
Julius: “Porém é um grande avanço em comparação a quando não tínhamos solução nenhuma. Se forem verdadeiras as histórias de que é um elixir universal, há mérito em tentar.”
Ouvindo a discussão entre Echidna, Anastasia e Julius, Emilia sentiu sua esperança sendo mais uma vez renovada por essa conversa.
Ela cruzou as Dunas de Augria para ajudar aquelas pessoas que tinham sofrido tanto.
O melhor seria se pudesse levar a elas uma maneira de resolver os problemas causados pela『Gula』e pela『Luxúria』.
Não seria capaz de compensar todas as feridas de Subaru caso não fizesse isso.
Emilia: “Como eu fui beeem egoísta…”
Querer dar um significado ao sacrifício de Shaula era um pensamento extremamente egoísta.
Ela veio passando tanto tempo nesta torre com desejos e motivos próprios. Dar significado a eles era tarefa de Shaula, não de Emilia.
Emilia: “Hmm, entendi. Vamos pedir ao Volcanica. Talvez ele não entenda nada do que eu disser e fique violento se tentarmos pegar o sangue dele, mas…”
Beatrice: “Estou farta de ouvir isso, eu suponho. Emilia, você deve ter obtido os direitos de nova administradora da Torre de Vigia Plêiades, de fato. Não há nada que possa fazer com eles, eu suponho?
Emilia: “Direitos de administradora… não estou consciente de nada disso…”
Desvendou os mistérios do terceiro andar, superou Reid no segundo andar e mostrou seu intento a Volcanica no primeiro andar.
Olhando somente para essas condições, podia-se dizer que Emilia era de fato a que percorreu toda a torre de vigia. No entanto, isso havia trazido para ela uma mudança clara? A resposta seria não.
O que tinha ficado vagamente evidente foi que――,
Emilia: “Ninguém mais será impedido pelas dunas de chegar a esta torre de vigia… eu acho.”
Anastasia: “É isso o que ‘cê decidiu, Emilia-san? O『Livro dos Mortos』parece ser um item bastante problemático e essa num parece também uma decisão bem arriscada?”
Emilia: “Pode ser perigoso, mas acho que não terá problemas se todos os usarem direitinho e com cuidado. Acho que há muitas coisas que não podemos decidir sozinhos.”
Para Emilia e os demais, chegar a uma conclusão sobre o que havia nesta torre de vigia com tão poucas pessoas seria exorbitante.
Bom ou ruim, não tinham o direito de decidir isso aqui. Portanto, precisariam encontrar o melhor método reunindo mais pessoas e mais sabedoria
Emilia: “É assim que penso, é errado?”
Echidna: “…Pode parecer que você esteja confiando um pouco demais nos outros, mas essa conclusão é muito sua. Não me oponho se a Ana e o Julius não se opuserem.”
Emilia: “Obrigada, Echidna.”
Emilia agradeceu a Echidna, que foi a primeira a expressar apoio.
Anastasia, por sua vez, disse: “’tendi, ‘tendi.” acenando com a mão,
Anastasia: “Eu também num sou contra. Na realidade, mesmo que nós escondesse, ia ser difícil lidar bem com isso… então, ia ser muito melhor repartir os méritos da descoberta e da exploração. Tem a questão da『Gula』e podemo’ inté conseguir levar o sangue de Dragão embora.”
Julius: “Não devemos aspirar por muito, tampouco gananciosamente. E, acima de tudo, foi Emilia-sama quem alcançou o topo desta torre. Devemos respeitar sua vontade.”
Emilia: “Anastasia-san e Julius, obrigada!”
Ao conseguir uma conciliação de ambos, Emilia os agradeceu com um sorriso. Então, voltou-se por último a Beatrice, que ainda não havia expressado sua opinião,
Emilia: “E você, Beatrice? Acha irresponsável?”
Beatrice: “Se for para falar de responsabilidade e de irresponsabilidade, abandonar este lugar sem nem investigá-lo seria muito pior, de fato. Betty não se opõe, eu suponho. Pessoalmente, tenho profundo interesse, de fato.”
Emilia: “Que bom!”
Sentiu alívio em seu peito conturbado ao não ser contrariada pela pessoa mais próxima dela.
Reunindo a sabedoria de todos, deveriam certamente encontrar uma forma engenhosa de utilizar esta torre de vigia.
Emilia: “Certo, agora só falta o sangue. …A forma mais fácil de levar isso para a frente seria se o Volcanica viesse conosco.”
Anastasia: “Tenho a impressão de que isso ia causar muito problema.”
Já que Volcanica era certamente enorme, tentar levá-lo talvez fosse ser complicado com ele se chocando em tudo. Entretanto, como Volcanica podia voar, caso ficasse voando quando entrasse na cidade, não haveria a necessidade de se preocupar com ele chocando em algo.
Emilia: “Ei, Volcanica. Você pode vir conosco? Ou, se precisar ficar aqui, gostaria que nos desse um pouco do seu sangue…”
Volcanica: «――――»
Emilia: “Volcanica?”
Metade esperançosa e metade cética, Emilia dirigiu a palavra a Volcanica, esperando que repetisse algo sobre o『Teste』, mas a reação dele fez com ela levantasse as sobrancelhas.
Volcanica, o『Dragão Divino』que tinha voltado à sua posição original no primeiro andar e estava encostado no pilar, levantou lentamente a cabeça e olhou para fora da torre.
Uma atitude de nem falar com Emilia e com os outros, nem de começar a atacá-los.
Emilia, pelo menos, sentiu que essa era uma atitude definitivamente esquisita.
Então, simultaneamente a isso――,
Emilia: “O quê?”
Ela, que tremia como se um dedo gelado tivesse percorrido a sua espinha, seguiu o olhar de Volcanica em direção ao lado leste da torre――a origem de seus arrepios.
A leste da torre, além dos confins do mar de areia e onde a terra tinha fim, existia a Grande Cachoeira――não, existia a Grande Cachoeira e uma terra especial.
Isso――,
Subaru: “Ugh…”
Com uma textura áspera roçando em seu rosto, Subaru abriu os olhos com um gemido.
Sua visão embaçada ganhou contornos definidos após algumas piscadas e o que a invadiu foi a causa da sensação áspera: a cara de Patrasche lambendo Subaru com sua língua vermelha.
Subaru: “…Patrasche, é?”
Patrasche: “――――”
Subaru: “Foi mal te preocupar. …Você se esforçou de novo, não foi? Sempre te devo uma.”
Tendo estendido gentilmente a mão até o rosto preocupado de seu amado dragão, Subaru relaxou os lábios enquanto acariciava o semblante dela.
Este Dragão Terrestre negro sempre, mas sempre conseguia salvá-lo de situações perigosas.
Havia, claro, o favor de ter salvado Subaru, que tinha perdido a memória, mas Patrasche também desempenhara um papel bem importante neste último ciclo. Afinal――,
Ram: “Se não fosse pela Patrasche, a Rem estaria em perigo. Ter levado esta garota para casa foi a maior conquista da vida de Barusu.”
Subaru: “Não tem como eu negar, então para. Que eu também tirei a Beako de lá e recuperei a insígnia pela Emilia-tan. Mesmo que o Roswaal tivesse envolvido nos dois.”
Roswaal não estava tecnicamente envolvido no problema de Beatrice, mas Subaru disse de propósito porque era uma forma de revidar.
Como esperado, Ram estalou a língua em desagrado ao ouvir isso.
Ao ver Ram encostada na parede da『Sala Verde』e segurando o próprio braço, Subaru estreitou os olhos, aflito, por ela estar toda salpicada de ferimentos.
A batalha contra Rai Batenkaitos obviamente tinha sido intensa.
A lesão de Meili ter ocorrido no meio e o fardo que Subaru podia suportar ter diminuído drasticamente devia ter sido um dos motivos que contribuiu para a dificuldade da luta.
Abriu a boca para se desculpar por ter falado da boca para fora――,
Subaru: “Ei, Ram. Foi por minha causa que você se machucou desse… mph!”
Ram: “Não fale besteiras. Acha que a culpa dos ferimentos de Ram é sua, Barusu? O Barusu não tem qualquer efeito motriz em sequer uma parcela da vida de Ram. Que nojento.”
Subaru: “Nojento aí já é demais! Enfiar um pedaço de grama na boca dos outros é mais assustador!”
Assim protestou Subaru, que teve um punhado de vinhas arrancadas enfiado em sua boca e estava com os olhos lacrimejando por causa do cheiro de grama. Ao ouvir isso, Ram soltou um “há.” sem mostrar remorso.
Com esse diálogo entre os dois, ouviu-se traços de uma risadinha.
Meili: “Vocês dois se dão muito beeem. É como olhar pra dois irmãooos.”
Quem disse isso e esticou as pernas no colchão de grama que estava disposto no chão foi Meili, com um pequeno escorpião carmesim em sua cabeça.
Às palavras de Meili, que segurava o riso, Ram fez uma careta simples de compreender:
Ram: “O Barusu, meu irmão…? Mesmo se fosse verdade e ele fosse um irmão adotivo de quinta categoria, um inútil desses no VIlarejo Oni seria menos uma boca para alimentar.”
Subaru: “O Vilarejo Oni é tão severo assim? Ainda bem que não sou Oni…”
Ram: “É mentira. Ram só teria dificuldades em suportar a nojeira e teria se livrado de você para não ter que alimentá-lo.”
Subaru: “Não complica colocando história hipotética em cima de história hipotética!”
À resposta típica de Ram, Subaru gritou de volta, cuspindo saliva.
No entanto, agora também sabia que essa era a maneira indireta com a qual Ram mostrava sua preocupação. Estava dizendo que os ferimentos dela não tinham sido causados pela decisão de Subaru.
Seria difícil tirar proveito da consideração dela. Contudo, se ele fosse teimoso e insistisse que a culpa era sua, muito provavelmente causaria a raiva de Ram ao invés disso.
Subaru: “Você é realmente uma mulher complicada, né, Nee-sama…”
Ram: “Depois das palavras impensadas de Meili, Ram pede que pare de chamá-la de Nee-sama. Teríamos problemas se isso confundisse uma pessoa que acabamos de conhecer.”
Tendo recebido uma resposta grossa como sempre e tido sua experiência com Ram, Subaru examinou os presentes no recinto ―― na『Sala Verde』. Ali estavam ele, Patrasche, Ram e Meili com o pequeno escorpião carmesim. E, em uma cama no fundo do quarto, repousava a『Bela Adormecida』――,
Subaru: “――A Rem ainda não acordou?”
Ram: “Infelizmente. Ram torceu fora a cabeça daquele insolente detestável. Com isso, parece que as coisas de Emilia-sama voltaram…”
Subaru: “As coisas do Julius não voltaram, nem as da Rem. …Tá faltando algo?”
Pressionando firmemente o punho contra a palma da outra mão, Subaru mordeu-se com força para conter seus sentimentos amargos.
Uma revalidação do que havia falado com Emilia e com os outros antes de perder a consciência. ――No final, para eliminar completamente os estragos causados pela『Gula』, era necessário arrancar as informações diretamente deles.
Subaru: “Os que tão aqui são os mais gravemente feridos? E a Emilia-tan e os outros?”
Meili: “A moça e a Beatrice-chan foram lá pra cima se ver com alguééém. Como é no primeiro andar, é muito, mas muito lá pra cima… Ram, moça, você sabe quem tá lááá?”
Ram: “Nada de importante. Apenas um velho senil e encorpado.”
Subaru: “O velho senil no topo da torre de vigia é um key character definitivamente pivotal…”
Subaru franziu a testa ao ouvir falar de um novo personagem em cena.
Quem era essa pessoa que Ram descreveu como velho senil? E se fosse um examinador como o Reid no segundo andar――,
Subaru: “――Não é… o Flugel, certo?”
Ram: “Barusu.”
Subaru: “Se for o Flugel que tiver lá, nunca que eu vou perdoar ele. Tem um monte de coisa que eu quero dizer pra aquele cara. Se não fosse por ele, a Shaula…”
Ram: “Barusu, Ram pede que se acalme.”
Subaru: “Se acalmar? Você… Ram, uma coisa dessas… a Shaula foi…”
Subaru, vigorosamente afobado, canalizou sua força para os joelhos, tentou descobrir a identidade do velho no andar mais alto da torre e foi impelido pela bochecha. A causa foi a mão aberta de Ram, que havia chegado perto.
Estapeado na bochecha, Subaru arregalou os olhos, chocado, e olhou para ela.
Ram: “Ram pede que pare de usar a Shaula em retaliação à própria impotência.”
Subaru: “――――”
Ram: “Ram ouviu sobre a Shaula. Ela era barulhenta, indelicada e tinha olhos completamente estragados por idolatrar o Barusu, porém… não é por isso que merecia desaparecer.”
Enquanto dizia isso, Ram tocou gentilmente na bochecha de Subaru, na qual havia batido.
A bochecha estapeada estava quente, mas a mão de Ram, encostada nela, estava fria ao toque. Sentindo esse calor, Ram continuou o que estava dizendo a Subaru, que tinha prendido a respiração.
Ram: “Se for para lamentar, não fique zangado, e sim chore. Em vez de usá-la como motivo para descontar sua frustração, a Shaula preferiria que o Barusu chorasse por sentir falta dela. ――Ram também.”
Subaru: “Ram…”
Ram: “Ram ainda acha que tenha se confundido apenas em que pessoa pensar intensamente.”
Com um último adendo, Ram deu um peteleco na testa dele. Subaru caiu sentado devido à força que não tinha sido o suficiente para machucá-lo e disse “foi mal…”, levando a mão à testa.
Quando se acalmasse, Flugel estar no primeiro andar teria sido um desejo de Subaru ou, indo mais longe, uma espécie de paranoia.
Supondo que Flugel realmente estivesse lá――,
Ram: “Ram e Emilia o teríamos deixado à beira da morte antes que o Barusu fizesse qualquer coisa.”
Subaru: “…A Emilia-tan eu não sei, mas você eu confio que sim, Ram.”
A raiva que tinha por Flugel quando pensava em Shaula não era pouca, era um sentimento natural compartilhado por todos na torre.
Ram confirmou isso e Subaru soltou um longo suspiro.
Sendo assim, interessou-se bastante: quem era o velho senil no primeiro andar?
Ram: “Ram pede que deixe isso de lado por enquanto. Mesmo se o velho senil for útil, é das vítimas da Arcebispa do Pecado da『Luxúria』que devemos perguntar, não das da『Gula』.”
Subaru: “Essa também é uma questão bem grande… tendeu.”
Nessas circunstâncias, Ram tinha prioridades bem-definidas. Ser capaz de expressá-las com firmeza, sem hesitar, era um dos fortes dela.
Subaru, por sua vez, conseguia simpatizar consideravelmente com os sentimentos de Ram.
A expectativa de poder salvar as vítimas da『Luxúria』era significativa. No entanto…
Meili: “Mas, Ram, moça, não tinha outra ideia que você mencionou mais cedooo?”
Contudo, Meili lançou essas palavras ao perfil de Subaru, que se autoadvertia. Enquanto cutucava o pequeno escorpião carmesim sobre sua cabeça,
Meili: “Você não tinha ditooo? Que os efeitos da『Gula』estavam relacionados ao tempo ou coisa do tipooo?”
Ram: “――. Que garota tagarela. Se continuar com essa atitude, precisará de um disciplinamento rigoroso quando voltarmos à mansão.”
Meili: “Aiii, medooo!”
Meili colocou a linguinha para fora e abraçou a própria cabeça, já o pequeno escorpião carmesim sobre a sua cabeça levantou as garras e o ferrão da cauda em direção a Ram, como se estivesse protegendo a garota. No entanto, ao ser atingido pelo olhar frio de Ram, o escorpião se encolheu rapidamente.
Nesse gesto apressado, sentiu que havia um fragmento do antigo eu dela, mas――,
Subaru: “Ram, e essa hipótese? Do que que se trata?”
Ram: “Nada demais. Diz-se que a『Gula』devora as memórias das pessoas, certo? Se for realmente tratado como comida, Ram crê que o tempo influencia na digestão.”
Subaru: “Digestão…”
Ram: “Emilia-sama conseguiu recuperar o que foi tomado dela em poucas horas. Sendo assim, como fica o cavaleiro Julius, as vítimas em Pristella e a Rem?”
Subaru: “――Ah”
Ao ouvir a hipótese de Ram, que estava de dedo levantado, Subaru ficou surpreso com sua simplicidade.
Assim como ela tinha dito, o Arcebispo do Pecado da『Gula』comparava o roubo de『Memórias』e『Nomes』a uma refeição. Se isso tivesse um significado que ia além de meras metáforas, ele até concordaria com o raciocínio de Ram.
As『Memórias』e os『Nomes』roubados teriam um tempo até serem digeridas.
O motivo pelo qual apenas o『Nome』de Emilia tinha retornado, enquanto o dos outros ainda não――,
Subaru: “…Não pode ser, será que foram completamente digeridos?”
Ram: “――Não sabemos. Pode ser que simplesmente levará um tempo apropriado até que retornem. Se for o caso, há esperança. A esperança de que as『Memórias』do Julius, das demais vítimas… e da Rem também retornarão.”
Subaru: “――――”
Que fosse interpretada negativamente, que fosse interpretada positivamente, Ram não ofereceu mais explicações.
Subaru também sabia no que ela estava pensando. Este era um problema sem resposta imediata.
Todavia, com Batenkaitos derrotado e Alphard também sob custódia, uma grande preocupação nasceu pela primeira vez――não, nasceu outra vez em Subaru.
Subaru: “Rui Arneb…”
No『Corredor de Memórias』, tinha encontrado e deixado para trás a última『Gula』.
Será que aquela garota, que não tinha corpo próprio e parasitava Natsuki Subaru ou os corpos de seus irmãos para cometer atrocidades, realmente estava sujeita a um Fator da Bruxa?
As habilidades que ela mesma possuía estavam em pé de igualdade com as da『Gula』.
Porém se, hipoteticamente falando, fosse necessária a vida da Arcebispa do Pecado da『Gula』para reverter todos os estragos da Autoridade, como poderiam derrotar Rui Arneb naquele lugar?
Primeiramente――,
Subaru: “Será que naquele lugar existe o conceito de morrer e de não morrer?”
O corpo físico não o acompanhou e ele existiu naquele lugar como uma entidade espiritual.
Se seguisse os conceitos de mangás e de jogos, talvez algo como morte espiritual se aplicasse, mas isso faria com que o Fator da Bruxa fosse liberto?
Seja aquele lugar, seja a Rui que tinha sido deixada lá, era tudo incerto.
Mesmo que encontrassem uma resposta――,
Subaru: “O Julius derrotou o Reid, encerrando o papel dele no『Teste』. Então, as folhas em branco do『Livro dos Mortos』do Reid não devem ter voltado ao normal?”
Subaru conseguiu acessar o『Corredor de Memórias』, também conhecido como o berço de Od Laguna, por causa da existência de um『Livro dos Mortos』esvaziado que levava justo lá.
A alma de Reid Astrea tinha sido usada no『Teste』, portanto, criou-se um vazio no『Livro dos Mortos』, conectando-o ao『Corredor de Memórias』. Se ele havia desaparecido…
Havia até a possibilidade de Natsuki Subaru ter perdido a chance de derrotar Rui Arneb.
Subaru: “――――”
Era possível que ele estivesse pensando demais e o『Livro dos Mortos』de Reid ainda estivesse vazio, não saberia até conferir. Além disso, Subaru também tinha a opção de enfrentar os próprios『Livros dos Mortos』dele. Essa também era uma carta na manga que o conectava ao『Corredor de Memórias』.
Embora fosse necessário provar o inferno de ver suas próprias『Mortes』novamente, era bem melhor do que perder todas as possibilidades. Deveria ser bem melhor.
Do que se conformar com o fato de que acumulou diversos erros irreparáveis.
Ram: “――Ignorante.”
Subaru: “Nee-sama?”
Ram: “Se tem tempo para se preocupar com coisas inúteis, seria muito mais astuto descansar o corpo e a mente. ――Nesta torre, não foi só você que não conseguiu optar pela solução ideal, Barusu.”
Ram balançou a cabeça de um lado ao outro e tocou suavemente na própria testa.
Ali, no lugar que era para ser onde seu chifre costumava estar, restava uma cicatriz delicada. Acariciou gentilmente a cicatriz antiga e depois estendeu o mesmo dedo à testa de Rem, na cama.
Então, acariciando carinhosamente a testa de sua irmã,
Ram: “Para derrotar o Arcebispo da『Gula』, Ram usou a força da Rem. Vencemos no final, mas o custo disso foi alto. …Esta jovem teve que arcar com um grande fardo.”
Subaru: “Fardo…”
Ram: “Ram operou como quando ainda possuía chifre. Se tivesse sido você, Barusu, teria explodido de dentro para fora.”
Subaru tinha assumido o sofrimento que Ram suportava diariamente e sabia bem o bastante que isso não era exagero. Ela passava por um inferno só para respirar e agir com serenidade.
Ela ficou séria. ――Quanto de retorno será que houve?
Sem exagero, se Subaru o tivesse recebido, era inegável que alguma parte de seu corpo teria sido danificada irreparavelmente.
Impus esse fardo à Rem ― Ram fechou seus olhos adornados por longos cílios.
No entanto, ela disse “certo?” e prosseguiu,
Ram: “Com isso, pode ser que a Rem guarde rancor ao acordar. Mas Ram não se arrepende. Ela é a Nee-sama da Rem. Mesmo que esta garota sinta ódio ou guarde rancor, isso não mudará. …Então, Ram só vai fomentar nosso vínculo para melhorar as coisas daqui em diante.”
Subaru: “――. A Rem não ia te odiar…”
Ram: “Ao que parece. ――Ela é uma boa garota. A irmã da qual Ram se orgulha.”
Ram sorriu cheia de confiança e, com seus olhos rosa-claros, encarou Subaru.
Mesmo sem memórias de sua irmã e sem saber nada de Rem que não fosse através de Subaru, amava-a intensamente, tais emoções não vacilavam.
Em vez de lamentar o passado, enfrentava-o para melhorar o futuro.
Subaru: “…Ouvir isso de você realmente dói em mim.”
Ainda que contrário às intenções de Ram, Subaru tinha muitas vezes feito de tudo para distorcer o passado.
Para ela, que tinha uma mentalidade de extrema progressão, não devia ser exagero dizer que o『Retorno através da Morte』de Subaru era uma mentalidade de extrema regressão.
O『Retorno através da Morte』, que mudava eventos já ocorridos, sempre foi um produto resultante de lamentar o passado.
Subaru: “No fim, é melhor não usar…”
Subaru descerrou novamente o punho no qual tinha colocado força e deu um sorriso amargo.
Ele reconhecia como legítima a sua atitude de usar o『Retorno através da Morte』e se obstinar por um futuro onde todos riam juntos. Além do mais, alertou-se para não se entregar a esse poder.
Pois, até nesta torre, tinha ouvido vozes que lamentavam a sua partida e também tantas lágrimas.
Meili: “Não sei muito beeem, mas parece que você tá um pouco melhor, moçooo.”
Vendo a mudança na expressão de Subaru, Meili murmurou no chão com seus joelhos erguidos. Sentada com as mãos neles, ela acariciava sua trança,
Meili: “A moça e a moça Ram podem cuidar dissooo, mas eu não consigo animar o moçooo, então não fica deprimido demais, tááá? Você prometeu que eu ia sempre ter direitinho a que costas seguir, certooo?”
Subaru: “É, tem essa promessa também. Ah, dessa vez aqui eu vou cumprir.”
Olhando para Meili e para o pequeno escorpião carmesim na cabeça dela, Subaru assentiu com força.
Nisso, a Patrasche ao seu lado esfregou-se contra a bochecha de Subaru, como se estivesse apoiando a decisão dele. Acostumado até com a textura áspera das escamas dela, a bochecha dele podia ser tocada por elas sem que sentisse dor.
Retribuindo a expressão de afeto com um afeto do fundo de seu coração, Subaru se levantou.
Embora tivesse acabado de desmaiar por não ter aguentado tanta exaustão, parecia ter recuperado um pouco da força que perdera. Eram os tratamentos diversos desse Espírito da『Sala Verde』.
Subaru: “Pensando bem, foi uma guerra total que teve até o Gyan, mas o quanto é que o Espírito dessa sala salvou a gente? Foi num nível que não tem como agradecer o suficiente.”
A『Sala Verde』estava sendo usada como sala de recuperação, mas aqui havia originalmente um Espírito que gostava de tratar os ferimentos dos seres vivos que entrassem no recinto, foi o que Shaula havia explicado.
Esse Espírito não tinha corpo físico nem vontade de se comunicar; com apenas a sua intenção de curar ferimentos sendo clara, Subaru e os outros se beneficiaram frequentemente desta sala durante a conquista da torre, na qual não pararam de se machucar.
Precisamente por isso que, desde que chegaram a esta torre de vigia, Rem foi deixada nesta sala.
Subaru: “Pô, mas não é por eu ter deixado ela que eu queria ter deixado ela.”
Ram: “Espírito, é? Barusu… não, seria inútil dizer isso. Que tal se usarmos a『Proteção Divina da Atração de Espíritos』do Julius para forçá-lo a se manifestar.”
Subaru: “Eu sei o que você queria dizer, mas o meu charme é um ataque especial pra cima da Beako, então não tô frustrado. Mas será que a Proteção Divina do Julius ia funcionar pra falar com ele…?”
Em termos simples, a『Proteção Divina da Atração de Espíritos』possuída por Julius fazia com que ele fosse facilmente amado pelos Espíritos.
Sob os efeitos dela, contratou-se aos seis Semi-Espíritos――não, Ia e os demais, agora promovidas a Espíritos; porém, se isso permitisse conversar com o Espírito da『Sala Verde』, abriria também novas possibilidades.
Um Espírito que vivera na torre de vigia por tanto tempo quanto Shaula, talvez até mais.
E se ele, que nem nome tinha, pudesse ajudar a desvendar os mistérios desta torre de vigia――,
Ram: “――?”
Enquanto Subaru pensava isso, escapou-se repentinamente um leve suspiro no recinto.
Quem havia soltado esse suspiro e franzido suas sobrancelhas bem-definidas foi Ram. Ainda estreitando seus olhos rosa-claros, examinou todo o ambiente com seu olhar.
Subaru: “Ram? O que foi?”
Ram: “…Há algo estranho no ar. Isto…”
――Foi no instante em que Ram mencionou que pressentia uma mudança.
Ram: “…kh!?”
Subaru: “Que isso!?”
De súbito, um fenômeno teve origem no centro da『Sala Verde』―― uma luz o inundou, deixando-os perplexos.
Os corpos de Subaru e Ram enrijeceram devido ao acontecimento repentino e eles correram ao lado de Rem como se repelidos. Meili e Patrasche também afastaram-se da luz, visivelmente cautelosas.
Meili: “O que, o que, o que que tá acontecendooo!?”
Subaru: “Não sei! Seja o que for, não desgruda de nós! Não importa o que aconteça… ugh!?”
Subaru protegeu Meili, irrequieta, atrás de si e teve suas palavras interrompidas.
A causa foi a luz na sala ter aumentado de intensidade e ferido os seus olhos. Ele cobriu o rosto com os braços e forçou a vista na direção da luz com atenção.
Após o brilho intenso de agora, a luz começou a enfraquecer e estava se dissipando. Ainda sem saber se deveria se sentir aliviado ou cauteloso, Subaru viu『Isso』que havia diante dele.
Subaru: “――Hã?”
Ao ver『Isso』que, diante de seus olhos, apareceu onde a luz tinha se dissipado, Subaru não entendeu o que significava.
Ficou sem palavras, então chocado e de novo sem palavras.
Ram: “Uma… garota?”
Ram, ao seu lado, viu a mesma coisa que ele e murmurou isso, confusa.
A percepção dela estava certa. Estavam vendo a mesma coisa. Mas a diferença clara entre eles era que Subaru tinha conhecimento dessa『Garota』.
Subaru sabia o nome dessa『Garota』.
Pois o nome da garota deitada no chão da『Sala Verde』era――,
Subaru: “――Rui Arneb.”
No chão ao centro da『Sala Verde』apareceu uma luz e, com ela, uma garota, Rui Arneb.
A mais nova dos três irmãos que eram Arcebispos do Pecado da『Gula』, a『Saciedade』que não deveria ter corpo físico ――quando ela deu as caras no mundo real deste modo, Subaru ficou sem palavras.
No entanto, a Ram ao seu lado não deixou de ouvir as palavras dele.
Ram: “Rui Arneb… o nome da última integrante da『Gula』.”
Neste ciclo, Subaru não tinha conseguido contar detalhadamente a Ram e aos demais sobre Rui, aquela com quem havia se encontrado por meio do『Livro dos Mortos』. Apenas mencionou ter entrado em contato com ela, mas a memória de Ram era certeira.
A essa pergunta, Subaru, ainda perturbado,
Subaru: “Ah, sim, é isso mesmo. Essa aí é a última integrante da『Gula』… Rui Arneb. Disseram que é a irmã do Batenkaitos e do Alphard…”
Ram: “――. Parece que está inconsciente.”
Observando Rui com calma, Subaru também confirmou que ela estava dormindo após o que disse Ram.
Não fazia a menor ideia se devia chamar isso de dormir ou de algum outro estado específico. Afinal, como é que Rui, que não deveria ter corpo físico, apareceu ali?
Depois de ter ficado tão amedrontada por Subaru, tão apavorada por ele, tão desesperançosa pelo『Retorno através da Morte』, era difícil acreditar que ela tinha se recuperado em poucas horas e voltado para enfrentá-lo.
――Pois a『Morte』deixava cicatrizes profundas assim no coração das pessoas.
Subaru: “Ficar pensando não vai levar a lugar nenhum… Meili! Chama a Emilia-tan e os outros, fazendo favor! Eu e a Ram vamos vigiar ela!”
Meili: “Poxaaa, você é tão mandããão. …Não morre sem a minha permissão, tááá?”
Meili recuou lentamente até a entrada da『Sala Verde』. Antes de se esgueirar para fora de lá, disse palavras de aviso às quais Subaru respondeu com um sinal de positivo.
Observou-se que o pequeno escorpião carmesim na cabeça dela tinha levantado as garras como se para imitá-la, Meili então virou-se rapidamente e foi ao primeiro andar chamar Emilia e os outros.
Subaru e Ram, que ficaram na sala ao invés disso――,
Subaru: “Espero que não aconteça nada, mas a gente pega umas vinhas e amarra ela por enquanto?”
Ram: “Não queremos provocá-la por imprudência. …E Barusu, percebeu?”
Subaru: “――? O quê?”
Ram fez uma pergunta enquanto detinha o ombro de Subaru, que estava deliberando o que fazer com Rui. Ele não entendeu o propósito da pergunta e inclinou a cabeça, confuso.
Com isso, Ram apontou com o queixo para o teto da『Sala Verde』――não, para a sala inteira.
Ram: “――O efeito de cura da sala parou. O Espírito se foi.”
Subaru: “Quê… só pode tá brincando!”
Ram: “Não estou. Até o Barusu deve sentir caso se concentrar. Que a sala esvaziou-se.”
Alarmado pelas palavras de Ram, ele olhou ao redor do recinto.
Embora ela tivesse dito para se concentrar, Subaru não sabia nenhum outro método com o qual sentir a presença de um Espírito sem ser pegando ele nos braços, fazendo carinho na bochecha e dormindo junto.
Mas, como dito por Ram, ele não sentia mais as ondas gentis que estiveram envolvendo suavemente o seu corpo inteiro.
O desaparecimento do Espírito da『Sala Verde』parecia realmente um evento concreto――,
Ram: “Sendo esse o caso, deve estar relacionado àquela Arcebispa da『Gula』.”
Subaru: “――――”
Subaru não conseguiu negar a hipótese de Ram.
Ele também tinha pensado o mesmo. O Espírito da『Sala Verde』desapareceu e Rui Arneb apareceu em seu lugar. Talvez――,
Ram: “――. De qualquer forma, não devemos tirar conclusões precipitadas. Que esperemos Emilia-sama e Beatrice-sama retornarem. Quando voltarem――”
Iremos conversar outra vez sobre o que fazer com Rui.
Pensou que talvez seria com essas palavras que Ram prosseguiria.
No entanto, as palavras de Ram não tiveram prosseguimento.
Pois, antes mesmo do que elas――uma escuridão liquidante atacou a Torre de Vigia de Plêiades.
Subaru: “――hk!?”
Os corpos de Subaru e de Ram flutuaram como se uma grande explosão tivesse ocorrido sob seus pés.
Tendo sido logo depois lançado contra o teto e as paredes com força total, Subaru gritou de dor. Então, virou a cabeça para ver o que estava acontecendo e percebeu.
――Aproximava-se uma presença repulsiva que fazia o seu corpo inteiro se arrepiar.
Subaru: “Não pode ser…”
Levantou-se enquanto afastava o pressentimento que teve ― não deve ser isso. Mas os calafrios só aumentavam, tornando as suspeitas de Subaru algo cada vez mais definitivo.
Era o obstáculo que ele pensou que não deveria vir――na realidade, apesar de que não deveria ter sido capaz de ocorrer até este momento, tornou-se destruição massiva e ali chegou.
Subaru: “Patrasche! Pega a Ram――!”
Patrasche: “――ッッ!”
Prostrado no chão, Subaru segurou nos braços o corpo de Ram, que não conseguia se levantar, e a jogou rapidamente, entregando-a a Patrasche.
Mesmo toda coberta de feridas, Patrasche a segurou, supôs a intenção de Subaru e correu ferozmente em direção à entrada da sala.
Ram: “Barusu, seu ignorante…!”
Movimentada de modo tão egoísta, Ram resmungou, mas Subaru não tinha tempo para ouvi-la.
Firmou os pés no chão instável e correu imediatamente até Rem, deitada em uma cama de vinhas. Então, pegou-a no braços e seguiu Patrasche em direção à entrada da sala――,
Subaru: “――――”
――Logo antes de sair, de canto de olho, viu Rui rolando pela grama.
Subaru: “――hk! Ah, merda! Mas que merda!!”
Enquanto xingava furiosamente, Subaru manifestou força histérica em seu corpo exausto. Com Rem no braço direito, ele agarrou o braço de Rui com sua mão esquerda livre.
Ambas eram leves. Em uma situação emergencial como esta, podia carregá-las sem se importar com o peso.
Com as duas nos braços assim, Subaru estava prestes a zarpar da『Sala Verde』.
Subaru: “――――”
Como se para separá-lo da entrada, uma sombra negra atravessou o chão da『Sala Verde』e invadiu o recinto. ――Sim, a sombra negra.
O último dos cinco obstáculos, aquele que Subaru não quis acreditar que viria――a sombra negra da『Bruxa』que era obcecada por ele ― veio atacar a torre de vigia.
Subaru: “Ram――!”
Gritou Subaru, tentando levar apenas Rem para fora por uma brecha na sombra.
Mas a sombra negra tinha coberto toda a dianteira de Subaru, não deixando a mínima brecha. Além disso, a invasão da sombra negra não parou, engolindo não apenas a dianteira, como também os lados e a traseira.
Subaru: “Merda… mesmo a gente tendo chegado tão longe…”
Vendo a sombra se aproximar, Subaru procurou uma rota de saída, o seu coração estava tomado por frustração.
Se fosse engolido pela sombra, perderia a vida e acabaria forçado a『Retornar através da Morte』. Se fizesse isso nesta torre de vigia, contanto que o ponto de reinício não tivesse sido atualizado, Subaru recomeçaria com Rui Arneb ainda dentro de si.
Se isso acontecesse, seria novamente controlado pelo Arcebispo do Pecado que assumia a forma desta garota branca.
Precisamente por temer isso que ele usou toda a força que tinha, achando que este loop seria sua última oportunidade――.
Ram: “――Barusu! Ram pede que aguente firme! A Rem irá chorar!!”
Patrasche: “――ッッ!!”
As vozes desesperadas de Ram e de Patrasche saltaram do outro lado da sombra negra.
Ele inspirou para respondê-las, mas não conseguiu produzir nenhuma palavra.
――Pois, antes mesmo do que isso, a sombra negra engoliu Natsuki Subaru por completo.
――Envolvido pela vasta sombra negra, a consciência de Subaru flutuava lentamente na escuridão.
Subaru: “――――”
Sentia suas mãos, pés, sangue e carne ― o seu próprio ser ― se desintegrando e se transformando em conceito.
Engolido de algum modo por uma emoção excepcionalmente imensa, seu ser foi sendo revestido.
«――Eu te amo.»
Ouvia-se um sussurro de dentro da escuridão absoluta na qual não havia ninguém.
Essa pareceu uma voz muito familiar e a consciência de Natsuki Subaru se autodepreciou.
Acostumar-se com pessoas lhe dizendo “eu te amo” era quase a cara do cavaleiro refinado que em algum lugar estava sendo amado por seis Espíritos.
Infelizmente, Subaru não tinha toda essa força de vontade. O amor que podia oferecer também era o máximo que suas mãos e costas eram capazes. Esse já era um esforço que ia muito além da conta, mas:
Subaru: “Eu até queria ir além da conta…”
«――Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo»
Subaru: “Foi mal, mas não tem como eu responder. …Essas palavras são gatilho pra mim agora. Acabei de falhar em pegar na mão da pessoa que me disse isso.”
«――Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.»
Subaru: “…A gente não vai se ouvir. Então, me engole logo.”
No vazio sem nada, a esta altura, eram inexistentes as esperanças de escapar daqui com vida.
Sendo assim, Natsuki Subaru perderia a vida cruelmente na escuridão.
Aceitou isso, mas não com tristeza, transformou esse sentimento em raiva e determinação.
Subaru: “Quando eu voltar, o pior pode tá me esperando. A Rui vai tá com a cabeça no lugar de novo e pode tentar roubar o meu『Retorno através da Morte』outra vez.”
«――Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.»
Subaru: “Mas não vou perder não. Eu não irei perder. Eu vou lutar não importa quantas vezes. Vou lutar não importa quantas e quantas vezes. Dessa vez eu cumpro a minha promessa.”
«――Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.»
Subaru: “――Vou lutar não importa quantas vezes pelo dia depois de amanhã.”
As palavras “eu te amo” repetidas não o esmagariam.
Foi mal, mas o coração que essas palavras ferem já foi completamente ferido um pouquinho antes. Agora, um afeto desses não poderia prender Natsuki Subaru.
Mas as palavras de amor que se acumulavam não se importavam nem com essa rejeição de Subaru.
De fato, as palavras de amor cego avançavam para cobrir o mundo em si e a existência de Natsuki Subaru foi engolida pela escuridão――,
«――Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te…»
«――Chamo-me Volcanica. Em concordância ao pacto de outrora, pergunto o intento de vós que ao cume chegastes.»
No momento seguinte, uma luz azul intensa choveu de cima e atingiu diretamente a escuridão que envolvia o mundo.
Então, a luz violenta devorou por completo a escuridão, as cores do mundo de uma só vez mudaram――,
Mudaram――,
Muda… ram――.
Subaru: “Ugh…”
Com uma textura áspera roçando em seu rosto, Subaru abriu os olhos com um gemido.
Sua consciência lentamente emergiu. Junto dela, a visão embaçada do outro lado de suas pálpebras abertas foi gradualmente ganhando contornos definidos.
Mesmo nesse meio-tempo, a textura áspera ainda continuava na bochecha de Subaru.
Subaru: “Patra… sche… enten… di. Eu entendi. Tô acordado. Já tô acordado…”
Subaru forçou estas palavras para fora enquanto sentia algo o pressionando com o peso e lambendo seu rosto.
O quão exausto será que ele estava? ― a voz que escapava de sua garganta estava inacreditavelmente fraca; será que não tinha transmitido sua intenção com clareza? ― não parecia que esse contato físico ia parar.
Subaru: “Tá tão carinhosa… tô com a impressão de que você vai decolar pro topo na corrida pra ser a próxima heroína…”
???: “Aaauh?”
Subaru: “Aaa…uh?”
Engoliu a saliva em sua boca seca e formou palavras de alguma forma, recebendo uma resposta.
Porém essa resposta não foi o que Subaru esperava e ele enrijeceu a bochecha. Sua bochecha estava sendo lambida e o embaçado da sua visão lentamente clareou, revelando ali――,
???: “Uuuah…?”
――Rui Arneb estava montada sobre Subaru, lambendo o rosto dele.
Subaru: “Uou, ahhhh――!?”
Rui: “Uaah!”
Chocado por essa cena inconcebível, mandou Rui, diante de seus olhos, imediatamente pelos ares. Empurrada por esse movimento, ela gritou e rolou.
Vendo isso, Subaru desesperadamente arrastou-se para trás,
Subaru: “Q-q-q-que droga é essa, desgraçada!? Tá planejando o quê!? Vai zombar de mim de novo…?”
Rui: “Uuh, uuh? Uaah…”
Subaru: “Não me vem com uaah! O que é… o que é que deu… eu morri…?”
A voz de Subaru tremia enquanto ele a encarava atônito.
Ao seu lado, ainda deitada de costas na grama, Rui estava balançando os braços e pernas como uma criança e gemendo.
Não entendia as intenções dela. O propósito também――não, antes disso,
Subaru: “Onde que… a gente tá…?”
Sem desviar o olhar de Rui, confirmou como eram os arredores enquanto exercia cautela.
Com isso, o que lhe saltou aos olhos foi uma planície verde vibrante――o local parecia um amplo campo gramado com algumas flores aqui e ali balançando ao vento.
Subaru: “――――”
Um cenário impossível nas Dunas de Augria.
Sendo mais preciso, havia algo que lembrava um campo de flores nas áreas de habitação dos Ursos Florais, mas este não tinha sido criado artificialmente daquele jeito, o que havia aqui era claramente vegetação natural.
Conseguindo ver também uma floresta à distância, os pensamentos de Subaru ficaram confusos.
Este lugar não era as Dunas de Augria. Por outro lado, não parecia nem ser o『Corredor de Memórias』onde tinha enfrentado Rui.
Subaru: “A grama também é de verdade. O gosto também… blé, blé! É grama!”
Depois de verificar o cheiro e o gosto da grama que arrancou, Subaru confirmou que ela era real.
Então, olhando para suas feridas e para o estado de suas roupas rasgadas, averiguou os vestígios que tinham sido deixados da batalha antecedente――da batalha em torno da Torre de Vigia Plêiades.
Ou seja, aquela batalha aconteceu de fato e Subaru ainda não tinha morrido.
Ele foi engolido por aquilo, pela vasta sombra negra que tinha atacado a『Sala Verde』, e sobreviveu.
Subaru: “――É mesmo! Rem! A Rem…?”
Se Rui estava diante dele, a Rem que ele tinha carregado junto naquela hora também deveria estar.
Deixando Rui de lado, Subaru procurou por Rem na paisagem do campo. E logo encontrou o corpo dela deitado calmamente no meio da grama baixa.
Subaru: “Rem! Ah, que bom… você tá inteira, sã e salva…”
Tendo corrido até Rem, Subaru verificou que ela estava segura e caiu sentado no chão, aliviado.
Pelo visto, ela não tinha ferimentos visíveis. A sua temperatura corporal e a sua respiração calma também estavam como sempre. Aliviado do fundo do coração, Subaru limpou o suor da testa.
Subaru: “Ufa, tô tão aliviado. Se algo tivesse acontecido com a Rem, a Nee-sama ia me matar…”
Mesmo sem isso, Subaru não seria capaz de se perdoar e iria querer cometer suicídio.
Pensando nisso, ele disse “ainda assim…” erguendo a cabeça,
Subaru: “Onde a gente tá… e onde que tá a torre…? A Emilia e a Beako…?”
Ele olhou ao redor, mas não conseguiu verificar a existência da torre de vigia que deveria ser visível mesmo de longe.
Qualquer que fosse o lado que olhasse, o resultado era o mesmo.
Subaru: “Emilia――!! Beako!! Ram――!!”
Rui: “Uuh… aah!”
Mesmo sem vê-los, Subaru chamou por Emilia e pelos outros, esperando que houvesse resposta.
Mas sua voz ecoou em vão, não teve resposta exceto por Rui, deitada na grama. Essa realidade até o irritou, mas o verdadeiro motivo era não conseguir ignorar a presença dela.
Nesta situação, sem dúvidas não teria como lidar com o que quer que ela estivesse tramando, no entanto, sendo o único que poderia proteger Rem, Subaru levantou-se para lidar com Rui――,
“――――”
――Mas seu braço foi puxado gentilmente por alguém ao tentar levantar.
Subaru: “――Hã?”
Ajoelhado e prestes a se erguer, Subaru soltou um suspiro rouco.
A força do braço puxando a sua manga não era tanta. Mas ficou sem poder se mover.
Subaru: “――――”
Os joelhos de Subaru tremiam e o corpo inteiro dele começou a suar sem motivo aparente.
Foi realmente um impulso sem motivo aparente. Seus órgãos internos começaram a se mover de uma só vez, todo o ser de Natsuki Subaru foi abalado por esse fenômeno e estava ficando agitado.
Esse era um choque indescritível.
Esse era um sentimento tão avassalador que não havia comparação.
Esse era um tsunami cuja força nenhuma das surpresas que já experimentara neste mundo se equiparava.
“――Ah”
Lentamente, as pálpebras dela tremeram e começaram a se abrir.
Escondido atrás delas estavam olhos azul-claros tão cristalinos quanto lagos.
Amava eles, que vibravam de alegria.
Amava eles, que às vezes brilhavam de travessura.
Amava eles, que lhe apertavam o coração quando imploravam.
――Por tanto, tanto, mas tanto tempo ele esteve ansiando por esse brilho.
Subaru: “Re…”
Seu coração palpitava forte, sua garganta tremia e sua voz não se emitia, como se tivesse sido presa por algo.
Presa. Sim. De fato sim. Quantas emoções será que estavam presas neste seu peito?
Seja as palavras que queria dizer, seja os tópicos que queria discutir, seja os desejos que queria compartilhar, eles todos se acumulavam.
Buscando por eles, Natsuki Subaru――,
Subaru: “――Rem.”
Com os lábios trêmulos, chamou o nome dela.
Era patético como ele tinha falhado tantas vezes em fazer apenas isso.
Será que Subaru tinha conseguido dizer de forma clara a ela? Talvez ele ter pensado que conseguiu não tinha passado de ilusão e as palavras importantes não haviam sido transmitidas.
Com medo disso e respirando como se ofegante, Subaru repetiu várias vezes.
Subaru: “Rem, Rem… Reim, Remn… Re… m… Remn…!”
Cada vez que chamava o nome dela, lágrimas caíam sem parar de seus olhos.
Cada vez que as lágrimas caíam desse jeito, a figura dela ficava embaçada. Ele temia que, se a figura dela ficasse turva desse modo, ela escorregaria novamente de suas mãos.
Então, com sua face se ensopando de lágrimas e de muco, Subaru limpou desesperadamente o rosto com a manga, desesperou-se para não perder de vista o rosto dela.
Subaru: “――――”
Ela piscou calmamente diversas vezes e uma luz definitiva apareceu em seus olhos antes turvos.
Tendo chegado a este ponto, Subaru sabia que esta não era uma ilusão criada pelo seu desejo.
Ela――Rem ― estava realmente ali.
Rem: “――Ah.”
Os lábios de Rem se moveram debilmente, tentando formar alguma palavra.
Apenas ouvir um som rouco de sua voz fez o peito de Subaru quase explodir de emoção.
Há tanto tempo falava com o rosto adormecido dela e certificava-se de que ela respirava dormindo para ver se estava com vida.
Tendo jurado a si mesmo que a traria de volta sem falta, acolheu inúmeras manhãs e noites.
Mas, durante todo esse tempo, nunca ouviu a voz dela uma única vez sequer.
Quando fechava os olhos, lembrava-se das palavras que ela tinha dito, de como ela chamava o seu nome e de várias outras situações. ――Porém tudo isso era passado.
Queria, no agora e no futuro, ouvir a voz de uma nova Rem.
Esse desejo estava finalmente se realizando agora. Ele foi concretizado.
Subaru: “Re… m… tá tudo bem. Pode ir devagar…”
Rem: “――Uh”
Ela moveu os lábios de forma impaciente, resmungando.
Sendo sincero, Subaru deveria buscar nem que fosse um pouco de água para ela. Contudo, ele não via fonte de água por perto e não podia tirar os olhos dela.
Apenas uma palavra. Se ela chamasse o nome dele mais uma vez.
Se pudesse ouvir essa palavra, Subaru――,
Rem: “――Em é…”
Subaru: “…Rem?”
Rem foi movendo calmamente os lábios, procurando a umidade escassa que havia em sua boca seca.
Tendo umedecido a língua com a saliva que tinha secretado e recuperado algum mínimo de força, Rem abriu a boca.
Então, enquanto Subaru era amplamente refletido em seus olhos azuis――,
Rem: “――Quem é você?”
Subaru: “――――”
A voz produzida de seus lábios, atrelada a sons e significados claros, penetrou o cérebro de Subaru.
――Quem é você?
Subaru: “――――”
Caído de joelhos e olhando para o rosto de Rem, Subaru prendeu a respiração.
Depois, expirou amargamente o ar acumulado em seus pulmões e bateu com força no próprio peito.
Batendo mais e mais forte uma segunda e uma terceira vez, ele apelou a si mesmo.
――Devia estar esperando essa possibilidade.
Tinha pensado na possibilidade de Rem não se lembrar dele ao acordar.
Considerando a Autoridade da『Gula』, esse era um resultado natural. Era perfeitamente possível que faltasse o『Nome』ou as『Memórias』quando acordasse.
Sim, era perfeitamente possível. Portanto, não era algo que não tinha considerado.
Claro que isso não significava que o impacto e a dor para Subaru seriam zero.
Ainda assim, não tinha tanta pena de si mesmo a ponto de amaldiçoar o destino e ficar desesperado; nem de ficar irracionalmente raivoso e fingir ser o protagonista de uma tragédia.
Acima de tudo, já tinha sido dito a Natsuki Subaru.
«Por favor, mostre o quão impressionante você é. Subaru-kun.»
Subaru: “――O meu nome é Natsuki Subaru.”
Subaru cerrou os molares com muita força, baixou o rosto que estava prestes a chorar e contorceu as bochechas.
Limpou o rosto, deu o seu melhor para parecer confiante e sorriu para Rem.
Um sorriso característico de Natsuki Subaru, de igual maneira radiante e infundado.
Subaru: “Você pode ainda não se lembrar agora. Mas eu sou…”
Rem: “Você… é…”
Em resposta à pergunta rouca de Rem, Subaru interrompeu suas palavras e fechou os olhos com força.
Então, olhou de volta para os olhos azuis dela com seus olhos negros e continuou.
Subaru: “Eu sou o seu herói. ――Rem, senti a sua falta.”
Dizendo isso, Natsuki Subaru se declarou herói mais uma vez em prol da garota a quem tinha tinha um juramento.
Carregando a figura de um herói cheio de cicatrizes, por ela o rapaz declarou isso novamente.
――Mais outra vez, ele fez um juramento aqui. Em prol de começar sua história com ela do zero.
Fim Arco VI: O Corredor de Memórias
Comentário do Tappei Nagatsuki (05/11/2020 – 22/05/2022):
Certo. E com isso, concluímos o sexto arco de Re:Zero – Começando uma Vida em Outro Mundo, que demorou um bom tempo para ser finalizado.
Vocês podem estar pensando: ‘Quê?! A jornada não ficou, tipo, muito inconclusiva não?!’
Mas, como o arco muda claramente a partir daqui, esse foi o caminho certo a ser seguido.
A Torre de Vigia deixou vários mistérios em aberto, e Subaru e os outros foram enviados para sabe-se lá onde, então o que será que vai acontecer nessa situação?
Peço que aguardem ansiosamente pelo sétimo arco, que começará em breve.
Vou começar de forma mais tranquila depois de terminar o trabalho com o volume 25.
Então, espero contar com vocês logo depois!
7ª – Observações
Recebi a observação de que “é estranho que Emilia não saiba dos efeitos do Sangue de Dragão!”, então, eu pensei “puts, é verdade!” e por isso corrigi a parte correspondente.
Além disso, houve muitas observações sobre “Beatrice não lembrar da Rem”.
A cena no Arco 5, onde Subaru e Beatrice falam sobre os efeitos da autoridade da Gula, foi pensada para mostrar que “Beatrice não foi afetada enquanto estava na Biblioteca Proibida, mas depois que saiu, passou a ser”.
Portanto, Beatrice esqueceu da Rem no momento em que fez o contrato com Subaru e saiu da Biblioteca Proibida.
Se Beatrice lembrasse de Rem, a pessoa que Ram teria suas preocupações não seria apenas Subaru, mas também Beatrice, o que causaria uma confusão emocional, e isso não aconteceu.
Com isso em mente, agradeço.