– Meio dia antes de Garfiel correr até o abrigo.
Mimi: “~E então… Hetaro estava à beira das lágrimas, então Mimi não teve outra escolha a não ser segurar a mão dele. Ainda assim, Hetaro parecia muito solitário, então, Mimi sem escolhas, segurou a outra mão dele, e acabei segurando as duas mãos!”
Garfiel: “… é mesmo?”
Mimi: “~Sim, isso mesmo. E então, depois disso~ Missy parecia realmente feliz!~”
Mesmo tendo uma resposta desanimada, a pequena garota andando ao lado dele, lhe deu um sorriso e prosseguiu com sua história entusiasmada.
A garota ingênua tinha cabelos laranjas e olhos redondos. Garfiel estava se perguntando do por que dela estar se misturando com alguém de uma facção tão hostil como a de Emilia.
Ela estava assim desde que veio até Pristella. Ou melhor, até mesmo antes disso. Ela se apegou a Garfiel desde que foi até a mansão de Roswaal como mensageira.
Inicialmente ele achava e suspeitava que ela estava tentando obter mais informações a respeito do retentor mais forte de Emilia. Mas essa hipótese foi descartada há muito tempo devido ao testemunhar o comportamento de Mimi. Agora, Garfiel não fazia ideia do por que dela ter se apegado tanto a ele.
O “porquê” era impossível de se deduzir, e Garfiel confuso só pôde inclinar a cabeça curiosamente para o lado.
– Agora eles estavam calmamente juntos caminhando pelas ruas de Pristella no crepúsculo.
Nenhum dos dois havia sido convidado para um passeio; ao invés disso, Mimi apenas começou a seguir Garfiel quando ele se afastou para longe do hotel.
Embora ele desejasse estar sozinho para organizar seus pensamentos, Garfiel não tinha coragem de dar aquela desculpa apenas para se livrar dela. Oprimido pela ansiedade de Mimi, ele apenas caiu nessa conversa banal, enquanto tentava organizar seus sentimentos.
Mimi: “Garf~ sua expressão é estranha~. O que aconteceu? Foi algo divertido~?”
Garfiel: “Mesmo se algo divertido não tiver acontecido eu não posso permanecer feliz? Meu Incrível eu não quer falar sobre isso, e não há motivos e nem obrigação para falar sobre isso.”
Mimi: “Se você continuar falando sobre coisas muito complicadas como obrigações, você vai acabar como Joshua, não é? Mimi acha melhor relaxar e curtir as coisas! É melhor quando Garfiel se joga para trás~gargalhando e rindo~ feito um idiota.”
Garfiel: “Cê está dizendo que eu pareço um idiota?”
As palavras exageradas de Mimi não eram muito confortantes, e Garfiel arregalou os olhos e mostrou os dentes afiados bem abertos com uma expressão espantada. Ela soltou um “ah~” e saiu correndo. Ela parou um pouco longe rindo enquanto esperava que ele a alcançasse, parecendo esquecer da conversa que teve com ele a pouco. Garfiel ficou incrédulo que ela tenha dito a ele que ele parecia ser o tipo de cara que sempre ria como um idiota.
A mais ou menos uma hora atrás, Garfiel havia desafiado o Santo Espadachim, Reinhard para uma batalha.
O homem mais forte do reino – ou como alguns diriam, o ser mais forte do mundo.
Antes de seu confronto contra o Espadachim, Garfiel havia ouvido um pouco sobre Reinhard de Subaru.
Reinhard era um amigo, um benfeitor, e de uma forma mais complexa, um rival de Subaru. Encontrá-lo neste lugar foi uma surpresa inesperada.
Por meio de sua conversa, Subaru revelou que havia se resolvido com sucesso em relação ao seu constrangimento anteriormente. Desde que a queixa se dissipou, Garfiel não sentiu mais nenhuma obrigação em particular.
O título do ser mais forte tinha um significado muito grande para Garfiel.
Para ser o mais forte. Para presenciar seu crescimento em se tornar o mais forte. Para se esforçar até se tornar o mais forte.
Garfiel acreditava que, assim que o homem nascesse, seu primeiro grito colocaria isso como um objetivo claro e elevado.
Todos, sem exceções, pelo menos uma vez desejaram e sonharam em se tornar os mais fortes enquanto caminhavam pela longa estrada conhecida como vida.
Mas um dia todos iriam esquecer daquele sonho, exceto Garfiel.
Esse sonho se enraizou em seu coração e foi a fonte da motivação e persistência de Garfiel ao longo de seu caminho. Para ele, herdar o título do mais forte era uma combinação de seu objetivo, algo que herdou desde o seu nascimento, junto de uma combinação indispensável que lhe permitia guardar o desejo de proteger a todos.
Portanto, diante do homem intitulado como o mais forte, Garfiel não reprimiu sua força demonstrando suas garras e dentes afiados.
Ele foi até Subaru e recebendo a permissão para confrontar Reinhard, deu tudo de si.
O Santo Espadachim parecia estar muito distante de ser o homem mais forte. já que ele dava a impressão de ser apenas um homem gentil de boa aparência que não tinha proezas marciais.
No entanto, Garfiel sabia que as pessoas mais poderosas eram capazes de esconder seu próprio poder. Deixando de lado sua própria tendência ao agir, a maioria das pessoas fortes não aparentavam ser fortes ao realizar suas atividades diárias. Roswaal e Subaru eram assim.
Ele julgou que Reinhard estava no mesmo campo que eles.
– A disputa ocorreu em um pátio, dentro do hotel em que se hospedavam, coberto de cascalho.
Recusando a proposta de Garfiel de deixar o hotel para um terreno maior em algum canto da cidade, por medo de causar danos ao redor, Reinhard se contentou apenas com a luta localizada dentro do hotel.
Para Garfiel, isso só poderia ser considerado humilhante. Mesmo que ele fosse o homem mais forte, Reinhard estava subestimando Garfiel mesmo não o conhecendo direito. Desejando imediatamente forçá-lo a se arrepender de sua arrogância humilhante, Garfiel o confrontou diretamente.
A batalha aconteceu no pátio, onde Subaru havia sido o responsável por dar a ordem marcando o início da partida. Garfiel mostrou as presas, pensando apenas em lançar o metal em seus pulsos no herói carmesim.
E no mesmo momento, esse pensamento desapareceu quase instantaneamente. O homem à sua frente podia se mover mais rápido que o vento, agindo num piscar de olhos.
Até aquele momento, sua atmosfera gentil não havia sumido, ainda mostrava a expressão de um homem elegante e gentil. No mesmo instante, ele se dissipou para revelar uma lâmina bem afiada.
Uma pessoa comum não seria capaz de ter a sensação de sentir o estado natural e afiado do cavaleiro, sentindo como se ele próprio fosse uma espada.
Até certo ponto, se uma pessoa soubesse pouco sobre artes espirituais, esse sentimento se manifestaria como se uma opressão esmagadora espremesse todo o seu corpo.
Mas Garfiel não era assim.
Garfiel era forte.
Percebendo que seu corpo tão natural estava tremendo sob a pressão de seus órgãos, Garfiel uivou para afastar sua hesitação enquanto avançava para cima de Reinhard.
O ataque não era pra ser letal, e eles igualmente concordaram em não causar ferimentos graves – e esquecendo desse acordo mútuo, Garfiel mirou na garganta de Reinhard com suas garras afiadas, tentando causar um golpe decisivo.
E naquele momento, antes que seu golpe pudesse acertar seu alvo, elegantemente seu corpo foi pego no ar, e em seguida Garfiel finalmente entendeu a diferença e disparidade em sua força.
Garfiel: “Eu perdi…”
Depois disso, apesar de lançar vários ataques ofensivos de vários ângulos, Reinhard evitou casualmente todas as táticas de Garfiel.
Além disso, Reinhard havia evitado todos seus ataques, sem nem ao menos dar um passo para trás desde o início da luta, mantendo sua postura intocada.
Em outras palavras, Garfiel havia exaurido todas as suas forças apenas contra a parte superior do corpo intacto de Reinhard.
Depois de ter recebido um golpe repentino e forte, lançando-o sob o ar, Garfiel assumiu sua derrota.
O cavaleiro nem ao menos tocou sua espada, cuja área era sua especialização. Ele foi capaz de derrotar Garfiel a punhos nus.
O que Reinhard e Subaru disseram logo depois disso, Garfiel não se lembrava.
Ser tão ingrato ou relutante a ponto de não querer aceitar sua derrota não era uma impressão que Garfiel queria transmitir. Ele apenas deixou o hotel sem muitas delongas.
Neste momento, ele foi incapaz de ordenar seus sentimentos enquanto eles eram varridos por um redemoinho avassalador.
Sendo estrangulado por suas emoções, Garfiel procurou por uma resposta sozinho, enquanto caminhava pela cidade das comportas – e enquanto alguém o conduzia freneticamente,
Mimi: “Garf~ Garf~, Veja! Dê uma olhada! O pôr do sol está totalmente refletido na água. É super~vermelho! Isso é Incrível! Surpreendentemente lindo!”
Enquanto a seguia, Garfiel foi conduzido pela garota barulhenta, puxando sua manga, e ele não teve outra escolha a não ser segui-lá.
Graças a ela, ele conseguiu sair do hotel, mas em momento algum teve tempo para pensar.
Garfiel: “Ei, desde o começo cê tem sido muito barulhenta, pode se acalmar um pouco, anã?”
Mimi: “Ahhh… não!”
Garfiel: “Uma resposta imediata!?”
Ela agarrou os pulsos de Garfiel, correndo e girando. Tendo seus pulsos presos, com uma pressão inesperadamente forte, Garfiel girou em círculos com ela.
A ideia de fugir na velocidade da luz passou pela sua mente, mas ele não sabia se o sangue de demi-humano dela lhe daria vantagens na corrida. Mimi certamente poderia acompanhar a fuga de Garfiel.
Além disso, ele certamente se destacaria, e ele gostaria de evitar conflitos.
Antes de sair da mansão, Frederica e Ram lembraram-no repetidamente que incomodar Emilia ou Subaru por causa de sua própria peculiaridade seria de fato um mau exemplo. O único que ele poderia incomodar era Otto, que era considerado um irmão mais velho que estava acostumado a lidar com suas travessuras.
Garfiel: “Haha.”
Mimi: “Oh~ Oh~ O que há de errado, Garf~? Existe algo te incomodando?”
Garfiel: “Cê tá querendo dizer, algo irritante, certo?!”
Mimi: “Sim, irritando! O que aconteceu? Fale sobre isso~, Fale sobre isso!~”
Mesmo que quisesse, ele não conseguia falar abertamente sobre si mesmo para Mimi, e ela certamente o acertou várias vezes na lateral de seu corpo com um “Ei, eiii”. Considerando sua forma pequena e estranha, Garfiel sacudiu-se para fora de seu mal estar.
Ele se inclinou para a direção do rio, apreciando a vista.
Garfiel: “Ah… é realmente uma cena comovente.”
Mimi: “Não é? Isso é incrível!~ Surpreendente!”
O reflexo do sol poente na água foi de fato uma cena brilhante e inspiradora. A água cintilante estava coberta por uma luz amarelada, e o céu coberto pela cortina do pôr do sol laranja.
Tendo percebido isso, Garfiel sentou-se na beira do rio, observando-o ir lentamente junto dos veleiros.
Mimi: “Hmmm~ hmm~ hmm~”
Sentando-se ao lado dele, Mimi balançou os pés alegremente enquanto cantarolava uma melodia.
Embora seu comportamento fosse extremamente travesso, ela agora estava se comportando bem. Agarrando os ombros semi-nus de Garfiel, ela balançava a cabeça alegremente.
Olhando de lado para o rosto feliz dela, ele percebeu que a cor do cabelo de Mimi combinava exatamente com o tom alaranjado do pôr do sol. Ele inconscientemente estendeu a mão para acariciar a cabeça dela, e com isso Mimi pareceu satisfeita, inclinando-se para o lado com seu toque.
Mimi: ” É Fofo? A cabeça de Mimi~ é frequentemente tocada por missy também! Ela me acaricia e chama isso de algo como um ‘ídolo de cura’.”
Garfiel: “Ah, é realmente confortável. O ‘idolo de cura’ ou o que quer que seja, o capitão às vezes diz coisas como… isso.”
Mimi: “Garf, você ainda está irritado?”
Garfiel: “Estamos falando de outra coisa agora!”
Mimi: “Hã?”
Enquanto Mimi inclinava a cabeça, Garfiel riu inadvertidamente ao ver o rosto que era a imagem da própria inocência dela.
O alívio começou a florescer em seu peito, levando embora o sentimento de que era mesquinho e impotente. E ali um sentimento que era de humilhação foi substituído por determinação.
Garfiel: “… ser o mais forte de uma hora pra outra não é possível. Meu eu incrível ainda está em uma jornada para procurar e encontrar minha meta e objetivo.”
Mimi: “Ooh~, então você está subindo os degraus da escada para chegar ao topo e ser o melhor!~”
Garfiel: “Parece que cê entendeu muito bem. Sim, essa é a maneira mais correta de alcançar o topo e se tornar ‘o mais forte’.”
Mimi falou animada, e Garfiel tocou a cicatriz em sua testa.
Embora sua tagarelice fosse irritante, ela conseguiu animá-lo. Se ele estivesse sozinho neste momento, provavelmente ele ainda estaria se lamentando melancolicamente.
Felizmente a companhia de Mimi acabou sendo bastante útil.
Garfiel: “Ei, anã, já que estamos aqui, por que não vamos comer em alguma barraca por aí? Vai ser um prazer tê-la comigo.”
Mimi: “Ei, Garf~, veja!”
Garfiel: “Hã?”
Com esse chamado, Garfiel se levantou ficando de pé enquanto dava tapinhas no traseiro.
Mimi ainda permanecia sentada à beira do rio e seu grito repentino chamou a atenção
de Garfiel enquanto ele seguia o olhar dela.
Do outro lado da hidrovia, as cordas de um barco a vela se soltaram, deixando o barco encalhado quando começou a deslizar e fazer seu curso pela hidrovia. Estava navegando sozinho, no entanto o problema não era ali.
Mimi: “Ei, crianças!”
Mimi soltou um grito de alerta alto naquela direção, onde cinco crianças brincavam em um outro barco que estava à frente do visto por Mimi. As crianças estavam tentando se inclinar em direção ao barco à deriva.
As crianças não perceberam a aproximação do outro barco. Se colidissem, o barco a frente poderia virar derrubando as crianças no rio.
Sob o grito de Mimi, as outras pessoas ao redor do canal perceberam o perigo. Um dos proprietários do barco voou em direção às crianças em pânico, ainda assim ele não chegaria a tempo.
Ouvindo as vozes estridentes de seus espectadores, as crianças finalmente perceberam a situação e entraram em pânico ao perceber a repentina aproximação do barco. Então–
Garfiel: “Ei, crianças. Agradeça à gata anã ali que notou cês.”
Mimi: “Garf~!”
Ele imediatamente saltou sob o barco mantendo um equilíbrio perfeito ao pousar. Para as crianças, o silencioso Garfiel só poderia ser um milagre que caiu dos céus.
Com um sorriso torto, as crianças enjireceram diante da presença intimidadora do estranho homem loiro assustador. Enquanto o pânico diminuía, Garfiel pegou as cinco crianças em seus braços, pulando novamente eles pousaram em uma calçada perto da hidrovia enquanto os barcos se colidiam violentamente, virando o barco das crianças.
Garfiel, por ter segurado habilmente as cordas que conectavam os barcos, evitou uma reação em cadeia de colisões que teriam causados uma série de barcos afundados.
Restringir o movimento do barco virado evitou que os outros barcos fossem acertados, sendo assim, ele evitou que o barco virado se desviasse ainda mais de seu percurso e minimizou os estragos na área.
Garfiel: “Certo, isso deve resolver o problema.”
Depois de ancorar as cordas, Garfiel terminou seu trabalho, com um alvoroço de vivas e aplausos vindos das testemunhas.
Um dos armadores, que deveria estar monitorando as condições e as situações do barco, abaixou a cabeça para expressar sua gratidão, o qual Garfiel acenou com a mão parecendo tímido.
Então,
Criança: “O-Onii-chan, muito obrigado!”
Garfiel: “Ah?”
As crianças agora resgatadas se reuniram ao redor de Garfiel para expressar palavras de gratidão.
Elas haviam perdido as expressões tímidas de antes presentes no barco apenas para olhar Garfiel agora com expressões brilhantes.
Diante disso, Garfiel começou a sentir que seu humor melhorava enquanto esfregava o nariz.
Garfiel: “Não há necessidade de nada disso. Aconteceu por acaso… Minha incrível personalidade foi guiada aqui através dos destinos predestinados do vento. Afinal aqui é a Cidade das Comportas de Água… Se alguém começasse a derrubar lágrimas, haveria aqui uma enchente, não estou certo?”
Os aplausos começaram a se acalmar quando Garfiel deu uma resposta complacente. Os aplausos também se tornaram intermitentes. Mas ao contrário dos adultos, as crianças fizeram expressões dramáticas.
Crianças: “Uau, que Incrível!” Tão legal!~”
Garfiel acenou em satisfação com a cabeça ao ver as crianças animadas. Então, um deles ansiosamente fez uma pergunta.
Criança: “Irmãozão, qual é o seu nome?”
Garfiel: “Não vale a pena mencionar. No entanto, questionei sobre isso… meu incrível eu é um tigre. Sim, um tigre… um GORGEOUS TIGER!!
Crianças: “GORGEOUS TIGER!”
Garfiel fez uma pose inclinando-se para trás com as mãos estendidas para o céu. Com os olhos brilhantes, as crianças soltaram gritos abafados de excitação enquanto o imitavam.
Enquanto Garfiel compartilhava de sua alegria com as crianças ao redor, Mimi correu para perto com os olhos também brilhosos.
Mimi: “Garf é tão legal!”
Ela correu para se juntar às fileiras de crianças que se aglomeravam em volta de Garfiel.
As risadas encantadas das crianças, de Mimi e Garfiel ecoaram pelos cursos de água crepúsculares.
– Os aplausos e os gritos haviam se dissipado, deixando apenas o armador solitário os contemplando com um sorriso no rosto.
(N/T: Aqui optamos por manter “Gorgeous Tiger”, devido a esse trecho estar escrito em Katakana (ゴージャス・タイガー, “Gōjasu Taigā”). O mesmo acontece com “Invisible Providence” e outros termos que irão aparecer mais pra frente. Uma tradução literal para “Gorgeous Tiger” seria “Tigre Grandioso”, “Tigre Deslumbrante” ou “Tigre Esplêndido”.)
Garfiel saltou com energia enquanto compartilhava lanches com as crianças em uma barraca de lanches.
Garfiel: “Então, meu eu incrível disse a eles: ‘Agora não vou deixar cê se aproximar nem mais um passo para frente, sua escória inferior! Aqui é território do capitão, e cê já está sob cativeiro!’ Hah!”
Criança: “Uau, isso é tão legal!”
Mimi: “É incrível~! Garf é tão legal!~”
Enquanto Pristella era invadida pelo brilho do pôr do sol, Garfiel compartilhou histórias do ano passado com Mimi e as outras crianças.
O que ele acabou de descrever foi um dos eventos mais impressionantes que aconteceram naquela época, os eventos a caça à aranha no solo.
Uma vila próxima a mansão teve um surto conhecido como aranhas do solo, e de alguma forma, Subaru, Otto e Garfiel foram encarregados de enfrentar a cruzada contra eles, em uma combinação perfeita de intrigas entre os três.
Uma das crianças resgatadas ouviu com alegria as lembranças dele. Era uma criança com cabelos loiros, apenas com cerca de sete ou seis anos de idade.
Ele tinha feições adoráveis e um lindo rosto sorridente que certamente um dia atrairia suspiros apaixonados das mulheres. Mas agora, ele era apenas uma criança feliz admirando o modo rotineira da vida de Garfiel.
Depois de comprar lanches para as crianças, Garfiel decidiu escolta-las em segurança até suas casas, uma por uma. Quatro dos cinco meninos voltaram para casa ilesos. O que significava que faltava apenas esse menino.
Garfiel: “Com apenas um pequeno grupo, cê não acha que veio muito longe apenas para brincar?”
Enquanto eles desfrutavam da viagem atenciosamente até a casa da criança, Garfiel franziu a testa.
A aventura das crianças os levaram ao cruzamento da primeira com a segunda rua, que era perto onde se localizava a sede da companhia de Kiritaka Muse.
E enquanto caminhavam, Garfiel não pôde deixar de pensar que eles haviam se afastado demais de suas casas.
Na verdade, eles vieram do terceiro distrito sem desvios, a viagem levaria quase uma hora de caminhada para ser concluída.
A criança riu em resposta.
Criança: “De vez em quando, a Cantora vai ao parque do primeiro distrito. Estávamos procurando por ela!”
Garfiel: “Urgh… é sério? O capitão disse que o canto dela é muito poderoso, mas meu eu incrível tem certa desconfiança.”
Esfregando o nariz, Garfiel achou difícil confiar nas palavras da criança.
Garfiel só encontrou a cantora Liliana uma vez, na sede da companhia Muse. E, mesmo sendo uma breve comunicação, foi o suficiente para ter deixado um grau significativo de impacto sobre ele. A impressão inicial que ele teve sobre a cantora era extremo.
Liliana era, sem dúvida, uma garota de personalidade forte. No entanto, essa “força” era indiferente e incompatível com a impressão comum de um bardo puro e honesto.
Mimi: “Garf~, você realmente nunca ouviu o canto da Cantora? É realmente muito poderoso!~”
Garfiel: “Hah? Cê já, anã?”
Mimi: “Sim!~ Felizmente eu não adormeci até o fim da apresentação!~ Mimi é tão forte! Louvado seja Mimi!~”
Garfiel acariciou a cabeça de Mimi obedientemente, e ela soltou um “Sucesso!” e saiu correndo, antes de se virar com expectativas nos olhos e fazer sua pergunta ao garoto do lado de Garfiel.
Mimi: “Então, você ouviu a Cantora cantar?”
Criança: “Não, mas sentimos falta dela. E como nós já havíamos percorrido todo o caminho até aquele distrito, estávamos nos cansando…”
Garfiel: “Ah, então é por isso que cês estavam navegando por aquele barco sobre o rio? Sorte de vocês que eu estava lá.”
Criança: “Gorgeous tiger!”
Garfiel: “Há!”
Enquanto o menino estendia a mão para os céus, como se estivesse adorando um deus, Garfiel imitou seu movimento. Essa foi uma referência ao Gorgeous tiger.
Energicamente eles brincaram juntos, mas a criança logo deixou seu braço cair em desânimo com um suspiro cansado. Vendo isso, Garfiel inclinou a cabeça para o lado.
Garfiel: “Por que você parece tão cansado? Não fique deprimido, desse jeito sua felicidade irá embora, sabe.”
Criança: “Bem… é que quando eu chegar em casa, minha irmã provavelmente vai ficar brava.”
Garfiel: “O quê?”
Quando o menino revelou seu medo causado por sua irmã, Garfiel teve uma reação exagerada, e agarrando os ombros do garoto ele perguntou ansiosamente.
Garfiel: “Desculpe, mas por que ela ficará brava?”
Criança: “… porque eu fugi.”
Garfiel: “Ah…”
Pelo que parecia, o menino havia esquecido de dizer a sua irmã que estaria com seus amigos hoje. E como supunha, sua família provavelmente devia estar muito frustrada e preocupada.
Esse tipo de sentimento não era estranho para Garfiel. Como irmão mais novo, a presença de sua irmã sempre se destacara, agindo da mesma forma que qualquer outra irmã mais velha sempre agiria. A rigidez dela o aterrorizava.
Mesmo depois de dez anos de separação, depois que ele cresceu, o medo de perder aumentou ao invés de diminuir.
Garfiel: “Entendi… Não te deixam em paz.”
Criança: “… hã?”
Garfiel deu um tapa no peito orgulhoso quando o menino revelou seu choque.
Tentando aliviar a tensão e pressão do menino, Garfiel sorriu mostrando suas presas afiadas.
Garfiel: “Ter medo da irmã mais velha é algo com que eu estou familiarizado. Se sua irmã assustadora vier correndo pra cima de cê, meu eu incrível te protegerá.”
Criança: “Irmãozão!”
A criança de estado emocional abalado abraçou Garfiel com força. Mimi se juntou ao abraço, agarrando Garfiel por trás.
Desta forma, sendo segurado pela frente e trás pelos dois, Garfiel retomou sua determinação e lutou com eles fortemente enquanto continuavam sua jornada.
O pôr do sol estava realmente se aproximando, e certamente eles não voltariam a tempo para o jantar, ainda assim, hoje não havia sido um dia ruim.
Não importa como ele enfrentasse as coisas, ele nunca conseguiria jantar calmamente no mesmo salão ao lado de Reinhard. No entanto, após uma noite de descontração e reflexão, ele seria capaz de lidar com isso no dia seguinte.
Isso tudo foi graças as crianças que acreditavam e admiravam o Gorgeous Tiger, assim como a atitude alegre e descontraída de Mimi.
???: “FRED!”
Uma voz ensurdecedoramente aguda atacou repentinamente os ouvidos de Garfiel.
Ele ergueu a cabeça surpreso e avistou a figura de uma garota correndo em sua direção. Ela tinha os cabelos elegantemente loiros e longos e estava olhando fixamente para o garoto com Garfiel.
Criança: “… Irmã.”
Irmã: “Você… o quão preocupados você vai nos deixar? Pretende fazer isso até se sentir satisfeito?!”
A garota saltou para frente afim de acertar um chute flexível em seu irmão, cujo corpo voou suavemente para trás evitando o golpe.
Garfiel, que testemunhou aquele ato, ficou paralisado pelo choque impedindo-o de conseguir dar uma resposta adequada à bela garota à sua frente, que pousou no chão perfeitamente.
Durante esse meio tempo, ela lançou um olhar penetrante e rígido para Garfiel, e cravou o calcanhar em seus pés.
Irmã: “Seu ser altamente suspeito, o que você quer do meu Fred?”
Garfiel: “Gah… primeiro mexa seus pés, anãzinha.”
Enquanto ele enfrentava o turbilhão de dor de seu ataque e de suas palavras raivosas, Garfiel falou firmemente. Vendo que seus ataques preventivos não causaram nenhum dano, a garota recuou com uma expressão tímida.
Embora ela estivesse esperando que Garfiel ficasse com raiva, ele ainda estava longe de atingir seu limite. Ele em vez disso ainda estava surpreso.
Ele nunca tinha imaginado que realmente haveria uma irmã que indiscriminadamente atacasse seu irmão mais novo, com chutes violentos.
A propósito, o menino que havia sido chutado pela irmã, teve seu impacto suavizado.
Com um “Ei!~”, Mimi voou em direção a ele, abraçando-o e pousando levemente. Evitando o ataque da garota.
Vendo isso pelo canto dos olhos, Garfiel deu um suspiro, e vendo essa reação
Irmã: “O que há com essa atitude…? Se você tem algo a dizer, apenas diga, e não ouse fazer nada comigo ou com Fred, caso contrário…”
Garfiel: “Em primeiro lugar, acho que há algum mal entendido aqui. Além disso, não voe em direção ao seu irmão assim. Cê pode acidentalmente causar uma lesão grave nele, não é?”
Irmã: “Hah…”
Agachando-se e ficando na mesma altura que a garotinha, Garfiel fixou seus olhos nos dela e falou baixinho.
A irmã mais nova do menino também era jovem – devia ter apenas uns 10 anos de idade.
Sua nitidez inicial havia desaparecido e sua expressão de raiva se transformou em uma de choro, tendo ouvido a resposta calma e firme de Garfiel.
O que ela disse era certamente um blefe, mas com certeza ela reuniu toda força e coragem para enfrentar Garfiel. Em certo sentido, a coragem dele de enfrentá-la a deixou ainda mais assustada, em uma infeliz reviravolta.
Fred: “Ah… Gorgeous Tiger, por favor, não fique muito zangado com minha irmã.”
Incapaz de suportar em ver sua irmã triste e trêmula, o menino limpou a poeira de seu corpo e ficou atrás dela, implorando a Garfiel. A expressão da menina mostrou que sua autoestima foi ferida por súplicas e apelos feitos pelo seu irmão, mas ela ainda tinha a dignidade de tentar proteger seu irmão de Garfiel. Embora ele não soubesse o que estava acontecendo de início, ele pôde perceber que o relacionamento entre eles não era ruim.
Garfiel: “Então meu eu incrível agora parece um cara mau. Isso é meio desagradável de se ouvir.”
Mimi: “Ser um cara mau não é bom, Garf!~ Em vez disso, seja o Gorgeous Tiger!”
Mimi saltou e cutucou a cabeça de Garfiel. Embora não tenha doído, foi um golpe bastante intrigante.
O confronto inútil entre os dois irmãos e Garfiel permaneceu. Assim como ele se perguntou quanto tempo isso iria durar.
???:” Crianças, onde vocês estão?”
A voz que quebrou o impasse entre o grupo veio de outra pessoa.
Ao ouvir aquela voz gentil e acolhedora, os dois irmãos se entreolharam. Garfiel observou a figura dos dois correrem em direção a voz.
Irmã e irmão chegaram na esquina logo a frente, onde lá uma mulher apareceu. Eles voaram na direção dela sem hesitar.
A mulher alta e loira era mais que provável ser a mãe dos dois.
Fred: “Mãe!”
Irmã: “Mãe, Fred estava andando com aquela pessoa suspeita…”
A irmã mais velha se agarrou ao vestido da mãe, enquanto soluçava, enquanto o irmão mais novo defendeu a existência e inocência de Garfiel.
Depois de ouvir as divagações das crianças, a mulher sorriu.
Ela deu um passo à frente, com seus filhos ainda agarrados a ela.
Mimi: “Garf!?~”
Garfiel congelou, e Mimi se virou para examiná-lo.
No entanto, Garfiel foi incapaz de responder ao chamado preocupado de Mimi. Seu coração caótico, mais confuso do que nunca, não tinha forças nem energias para isso agora.
Afinal, a pessoa que estava a sua frente era,
???: “Meus filhos parecem ter sido bem recebidos, minhas sinceras desculpas. Se possível você poderia me contar o que aconteceu?”
Ela falou em um tom calmo e suave, que não continham ligação alguma com malícia ou suspeita.
Com alguns passos, ela ficou frente a frente com a fera. Quando Garfiel estremeceu com sua presença, ela inclinou a cabeça parecendo confusa.
Aquela expressão, com aquela atitude, com sua doce voz, tudo isso agarrou Garfiel como garras afiadas que o perfuraram por dentro, causando um tremendo choque.
Garfiel: “Mãe…?”
Um murmúrio rouco e sem forças saiu de sua garganta.