???: “Me desculpem, eu não esperava convidados, então não tive tempo de limpar.”
Mimi: “~Hmm, nós não nos importamos~ está muito limpo. O quarto de Mimi é bem mais caótico.”
???: “Ah, isso não é bom para uma garotinha como você.”
A mulher acariciou casualmente Mimi, que estava sentada no sofá balançando os pés casualmente, parecendo muito confortável.
Imerso nessa cena, Garfiel olhou silenciosamente para a mulher. Seus longos cabelos loiros caíam até a cintura, sua pele era branca como a neve, seu corpo esbelto mantinha a suavidade de uma mulher que aparentava ter 25 anos, embora ele acreditasse que ela tinha mais que 35. E seu rosto macio exibia um par de claros e calmos olhos verde-esmeralda.
Não importava como toda a situação parecesse, isso não correspondia às expectativas de Garfiel, que agora era a fonte de sua confusão,
???: “Senhor Tigre, o chá não está do seu gosto? Desculpe, não perguntei o que você gostaria de beber…”
A mulher que se apresentou como Reala Thompson, franziu o cenho para o silencioso Garfiel, que foi abalado pela sua voz. Ele olhou para seu chá preto intocado e rapidamente pegou a xícara enquanto a examinava.
Garfiel: “Ah, não, eu estava apenas pensando em como aqui é um lugar anormalmente grande, apenas isso, mas o chá está realmente muito bom.”
Reala: “Ah, é mesmo? Fico feliz que tenha gostado, minha família é bastante grande então é bem mais confortável ter um espaço maior, mas isso torna a limpeza mais difícil. Lamento, parece que fui descuidada de novo.”
Reala aceitou os pedidas de desculpas de Garfiel e respondeu com sua voz doce e suave.
O grande pátio em sua casa e o acabamento requintado refletiam sua declaração. Seu sorriso, seu tom de voz. Deixando ele em estado de Nostalgia.
No entanto, vendo a reação da mulher, Garfiel sentiu uma dor percorrer seu peito.
Reala não disse uma só palavra sobre o olhar de Garfiel. Este detalhe por si só prendeu o coração dele.
A mulher que afirmava ser Reala Thompson parecia exatamente com Reshia Tinsel, mãe de Garfiel, que estava claramente gravada em sua mente.
Eles haviam sido separados ainda quando Garfiel era um bebê, e as memórias que ele tinha dela eram vagas. Mas mesmo assim, ele se recordava dela desde que passou pelos testes detestáveis no santuário. Lá ele testemunhou a despedida de sua mãe.

Seu rosto, sua voz, seu amor, Garfiel conhecia todos eles da Provação. E naquela Provação que Echidna havia mostrado a ele, a infeliz morte que sua mãe sofreu após sua partida do Santuário. Então para Garfiel, ver sua mãe novamente era um sonho impossível.
No entanto, a presença daquela mulher fazia ele sentir algo que não sentia desde quando era bem novinho, um sentimento bom, de conforto e carinho.
Reala: “Mimi-san, seus ouvidos parecem tão macios. Posso tocá-los?”
Mimi: “Claro, por favor, vá em frente.”
Reala estendeu a mão alegremente, acariciando os ouvidos de Mimi com um olhar de satisfação. Mimi respondeu com um sorriso, parecendo o de uma jovem criança inocente. Para Garfiel, essa mulher simplesmente não tinha um senso de cautela, colocando dois estranhos dentro de sua casa. Tais atitudes foram, para Garfiel, todas associadas à maternidade.
Sua mãe, Reshia, era uma pessoa bastante infeliz. Os pais dela perderam tudo o que tinham por causa das dividas, e a venderam para um grupo de comerciantes de escravos, que foram emboscados por bandidos Demi-Humanos, os quais fizeram de Reshia sua concubina.
Em algum lugar ao longo do caminho, ela ficou grávida de Frederica. E os bandidos a venderam mais uma vez para outro bando de ladrões, e ela conviveu um bom tempo com eles.
Frederica cresceu dentro daquele regimento de ladrões. Embora raramente falasse desses tempos, ela considerou a partida de Reshia um motivo de agradecimento, o que levava a crer que foi uma época bastante dura para ambas.
Sofrendo infortúnio atrás de infortúnio, ela foi resgatada pelo curioso Roswaal.
Roswaal lhe fizera uma proposta; ele os levaria para o santuário, onde receberiam segurança e abrigo. E lá Ryuzu se tornou sua guardiã.
O tratamento da vida para com ela, só poderia ser dito como “cruel”.
No entanto, a personalidade de sua mãe era desconhecida para aqueles que apenas ouviam as histórias. Quem realmente conhecia sua mãe nunca daria a sua vida uma avaliação tão infeliz.
Ryuzu: “Oh, Reshia, aquela criança sempre foi otimista em relação ao futuro. Apesar de sofrer muito, o que faria qualquer um desistir da vida, ela sempre dizia: ‘Talvez alguma coisa boa aconteça amanhã. Mesmo que hoje tenha sido difícil, amanhã talvez, algo de bom aconteça’. Ela sempre ansiava pelas pequenas coisas felizes da vida, como uma criança.”
Frederica: “Nossa mãe pode até ter sido uma mulher tola, que não soube enfrentar seus problemas de frente, e desistiu facilmente de seus objetivos, mas… ela era incrivelmente gentil e guerreira, ela é a pessoa que mais admiro nesse mundo. Tenho orgulho de ser sua filha, do fundo do meu coração.”
Roswaal: “Hmm? Reshia-san? Sua mãe? That’s riiight, embora eu nunca tenha tido a oportunidade de conversar muito com ela cara a cara, posso dizer que ela era incompreensível. Ou melhor, incrível? Ela era muito mais sensível e sempre foi alegre, encontrando felicidade em todas as piores situações.”
Ryuzu… Frederica… e até Roswaal falaram dela com carinho. Essa era a imagem que todos que a conheciam tinham em suas memórias.
Se tudo o que diziam fosse realmente o caso, ela não teria partido em busca de seu pai e, logo em seguida, ter passado por mais um infortúnio levando a sua morte. Onde estava sua felicidade nisso?
– Ela nunca havia encontrado a resposta para sua felicidade.
Garfiel: “Se eu não encontrar, é melhor desistir…”
As unhas se cravaram na palma de sua mão enquanto ele fechava o punho fortemente.
Ele deveria ter desistido. Ter se desapegado a essa esperança. Levou muito tempo, mas ele finalmente estava começando a aceitar isso. E, no entanto, ela estava ali. Por que agora? Por que ela estava ali? Com essa atitude alegre e despreocupada?
Garfiel ficou em silêncio enquanto Mimi e Reala brincavam. A fim de impedir que ela notasse, ele se resignara a observar secretamente suas expressões e comportamentos. Nada parecia artificial. O comportamento de sua mãe de tratá-lo como um estranho era completamente natural. Será que essa era sua resposta?
Ela finalmente teve uma vida boa. Esquecendo-se de Garfiel, ela levou uma vida feliz.
“Eu não importo mais com você”, foi a resposta de sua mãe para–
Fred: “Mãããee.”
Irmã: “Mãe, estou com fome.”
Garfiel permaneceu em silêncio enquanto o irmão e a irmã se juntaram a eles na sala de estar após irem se trocar no quarto.
A irmã lançou um olhar severo para Garfiel e depois se aconchegou na saia da mãe.
Irmã: “Mãe, diga aos convidados para irem para casa, assim podemos comer logo.”
Reala: “Hã? Do que você está falando? O senhor Tigre e Mimi salvaram Fred quando ele quase se afogou.”
Irmã: “Hmm, sobre isso… não poderia ter sido o Tigre que tenha feito isso? Talvez ele tenha feito isso para vir até nossa casa e se aproveitar de nossa generosidade. Talvez ele queira dinheiro.”
Reala: “Ei, isso está indo longe demais. Mas pensando bem, você pode estar certa, devemos agradecê-lo pelo que fez por Fred… devemos dar dinheiro a ele?”
Irmã: “Mãe!?”
A irmã que percebeu que suas palavras estavam prestes a se tornar a falência de sua família, entrou em pânico. Por outro lado, Reala, que não conseguiu entender o motivo do discurso de sua filha, olhou em volta confusa.
Aquela interação sorridente entre mãe e filha tornava a respiração ainda mais difícil do que andar descalço sobre espinhos.
Então, esvaziando o chá em um só gole, Garfiel baixou a xícara em um estrondo.
Garfiel: “Já que meu eu incrível não parece ser bem vindo aqui, é melhor irmos embora.”
Mimi: “Haauuuh, por quê?”
Garfiel: “Não há um motivo específico.”
Embora ele quisesse ir embora, Mimi continuou a resistir. No entanto, como se ele não tivesse ouvido o que ela havia dito, Garfiel a carregou. Quando ele se levantou para sair, Reala parecia perturbada, enquanto sua filha sorria maliciosamente para ele.
– Garfiel respeitava seus sentimentos, e com esse pensamento,
Fred: “Não vá, Gorgeous tiger…”
Agarrando a barra da calça de Garfiel, o irmão mais novo impediu sua ida. Por um segundo, por razões que desconhecia, Garfiel hesitou em afastar as mãozinhas. Mas…
Irmã: “Fred! Francamente, você é…”
Enquanto Fred defendia que o suspeito ficasse, a irmã, indignada, colocou a mão na cintura enquanto discutia com o irmão. Reala bateu palmas, chamando a atenção de todos.
Reala: “Todo mundo. Olha, não é legal não se dar bem. Você está pressionando nossos convidados os mandando embora, não os force a fazer o que não querem, é falta de educação, além disso, Fred parece querer que eles fiquem.”
Irmã: “Mas, mãe…”
Reala: “Sr. Gorgeous Tiger e Mimi, fiquem um pouco mais, sim? Ficaria muito feliz em compartilhar o jantar junto com vocês. A refeição de hoje a noite é o meu prato favorito.”
Fred: “Mãe, toda a comida que você prepara acaba sendo sua favorita…”
Reala: “Hmmm, isso não deveria ser óbvio? Mamãe sempre dá o melhor de si para preparar todas as refeições para vocês.”
Embora sua habilidade não fosse visível, ela certamente teve todo um esforço para fazer o seu melhor. Todos os presentes exibiam uma expressão de pânico, Garfiel mais que qualquer outra pessoa.
Esta atmosfera harmoniosa cortou o coração de Garfiel.
As palavras que Reala havia falado lançaram sobre ele uma sensação única de felicidade e impotência. Aceitar seu convite seria a pior coisa que Garfiel poderia fazer agora.
Garfiel: “Desculpe, agradeço, mas alguns de meus companheiros estão esperando por mim. Eles ficarão preocupados se chegarmos atrasados, então temos de ir em breve.”
Suprimindo a dor no peito, Garfiel rezou para que sua voz não tremesse.
Com a resposta dada, a irmã fez uma expressão rígida, e Reala franziu a testa, fechando os olhos…
Reala: “Eu entendo… não faz sentido fazê-lo ficar se isso incomoda…”
Isso foi o que mais machucou Garfiel hoje. Ele colocou a mão no peito, vendo se ele não havia sido rasgado. Olhando essa reação–
Mimi: “Vamos, Garf!”
Mimi, que até então se recusou a sair, agarrou as mãos de Garfiel delicadamente e começou a levá-lo embora. Garfiel obedeceu silenciosamente. E então, quando estavam prestes a tocar a maçaneta –
???: “Estou em casa! Oh, nós temos convidados hoje?!”
A figura do outro lado da porta era um cavalheiro com uma barba magnífica. Ele parecia ser um homem de mão de obra detalhada e emitia uma atmosfera energética.
Na presença do homem, as crianças surgiram e pularam em direção a ele.
Pai: “Eu nunca vi o rosto de vocês antes.”
Fred: “Pai, esse é o nosso Gorgeous Tiger.”
Irmã: “Ele é um canalha suspeito.”
Pai: “O quê?”
Diante das atitudes fortemente contrastantes de seus filhos, o homem inclinou a cabeça em angústia e confusão. Ele se virou para Reala, que ficou quieta na sala. Sob o olhar amoroso do homem, ela começou a explicar a situação com serenidade.
Garfiel a essa altura já havia atingido seu limite.
Garfiel: “Não era nada demais, já estávamos indo de qualquer maneira.”
Dizendo isso, Garfiel agarrou Mimi e apressadamente correu para fora da sala, em direção a porta da frente como se estivesse fugindo.
Fred: “Gorgeous Tiger!”
Por trás, uma voz triste chamou Garfiel. No entanto, ele não deu ouvidos ao chamado.
Quem era o Gorgeous Tiger? Ele era Garfiel, não o Gorgeous Tiger. Um tigre era uma criatura forte e poderosa que não se deixava ser abalada por nada. Onde estava aquele tigre agora?
Mimi: “Garfiel, minhas mãos estão doendo!”
Estando focado em seus pensamentos, Garfiel não percebeu o chamado.
Quem despertou-o de seus pensamentos foi o grito de dor de Mimi.
Ele não percebeu até que Mimi se libertou de seu aperto, extraindo a mão de suas unhas afiadas, que estavam cravadas nela. Sua pequena mão agora estava inchada e azul.
Garfiel: “D-desculpe, agora meu incrível eu…”
Mimi: “Gar~f, você estava estranho dentro daquela casa. Minha mão está doendo muito.”
Mimi murmurou consigo baixinho, e ouvindo, Garfiel bateu na testa com a mão.
Eles caíram em um silêncio desagradável enquanto o ar úmido da cidade das comportas acariciava seus rostos. O sol havia ido embora há muito tempo e a cidade estava coberta por uma luz mágica.
A luz do sol que era refletida na superfície da água foi substituída pela luz das lâmpadas mágicas, mas ele não estava no clima para curtir aquela cena anormal e de beleza tranquila.
???: “Ei, vocês dois aí, esperem!”
Alguém se aproximou de Garfiel e Mimi com respiração ofegante. Finalmente chegando na frente dos dois, a luz ofuscante revelou o rosto do homem que encontraram a pouco, ele colocou as mãos nos joelhos ofegando violentamente.
Pai: “Ah, finalmente me recuperei… eu realmente não tenho mais o fôlego que eu tinha anos atrás. Graças ao trabalho estou fora de forma.”
Garfiel: “O senhor precisa de alguma coisa?”
Garfiel indicou claramente que não estava interessado nas palavras do homem.
A existência desse homem, embora não tanto quanto Reala e os seus filhos, deixou Garfiel angustiado. Sua voz estava cheio de aspereza, mas o homem não deu bola para isso e colocou a mão na cabeça parecendo constrangido.
Pai: “Não, ouvi de minha esposa que vocês salvaram meu filho. Seria totalmente injustificável se eu não considerasse agradecê-lo retribuindo de alguma forma.”
Garfiel: “… Não é necessário. Se cê falar de um jeito exagerado assim, meu incrível eu ficará envergonhado.”
Pai: “Tudo que envolva meu filho, não importa o que seja, é de extrema importância, ainda mais quando o assunto se trata da vida dele. Eu gostaria de fazer alguma coisa para agradecer, então se vocês precisarem de alguma coisa… Ah, claro, sinto muito. Meu nome é Garek Thompson. Sou o diretor metropolitano de Pristella, então… se quiserem alguma coisa é só me dizer.”
Garfiel: “Não se preucupe, nós estamos…”
Um homem que sabia o que realmente estava acontecendo– Garfiel, que queria partir o mais rápido possível dali, parou de repente.
Se Garek realmente conhecesse Reala, então talvez ele soubesse da verdade.
Garfiel: “O meu eu tem apenas uma pergunta para fazer… cê poderia responder?”
Garek: “Claro, pode perguntar, se estiver ao meu alcance, eu responderei.”
Garek respondeu Garfiel com um sorriso de benevolência.
Garfiel: “Qual é o verdadeiro nome de sua esposa?”
Assim que Garfiel fez sua pergunta, a atmosfera mudou.
Garek ponderou a pergunta de Garfiel silenciosamente durante alguns instantes, antes de responder com um tom de voz diferente,
Garek: “Como assim? O que você quer dizer?”
Garfiel: “Quero dizer, qual o nome verdadeiro dela? No significado literal. Brincar com palavras não é meu estilo. Então, diga-me, sua esposa, por acaso o nome verdadeiro dela é Reshia?”
Garek: “Ah…”
Ele respondeu sem jeito à pergunta direta de Garfiel, demorando um momento para engolir antes de responder.
Garek: “Você sabe alguma coisa sobre ela?”
Garfiel: “Meu incrível eu também quer saber mais sobre ela.”
Garfiel respondeu sinceramente à pergunta de Garek.
Garek abaixou a cabeça pensativo em silêncio, Garfiel agarrou a mão de Mimi que olhava pra ele sorrindo, como sempre.
Garek: “Parece que vou precisar contar a história desde o início.”
Enquanto Garfiel olhava o sorriso de Mimi, Garek falou com um suspiro.
Sua voz estava carregada parecendo estar impotente e fadigado. Garfiel franziu a testa, esperando ansiosamente pelas próximas palavras do homem.
Garek: “Minha esposa, Reala, não tem memórias de 15 anos atrás, antes de nos conhecermos…”
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Garek e Reala se conheceram antes de ele se tornar o diretor da cidade, quando ele ainda era um comerciante normal enraizado em Pristella.
No caminho de volta de suas negociações, Garek, que voltava de carruagem, teve sua passagem bloqueada por um penhasco desabado. Tendo enfrentado tal angústia por ter que pagar um empréstimo, e tendo enfrentado um acidente infeliz, Garek não pôde deixar de se sentir irritado com toda a situação. E no meio disso, ele encontrou uma mulher que havia sido enterrada viva. Era de fato um milagre, não podia ter outra explicação.
Recusando-se a ir pelo caminho mais longo, Garek se questionava desesperadamente se ainda poderia prosseguir pela sua rota original.
Por volta dessa época, a chuva forte parou, e o campo de visão de Garek foi devolvido. Pouco depois do penhasco ter desabado, Garek apareceu, salvando a vida da mulher que por pouco tempo ficou soterrada antes de ser resgatada.
Como resultado das várias coincidências sobrepostas, Garek resgatou a mulher, que ainda respirava, do perigo.
Ela estava coberta de lama, e ele não encontrou nenhum pertence dela por perto, nem ao menos uma mala. Ele a carregou e, levantando a mulher inconsciente para sua carruagem de dragão, Garek imediatamente correu para uma cidade próxima, onde ela foi levada às pressas ao hospital. Durante esse meio tempo, Garek aguardou sua reabilitação.
Garek: “Na época sua condição era incrivelmente instável. Ela teve febre alta e sofreu vários ferimentos e fraturas devido ao deslizamento de terra. Seu coração até parou em um certo momento do tratamento.”

Tanto o Instituto de Cura quanto Garek vinham lutando para ajudá-la, orando dia após dia com otimismo por sua recuperação. Por que Garek queria tanto salvá-la? Realmente ele acreditava que havia uma razão, um bom motivo, que explicava seu esforço junto com suas ações.
Ele agradeceu os esforços de todos do fundo do seu coração.
Garek: “O trabalho duro valeu a pena, e embora ela estivesse muito ferida, ela finalmente acordou. Demorou mais ou menos uma semana… fiquei na cidade esperando por ela.”
O fracasso das negociações tornou o futuro da empresa de Garek sombrio.
Nessa situação, perder tempo equivale ao desperdício de dinheiro. Garek não sabia por que estava se contendo e evitando suas viagens. E então, depois de uma semana, a mulher despertou.
Depois de acordar, ela falou com a multidão reunida ao seu redor com uma voz trêmula e fraca.
Garek: ” ‘Quem sou eu?’. Essas foram as primeiras palavras dela.”
A mulher tinha esquecido o próprio nome. Não, não apenas o nome. Ela esqueceu tudo.
Quem era? De onde veio? Por que estava ali? O que aconteceu antes do penhasco desabar? Não sabia.
Ela não tinha lembranças de nenhum dos membros de sua família e não teve escolha a não ser ficar. Tudo o que ela tinha eram as roupas que ela estava usando durante o acidente. Vindo de um emblema costurado a elas, as únicas letras perceptíveis de seu nome eram “Re”.
Garek: “Dei o nome de ‘Reala’ a ela, já que significava o momento de uma flor desabrochando. Planejei cuidar dela até que seus ferimentos melhorassem e cicatrizassem.”
Suas feridas cicatrizaram pouco a pouco e o dia de sua alta não foi longe.
Reala, mesmo sem ter para onde ir, continuou sendo uma mulher alegre. Ela tratou a tristeza do acidente como se nunca tivesse acontecido, e sempre recebeu todos ao seu redor com sorrisos contagiantes.
Em sua situação, era impossível não se sentir desconfortável.
A perda das próprias memórias era o equivalente ao próprio desaparecimento, a perda de si mesmo. Mas mesmo assim, ela ainda sorria porque sentiu que precisava fazer isso. Ou talvez porque se preocupava com as pessoas ao redor. Mas o motivo mais Importante era que ela não considerava-se infeliz.
Garek: “O nervosismo de se confessar pra ela ainda é um sentimento fresco em minha memória. Provavelmente foi a maior ansiedade que senti em minha vida. Então, após ela se recuperar, mesmo estando nervoso, eu propus casamento a ela.”
A razão pela qual Garek se importou tanto com ela desde o início era porque ele se apaixonou por ela, desde o momento em que ele a havia resgatado naquela estrada tortuosa.
Aceitando a proposta dele, Reala veio com Garek para Pristella.
Garek: “Meus negócios não iam bem até eu encontrar Reala. As pessoas dizem que isso foi por causa do meu talento, mas eu discordo. Foi tudo graças à Reala. Fui abençoado por ter uma mulher tão maravilhosa como ela ao meu lado. Então, agora sou realizado, posso ser um bom empresário, para ser um melhor pai.”
Garfiel: “…”
Garek: “Amo ela e nossos filhos. Eu costumava me importar sobre o passado dela… mas, no momento, isso para mim não importa, ela para mim agora é a pessoa mais importante que passou pela minha vida.”
Garek, que havia terminado de contar seu passado com Reala, transmitiu seus sinceros sentimentos a Garfiel.
Garfiel, que ficou em silêncio do começo ao fim, ouvindo atentamente, olhou para o céu. Na escuridão, as estrelas estavam espalhadas por toda parte.
A gloriosa lua cheia e as estrelas provavelmente desprezavam seus pensamentos atuais.
Garek: “Lamento por dizer isso repentinamente, mas preciso perguntar…”
Sua linha de visão caiu do céu para Garek.
Garek: “Qual a sua relação com a minha esposa, Reala?” – Isso para Garfiel era cruel demais.
Os olhos gentis de Garek mantinham uma firme determinação enquanto olhava Garfiel.
O turbilhão de emoções ainda não formadas em seu peito apertado estavam à beira do colapso.
Respirando e expirando.
Sentindo seu batimento cardiaco rápido junto da tontura. Uma explosão de dor em sua cabeça o fez sentir ansia de vômito.
O redemoinho de emoções ainda não estava totalmente formado em seu sufocado peito que estava à beira do colapso.
– Mimi apertou sua mão com força.
Garfiel: “Meu incrível eu…”
Garek:”…”
Garfiel: “… não tem nenhuma relação com sua esposa…”
Dizendo isso em voz alta, o coração de Garfiel afundou em desespero. Garek, que estava na frente dele, abaixou a cabeça como se tivesse cometido um erro e não quis olhar Garfiel no rosto, falando com uma voz trêmula.
Garek: “Desculpe, sinto muito.”
Com um olhar de dor não natural, ele se curvou. No entanto, Garfiel não queria ver a reação de Garek. Ele já tinha ouvido o suficiente, ele queria fugir dali para bem longe daquela dor. Queria parar de se machucar.
O que deu errado? De quem é a culpa? Quem ele deve culpar? Era culpa sua ou de Garek? Quem ele deveria atacar? O que ele deveria fazer para parar com a dor em seu coração?
???: “Oh, querido, ainda bem que o Sr. Tiger e Mimi ainda estão aqui. Que bom que conseguiu segurá-los.”
Essas palavras ecoaram com uma voz estridente, que para Garfiel era tão afiada quanto uma faca.
Garek: “Reala… o que está fazendo aqui?”
Reala: “Bem… você saiu com tanta pressa. Não queria que saísse de mãos vazias.”
Reala piscou sorridente e passou por Garek chocado. Então, ela se aproximou de um Garfiel atordoado, estendendo a mão.
Reala: “Esta é a sobremesa, um suflê. Embora não seja algo muito grandioso, ainda me orgulho disso. Espero que aceitem.”
Garfiel: “… Ah…”
O sorriso dela não apresentava nenhum traço de malícia. Teimosamente, Garfiel se recusou a falar. Sua conversa a pouco com Garek havia aberto várias feridas. Quem entendeu isso também saberia como agir. E ainda assim,
Mimi: “Uooh, sobremesa é sempre muito bom. Incrível! Vou dividir com Garf e Missy!”
Reala entregou o recipiente a uma Mimi sorridente e indiferente. Garek pareceu chocado e Garfiel ficou sem palavras. No entanto, Reala riu alegremente da reação de Mimi.
Reala: “Estou tão feliz que você gostou. E, por favor, experimentem juntos.”
Mimi: “Ok, entendi!~”
Depois de pegar o recipiente com a mão que não estava sendo apertada por Garfiel, Mimi acenou dizendo adeus enquanto dava um tapinha nas costas de Garfiel. Provavelmente insinuando a despedida.
Mimi: “Bem, agora estamos realmente indo, Garf e Mimi precisam ir! Nos veremos mais tarde!~”
Reala: “Tudo bem, tomem cuidado na volta, que os anjos os protejam. Tomem cuidado para não cair na água, Sr. Gorgeous Tiger!”
Sorrindo, Mimi se virou e acenou energicamente. Apenas os dois homens ficaram com expressões de dor nesta despedida sorridente.
Mimi conduziu Garfiel pelos canais de água.
Mimi e Garfiel não trocaram palavras mesmo após o desaparecer de Reala.
Garfiel: “Ei, Anã.”
Mimi: “Por aqui!~ Aqui!”
Garfiel queria falar com Mimi, mas seu chamado foi interrompido.
Mimi, que segurava a mão de Garfiel, saltou rapidamente para um prédio de pedra de três andares, subindo com o uso de apoios de pés.
Garfiel foi puxado junto, é claro que foi forçado a tomar o mesmo ritmo que ela.
Com alguns saltos, os dois chegaram ao topo do edifício.
Mimi: “Hmm~ Isso é tão bom!~”
Garfiel: “’Tão bom’, uma ova. Por que viemos até aqui…?”
Enquanto Mimi se aconchegava no telhado apreciando a brisa, Garfiel a encarou e percebeu que o sorriso dela havia sumido enquanto o observava.
Ele se viu refletido nos olhos redondos dela, e não conseguiu compreender o mal estar que afobava seu coração.
Mimi: “Garf, você quer chorar?”
Garfiel: “Hã? O que cê está dizendo? Por que o meu incrível eu iria chorar?”
Mimi: “Eu sei que Garf é forte, mas você não precisa agir assim sempre, ainda mais em um momento como esse. Reala é a mãe de Garf, certo~?”
Garfiel ficou em silêncio à pergunta inesperada de Mimi e prendeu a respiração.
Ela sem dúvidas entenderia com precisão o fluxo das coisas se conhecesse o passado de Garfiel. Chegaria em uma conclusão facilmente. No entanto, Mimi não sabia nada sobre Garfiel, muito menos de sua família. Sua habilidade de discernir a verdade era impressionante.
O fato dela abordar o assunto obviamente abalou Garfiel, que hesitou.
Garfiel: “Por que… cê acha isso?”
Mimi: “Garf e Reala cheiram muito~ parecidos. E seus filhos também cheiram um pouco como Garf. Garf também agiu estranho com eles, então Mimi queria saber se esse é o caso?”
Sua suposição não era baseada em raciocínio, era baseado em algo inato, portanto, ela podia ver a verdade pelo que era.
Com as pernas cedendo, Garfiel olhou atordoado para as estrelas. As estrelas e a lua permaneceram inalteradas, retribuindo o olhar de Garfiel.
Mimi: “Então, Mimi está certa, não é? Reala é a mãe de Garf!?”
Garfiel: “Meu incrível eu não sabe ao certo. Será que ela ainda é realmente minha mãe?”
Nas palavras de Mimi, Garfiel cobriu o rosto com a mão. Ele não sabia qual parte disso era verdade. Reala era inconfundivelmente Reshia.
Exatamente como Garek havia dito, Reala havia se esquecido de tudo sobre seu passado, há 15 anos atrás. Ela encontrou um novo começo para sua vida. Casou-se e teve filhos.
Garfiel: “Ah, agora pensando bem, se fosse esse o caso, eles seriam meu irmão e irmã mais novos.”
Ela tinha acabado de perceber que aqueles dois tinham uma relação parecida com a que ele tem com sua irmã Frederica. Em outras palavras, aqueles dois eram seus adoráveis meio-irmãos mais novos. Eles tinham um tipo de relacionamento que ele ansiava desde quando era pequeno.
– Não seria legal se ele pudesse desfrutar desse relacionamento sem as circunstâncias que o cercavam?
Mesmo se Garfiel contasse quem ele realmente era, nada mudaria, Os 15 anos que ele permaneceu sem a mãe não iriam ser alterados.
Mesmo se ele dissesse tudo, os 15 anos como Reala não seriam alterados.
E isso poderia faze-lá se sentir apenas culpada carregando remorso. Frederica e Ryuzu não tinham ideia de que Reshia havia sobrevivido. Se Garfiel não dissesse nada a elas, nenhuma das duas nunca saberiam.
A família de Reala também nunca se preocupara com seu passado. Se eles soubessem da verdade, aqueles tempos felizes provavelmente seriam perdidos em vez de preservados.
Fazer isso seria apenas para o próprio egoísmo de Garfiel. Ele não conseguia e não tinha coragem de cravar isso profundamente em sua consciência.
Tigre, onde você está? Mostre-me qual o caminho certo.
Se ele pudesse enfrentar tudo isso sozinho, onde ele encontraria essa força?
Diga, tigre… a existência de um verdadeiro tigre era a mais forte que qualquer outro ser no mundo.
Segurando sua cabeça, corroendo-se por completo, lamentando os sentimentos conflitantes enquanto se misturavam.
Mimi: “Está tudo bem, Garf…”
No momento seguinte, ele percebeu que sua cabeça estava sendo gentilmente acariciada.
Mimi agarrou o Garfiel agachado por trás, envolvendo-o em um abraço. Descansando o queixo na cabeça dele, sua pequena palma acariciou a cabeça de Garfiel. Acariciando e penteando seu cabelo de frente para trás, aquela sensação gradualmente aliviou a dor e a agitação presentes em sua mente.
Garfiel: “O que… o que cê está fazendo…”
Mimi: “Hmm, se Garf precisa chorar~, acho que isso é o certo. Eu acho que os garotos costumam chorar em um exato lugar. Embora eu tenha me esquecido onde, mas me lembro de Missy me contando sobre isso.”
Por um momento, ela parecia ter dado uma resposta correta, mas a linha de pensamento de Garfiel se dispersou. Para evitar que seu coração o denunciasse, e que sua voz tremesse, Garfiel escolheu suas palavras com cuidado.
E segurando Garfiel, Mimi soltou uma risadinha.
Mimi: “Bem, embora eu não tenha certeza, essa e a sensação de sentir uma mulher colando seus peitos sobre um homem? É assim? Está tudo bem chorar sob os peitos de uma mulher.”
Garfiel: “Quem se interessaria por um anã que nem cê?”
A mulher a qual Garfiel estava interessado era uma empregada de personalidade dura e difícil. Uma mulher que quase nunca era gentil quando ele queria mas gentil quando ele menos esperava.
A garota ao seu lado não se parecia nem um pouco com ela, ainda assim, Mimi ainda continuava sorrindo.
Mimi: “Está tudo bem, mesmo que Garfiel não esteja interessado em mim, Mimi está interessada em Garf~, então, você pode chorar mesmo assim.”
Que bobagem. Garfiel não tinha intenção de chorar ali. Afinal, um tigre de verdade não chora. Ele enfrenta tudo e a todos, sem que o deixem afetá-lo.
Então… tigre, onde você está? Volte imediatamente para o meu coração. Uive seu rugido feroz, vença esse recuo superficial, faça-me acordar.
Caso contrário… caso contrário será tarde demais.
Garfiel: “Mãe…”
Não, pare… chega, chega de falar.
Chorando com uma voz tão fraca e patética. Não fale de forma fraca.
Ele era um tigre, o mais poderoso, o mais forte, ele era mais forte do que qualquer um em tudo. Contudo…
Garfiel: “Mãe… Mãe… Mamãe!”
Mimi: “Isso, bom garoto!”
Garfiel: “Por quê, por que cê me esqueceu?? Depois de tanto tempo nos encontramos e ainda assim…”
Mimi: “Está tudo bem, bom garoto, bom garoto.”
Garfiel: “Mãe… Mamãe, mamãe, por quê?”
Tigre, onde está você?
O que ele fazia lembrar agora? Estrelas, lua, céu, digam-me… O que ele fazia lembrar agora?
Se ele não pudesse ser um tigre rugindo, então, agora ele meramente lembrava—