Agachando no chão e respirando fortemente, Subaru finalmente resistiu ao impulso de entrar em colapso.
Emilia e Beatrice o cercaram, com olhares preocupados, e até mesmo Liliana parecia preocupada. Priscilla parecia vagamente interessada, resfriando o próprio rosto com seu leque.
Banhado em olhares e vozes preocupados, Subaru gradualmente se reorientou.
Sentindo que o tempo estava lentamente acelerando de volta ao normal, Subaru percebeu o que era o gosto que sentia em sua boca.
Ele se lembrou do que era trocar canais em uma TV.
Não havia sensação de uma perda de cheiro, gosto ou visão, mas o ambiente em sua volta subitamente desintegrou-se em pó, e transformou-se em algo completamente diferente.
Os olhos, ouvidos, nariz e pele de Subaru se adaptaram ao novo mundo, mas sua consciência não conseguia se esquecer do canal prévio, então existia uma sensação de violação.
Tudo que ele podia fazer era ignorá-la, para mastigar, mastigar, mastigar e engolir a sensação de desconforto que era trocar os canais até que tudo acabasse.
Subaru: “——”
Subaru cerrou seus dentes e finalmente ficou de pé.
Ele chacoalhou sua cabeça e olhou em volta. O parque repleto de brilho do sol, fontes e grama verde, e uma propagação colorida de canteiros de flores.
Subaru atualmente estava cercado por quatro belas garotas — Emilia, Beatrice, Liliana e Priscilla. Ele teria ouvido as palavras de Liliana duas vezes agora.
Emilia: “Está tudo bem com você, Subaru? Sua aparência não parece muito boa.”
Subaru: “… Emilia-tan. Agora há pouco, a Liliana falou que iria cantar outra música?”
Liliana: “Por onde eu começo!? Eu, Liliana, fui tão ignorada que essa situação me pegou de surpresa e machucou meu coração! Compensação! Eu exijo uma compensação!”
Enquanto falava, Liliana agarrava freneticamente as mangas de Subaru, declarando uma ação judicial, apenas para ser sacudida por Subaru. Ele ignorou o “hey” de indignação que a Cantora emitiu e se virou para Emilia, que parecia acompanhar a seriedade de Subaru.
Emilia: “Sim. Liliana disse que ela iria cantar outra música que nós havíamos perdido. E então, Subaru e Liliana começaram a conversar calmamente sobre alguma coisa.”
Subaru: “Isso aconteceu agora? Entendi, obrigado… muito obrigado.”
Obrigado. Apenas dizendo essas palavras, ele sentiu uma sensação inexplicável de desgosto.
Subaru não poderia fazer nada senão erguer uma mão para cobrir sua boca. Vendo-o nesse estado, Emilia fez uma careta perplexa.
Emilia não fez nada errado. Desnecessário dizer, o agradecimento dele não foi amargo. Entretanto, ele evocou as memórias dolorosas do mundo prévio.
Subaru: “Então, isso significa que eu…”
“Morri”, ele finalmente percebeu. Mas ele era incapaz de vocalizar a palavra.
— Natsuki Subaru havia morrido.
Após a morte, ele retornou para o momento em que ele disse adeus ao mundo. Apesar de que ele estava aliviado com seu retorno bem sucedido, o remorso também cresceu em seu peito. Obviamente, Subaru deveria estar completamente acordado.
Naquela floresta um ano atrás, no Santuário, durante a Provação, Natsuki Subaru rejeitou resolutamente a Morte¹, e os ressentimentos que a acompanham.
Mas ele ainda morreu. E tão facilmente, também. Sem nenhuma resistência, sem nenhuma sensação de desafio, sem nem mesmo estar ciente.
Por que isso? A situação obviamente era anormal, claramente isso é um fato, mas nem mesmo Subaru havia uma pista do que acontecera. Ele claramente havia experienciado a situação, mas ele não podia racionalizar nada a respeito.
Subaru sequer percebeu o quão anormal a situação era. E não era apenas Subaru. Todos presentes foram afetados pela mesma insanidade que ele.
Eles obviamente viram o garoto acorrentado, gritando, mas todos estavam sorrindo e torcendo freneticamente por ele. Sem mencionar a insana salva de palmas que acompanhou a queda da criança.
O que exatamente teria engatilhado tudo aquilo?
E quando Subaru testemunhou tudo aquilo, como exatamente ele morreu?
Ele era incapaz de distinguir um agente para sua Morte¹ e, até mesmo agora, ele não conseguia encontrar um. Ou talvez, ele estava à frente dele o tempo todo, e ele falhou em vê-lo como uma ameaça.
Mas ele não podia confiar em nada do que ele havia sentido. Apesar de que ele registrou a anormalidade da situação após ter morrido, até aquele momento, ele era incapaz de pensar lucidamente.
Como ele morreu, afinal?
Havia algum explosivo acoplado ao corpo do garoto? Eles poderiam ter explodido com o impacto no chão, levando tudo com eles. De fato, isso era quase exatamente como a memória de sua morte.
Tudo era muito vago. A memória no momento da morte dele foi significativamente borrada pela insanidade dele naquele momento. Mesmo que ele estivesse completamente calmo agora, o estado mental em que ele estava na hora, privava-o de sequer ser capaz de racionalizar aquela memória.
Se Subaru estivesse em um estado de insanidade, então seria virtualmente impossível se lembrar do que realmente havia acontecido.
Emilia: “Você está bem mesmo, Subaru? Até mesmo a Liliana está com uma expressão de incômodo.”
Liliana: “Eu não estou fazendo uma coisa tão sem sentido. O que Natsuki-sama pensa de mim não me entristece nem um pouco, então por favor, não entenda errado.”
Emilia: “Viu? É tão óbvio que isso realmente está te incomodando.”
Até mesmo a ingênua Emilia viu através do descaramento de Liliana. Durante o diálogo delas, Subaru se lembrou da situação atual dele.
Subaru, nesse ponto do tempo, deveria estar tirando vantagem da canção de Liliana para fazer umas compras e ir buscar alguns lanchinhos de reconciliação. E pouco depois de comprar alguma coisa, ele conheceu um monstro chamado Ira.
— O pesadelo que era aquele discurso ocorreria em menos de quinze minutos.
Subaru: “Você tá brincando comigo…”
Em sua experiência com o Retorno Através da Morte, nunca o tempo entre o ponto de salvamento e a morte foi tão curto.
O tempo oscilando entre algumas horas e alguns dias, isso era o que o Retorno Através da Morte sempre deu a Subaru no passado. O tempo que ele tinha agora era curto, quase ao extremo.
Em apenas quinze curtos minutos, o que Subaru podia fazer?
Mas mesmo enquanto ele se intrigava com isso, o tempo ainda passava.
Nessa situação, meramente evitar a morte seria incrivelmente simples. Subaru precisava apenas evitar o local onde o discurso fosse ser entregue. Dessa forma, a causa da morte, como a possível bomba, não o afetaria.
Era tremendamente improvável que uma bomba com a capacidade de afetar uma cidade inteira tivesse sido preparada.
Então, se Subaru quisesse apenas sobreviver, ele poderia simplesmente não ir. Sirius não iria aparecer próxima de Subaru. Não parecia existir um alvo em específico, e Subaru apenas aconteceu de estar lá.
Logo, mesmo que Subaru não estivesse presente, aquela praça ainda seria a cena do crime de Sirius. O discurso que não era relacionado com a presença de Subaru iria acontecer no seu local de origem e todos ali seriam afetados.
Entretanto, não importa como as coisas se desenhem, aquela criança cadente ainda estaria condenada à morte.
Subaru: “Eu tenho que impedir… droga, eu preciso…!”
Subaru arranhou sua cabeça e chegou a uma decisão.
Ele não poderia deixar de salvá-lo. Aquela criança, Lusbel, estava à espera de um irmãozinho ou irmãzinha, e havia tomado o lugar de seu amor de infância naquela torre. Como alguém poderia ser tão desavergonhado a ponto de pensar apenas em si mesmo e não tentar resgatar o garoto?
Subaru: “Beako e eu…”
“Iremos juntos”, Subaru hesitou em declarar.
Beatrice: “E o quê, Subaru?”
Se virando para encarar Subaru, Beatrice expressou uma pergunta séria.
Agora que ele sabia que a situação crítica era iminente, levar Beatrice com ele era a opção óbvia para se escolher em termos de efetividade de combate.
Se ela estivesse ausente, a força de combate de Subaru seria cortada ao meio. Mesmo assim, Subaru hesitou. Não era por uma razão sentimental, como não querer que Beatrice lutasse.
Claro, dizer que não havia um pingo de consideração também não seria verdade, mas esse não era o motivo principal de Subaru.
O motivo era a Emilia. Ou melhor dizendo, deixar Emilia aqui.
Subaru: “——”
O Culto da Bruxa estava nessa cidade.
Esses fanáticos — embora ele ainda precisasse descobrir se essa frase deveria estar no plural ou não, pelo menos a Arcebispa da Ira estava presente. Ele não havia nenhuma pista se ela estava trabalhando com algum outro cultista ou não.
Entretanto, em uma cidade onde o Culto da Bruxa estava ativo, a ideia de deixar Emilia sozinha sem ninguém para protegê-la deixava Subaru com uma ansiedade persistente.
Deixar alguém importante em um lugar além de seu alcance era perigoso até demais.
O medo de deixar uma pessoa importante em um lugar onde ela não pertence. O medo de que as mãos demoníacas do Culto da Bruxa iriam alcançar alguém importante para ele em um lugar onde ele não poderia observar.
No fundo do coração dele, um medo denso assolava Subaru.
E, levar Emilia para a Ira? Isso estava fora de questão. O fato de Emilia encontrar o Culto da Bruxa iria indubitavelmente resultar em tragédia. Apenas isso era uma certeza.
Bastou lembrar-se de Petelgeuse para que isso ficasse claro. Subaru não poderia permitir que Emilia se aproximasse do Culto da Bruxa. Isso não era uma questão de por quê. Ele simplesmente não podia.
Subaru: “Beatrice e eu…”
Beatrice: “E o quê, Subaru?”
Subaru: “Nós iremos comer o mesmo doce, tá certo?”
Beatrice: “…?”
Beatrice franziu a testa enquanto ela ouvia Subaru. Ela provavelmente suspeitou que ele estava pensando sobre outra coisa completamente diferente. Subaru acenou com a cabeça para Liliana, que estava com olhar de perdida, e se virou para Emilia.
Subaru: “Eu irei dar um pequeno passeio para comprar alguns doces, e então eu voltarei. Emilia-tan, apenas espere aqui enquanto elegantemente e consistentemente escuta a música de Liliana e seja boazinha.”
Emilia: “Entendi. Mas você não quer que eu vá?”
Subaru: “Tudo bem, acredite em mim. Eu vou te proteger.”
Diante das palavras dele, Emilia piscou seus olhos grandes e acenou a cabeça enquanto corava. E então, Subaru discretamente chamou Beatrice, que o tratava com um olhar suspeito.
Subaru: “Proteja Emilia por mim. Se eu precisar de sua força, eu te chamarei imediatamente.”
Beatrice: “… o que você encontrou que você não pode sequer falar com a Betty sobre?”
Subaru: “Apenas esteja bem preparada. Se eu vier te chamando, independentemente se você estará afim ou não de enfrentá-la, nós estaremos em uma situação bem terrível.”
Subaru gentilmente beliscou o nariz levemente descontente de Beatrice, então acenou e partiu enquanto ele sentia os olhares de quatro pessoas em suas costas.
Correndo pelo caminho, ele alcançou a praça em menos de cinco minutos.
Entretanto, o tempo de partida dele foi um pouco tardio. Nessa situação tensa, a menor diferença de cronometragem poderia se tornar uma questão de vida ou morte.
Subaru: “Apesar de que nesse caso, sem fazer compras, eu terei aproximadamente dez minutos…”
Subaru desacelerou para uma caminhada, e examinou a praça em que ele havia chegado.
Antes, ele havia focado na torre e não havia tido uma chance para observar as redondezas, mas, pelo menos agora, nenhum suspeito de roupa preta poderia ser visto em lugar algum.
Logo, a Arcebispa do Pecado provavelmente estava agindo sozinha.
Subaru: “A questão é o que fazer agora. Assim que o discurso começar, eu poderia muito bem ser forçado a entrar naquele estado mental confuso novamente.”
Já que o princípio daquele espaço anormal ainda era incerto, uma vez que fosse capturado novamente, ele não tinha ideia se poderia recuperar seus sentidos. Logo, Subaru concluiu que seria impossível reconhecer a anomalia como uma anomalia, devido ao poder aterrorizante da lavagem cerebral.
Subaru: “Eu deveria dizer a todo mundo para se refugiar em algum lugar longe daqui? Iria ser como na situação como Petelgeuse… não, não há mão-de-obra o suficiente, e se Sirius agir preventivamente nesse meio-tempo, isso seria autodestrutivo.”
Ele poderia pedir às vítimas que não deveriam estar envolvidas com a situação para se refugiarem. Mas como ele iria concretizar isso? Afinal, já que o discurso de Sirius não parecia ter nenhum alvo em particular, então ela não limitaria o local apenas a essa praça.
Se não houvesse uma audiência aqui, ela apenas iria para outro lugar. Como resultado, o incidente apenas iria se desdobrar em um conjunto diferente de vítimas.
Subaru: “Nesse caso, o único jeito é eliminar o culpado…!”
A vantagem primária dele era saber que Sirius planejava aparecer por aqui.
Isso era muito similar com a batalha com Petelgeuse e sua seita. Não importa o quê, o Culto da Bruxa não deveria ser permitido a andar livremente por aí. Impedir que o culto do mal realize seus crimes significa que as causas fundamentais precisam ser eliminadas. Caso contrário, as tragédias apenas iriam se repetir.
Ele percebeu isso tarde demais.
Se tivesse chegado a essa conclusão mais cedo, Subaru não teria vindo sozinho. Já era tarde demais para que ele voltasse ao parque.
Ele se perguntou se deveria ser possível voltar ao hotel, para pedir a Wilhelm ou Julius por ajuda.
Subaru: “Perder tempo com esses pensamentos é inútil. Eu sou o único aqui agora. Assim que o discurso começar, eu devo estar preparado para agir… não, a solução na verdade é muito mais simples!”
Subaru havia notado uma pequena janela na base da torre, que presumidamente era onde Sirius teria entrado para dar o seu discurso lá de cima.
Nesse caso, ela já deveria estar na torre, se preparando para o discurso dela, que iria acontecer brevemente. Mesmo que ela não estivesse, Lusbel provavelmente estaria preso ali, aguardando por resgaste.
Então, Subaru olhou cautelosamente para os lados, e silenciosamente se aproximou de uma porta de ferro construída discretamente ao lado de um beco. Ele abriu a porta e entrou dentro da torre.
O interior da torre de relógio era incomparavelmente escuro, seu ar, frígido e empoeirado.
A torre inteira estava completamente silenciosa. Diferente das torres do relógio de seu mundo, essa não possuia engrenagens. O mecanismo de medição do tempo era movido inteiramente a pedras mágicas.
— Logo, o único som que poderia ser ouvido de dentro da torre seria emitido por outra pessoa.
???: “…Mmgrr!”
???: “Não precisa chorar tão alto. Você é um bom garoto? Você deve ser uma criança forte. O papai Muslan e a Mamãe Ina, e seu irmãozinho também, eles devem estar tão orgulhosos do garoto forte que você é. Você é um menino tão bom.”
Uma voz desagradável ecoou. Os gemidos de uma criança aterrorizada ecoaram.
Um som acompanhou a choradeira do topo da escadaria em espiral. Ele soava como um rancor, uma bênção, um ódio e um amor.
Era distorcido. Era perturbado. Jamais poderia se dizer que era normal.
Subaru: “——”
Subaru determinou que essa era de fato Sirius, inalou profundamente, e então segurou sua respiração.
A batida do coração dele começou a acelerar, o peito dele estrondeando. Por sorte, as escadas eram de pedra. Com cuidado, ele conseguia silenciar seus passos, especialmente quando a atenção do inimigo deveria estar focada em outro lugar.
Subaru se preparou para chamar Beatrice a qualquer momento enquanto ele lentamente subia as escadas. A tensão aumentava à medida que o som vindo de cima ficava mais alto e mais próximo.
Apesar de que a torre por si só seja alta o bastante para que Subaru precisasse erguer a cabeça para ver o topo, não havia nada particularmente notável na sua jornada até lá em cima. Um pilar largo ficava no centro da torre, e a escadaria em espiral circulava-o.
A voz de um demônio e de um herói vinham do fim dessas escadas. Apenas uma única janela apontava para o lado de fora da torre, presumidamente para dar acesso às pessoas para que elas ajustem e confiram os entalhes cravados nas pedras mágicas. O som veio do espaço anterior àquela janela.
Essa sensação era comparável à de um sótão.
Subaru sorrateiramente espiou por de baixo das escadas e viu que ali realmente haviam duas figuras vagas interrompendo a escuridão silenciosa.
Não havia outra figura. Não havia mais ninguém no local. Parecia seguro afirmar que não haviam cultistas de quinta categoria escondidos em silêncio.
— Eu irei procurar por uma abertura e desferir um golpe.
Subaru: “——”
Capturar ela viva não seria uma possibilidade.
Apesar de que essa era a vontade dele, o nível de dificuldade era muito alto. Sem mencionar que enquanto ela estivesse viva, quem iria saber que tipos de truques ela tinha na manga?
Subaru se agachou, colocando a mão dele em sua cintura.
Ele segurava em sua mão aquilo que estava preso em seu cinto e o puxou, soltando-o.
Segurando em suas duas mãos estava uma arma com uma curva alongada, com tecido feito de fibras especiais.
A arma era chamada normalmente de chicote, e arqueólogos de alguns filmes famosos de seu mundo carregavam esse item enquanto exploravam as ruínas.
Chicotes possuíam mais alcance e eram mais difíceis de serem manipulados do que os filmes faziam parecer, mas no último ano, sob a tutela de Clind, a habilidade de Subaru aprimorou vastamente.
O motivo dele escolher o chicote era simples.
Diferente de espadas, martelos, lanças e arcos, o chicote era incrivelmente versátil. Mais importante, com armas como a espada, o potencial de aprimoramento de Subaru em apenas alguns anos era incrivelmente limitado.
Subaru já tinha uma pequena familiaridade com esgrima com o kendo, e sabia exatamente o quão difícil seria para ele alcançar quaisquer patamares usando aquela arma.
Logo, Subaru não escolheu nem a lança nem a espada, mas o chicote. Originalmente, ele sempre confiou na sua esperteza, criatividade e artimanhas para vencer.
Nesse caso, uma arma que estivesse à altura da sua força iria permitir que ele exerça melhor o seu poder. Os chicotes também permitiriam a ele atacar de uma distância mais longa.
Subaru: “——”
Subaru inalou gentilmente e exalou lentamente. E então ele prendeu sua respiração de novo.
Ele se levantou e continuou subindo as escadas, segurando o chicote com sua mão direita. A figura escondida nas sombras não o detectou. Isso deu a ele a vantagem inicial.
Subaru deu meio passo à frente e jogou seu braço para cima. Com um som de apito agudo, a cauda do chicote voou em direção ao alvo.
Esse preventivo ataque lateral, que buscava priorizar a velocidade angular e curvada ao invés da força, parecia espelhar um movimento de badminton.
A cabeça da cobra cortou o ar, atacando em direção às costas desprotegidas do seu alvo, tentando derrubar aquela figura perversa.
Entretanto,
Sirius: “Por que você está tão bravo?”
A silhueta cujas costas estavam viradas pra ele, respondeu com uma voz distraída.
Imediatamente depois, ela balançou a mão direita na velocidade de um relâmpago para defletir o impacto do chicote de Subaru, usando as correntes que se penduravam em volta do braço dela.
Era como se uma cobra voasse sobre o céu para interceptar a outra.
Por um segundo, Subaru ficou atordoado com essa visão, mas se recuperou e inclinou seu braço até o fim, enquanto ele concluía que a parte frontal do chicote de fato fez contato com sua presa.
Sirius: “Oh, meu?”
Com uma pequena risada, a figura em colapso, Sirius, recuperou seu equilíbrio e se levantou de novo.
Apesar de que a corrente pendurada no braço direito dela defletiu o golpe de Subaru, o chicote mordeu parte das travas da corrente, levando Sirius ao chão enquanto Subaru puxava-a.
Subaru: “H-há!”
Encarando a Sirius que lutava para se recuperar, Subaru apertou ainda mais sua pegada, enquanto ele corria em direção à aberração enfaixada em um semicírculo, batendo nela com um ombro. O corpo dela, que era mais leve do que o esperado, saiu voando facilmente devido ao impacto com à massa corporal dele.
Sirius: “Mn, Gah!”
Sirius deu um grito leve, e, após levar uma pancada no chão, tombou pela janela, assim como Subaru havia planejado. Mais de dez metros de altura separavam dali até o chão. Uma criança que caísse dessa altura espatifaria no solo.
Subaru: “Tá tudo bem, Lusbel!?”
Subaru não confirmou o impacto de Sirius, ao invés disso correu em direção à outra figura que estava no chão. Aquele pequeno corpo pertencia a Lusbel, que segurava as pontas de uma corrente em suas duas mãos, encarando Subaru com uma expressão medo.
A corrente na mão dele era conectada à corrente que envolvia toda a parte inferior de seu corpo, uma outra forma de expressar o mau gosto de Sirius.
Subaru: “Aquela coisa…! Forçando-o a se amarrar…!”
Pouco a pouco, ele compreendia a extensão do horror que Lusbel devia ter sentido, sendo forçado a segurar aquela corrente contra seu pescoço. Até mesmo agora os vestígios de terror ainda estavam cravados em seu rosto.
Uma vez ciente dessa malícia, Subaru sentiu uma raiva incontrolável. Ele imediatamente pegou os ombros do garoto, tirando as correntes dele.
Subaru: “Já chega! Você vai ficar bem. Você nunca irá precisar fazer outra coisa desse tipo de novo, venha comigo!”
Lusbel: “Mas, se… Eu, eu não, seguir os termos do nosso acordo, então Tina… Tina vai…!”
Lusbel respondeu, seus olhos lacrimejando e seus lábios tremulando.
Vendo-o, emoção entalou a garganta de Subaru.
Aquela criança, em uma tentativa de proteger a sua amiga de infância, concordou com a negociação que fez com aquele diabo. E, mesmo experienciando o que ele viveu, Lusbel estava mais preocupado com sua amiga do que com ele mesmo.
Apesar das pernas tremerem, apesar dos dentes vibrarem, apesar da visão borrar devido às lágrimas e apesar de não ser mais capaz de formar frases coerentes.
Subaru: “Não. Nessa cidade, existem… muitas… pessoas confiáveis.”
A voz rouca dele era incapaz de transmitir o que ele queria expressar.
Com o objetivo de fazer o jovem se sentir tranquilo, ele precisava falar palavras reconfortantes e autoritárias. O Santo da Espada estava na cidade agora. E também estava o Cavaleiro dos Cavaleiros, e o melhor curador do reino, e várias pessoas que podiam destruir uma cidade.
Logo, não havia necessidade de ficar com medo. Nenhuma força do mal poderia agir desenfreadamente. Sim. Exato. Medo era completamente desnecessário. Não havia necessidade alguma de ficar com medo. E, logo:
Subaru: “Então… pernas, parem, de tremer!!”
Na frente de Lusbel, cuja visão ficou desfocada por causa do medo, Subaru desesperadamente bateu as pernas dele que não respondiam e gritou.
A voz dele, misturada com sofrimento, inesperadamente ecoou e agravou o medo que residia em seu peito. Subaru sentiu uma sensação de desgosto, com uma origem não identificada, envolvendo todo o seu corpo.
Lusbel: “— Guuhk”
Lusbel vomitou, emitindo um som parecido com o estouro de uma bolha. Ele começou a contrair-se enquanto exalava, entrando em colapso numa poça de seu próprio vômito. Subaru queria ajudá-lo, mas ele também sentia que os seus órgãos estavam retorcendo-se de dentro do corpo dele, e ele expeliu o que estava presente em seu estômago, sentindo-se como se ele estivesse decolando.
O Daisukiyaki que ele havia comido de manhã ficou irreconhecível, e o cheiro visceroso e azedo de seu ácido gástrico era devastador. Subaru continuou vomitando vigorosamente, sentindo apenas o gosto da dor enquanto o vômito dele ameaçava afogá-lo.
Enquanto ele vomitava e vomitava, zonzo, com um zumbido em seus ouvidos, ele ainda estava tremendo sem parar. Não de frio. Uma mão invisível estava torcendo o estômago dele, os seus órgãos internos sendo atirados de lado. Subaru estava ciente de sua origem.
A origem era, indubitavelmente:
Sirius: “— Seu medo é a prova de sua gentileza.”
Ouvindo a voz gentil vindo de trás dele, Subaru vomitou novamente.
Quase se afogando no fluído transbordando em seu estomago, Subaru entrou em colapso no chão sujo. Ele sentiu um toque de líquido pegajoso na bochecha dele. Ele estava tão próximo da acumulação de imundice no chão que, a qualquer momento, uma breve respirada poderia levar ao estouro de uma bolha amarela.
A maioria das pessoas não poderiam suportar uma visão tão terrível, no entanto ela o olhou com um sorriso doce.
Subaru e Lusbel estavam olhando um para o outro. Ambos estavam desesperadamente lutando para respirar em seus próprios vômitos, seus corpos devastados pelos tremores.
Sirius: “Pessoas são capazes de entender umas às outras. Pessoas podem se tornar uma. Gentileza não foi feita para alimentar o ego. Ela existe para os outros. A gentileza só brilha, porque ela existe para o bem dos outros. Ser gentil apenas consigo mesmo, isso é egoísmo! Então, sua gentileza, existindo para o bem dos outros, é digna de respeito! Ah, ah, isso é Amor!”
Subaru: “Gu, ah, hk…”
Sirius: “Por favor, sinta-se confortável. Permita-me observar. Sinta, e permita-me observar seu Amor. Sua ternura infinita. Sua virtude que o obriga a salvar Lusbel-kun!”
Enquanto falava, Sirius começou a dançar enquanto olhava para os dois, ambos deitados em uma poça de vômito. Ela cruzou os braços dela, uma mão apontando para Subaru e outra para Lusbel, enquanto sacudia sua cintura. Como se estivesse dançando. Como se estivesse prestando uma homenagem.
Sirius: “O medo de Lusbel-kun, as suas duas almas gentis sentirão juntas. Você vai sentir o medo de Lusbel-kun, e, através disso, os sentimentos de Lusbel-kun passarão até você. Lusbel-kun, através do seu medo, sentirá o que você irá sentir novamente sobre ele. Seus medos mais uma vez serão sentidos, e o medo de Lusbel-kun será combinado. Seus medos combinados, sentidos por Lusbel-kun, irão compor seu próprio medo. Esse medo, misturado ao medo de Lusbel-kun, se tornará um medo novinho em folha. E o frescor do medo de Lusbel-kun mais uma vez será repassado para seu novo verdadeiro medo. O verdadeiro medo que você sente, e o medo secundário nascido através de Lusbel-kun, levarão ao medo dele, e o próximo nível de medo gerado pelo coração de Lusbel-kun será adicionado ao seu novo maior nível de medo…”
Algo estava sendo sussurrado em seu ouvido. Essa inércia avassaladora era próxima do absurdo. Subaru não tinha tempo para compreender essas palavras. Por quê? Porque para Subaru, tudo que passava por sua audição e visão era aterrorizante. Se respirar era aterrorizante, então piscar era aterrorizante. Mas não piscar era doloroso e insuportável. Até mesmo aquela dor existia apenas para simbolizar o terror de Subaru. Sentir uma dor significava sentir a dor que viria em seguida. Isso faria Subaru sentir um medo contínuo, sem fim, infinito. Então não adiantaria se recusar a piscar. Mas, se ele piscasse, o mundo iria ser consumido pela escuridão por um momento. Nesse momento escuro onde não poderia ser visto, ele não poderia saber o que estava acontecendo. Apesar de que talvez nada esteja acontecendo, não haveria como ele confirmar. Ser incapaz de confirmar qualquer coisa era aterrorizante. Se o desconhecido instintivamente estimulava o medo, então a vida não era nada além de uma tentativa infinita de superar o medo. No fim, o tão conhecido medo sempre foi o sentimento de fraqueza que começou a assolar uma criatura quando ela sentiu sua vida ameaçada. Ser capaz de sentir essa emoção era sinônimo de ser uma criatura viva. A função desse horror era similar à dor. Afinal, criaturas que abandonassem seus instintos de perigo não poderiam sobreviver. Adormecer o seu medo era o mesmo que se condenar.
Sirius: “Oh, meu? Vocês dois parecem estar perdendo a cabeça. Amar e enriquecer as pessoas emocionalmente pode ser algo muito delicado às vezes. Ah, isso é porque o amor é simplesmente doloroso. Entretanto, é precisamente pelo fato de o amor existir que nós podemos sobreviver. Isso é mesmo algo muito difícil. Então, eu farei com que Tina-chan me ajude. Lusbel-kun se esforçou muito”.
Ser insensível ao valor da vida significava violar uma habilidade intrínseca à sobrevivência. Em outras palavras, o medo era necessário. Logo, não havia absolutamente nada por que se envergonhar por enaltecer o espetáculo de estar se sentindo tão apavorado, como é o caso agora. Claro, esse tipo de coisa era apenas uma suposição sem nenhum significado. Mas conduzir tais pensamentos era a melhor forma de resistir ao medo dominante e esmagador na esperança de encontrar uma ruptura vitoriosa, não era? Subaru certamente pensou assim. Lusbel, à frente dele, começou a ter convulsões enquanto seus olhos rolavam para trás de sua cabeça. A luz da vela que representava a vida daquele jovem garoto estava prestes a ser extinta.
Isso era triste e lamentável. Entretanto, Subaru não poderia ser desencorajado. Ele iria sofrer e lutar até o final. Não era isso que ele havia jurado naquela terrível, fatigante e nefasta provação há um ano? Senão, por que exatamente Subaru achava tão triste e doloroso sobreviver, mesmo assim? Assustador.
Muito, muito, muito assustador. Aterrorizante. Tudo era aterrorizante. Vivo. Aterrorizante. Piscando. Aterrorizante. Respirando. Aterrorizante. Rançoso. Aterrorizante. Nojento. Aterrorizante. Assustador. Assustador. Assustador. Assustador. Assustadorassustadorassustadorassustadorassustadorassustadorassustadorassustadorassustadorassustadorassustadorassustador—
Liliana: “Depois que a música acabar e elas voltarem a conversar, não deveríamos preparar algo para elas comerem e beberem? Alguns lanchinhos certamente vão dar uma amenizada no clima e diminuir a distância entre elas, você não acha?”
O mundo imediatamente virou-se de cabeça para baixo em um piscar de olhos, e Subaru entrou em colapso assim que ele ouviu o som fresco. O rosto desajeitado de uma garota encontrou-se com a queda dele enquanto ele colidia ferozmente com a testa dela.
Liliana: “Gah!?”
Subaru: “Huh?”
Uma voz aguda gritou.
Subaru cambaleou vários passos para trás devido à dor repentina e perfurante. Em algum lugar à frente dele, um som de alguma coisa caindo na grama foi emitido. Subaru não reagiu imediatamente, pois ele estava muito ocupado esfregando sua testa.
Subaru: “O-O que…?”
Emilia: “O que foi, Subaru? Você deu uma cabeçada na Liliana do nada. Isso não foi legal. Se você não gosta dela, você deveria resolver suas diferenças conversando um com o outro.”
Beatrice: “Está certo, de fato. Antes de recorrer à violência, nós devemos advertir amplamente aquela garota rude que nós iremos jogar ela pelos ares, eu suponho.”
Liliana: “Eu sou tão feia assim!?”
Liliana saltou para ficar de pé com um grito inesperado.
Ao ouvir as palavras dela, Emilia e Beatrice trocaram olhares, sem dizer nada. Liliana sofreu outro golpe e sucumbiu de novo.
Priscilla: “Que farsa ridícula. Plebeus não deveriam ter permissão para tratar meu pássaro canoro de tal maneira. Isso nunca irá acontecer de novo.”
Se recusando a tolerar a violência sendo imposta em Liliana, Priscilla anunciou uma reclamação sobre o comportamento de Subaru.
Subaru deu a ela um aceno superficial com a cabeça, confirmou sua localização mais uma vez, e
Subaru: “Nojento…”
Um segundo reinício não mudou nem um pouco a avaliação dele sobre aquela aberração.