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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 5 – Capítulo 3

Perspectivas de Cada Um

Emilia: “Não foi justo com o Otto-kun que nós decidíssemos tanto por nossa conta.” 

Após falar com Joshua e voltar para o quarto dela, Emilia fala enquanto ela oferece um assento para Subaru. Subaru se senta e ri,. 

Subaru: “Deixando o pânico de Otto de lado como uma lenda para as futuras gerações, eu basicamente sempre irei apoiar suas ideias, Emilia-tan. Mas se eu fosse mencionar algo para ficarmos preocupados, seria o fato de que eles estão prontos e esperando por nós.”

Emilia: “Eu não acho que Anastasia iria correr riscos de qualquer forma, se ela está enviando mensageiros. Mimi-chan pode ter estado lá, mas o Joshua-kun ainda tomou controle quando eu tentei tomar o controle.” 

Subaru: “Ela a reconhece como uma oponente se ela está enviando alguém da família do seu Cavaleiro como o mensageiro dela. Eu sempre me perguntei por que nos dramas de Sengoku, quando eles enviam pessoas importantes como mensageiras, eles apenas não as matam. Mas acontece que tem toda essa coisa por trás das cortinas. Eu não imaginava que iria aprender isso por experiência.” 

É uma questão de confiança entre as partes e as pessoas. Se as pessoas soubessem que os governantes agem injustamente, isso prejudicaria a permanência deles. E cada facção enfrenta muitos inimigos para ficar agindo de forma antagônica. Caso contrário, considerando que um grupo enfrenta mais inimigos quanto mais ele cresce, é uma lógica simples de que se deve ser cauteloso ao desafiar pessoas influentes.  

— A reunião com Joshua Juukulius acabou, e a noite baixou na nova Mansão de Roswaal. 

Já que seria péssimo enviá-los de volta no mesmo dia em que chegaram, eles convidaram Joshua e Mimi para passarem a noite, e aceitaram o convite para a Cidade de Pristella. Joshua foi bem imponente discutindo o tópico, mas todos viram seu alívio espreitando quando a parte deles aceitou o convite. O monóculo dele provavelmente era uma decoração para conquistar certa impressão dos outros, a de um jovem sério.  

Subaru: “Ele é bem mais gostável do que o irmão dele.”

Emilia: “Você é sempre tão insincero sobre o Julius. Você ainda tem ressentimentos daquela vez no palácio?” 

Emilia ouve o resmungo de Subaru, e se diverte zombando dele. Apenas pensar no caso costumava fazer o rosto dele se avermelhar em vergonha, e o estômago dele queimar com indignação. Mas quanto tempo se passou desde aquilo? 

Subaru: “A memória ainda está muito viva para eu ficar rindo e sorrindo sobre isso. Eu era jovem na época. E eu refleti sobre minhas ações. Gostaria que ele fizesse o mesmo.”

Emilia: “Mas eu ouvi que vocês já pediram desculpas e fizeram as pazes. É tão deselegante pedir desculpas superficiais e continuar fervilhando por dentro.” 

Subaru: “Mnngh——— Mas eu sou apenas humano!” 

Emilia olha pra ele com olhar de reprovação, mas Subaru se mantém egoísta. Subaru desvia o olhar. Emilia franze a testa por um momento, mas por fim não consegue segurar o sorriso dela. 

Emilia: “Tudo bem. Subaru, você só é egoísta. Mas você não está autorizado a brigar com Julius se nós virmos ele em Pristella. Você é um cavaleiro agora, e cavaleiros não devem usar o poder deles de forma errada.”

Subaru: “Sim, sim, você me venceu minha Soberana.” 

Subaru despista seu rosto corado com algumas piadas e esfrega o seu lábio superior. Ele olha distraidamente para o quarto de Emilia, antes de aparentemente se lembrar de algo. 

Subaru: “Oh sim, Emilia-tan. Eu não sei realmente muito sobre Pristella, ela é conhecida por algo?” 

Emilia: “Hmp, você precisa estudar mais, Subaru. Pristella é uma das cinco principais cidades de Lugnica. Ela fica no Rio Tigracy que marca a fronteira com Kararagi. Ela é famosa por ser construída em cima de um grande lago, com canais fluindo através da cidade.”

Subaru: “Ok então deixando de lado todas essas informações secundárias, ela é uma cidade flutuante. Bom, temos Veneza, então isso também deva ser possível por aqui.” 

Veneza vem à mente quando o assunto é cidades aquáticas. A cidade é cercada de águas por todos os lados, com lagos se curvando indiferentemente através da paisagem urbana de pedra. É um dos lugares românticos que todos visitam pelo menos uma vez na vida, e Subaru a relaciona com um local pitoresco também. E essa é a impressão que ele tem de Pristella. 

Emilia: “Não, Subaru. Pristella não é uma cidade flutuante, é uma Cidade das Comportas.” 

Subaru: “Comportas?” 

Emilia: “Sim. É uma cidade no meio de um lago, então a cidade inunda quando chove. Eles construíram paredes enormes em volta da cidade para impedir isso, e existem comportas para regular os níveis de água. As comportas são tão incríveis e famosas que eles não a chamam de cidade flutuante, e sim de Cidade das Comportas.”

A explicação de Emilia transforma a ideia de uma bela cidade aquática para uma jaula aquática fechada. O conceito é tão belo, mas então eles arruínam tudo com essas paredes gigantes. Subaru inclina sua cabeça, se perguntando por que eles criariam todo esse mecanismo. 

Emilia: “Eu acho que existem várias teorias por trás da construção da cidade. Como, eles estavam testando os limites da tecnologia deles, ou tentando dominar as cheias sem contar com magia ou o Dragão, ou tentando aprisionar uma poderosa Majuu maligna.” 

Subaru: “Nenhuma delas parece razoável mas todas elas de alguma forma parece possível o que te faz pensar que foram os humanos que a construíram.” 

Uma pessoa mediana não viria com essa ideia, mas os gênios da humanidade são fundamentalmente liberados dos reinos do senso comum. E algumas vezes as ideias deles são realizadas. Seja como for, 

Subaru: “Mas nós ainda não sabemos o que eles estão planejando. Duvido que eles apenas estão sendo gentis e nos dirigindo para aquilo que nós estamos procurando.” 

Emilia: “Você tem certeza? Você já considerou acreditar mais nas pessoas, ao invés de ser tão desconfiado?”

Subaru: “Desculpa, mas todas as candidatas têm seus defeitos. E eu não confio naquilo que eles estão tramando nem por um segundo.”

Crush por si só é confiável, mas Subaru não sabe se ela irá continuar uma dama recatada, e ele tem que ser cauteloso com Felix. O problema é resolvido se Willhelm tomar as rédeas de Felix, mas o Demônio da Espada também coloca Subaru à flor da pele. Conhecendo as circunstâncias, é difícil confiar neles quando eles forem deixados à própria sorte. 

Subaru não tem ideia do que Anastasia está pensando, ou o que a motiva. Ele não consegue adivinhar os motivos dela para enviar esse convite. Julius pode até ser o Cavaleiro entre os Cavaleiros, mas é Anastasia que está no controle definitivo. E a vida de negócios dos membros da Presa de Ferro não está relacionada com quem eles são como pessoas. Subaru não consegue desgostar deles. 

Reinhard e Rom da Facção de Felt talvez pudessem merecer confiança. Mas os pensamentos de Felt são incertos para Subaru. Contanto que ela continue desejando participar da Seleção, Subaru deve se preparar para o caso da diabólica garota traiçoeira estar planejando algo. Se ela seriamente utilizar Reinhard, e ele virar inimigo deles, a chance deles o vencerem em combate é um sonho entre os sonhos. 

A facção de Priscilla é a mais difícil de ser ler. Subaru não consegue confiar em nenhum deles. Al pode ter vindo do Japão, mas ele é surpreendentemente leal a Priscilla. Logo ele não irá pôr-se em pé por Subaru, enquanto o capricho de Priscilla já é aterrorizante o suficiente. Ela poderia aleatoriamente fazer uma visita para decapitá-lo com um sorriso em seu rosto. Esse é o nível de absurdidade dela. 

Apesar de que um ano se passou, nenhumas das candidatas sabem as motivações das outras. Subaru precisa investigar mais a fundo se ele quiser saber mais do que ele aprendera no Palácio. O que é um motivo para aceitar esse convite. 

Subaru: “Sinceramente eu estou apavorado com a ideia de ficar devendo para a Anastasia. Como ela descobriu que você estava procurando por um cristal mágico incolor afinal?”

Emilia: “Puck se revelou no Palácio, e eu não queria que ninguém soubesse que ele é limitado. Eu estava sendo tão cuidadosa— mas não tem como impedir as pessoas de sair dizendo coisas.”

Subaru: “É isso o que acontece. Então mesmo que nós peguemos o cristal mágico, isso significa apenas que as coisas estão de volta para a situação atualdo ponto de vista das outras facções. Os benefícios estão em estabelecer a dívida.” 

Dito isso, o retorno de Puck irá reforçar o já significante poder de combate de Emilia. Mas nenhum montante de poder de combate sozinho irá garantir a vitória de Emilia na Seleção. Apenas faria com que a vitória deles sobre o Grande Coelho fosse mais convincente, na verdade.  

― A vitória sobre o Grande Coelho no Santuário. 

A segunda conquista da Facção de Emilia, não ligada com a queda da Preguiça do Culto da Bruxa, infelizmente não é reconhecida pelo público. Não havia testemunhas para a derrota do Coelho, e é impossível recolher qualquer cadáver como prova. 

Eles jogaram aquela coisa para outra dimensão para nunca mais voltar. É a verdade, mas não é convincente. O feitiço Al Shamak que Beatrice usou caiu em esquecimento em outras eras, e lhe falta mana para demonstrar essa técnica novamente. 

Então embora eles tenham reportado a derrota do Coelho para a Capital, essa conquista ainda precisa ser considerada legítima. E se eles derem muito detalhes, eles teriam que descrever o Santuário em detalhes também, e isso revelaria que Roswaal mantinha uma vila oculta em seu território. No final das contas eles tiveram que parar de bater nessa tecla. 

Eles foram ditos que suas alegações iriam ganhar credibilidade se os Coelhos não aparecessem pela próxima década, mas a esse ponto isso seria tarde demais para ser uma conquista útil. Apesar de que isso não incomoda muito a Emilia, já que tudo aconteceu de forma extremamente repentina. 

Subaru: “Mas ainda sim é muito irritante. Sinceramente quanta dor esses malditos coelhos me fizeram passar…” 

Emilia: “Mas nós realmente derrotamos o Grande Coelho, mesmo que eles não acreditem na gente. Aquela majuu assustadora não irá machucar mais ninguém. Isso não é o suficiente?” 

Subaru: “Emilia-tan, você é positiva e generosa demais…”

Quando você faz algo justo, isso deve ser reconhecido. Emilia fala generosamente, fazendo Subaru reconhecer o quão patético ele é. O quão bom seria ele pensasse da mesma forma que a Emilia? Ele nunca conseguiria. Não ter o reconhecimento que ele merece apenas o irrita. 

Emilia vê Subaru emburrado, e a boca dela relaxa em um sorriso. Subaru não percebia que às vezes Emilia olhava para ele com um olhar carinhoso, ou que a expressão dela nesses momentos não possui a faísca maternal de uma mãe observando um filho, e é na verdade algo indescritivelmente complexo. 

Emilia: “E as pessoas já sabem que você conquistou coisas, Subaru. É formalmente reconhecido que você lutou contra a Baleia Branca e derrotou a Preguiça.” 

Subaru: “Em relação a esses… Realmente parece que eu só peguei os restos. As outras pessoas estavam fazendo muito mais do que eu contra a Baleia Branca, e só aconteceu de eu prendê-la no momento perfeito no final. E eu nem sequer derrotei a Preguiça com esse objetivo em mente.”

Tudo que ele estava pensando durante a luta contra Petelgeuse era em proteger Emilia. Ou não, isso não é bem preciso. O que Subaru sentiu naquela época era não só o desejo de proteger Emilia, mas também ódio pessoal por Petelgeuse. Não é uma questão de qual dos dois é legítimo. Ambos são, e os dois são o desejo pessoal de Subaru. Ele se sente incomodado com a ideia de que uma luta realizada com base em seu rancor pessoal seja considerada como sendo pelo bem de todo o mundo. 

Emilia: “Mas é o mesmo caso para o Grande Coelho. Você derrotou as duas Majuus que atormentavam o mundo por quatrocentos anos em um tempo tão curto… Eu sei que eu não posso falar muita coisa, mas parece que você está fazendo muuuuuito mais do que você deveria.” 

Subaru: “Sim. E aqui estou eu envolvido nos dois casos. Honestamente, eu acho que o que eu fiz foi exorbitante. Vamos apenas torcer para que essa última não apareça.”

Emilia: “—Sim,” 

Subaru confia no poder das palavras e reza para que ele nunca encontre a Serpente negra.  

Emilia: “Enfim, sobre Pristella.”

Antes que ele possa lidar com a mudança de atitude dela, ela troca de assunto. Obviamente ela não queria falar sobre isso. E, tendo amadurecido a uma pessoa mais sábia, Subaru decide não forçar uma explicação dela. Apesar de que às vezes ele se esquece de prestar atenção em coisas assim e age exatamente como ele era acostumado. 

Emilia: “Nós sabemos que nós vamos, mas nós realmente iremos com as mesmas pessoas? Eu queria conversar com o Roswaal sobre isso, também.”

Subaru: “Eu acho que nós estamos bem. Se você vai, então naturalmente seu Cavaleiro, que sou eu, e minha parceira Beako também irão. Mas falando sério, nós levaremos Garfiel para combate e Otto também, já que ele está tão insistente em ir. Eu realmente gostaria que Petra ou Frederica vissem também para que todas as suas necessidades fossem tratadas, porém…”

Emilia: “É uma pena. Roswaal está ocupado com o Encontro dos Lordes do Oeste. Nós sabemos que Petra precisa acompanhá-lo para seu treinamento de empregada. Apesar de que ela fica beeeeeem enfurecida com isso.”

Subaru: “Porque ela odeia Roswaal completamente depois do incidente do Santuário. Roswaal gosta disso, o que acalma a Ram, mas…” 

Petra está amadurecendo de forma justa e brilhante como empregada, mas sua essência ainda é perigosamente infantil. A aspereza dela com o mestre é particularmente notável, e ela teoricamente poderia fazer um chá para ele com a água da roupa torcida. Mas já que Subaru está do lado da Petra, ele está preparado para fazer vista grossa mesmo que ele hipoteticamente a flagre fazendo isso. 

Somente o tempo irá remendar a confiança quebrada. Mas parece que um ano ainda não foi o suficiente para a Petra começar a ouvir Roswaal. 

Subaru: “O que significa que Frederica deveria ir com eles como para moderá-la e servir como modelo de etiqueta apropriada, o que faz com que Ram fique na mansão. Espere, isso é perigoso.” 

Emilia: “Sério? Anne também irá ao encontro, então Clind-san vai junto. Estou certo de que ele será amigável com Petra, então talvez Frederica não precise ir.” 

Subaru: “Clind-san… Eu realmente não o entendo.”

Subaru pensa no poderoso mordomo da Mansão Milord, onde o grupo ficou enquanto a mansão deles estava sendo preparada. Ele trabalha de forma tão refinada que os olhos não conseguem acompanhar. Não é exatamente um elogio, mas é o que o descreve. 

O treinamento de Subaru com o Parkour também começou com Clind, que o ensinou os básicos. Ele treinou Subaru, que não conseguiria exceder os limites físicos de um homem normal, quando ele estava tentando aprender a se movimentar sem exceder seus limites. Annerose e Clind visitaram a nova mansão várias vezes para dar uma volta. Clind supervisiona Subaru praticando o parkour, mas então Clind superou a pista de obstáculos de Garfiel sem derramar uma gota de suor e sem bagunçar suas roupas. Ele não é humano. 

Subaru: “Mas deixando de lado quem ficará na mansão, nós não devemos nos preocupar muito com isso. E de qualquer forma eu deveria ser aquele mais preocupado em ser cauteloso. Vale pra você também, Emilia-tan.” 

Emilia: “Mm. Eu me sinto mal por tomar decisões sem fazer uma discussão. Eu terei que pedir desculpas para o Otto-kun.” 

Subaru: “Ele não liga muito para a dignidade dele, mas ele guarda rancor por anos. Eu vou falar pra ele que eu te coloquei de castigo a ponto de você chorar.” 

Emilia: “Heehee, obrigada.” 

Subaru dá um golpe no ar, e Emilia sorri. Ela põe a mão dela em seu peito e toca o pingente de cristal azul. Mesmo agora, o Grande Espírito Puck dorme naquele cristal. 

Ignore o verdadeiro poder dele, essa jóia não é forte o suficiente sequer para que ele se comunique. Se ele sequer se contrair, a jóia irá quebrar e ele irá ser liberado— ou pelo menos é isso o que Emilia e Beatrice dizem. Uma vez livre, Puck irá involuntariamente trazer grande destruição ao ambiente, eventualmente ficar sem mana, e desaparecer de volta para o lugar de onde ele veio. 

Emilia está constantemente fornecendo mana para o cristal para que isso não aconteça, e preservando o Puck. Agora eles apenas precisam fazer um bom cristal com a pedra mágica incolor e eles poderão ser capazes de restaurá-lo. Anastasia está dizendo que ela viu pedras mágicas que conseguiriam aguentar esse tranco. 

Emilia: “Uma vez que eu fale com Puck novamente… terá tantas coisas que eu gostaria de perguntá-lo. Então—”

Emilia fecha seus olhos, sem dizer mais nada. Os longos cílios dela se estremecem, e Subaru silenciosamente arranha a cabeça dele. Ele só consegue entender vagamente o que Emilia está pensando. 

Subaru: “É melhor você vir aqui logo, seu gato espírito. Eu tenho uma montanha de reclamações para você.” 

E, como o cavaleiro dela deveria, ele concorda com ela juntamente com os insultos dele. 


Otto: “Sabe! Eu estou dizendo isso com o interesse de todo mundo em mente!”

Otto Suwen bate com seu copo na mesa, claramente de mau humor. Após a conversa dele com Emilia e o jantar, Subaru decidiu ver Otto antes da sua rotina noturna, e ele o escutou ficar reclamando bêbado durante o tempo todo.  

Garfiel: “Já tá um tempão nisso daí. Minhas incríveis orelhas já tão cansada.” 

Diz Garfiel indignado, sentando ao lado de Subaru enquanto ele escuta Otto reclamar. Ele põe o mindinho em sua orelha e arranha a cabeça, suas presas estalando enquanto ele lambe o copo de leite dele. 

Subaru insiste que eles não devam dar álcool para menores como ele. Frederica e Ram concordam, e ele está tentando fixar uma idade de vinte anos como a idade mínima para beber na Mansão de Roswaal. Uma vez também Otto encorajou Garfiel a tomar um gole de álcool e aconteceu que ele não aguenta beber de forma alguma. Agora apenas olhar uma garrafa já é o suficiente para ele fazer careta. 

Subaru não irá desrespeitar as leis do antigo mundo, então os únicos que bebem na mansão são Roswaal, Otto, Ram e Frederica. O que significa que o único consumidor nesse cômodo é Otto. 

Subaru: “Não fique de mal humor. A Emilia sente muito por ter decidido tudo sozinha. Ela sabe que deveria ter discutido sobre isso. Não pense que isso faria alguma coisa mudar de qualquer forma.” 

Otto: “Mas existem coisas além das conclusões. O processo também é importante. É comum ter conversas onde a conclusão já é clara desde o começo, mas o caminho que você segue para chegar lá é essencial. Especialmente quando nós estamos aceitando a oferta deles de forma descuidada… você não pode cair nas mãos dos inimigos!” 

Subaru tenta aliviar as coisas, mas Otto o repreende. Ele está completamente certo então Subaru não consegue rebatê-lo, porém 

Subaru: “Mas que diabos, você realmente parece um cara dos assuntos internos. Isso depois do tanto que você resistiu à ideia? Acho que você não estava tão relutante afinal das contas.”

Garfiel: “A gente só ta aceitando a droga do convite, não é tão complicado, Otto-nii.”

Otto: “É quase revigorante o quão pouco vocês mudaram!” 

Subaru e Garfiel mergulham em direção a Otto em sintonia e dão um high-five. Os três amigos são mais ou menos da mesma idade, e costumam dar uma volta juntos. É bonito o quão naturalmente as conversas deles sempre entram nesse mesmo padrão. 

Quem liga pro que o Otto pensa. Ele é um maravilhoso Ministro de Assunto Internos. Ele foi bem-educado como um filho de comerciante, aprendeu os costumes do mundo como um comerciante viajante, e ele é inteligente e calculista. Isso deve ser um destino melhor para ele do que arriscar que alguém o passe a perna nele e ele se torne um escravo. Apesar de que, ele ainda inclina sua cabeça, se perguntando como isso sequer aconteceu com ele enquanto ele se lasca com essas montanhas de papelada. O cara é teimoso. 

Já que ele já viu a papelada confidencial de Roswaal, ele é acostumado com seu posto como ajudante da Emilia, e ele é metido até o pescoço com a administração do território do Marquês Mathers, logo ele não tem escapatória.  

Otto: “O que é esse, esse olhar piedoso? É como se vocês estivessem encarando uma galinha segundos antes de estrangulá-la.” 

Subaru: “É mais como se eu estivesse olhando para uma bateria de gaiolas com galinhas que vivem apenas para botar ovos.”

Otto: “Isso é ainda pior!” 

Garfiel: “Cê fique quieto. E para de provocar o Otto-nii, Capitão. As regras dizem para trabalhá dez Ottos por dia.” 

Otto: “O quanto é isso? Quanto é dez Ottos por dia!?” 

Grita Otto, com o rosto corado, mas nem Subaru nem Garfiel responderam. É assim que as coisas são quando ele está bêbado. Ele está trabalhando em um emprego estressante, então eles dão a ele o tempo dele beber, mas isso na verdade pode encorajar ainda mais estresse. 

Subaru: “Otto descarrega melhor gritando mesmo.”

Otto: “Claramente não!”

Garfiel: “Arram, arram, agora fica quieto e pegue mais um copo. Então Capitão, tem um negócio que eu quero confirmar contigo.” 

Subaru: “Oh? Essa é rara. Continue.”

Otto resmunga enquanto ele enche seu copo e bebe discretamente. Garfiel desvia o olhar dele, a sua boca branca de leite. 

Garfiel: “É sobre o que os inimigo tão fazendo, óbvio. As candidatas nunca tiveram nenhum confronto até agora, e agora ela tá na nossa cara caçando briga. Ela deve tá aprontando alguma coisa, certo?” 

Subaru: “Quer dizer, você está achando que ela está só chamando a gente para um duelo?”

Garfiel: “Claro que eu tô, porra. É o que ela tá querendo. Esquece aquele magrelo do Joshua, cê viu aquela moleca gata que tava com ele?”

—A moleca gata é da mesma idade que você. Esse comentário é muito sem gosto para Subaru realmente fazer. Mas qual é o problema dele com a Mimi? Até onde Subaru sabe, ela estava agindo da mesma forma de sempre, apenas caçando o chá dela e os biscoitos. E ela fez a mesma coisa no jantar também. 

Garfiel: “Aquela garota é mó forte. E ela tava encarando meu incrível eu, não só durante a conversa, mas durante todo a janta toda. Ela deve tê se ligado que eu sô o cara mais forte desse lugar.”

Subaru: “Você tem certeza…? Não, quero dizer, Mimi é forte, e ela é do tipo viciada em batalha, mas…”

Ela não parecia ser ligeiramente esperta o bastante para ter intenções escusas. Subaru só consegue ver ela como transparente, ou na verdade apenas uma cabeça-de-vento.  

Garfiel: “De qualquer forma, ela tá de olho no meu incrível eu enquanto ela ta aqui. Melhor garantir que tu e a Emilia-sama num sejam pegos por ela enquanto a gente ta aqui. Capitão, o Otto é um negócio, mas nós nunca vai se recuperá se a gente te perder.”

Otto: “Você percebe que esse feudo seria um desastre total se eu não estivesse aqui? Eu gostaria que você levasse isso em consideração às vezes!” 

Garfiel não está tentando menosprezar Otto enquanto ele exige cautela. É só que ele precisa fazer uma comparação se ele quer que Subaru entenda seu ponto. Apesar de que ele não perdeu a oportunidade de brincar com Otto. 

Subaru: “Sim, eu definitivamente irei contar com você pra isso. Não quero levantar muita bandeira então eu serei curto, mas, eu estarei contando com você, Garfiel.” 

Garfiel: “Arram, pode confiar. Confie no Mais Forte dos Escudos, vulgo Guardião Lendário, Garfiel Tinzel!” 

Garfiel orgulhosamente aponta para si mesmo com seu dedão. Subaru acena com a cabeça para ele. Ele bebe um gole do seu próprio copo de leite, se lamentando com o quão incríveis são os títulos do Garfiel 

Subaru: “Eu me pergunto se algum dia eu terei um ataque de gênio como quando eu nomeei a Invisible Providence de novo… somente o destino quando ele vai sorrir pra mim de novo.” 

(N/T: Invisible Providence está em inglês pois Subaru nomeou o poder da mão invisível em inglês.)

Garfiel: “Cê tá pensando em alguma coisa de novo. Cê não precisa se incomodá.  Cê vai conseguir fazer as coisa quando realmente importa. Eu tenho fé nisso.”

É a mesma coisa com Emilia, mas a confiança no olhar de Garfiel é incrivelmente convincente. Ela instantaneamente faz Subaru sentir que ele deve corresponder essa confiança. Ele está tentando não confundir o auto-aperfeiçoamento necessário para alcançar essa confiança com esforço cego e mal direcionado.  

Subaru: “Se nós temos o Garfiel então não precisamos nos preocupar com nosso poder de combate. Emilia-tan é bem forte por si só também, e eu sou decente o bastante com Beako. O problema aqui é o Otto… você realmente vai vir com a gente?”

Otto: “É obvio que eu vou! Eu não quero nem imaginar em que tipo de situação insana você e a Emilia-sama vão se enfiar se eu não for com vocês!” 

É até eletrizante o quão pouco eles confiam em Subaru quando se trata de negociações. Emilia é tão honesta e pura o quanto ela parece, e Subaru apesar de ser diabólico ele também é inexperiente. Então naturalmente eles parecem dois patinhos sentando do lado do Otto. 

Otto: “Além disso, Pristella é a cidade natal do Hoshin das Planícies, o fundador de Kararagi. Ela tem contato com Kararagi já que fica na fronteira, fazendo dali um lugar bem relevante para comerciantes. Eu me vejo obrigado a visitá-la também.” 

Subaru: “Eu pensei que você tinha largado completamente a ideia de ser um comerciante há um tempão atrás. Onde é que você tá com a cabeça?” 

Otto: “Você está enganado se você acha que eu vou me render à ideia de ser um Ministro de Assuntos Internos para sempre! Meu objetivo final ainda é ser um comerciante bem sucedido com sua própria loja! Esse é um caminho necessário para chegar lá, um caminho necessário para o meu objetivo!” 

Garfiel: “Possível que o caminho te leve pra tua morte.”

Essa história de prender ele aqui é honestamente bem superficial e se ele quiser ir e ajudar eles como Ministro de Assuntos Internos, faz sentido que Otto junte-se a eles. Todo mundo na mansão sabe, apesar das provocações, que eles não conseguem funcionar sem o Otto. E Otto sabe disso, também, e é por isso que ele não pode se afastar. 

Subaru: “Ou talvez você seja só um masoquista, mas eu não vou considerar isso.”

Otto: “Por acaso você concordou comigo de uma forma incrivelmente rude ou eu só estou imaginando isso!?” 

Subaru: “Não importa. Anastasia estará lá, e nós não sabemos em quais termos ela irá tocar com a gente. Mas estamos contando com você. Você na parte burocrática, Garfiel na parte militar. E eu estarei lá para fazer as coisas ficarem mais divertidas.” 

Otto: “Faça mais coisas!”

Subaru poderia tentar o seu melhor, mas ele nunca seria mais forte do que Garfiel. Ele poderia estudar ao seu máximo, mas ele nunca seria melhor do que Otto como um burocrata. 

Subaru: “Apenas farei o que eu tiver que fazer. Esse é um dos pontos positivos para auto-aperfeiçoamento que eu refleti sobre com a Beako.”

Garfiel: “Cê vai ficar bem se Emilia-sama e a Beatrice estiver contigo. O que quer dizer que meu eu incrível vai fazer cobertura para o Otto-nii. Fica de olho nas tuas costas por mim, beleza?” 

Otto: “Por que parece que eu sou o maior fardo aqui? Eu não consigo admitir que eu concordo com isso!” 

Subaru fica sério, e Garfiel aceita seu posto de babá. Otto se queixa e toma outro gole de sua bebida. A noite fica mais escura, o clima agradável. 

Subaru: “Bom, já que nós vamos estar ocupados amanhã, eu vou parar por aqui. E quanto a você, Garfiel?”

Garfiel: “Eu vô ficá aqui e bebê mais um pouco com o Otto-nii. Eu tô bem próximo de ganhar dele no Xatranje. Devo conseguir agora que ele tá bêbado.” 

Garfiel desconsidera Subaru e pega um tabuleiro e algumas peças no fundo do cômodo. O jogo é chamado de Xatranje, com regras similares ao Shogi ou Xadrez. Subaru fica impressionado em como todo mundo tem esses jogos. Otto é aparentemente muito bom nesses jogos, e apesar de que Garfiel tem se esforçado ao máximo, ele apenas perdia e perdia. Subaru é escandalosamente bom em Othello, mas ele sofre com Shogi e Xadrez. 

Subaru: “Não fique acordado até tarde. Isso vai retardar seu crescimento.”

Garfiel: “Cê já falou nisso uma vez então eu to fazendo isso mas cê tem certeza que isso funciona mesmo? Meu incrível eu sente que eu não cresci nem um pouco esse ano.” 

Subaru: “Frederica absorveu um pouco do crescimento então seu caso é complicado.” 

Garfiel: “Vai se foder Irmãzinha!” 

Ruge Garfiel, rangendo seus dentes enquanto ele bate o tabuleiro de Xatranje na mesa. Ele então começa a meticulosamente arrumar as peças pequenas. Então ele observa Garfiel, Subaru acena para Otto, que está corado. 

Subaru: “Não vá ficar muito bêbado também. Se você ficar de ressaca e inutilizável, Petra vai piorar ainda a impressão dela sobre você.” 

Otto: “Eu sinto que ela tem sido um pouco cruel comigo recentemente, mas talvez seja impressão minha. Você poderia ter uma conversa com ela?” 

Subaru: “Quer dizer, falar para ela se esforçar mais?”

Otto: “Eu claramente estava te pedindo para falar pra ela ser mais gentil comigo!”

Subaru responde com um sorriso amargo, dizendo para Otto que isso é impossível, e ele deixa ambos jogarem Xatranje enquanto ele sai do cômodo. As luzes do corredor indicam para Subaru que já quase se passou da meia-noite. Normalmente ele já estaria na cama a essa hora, mas, 

Subaru: “Acabei chegando tarde hoje.”

Subaru ignora a escadaria para seu quarto no terceiro andar da ala leste, e vai em direção ao dormitório feminino na ala oeste. Onde, 

Subaru: “—Você se importa se eu entrar?” 

Subaru sempre bate na porta. Ele sabe que ninguém irá responder. Nesse caso ele fala isso por que ele tem esperança? Ou talvez ele confirme que não tem resposta, para que ele não se esqueça. 

—Para que ele não se esqueça do inferno, sempre ardendo em seu coração? 

Subaru: “—”

Subaru abre a porta. Um quarto escuro o recebe. É um quarto simples. Sua configuração é idêntica aos outros incontáveis quartos de convidados na mansão, mas esse plenamente carece de mobília. Apenas uma cama no meio do quarto, janelas, cortinas, uma mesa pequena e um vaso com flores. Subaru sabe que ninguém irá reclamar, mas ele ainda não gosta da austeridade. 

Chame de sentimentalismo, mas ele deseja que o local tenha mais calor humano. Talvez nunca chegue o dia onde ele não consiga não considerar esse desejo como uma fraqueza. 

Emilia: “Se você pudesse racionalizar as coisas dessa maneira, eu não acho que nós conseguiríamos encontrar um denominador comum para nossos argumentos um dia. Eu gosto taaaanto de você do jeito que você é.“

Beatrice: “É um vício querer coisas além das suas possibilidades, de fato. Subaru, você é descuidado quanto está sozinho, eu suponho. —Mas você não está sozinho mais, então eu irei fazer algo por você mesmo que você esteja sendo ganancioso, de fato.“

Subaru: “Elas estão me mimando. E Emilia-tan está tentando com essas declarações provocativas.”

Subaru gostaria que ela fosse mais cuidadosa ao dizer ‘Eu gosto de você’ ou ‘Você é tão legal’. Ele disse a ela como ele se sente, mas Emilia é muito imatura com relação a isso. O relacionamento deles ainda precisa chegar ao romance. Mas mesmo supondo que de repente ele virasse romance, Subaru ainda não está preparado mentalmente para isso ainda. Dê a ele mais dois anos, não, três— ou ainda mais se for possível. Esse é o tipo de perdedor que ele é. 

Subaru: “Meu Deus, é tão rude da minha parte ficar falando sobre a Emilia ou Beatrice enquanto eu estou aqui. Petra me bateria se ela escutasse isso.”

Petra pode ter a melhor compreensão de romance e suas sutilezas de todos da mansão. De alguma forma todos são terríveis com relacionamentos. Roswaal lidera com sua obsessão tóxica, enquanto todos os outros também têm suas fraquezas. Os sentimentos de Garfiel por Ram ainda é uma queda de ensino fundamental, apesar de que Subaru não tem moral para julgá-lo por isso. Os conceitos de Ram sobre lealdade extrema ditando amor são desconcertantes, e a vida amorosa de Frederica é completamente desconhecida. Às vezes quando Otto está bêbado ele menciona sua má reputação por ser mulherengo, mas o consenso é de que essas alegações são mentirosas e pretensiosas. É uma desgraça para esses adultos que uma garota de treze anos esteja derrotando eles. 

Subaru: “É assim que as coisas são. Eu não acho que essa tendência vai mudar muito, mesmo após você acordar. Seja porque eu sou um perdedor, ou porque você me respeita.” 

Subaru pega uma cadeira e se senta do lado da cama. A luz da lua passa pela fenda nas cortinas, iluminando o rosto dela enquanto ela dorme. 

A luz da lua derrama sobre o rosto pálido dela, seus lábios rosados. Ela é uma bela adormecida com cabelo azul curto, o corpo curvilíneo dela vestido uma camisola fina. O peito dela subindo e descendo de acordo com a respiração dela. 

—Ela tem dormido por um ano. 

Subaru: “Tenho várias coisas para te contar hoje, já que alguns visitantes apareceram sem serem convidados, e com uma oferta maluca. Eu comecei o meu dia com o meu—” 

Subaru conversa calmamente com ela enquanto ela dorme. Ele usa a mesma fraseologia de sempre, mas o tom dele é incrivelmente gentil. Ele fala como se estivesse recitando uma canção de ninar para uma criança dormir enquanto ele alegremente conta para ela sobre o dia dele. 

Ela não responde. Apesar disso, esses encontros acontecem toda noite. Essa noite é um rifle cheio de munição de coisas para discutir. Até que a lua se abaixe no céu, a história continua entre Subaru e a Bela Adormecida. 

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