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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 5 – Capítulo 2

Linhagem do Farsante

Subaru inclinou sua cabeça em confusão enquanto Mimi balançava seus braços em sua frente, com alegria. “Festa” era uma palavra um tanto extravagante, e havia sido dita assim do nada.

Subaru: “Um convite pra uma festa… da Anastasia-san?  Mas tipo o que aconteceu? Tem algo pra celebrar?”

Mimi: “Celebrar? Celebração? Tanto faz! Quem liga, vai ser tão divertido, vamos se empanturrar de comida e beber álcool até cair no chão! Tão! Divertido!”

Subaru: “Você claramente é jovem demais pra beber.”

Mimi: “Hehehe. A partir desse ano eu já sou adulta! Chefe disse que eu posso beber! Mas a minha Patroa não deixa.”

Mimi estufou o peito, toda orgulhosa, e os ornamentos em forma de sino em seu cabelo badalaram. Subaru arregalou os olhos, perplexo,

Subaru: “Pera, se você pode beber, quer dizer que já tá crescida!? Nem vem. Quantos anos você tem?”

Mimi: “Eu acabei de fazer quinze anos! Então agora sou uma adulta crescida! Já sou gente grande!”

Subaru: “‘Gente grande’ não fala como se tivesse no primário! De qualquer forma…”

Tendo recuperado a compostura, Subaru colocou uma de suas mãos em seu peito enquanto percebia as diferenças entre a vida adulta deste mundo e a do seu mundo antigo.  Era essencialmente um Genpuku. Nesse mundo você podia ser considerado de maior com mais ou menos 15 anos, a partir dessa idade ela poderia legalmente beber e fumar.

Subaru: “…é verdade isso, Petra?”

Petra: “Sim, está correto. Se for para se aprofundar mais no assunto, garotos deixam seus lares e buscam trabalho aos quinze anos, enquanto algumas garotas começam a se casar nessa idade também. As que não se casarem normalmente começam a trabalhar ao invés disso, como foi o caso comigo.”

Subaru: “O que quer dizer que você deixou seu lar bem cedo. Você é uma garotinha precoce, hein.”

Petra: “Hehe, eu sou uma garotinha pre… Eu não acho que isso foi um elogio.”

Petra encarou Subaru, que foi em direção a uma Beatrice exausta. Mimi havia acabado de soltá-la, suas tranças estavam meio bagunçadas. Ela olhou para Subaru com uma expressão de irritação.

Beatrice: “Betty está exausta depois de participar do seu treinamento e ser maltratada por essa gata, eu suponho… Subaru, me carregue.”

Subaru: “Participar? Mas você só ficou observando…”

Beatrice esticou suas mãos em direção a Subaru, que a segurou em seus braços. Já que ele estava um pouco mais musculoso e ela era leve como uma pena, Subaru não se incomodava com o peso. Se bem que ele se parecia com um pai cuidando da filha, o que não era uma impressão ideal.

Mimi: “Oooh! Você tá carregando o nenê! Que incrível! Carrega eu também! Eu também!”

Subaru: “Com o seu Chefe pode ser diferente, mas eu fisicamente não consigo. Pedido negado.”

Mimi: “O quê?! Isso não vale! Não vale! Injustiça! Injustiça!”

Mimi começou a correr de um lado para o outro em volta de Subaru enquanto ele estava segurando Beatrice, que por algum motivo estava com um sorriso vitorioso estampado no rosto. Mimi por fim agarrou a roupa de Subaru e…

Mimi: “Tá bom então! Se é assim eu subo sozinha!”

Subaru: “Idiota! Pare com isso, você vai me derrubar. Petra, me ajuda aqui a par— o que você está fazendo?”

Petra: “Ah, err, eu não estou com ciúmes nem nada. Com certeza não. Mas você se importaria se eu subisse em você também, Subaru-sama?”

Subaru: “Hmm, sim!?”

Subaru estava com uma garotinha nos braços enquanto era perseguido incessantemente por outras duas. E eles continuaram a fazer uma bagunça sem se resolverem.
Até que…

???:  “Estava me perguntando porque estavam demorando tanto e me deparo com vocês fazendo uma confusão e tanto na entrada.”

A voz gélida fez com que Subaru e Petra endireitassem suas colunas. Beatrice suspirou, já os olhos de Mimi começaram a brilhar de curiosidade por conta da voz.

A voz veio da escadaria com vista para a entrada. Subaru olhou para cima e percebeu que havia uma garota parada lá, de onde ela poderia ver todo mundo. Ela tinha cabelo rosa e usava uma roupa curta de empregada. Seus olhos cor de cereja pareciam apáticos, e, mesmo que ela fosse fofa, sua personalidade estava longe de ser adorável. Esta era Ram, colega de trabalho de Petra e chefe das empregadas da mansão.

Ela encarou Subaru com um olhar frio e soltou um “Ha.”

Ram: “Nojento.”

Subaru: “Você que é a nojenta por chegar nessa conclusão! Se é saudável ou não, aí é discutível, mas você tem que admitir que é uma cena comovente!”

Ram: “Você sempre distorce a realidade como bem entende. Mas não se esqueça, Barusu. —Eu julgo apenas com base naquilo que vejo.”

Subaru: “Então poderia por favor tirar esse filtro zoado que você tem antes de sair olhando por aí?”

Ram olhou para ele de forma desinteressada, aparentemente sem a intenção de ouvi-lo. Enquanto ignorava Subaru, ela olhou para Petra, que começou a tremer instantaneamente.

Ram: “Petra. Eu te disse para levar o Barusu até pelo pescoço se for preciso. Gostaria de explicar o que estava fazendo aqui na entrada brincando com ele?”

Petra: “D-Desculpa, Ram-nee-sama.”

Ram: “Me parece que não estava ouvindo, Petra. Se não me engano fiz uma pergunta, o que estava fazendo brincando na entrada?”

Subaru: “Pare de falar com ela desse jeito. Era eu que estava fazendo merda. Não é culpa da Petra.”

Ram: “Claro que é culpa dela. Eu vou te bater, Barusu.”

Subaru: “A culpa é um pouquinho dela!”

Contente com esse meio-termo, Ram apontou com a cabeça para o cômodo atrás dela.

Ram: “Você não deve deixar Emilia-sama esperando. Barusu, vá para a recepção no andar de cima. Petra, vá para a sala de jantar. Beatrice-sama, acompanhe Barusu.”

Beatrice: “Claro, eu suponho.”

Mimi: “E eu? Vaaai, e eu?”

Petra relutantemente soltou a manga de Subaru, mas ainda assim continuou sendo agarrada firmemente pela garota gato, cheia de energia como sempre. Ram passou para o lado as mechas que estavam em sua bochecha e respondeu…

Ram: “Peço que acompanhe Subaru para a recepção, cara convidada. Presumo que sua ausência esteja começando a deixar o seu companheiro nervoso.”

Mimi: “Certo. Pelo visto vou ter que voltar lá. Fiz caquinha.”

Até mesmo Ram era educada quando estava recebendo visitantes. Mimi respondeu rindo bem alto, mas Subaru percebeu algo que não poderia deixar passar batido.

Subaru: “‘Companheiro’? Mas você não disse que tava sozinha?”

Mimi: “Eu disse, e estou. Nem o Hetaro nem o Tivey nem o Chefe nem o Julius nem a minha Patroa estão aqui. Só o Joshua. E eu estou sozinha sendo a garta-coshtas, garda-coshtas?”

Subaru: “Guarda-costas?”

Mimi: “Isso! Guarda-coshtas!”

Mimi estufou o peito enquanto sorria. Subaru passou a mão em sua cabeça antes de olhar novamente para Ram.

Subaru: “Desculpa. Eu tava achando que era só a Mimi. Não percebi que deixei alguém esperando.”

Ram: “Deu para ver. Tudo bem, mas se apresse. Não demorará muito até a paciência de Emilia-sama se esgotar.”

Subaru: “Isso não me parece uma boa. Ok, até mais, Petra. E vamos lá, Mimi.”

Mimi: “Ihul!”

Quem era esse tal de Joshua?

Ele devia ser alguém da facção da Anastasia que Subaru nunca ouviu falar. Se estavam mandando ele como um mensageiro e até deixando Mimi como sua guarda-costas, ele devia ser alguém importante. Se bem que Mimi não usava honoríficos quando falava dele, mas, levando em consideração como ela era sempre amigável com todo mundo, não indicava muita coisa.

Petra: “Eu vou fazer tortas assim que a poeira baixar. Você vai prová-las, não vai, Subaru-sama?”

Foi o que sussurrou Petra antes de sair do recinto. Frederica provavelmente estava na sala de jantar à sua espera. Subaru não tinha certeza de se iriam servir a comida na recepção, mas, de qualquer forma, parecia que ia demorar um pouco até que ele conseguisse provar as tortas de Petra.

Subaru: “Quem mais tá na recepção com a Emilia-tan?”

Ram: “Já que Roswaal-sama ainda não retornou, apenas o Otto e o Garf. Se por acaso o visitante for um assassino infiltrado, o Garf será mais do que o suficiente para lidar com ele.”

Subaru: “Acho que a gente não precisa nem se preocupar com ataques diretos. Eu já disse pra Emilia-tan que é só usar o Otto como um escudo humano.”

Ram: “Se algum dia eu me sentir em perigo, farei o mesmo.”

Não havia palavras para descrever como tratavam Otto. Bem, na verdade havia. Seja como for, se essas três pessoas estavam na recepção, então Otto provavelmente estava se esforçando mais do que aguentava. Caso falhassem em ajudá-lo, poderiam acabar perdendo seu precioso Ministro de Administração Interna.

Beatrice: “Ele nunca é recompensado, eu suponho. Não entendo porque ele sequer é seu amigo.”

Subaru: “Pode ser invisível pros outros, mas estamos conectados por um laço sólido de amizade masculina. Dura feito pedra.”

Mimi: “Ohh! Dura feito pedraaa!”

Ram suspirou e os guiou até a recepção, era a primeira porta com a qual você se deparava ao subir a escadaria. Ram bateu na porta, que foi aberta por dentro. O rosto que apareceu na fresta da porta era de…

Garfiel: “Aí que tu tá, Capitão. Tu tava demorando tanto que pensei que ia tê que te buscar.”

Subaru: “Ia ser engraçado se todo mundo dissesse que ia atrás de mim e deixassem o Otto por conta própria.”

Garfiel: “Merda, ia mesmo. Agora tô imaginando ele dando a louca e gritando de lá pra cá.”

Garfiel, com seus cabelos loiros curtos, presas afiadas e sua característica cicatriz na testa, sorriu de forma maliciosa em resposta às palavras de Subaru. Ele apontou para dentro do cômodo com sua cabeça e cruzou os braços, como se estivesse de guarda na porta.

Garfiel: “Pode entrar. O visitante disse que era importante tu tá aqui pra ouvir o que ele tem a dizê. O Otto e a Emilia-sama tavam tentando dá as boas-vindas pra ele, parecia mais uma comédia.”

Subaru: “Sinceramente, eu queria ter visto isso.”

Ram: “Chega de conversa furada, entre logo. Já estamos atrasados o suficiente.”

Subaru: “Guh.”

Ram chutou Subaru bem no meio de suas costas, fazendo com que ele entrasse cambaleando no cômodo. A postura estranha com a qual entrou na recepção fez com que todos lá presentes olhassem para ele. As emoções predominantes em seus rostos eram de alívio, irritação e confusão, respectivamente.

Subaru segurou sua vontade de pedir desculpas pelo atraso ao aliviado e ao irritado, virando em direção ao indivíduo confuso ao invés disso.

???: “—”

O bonito e elegante homem olhou de volta para Subaru. Sua silhueta estava envolta em roupas chiques e seus longos cabelos violetas estavam amarrados em um rabo de cavalo. Ele dava um ar de erudito, com seu monóculo apenas reforçando esta ideia. Seus olhos amarelados eram um tanto penetrantes e seus lábios estavam selados, estava com uma expressão descontente no rosto ao ver o nada familiar Subaru.

Homem: “E este seria…?”

O visitante foi o primeiro a falar. Ele desviou o olhar, mudando de Subaru para as duas pessoas sentadas atrás dele. Uma linda garota com longos cabelos prateados acenou com a cabeça e o respondeu.

Emilia: “Certo. Perdão pelo atraso dele. —Este é Natsuki Subaru, meu cavaleiro.”

Ele sentiu suas costas formigarem. As palavras “Meu cavaleiro” eram tão maravilhosas que o cativavam sempre.

Homem: “Posso apontar o fato de que ele parece um pouco, hmm, extasiado…?”

Beatrice: “Subaru, pare de ficar fazendo caretas, eu suponho. Ele vai acabar pensando qu… hã? Err, está segurando com muita força. Não, você está, apertando demais—Suba–Subaru! Ai! Ai, eu suponho!”

Subaru: “—Aah! Ahh, foi mal. Eu não tava com a cabeça no lugar.”

Ele havia quase esmagado Beatrice até a morte sem querer para se distrair de seus sentimentos. Um abraço de urso ou talvez um abraço de Beako. De qualquer forma. O visitante olhou incrédulo para Subaru, que limpou a garganta e colocou Beatrice no chão.

Subaru: “Como dito agora há pouco, eu sou Natsuki Subaru. Sirvo como o cavaleiro de Emilia-sama, que está aqui presente. É um prazer conhecê-lo.”

Homem: “—”

Seu uniforme esportivo o fez parecer mais desleixado, mas seus modos se alinhavam perfeitamente com a etiqueta apropriada. Ele costumava ser meio cínico quanto às atitudes pretensiosas dos cavaleiros, mas agora que estava tentando por conta própria, percebeu como funcionava muito bem para ele. Não era uma questão de combinar ou não com ele. É só que ele se sentia mais como um cavaleiro. A pressão de saber que seria ridicularizado se desse um passo em falso mostrava o quão importante era essa seriedade severa dos cavaleiros. Então, sob os cuidados de Garfiel, o “Fanático por Cavaleiros”, e seu extenso conhecimento sobre cavalheirismo, Subaru aprendeu a se portar como um cavaleiro e a não humilhar a si mesmo.

Subaru deu uma olhada rápida para Garfiel, que estava ao lado da porta com uma expressão contente. Garfiel percebeu o olhar de Subaru e mostrou o dedo do meio. Subaru que ensinou isso a ele, mas ele estava usando de forma errada. Como professor ele podia até ser excelente, mas como aluno ele era uma decepção.

Homem: “Não é para tanto. Eu… A minha pessoa se chama Joshua Juukulius, um mensageiro enviado por Anastasia Hoshin-sama.”

Subaru: “Então você que é o Joshua-san. É um belo nome. Ainda assim, devo pedir perdão pelo atraso. Permita-me… Juukulius?”

No meio de sua frase, Subaru percebeu a familiaridade da palavra e inclinou a cabeça, confuso, então Joshua, em resposta a isso, acenou com a cabeça e disse “Sim.”, sendo logo complementado…

Emilia: “Isso mesmo, Subaru. O Joshua é o irmão mais novo do Julius. E os dois estão dando suporte à Anastasia juntos, é tããão adorável.”

Disse alegremente a garota, sua atitude recatada já havia desaparecido, seu jeito de falar ficou mais casual. O rosto com o qual ela olhava para Subaru era, naturalmente, seu verdadeiro rosto. Subaru soltou um suspiro, encarando Joshua de forma rude enquanto sentava-se de frente a ele, havia se sentado ao lado de Emilia espontaneamente.

Subaru: “Então é isso, ele é irmão do Julius. Na verdade, agora que eu parei para olhar, eles são bem parecidos. Você tem aquele mesmo olhar desprezí… digo, intenso dele. E um sorriso sarcást… digo, elegante que nem ele. Seu cabelo tem a mesma diaból… digo, linda cor que o dele.”

Otto: “Se é para ficar se forçando a isso então não seria melhor simplesmente não falar nada?”

Disse Otto, incapaz de esconder que estava suando frio. Ele era o Ministro Principal de Administração Interna da facção de Emilia, ou melhor, ele era o único com as qualificações para o título, e por isso que ele o tinha. Mas diplomacia o deixava aterrorizado.

Subaru: “Você emagreceu?”

Otto: “A vida aqui é simplesmente corrida demais! Quando coisas assim ficam acontecendo toda hora, eu fico tão cansado mentalmente que nem tenho a energia para me exercitar, e por causa disso estou esquelético! Esquelético!”

Mimi: “Isqueléticu! Isqueléticu!”

Gritou alegremente Mimi, o que, sem querer, acabou agitando Otto mais ainda. Otto só havia ficado de boca calada porque Mimi estava acompanhando o visitante. Ela o ignorou completamente enquanto corria rapidamente para perto de Joshua e pulava no assento ao lado dele. Beatrice também procurou onde sentar, mas Subaru, Emilia e Otto já estavam ocupando todos os lugares de frente para Joshua e Mimi. Eles poderiam se espremer e abrir espaço para ela sentar, mas seria constrangedor. Então Beatrice decidiu sentar-se no colo de Subaru, que prontamente colocou a mão em volta da cintura dela para evitar que ela caísse.

Subaru: “Ok, de volta ao assunto…”

Joshua: “E-Espere, por favor! Quem é essa garota?”

Acabou que Joshua estava confuso demais para conversar. Ele apontou para Beatrice, que estava sentada no colo de Subaru, inclinando-se para frente com tanta força que seu monóculo saiu do lugar. Pelo visto, ao contrário de Julius, ele não era tão recatado. Subaru acabou decidindo que preferia mais esse jeito de ser dele ao do Julius, tudo enquanto Mimi respondia em voz alta.

Mimi: “Nossa, como assim você não sabe, Joshua?. Essa é a Beako, ela é a neném do Subaru. Óbvio. E do ladinho dele a mamãe, do outro o faxineiro?”

Otto: “Sinceramente, já não tenho confiança na minha posição atual e ainda me chamam de faxineiro, poderia por favor parar?”

Mimi: “Faxineiro! Faxineiro! Uau! Parece o nome de um majuu!”

Os pedidos de Otto foram completamente ignorados por Mimi, a encarnação da inocência. Ninguém se importou com Otto, que baixou os ombros. Subaru colocou sua mão na cabeça de Beatrice e…

Subaru: “Foi mal por não ter dito antes. Estamos tão acostumados a sentar desse jeito que eu me esqueci completamente de explicar.”

Emilia: “Otto-kun se esqueceu também. E me pegou incauta também.”

Subaru: “Quem é que fala ‘incauta’ hoje em dia?”

Subaru fez o seu comentário de sempre, mas concordava com o que Emilia disse. Otto devia estar tão acostumado com isso que estava esquecendo de interrompê-los com bom senso. Era um problema extravagante, por assim dizer.

Subaru: “Essa é a Beatrice. A Mimi acertou, ela é a minha filha com a Emilia-sama.”

Joshua: “O quê?”

Joshua ficou chocado.

Emilia: “Poxa. Ela não é, Subaru. Olha só como você deixou o Joshua. Eu sei que nós nos beijamos, mas não dá para ter filhos com um beijo. Eu andei estudando.”

Subaru: “Ah, foi mal, Emilia-tan. E eu acho que uns assuntos pessoais acabaram de vazar. Foi minha culpa então vou apresentar ela direito.”

Beatrice: “É isso que acontece quando você me usa para essas brincadeiras. Espero que se arrependa disso, eu suponho.”

Subaru deu um sorriso forçado para Emilia e Beatrice. A única parte que foi corrigida do mal-entendido de Emilia, sobre como crianças são feitas, havia sido a parte de “com um beijo”. Subaru tentava não se aprofundar mais no assunto e, antecipando o choque que isso teria em Emilia, as mulheres de sua facção decidiram esperar até ela ficar mais madura mentalmente. Basicamente todo mundo ali era superprotetor.

Joshua: “Err… então, a Senhorita Beatrice seria…?”

Joshua colocou seu monóculo de volta no lugar, tendo sido completamente vencido pela iniciação da Mansão de Roswaal e de seus integrantes. Se bem que essa desordem não deveria ser tão diferente daquela na facção da Anastasia, por causa dos Presa de Ferro.

Subaru: “Foi mal por ficar fugindo do assunto assim. Beatrice pode até parecer uma garotinha adorável qualquer, mas ela é o espírito com o qual estou contratado. Ela é uma vovóloli.”

Beatrice: “Exatamente, sou um espírito. E eu sei que você está zombando de mim com esse ‘vovóloli’, eu suponho.”

Beatrice deixou de lado a mão de Subaru e acomodou a cabeça na parte de baixo do queixo dele. Ela estava se tornando fluente em Subaruês, fazendo com que coisas assim não passassem despercebidas. “Vovóloli” era só uma combinação de “Vovó” com “Loli”, uma palavra que já foi explicada para ela, era óbvio que perceberia.

A reação de Joshua quanto ao bate-papo entre Subaru e Beatrice foi extrema. Sua expressão perplexa, porém charmosa, se tornou gélida.

Joshua: “—Entendo. Ela é um espírito.”

Ninguém ouvindo esse seu sussurro seria capaz de decodificar com qual emoção estava carregado. Mas não porque ele estava escondendo suas emoções, era o oposto. A emoção era tão confusa e complexa que era impossível de se compreender o que significava. Mas era óbvio a todos que esta frase não havia sido dita com um tom amigável.

Garfiel: “Ei, visitante. Tu tem algum problema com o nosso Capitão tê um espírito?”

Garfiel assumiu o antigo papel de Subaru, que era basicamente desrespeitar todo mundo. Enquanto os outros estavam refletindo em como falar sobre o problema, ele foi direto ao ponto. Isso fez Joshua rapidamente chacoalhar sua cabeça de um lado para o outro.

Joshua: “Não, nada demais. É só que caiu a ficha para mim que Natsuki-dono é um Cavaleiro Espiritualista. Como já deve saber, meu irmão também é. O título é tão raro que você podia dizer que meu irmão era o único no país inteiro com ele.”

Subaru: “É, eu sei. Quando a gente tava lutando contra o Culto da Bruxa, ele… err, ele. Ele realmente me aj… a-ajud— ghk. Ajudou, um… monte, então…”

Otto: “É tão difícil assim de admitir que ele te salvou!?”

Não. Mas recordar as suas brigas com Julius o fazia se sentir envergonhado sobre o que estava dizendo, além de fazer as velhas feridas de sua “luta” com ele formigarem.

Beatrice: “Eu já tinha ouvido falar de outro cavaleiro que usa espíritos. Mas que bela de uma coincidência ser o seu irmão, eu suponho.”

Joshua: “O que quer dizer com ‘bela de uma coincidência’. Espírito?”

Beatrice: “É óbvio o que eu quero dizer. Precursores estão fadados a serem superados, eu suponho. O melhor lugar para ele seria como uma simples decoração no glorioso caminho que Subaru e eu ire— nhaaha!”

Subaru: “Não saia por aí comprando briga com quem acabou de conhecer. Além do mais, eu não tenho chance contra o Julius. Eu nunca vou ganhar dele no que ele se especializa. Eu não desafio pessoas que são boas com quebra-cabeças a resolver um quebra-cabeça, eu desafio elas pra uma partida de Mario Kart.”

Subaru bagunçou o cabelo de Beatrice e curvou sua cabeça para Joshua, forçando Beatrice a se curvar também.

Subaru: “Desculpa. Eu não tava tentando falar mal do seu irmão. Na verdade, eu sei que sou menos habilidoso que ele. É só esse espírito aqui se gabando mesmo.”

Joshua: “Um julgamento admirável e correto. Quando você se compara ao meu irmão, é natural que reconheça sua inferioridade.”

Subaru: “Hã?”

Subaru estava tentando resolver a situação como um ser humano decente, mas a súbita arrogância de Joshua acabou piorando as coisas novamente. Enquanto ignorava Subaru, que estava cada vez mais confuso, o monóculo de Joshua brilhou estranhamente.

Joshua: “Sim. O meu irmão é incrível. Com vinte anos já era o segundo cavaleiro mais competente da Guarda Real, a mais importante Ordem de Cavaleiros do Reino. Por estar servindo Anastasia-sama, ele frequentemente tem que se distanciar de seu posto na guarda, mas assim que os desejos dela forem realizados, seu lugar como Líder da Guarda Real estará garantido. Ele tem uma relação próxima e amigável com o Santo da Espada Reinhard, e se porta de forma impecável tanto aos olhos do público quanto longe deles. Ele é rígido consigo mesmo e com os outros, disciplinado, ambicioso, sempre buscando melhorar. Sua beleza cativa dezenas de mulheres e sua personalidade é igualmente excelente. Sim, meu irmão é incrível. Você nem chega aos pés dele.”

Subaru: “…Uhh.”

Joshua falava incessantemente e com fervor, seu rosto avermelhado. Subaru ficou sem palavras, Beatrice também ficou perplexa. Garfiel e Otto permaneceram em silêncio, sem saber se isso poderia acabar se tornando fatal ou não, já Mimi estava ocupada demais se empanturrando de petiscos para ajudar. Havia apenas uma pessoa que poderia responder ao monólogo de Joshua.

Emilia: “Hehe. Joshua, você gosta bastaaante do seu irmão Julius.”

No recinto havia um anjo que levaria tudo para o lado positivo. Suas palavras fizeram Joshua perceber o que havia acabado de dizer, seu rosto estava corado, não de ânimo e sim de vergonha. Ele limpou a garganta, conseguindo manter a calma.

Joshua: “M-Mil perdões. Pode ser que eu tenha me deixado levar. Tenho alguns problemas de autocontrole quando se trata da minha família.”

Emilia: “Não, está tudo bem. Eu gostaria de ouvir você falar mais sobre o Julius. Eu só vi ele algumas vezes quando estava na Capital, então tem um monte de coisas que eu adoraria ouvir sobre ele.”

Joshua: “Sério!? Bem, tenho várias memórias com que ele que—”

Subaru: “Que tal deixarmos isso pra outra hora e voltar ao assunto de uma vez por todas!? O que acham da ideia, Otto! Garfiel!”

Ambos: “Hã?”

Subaru se intrometeu, forçando os dois na conversa mesmo quando estavam tentando ao máximo ficar de fora. Mas eles rapidamente acenaram com a cabeça em sinal de confirmação. Joshua então percebeu como haviam fugindo completamente do assunto e…

Joshua: “E-Então irei guardar as histórias do quão magnífico é o meu irmão para outra hora. Eu… A minha pessoa também deve cumprir com seus deveres e se reunir novamente com Anastasia-sama em breve.”

Emilia: “Certo. Estou tããão animada para isso. Demorou tanto tempo para finalmente chegarmos ao ponto… do que se trata essa visita?”

Enquanto Emilia calmamente entrava no Modo “Candidata da Seleção Real”, Joshua tentou manter a calma, ainda envergonhado de certa forma. O tom de voz deles ficou mais grave, fazendo com que a atmosfera na recepção ficasse mais pesada. Emilia era capaz de aumentar a tensão desse jeito pois reconheceu sua posição como um político emergente.

Joshua: “—Sou o porta-voz de minha mestra, Anastasia Hoshin-sama, falarei com Emilia-sama em seu lugar.”

A tensão fez com que a expressão facial de Joshua recuperasse seu calor. Ele pôs a mão em seu bolso, tirou de lá uma carta e a colocou na mesa. Abriu então a carta e olhou para as letras nela escritas com tinta negra.

Joshua: “Anastasia-sama deseja convidar você e todos os seus associados para a Cidade de Pristella.”

Emilia: “Um convite para a Cidade de Pristella… Pristella é a Cidade das Comportas, não é? Aquela cidade grande perto da fronteira entre o Reino de Lugnica e as Cidades-Estado de Kararagi.”

Joshua: “Correto. Anastasia-sama está lá no momento, não na Capital… e ela deseja convidá-la.”

Joshua silenciosamente abaixou sua cabeça. Emilia virou o olhar em direção a Subaru. Era óbvio que esse olhar queria dizer “O que você acha?”

Subaru se sentia da mesma forma quanto ao assunto. Todo mundo sabia que Anastasia vivia em uma mansão no distrito nobre da Capital quando estava em Lugnica. Quando Mimi disse sobre um convite para uma festa, Subaru tinha certeza de que seria na tal mansão.

Joshua: “Pristella é um lugar com uma vista e tanto. A cidade por si só já se destaca, servindo como um ponto turístico popular. Anastasia-sama se sente encantada e em paz lá.”

Subaru: “Seria uma boa se vocês estivessem só nos convidando pra um passeio, mas… vocês não estão, não é? A Emilia e a Anastasia não são amigas.”

Se não lhe falhava a memória, Subaru lembrava que Anastasia havia sido um tanto severa com Emilia durante os discursos no Palácio. As candidatas mais impiedosas com Emilia haviam sido ela e Priscilla. Enquanto Crusch simplesmente não era racista e Felt estava devendo uma a Emilia. Então, embora Anastasia tenha de fato ajudado nos confrontos contra a Baleia Branca e o Culto da Bruxa, a opinião pessoal de Subaru sobre ela não era das melhores.

Então ele duvidava de que ela a convidaria de bom grado. Como se para reforçar as dúvidas de Subaru, um sorriso se formou no rosto de Joshua, e…

Joshua: “Anastasia-sama está convidando você por beneficência. Ela percebeu que o objeto valioso o qual procura se encontra em Pristella.”

Emilia: “E o que seria?”

No mesmo instante que Emilia demonstrou interesse, a expressão de Otto se contorceu, como se gritasse “Ela mordeu a isca!”. Isso revelava que Joshua havia assumido o controle antes mesmo que pudessem fazer algo para pará-lo, mas Subaru ainda não conseguia entender o que poderia ter de tão importante nesse acordo.

Nesse meio-termo, o oponente já havia tomado controle total sobre a situação. Com um sorriso enorme no rosto, Joshua prosseguiu:

Joshua: “—Na Cidade de Pristella há uma loja que vende pedras mágicas, e ela possui as pedras incolores de primeira linha que desejam. Creio eu que, no momento, esteja em busca de algo para abrigar o Grande Espírito, não?”

—Assim que Joshua dominou a situação, a facção de Emilia estava fadada a ir para Pristella.

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