Ele partiu em uma corrida, lançando-se para frente.
Uma brisa soprou sobre o suor que escorria das suas sobrancelhas até seus olhos. Ele então piscou, ignorando-a. Seus pulmões doíam com cada respirada. Suas entranhas se contorciam em nós.
Ele cerrou seus dentes e dissipou toda sua dor. A única coisa que ainda restava em sua mente era a palavra “objetivo”.
“—!”
Alguém estava gritando ao longe. A voz se aproximava cada vez mais, chegando perto de Subaru enquanto ele corria. Com o chamado sendo seu ponto de referência, sua marcação, ele corria adiante e adiante—.
“—!”
A voz frenética o guiava. Desconsiderando a luz branca que inundava sua visão, ele corria. E,
???: “Objetivo, de fato!”
No segundo em que cruzou a linha de chegada desenhada de forma desajeitada sob seus pés, o céu e a terra trocaram de lugar. O mato rasteiro tocou levemente no topo de sua cabeça e Subaru instantaneamente pôs suas mãos no chão para dar um rolamento dianteiro. A ação habitual cancelou sua inércia e, com mais dois rolamentos desnecessários, ele caiu esparramado no chão.
Subaru: “Bhaabhb! Auhgg! Tá doendo tudo! Tá tudo fincando! Mas acabou! Eu consegui!”
Mesmo soltando suspiro após suspiro de forma irregular, ele ainda arrumou fôlego para berrar. Subaru reclamava como uma forma de revigorar seu coração titubeante. Ele não devia sentir que sua fatiga era apenas para manter as aparências, nem que seu esforço não passava de exercício. Ele devia lembrar que esse não era o fim e que ainda havia mais por vir. Toda vez que ele tentava ditar onde a linha de chegada era, para dar a si mesmo essa satisfação, Subaru punha a mão dele em seu peito e pensava naquela noite.
???: “Bom trabalho, Subaru, eu suponho.”
Uma pequena silhueta entrou no campo de visão de Subaru. Uma garota amável com um longo cabelo cor de creme e uma vestimenta extravagante — Beatrice.
O vestido balançando ao vento parecia não combinar com a campina enquanto ela oferecia uma toalha para Subaru. Ele a aceitou e secou vigorosamente sua própria cabeça com a toalha.
Subaru: “Ah, obrigado. Eu queria me refrescar, então isso é perfeito.”
Beatrice: “Antes que venha atribuir isso a mim, eu devo dizer que foi a Petra quem a esfriou, de fato. Vá agradecê-la e ela irá pular de alegria, eu suponho.”
Subaru: “A Petra realmente é atenciosa a esse ponto. Mas cara, é estranho de ver você aqui fora, Beako. Tem alguma coisa que te fez mudar de humor?”
Subaru balançou seus braços enquanto sentava e se aproximava de Beatrice. Ela pôs a mão dela na cintura dele, desviando o olhar.
Beatrice: “Foi só por capricho, de fato.”
Subaru: “Ah, uau, então foi só capricho, hein.”
Beatrice: “…E eu gostaria de ver pessoalmente como você é quando está se esforçando ao máximo, eu suponho.”
Enquanto mantém seu olhar desviado, Beatrice facilmente revelou suas segundas intenções. Ela era muito mais honesta agora. Subaru sente profundamente que o tempo lhe concedeu a confiança dela. Beatrice parecia querer dizer algo para Subaru enquanto ele sorria, mas,
Beatrice: “Bem, isso parece envolver bem mais coisas do que mera vadiagem, de fato. O que vem depois, eu suponho?”
Subaru: “Eu devo informá-la que essa vadiagem aí já é bem desgastante por si só, senhorita. E enquanto eu não posso dizer se eu vou alcançar ou não as suas expectativas, vou desafiar a pista de obstáculos dos sonhos da próxima vez.
Beatrice: “…Ah, correto, de fato. Você quer dizer o parquinho que o Garfiel montou na floresta, eu suponho. Obestakolo…?”
Subaru: “Pista de obstáculos. Você não precisa se forçar a memorizar. Só ignore isso.”
Beatrice: “Mas Subaru, eu quero entender todas as palavras que você diz, de fato.”
A frase doce fez com que as bochechas de Subaru relaxassem ainda mais, Beatrice pareceu confusa pela reação dele, antes de perceber o que acabara de dizer e a reação dela mudar instantaneamente. Suas bochechas adoráveis ficaram rosadas como frutas.
Beatrice: “N-Não, eu não quis dizer isso nesse sent… Apenas soou desse jeito, eu suponho.”
Subaru: “Não, não, não, não se preocupe. Eu sei exatamente o que você quis dizer. Tá tudo certo, eu também te amo.”
Beatrice: “Você não sabe de absolutamente nada, de fato!”
Subaru deu uma risada enquanto se levantava e, em seus abraços, colheu Beatrice, que estava com uma expressão amarga no rosto. Ela parecia estar desconfortável no colo dele, mas não faz reclamações sobre estar sendo carregada.
Beatrice: “Subaru, você fede a suor, Eu suponho.”
Subaru: “Respire com a boca então. Ou só drene a mana diretamente.”
Beatrice: “Eu irei deixá-lo seco de mana se é isso que está me pedindo, de fato.”
Subaru: “É você quem vai ficar chorando depois disso.”
Beatrice: “A-Até parece, eu suponho! Não me venha com esses absurdos, de fato!”
Com Beatrice em seus braços, Subaru disparou em uma corrida. Sua respiração voltou ao normal enquanto brincavam um com o outro. Beatrice era o peso ideal para se carregar correndo da pista no campo até a pista de obstáculos na floresta, visto como ela era bem mais leve do que parecia. Basicamente uma pena.
Subaru disparou com ela em mãos, tão leve que ele poderia criar asas.
A nova mansão deles era cercada de tanto verde quanto a antiga. Arbustos cresciam em abundância por todas as montanhas verdejantes. Subaru sentiu a brisa fresca em suas franjas enquanto corria.
Subaru: “OK! Tudo! Certo!”
A floresta era tão exuberante que ela afogava em verde tudo o que era visível. Aqui, Subaru correu adiante e levemente pôs sua mão em um tronco tombado, superando o obstáculo com apenas um pequeno salto e sua inércia. Saltar provava-se um método efetivo de locomoção em lugares recheados de obstáculos ou em áreas urbanas com construções similares. Profissionais de Parkour dominavam a técnica; era um esporte que Subaru assistia bastante na televisão, sempre impressionado com as características sobre-humanas dos atletas. Ele nunca nem imaginaria que acabaria por treinar na mesma área.
Subaru: “Hup! Hah! Certo!”
O aparelho de escalada era a estrela desta pista de obstáculos que Subaru fez Garfiel construir. O pilar central era composto por um poste largo enquanto troncos se reuniam no espaço em volta dele. Era essencialmente um trepa-trepa clássico, só que com um leve toque de vanguarda.
A coisa parecia um caos de se escalar mesmo indo com calma. Subaru saltou no aparelho com todo o momento de sua arrancada, usando o pouco contato de seus dedos e pés para se lançar para cima, como se estivesse escalando uma parede vertical. Ele subiu até o topo do trepa-trepa mais rapidamente do que os olhos podiam acompanhar. Mas essa proeza não acabou por aí, esse lugar servia para mais de um propósito.
Subaru: “Hup! Hup! Hup!”
Subaru alcançou a base do pico antes de saltar para a parte mais superior da estrutura. Ele olhou pra baixo. A queda parecia próxima da casa dos seis metros. Obviamente, nada havia sido colocado sobre o solo musgoso da selva. Mesmo com a terra ali podendo até ter sido macia algum dia, agora ela era dura. O que signicava que a queda terrível definitivamente machucaria. Contudo,
Subaru: “—Hah!”
Sem vacilar, Subaru se jogou em direção ao solo. Completamente indefeso como já estava, esse salto poderia ser considerado o pior de seus descuidos corriqueiros. Mas Subaru, sem hesitar, esticou suas pernas e entrou em contato com o chão. Ao sofrer a dor do impacto, ele se contorceu em horrível agonia — ou não.
Subaru: “—”
Subaru curvou suas pernas e se abaixou para dissipar o impacto, o que veio seguido de um rolamento frontal para evitar algum dano adicional. Mais um rolamento e daí mais outro até que ele se levantou usando os seus quatro membros, tendo sofrido nenhum machucado sequer. Ele meramente se escovou com as mãos, limpando a sujeira de sua roupa esportiva.
Essa era outra manobra do parkour; aterrissar e rolar. A manobra envolvia uma aterrissagem combinada com um rolamento para dispersar o impacto. Ela permitia que alguém caísse de forma segura de alturas moderadas. Apesar de não ser nada demais para pessoas sobre-humanas, era uma questão de vida ou morte para um ser humano normal como é o caso de Subaru. Apenas praticar esta técnica já devia ampliar o horizonte das coisas que ele podia fazer.
Subaru: “Então é basicamente isso. Isso melhorou sua opinião sobre mim?”
Subaru abriu seus braços e olhou para Beatrice, que assistiu tudinho. Beatrice sentou calmamente no toco para espectadores com seus olhos arregalados.
Beatrice: “Honestamente, eu estou um pouco surpresa, de fato. Isso aprimorou minha opinião de certa forma, eu suponho.”
Subaru: “Então você voltou a me amar?”
Beatrice: “Subaru, recentemente eu estou tendo problemas para deduzir o que você está querendo me fazer dizer, de fato!
Subaru: “Eu só quero saber que você me ama.”
A atitude de Beatrice já demonstrava isso o suficiente. Subaru deu um sorriso para o rosto corado da indignada Beatrice antes de olhar para trás.
Como mostrado por esse local de parkour, parte da floresta foi redesenhada para virar uma pista de obstáculos para Subaru. Ninguém iria reclamar disso, já que estava nas terras de Roswaal. Mas Subaru se viu tentado pelo seu honesto desejo de colocar Garfiel para trabalhar com construção, visto o quão facilmente ele preparou as madeiras e construiu isso tudo.
Garfiel era surpreendentemente hábil com as mãos e atento aos detalhes. Talvez seu talento jovem e imprudente floresceria para outras coisas futuramente.
Subaru: “De qualquer forma, acho que já chega por hoje.”
Beatrice: “Huwah, eu suponho.”
Subaru pegou a toalha que Beatrice jogou até ele e limpou seu suor como havia feito no campo. Ele então alongou suas pernas, cintura, e por aí vai. O antigo mundo já o havia ensinado a importância de se flexionar, mas agora que estava seriamente exercitando seu corpo, ele realmente sentia os efeitos.
Ele não conseguia fazer a espargata, mas ficou mais flexível. Subaru pôs seus pés em um pedaço de tronco próximo a ele e alongou seu corpo. Assim que se sentou e abriu as pernas, Beatrice foi atrás e pressionou o corpo dele para baixo, impulsionando-o em direção ao chão.
Subaru: “Alongamento encerrado. Certo, vamos voltar pra mansão e ficar de boa.’
Beatrice: “Certamente, de fato.”
Antigamente, esse comentário certamente faria com que recebesse um insulto, mas Beatrice o aceitou sem contra-argumentar. Ela estava acostumada tanto com o tratamento que Subaru dava a ela quanto com a forma de respondê-lo. Beatrice esticou suas mãos até ele, Subaru as aceitou e, de mãos dadas, eles saíram da floresta.
Subaru: “Beako, você tá se segurando quanto à drenagem de mana? Eu sinto como se você estivesse pegando menos do que o normal.”
Beatrice: “Eu sou pelo menos gentil o suficiente para tomar cuidado quando você está exausto, eu suponho.”
Subaru: “Ora, ora, incrível como sua opinião mudou dentro dessas curtas duas horas. Mas a gente não quer que você sofra com isso, então volta ao normal.”
Subaru deu um sorriso torto para Beatrice enquanto levantava suas mãos interligadas. Ela olhou para ele com o canto do olho e suspirou. Ele sentiu instantaneamente a mesma sensação de sempre. Beatrice estava adentrando diretamente no portão fechado de Subaru. Esta era uma porta dos fundos dedicada a extrair mana de Subaru sem que seja necessário passar pela entrada. Apenas ela conseguia usar essa porta dos fundos, e essa era a tábua de salvação de Subaru.
O portão de Subaru, usado e abusado, parou de funcionar completamente. Mas perder o seu portão não impediu o Od dele de continuar gerando pequenas quantidades de mana. Na verdade, ele continuou gerando mais e mais mana apesar da falta de um canal de saída. Se continuar assim, a mana de dentro do Subaru ficará descontrolada e ele vai estourar feito um sapo inflado — era assim que ele entendia.
Mas, deixando de lado se ele realmente vai explodir, Beatrice dizia para ele que era uma coisa perigosa. Já que a troca de mana, ao mesmo tempo que necessária para preservar o contrato deles, resolvia esse problema, Subaru e Beatrice deviam absolutamente ter contato físico pelo menos uma vez ao dia. Subaru estava constantemente concentrando pequenos amontoados de mana, e Beatrice precisava de mana para funcionar. Em termos de personalidade e constituição, a compatibilidade deles era excelente. Porém,
Subaru: “Se você pudesse drenar mana de pessoas além de seu contratante, a gente facilmente poderia manter você no modo mega loli.”
Beatrice: “Não vá ficar remoendo sobre isso, eu suponho. Eu pensei que nós havíamos entrado em um acordo sobre isso há muito tempo, de fato. E você está acumulando mana, mesmo que seja em pequenas quantidades, eu suponho. Mesmo que sejam menores do que as lágrimas de um pardal.”
Beatrice tinha uma mania de drenar mana apenas do seu contratante. Ela tinha ficado constantemente e aleatoriamente drenando mana das pessoas na mansão de Roswaal antes, mas aparentemente isso envolvia usar a Biblioteca Proibida como um mediador.
Beatrice: “A Biblioteca Proibida foi elaborada de forma a mediar o meu consumo de mana, drenando das entidades de dentro da mansão, de fato.”
Era a explicação de Beatrice. Então o plano de drenar mana de Garfiel, que parecia ter em excesso, ou de Emilia, que a princípio tinha dificuldades para lidar com sua vasta quantia dela, era um não. Era como se alguém estivesse silenciosamente dizendo a ele: “é claro que não iria tudo funcionar assim tão perfeitamente.”
Mas, apesar de inicialmente estar decepcionado, agora ele estava orgulhoso disso. Hoje, o contato entre eles era um ritual que representava mais do que apenas a relação dos dois, e ele gostava de sentir a verdade sobre a conexão deles. O relacionamento entre o espiritualista Subaru e o espírito Beatrice era de certa forma diferente daqueles espiritualistas normais. Eles precisavam reconhecer como a parceria deles os representava, fazendo coisas desse tipo.
Beatrice: “Terminei, de fato. Isso é o suficiente para me preencher por hoje, eu suponho.”
Subaru: “Cer, to, haauh… nada, demais… haa… haa…”
Beatrice: “Eu já decidi não comentar quando você começa com suas fanfarronices, de fato.”
Encerrado o seu ritual diário, Beatrice olhou categoricamente para Subaru. Eles tiraram os pés da trilha da floresta e os colocaram em chão pavimentado, provando estarem próximos da mansão. O caminho lembrava aquele dos tempos do Vilarejo de Arlam, mas agora que ele passava pela cidade próxima, Costuul, tudo parecia ser muito menos remoto.
Beatrice: “Se eu fosse escolher, eu diria que prefiro a floresta calma, eu suponho.”
Subaru: “Eu acho que tanto as cidades barulhentas quanto as florestas calmas têm o seu charme. Eu não escolheria entre as duas. Mas, considerando que a Capital é a única cidade grande que eu vi até agora, Costuul parece ser bem moderna.”
Beatrice: “Humpf, de fato, Subaru, suas ideias são incompatíveis com as de Betty, eu suponho.”
Beatrice fez beicinho, demonstrando clara insatisfação. Subaru a puxou para a frente, repreendendo ela com um “arram arram” enquanto seguia em direção ao caminho para a mansão. Até que,
???: “—Subaru-sama! Beatrice-chan!”
Alguém gritou o nome deles e os dois olharam em direção à voz. Lá encontraram uma garota correndo até eles no caminho para a mansão. O rosto e a voz dela eram familiares, e o seu adorável semblante se iluminou ao ver Subaru e Beatrice. O cabelo ruivo que chegava aos ombros dela vibrou ao vento. A curvatura dos olhos dela davam ao seu rosto expressivo ainda mais charme. Qualquer um se encontraria sorrindo diante de seu comportamento amigável e amável.
Uma doce flor selvagem, longe do alcance de qualquer um. Essa seria uma boa descrição de Petra Leyte.
Petra: “Eu estava prestes a ir buscá-los. Ainda bem que nós não nos desencontramos.”
Disse Petra após correr até eles, sem ar e com a mão em seu peito. Subaru acariciou a cabeça dela em resposta.
Subaru: “Pra que a pressa? A gente não ia fugir. Você deixou alguma torta assada preparada pra nós na temperatura perfeita ou algo do tipo?”
Beatrice: “Então faria total sentido que ela estivesse com pressa, de fato. Já que é incrivelmente importante, eu suponho.”
Petra: “Não! Não é isso! Vocês estão sendo maldosos!”
Enquanto Beatrice acenava com a cabeça solenemente, Petra bufou pela boca, enchendo as bochechas. Ela fez um gesto para retirar da sua cabeça a mão de Subaru. Mas quando as mãos dela se fecharam com a dele, ela parou. Continuou segurando a mão de Subaru e, com as bochechas coradas, continuou,
Petra: “Deixando de lado as tortas por enquanto, é sobre outra coisa. A mansão recebeu um convidado. Emilia-sama disse para ir buscá-lo, e…”
Subaru: “Espera, Petra. Calma aí. Eu tô com um pressentimento horrível sobre isso.”
Petra: “Hã?”
Claramente cauteloso, Subaru interrompeu Petra. Ela parecia surpresa com isso, mas Beatrice não. Ah, sim. Beatrice testemunhou as mesmas coisas que Subaru, levando em conta que eles estiveram juntos desde que se mudaram para a nova mansão, um monte de coisas aconteceu entre hoje e o dia em que saíram do Santuário.
Subaru: “A conversa vai sempre seguindo exatamente o mesmo padrão. Quando você ou a Frederica ou às vezes o Otto ou talvez o Garfiel aparecem pra me buscar, sempre significa problemas. Eu já aprendi isso.”
Beatrice: “Um convidado repentinamente aparece quando Subaru está fora… certamente, isso com certeza é o ‘padduraum’ evidenciando infortúnio, eu suponho.”
Petra: “B-Beatrice-chan, você está usando as palavras que o Subaru-sama usa…! Subaru-sama, pare de ensiná-la coisas estranhas!”
Subaru: “O consenso da mansão era de que a Beako fizesse aquilo que ela quisesse. Mas enfim, quanto ao convidado, Petra, a Beatrice e eu estamos ausentes devido a uma dor de estômago.”
Petra: “Não! Vocês! Não estão! Emilia-sama ficará furiosa! E eu não tenho motivos para desobedecê-la, venha, por aqui!”
Petra costumava ser adepta a ele, mas viver por aqui levou ela a se opor a Subaru quando necessário.
As mãos dela agarraram o braço de Subaru e ela o puxou, esforçando-se com tudo de si para levá-lo. Enquanto fazia isso, Subaru olhou para Beatrice com sua mão juntamente com a dela.
Subaru: “Beako.”
Beatrice: “Aproveite o seu dia, de fato.”
Subaru: “Você vem junto!”
Beatrice: “Ghhah, eu suponho!”
Começou como uma súplica por ajuda e instantaneamente virou confusão. Beatrice se debatia rapidamente para tentar escapar dele, mas Subaru mantinha uma pegada firme com sua mão esquerda. E a mão direita dele estava sendo puxada por Petra, deixando ela sem escapatória. Com Subaru impedindo a fuga de Beatrice e com Petra impedindo a fuga de Subaru, o trio se aventurou nessa formação ridícula em direção à mansão.
Subaru: “Eu sei que já é tarde demais pra mandar o visitante embora… mas isso só me faz querer que a gente tivesse sido comunicado mais cedo.”
Petra: “Você quer dizer um mensageiro de um mensageiro? Mas aí não saberíamos até onde nós precisaríamos ir para antecipar tudo. Isso é óbvio.”
Subaru: “Eu só estou dizendo que seria bom para a saúde mental e os relacionamentos de todos se a gente fizesse algo a respeito disso. De qualquer forma, você sabe quem é o visitante de hoje, Petra?
A pessoa recebendo o convidado teria que ser Petra, Frederica ou Ram. Uma dessas três. Já que Petra estava aqui buscando Subaru, uma das outras duas teria que lidar com o convidado.
Petra: “Hmm, bem, na verdade não…”
Subaru: “Você realmente não sabe? Talvez você não tenha visto o brasão deles, mas você deveria ter visto o mensageiro. E mesmo que você não tenha visto, eu estou certo de que teriam dito alguma coisa pra você quando disseram pra vir buscar a gente…”
Petra: “Eles estavam incrivelmente apressados, dizendo que o convidado era alguém extremamente importante. Apesar de que ele não parecia importante.”
Subaru: “Você não deveria julgar muito a aparência das pessoas. Às vezes você vê algumas garotinhas com poderosas tranças em forma de broca e que também dominam poderes sombrios. Mesmo parecendo serem uma mera Loli usando vestido, na verdade elas presidem sobre—”
Beatrice: ”Calado, eu suponho!”
Beatrice era quem estava cancelando as piadas, deixando Subaru mudo. Petra olhou para o Subaru recém-silenciado, ainda preocupada.
Petra: “Eu não julgo mais as pessoas com base na aparência delas.”
Subaru: “Muito bem, Petra. Não sei exatamente o que aconteceu pra você mudar isso, mas foi importante que você tenha mudado.”
Petra: “Eu pensava que o novo mordomo de olhos assustadores que veio para a vila era um esquisito… mas na verdade ele não era.”
Subaru: “Tomei de volta!!”
Tendo sido atingido em um lugar onde não esperava, Subaru inclinou sua cabeça para Petra. Ignorando as primeiras impressões dela sobre ele, a coisa que ela mencionou antes era importante. Petra não julgava as pessoas pela aparência delas, mas ainda acreditava que esse visitante era estranho.
Subaru: “Então, como ele é?”
Petra: “Eu acho que… um gatinho?”
Subaru: “Um gatinho?”
A imagem de um gato espírito cinza abanando sua longa cauda veio em mente diante da palavra “gatinho”. Os sentimentos de Subaru por ele eram complexos, e existiam coisas sobre as quais eles tinham que conversar após o retorno dele algum dia.
Subaru: “Eu tenho que pedir a mão da filha dele.”
Beatrice: “Eu pensei no Nii-cha também, mas a Petra com certeza já o viu antes, eu suponho. Então não poderia ser ele, de fato. Petra, que tipo de gatinho era, eu suponho?”
Petra: “É tão fofo você também estar chamando ele de gatinho, Beatrice-chan.”
Beatrice: “Pe! Tra!”
Disse Beatrice, indignada com a Petra provocadora. Petra falou um leviano “perdão, perdão” e olhou para cima, pensativa.
Petra: “Eu acho que ele não era necessariamente um gatinho. Eu realmente nunca tinha visto um antes, mas eu suponho que ele era uma espécie felina de demi-humano, se bem que eu sempre imagino o Garfiel-nii-sama quando penso em demi-humanos.”
Subaru: “O Garf é mestiço, e ele não tem nenhum traço demi-humano que é assim tão descaradamente óbvio. O máximo que você consegue captar numa olhada mais de perto é o quão intenso os olhos dele são.”
E eu acho que você poderia mencionar os seus dentes caninos afiados. De acordo com Garfiel, seus dentes caninos sempre continuarão crescendo, muito parecido com os incisivos dos roedores, e ele precisava mastigar objetos duros para mantê-los longos e afiados. Não era muito incomum Ram ou Frederica pirarem ao pegá-lo mastigando os corrimões da mansão.
Subaru: “Então um demi-humano que realmente parece um demi-humano veio até aqui. Se ele é felino então eles provavelmente é bestial, e eu conheço alguns desses.”
Na Capital era de se esperar, mas Costuul também possuía muitos demi-humanos bestiais. Um longo período de tempo acabou dissolvendo a discriminação contra os demi-humanos no domínio de Roswaal, o Apreciador de Demi-Humanos. Isso fez com que essa área fosse uma região melhor para os demi-humanos viverem, pelo menos era o que dizia o balconista com orelhas de coelho que vivia por perto. Mas Petra, que passava o tempo dela trabalhando na mansão e ia para a vila de Arlam ao invés de Costuul nos seus dias de folga, naturalmente estava menos familiarizada com eles.
Petra: “Eu entendo. Você poderia me levar pra conhecer Costuul no meu próximo dia de folga então?
Subaru: “Sim, com certeza. Eu te garanto que você irá lá pra fazer compras e essas coisas, e você vai querer fazer quantos amigos você conseguir.”
Subaru fez essa promessa impensada e Petra ergueu o punho em alegria. Beatrice apenas olhou e deu um sorriso irônico para Subaru.
Subaru: “Eeeee chegamos. De volta ao nosso amado lar.”
Os portões entraram no campo de visão deles durante a conversa e Subaru levantou suas mãos ainda conectadas com as das garotas. Ele ignorou os protestos das duas em resposta ao movimento, que as obrigou a se esticar, e corrigiu a própria postura enquanto olhava para a mansão.
Essa era a nova mansão que substituiu a antiga, que fora queimada. Sua área externa passava o mesmo ar ocidental que a antiga dava, e o design dela era similar. Existia espaço entre os portões frontais e a porta de entrada, com jardins relvados flanqueando o caminho de pedras. No lado direito tinha uma fonte, enquanto o lado esquerdo seguia a um caminho para as extremidades laterais da mansão, onde carruagens estão estacionadas e se localizava os estábulos para dragões terrestres.
A fonte vinha com uma instalação de flores coloridas e, em um horário fixo do dia, ela as irrigava com água. Uma seção do canteiro possuía a horta de vegetais de Subaru e Petra, o que os permitia colher vegetais frescos na estação. Eram bem elogiados quando a safra era abundante.
O grupo passou pelo jardim frontal e o caminho de pedras, indo em direção à larga porta-dupla. A aldraba possuía o símbolo do brasão da família Mathers com o desenho da ave de rapina, o que de fato fazia tudo soar como patrimônio dos Mathers.
Subaru: “Eu reparei numa carruagem não familiar nos estábulos. Acho que é do visitante.”
Petra: “A carruagem é uma carruagem de dragão, mas ela não estava sendo puxada por nada que lembrasse a Patrasche-chan. Não era um dragão, estava mais para um cachorro grande.”
Subaru: “Puxada por um cachorro grande… espera, talvez seja…”
Usando as suas memórias e seu bestiário mental, Subaru conseguiu uma pista da identidade do visitante. Mas antes que conseguisse alcançar uma resposta definitiva, a solução acabou encontrando ele. Assim dizendo,
???: “Oh! Ouuláá senhor, faz muuuuuito tempo! Você esteve bem!?”
Uma voz aguda estupidamente alegre chegou zunindo em Subaru, surpreendendo-o enquanto ele abria a porta. Petra deu um sorriso torto e Beatrice apertou a mão de Subaru levemente. Com essas reações pelo canto do olho, ele olhou adiante em direção à figura à sua frente.
Ela era pequena. Menor do que Petra, mas um pouco maior que Beatrice. O que significava que ela era da altura de uma criança, mas talvez seja a altura máxima que ela vá alcançar. O corpo dela estava coberto em uma pelagem laranja curta e suas orelhas de gatos alertas eram adoráveis. Seus olhos transbordavam de curiosidade e a boca barulhenta dela estava curvada maliciosamente. A longa trança laranja dela era muito feminina, e o roupão branco na medida a fazia parecer ainda mais fofa.
Ela era efetivamente uma gatinha bípede e, em algum sentido, um sonho para um amante de gatos. Uma felina — e uma que Subaru conhecia.
Subaru: “Mimi! Quanto tempo. Você tá cheia de energia como sempre!”
Mimi: “Mhm! Sim! Eu estou super hiper cheia de energia! Você entende, senhor! E eu cresci mais ainda e agora eu sou uma adulta. Hmhmhn!”
Mimi pôs a mão na cintura, sorrindo orgulhosamente enquanto sua cauda balançava de lá para cá. Ela parecia ser uma garota enérgica e animada, mas na verdade era a segunda no comando do grupo de mercenários chamado Presa de Ferro, com poderes de combate consideráveis e várias outras surpresas. Uma vez ela ajudou Subaru a lutar contra a Baleia Branca e Petelgeuse, e ela tem essa tendência de ser exageradamente amigável e familiar com todo mundo, o que talvez faça dela a melhor amiga que ele fez naturalmente durante todo o negócio.
A propósito, a companhia Presa de Ferro era basicamente o exército privado da adversária política de Emilia, Anastasia Hoshin, então eles eram inimigos, partindo desse princípio. Mas ser hostil com Mimi era uma questão totalmente diferente.
Subaru: “Obrigado por virem. Certo, introduções. Essa empregada fofa aqui é a Petra. Ela é uma empregada em desenvolvimento que trabalha na nossa mansão. E essa loli ostensivamente cautelosa é a Beatrice.”
Mimi: “Tá bão! Entendi! A empregada que é a Petra e o seu neném! Entendi! Eu não irei esquecer!”
Beatrice: “E-Eu sinto que ela está se lembrando de mim de maneiras terrivelmente inapropriadas, de fato…!”
Beatrice estava tremendo e se escondendo atrás das costas de Subaru. Parecia que ela estava assustada com Mimi e o jeito impiedoso dela. Mimi mergulhou até ela sem misericórdia,
Mimi: “O quê? Você nunca irá ser grande como eu se ficar se encolhendo desse jeito! Vamos lá, saia daí, apareça!”
Beatrice: “O qu, não, qu, pare, eu suponho! Betty não liga de ser pequena, e você é muito pequena para estar dizendo isso de qualquer forma, de fato!”
Mimi: “Hmhm! Escute, Eu sou enorme por dentro, então minhas partes externas vão me alcançar em breve! O Chefe me disse!”
Beatrice: “Isso não faz sentido, eu suponho!”
Mimi puxou Beatrice para a frente, controlando ela completamente. Beatrice olhou para Subaru pedindo por socorro, mas ele adorava vê-la sendo tímida com as pessoas ao mesmo tempo em que fazia amigos, e simplesmente a assistiu com um olhar paterno.
Petra: “Hm, Subaru-sama. Beatrice-chan está olhando para você extremamente aterrorizada.”
Subaru: “As pessoas amadurecem lutando contra suas fraquezas. A Beako tem aversão demais a coisas novas, então é melhor que ela já comece a desenvolver essa mentalidade de desafiante. Vamos assisti-la em silêncio, mamãe.”
Petra: “M-Mamãe… s-sim, vamos.”
Subaru percebia seu erro ao ver Petra corar e se calar. Mas corrigir seria um caos então ele preferiu deixar as coisas seguirem. Ele virou sua atenção para Mimi, que estava dançando em círculos em volta da sala enquanto segurava firmemente a mão de Beatrice.
Subaru: “Mas se você tá aqui, então os outros… os seus irmãos ou o Ricardo tão com você? Aliás, eu iria realmente preferir que aquele Julius não aparecesse sem agendar antes.”
O cavaleiro de Anastasia, Julius Juukulius, tinha uma relação muito complicada com Subaru. Subaru duvidava de se poderia ser sincero com ele mesmo o vendo cara a cara. Subaru sabia que tinha problemas em lidar com Anastasia, mas ainda preferia ela a Julius. No entanto, Mimi deixou as preocupações de Subaru de lado chacoalhando a cabeça dela.
Mimi: “Não, nem o Hetaro nem o Tivey nem o Chefe nem o Julius nem a minha Patroa estão aqui! É só eu! Eu estou aqui sozinha! Hmhm!”
Subaru: “Isso é impressionante e tudo mais, mas… por que você tá aqui, então?”
Mimi: “Ummm, uhh, ah sim!”
Mimi inclinou a cabeça dela antes de saltar sobre Beatrice. Ignorando Beatrice, Mimi deu um sorriso radiante,
Mimi: “Eu estou te convidando para uma festa! Minha Patroa disse ‘vamos todos dar uma volta!’ Então aqui estou eu para convidá-lo! Eu estou super animada! Super! Animada!”